O Papa Francisco pede aos catequistas custodiar e alimentar a memória de Deus

Papa Francisco. Foto: Grupo ACI

VATICANO, 30 Set. 13 / 09:46 am (ACI/EWTN Noticias).- Ao presidir na manhã de ontem na Praça de São Pedro, para milhares de fiéis e peregrinos, a Missacom ocasião da Jornada dos Catequistas, o Papa Francisco lhes exortou a serem “homens e mulheres que custodiam e alimentam a memória de Deus na própria vida, e sabem despertar no coração de outros”.

Com ocasião da jornada, catequistas de vários lugares do mundo peregrinaram ao Túmulo de Pedro, no marco do Ano da Fé.

O Santo Padre advertiu sobre o risco atual dos cristãos “de acomodar-se, da comodidade, da mundanidade na vida e no coração, de ter como centro o nosso bem-estar”.

“É a mesma experiência do rico do Evangelho, que vestia roupas de luxo e todo dia dava banquetes abundantes; isto era importante para ele. E o pobre que estava à sua porta e não tinha de que se alimentar? Não era tarefa sua, não o olhava”.

O Papa assinalou que “se as coisas, o dinheiro, a mundanidade transformam-se no centro da vida, apoderam-nos, nos possuem e nós perdemos a nossa própria identidade de homens: vejam bem, o rico do Evangelho não tem nome, é simplesmente ‘um rico’. As coisas, aquilo que possui são a sua face, não há outro”.

“Como isto acontece? Como os homens, talvez também nós, caímos no perigo de fechar-nos, de colocar a nossa segurança nas coisas, que no fim roubam-nos a face, a nossa face humana? Isto acontece quando perdemos a memória de Deus”.

“‘Ai daqueles que vivem comodamente em Sião’, dizia o profeta. Se falta a memória de Deus, tudo se nivela, tudo se nivela ao ‘eu’, sobre o meu bem-estar”.

Francisco indicou que se falta a memória de Deus, “a vida, o mundo, os outros, perdem a consistência, não contam mais nada, tudo se reduz a uma só dimensão: o ter”.

O Santo Padre advertiu que “se perdemos a memória de Deus, também nós perdemos a consistência, também nós nos esvaziamos, perdemos a nossa face como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada se torna ele mesmo nulidade – diz um outro grande profeta, Jeremias. Nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus, não à imagem e semelhança das coisas, dos ídolos!”.

“Então, olhando-vos, pergunto-me: quem é o catequista? É aquele que protege e alimenta a memória de Deus; protege-a em si mesmo e a desperta nos outros”.

O Papa assinalou “é bonito isto: fazer memória de Deus, como a Virgem Mariaque, diante da ação maravilhosa de Deus em sua vida, não pensa na honra, no prestígio, nas riquezas, não se fecha em si mesma”.

“Pelo contrário, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo e ter concebido o Filho de Deus, o que faz? Parte, vai até a anciã parente Isabel, também esta grávida, para ajudá-la; e no encontro com ela? seu primeiro ato é a memória do agir de Deus, da fidelidade de Deus na sua vida, na história do seu povo, na nossa história: ‘A minha alma glorifica o Senhor…porque olhou para a humildade da sua serva…de geração em geração a sua misericórdia’”.

Francisco destacou que “Maria tem memória de Deus”.

“Neste cântico de Maria há também a memória da sua história pessoal, a história de Deus com ela, a sua própria experiência de fé. E é assim para cada um de nós, para cada cristão: a fé contém propriamente a memória da história de Deus conosco, a memória do encontro com Deus que se move primeiro, que cria e salva, que nos transforma”.

O Papa remarcou que “a fé é memória da sua Palavra que aquece o coração, das suas ações de salvação com a qual nos doa a vida, nos purifica, nos cura, nos alimenta”.

“O catequista é propriamente um cristão que coloca esta memória a serviço do anúncio; não para fazer-se ver, não para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo aquilo que Deus revelou, isso é a doutrina em sua totalidade, sem cortar ou acrescentar”.

O catequista, destacou o Papa, “é um cristão que leva em si a memória de Deus, deixa-se guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e sabe despertá-la no coração dos outros. Isto requer esforço! Compromete toda a vida!”.

“O próprio Catecismo o que é senão a memória de Deus, memória da sua ação na história, do seu fazer-se próximo a nós em Cristo, presente na sua Palavra, nos Sacramentos, na sua Igreja, no seu amor?”.

“Queridos catequistas, pergunto a vocês: somos nós a memória de Deus? Somos verdadeiramente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que aquece o coração?”.

O Santo Padre lhes perguntou também “Qual caminho percorrer para não ser pessoas ‘superficiais’, que colocam a sua segurança em si mesmo e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus? Na Segunda Leitura, São Paulo, escrevendo sempre a Timóteo, dá algumas indicações que podem sinalizar também o caminho do catequista, o nosso caminho: tender à justiça, à piedade, à fé, à caridade, à paciência, à mansidão”.

“O catequista é homem da memória de Deus se tem uma constante, vital relação com Ele e com o próximo; se é homem de fé, que confia verdadeiramente em Deus e coloca Nele a sua segurança; se é homem de caridade, de amor, que vê todos como irmãos; se é homem de ‘hypomoné’, de paciência, de perseverança, que sabe enfrentar as dificuldades, as provações, os insucessos, com serenidade e esperança no Senhor; se é homem brando, capaz de compreensão e misericórdia”.

“Rezemos ao Senhor para que sejamos todos homens e mulheres que protegem e alimentam a memória de Deus na própria vida e sabem despertá-la no coração dos outros. Amém”, concluiu.

(Fonte: ACI Digital)

China: Ordenados seis sacerdotes que oferecem sacrifício e dedicação até o martírio

Foto referencial.

ROMA, 30 Set. 13 / 01:00 pm (ACI/EWTN Noticias).- Na Diocese de Yong Nian, na China, ordenaram-se seis novos sacerdotes, que confirmaram estar dispostos a sacrificar-se e dedicar-se ao seu ministério inclusive até o martírio.

Conforme informou a agência vaticana Fides, a ordenação se realizou em 21 de setembro, festa do apóstolo São Mateus, presidida pelo Bispo de Yong Nian, Dom Yang Xiang Tai, enquanto o Bispo Coadjutor Sun Ji Gen celebrou aEucaristia, concelebrada por 85 sacerdotes.

