Papa Francisco: A cruz da perseguição está sempre presente no caminho cristão

Foto referencial: ACI Prensa

Vaticano, 04 Mar. 14 / 01:19 pm (ACI).- Na homilia de hoje em sua Missamatutina na Capela da Casa da Santa Marta, o Papa Francisco refletiu hoje sobre os cristãos perseguidos em todo mundo e martirizados por ódio à fé, e assegurou que “a cruz está sempre no caminho cristão”.

Comentando a passagem do Evangelho de hoje, em que Pedro diz a Jesus: ‘Eis que nós deixamos tudo e te seguimos’, o Papa enfatizou a resposta de Jesus: “Eu garanto a vocês que quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos, por causa de mim receberá cem vezes mais agora, durante esta vida“, mas acrescentou “junto com perseguições”.

Segundo a informação difundida pela Radio Vaticano, o Santo Padre comentou: “Como se (Jesus) quisesse dizer: Sim, vocês deixaram tudo e receberão aqui, na terra, muitas coisas, com perseguições. Como uma salada temperada com o óleo da perseguição, sempre! Este é o ganho do cristão e este é o caminho para quem deseja seguir Jesus, porque é o caminho criado por Ele. Ele foi perseguido! É o caminho do abaixamento, aquele caminho que Paulo disse aos Filipenses: Ele se abaixou. Se fez homem e se humilhou até a morte, morte de cruz’. Esta é a tonalidade da vida cristã”.

Nas Bem-Aventuranças Jesus diz: “Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos por causa de mim”. Os discípulos, logo depois da vinda do Espírito Santo, começaram a pregar o Evangelho e tiveram início as perseguições. Pedro foi preso, Estevão foi morto e ainda hoje morrem muitos outros discípulos. “A cruz sempre está no caminho cristão. Teremos muitos irmãos, irmãs, mães e pais na Igreja na comunidade cristã, mas teremos também perseguições”, frisou ainda o Papa.

“O mundo não tolera a divindade de Cristo. Não tolera o anúncio do Evangelho. Não tolera as Bem-Aventuranças. Eis a perseguição, com palavras, calúnias, com as coisas que diziam dos cristãos nos primeiros séculos, as difamações, o cárcere. Nós esquecemos facilmente. Pensemos nos cristãos, sessenta anos atrás, nos campos, nas prisões nazistas e comunistas. Eram muitos! Hoje temos mais cultura e estas coisas não existem? Existem! Hoje, existem muito mais mártires do que nos primeiros tempos da Igreja.”

“Muitos irmãos e irmãs que testemunham Jesus são perseguidos. São cristãos que não podem nem ter a Bíblia consigo”, remarcou.

“São condenados porque possuem uma Bíblia. Não podem fazer o sinal da cruz. Este é o caminho de Jesus, mas é um caminho de alegria, porque o Senhor nunca nos prova além daquilo que podemos suportar”.

“A vida cristã não é um obter vantagem comercial, não é uma carreira: é simplesmente seguir Jesus! Mas quando seguimos Jesus acontece isso. Pensemos se temos dentro de nós o desejo de ser corajosos no testemunho de Jesus. Pensemos nos irmãos e irmãs que hoje não podem rezar juntos, porque são perseguidos; não podem ter a Bíblia porque são perseguidos.”

O Papa convidou a pensar nos irmãos proibidos de irem à missa: “Muitas vezes eles se reúnem em segredo com um sacerdote e fazem de conta que estão tomando um chá e ali celebram a missa. Isso acontece hoje”, disse ainda Francisco.

O Santo Padre exortou a pensar se estamos dispostos a carregar a cruz como Jesus, como fazem muitos irmãos e irmãs que hoje são humilhados e perseguidos.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26788)

Papa Francisco sobre o sacramento da Unção dos Enfermos: nem a doença nem a morte nos separam de Cristo

Foto: ACI Prensa

Vaticano, 26 Fev. 14 / 12:20 pm (ACI).- Nesta quarta-feira, 26, o Santo Padre continuou sua reflexão sobre os sacramentos, referindo-se agora ao sacramento da Unção dos Enfermos. Em sua alocução depois da oração do Angelus, o Papa afirmou que nem a doença nem a morte pode separar-nos de Cristo. Ele, como o Bom Samaritano da parábola, estende seu cuidados aos enfermos e confia à Igreja o óleo deste sacramento para os doentes do corpo e atribulados no espírito.

O Papa Francisco usou a parábola do Bom Samaritano, para ilustrar a realidade que a Unção dos Enfermos representa, recordando como este Bom Samaritano cuida de um homem ferido derramando sobre as suas feridas óleo e vinho.

“É o óleo abençoado pelos Bispos a cada ano, na missa do Crisma de Quinta-feira Santa, utilizado na Unção dos enfermos. O vinho, por sua vez, é o sinal do amor e da graça de Cristo, que se expressam em toda sua riqueza na vidasacramental da Igreja”, disse o Santo Padre.

Lembrando como o Samaritano confia o doente ao dono de uma pousada, o Papa refletiu:
“Agora, quem é esse pousadeiro?  É à Igreja, à comunidade cristã, somos nós, a quem cotidianamente o Senhor confia os aflitos no corpo e no espírito para que possamos continuar a lhes doar, sem medida, toda a sua misericórdia e salvação”.

Continuando a catequese, Francisco lembrou que também a Carta de São Tiago recomenda que os doentes chamem os presbíteros, para que rezem por eles ungindo-os com o óleo.
“É uma praxe que já se usava no tempo dos Apóstolos”, comentou o Papa.

De fato, Jesus ensinou aos seus discípulos a mesma predileção que Ele tinha pelos doentes e atribulados, difundindo alívio e paz, e lhes transmitiu a capacidade e o dever de continuar a dispor da graça especial deste Sacramento. “No entanto, isto não nos deve levar a uma busca obsessiva do milagre ou à presunção de poder obter sempre a cura”, ponderou.

“Existe uma certa convicção de que chamar o sacerdote dá azar, que é melhor não chamá-lo para não assustar o doente”, disse o Papa, improvisando. “Existe a ideia que depois do sacerdote, vem a agência funerária…”.

“O problema -disse o Papa- é que este Sacramento é pedido cada vez menos, e a razão principal reside no fato que muitas famílias cristãs, devido à cultura e à sensibilidade atuais, consideram o sofrimento e a morte como um tabu, como algo a esconder ou sobre o qual falar o menos possível. É verdade que o sofrimento, o mal e a própria morte continuam sendo um mistério, e diante dele, nos faltam palavras. É o que acontece no rito da Unção, quando de modo sóbrio e respeitoso, o sacerdote impõe as mãos sobre o corpo do doente, sem dizer nada”.

Por isso, diante daqueles que consideram o sofrimento e a morte como um tabu, deixando de se beneficiar com esse Sacramento, é preciso lembrar que “no momento da dor e da doença, devemos saber que não estamos sozinhos. O sacerdote e aqueles que estão presentes representam toda a comunidade cristã, que ao redor do enfermo, alimentam nele e em sua família a fé e a esperança, amparando-os com a oração e o calor fraterno”.

“Na Unção dos enfermos, Jesus nos mostra que pertencemos a Ele e que nem a doença, nem a morte poderão nos separar Dele”, concluiu o Papa.

Na síntese de sua catequese em português o Papa Francisco escreveu:

O sacramento da Unção dos Enfermos fala da compaixão de Deus pelo homem no momento da doença e da velhice. A parábola do “bom samaritano” nos oferece uma imagem desse mistério. O bom samaritano cuida de um homem ferido, derramando sobre as suas feridas óleo e vinho, recordando o óleo dos enfermos. Em seguida, sem olhar a gastos, confia o homem ferido aos cuidados do dono de uma pensão: este representa a Igreja, a quem Jesus confia os atribulados no corpo ou no espírito. Também a Carta de S. Tiago recomenda que os doentes chamem os presbíteros, para que rezem por eles ungindo-os com o óleo. De fato, Jesus ensinou aos seus discípulos a mesma predileção que Ele tinha pelos doentes e atribulados, difundindo alívio e paz. Por isso, diante daqueles que consideram o sofrimento e a morte como um tabu, deixando de se beneficiar com esse sacramento, é preciso lembrar que, na unção dos enfermos, Jesus nos mostra que pertencemos a Ele e que nem a doença, nem a morte, poderá nos separar d’Ele.

Concluindo a audiência geral desta quarta-feira, o Papa também dirigiu algumas palavras aos peregrinos de língua portuguesa presentes na Praça de São Pedro:

Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem vindos! Em cada um dos sacramentos da Igreja, Jesus está presente e nos faz participar da sua vida e da sua misericórdia. Procurem conhecê-Lo sempre mais, para poderem servi-Lo nos irmãos, especialmente nos doentes. Sobre vós e sobre vossas comunidades, desça a benção do Senhor!

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26764)

Mensagem de Nossa Senhora de Medjugorje em 25 de fevereiro de 2014

Mensagem, 25. fevereiro 2014

“Queridos filhos! Vejam você, ouçam e sintam que nos corações de muitas pessoas Deus não existe. Eles não querem Ele, porque eles estão longe de oração e não tem paz. Vocês, filhinhos, rezem – vivam os mandamentos de Deus. Seja você uma oração, vós que desde o início disse `sim` ao meu chamado. Testemunhar Deus e minha presença e não se esqueçam, filhinhos: Eu estou com vocês e eu vos amo. Dia a dia, apresento a todos vocês a meu Filho Jesus. Obrigada por terem respondido ao meu chamado. “

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Mensagem Original:

Message, 25. February 2014

“Dear children! You see, hear and feel that in the hearts of many people there is no God. They do not want Him, because they are far from prayer and do not have peace. You, little children, pray – live God’s commandments. You be prayer, you who from the very beginning said `yes` to my call. Witness God and my presence and do not forget, little children: I am with you and I love you. From day to day I present you all to my Son Jesus. Thank you for having responded to my call.”

(www.medjugorje.org)

É absurdo seguir a Cristo à margem da Igreja

Homilia do papa na Casa Marta: É absurdo seguir a Cristo à margem da Igreja
Francisco nos convida a pensar nos gestos de Jesus, que nunca nos abandona

Por Redacao

ROMA, 24 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Seguir Jesus não é “uma ideia”, mas um “contínuo permanecer em casa”, na Igreja, para onde Cristo traz também aqueles que tinham se afastado. A afirmação é do papa Francisco, em sua homilia desta segunda-feira durante a missa que ele celebrou na capela da Casa Santa Marta.