Durante a homilia, o sacerdote Zheng Rui Ping assinalou que esta ordenação sacerdotal tem um significado especial por realizar-se durante o Ano da Fé.

Três dos novos sacerdotes são do mesmo vilarejo, pela primeira vez na história da diocese que isso acontece. Um destes é filho único.

Durante a Missa também se explicou que o significado dos bordados das vestes dos novos presbíteros é recordar que os sacerdotes devem estar sempre preparados, inclusive a derramar seu sangue pela Igreja de Cristo.

A diocese de Young Nian conta com 150 mil fiéis e, desde 21 de setembro, um total de 85 sacerdotes.

(Fonte: ACI Digital)

Um cristão é capaz de enfrentar as humilhações com alegria e paciência, diz o Papa

VATICANO, 27 Set. 13 / 03:53 pm (ACI/EWTN Noticias).- A prova para compreender se um cristão é um cristão realmente está na “capacidade de suportar com alegria e paciência as humilhações”. Assim o indicou o Papa Francisco nesta manhã na homilia da Missa que presidiu na Casa Santa Marta onde reside.

O Papa voltou novamente a advertir sobre o perigo das “tentações do bem-estar espiritual”, que impedem de amar a Cristo com todo o coração. Sim, “mas até um certo ponto.” O perigo da tibieza, de uma fé feita de cálculos e de passos contidos, sempre está à espreita. E o Papa Francisco desenvolveu o seu pensamento, de um modo que não deixa lugar a desculpas. O ponto de partida é o Evangelho de Lucas, na passagem onde Jesus pergunta primeiro aos seus discípulos o que as pessoas falam Dele e depois o que eles próprios pensam, até a resposta de Pedro: “O Cristo de Deus”.

“Esta pergunta é dirigida também a nós”, diz o Papa, que enumera imediatamente depois uma série de respostas das quais se filtra a essência de uma fé amadurecida pela metade. “Para ti, quem sou eu? O proprietário desta empresa, um bom profeta, um bom professor, alguém que faz que o seu coração se sinta bem?”. Sou “alguém que caminha contigo na vida, que te ajuda a seguir adiante, a ser um pouco ‘bom?” Sim, é verdade, mas a coisa não acaba aí.

“Foi o Espírito Santo que tocou o coração de Pedro para dizer quem é Jesus. Se é o Cristo, o Filho de Deus vivo, é um mistério, né? Quem pode explicá-lo?… Mas ele o disse! Se cada um de nós, na oração, olhando para o tabernáculo, disser ao Senhor: ‘Tu es Cristo, o Filho de Deus vivo”, primeiro não o pode dizer por si mesmo, tem que ser o Espírito Santo quem o diga nele. E, segundo, prepara-te, porque Ele responderá: “É verdade”.

“Jesus pede a Pedro que não revele a sua resposta a ninguém e anuncia a sua Paixão, morte e Ressurreição”. E aqui, o Papa Francisco recorda a reação do chefe dos Apóstolos, como se descreve no Evangelho de São Mateus, que declara: “Isto não acontecerá jamais”. “Pedro se assusta, se escandaliza”, nem mais nem menos que outros cristãos que dizem: “isso nunca vai acontecer! Vou seguir-te até aqui”. Este é o modo para “seguir Jesus para conhecê-lo até um certo ponto”.

“E esta é a tentação do bem-estar espiritual. Temos tudo: temos a Igreja, temos Jesus Cristo, os sacramentos, a Virgem Maria, tudo, um bom trabalho para o Reino de Deus; somos bons, todos. Porque pelo menos temos que pensar isto. Porque se pensarmos o contrário é pecado! Mas não basta. Com o bem-estar espiritual até um certo ponto”.

“Como o jovem que era rico: ele queria ir com Jesus, mas até um certo ponto. Falta essa última unção do cristão, para ser um cristão realmente: a unção da cruz, a unção da humilhação. Ele se humilhou até a morte, a morte de tudo. Esta é a pedra de comparação, a verificação da nossa realidade cristã: Eu sou um cristão de cultura e bem-estar? Ou eu sou um cristão que acompanha o Senhor até a cruz? O sinal é a capacidade de suportar as humilhações”.

O escândalo da cruz, no entanto, continua a bloquear muitos cristãos. Todos, diz o Papa, querem ressurgir, mas “nem todos” pretendem fazê-lo pelo caminho da cruz. E, ainda mais, se queixam das injustiças ou afrontas sofridas, comportando-se contrariamente ao que Jesus fez e pede para imitar.

“A verificação se um cristão é um cristão realmente é a sua capacidade de suportar com alegria e paciência as humilhações, já que isso é algo que não gostamos… Há muitos cristãos que, olhando para o Senhor, pedem humilhações para se assemelhar a Ele. Esta é a escolha: ser cristão do bem-estar – que vai para o Céu, certo de salvar-se! – ou ser o cristão que está próximo a Jesus, pelo caminho de Jesus”.

(Fonte: ACI Digital)

Igreja no mundo: Um pobre […] jazia ao seu portão

Concílio Vaticano II
Constituição sobre a Igreja no mundo atual, «Gaudium et Spes», § 69

Um pobre […] jazia ao seu portão

Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os homens e povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente às mãos de todos, segundo a justiça, secundada pela caridade. Sejam quais forem as formas de propriedade, conforme as legítimas instituições dos povos e segundo as diferentes e mutáveis circunstâncias, deve-se sempre atender a este destino universal dos bens. Por esta razão, quem usa desses bens não deve considerar as coisas exteriores que legitimamente possui só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si mas também aos outros.

De resto, todos têm o direito de ter uma parte de bens suficiente para si e suas famílias. Assim pensaram os Padres e os Doutores da Igreja, ensinando que os homens têm obrigação de auxiliar os pobres e não apenas com os bens supérfluos. E aquele que se encontra em extrema necessidade tem direito de tomar, dos bens dos outros, o que necessita [Nota: Nesse caso vale o antigo principio: «na necessidade extrema, todas as coisas são comuns, isto é, todas as coisas devem ser tornadas comuns». […] É claro que, para a recta aplicação do princípio, devem ser respeitadas todas as condições moralmente exigidas.]. Sendo tão numerosos os que no mundo padecem fome, o sagrado Concílio insiste com todos, indivíduos e autoridades, para que, recordados daquela palavra dos Padres – «alimenta o que padece fome porque, se o não alimentaste, mataste-o» –, repartam realmente e distribuam os seus bens, procurando sobretudo prover esses indivíduos e povos daqueles auxílios que lhes permitam ajudar-se e desenvolver-se a si mesmos.