Um menino em convulsões, que se retorce pelo chão, espumando no meio da multidão comovida e indefesa; e o pai dele, que se agarra a Jesus rogando que Ele liberte o filho da possessão diabólica. Este é o drama apresentado pelo evangelho de hoje e que o Santo Padre considerou ponto por ponto: a falação dos espectadores, que discutem sem sentido; Jesus que chega e se informa; “o barulho que vai diminuindo”; o pai angustiado que surge da multidão e decide, contra toda esperança, esperar em Jesus; e Jesus, que movido pela fé cristalina daquele pai, se compadece, expulsa o mau espírito e se inclina com doçura sobre o jovem, que parece morto, para ajudá-lo a ficar de pé.

“Toda essa desordem, essa discussão, termina em um gesto: Jesus que se inclina para o menino. Esses gestos de Jesus nos fazem pensar. Jesus, quando cura, quando vai para o meio das pessoas e cura alguém, nunca deixa esse alguém sozinho. Ele não é um mago, um bruxo, um curandeiro que vai, cura e segue em frente: ele faz cada um voltar para o seu lugar, não o deixa abandonado. E todos esses gestos são gestos belíssimos de nosso Senhor”.

Este é o ensinamento, explica o pontífice: “Jesus sempre nos faz voltar para casa, nunca nos deixa sozinhos no caminho”. O evangelho, recorda ele, está cheio desses gestos: a ressurreição de Lázaro, a vida devolvida à filha de Jairo e ao filho da viúva, mas também a ovelha perdida, reconduzida ao rebanho, e a moeda perdida e reencontrada pela mulher.

“Jesus não veio do céu sozinho; Ele é filho de um povo. Jesus é a promessa feita a um povo e a sua identidade também é a pertença a esse povo, que, desde Abraão, caminha rumo à promessa. E esses gestos de Jesus nos ensinam que cada cura, que cada perdão nos faz sempre voltar para o nosso povo, que é a Igreja”.

Jesus perdoa sempre. E os seus gestos, continua o papa Francisco, também se tornam “revolucionários” ou “inexplicáveis” quando o seu perdão chega até aqueles que se afastaram “demais”, como o publicano Mateus e seu colega Zaqueu. Além disso, Jesus sempre, “quando perdoa, nos faz voltar para casa”. E, por isso, não podemos entender Jesus sem o povo de Deus. É “absurdo amar a Cristo sem a Igreja, escutar Cristo mas não a Igreja, seguir a Cristo à margem da Igreja”, reafirma o pontífice, parafraseando mais uma vez Paulo VI: “Cristo e a Igreja estão unidos” e “cada vez que Cristo chama uma pessoa, Ele a leva para a Igreja”. Por isso, “é bom” que uma criança “seja batizada na Igreja”, na “Igreja mãe”.

“Esses gestos de tanta ternura de Jesus nos fazem entender o seguinte: que a nossa doutrina, por assim dizer, que o nosso seguimento de Cristo, não é uma ideia, mas sim um contínuo permanecer em casa. E se cada um de nós tem a possibilidade e a realidade de abandonar o lar por causa de um pecado, de um erro –só Deus sabe–, a salvação é voltar para casa com Jesus, para a Igreja. São gestos de ternura. Um por um, nosso Senhor nos chama assim, para o seu povo, para dentro da sua família, que é a nossa mãe, a Santa Igreja. Pensemos nestes gestos de Jesus”.

(Zenit)

“O melhor que podemos dar aos nossos filhos são irmãos”, diz mãe de 18 filhos

Rosa Pich apresenta hoje, na cidade de Pamplona, Espanha, o seu livro: “Como ser feliz com 1, 2, 3… filhos?”

Por Thácio Lincon Soares de Siqueira

ROMA, 21 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – É cada vez mais difícil ver uma família com mais de dois ou três filhos… agora, imaginar uma com dezoito é algo que supera até os contos de fadas ou os nossos avós.

Pois bem, hoje, Rosa Pich está apresentando na cidade de Pamplona, na Espanha, o seu livro: “Como ser feliz com 1, 2, 3… filhos?”

“É um livro muito prático para católicos, protestantes, budistas… Está pensado para uma família com um ou dois filhos, porém escrito a partir da experiência de ter 18 e de ter vindo de uma família numerosa”, diz Pich em entrevista concedida ao jornal Diário de Navarra.

Rosa Pich e seu marido Chema Postigo, de 48 e 53 anos respectivamente têm 18 filhos. Ela vem de uma família com 15 irmãos e ele de uma com 14. Casaram-se quando ela cumpriu 23 anos e ele 28.

Apesar da contrariedade dos médicos seguiram adiante. Disse rosa que “Três dos nossos filhos morreram com doenças do coração severas e o médico nos disse: ‘Não tenham mais filhos’.

Pensando na educação que queriam oferecer aos seus filhos Pich afirmou que “o melhor que podemos dar aos nossos filhos são irmãos”.

Alimentação e ajuda

Como alimentar um exército tão grande? “Não comemos só frango”, já que, como afirmou a mãe, dois frangos são suficientes para toda a família. “Primeiramente preparamos um quilo de arroz ou espaguete, que custa entre 0,80 e 0,90 centavos e enche muito. Somos de comer muito macarrão. Os meus filhos são esportistas e comilões. Além do mais, não faz falta comer tanta carne. E acompanhamos tudo com pão”. Uma média de 10 barras de pão por dia, aproveitando o desconto de 0,20 centavos que uma padaria oferece para a família.

Recebem alguma ajuda do Estado? “A única é da Renfe. O Estado tem que se mexer. É necessário incentivar a natalidade, porque nos transformaremos em um país de velhos. O problema não é a falta de comida, porque se desperdiça. O problema é que está mal distribuída”.

Ter filhos é ser feliz

Rosa comentou que o pior não é ter filhos aos 40, mas ficar só nessa idade. “Ter filhos é ser muito feliz”, disse. “Parece-me que é preciso aprender que é possível viver com muito pouco. O importante – destacou Pich – e o que a cada dia como mãe tento ensinar aos filhos, é que é preciso dar-se aos demais e desde muito pequeno. Na rua vemos muita gente triste e é por não pensar nos demais”.

Obviamente que uma família tão numerosa não é um convento de monjas. Diz Rosa Pich que “Na minha casa existem momentos de caos, caos. Um precisa cortar o cabelo, outro aconteceu algo na escola… Mas é preciso buscar um momento para si mesmo. As vezes digo: ‘Mamãe está saindo’. Fecho a porta e dou uma volta no quarteirão. Também, depois de comer e jantar, temos um momento de conversa e depois cada um pega seu livro”.

Concluindo a entrevista ao Diario de Navarra Pich quis deixar uma palavra aos seus pais: “Obrigado, obrigado, obrigado.  Ser uma família numerosa implica muitas renúncias e eles me deram tudo e sempre com alegria. Mãezinha, lembro-me que eu lhe perguntava: e quando você vai descansar? E me respondia: “na outra vida”.

(Zenit)

Homilia do papa na Casa Santa Marta: Os cristãos sem fé são como os demônios

O Santo Padre nos recordou hoje que a fé sem obras não é fé, porque a fé verdadeira sempre envolve testemunho

Por Redacao

ROMA, 21 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – “Uma fé que não dá frutos por meio das obras não é fé”, afirmou nesta manhã o Santo Padre durante a homilia na Casa Santa Marta. O papa ofereceu a missa pelos 90 anos de idade do cardeal Silvano Piovanelli, arcebispo emérito de Florença, agradecendo a ele “pelo trabalho, pelo testemunho e pela bondade”.

O mundo está cheio de cristãos que recitam muito as palavras do credo, mas as põem muito pouco em prática. Ou de eruditos que compartimentam a teologia em uma série de possibilidades, sem que essa erudição, depois, se reflita concretamente na vida. É um risco que, há dois mil anos, São Tiago já temia. O papa o abordou hoje na homilia ao comentar o fragmento em que o apóstolo o menciona em sua carta.

Francisco observou que a afirmação do apóstolo é clara: “A fé sem fruto na vida, a fé que não dá fruto nas obras, não é fé”. E continuou: “Também nós nos enganamos às vezes sobre isto: ‘Mas eu tenho muita fé’, ouvimos dizer. ‘Eu acredito em tudo, tudo…’. Mas a pessoa que diz isso, talvez, leva uma vida morna. A sua fé é como uma teoria, mas não é viva na sua vida. O apóstolo Tiago, quando fala da fé, fala precisamente da doutrina, do conteúdo da fé. Podemos conhecer todos os mandamentos, todas as profecias, todas as verdades da fé, mas, sem a prática, de nada serve. Podemos recitar o credo teoricamente, também sem fé, e há muita gente que faz isso. Até os demônios! Os demônios conhecem muito bem o que se diz no credo e sabem que é verdade”.

As palavras do pontífice ecoam a afirmação de Tiago: “Crês que há somente um Deus? Fazes bem. Até os demônios o creem e tremem diante dele”. A diferença, explicou o papa, é que os demônios “não têm fé”, porque “ter fé não é ter um conhecimento”, mas “acolher a mensagem de Deus” trazida por Cristo. O Santo Padre nos explica que, no Evangelho, encontramos dois sinais reveladores de quem “sabe o que se deve crer, mas não tem fé”. O primeiro sinal é a “casuística”, representada por aqueles que perguntavam a Jesus se era lícito pagar os impostos ou qual dos sete irmãos do marido devia se casar com a sua viúva. O segundo sinal é “a ideologia”.

E detalhou: “Os cristãos que pensam a fé como um sistema de ideias, ideológico: também no tempo de Jesus havia gente assim”. O apóstolo João diz que eles são o anticristo, os ideólogos da fé, sejam do tipo que forem. “Naquele tempo havia gnósticos, mas havia muitos… E assim, quem cai na casuística ou na ideologia é um cristão que conhece a doutrina, mas não tem fé; como os demônios. Com a diferença de que os demônios tremem, mas estes não: estes vivem tranquilos”.

Por outro lado, Francisco recordou que no Evangelho há também exemplos de pessoas que não conhecem a doutrina, mas têm muita fé. Ele citou a cananeia, que, com sua fé, chora pela cura da filha vítima de uma possessão, e a samaritana, que abre o seu coração porque “encontrou não verdades abstratas, mas o próprio Jesus Cristo”. O papa também fala do cego curado por Jesus e interrogado pelos fariseus e doutores da lei até se ajoelhar com simplicidade e adorar quem o curou. Três pessoas que, diz Francisco, “demostram que a fé e o testemunho são indissociáveis”.

Para terminar, o Santo Padre enfatizou que “a fé sempre leva ao testemunho. A fé é um encontro com Jesus Cristo, com Deus, e leva ao testemunho. É isto o que o apóstolo quer dizer: uma fé sem obras, uma fé que não nos compromete, que não nos leva ao testemunho, não é fé. São palavras e nada mais do que palavras”.

(Zenit)

A Igreja não olha para os homossexuais como tais, mas como filhos de Deus (Parte I)

Padre Paul Check relata como nasceu o apostolado “Courage”, voltado para aqueles que mostram atração para pessoas do mesmo sexo

Por Ann Schneible

PARIS, 20 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – The Courage é um apostolado que atende às necessidades das pessoas atraídas pelo mesmo sexo, que se sentem excluídas da Igreja e que querem encontrar a sua unidade além do rótulo de homossexuais.

Nascido nos EUA, onde está presente em metade das dioceses, o projeto então, se espalhou em outros doze países, sempre com o objetivo de ajudar aqueles que têm tendências homossexuais, a viver em castidade, em um espírito de amor e de verdade.

Para conhecer a realidade do The Courage, ZENIT entrevistou o Pe. Paul Check, que tornou-se diretor do projeto após a morte do seu fundador, padre John Harvey.

Acompanhe a seguir:

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ZENIT: Padre Paul, gostaria de nos contar brevemente a história do apostolado The Courage?

Padre Check: Em 1980, o futuro Cardeal Arcebispo de Nova York, Terence Cooke, teve a ideia de criar um apostolado que se preocupasse pelas pessoas necessitadas da proteção materna da Igreja e da sua caridade pastoral, pessoas que se sentissem estranhas à Igreja ou que até mesmo a odiassem. O cardeal pediu, portanto, ao padre Benedict Groeschel para ajudá-lo em um novo apostolado destinado a homens e mulheres com tendências homossexuais, para que compreendessem o amor de Cristo por ele, o seu papel reservado na Igreja, a sua chamada a uma vida de castidade, e as graças que Deus lhes teria concedido caso se abrissem a Ele.

Padre Groeschel conhecia um sacerdote que há muitos anos estudava questões relacionadas à homossexualidade, um verdadeiro pioneiro neste campo: padre John Harvey, um oblato de São Francisco de Sales.

Em 1980, sete homens se reuniram em Manhattan, sob a orientação do padre Harvey e formularam os cinco objetivos de Courage: castidade, oração e dom de si, amizade em Cristo, necessidade de amizades castas e disseminação do bom exemplo.

Além de formar esses grupos de apoio, The Courage oferece treinamento para sacerdotes e seminaristas, ajudando-os a compreender o seu desafio na compreensão da complexidade da homossexualidade e ajudar, por sua vez, homens e mulheres com essa inclinação.

ZENIT: Como pode ser definido e compreendido a atração pelo próprio sexo? E como eles podem definir-se, as pessoas homossexuais?

Padre Check: Esta questão realmente vai ao coração do nosso trabalho. A linguagem é muito importante, porque as palavras evocam imagens, idéias e problemas, por vezes profundamente enraizados. Há, de fato, muita sensibilidade sobre a linguagem, dá-se muito peso às palavras.

Procuro aproximar-me com muito cuidado da questão da identidade, a partir de duas perspectivas, assim como o faz a Igreja, seguindo o exemplo de Cristo. No Evangelho, o Senhor compromete as pessoas de duas formas: a primeira é no ensinamento em grupo, como ocorre, por exemplo, no Sermão da Montanha. Ao mesmo tempo, porém, Nosso Senhor envolve as pessoas individualmente, encontra as almas individualmente e apresenta-lhes a Boa Nova de forma muito precisa, clara e íntima, para orientá-los a um conhecimento mais profundo de si mesmos.

Isso é um desafio, porque a Igreja quer transmitir a sua mensagem mas também encontrar pessoalmente as mulheres e os homens.

Devemos ter em mente que a identidade real e aquela percebida podem não coincidir.

A sua pergunta exige uma longa premissa que espero que possa ajudar, de modo que aquilo que estou pra dizer não pareça insensível ou ignorante da realidade vivida. Jamais podemos dizer: “a sua experiência de si mesmo não é válida”, como se nós soubéssemos mais daquela pessoa do que ela dela mesma.

Portanto, o vocabulário da Igreja foi escolhido com muito cuidado e, ao longo dos anos, tornou-se sempre mais e mais preciso. Ao dizer isso, quero dizer que a Igreja é muito cuidadosa para medir todos os aspectos da experiência humana, de acordo com a sua importância e para dar às coisas o seu peso adequado.

A Igreja evita rotular uma pessoa com base em sua orientação sexual, sem subestimá-la por isso ou sem ser insensível ao conceito que cada um tem de si mesmo. Eu acho que seja interessante notar que a questão mais importante da história da humanidade seja a da identidade. Jesus, afinal, perguntou aos apóstolos: “Quem dizem que eu sou?”.

Quando a Igreja fala de homossexualidade, fala no mais amplo contexto da castidade. A castidade é uma virtude que neutraliza as falsas aspirações, regulando o apetite sexual de acordo com a reta razão e o projeto de Deus para a natureza humana. Um coração casto é um coração em paz, que dá tudo de si mesmo, de acordo com o seu estado de vida, e de acordo com esse dom de si, encontra a sua realização. Um dos maiores desafios que a Igreja está enfrentando hoje é o de propor a castidade como parte da “boa nova”, mas Jesus o fez e também nós o podemos fazer.

Portanto, a Igreja presta muita atenção em quem é realmente cada um de nós , não apenas como uma pessoa com tendências homossexuais, mas como um filho de Deus, redimido pelo Sangue Precioso de Cristo e chamado à graça nesta vida e à glória na vida futura. A Igreja diz: as atrações para com seu próprio sexo podem ser um aspecto importante da sua experiência de vida ou até mesmo da sua auto-compreensão, porém procura não ver-lhe somente através da lente da homossexualidade.

A Igreja fala com atenção e amor quando fala da tendência ou atração homossexual, em vez de usar substantivos como “homossexual”, “lésbica” ou “gay”.

(Tradução Thácio Siqueira)

(Zenit)

“O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas é um presente”

Na Audiência Geral, Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os sacramentos

CIDADE DO VATICANO, 19 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Na catequese desta quarta-feira (19), Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os sacramentos, desta vez concentrando-se no da Penitência e da Reconciliação. Eis a catequese na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Através dos Sacramentos da iniciação cristã, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia, o homem recebe a vida nova em Cristo. Agora, todos sabemos disso, nós levamos essa vida “em vasos de barro” (2 Cor 4, 7), ainda estamos sujeitos à tentação, ao sofrimento, à morte e, por causa do pecado, podemos até mesmo perder a nova vida. Por isto o Senhor Jesus quis que a Igreja continuasse a sua obra de salvação também através dos próprios membros, em particular o Sacramento da reconciliação e aquele da Unção dos enfermos, que podem ser unidos sob o nome de “Sacramentos da cura”. O Sacramento da Reconciliação é um Sacramento de cura. Quando eu vou confessar-me é para curar-me, curar a minha alma, curar o coração e algo que fiz e não foi bom. O ícone bíblico que o exprime melhor, em sua profunda ligação, é o episódio do perdão e da cura do paralítico, onde o Senhor Jesus se revela ao mesmo tempo médico das almas e dos corpos (cfr Mc 2,1-12 // Mt 9,1-8; Lc 5,17-26).

1. O Sacramento da Penitência e da Reconciliação surge diretamente do mistério pascal. De fato, na própria noite de Páscoa, o Senhor aparece aos discípulos, fechados no cenáculo, e depois de ter dirigido a eles a saudação “A paz esteja convosco”, soprou sobre eles e disse: “Recebeis o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20,21-23). Esta passagem nos revela a dinâmica mais profunda que está contida neste Sacramento. Antes de tudo, o fato de que o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos dar a nós mesmos. Eu não posso dizer: perdoo os meus pecados. O perdão se pede, se pede a uma outra pessoa e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas é um presente, é um dom do Espírito Santo, que nos enche com a misericórdia e a graça que surge incessantemente do coração aberto de Cristo crucificado e ressuscitado. Em segundo lugar, recorda-nos que somente se nos deixamos reconciliar no Senhor Jesus com o Pai e com os irmãos podemos estar verdadeiramente na paz. E todos sentimos isso no coração quando vamos confessar-nos, com um peso na alma, um pouco de tristeza; e quando recebemos o perdão de Jesus estamos em paz, com aquela paz da alma tão bela que somente Jesus pode dar, somente Ele.

2. No tempo, a celebração deste Sacramento passou de uma forma pública – porque no início se fazia publicamente – àquela pessoal, à forma reservada da Confissão. Isto, porém, não deve fazer perder a matriz eclesial, que constitui o contexto vital. De fato, é a comunidade cristã o lugar no qual se torna presente o Espírito, o qual renova os corações no amor de Deus e faz de todos os irmãos uma só coisa, em Cristo Jesus. Eis então porque não basta pedir perdão ao Senhor na própria mente e no próprio coração, mas é necessário confessar humildemente e com confiança os próprios pecados ao ministro da Igreja. Na celebração deste Sacramento, o sacerdote não representa somente Deus, mas toda a comunidade, que se reconhece na fragilidade de cada um de seus membros, que escuta comovida o seu arrependimento, que se reconcilia com ele, que o encoraja e o acompanha no caminho de conversão e amadurecimento cristão. Alguém pode dizer: eu me confesso somente com Deus. Sim, você pode dizer a Deus “perdoa-me”, e dizer os teus pecados, mas os nossos pecados são também contra os irmãos, contra a Igreja. Por isto é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote. “Mas, padre, eu me envergonho…”. Também a vergonha é boa, é saudável ter um pouco de vergonha, porque envergonhar-se é saudável. Quando uma pessoa não tem vergonha, no meu país dizemos que é um “sem vergonha”: um “sin verguenza”. Mas também a vergonha faz bem, porque nos faz mais humildes e o sacerdote recebe com amor e com ternura esta confissão e em nome de Deus perdoa. Também do ponto de vista humano, para desabafar, é bom falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas coisas, que são tão pesadas no meu coração. E alguém sente que desabafa diante de Deus, com a Igreja, com o irmão. Não ter medo da Confissão! Alguém, quando está na fila para confessar-se, sente todas estas coisas, também a vergonha, mas depois quando termina a Confissão sai livre, grande, belo, perdoado, purificado, feliz. É este o bonito da Confissão! Eu gostaria de perguntar-vos – mas não digam em voz alta, cada um responda no seu coração – quando foi a última vez que você se confessou? Cada um pense… São dois dias, duas semanas, dois anos, vinte anos, quarenta anos? Cada um faça as contas, mas cada um diga a si mesmo: quando foi a última vez que eu me confessei? E se passou tanto tempo, não perder um dia a mais, vá, que o sacerdote será bom. É Jesus ali, e Jesus é o melhor dos sacerdotes, Jesus te recebe, recebe-te com tanto amor. Seja corajoso e vá à Confissão!