(Fonte: Concílio Vaticano II)

O céu e a terra

Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém do Pará, reflete sobre os valores que norteiam o comportamento

Por Dom Alberto Taveira Corrêa

BELéM DO PARá, 26 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – A Palavra de Deus reúne o povo que lhe pertence, convocando-o à comunhão com o próprio Senhor, para ser um sinal de um mundo diferente, possível para todos os homens e mulheres, pela ação da graça. Jesus, Filho de Deus verdadeiro, veio ao mundo e trouxe a “cultura do Céu”, oferecendo-a com generosidade. “De rico que era, tornou-se pobre por amor, para que nos enriquecer com sua pobreza” (2 Cor 8,9). Nele e com ele se encontra o chamado e a graça a restaurar todas as coisas. Em Jesus Cristo, Deus “nos fez conhecer o mistério de sua vontade, segundo o desígnio benevolente que formou desde sempre em Cristo, para realizá-lo na plenitude dos tempos: recapitular tudo em Cristo, tudo o que existe no céu e na terra” (Ef 1,9-10). Esta terra não é um restolho a ser desprezado, mas campo de prova e de missão, entregue a todos os filhos amados de Deus. A nós cabe a resposta a este plano de amor!

Não faltam os desafios a serem enfrentados para que os sonhos de Deus e de seus filhos se realizem. Dentre estes, assoma significativo o verdadeiro abismo entre grupos sociais, passando da extrema e escandalosa miséria, até chegar à abundância, ao esbanjamento e ao desperdício, que têm provocado indignação e clamado soluções construtivas. A sensibilidade especial do Evangelho de São Lucas para os pobres e pequenos (Cf. Lc 16, 10-31) mostra Jesus que, através da provocante linguagem das parábolas, quer suscitar novas atitudes, semeando novas relações entre as pessoas.

Lázaro, o pobre de outrora e de sempre, assim como o rico epulão, continuam presentes e incômodos, quando a parábola é contada por Jesus. Mas o Céu, com seu modo de viver baseado na comunhão e na partilha, está bem perto de nós. Antes de pôr o dedo na ferida da desigualdade e da injustiça presentes em nosso tempo, faz bem olhar ao nosso redor e identificar onde se encontram experiências diferentes, nas quais o Céu desce à terra. Perto e dentro de nós, existem gestos de comunhão, gente de coração generoso, sensibilidade diferente à fraternidade. Penso em tantas iniciativas tomadas por pessoas e grupos, como as tantas obras sociais da Igreja ou de outras instâncias da sociedade, nas quais se superam as distâncias e a fraternidade se instala. E quantas são as pessoas tocadas pela força da palavra de Deus e hoje mais fraternas e sensíveis às necessidades dos outros, capazes de acolher os outros e proporcionar-lhes caminhos novos de promoção e autonomia.

Depois, trata-se de alargar a compreensão para verificar as marcas de verdadeiro inferno existentes em torno a nós, onde o egoísmo se espalha e deixa seu rastro destruidor. Uma imagem de tal situação me veio há poucos dias diante dos olhos: um morador de rua recolhendo água suja de uma valeta numa grande cidade, para quase fazer de conta de se lavar no início de um novo dia. Penso em tantos homens e mulheres que veem seus filhos vagando pelas ruas, revestidos de andrajos, com o coração dolorido por não terem roupas adequadas. E os homens e mulheres que recolhem restos de comida, quais lázaros que competem com cães vadios? Brada ao Céu a terra que edificamos! A dignidade humana, inscrita por Deus em todos os seus filhos, grita por novas atitudes. Para acordar a humanidade adormecida dentro de nós, foram dados lei, profetas e, mais ainda, alguém que ressuscitou dos mortos (Cf. Lc 16, 29-31).

E não falta o grito da realidade, mas ouvidos sensíveis!

Primeiro passo é saber que o Céu, Pátria definitiva em que desejamos habitar, é casa cuja construção começa na terra. Dar guarida a cada pessoa que clama pelo nosso amor, sem deixar quem quer que seja passar em vão ao nosso lado. Diante do aleijado encontrado pelas ruas, Pedro e João tinham muito mais do que recursos materiais: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” (At 3,5). Deram a cura, abriram o coração do homem para Deus. E os textos dos Atos dos Apóstolos mostram que os primeiros cristãos lutaram pela comunhão de bens, um dos sinais da Presença de Cristo Ressuscitado. Palavra, pão, remédio, abraço, consolo, sorriso, mãos que elevam, cura. Tudo serve e certamente haverá, no tesouro do coração de cada pessoa, algo a oferecer. Começar já, do jeito que é possível para cada um de nós.

Mas muitos podem oferecer outras coisas! Quem tem responsabilidades públicas, à frente de organismos da sociedade, pode aguçar sua sensibilidade e priorizar ações correspondentes aos valores da dignidade humana e proporcionar maior respeito às pessoas, especialmente aos mais necessitados. Há muita cara fechada e muita burocracia a serem superadas nas repartições públicas. Muitas filas podem diminuir, se crescer a boa vontade. Há projetos em vista do bem comum a serem implantados, vencendo interesses corporativos que emperram a vida dos cidadãos. Existe um caminho de conversão adequado para as pessoas que detêm cargos eletivos, quem sabe, inscritos até nos discursos bonitos da campanha eleitoral! Há mãos a serem lavadas na água pura da fonte da vida!

Tudo isso será possível se os valores que norteiam o comportamento tiverem referências diferentes. Escrevendo a Timóteo, companheiro de jornada no anúncio do Evangelho, São Paulo fez notar que “na verdade, a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Por se terem entregue a ele, alguns se desviaram da fé e se afligem com inúmeros sofrimentos. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas, procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado quando fizeste a tua bela profissão de fé diante de muitas testemunhas” (1 Tm 6, 10-16). A atualidade patente da Escritura provoca novas atitudes. Só com homens e mulheres renovados e transformados com os critérios do Evangelho se pode implantar relações novas na sociedade.