3. Queridos amigos, celebrar o Sacramento da Reconciliação significa ser envolvido em um abraço caloroso: é o abraço da infinita misericórdia do Pai. Recordemos aquela bela, bela parábola do filho que foi embora de sua casa com o seu dinheiro da herança; gastou todo o dinheiro e depois quando não tinha mais nada decidiu voltar pra casa, não como filho, mas como servo. Tanta culpa tinha em seu coração e tanta vergonha. A surpresa foi que quando começou a falar, a pedir perdão, o pai não o deixou falar, abraçou-o, beijou-o e fez festa. Mas eu vos digo: toda vez que nós nos confessamos, Deus nos abraça, Deus faz festa! Vamos adiante neste caminho. Que Deus vos abençoe!

(Trad.: Canção Nova)

(Zenit)

O papa Francisco na audiência geral: Quando foi a última vez que você se confessou?

O Santo Padre faz novo apelo em favor da paz na Ucrânia e, na catequese, recorda que Deus faz festa quando pedimos perdão

Por Rocio Lancho García

ROMA, 19 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Francisco fez mais um apelo, na audiência desta manhã, pelo fim da violência que vem sacudindo a Ucrânia. “Acompanho com preocupação o que está acontecendo nestes dias em Kiev. Asseguro a minha proximidade ao povo ucraniano e rezo pelas vítimas da violência, pelas suas famílias e pelos feridos. Convido todas as partes a cessar toda ação violenta e a procurar a concórdia e a paz do país”.

O conflito está estremecendo a Ucrânia desde meados de novembro, quando os cidadãos começaram a fazer protestos multitudinários contra a decisão do governo de não assinar o Acordo de Associação com a União Europeia. O país está dividido entre os favoráveis à aproximação com a Europa Ocidental e aqueles que preferem manter vínculos mais estreitos com a Rússia. O dia de ontem foi especialmente trágico: um enfrentamento entre manifestantes e policiais deixou um saldo de 25 mortos e centenas de feridos.

Durante os 20 minutos de percurso pela Praça de São Pedro a bordo do papamóvel, antes da audiência, Francisco saudou e abençoou os mais de 20.000 peregrinos que chegaram de todo o mundo, dando especial atenção às crianças. O forte vento que soprava na praça não impediu que o entusiasmo, os vivas ao papa e as mostras de carinho esmorecessem durante os minutos de contato direto entre o pontífice e os fiéis. Por outro lado, o mesmo vento deixou Francisco sem solidéu durante a audiência.

O Santo Padre deu continuidade à série de catequeses sobre os sacramentos: hoje o tema foi a confissão. No resumo da catequese, Francisco disse: “A catequese de hoje se concentra no sacramento da reconciliação. Este sacramento brota diretamente do mistério pascal. Jesus ressuscitado apareceu para os apóstolos e disse a eles: ‘Recebam o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados’. Assim, o perdão dos pecados não é fruto do nosso esforço pessoal, mas um presente, um dom do Espírito Santo, que nos purifica através da misericórdia e da graça do Pai.

A confissão, que se realiza de forma pessoal e privada, não deve nos levar a esquecer o seu caráter eclesial. É na comunidade cristã que o Espírito Santo se faz presente, renova os corações no amor de Deus e une todos os irmãos em um só coração, em Jesus Cristo. Por isso, não basta pedir perdão ao Senhor interiormente: é necessário confessar com humildade os próprios pecados perante o sacerdote, que é nosso irmão e representa Deus e a Igreja. Pode ser muito bom para cada um, hoje, pensar no seguinte: ‘há quanto tempo eu não me confesso?’. Cada um responda para si. Pode lhe fazer bem.

O ministério da reconciliação é um genuíno tesouro, que, às vezes, corremos o perigo de esquecer, por preguiça ou por vergonha, mas, principalmente, por termos perdido o senso de pecado, que, no fundo, é a perda do senso de Deus. Quando nos deixamos reconciliar por Jesus, encontramos uma paz verdadeira”.

Ao cumprimentar os peregrinos em diversos idiomas, o Santo Padre disse ainda: “Convido todos vocês a recorrer com frequência ao sacramento da penitencia, a se confessar e receber o abraço da infinita misericórdia do Pai, que está nos esperando para nos dar um forte abraço”.

Depois de fazer o resumo da catequese em várias línguas, o papa Francisco saudou de forma especial os jovens, os doentes e os recém-casados, como já se tornou tradição nas audiências. “Que a Virgem Maria ajude vocês, queridos jovens, a entender cada vez mais o valor do sacrifício na sua formação humana e cristã; que ela os sustente, queridos enfermos, na hora de enfrentar a dor e a doença com serenidade e fortaleza; e que ela guie vocês, queridos recém-casados, para construir a sua família sobre as bases sólidas da fidelidade à vontade de Deus”.

Nesta manhã, antes da audiência, o Santo Padre também recebeu, na Casa Santa Marta, 19 presidiários acompanhados por dois capelães e duas religiosas. Eles cumprem pena nos presídios de Pisa e Pianosa. O encontro, que não estava programado, durou cerca de quarenta e cinco minutos, durante os quais Francisco conversou e abençoou os presos um por um.

O grupo de detentos está participando de uma trajetória espiritual guiada pelos capelães, que os acompanharam hoje à audiência geral com o papa durante uma peregrinação a Roma. Eles participaram da missa nos jardins vaticanos e, por volta das 9h da manhã, informado da sua presença, o papa quis encontrá-los em particular antes da audiência geral. “Foi um encontro belíssimo, comovente. O papa quis saudá-los e abençoar um por um. Ele os encorajou muito, mostrou a sua grande paternidade espiritual para com essas pessoas que estão profundamente comprometidas em completar um percurso espiritual”, declarou dom Baldisseri, secretário do sínodo dos bispos, conforme informações do jornal italiano Avvenire.

(Zenit)

Papa Francisco: Não tenhamos medo do Sacramento da Reconciliação

Vaticano, 19 Fev. 14 / 11:36 am (ACI).- Nesta quarta, 12, milhares de fiéis se reuniram na Praça S. Pedro às vésperas do Consistório no próximo sábado, dia 22, quando o Colégio Cardinalício ganhará 19 novos membros, incluindo o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani J. Tempesta, o Papa continuou sua reflexão sobre os sacramentos exortando os fiéis a não terem medo de aproximar-se do sacerdote para pedir perdão pelos pecados cometidos contra Deus e contra os irmãos.

Na ocasião o Sumo Pontífice ressaltou que este Sacramento provém diretamente do mistério pascal, quando disse aos discípulos: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados”.
Papa quis deixar claro que o “perdão dos nossos pecados não é algo que possamos dar-nos a nós mesmos”.

“Eu não posso dizer: ‘Eu me perdoo os pecados’. O perdão se pede, se pede a outro, e na Confissão pedimos perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas é dom do Espírito Santo, que derrama sobre nós a graça e a misericórdia do Pai”, asseverou o Pontífice

Para aqueles que dizem: ‘Eu me confesso somente com Deus’, o Papa recordou que os nossos pecados são também contra os irmãos e a Igreja e por isso é necessário pedir perdão a eles na pessoa do sacerdote.

Segundo explica a nota publicada hoje pela Rádio Vaticano, o Santo Padre assinalou que embora a forma ordinária da Confissão seja pessoal e secreta, não se deve perder de vista a sua dimensão eclesial. Por isso, não basta pedir perdão a Deus no íntimo do próprio coração, mas é necessário confessar os pecados ao sacerdote. Este, no confessionário, não representa apenas Deus, mas toda a comunidade eclesial, a qual se reconhece na fragilidade dos seus membros, constata comovida o seu arrependimento, reconcilia-se com eles e encoraja-os no caminho de conversão e amadurecimento humano e cristão.

Aos que se envergonham do seu pecado, o Pontífice dirigiu as seguintes palavras:  “Também a vergonha é boa, vergonhar-se é saudável. Porque quando uma pessoa não tem vergonha, no meu país dizemos “sem vergonha”, sin verguenza. (…) Mas a vergonha também faz bem, porque nos torna mais humildes. (…) Não tenham medo da Confissão, porque dela se sai mais “livre, grande, belo, perdoado e feliz”.

“Seja corajoso e vá se confessar”, exortou.

Francisco concluiu sua catequese ressaltando que o Sacramento da Reconciliação significa deixar-se envolver no abraço da misericórdia infinita do Pai. E citou a parábola do filho pródigo, que ao voltar para casa sentindo tanta culpa e vergonha, ficou surpreso com o abraço que recebeu do Pai.
“Toda vez que nós nos confessamos, Deus nos abraça, Deus faz festa. Prossigamos nesta estrada”, finalizou.

No final de sua catequese, o Pontífice se dirigiu de modo especial aos fiéis do Rio de Janeiro que acompanham Dom Orani João Tempesta na ocasião de sua criação como cardeal e disse:
“Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis de São Sebastião do Rio de Janeiro com o vosso pastor Dom Orani João Tempesta, desejando-vos que nada e ninguém possa impedir-vos de viver e crescer na amizade de Deus Pai; mas deixai que o seu amor sempre vos regenere como filhos e vos reconcilie com Ele, com vós mesmos e com os irmãos. Desça, sobre vós e vossas famílias, a abundância das suas bênçãos.”
Os novos 19 cardeais são:
1 – Dom Pietro Parolin, Secretário de Estado.
2 – Dom Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos e Ex-Núncio apostólico no Brasil.
3 – Dom Gerhard Ludwig Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
4 – Dom Beniamino Stella, Prefeito da Congregação per o Clero.
5 – Dom Vincent Nichols, Arcebispo de Westminster (Grã Bretanha).
6 – Dom Leopoldo José Brenes Solórzano, Arcebispo de Manágua (Nicarágua).
7 – Dom Gérald Cyprien Lacroix, Arcebispo de Québec (Canadá).
8 – Dom Jean-Pierre Kutwa, Arcebispo de Abidjã (Costa do Marfim).
9 – Dom Orani João Tempesta, O.Cist., Arcebispo do Rio de Janeiro (Brasil).
10 – Dom Gualtiero Bassetti, Arcebispo de Perúgia-Città della Pieve (Itália).
11 – Dom Mario Aurelio Poli, Arcebispo de Buenos Aires (Argentina).
12 – Dom Andrew Yeom Soo jung, Arcebispo de Seoul (Coreia).
13 – Dom Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., Arcebispo de Santiago do Chile (Chile).
14 – Dom Philippe Nakellentuba Ouédraogo, Arcebispo de Ouagadougou (Burquina Faso).
15 – Dom Orlando B. Quevedo, O.M.I., Arcebispo de Cotabato (Filipinas).
16 – Dom Chibly Langlois, Bispo de Les Cayes (Haiti).
3 cardeais não-eleitores (mais de 80 anos):
1 – Dom Loris Francesco Capovilla, Arcebispo emérito de Mesembria.
2 – Dom Fernando Sebastián Aguilar, C.M.F., Arcebispo emérito de Pamplona.
3 – Dom Kelvin Edward Felix, Arcebispo emerito de Castries.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26720)

Pais de um bebê que viveu apenas 10 dias realizam vídeo em sua homenagem

WASHINGTON DC, 18 Fev. 14 / 12:14 pm (ACI/EWTN Noticias).- Josh e Robbyn Blick, pais do menino Zion Isaiah Blick, que viveu apenas dez dias devido à Síndrome de Edwards, celebraram junto dele, com familiares e amigos, cada um dos seus dias de vida, e os registraram em fotografias e vídeos postados na internet.

Às 20 semanas de gravidez, os médicos informaram ao casal que Zion Isaiah tinha a Síndrome de Edwards, conhecida também como Trissomia 18, que é a presença de um cromossomo extra no par 18 que ocasiona anomalias diversas e problemas graves saúde terminando a vida do bebê, em alguns casos, em questão de dias.

Muitos bebês que apresentam esta condição falecem antes mesmo de nascer, e os médicos advertiram desta possibilidade a Josh e Robbyn.

Apesar disto, o casal seguiu adiante com a gravidez, e assim, Zion Isaiah nasceu no dia 11 de janeiro deste ano. O bebê nasceu com um problema no coração, o que reduziu sua esperança de vida.

Junto a seus amigos, família e seus outros filhos, Josh e Robbyn Blick acompanharam seu bebê e inclusive o levaram para casa. Junto dele celebraram cada dia até que ele faleceu no dia 21 de janeiro.

Josh compartilhou as fotos dos dias que viveram junto a seu filho através do Instagram, e apresentou um vídeo no qual recolheu os instantes vividos junto a Zion.

Em 29 de janeiro, oito dias depois da morte de Zion Isaiah, seu pai, Josh, expressou em sua conta de Twitter sua confiança de que seu filho agora está no Céu, escrevendo: “… parece que foi ontem. Dos meus braços aos Dele, sei que você é amado”.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26714)

Homilia do papa na Casa Santa Marta: Deus não age como um feiticeiro

A paciência do povo de Deus, que suporta as provações cotidianas com fé, é o que faz a Igreja avançar, explica Francisco

Por Redacao

ROMA, 17 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – A paciência do povo de Deus, que suporta com fé as provações do cotidiano, é o que faz a Igreja avançar: esta foi a mensagem do papa Francisco durante a homilia desta manhã, na missa celebrada na capela da Casa Santa Marta.

“A paciência não é resignação, é outra coisa”. Em sua pregação, o papa comentou a Carta de São Tiago, que nos faz um convite à alegria mesmo quando somos provados. “Parece um convite para sermos iguais aos faquires”, disse Francisco, com seu bom humor habitual, “mas não é isso. Ter paciência, suportar as provações, as coisas que não queremos, é uma atitude que nos faz amadurecer na vida. Quem não tem paciência quer tudo para já, tudo depressa. Quem não conhece a sabedoria da paciência é uma pessoa caprichosa, como as crianças que nunca ficam satisfeitas com nada. A pessoa que não tem paciência é uma pessoa que não cresce, que fica nos caprichos infantis, que não sabe encarar a vida do jeito que a vida vem: ou isso ou nada. Esta é uma das tentações: virar pessoas caprichosas. Outra tentação para aqueles que não têm paciência é a onipotência de querer algo para já, como os fariseus, que pedem a Jesus um sinal do céu: eles queriam um espetáculo, um milagre”.

“Eles confundem o modo de agir de Deus com o modo de agir de um feiticeiro. E Deus não age como um feiticeiro. Deus tem a sua própria maneira de avançar. A paciência de Deus. Ele também tem paciência. Cada vez que recorremos ao sacramento da Reconciliação, cantamos um hino à paciência de Deus! E como Deus nos carrega nos ombros, com quanta paciência, com quanta paciência! A vida cristã tem que se desenvolver ao som da paciência, que era a música dos nossos pais, do povo de Deus, daqueles que acreditaram na Palavra de Deus, que seguiram o mandamento que nosso Senhor tinha dado ao nosso pai Abraão: ‘Caminha em minha presença e sê perfeito'”.

O povo de Deus, diz o papa, citando a Carta aos Hebreus, “sofreu muito, foi perseguido, assassinado”, mas teve “a alegria de vislumbrar as promessas” de Deus. “Esta é a paciência”, que “devemos manter nas provações: a paciência de uma pessoa adulta, a paciência de Deus”, que nos carrega sobre os ombros. E esta é “a paciência do nosso povo”.

“Como o nosso povo é paciente! Mesmo agora! Quando vamos às paróquias e nos encontramos com essas pessoas que sofrem, que têm problemas, que têm um filho com deficiência ou que têm alguma doença, mas que vivem a vida com paciência. Elas não pedem sinais, como aquela gente do Evangelho, que queria um sinal. Aqueles diziam: ‘Dá-nos um sinal!’. Não, essas não pedem, mas sabem ler os sinais dos tempos: sabem que, quando germina a figueira, é porque a primavera está chegando. Mas aqueles impacientes do Evangelho que ouvimos hoje, que queriam um sinal, não sabiam ler os sinais dos tempos e é por isso que eles não reconheceram Jesus”.

O Santo Padre terminou a homilia louvando “o nosso povo que sofre, que sofre muitas, muitas coisas, mas que não perde o sorriso da fé, que mantém a alegria da fé”.

“E esta gente, o nosso povo, nas nossas paróquias, nas nossas instituições, muita gente, é quem leva a Igreja para frente, com a sua santidade, de todos os dias, de cada dia. Que nosso Senhor dê a todos nós a paciência, a paciência alegre, a paciência do trabalho, da paz, a paciência de Deus, a paciência que Ele tem, e nos dê a paciência do nosso povo fiel, que é tão exemplar”.

(Zenit)

É possível viver o “Sim” do matrimônio para sempre, diz o Papa Francisco a 10 mil casais reunidos em Roma

Vaticano, 14 Fev. 14 / 11:20 am (ACI/EWTN Noticias).- Dez mil casais de namorados e noivos vindos dos cinco continentes na festividade de São Valentim, tiveram um encontro na Praça de São Pedro para falar sobre a vocação ao matrimônio sob o lema “A alegria do sim para sempre” e encontrar-se com o Papa Francisco. Em seu discurso aos casais o Papa insistiu que hoje é possível viver o amor para sempre no contexto do matrimônio.

Segundo reportou o Vatican Information Service desta Sexta-feira, 14, o  encontro, organizado pelo Pontifício Conselho para a Família, teve como ponto de partida a perspectiva de que as pessoas não se casam quando os problemas já foram resolvidos, e sim para resolvê-los juntos e apostam pelo “para todos os dias da vida”, um ponto de vista que infunde esperança no futuro e no amor duradouro e fecundo.

O ato começou às 11 da manhã com uma série de testemunhos dos casais, intercalados com leituras e canções dedicadas ao amor em suas diversas manifestações e, às 12:30h o Santo Padre entrou no Lugar para saudar os noivos e responder a três perguntas expostas por outras tantos casais: O medo ao “para sempre”; Viver juntos, o estilo da vida matrimonial; e o tipo de celebração do matrimônio.

“É importante nos perguntar se for possível amar-se “para sempre” – afirmou o Papa- Hoje em dia muitas pessoas têm medo de tomar decisões definitivas , para toda a vida, porque parece impossível… e esta mentalidade leva a muitos que se preparam para o matrimônio a dizer: “Estamos juntos até que nos dure o amor”….

“Mas, o que entendemos por “amor”? –questionou o Santo Padre- Só um sentimento, uma condição psicofísica? Certamente, se for assim, não se pode construir nada sólido em cima. Mas se o amor é uma relação, então é uma realidade que cresce e também podemos dizer, a modo de exemplo, que se constrói como uma casa. E a casa se edifica em companhia, não sozinhos!… Não queremos construi-la sobre a areia dos sentimentos que vão e vêm, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus…”.

“A família nasce deste projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa: que seja lugar de afeto, de ajuda, de esperança… Assim como o amor de Deus é estável e para sempre, queremos que o amor sobre o qual se assenta a família também o seja. Não devemos deixar-nos vencer pela “cultura do provisório”. Assim que o medo do “para sempre” se cura dia após dia, confiando no Senhor Jesus em uma vida que se converte em uma jornada espiritual diária, feito de passos, de crescimento comum…Porque o “para sempre” não é apenas questão de duração. Um matrimônio não se realiza apenas na duração, é importante sua qualidade. Estar juntos e saber amar-se para sempre é o desafio dos esposos cristãos .. . No Pai-Nosso dizemos ” Dai-nos o pão de cada dia”. Os esposos podem rezar assim´: “Senhor, dai-nos hoje o amor de todos os dias…. ensinai-nos a amar-nos”.

Respondendo à segunda pergunta, Francisco sublinhou que “a convivência é uma arte, um caminho paciente, formoso e fascinante… que tem umas regras que se podem resumir em três palavras: “Posso?, “Obrigado” e “Perdão”.

“Posso?”, explicou, é o pedido amável de entrar na vida de algum outro com respeito e atenção… O verdadeiro amor não se impõe com dureza e agressividade. … São Francisco dizia:… “A cortesia é a irmã da caridade, que apaga o ódio e mantém o amor”… e hoje, em nossas famílias, em nosso mundo, frequentemente violento e arrogante, a cortesia é muito necessária”.

“Obrigado.” A gratidão é um sentimento importante… Sabemos dizer obrigado?: Em vosso relacionamento neste instante e em vossa futura vida matrimonial , é importante manter viva a consciência de que a outra pessoa é um dom de Deus… e pelos dons de Deus se diz “obrigado””, declarou o Papa.

““Perdão” … Na vida cometemos muitos erros, equivocamo-nos tantas vezes. Todos nós. Daí a necessidade de utilizar esta palavra tão singela “perdão”. Em geral, cada um de nós está disposto a acusar o outro para justificar-se. É um instinto que está na origem de tantos desastres. Aprendamos a reconhe cer nossos erros e a pedir desculpas… É também assim que cresce uma família cristã. Todos sabemos que não existe a família perfeita, nem o marido ou a esposa perfeitos. …Existimos nós, os pecadores. Jesus, que nos conhece bem nos ensina um segredo: que nenhum dia jamais termine sem pedir perdão…sem que a paz volte para casa. Se aprendermos a pedir perdão e perdoar os outros, o matrimônio durará, seguirá adiante”.