Enfim, vale dizer que se o Céu é o limite, não há que temê-lo. Quando a Escritura e a Igreja falam das realidades definitivas, chamadas “novíssimos do homem”, não desejam incutir o pavor, nem converter à força as pessoas. Não fomos feitos para rastejar no pecado e no egoísmo, mas pensados por Deus para a felicidade, construída e partilhada nesta terra e vivida em plenitude na eternidade.

(Fonte: Agência Zenit)

A Igreja é uma só para todos e não pode ser “privatizada”, diz o Papa

Papa Francisco. Foto: Grupo ACI

VATICANO, 25 Set. 13 / 01:37 pm (ACI/EWTN Noticias).- Na Audiência Geral de hoje, diante da multidão reunida na Praça de São Pedro, o Papa Francisco assinalou que “a Igreja é uma só para todos” e pediu que os fiéis não sejam daqueles que “privatizam a Igreja para o próprio grupo”.

O Santo Padre disse que “a Igreja é uma só para todos. Não há uma Igreja para os europeus, uma para os africanos, uma para os americanos, uma para os asiáticos, uma para os que vivem na Oceania, não, é a mesma em qualquer lugar. É como em uma família: se pode estar distante, espalhado pelo mundo, mas as ligações profundas que unem todos os membros da família permanecem firmes qualquer que seja a distância”.

O Papa recordou “a experiência da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro: naquela vasta multidão de jovens na praia de Copacabana, ouvia-se falar tantas línguas, viam-se traços da face muito diversificada deles, encontravam-se culturas diferentes”.

“E, no entanto, havia uma profunda unidade, se formava a única Igreja, estava-se unido e se sentia isso”.

“Perguntemo-nos todos: eu, como católico, sinto esta unidade? Eu como católico vivo esta unidade da Igreja? Ou não me interessa, porque estou fechado no meu pequeno grupo ou em mim mesmo? Sou daqueles que ‘privatizam’ a Igreja pelo próprio grupo, a própria nação, os próprios amigos?”.

Francisco exortou a questionar-se se “quando ouço que tantos cristãos no mundo sofrem, sou indiferente ou é como se sofresse um da minha família?… Rezamos uns pelos outros?… É importante olhar para fora do próprio recinto, sentir-se Igreja, única família de Deus!”.

O Santo Padre advertiu que “uma das coisas que mais causam desunião na Igreja é a fofoca”.

“Um cristão não pode ser fofoqueiro. Um cristão antes de fofocar deve morder a língua!”.

Por isso, disse o Papa, deve-se “fomentar sempre a comunhão em todos os âmbitos da vida para crescer na unidade que Deus nos dá, e também para favorecer o caminho ecumênico”.

“E, como esta unidade não é fruto de consensos humanos, mas é obra do verdadeiro artífice, o Espírito Santo, temos que pedi-la com perseverança naoração“.

(Fonte: ACI Digital)

Catequistas devem ser embaixadores da Igreja onde os religiosos não chegam, diz autoridade vaticana

Dom Octavio Ruiz Arenas. Foto: Catholic Church England and Wales (CC BY-NC-SA 2.0)

ROMA, 23 Set. 13 / 01:00 am (ACI/EWTN Noticias).- O Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Octavio Ruiz Arenas, chamou os mais de três milhões de catequistas que há no mundo a serem embaixadores da Igreja naqueles ambientes ou lugares onde os religiosos e religiosas não podem chegar.

“O papel dos catequistas é representar a Igreja naqueles lugares onde os religiosos ou religiosas não podem chegar”, afirmou Dom Ruiz Arenas durante a apresentação no Vaticano do evento do Ano da Fé para as “Jornadas dedicadas aos Catequistas”, que se celebrará de 25 a 29 de setembro em Roma e que esperam a participação de mais de 100 mil pessoas.

Na apresentação do evento também participou o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, que destacou o papel das mulheres no compromisso com a catequese. “Não tenho temor em afirmar que a maioria das pessoas que se comprometem na evangelização são as mulheres. Se não houvesse a presença qualificada das mulheres que apoiam os párocos, deveríamos fechar milhares de paróquias. Mas necessitamos uma formação mais direta”, disse.

Por outro lado, Dom Fisichella expressou que é necessário melhorar a formação dos catequistas e anunciou que o próximo compromisso do dicastério que dirige, é a criação de novos centros de formação especializada para catequistas que se somarão aos já existentes no mundo.

Além disso, Dom Fisichella foi rigoroso com o significado da catequese para a Igreja e para a vida dos fiéis, destacando que “a catequese deve comprometer a vida, e não ser um mero estudo teórico”, “nós constatamos que isto às vezes falta, e se fala de analfabetismo da fé”.

“É importante o ponto da formação dos adultos, a catequese tem um espaço peculiar, porque permite unir o amadurecimento da fé proporcionada e coerente com os estados e a idade das pessoas e a vida”, concluiu.

Segundo os dados proporcionados pelo Escritório de Imprensa da Santa Sé, no mundo atualmente existem 3.125.235 catequistas, dos quais 1.850.197 se distribuem na América; 554.219 na Europa; 400.834 na África; 303.807 na Ásia; e 16.178 na Oceania.

(Fonte: ACI Digital)

Bispo argentino destaca o valor intelectual de Bento XVI em encontro com docentes universitários

Bento XVI. Foto: Grupo ACI

BUENOS AIRES, 19 Set. 13 / 02:50 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Bispo Emérito de Roma, Bento XVI se destacou “pelo seu altíssimo valor intelectual e pela repercussão que tiveram em diferentes âmbitos fora da Igreja“, assinalou o Arcebispo de La Plata (Argentina), Dom Héctor Aguer, no sétimo Encontro Nacional de Docentes Universitários Católicos (ENDUC) na Universidade Católica de Cuyo província de San Juan (Argentina).

No evento que é um espaço de diálogo acadêmico interdisciplinar e que se realizou de 13 a 15 de setembro sob o título “A Fé na vida pública”, o também Presidente da Comissão Episcopal de Educação Católica refletiu em torno dos “Caminhos abertos: quatro discursos de Bento XVI”.