Por último, o Santo Padre recordou que a celebração do matrimônio deve ser “uma festa, mas uma festa cristã e não mundana” e pondo como exemplo o primeiro milagre de Jesus nas bodas de Caná, quando transformou a água em vinho porque havia acabado disse: “O que aconteceu em Caná dois mil anos atrás, acontece em realidade em cada festa nupcial. O que fará pleno e profundamente verdadeiro seu matrimônio será a presença do Senhor que se revela e nos outorga sua graça”.

“Ao mesmo tempo, é bom que seu matrimônio seja sóbrio e destaque o que é realmente importante. Alguns estão muito preocupados com os sinais externos: o banquete… os trajes, etc. Estas coisas são importantes em uma festa, mas apenas se indicarem o verdadeiro motivo de sua alegria: a bênção de Deus sobre seu amor. Façam que como o vinho de Caná , os sinais externos de sua cerimônia revelem a presença do Senhor e recordem a vós e a todos os presentes a origem e a razão de sua alegria”, concluiu.

Após as suas palavras alguns casais tiveram a chance de cumprimentar o Papa, que os recebeu com visível afeto e logo partiu para uma volta no Papamóvel para cumprimentar os outros milhares de casais que encheram a Praça de São Pedro.

O Papa, em um tweet dedicado a este encontro, escreveu em sua conta: “Jovens, não tenhais medo de vos casar: unidos num matrimônio fiel e fecundo, sereis felizes”.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26698)

Bélgica aprova a eutanásia infantil.

Pediatras protestam. Se transforma no primeiro país do mundo que não estabelece limites de idade. Será preciso o consentimento dos pais e um informe psiquiátrico da maturidade da criança

Por Ivan de Vargas

ROMA, 13 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Bélgica tornou-se na tarde de hoje no primeiro país do mundo que acrescenta à sua legislação a eutanásia de menores sem requisito de idade. O Congresso dos Deputados aprovou definitivamente um projeto polêmico, que contou com 86 votos a favor, 44 contra e 12 abstenções. Com a nova lei, os menores com doenças incuráveis poderão aceder a essa prática, sempre que cumpram com uns requisitos rigorosos. O principal é demonstrar a capacidade de discernimento.

A passagem pelo Congresso dos Deputados fez algumas mínimas alterações ao projeto aprovado pelo Senado, que na Bélgica é a câmera com iniciativa legislativa. O sofrimento da criança só poderá ser físico – a eutanásia para adultos contempla também o psíquico – e os médicos deverão comprovar que, em qualquer caso, o paciente morreria em curto prazo .

A Holanda era, até agora, o único país que incluía crianças na prática da eutanásia, com um requisito de idade fixado entre 12 e 18 anos, dependendo do caso. Bélgica deu um passo a mais ao optar por avaliar a maturidade mental da criança em vez de estabelecer uma idade de referência.

O texto final estabelece que será o médico encarregado do caso que avaliará se o menor é capaz de tomar a decisão, mas terá que consultar previamente um psiquiatra infantil. Na atualidade, Bélgica já prevê o direito à eutanásia a partir dos 15 anos para jovens emancipados.

Inúmeros profissionais médicos reagiram violentamente a uma lei que segundo eles não responde a nenhuma demanda da sociedade nem do setor sanitário, mas sim às cabalas eleitorais de uns políticos que nesta mesma primavera concorrem às eleições gerais.

Assim, a iniciativa aprovada hoje pelo Parlamento belga recebeu as críticas do primeiro Congresso Internacional de Cidadãos Paliativos Pediátricos celebrado nesta semana na Índia e que incluiu na sua declaração final uma “chamada urgente ao Governo belga para que reconsidere a sua decisão”.

Os especialistas reunidos no Congresso Internacional defenderam que todos os menores em estado terminal devem ter acesso aos meios adequados para controlar a dor e os sintomas, bem como aos cuidados paliativos de alta qualidade. “Acreditamos que a eutanásia não é parte da terapia paliativa pediátrica e não é uma alternativa”, disse o comunicado.

Também uns 40 pediatras belgas publicaram uma carta aberta para advertir que consideram “precipitado” a tramitação desta lei e mostrar que não existe uma demanda social nem médica para dar este passo. Uma carta semelhante, à qual se somaram até 160 pediatras, como informa a mídia local, foi dirigida ontem aos grupos políticos na véspera do voto para pedir-lhes que o atrasem até a próxima legislatura.

Enquanto isso, os líderes das grandes religiões da Bélgica (cristãos, muçulmanos e judeus) têm mostrado repetidamente a sua rejeição à lei. Neste sentido, no 6 de novembro emitiram uma declaração conjunta opondo-se à legalização da eutanásia para menores. “A eutanásia das pessoas mais vulneráveis ​​é desumana e destrói as bases da nossa sociedade”, denunciavam. “É uma negação da dignidade destas pessoas e as abandona ao critério, ou seja, à arbitrariedade de quem decide”, acrescentaram.

Na nota, divulgada pela agência Cathobel, os chefes religiosos destacavam também que estão “contra o sofrimento físico e moral, em particular das crianças”, mas explicavam que “propor que os menores possam eleger a sua própria morte é uma maneira de distorcer sua capacidade de julgar e, portanto, a sua liberdade”. “Expressamos nossa profunda preocupação com o risco de banalização crescente de uma realidade tão grave”, concluíam .

Os líderes religiosos da Bélgica afirmavam também em outra mensagem conjunta que “a eutanásia das pessoas mais vulneráveis é desumana e destrói as bases da nossa sociedade”; e acrescentavam que “é uma negação da dignidade dessas pessoas e as abandona à arbitrariedade de quem decide”.

O número de eutanásias praticadas na Bélgica atingiu um recorde em 2012, com um total de 1.432 casos, um 25% a mais do que no ano anterior, de acordo com dados da Comissão Federal de Controle e de Avaliação da Eutanásia.

O rei Felipe deverá assinar a lei para que entre em vigor. Até agora, o rei, pai de quatro filhos, não se pronunciou publicamente sobre o assunto .

Na Europa, a eutanásia ativa (com assistência médica) está descriminalizada na Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Suíça.

Trad.TS

(Agência Zenit)

Na Audiência Geral Papa pergunta: Como vivemos a Eucaristia?

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 12-02-2014, Gaudium Press) – Na Audiência Geral desta quarta-feira, o Santo Padre continuou em sua catequese para os fiéis e peregrinos que foram ouvi-lo e rezar com ele.

O Papa Francisco vem tratando da Eucaristia nas Audiências Gerais e fez hoje, como tem sido frequente, uma pergunta aos presentes: o que tem a Eucaristia com nossa vida?

Depois de estimular a atenção dos peregrinos, ele afirmou que “Quem celebra a Eucaristia não o faz porque seja melhor que os demais, mas porque se reconhece necessitado da misericórdia de Deus”.

Continuando, o Pontífice ensinou que “a Eucaristia não é uma mera recordação de alguns ditos e feitos de Jesus. É obra e dom de Cristo que sai a nosso encontro e nos alimenta com sua Palavra e sua vida”. (JSG)

Da Redação – Com informações Rome Reports

(http://www.gaudiumpress.org/content/55764#ixzz2tCHZrGik )

Francisco faz o convite para que se viva a eucaristia de modo coerente

Texto completo da catequese desta quarta-feira durante a audiência geral

Por Redacao

ROMA, 12 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Na última catequese, destaquei como a Eucaristia nos introduz na comunhão real com Jesus e o seu mistério. Agora podemos nos colocar algumas perguntas sobre a relação entre a Eucaristia que celebramos e a nossa vida, como Igreja e como cristãos individualmente. Como vivemos a Eucaristia? Quando vamos à Missa aos domingos, como a vivemos? É somente um momento de festa, é uma tradição consolidada, é uma ocasião para se encontrar ou para sentir-se bem, ou é algo a mais?

Há alguns sinais muito concretos para entender como vivemos tudo isso, como vivemos a Eucaristia; sinais que nos dizem se nós vivemos bem a Eucaristia ou não a vivemos tão bem. O primeiro indício é o nosso modo de olhar e considerar os outros. Na Eucaristia, Cristo realiza sempre novamente o dom de si que fez na Cruz. Toda a sua vida é um ato de total partilha de si por amor; por isso Ele amava estar com os discípulos e com as pessoas que tinha oportunidade de conhecer. Isto significava para Ele partilhar os desejos deles, os seus problemas, aquilo que agitava as suas almas e suas vidas. Agora nós, quando participamos da Santa Missa, encontramo-nos com homens e mulheres de todo tipo: jovens, idosos, crianças, pobres e ricos; originários do lugar ou de fora; acompanhados por familiares ou sozinhos… Mas a Eucaristia que celebro leva-me a senti-los todos, realmente, como irmãos e irmãs? Faz crescer em mim a capacidade de alegrar com quem se alegra, de chorar com quem chora? Impele-me a seguir rumo aos pobres, aos doentes, aos marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles a face de Jesus? Todos nós vamos à Missa porque amamos Jesus e queremos partilhar, na Eucaristia, a sua paixão e a sua ressurreição. Mas amamos, como quer Jesus, aqueles irmãos e irmãs mais necessitados? Por exemplo, em Roma, nestes dias vimos tantos problemas sociais ou pela chuva que fez tantos danos a bairros inteiros, ou pela falta de trabalho, consequência da crise econômica em todo o mundo. Pergunto-me, e cada um de nós se pergunte: eu que vou à Missa, como vivo isto? Preocupo-me de ajudar, de aproximar-me, de rezar por aqueles que têm este problema? Ou sou um pouco indiferente? Ou talvez me preocupo de fofocar: viu como está vestida aquela, ou como está vestido aquele? Às vezes se faz isso, depois da Missa, e não se deve fazer! Devemos nos preocupar com os nossos irmãos e irmãs que têm necessidade por causa de uma doença, de um problema. Hoje, fará bem a nós pensar nestes nossos irmãos e irmãs que têm este problema aqui em Roma: problemas pela tragédia provocada pela chuva e problemas sociais e de trabalho. Peçamos a Jesus, que recebemos na Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los.

Um segundo indício, muito importante, é a graça de sentir-se perdoados e prontos a perdoar. Às vezes alguém pergunta: “Por que se deveria ir à igreja, visto que quem participa habitualmente da Santa Missa é pecador como os outros?”. Quantas vezes ouvimos isso! Na realidade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque se acredita ou quer parecer melhor que os outros, mas propriamente porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus, feita carne em Jesus Cristo. Se algum de nós não se sente necessitado da misericórdia de Deus, não se sente pecador, é melhor que não vá à Missa! Nós vamos à Missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Deus, participar da redenção de Jesus, do seu perdão. Aquele “Confesso” que dizemos no início não é “pro forma”, é um verdadeiro ato de penitência!  Eu sou pecador e o confesso, assim começa a Missa! Não devemos nunca esquecer que a Última Ceia de Jesus aconteceu “na noite em que foi traído” (1 Cor 11, 23). Naquele pão e naquele vinho que oferecemos e em torno do qual nos reunimos se renova toda vez o dom do corpo e do sangue de Cristo para a remissão dos nossos pecados. Devemos ir à Missa humildemente, como pecadores e o Senhor nos reconcilia.

Um último indício precioso nos vem oferecido pela relação entre a celebração eucarística e a vida das nossas comunidades cristãs. É necessário sempre ter em mente que a Eucaristia não é algo que fazemos nós; não é uma comemoração nossa daquilo que Jesus disse e fez. Não. É propriamente uma ação de Cristo! É Cristo que age ali, no altar. É um dom de Cristo, que se torna presente e nos acolhe em torno de si, para nutrir-nos da sua Palavra e da sua vida. Isto significa que a missão e a identidade própria da Igreja surge dali, da Eucaristia, e ali sempre toma forma. Uma celebração pode ser também impecável do ponto de vista exterior, belíssima, mas se não nos conduz ao encontro com Jesus Cristo arrisca não levar alimento algum ao nosso coração e à nossa vida. Através da Eucaristia, em vez disso, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la pela sua graça, de forma que em toda comunidade cristã haja coerência entre liturgia e vida.

O coração se enche de confiança e esperança pensando nas palavras de Jesus reportadas no Evangelho: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). Vivamos a Eucaristia com espírito de fé, de oração, de perdão, de penitência, de alegria comunitária, de preocupação pelos necessitados e pelas necessidades de tantos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá aquilo que nos prometeu: a vida eterna. Assim seja!

(Tradução Canção Nova Notícias / Jéssica Marçal)

(Agência Zenit)

Suicídio: a definição em três pontos

Para o Glossário de Bioética, o suicídio é o ato de matar a si próprio. Quando o ato de provocar a própria morte é realizado através de um terceiro, com a aprovação do sujeito, tem-se o suicídio assistido.

Por Carlo Bellieni

ROMA, 11 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – O suicídio é o assassinato de si mesmo, um ato cuja relação com a solidão é geralmente muito estreita, a ponto de lançar dúvidas sobre a verdadeira liberdade de escolha de quem o comete. O suicídio assistido é o ato de provocar a própria morte através de um terceiro, com a aprovação do sujeito.

Realismo

É o ato de dar fim voluntariamente à própria vida. Em caso de não ser possível fazê-lo ativamente e por isso apelar-se para a ação de outro, temos o suicídio assistido. O suicídio pode ser cometido ativamente, mediante fármacos ou armas ou com intervenções lesivas de vários tipos, ou passivamente, removendo-se os instrumentos necessários para a salvação da vida. O suicídio foi condenado pela cultura ao longo dos séculos. Hoje, uma corrente pós-moderna o considera um ato de livre escolha e, por isso, digno de respeito. Com frequência, quem recorre ao suicídio está em situação de abandono ou depressão; mais raramente, em situação de sofrimento físico ou de doença terminal. O suicídio, especialmente quando muito alardeado pela mídia, acaba se tornando “contagioso” e sugestionando outros a cometê-lo.

A razão

Quem e por que recorre ao suicídio? Um estudo canadense mostra que, entre os enfermos que solicitam a morte, é alto o índice de pessoas deprimidas. Mas a depressão é tratável: assim sendo, a lei sobre a eutanásia não acabaria deixando de proteger os pacientes cujas escolhas são influenciadas pela própria depressão? Dos idosos deprimidos, de acordo com estudos, apenas 10% são encaminhados a especialistas, contra 50% dos jovens deprimidos. Não deve surpreender, portanto, que alguns deles peçam para morrer.

Como pretender a liberdade de suicidar-se no hospital ao mesmo tempo em que se lamenta o suicídio de quem se atira de uma ponte? É um paradoxo que compromete qualquer suposta liberalização: quem aprova o primeiro suicídio e desaprova o segundo nunca explicou quem está autorizado a decidir quais são as pessoas dignas do suicídio e quais não são. Se o suicídio é liberdade, por que preocupar-se com a sua propagação? Com que base admitir ou excluir uma pessoa do suicídio autorizado por lei? Tanto faria, afinal, aprovar todos os suicídios, mesmo o do adolescente que perde a namorada ou o da garota que vai mal na universidade. Quem é o juiz laico do coração dos outros? A tragédia é que, em nome da solidão elevada a suprema corte e poeticamente chamada de “autonomia”, ninguém mais estará autorizado a salvar o suicida, pois qualquer interferência seria ilegal: a decisão do suicida, afinal, é seu direito. No panorama atual, podemos esperar que aquele que salva um suicida, em vez de receber um prêmio, seja denunciado.

O sentimento

O suicídio é um grito de socorro que exige uma resposta. É urgente melhorar o atendimento para todos, especialmente para as pessoas com deficiências mentais, para as pessoas abandonadas e para as vítimas da angústia. E é urgente parar de dizer que tudo o que decidimos em nossa solidão é uma decisão correta. É muito fácil para o Estado liberar o suicídio, livrando-se da sua responsabilidade e da sua obrigação à solidariedade.

(Fonte: Agência Zenit)

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

Nossa Senhora de Lourdes
“Cristo morreu por todos a fim de que aqueles que vivem, não vivam mais para si, mas por Aquele que morreu e ressuscitou por eles” 2Cor 5,15

Hoje, o mundo inteiro venera Nossa Senhora, sob o título de Nossa Senhora de Lourdes. Lembramos o que se chama “aparição de Nossa Senhora”, ou aparições que se repetiram de 11 de Fevereiro até 16 de Julho.
O grande teólogo e pesquisador de Lourdes, o Padre Laurentin, examinou as 14 aparições centrais e as mensagens sobre Nossa Senhora, “toda cheia de graça e concebida sem pecado original”, pelos méritos de Cristo.
O hino “Louvando Maria” ressoa em quase todas as peregrinações do mundo, atraindo pessoas que queiram levar, como Nossa Senhora, Cristo aos homens.

Louvando Maria o povo fiel A voz repetia de São Gabriel Ave,ave, ave Maria Ave,ave, ave Maria Um anjo descendo num raio de luz Feliz, Bernadete à fonte conduz Ave,ave, ave Maria Ave,ave, ave Maria Vestida de branco da glória desceu Trazendo na cinta as cores do céu Ave,ave, ave Maria Ave,ave, ave Maria Mostrando o rosário na cândida mão Ensina o caminho da santa oração.
Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!
(Tradução livre de Maria do Rosário)

Há um ano: a histórica renúncia de Bento XVI

Surpreendendo a todos, a decisão deu início a um episódio sem precedentes na vida da Igreja

Por Sergio Mora

ROMA, 10 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – O dia 11 de fevereiro de 2013 prometia ser uma segunda-feira particularmente tranquila. No consistório, conforme previsto, o papa Bento XVI decretou a inscrição de Santa Catarina de Siena Montoya e Upegui e de Maria Guadalupe Garcia Zavala no Livro dos Santos. Era um dia a tal ponto tranquilo que a Sala de Imprensa da Santa Sé estava quase vazia.

O que ninguém esperava eram as seguintes palavras de Bento XVI: “Convoquei este consistório não só para as três causas de canonização, mas também para comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja”.

E veio o anúncio: “Depois de examinar reiteradamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que, devido à idade avançada, não tenho mais forças para exercer adequadamente o ministério petrino”.

E prosseguiu: “Por isso, muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado por meio dos cardeais em 19 de abril de 2005, de forma que, a partir do dia 28 de fevereiro de 2013, às 20 horas, ficará vacante a sé de Roma, a sé de São Pedro, e deverá ser convocado, por meio de quem tem a devida competência, o conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice”.

“O papa esperou este consistório com a participação de grande quantidade de cardeais presentes”, disse o porta-voz vaticano, pe. Federico Lombardi, “e leu o seu pronunciamento em latim”.

“O papa continuará na plenitude das suas funções até 28 de janeiro, às 20 horas. A partir desse momento, entraremos em sé vacante”, explicou o porta-voz, acrescentando: “Não existem dúvidas sobre a renúncia, que foi feita do modo válido previsto pelo direito canônico”.

Gestos precursores da renúncia

No dia 28 de abril de 2009, o papa Bento XVI viajou a L’Aquila, na Itália, para orar pelas vítimas do terremoto que tinha atingido a região. Na basílica de Nossa Senhora de Collemaggio, onde está a relíquia do papa Celestino V, Bento XVI depositou o pálio que lhe fora entregue no dia da sua entronização.

Celestino V (1209-1296) foi eleito papa após uma longa sé vacante, o que se deveu à divisão do colégio cardinalício entre os candidatos apoiados pelas famílias Colonna e Orsini. Após cinco meses como pontífice, ele renunciou voluntariamente ao pontificado para retornar à sua vida de ermitão. Reunido o conclave, seu sucessor, Bonifácio VIII, foi eleito em um dia.

Quando Bento XVI voltou a essa região, por ocasião do “perdão de Celestino V”, ele declarou em sua homilia: “Passaram-se oitocentos anos, mas Celestino V permanece presente na história em razão dos célebres acontecimentos de sua época e do seu pontificado e, especialmente, da sua santidade”.

O papa Bento XVI quis ressaltar, ainda, “vários ensinamentos” da vida do papa Celestino, que são “válidos também para a nossa época”. Precisamos ver nele um “buscador de Deus”, que, “no silêncio exterior, mas em especial no interior, conseguiu perceber a voz de Deus, capaz de orientar a sua vida”. Além disso, “São Pedro-Celestino, mesmo levando uma vida de eremita, não se ‘fechou em si mesmo’, mas manteve a paixão por levar a boa notícia do Evangelho aos seus irmãos. E o segredo da sua fecundidade pastoral estava precisamente no fato de permanecer com o Senhor, na oração”.

Depois da perplexidade normal que um ato histórico desta envergadura suscita, veio o conclave e, com ele, o papa Francisco. Depois de um ano, tudo agora parece mais claro.