Dom Aguer assinalou que os dois primeiros discursos são “o pronunciado na Universidade de Ratisbona, e o preparado para o encontro -que não se realizou- com a Universidade de Roma La Sapienza; lições magistrais ou discussões acadêmicas com referência à evolução da cultura, da qual as universidades são protagonistas sobressalentes”.

Explicou que “o assunto principal neles é a relação entre a fé e a razão, e a função deste acidentado conúbio espiritual na história da cultura do Ocidente, na formação da Europa, e na encruzilhada de vários problemas contemporâneos”.

Em relação aos argumentos dos outros dois discursos em Westminster Hall e no Reichstag de Berlim, “abordaram-se os fundamentos da ética civil e do direito, o sentido da atividade política e do exercício da autoridade, assim como também a dimensão pública da religião nas sociedades democráticas”.

“Nestas duas últimas intervenções – disse o Prelado – pode comprovar-se uma espécie de aplicação ao espaço sócio-político dos princípios antropológicos que foram desenvolvidos nas duas primeiras: uma ideia plenária do homem, sua natureza e a amplitude do dinamismo da razão”.

(Fonte: ACI Digital)

Vaticano lançará aplicativo do Catecismo da Igreja Católica para tablet e smartphone

Foto Arcebispado Valladolid (CC BY-SA 2.0)

VATICANO, 19 Set. 13 / 02:24 pm (ACI/Europa Press).- O Vaticano lançará um aplicativo gratuito do Catecismo da Igreja Católica para tablet e smartphone. Assim o anunciou nesta quinta-feira o Presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella.

O aplicativo, que estará disponível nas próximas semanas em italiano, permitirá consultar textos do Catecismo da Igreja Católica e do seu compêndio, assim como referências bíblicas, conforme explicou o Arcebispo Fisichella que adicionou que, além disso, será possível transferi-lo pelas redes sociais como Facebook e Twitter, entre outras.

Do mesmo modo, apontou que este instrumento ajudará “aqueles que desejam conhecer melhor a fé transmitida nos séculos e o patrimônio da doutrina e espiritualidade condensadas nestas páginas”.

O presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização agradeceu o “apoio generoso” da Conferência Episcopal Italiana (CEI) que fez possível esta iniciativa.

(Fonte: ACI Digital)

Membro do Parlamento do Afeganistão pede que os cristãos conversos do Islã sejam executados

ROMA, 12 Set. 13 / 11:20 am (ACI/EWTN Noticias).- O membro do Parlamento do Afeganistão, Nazir Ahmad Hanafi, pediu que segundo a sharia (lei islâmica), executem-se as pessoas que se convertam do islã ao cristianismo, para “pôr fim” ao crescimento rápido do cristianismo.

Logo que a imprensa do país apresentasse um relatório que assinala o rápido crescimento dos conversos ao cristianismo, Hanafi assinalou em assembleia que “os afegãos continuam convertendo-se ao cristianismo na Índia”.

Conforme publicou a agência vaticana Fides em 9 de setembro, outro parlamentar do país já havia informado anteriormente que na Índia, onde há milhares de refugiados, existe uma comunidade cristã chamada “Igreja dos Afegãos” constituída por aqueles que chegaram de Cabul (capital do Afeganistão).

“As conversões ao cristianismo são o resultado da presença dos Estados Unidos no Afeganistão”, assinalou outro membro da Câmara, Abdul Latif Pedram.

O presidente do Parlamento, Abdul Rauf Ibrahimi, ordenou ao Comitê Nacional para a Segurança do país “acompanhar o assunto seriamente”, e condenou todas as atividades de “proselitismo cristão” no Afeganistão, que é considerado também pelos líderes islâmicos uma ameaça para o país.

Uma notificação do Conselho Islâmico do Afeganistão enviada ao Presidente do país, Hamid Karza, assinalou que a presença de trabalhadores estrangeiros de religião cristã no país é também uma preocupação.

A Agência Fides informou também que fontes locais assinalaram que alguns parlamentares converteram-se secretamente ao cristianismo apesar dos riscos que isso implica.

(Fonte: ACI Digital)

Reze para que eu seja santo

Reflexão sobre a santidade, meta de todo fiel católico consciente da fé que professa.

Por Vanderlei de Lima

SãO PAULO, 18 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – Encheu-me de alegria essa solicitação a mim dirigida, há poucos dias, por um seminarista: “Reze para que eu seja santo”.

Além de me fazer ainda mais comprometido com a missão de oferecer minhas orações por esse jovem, o pedido levou-me a refletir sobre a santidade, meta de todo fiel católico consciente da fé que professa.

Desse modo, começo recordando que a Sagrada Escritura traz, em Levíticos 19,2 a exortação do próprio Deus a Israel, seu povo: “Sede santos, porque Eu sou santo”. Exortação que o Senhor Jesus reafirma, em Mateus 5,48, ao recomendar: “Sede santos como o Pai celeste é santo”.

Portanto, devemos, como recomendava, frequentemente, Dom Estevão Bettencourt, OSB (†2008), sacudir a mediocridade e avançar para as águas mais profundas (cf. Lc 5,4) em busca da vida santa em Deus.

Para isso, é preciso, como ensina São Leão Magno (†461), que nós cristãos reconheçamos a nossa dignidade. Realmente, só o pensar que merecemos o sangue redentor de Cristo quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5,6) já é suficiente para renovarmos a cada dia o propósito de, com a graça de Deus, nos esforçar continuamente rumo à santidade.

Se Deus nos chama a essa meta tão alta: sermos santos como o Pai celeste é santo, é para que nunca paremos de progredir. Quem para sucumbe, entregue ao cansaço ou ao desânimo mesquinho. Aquele que é vigilante, porém, merecerá gozar das núpcias do Noivo que chega fora de hora (cf. Mt 25,6-13).

As exortações à vida santa, contudo, não param por aí. Diante do pedido feito pelo seminarista, desejo lembrar ainda que a Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II (1962-65), assegura: Todos os fieis cristãos são, pois, convidados e obrigados a procurar a santidade e a perfeição do próprio estado (n. 40-41).

Essa afirmação conciliar é importante: Todos somos convocados à santidade na vocação que Deus nos deu: bispos, sacerdotes, leigos casados e os consagrados na vida religiosa ou leiga. Ninguém está, portanto, excluído desse apelo do Pai amoroso que nos quer junto d’Ele na Jerusalém celeste para sempre.

Importa, portanto, levarmos uma vida digna da vocação a que fomos chamados (cf. Ef 4,1), pois só assim atingiremos, com a graça divina, a meta sublime da santidade.

É certo, porém, que o alicerce da santidade é a humildade. Só aquele que se reconhece como realmente é (com suas virtudes e defeitos) tem chances de dar passos largos no caminho da própria santificação. O orgulhoso, arrogante, prepotente está longe disso. Ele é tão cheio de si que não passa na porta estreita (cf. Mt 7,13).

Aqui, alguém poderia perguntar: Afinal, como se pode definir um santo? – Respondemos que santo(a) é o (a) pecador(a) que reconhece a sua fraqueza e, por isso, humildemente, pede o perdão de Deus e o auxílio da graça. “Errar é comum a todos os homens, mas pedir perdão é próprio dos santos”, diz Santo Ambrósio de Milão (†397), Bispo e Doutor da Igreja.

Para finalizar, é preciso considerar a seguinte objeção: Não será orgulho do seminarista pedir que outros rezem para que ele seja santo? – De modo algum – respondo –, pois ele sabe que ninguém é santo para si mesmo, mas para os outros. Foi isso que bem expressou a beata Elizabeth da Trindade, citada por João Paulo II, na Exortação Apostólica Reconciliação e Penitência, n. 16, ao escrever que “uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro”.

Daí ser importante pedirmos sempre, como ensina o Cardeal Merry del Vall, secretário e amigo do Papa São Pio X, na ladainha da humildade: “Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu pelo menos me torne santo como puder – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!”.

(Fonte: Agência Zenit)

O Papa: A Igreja é Mãe e oferece o perdão de Deus também aos que estão no abismo

VATICANO, 18 Set. 13 (ACI/EWTN Noticias) .- A Igreja como mãe, foi novamente o tema que o Papa Francisco escolheu para a catequese da audiência geral das quartas-feiras. O Santo Padre explicou que a Igreja oferece o perdão de Deus a todos, inclusive aos que caíram no abismo.

Na audiência celebrada nesta manhã ante uma multidão de peregrinos em uma ensolarada Praça de São Pedro, o Papa disse que a Igreja como mãe “é uma imagem que eu gosto muito porque nos diz não somente como é a Igreja, mas também qual rosto deveria ter sempre mais a Igreja, esta nossa mãe Igreja”.

Para explicar essa imagem, o Papa partiu do que uma mãe faz por seus filhos. Em primeiro lugar “ensina a caminhar na vida, ensina a seguir bem na vida, sabe como orientar os filhos, procura sempre indicar o caminho certo na vida para crescerem e tornarem-se adultos. E o faz com ternura, com afeto, com amor, sempre também quando procura endireitar o nosso caminho porque nos dispersamos um pouco na vida ou tomamos caminhos que levam a um abismo”.

“A Igreja faz a mesma coisa: orienta a nossa vida, dá-nos os ensinamentos para caminhar bem. Pensemos nos dez Mandamentos: indicam-nos um caminho a percorrer para amadurecer, para ter pontos firmes no nosso modo de nos comportarmos. E são frutos da ternura, do amor próprio de Deus que os doou a nós. Vocês poderiam me dizer: mas são mandamentos! São um conjunto de “não”! Eu gostaria de convidar vocês a lê-los – talvez vocês tenham se esquecido um pouco deles – e então pensá-los de modo positivo”.

“Vejam que se referem ao nosso modo de nos comportarmos com Deus, com nós mesmos e com os outros, propriamente aquilo que nos ensina uma mãe para viver bem. Convidam-nos a não fazermos ídolos materiais que depois nos tornam escravos, a recordar-nos de Deus, a ter respeito pelos pais, a sermos honestos, a respeitar o outro…”.

“Tentem vê-los assim e considerá-los como se fossem as palavras, os ensinamentos que a mãe dá para seguir bem na vida. Uma mãe não ensina nunca aquilo que é mal, quer somente o bem dos filhos, e assim faz a Igreja”.

Em segundo lugar, “quando um filho cresce, torna-se adulto, toma o seu caminho, assume as suas responsabilidades, caminha com as próprias pernas, faz aquilo que quer e, às vezes, acontece também de sair do caminho, acontece qualquer acidente. A mãe sempre, em toda situação, tem a paciência de continuar a acompanhar os filhos. Aquilo que a impulsiona é a força do amor; uma mãe saber seguir com discrição, com ternura o caminho dos filhos e mesmo quando erram encontra sempre o modo para compreender, para ser próxima, para ajudar. Na minha terra dizemos que uma mãe sabe ‘dar a cara’ por seus filhos, quer dizer, está disposta a defendê-los sempre”.

“A Igreja é assim, uma mãe misericordiosa, que entende, que procura sempre ajudar, encorajar também diante dos seus filhos que erraram e que erram, não fecha nunca as portas da Casa; não julga, mas oferece o perdão de Deus, oferece o seu amor que convida a retomar o caminho mesmo para aqueles filhos que caíram em um abismo profundo, a Igreja não tem medo de entrar na noite deles para dar esperança; a Igreja não tem medo de entrar na nossa noite quando estamos na escuridão da alma e da consciência, para dar-nos esperança! Porque a Igreja é mãe!”

Por último, “uma mãe sabe também pedir, bater a toda porta pelos próprios filhos, sem calcular, o faz com amor. E penso em como as mães sabem bater também e, sobretudo, na porta do coração de Deus!”.

“As mães rezam tanto pelos próprios filhos, especialmente por aqueles mais frágeis, por aqueles que têm mais necessidade, por aqueles que na vida tomaram caminhos perigosos ou errados…”.

“E assim faz também a Igreja: coloca nas mãos do Senhor, com a oração, todas as situações dos seus filhos. Confiemos na força da oração da Mãe Igreja: o Senhor não permanece insensível. Sabe sempre nos surpreender quando não esperamos. A Mãe Igreja o sabe!”.

“Estes eram os pensamentos que queria dizer para vocês hoje: vejamos na Igreja uma boa mãe que nos indica o caminho a percorrer na vida, que sabe ser sempre paciente, misericordiosa, compreensiva e que sabe colocar-nos nas mãos de Deus”.

(Fonte: ACI Digital)

Como é possível que o Papa Francisco tenha afirmado que não há verdade absoluta?

É papel dos cristãos na sociedade lembrar que a verdade provém do amor e se dirige ao amor.

Por Pe. Anderson Alves

ROMA, 16 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – No dia onze de setembro de 2013 ocorreu algo extraordinário: o Papa Francisco escreveu uma longa carta a Eugenio Scalfari, fundador do jornal La Repubblica, para responder a uma série de perguntas levantadas por ele ao final da leitura de Lumen Fidei[i]. Scalfari colocou diversas questões interessantes, tendo como centro o problema da verdade. Num artigo de sete de julho ele perguntou: existe uma única verdade ou tantas quanto são os indivíduos e as que podem ser formadas pela mente humana?[ii] E em sete de agosto a interrogação foi ainda mais audaz: disse que quem crê em Deus aceita uma verdade revelada e quem não crê pensa que não existe nenhum absoluto e nenhuma verdade absoluta, mas apenas uma série de verdades relativas e subjetivas; a dita posição de quem não tem fé seria um erro ou um pecado para a Igreja?[iii]

Dessas questões pode-se perceber certo tipo de relativismo difuso na nossa cultura. O relativismo é um estranho modo de pensar no qual tudo pode ser considerado igualmente verdadeiro ou igualmente falso. Cede-se ao relativismo quando se atribui um valor exagerado à verdade, a ponto de se dizer que toda afirmação possa ser verdadeira (inclusive as contraditórias), ou quando se nega todo o valor da verdade. No último caso, nega-se o valor de verdade de toda afirmação, tomando como verdade absoluta a afirmação do mesmo relativismo. Frequentemente essa contradição se une a outra: se nega a existência da verdade e se toma como coisa absolutamente certa a inexistência de Deus e de regras morais. Logicamente o relativismo e o ateísmo são contraditórios entre si, mas há quem se esforçe muito em defender esses dois modos de pensar, pagando o preço de se defender doutrinas insustentáveis pela razão humana[iv].

A resposta do Papa é clara e surpreendente. Diz que não é correto falar de “verdade absoluta”, pois absolutus provém do latim e significa o que é solto de, desconexo, separado, privado de qualquer relação. Sendo assim, para a fé cristã a verdade não poderia jamais ser absoluta, uma vez que a verdade é principalmente uma relação de amor em Deus e de amor para com as criaturas. A verdade é uma relação, é o amor que une as coisas a Deus e constitui o princípio e o fim da criação. De fato, Deus pensou cada ser amando-o, e livremente o criou para que pudesse corresponder ao seu amor. Cada realidade é verdadeira porque está intrinsecamente configurada pelo amor e pela inteligência divina.

Para o Papa, é certo que cada um acolhe a verdade e a exprime. Nesse sentido, a verdade é múltipla, uma vez que está em cada mente que a conhece e cada um pode expressá-la de modo próprio. A verdade então é múltipla quando é expressa por diversos indivíduos e de diversos modos. O Papa esclarece que isso não significa afirmar o relativismo, pois dizer que a verdade não é ab-soluta não implica que ela seja sempre “variável ou subjetiva”, ou seja, que tudo possa ser igualmente verdadeiro ou igualmente falso. A verdade é algo que nos é dado com o ser de cada realidade e se apresenta a nós como caminho e vida. Para a fé cristã, portanto, verdade é uma coisa só com o amor e requer humildade para ser reconhecida, buscada, acolhida e expressada.

Talvez alguém possa pensar que essas afirmações do Papa sejam revolucionárias, assim como considerou Scalfari na sua resposta ao Papa[v]. Mas se olhamos para a história do pensamento cristão, vemos que isso é impreciso. Santo Tomás de Aquino, por exemplo, diz algo bem parecido: a verdade divina é única[vi]. Deus pensa a si mesmo desde toda a eternidade e ao conhecer-se, conhece e ama perfeitamente sua essência e com ela todas as demais coisas, possíveis ou reais. E o concebido pelo pensamento divino é o Filho, Logos(ou Verbo) eterno do Pai. Por isso em Deus a verdade divina é uma relação de processão: o Filho procede do Pai desde toda a eternidade. E o amor divino é o Espírito Santo, pelo qual Deus ama e cria todas as coisas. O Espírito Santo é o amor que une o Pai e o Filho e é a razão última de todas as coisas: todas existem porque foram amadas e pensadas por Deus.

Tomás afirma também que nas criaturas a verdade é múltipla, pois há diversas verdades em diversas mentes e de cada realidade pode-se formular diversos juízos verdadeiros. Cada realidade natural possui assim uma verdade intrínseca, que é uma imitação das ideias presentes na mente divina. As verdades intrínsecas das coisas são em certo modo inesgotáveis, e o conhecimento humano delas é sempre progressivo. Tomás chegou a afirmar que até o seu tempo nenhum filósofo tinha conseguido apreender e explicar totalmente nem mesmo a essência de uma mosca[vii]. E até hoje, por incrível que pareça, nenhuma ciência esgotou o conhecimento do seu objeto. Cada realidade possui, portanto, uma verdade intrínseca, à qual imita e participa na verdade divina, a qual o conhecimento deve se adequar.

Desse modo, Santo Tomás provavelmente responderia à primeira pergunta de E. Scalfari dizendo que há uma só verdade na mente divina, a qual só é acessível a Deus mesmo. Nas realidades naturais e no conhecimento humano a verdade é sempre parcial, progressiva, relativa, ou melhor dizendo, relacional: se refere a cada realidade criada e a cada intelecto que a apreende através de diversos atos intelectuais. Isso não implica nenhum relativismo, mas a justa compreensão do caráter relacional da verdade[viii].

E pensar que “não há nada de absoluto”, mas que a “verdade é sempre relativa e subjetiva” seria um pecado ou erro para a Igreja? A isso Tomás provavelmente responderia que há certamente um erro, não de fé, mas sim de razão natural: significa tomar por verdade absoluta o fato de que não existem verdades absolutas e que tudo é relativo e subjetivo. O nome desse erro se chama contradição, e não pecado. De fato, é evidentemente contraditório tomar por certo a afirmação de que não existe nada de universal e afirmar que algo de universal (os juízos humanos) seja relativo.

Portanto o Papa, ao dizer que não há verdade absoluta, desprovida de relação, não disse nada de revolucionário, nem de dogmático, mas algo que está ao alcance de todo pensamento reto que afirma a evidência do caráter relacional da verdade. A verdade diz sempre respeito a uma relação entre o conhecido e quem o conhece. E é papel dos cristãos na sociedade lembrar que a verdade provém do amor e se dirige ao amor. Ao conhecer a verdade nos abrimos à riqueza do real e aprendemos a amá-lo, amando também o seu Criador.

[i] Cfr. http://www.zenit.org/pt/articles/carta-do-papa-francisco-ao-fundador-do-jornal-la-repubblica-na-integra

[ii] Cfr. http://www.repubblica.it/politica/2013/07/07/news/le_risposte_che_i_due_papi_non_danno-62537752/?ref=HREA-1

[iii] Cfr.  http://www.repubblica.it/politica/2013/08/07/news/le_domande_di_un_non_credente_al_papa_gesuita_chiamato_francesco-64398349/?ref=HREA-1

[iv] Sobre a contradição de relativismo e relativismo cfr. http://www.zenit.org/pt/articles/o-ateismo-e-uma-escolha-racional Cfr. também: http://www.zenit.org/pt/articles/e-possivel-um-relativismo-absoluto

[v] Cfr. http://ricerca.repubblica.it/repubblica/archivio/repubblica/2013/09/12/il-coraggio-di-papa-francesco-che-apre.html?ref=search

[vi] Santo Tomás não usa a expressão “verdade absoluta”, mas sim verdade primeira, verdade divina, verdade presente no intelecto divino. Cfr. Santo Tomás de Aquino, De Veritate, q. 1, a. 4.

[vii] Cfr. IdemSuper Sym. Ap., proemio.

[viii] Expomos o tema em: http://www.zenit.org/pt/articles/o-relativismo-relativo-ou-a-justa-relatividade-da-verdade E em: http://www.zenit.org/pt/articles/relativismo-absoluto-ou-absolutismo-relativista

(Fonte: Agência Zenit)

O Papa Francisco escreve carta a um jornal anticlerical para explicar dúvidas sobre a fé

VATICANO, 12 Set. 13 (ACI/EWTN Noticias) .- O jornal italiano La Repubblica publicou nesta quarta-feira uma longa carta escrita pelo Papa Francisco em resposta a algumas dúvidas sobre a fé expostas durante neste verão por Eugenio Scalfari, um famoso jornalista conhecido por sua posição anticlerical.

Em dois artigos publicados em 7 de julho e em 7 de agosto deste ano, Scalfari fundador de La Repubblica, faz uma série de perguntas ao Pontífice sobre a Encíclica Lumen Fidei (A luz da fé), questões da fé e da vida cristã.

“Agradeço-lhe acima de tudo pela atenção com a que quis ler a Encíclica Lumen Fidei. Esta, em efeito, na intenção do meu amado predecessor, Bento XVI, que a concebeu e em longa medida redigiu, e da qual, com gratidão, herdei, está dirigida não somente a confirmar na fé em Jesus Cristo aqueles que já a professam, mas também a suscitar um diálogo sincero e rigoroso com quem, como o senhor, se define ‘como um não crente que há muitos anos está fascinado e interessado pela pregação de Jesus de Nazaré’”, escreve o Papa em sua carta, publicada em 11 de setembro com o título –estabelecido pelo jornal- “A verdade nunca é absoluta”.

“A fé para mim –continuou Francisco-, nasceu do encontro com Jesus. Um encontro pessoal, que tocou o meu coração e deu um sentido e uma direção novos a minha existência. Mas ao mesmo tempo um encontro que foi possível somente graças à comunidade de fé em que vivi e graças a qual encontrei o acesso à inteligência da Sagrada Escritura, à vida nova que como água viva sai de Jesus através dos Sacramentos, à fraternidade com todos a serviço dos pobres, imagem mesma do Senhor”.

“Sem a Igreja –acredite em mim-, não poderia ter encontrado Jesus, embora com a consciência de que aquele imenso dom que é a fé está guardado nos frágeis vasos de barro da nossa humanidade”, acrescenta.

“Agora, é justamente a partir daqui, desta experiência pessoal de fé vivida na Igreja, em que é um prazer escutar suas perguntas e procurar, junto com você, os caminhos pelos quais possamos, talvez, começar a percorrer juntos. Perdoe-me se não sigo passo por passo as argumentações que me propõe na edição de 7 de julho. Parece-me melhor ir direto ao coração de suas considerações”.

Em resposta às perguntas sobre “Como se comporta a Igreja com aqueles que não compartilham a fé em Jesus e se o Deus dos cristãos perdoa a quem não crê e não procura a fé?”, o Papa explica que “devemos levar em consideração -e isso é algo fundamental- que a misericórdia de Deus não tem limites se nos dirigimos a Ele com o coração sincero e arrependido, a questão para quem não crê em Deus está em obedecer a sua própria consciência. O pecado, inclusive para os que não têm fé, comete-se quando se vai contra a consciência. Escutá-la e obedecê-la significa decidir ante o que se percebe como o bem ou como o mal. E sobre esta decisão se joga a bondade ou a maldade de como atuamos”.

Sobre o tema de se é erro ou pecado acreditar que não existe “um absoluto” nenhuma verdade absoluta o Papa escreve: “A verdade, segundo a fé cristã, é o amor de Deus por nós em Jesus Cristo e, portanto a verdade é uma relação. Cada um recebe a verdade e a expressa a partir de si mesmo, de sua história, de sua cultura e da situação onde vive”.

Por outro lado, à última pergunta sobre se “com o desaparecimento do homem da terra, desaparecerá também o pensamento capaz de pensar em Deus”, Francisco responde que “a grandeza do homem é poder pensar em Deus. Isto significa viver uma relação consciente e responsável com ele. Mas a relação é entre duas realidades”.

“Deus não depende de nosso pensamento… quando a vida do homem terminar sobre a terra… o homem não terminará de existir e, de uma forma que não sabemos, tampouco o universo criado com ele”.

Francisco se despede recordando a Scalfari que, “a Igreja, apesar de toda sua lentidão, dos erros, das infidelidades e dos pecados que tenha cometido e que ainda possam cometer os que a compõem, não tem outro significado nem outro propósito que o de viver e dar testemunho de Jesus”.

(Fonte: Agência Zenit)