Monsenhor Ratzinger: “Meu irmão não se arrepende de ter renunciado”

O irmão do papa emérito se pronuncia no aniversário da histórica renúncia

Vaticano, 10 de fevereiro de 2014 (Zenit.org)

Redação

Georg Ratzinger, hoje com noventa anos, se lembra com preocupação do dia em que o seu irmão menor, Joseph, foi eleito Sumo Pontífice. “Devo dizer, com toda a sinceridade, que, naquele momento, eu me senti bastante derrotado”. O que o entristecia era pensar que o irmão não teria mais tempo para ele a partir de então. No dia 19 de abril de 2005, não conseguiu telefonar para Joseph Ratzinger. Passaram-se dias depois da eleição do Sucessor de Pedro até que mons. Georg conseguisse falar com o irmão. “Agora eu tenho, graças a Deus, um segundo telefone, com um número que só ele conhece. Quanto toca esse telefone, eu sei que o meu irmão, o papa, está me ligando”.

É conhecida a relação estreita entre os irmãos Ratzinger. Detalhes inéditos da vocação de Joseph Ratzinger foram revelados no livro “Meu irmão, o papa” (Mein Bruder, der Papst), entrevista concedida por mons. Georg Ratzinger ao jornalista e escritor alemão Michael Hesemann. Mons. Georg começa pelos anos da infância e, entre outras coisas, conta como nasceu e amadureceu no seio da família a decisão do jovem Joseph de servir à Igreja no sacerdócio, até chegar aos anos do pontificado.

Ambos os irmãos continuaram se encontrando. Georg visitava o irmão várias vezes por ano em Roma. As festas natalinas, a páscoa e o mês de agosto em Castel Gandolfo eram as ocasiões em que ambos podiam passar algum tempo juntos. Mons. Ratzinger ficava no Vaticano de 28 de dezembro até 10 de janeiro. Neste ano, porém, ele prolongou a estada para festejar o seu 90º aniversário em companhia do papa emérito, no dia 15 de janeiro.

Mons. Georg Ratzinger passa o resto do ano em casa, em Ratisbona, cidade em que se localiza o Instituto Papa Bento XVI, encarregado de publicar as obras completas do emérito bispo de Roma. Foi para esse lugar que se dirigiu um jornalista do periódico espanhol La Razón, a fim de conversar com Georg Ratzinger. Tanto no Instituto quanto na diocese, ele recebeu a informação de que, por causa da idade avançada, o irmão de Bento XVI “não está mais em condições de conceder entrevistas”.

Mesmo assim, o jornalista Michael Hesseman sugere uma conversa por telefone. Mons. Georg aceita.

“Meu irmão está em bom estado de saúde. Ele tenta manter a serenidade, mesmo sem ter todo o tempo que gostaria para tocar o piano ou conversar por telefone, já que ainda recebe muitas visitas e mantém audiências”. O irmão de Bento XVI diz que o papa emérito continua estudando teologia, mas não confirma a possibilidade de que ele esteja escrevendo as suas memórias: “Não posso confirmar. Além disso, já existem livros que relatam amplamente a vida do meu irmão, que já contêm a essência do seu trabalho”.

Perguntado sobre o primeiro aniversário da renúncia e sobre as reflexões feitas durante esses meses, Georg Ratzinger afirma: “Meu irmão não se arrepende da decisão que tomou há um ano. Para ele, estão bem claras as tarefas e funções que ele quer realizar. A renúncia foi uma decisão clara que continua sendo válida hoje”.

Mons. Georg Ratzinger nasceu em Pleiskirchen, na Alemanha, em 15 de janeiro de 1924. É conhecido pela atividade como músico e como diretor de coral: com apenas onze anos, o pequeno Georg já tocava o órgão da igreja. Em 1935, ele entrou no Kleine Seminar, um internato para meninos que querem ser sacerdotes, na cidade de Traunstein. Ratzinger recebeu ali as primeiras aulas de música, que continuaria no Seminário de Munique e de Freising, onde entrou junto com o irmão Joseph em janeiro de 1946. Cinco anos depois, em 1951, ambos foram ordenados, também juntos, pelo cardeal Michael von Faulhaber.

(Fonte: Agência Zenit)

Bogotá (Colômbia) realiza Congresso Mundial da Misericórdia

Bogotá – Colômbia (Segunda-feira, 10-02-2014, Gaudium Press) Anunciado pela Conferência Episcopal colombiana, o 3º Congresso Mundial da Misericórdia será realizado em Bogotá entre os dias 15 e 19 de agosto deste ano.

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Considerado uma contribuição da Igreja para a paz na Colômbia, o encontro será realizado pela primeira vez em um país latino americano. São esperados cerca de quatro mil pessoas, vindas dos cinco continentes.

O Secretário do Congresso, Padre Patrice Chocholski, explicou que, “na misericórdia de Deus, o mundo encontrará a paz e o homem a felicidade”.

Durante o evento, será discutido a relação entre a Misericórdia e a Missão Continental, um dos compromissos assumidos pela 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, realizado em Aparecida, no mês de maio de 2007.

Por ocasião deste congresso, já está disponível o site intitulado “World apostolic congress on mercy” (www.wacomcolombia.org), contendo informações sobre o encontro. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/55670#ixzz2t1UctQPP )

Papa: A Missa não é evento social, é a própria Última Ceia

Cidade do Vaticano (Segunda -feira, 10-02-2014, Gaudium Press) – Nesta segunda-feira, 10 de fevereiro, em sua Missa na Capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco comentou a primeira leitura do dia. Ela fala do aparecimento de Deus nos tempos do Rei Salomão.

O Papa afirmou que “Jesus, com suas teofanias, fala de uma maneira nova, diferente da Palavra: é uma presença mais próxima, real, sem mediações, é a Sua presença. E isto acontece na celebração litúrgica”.

O Santo Padre enfatizou: “Quando celebramos a missa, não fazemos uma representação da Última Ceia: não é uma encenação, é a própria Última Ceia! É como viver de novo a Paixão e a Morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor se manifesta no altar para ser oferecido ao Pai para a salvação do mundo”.

Depois de ensinar que na Missa, participamos do mistério da presença do Senhor entre nós e que a ela é uma comemoração real, que Deus se aproxima e nós participamos do mistério da Redenção, o Papa chamou a atenção para o fato de que “Infelizmente muitas vezes contamos os minutos olhando o relógio na igreja: este não é o comportamento adequado à liturgia. A liturgia é tempo e espaço de Deus, onde nós devemos nos inserir”.

Para o Pontífice, seria muito bom que fosse recuperado e difundido o senso do sagrado: “Seria bom pedirmos ao Senhor que nos dê o “sentido do sagrado”, este sentido que nos faz entender a diferença entre rezar em casa, na igreja, rezar o terço, fazer belas orações, a Via Sacra e outras coisas lindas, como ler a BíbLia… e a celebração eucarística”.

“Na celebração, disse o Papa, nós entramos no mistério de Deus, num caminho que não podemos controlar: só Ele é Único, Ele é a glória, Ele é o poder, Ele é tudo”. (JSG)

Da Redação , com informações Rádio Vaticano (CM)

(http://www.gaudiumpress.org/content/55686#ixzz2t1T2rNnp )

Papa Francisco: É muito importante ir à Missa aos domingos e receber a Eucaristia que é fonte da vida

O Papa Francisco sobe as escadas até o átrio da Basílica de São Pedro para a catequese da audiência geral desta quarta-feira (Foto Grupo ACI)

VATICANO, 05 Fev. 14 / 02:03 pm (ACI/EWTN Noticias).- Em sua catequese na manhã de hoje na Praça de São Pedro a qual assistiram milhares de fiéis apesar do intenso frio e da chuva que há vários dias cai em Roma, o Papa Francisco explicou a importância vital da Eucaristia para todo fiel, que deve ser recebida aos domingos na missa, porque é o coração e a fonte da vida da Igreja.

A seguir a íntegra da catequese do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje falarei a vocês da Eucaristia. A Eucaristia coloca-se no coração da “iniciação cristã”, junto ao Batismo e à Confirmação, e constitui a fonte da própria vida da Igreja. Deste Sacramento de amor, de fato, nasce cada autêntico caminho de fé, de comunhão e de testemunho.

Aquilo que vemos quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que estamos para viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se um altar, que é uma mesa, coberta por uma toalha e isto nos faz pensar em um banquete. Na mesa há uma cruz, a indicar que sobre aquele altar se oferece o sacrifício de Cristo: é Ele o alimento espiritual que ali se recebe, sob os sinais do pão e do vinho. Ao lado da mesa há o ambão, isso é, o lugar a partir do qual se proclama a Palavra de Deus: e isto indica que ali nós nos reunimos para escutar o Senhor que fala mediante as Sagradas Escrituras, e então o alimento que se recebe é também a sua Palavra.

Palavra e Pão na Missa tornam-se um só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que havia feito, condensaram-se no gesto de partir o pão e de oferecer o cálice, antes do sacrifício da cruz, e naquelas palavras: “Tomai, comei, isto é o meu corpo…Tomai, bebei, isto é o seu sangue”.

O gesto de Jesus cumprido na Última Ceia é o extremo agradecimento ao Pai pelo seu amor, pela sua misericórdia. “Agradecimento” em grego se diz “eucaristia”. E por isto o Sacramento se chama Eucaristia: é o supremo agradecimento ao Pai, que nos amou tanto a ponto de dar-nos o seu Filho por amor. Eis porque o termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é gesto de Deus e do homem junto, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Então a celebração eucarística é bem mais que um simples banquete: é propriamente o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério central da salvação. “Memorial” não significa somente uma recordação, uma simples recordação, mas quer dizer que cada vez que celebramos este Sacramento participamos do mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo.

A Eucaristia é o ápice da ação da salvação de Deus: O Senhor Jesus, se fez pão partido por nós, derrama sobre nós toda a sua misericórdia e seu amor, e assim renova o nosso coração, a nossa existência e a maneira como nos relacionamos com Ele e com os irmãos.

É por isto que sempre, quando nos aproximamos deste sacramento, se diz de: “Receber a Comunhão”, de “fazer a Comunhão”: isto significa que o poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística se conforma de modo profundo e único a Cristo, nos fazendo experimentar já a plena comunhão com o Pai que caracterizará o banquete celeste, onde com todos os Santos teremos a alegria de contemplar Deus face a face.

Queridos amigos, nunca conseguiremos agradecer ao Senhor pelo dom que nos fez com a Eucaristia! É um grande dom e por isto é tão importante ir à Missa aos domingos.
Ir à missa não somente para rezar, mas para receber a Comunhão, este pão que é o Corpo de Jesus Cristo que nos salva, nos perdoa, nos une ao Pai. É muito bom fazer isto! E todos os domingos, vamos à Missa porque é o próprio dia da ressurreição do Senhor. Por isto, o domingo é tão importante para nós.

E com a Eucaristia sentimos esta pertença à Igreja, ao Povo de Deus, ao Corpo de Deus, a Jesus Cristo. Nunca terminará em nós o seu valor e a sua riqueza. Por isto, pedimos que este Sacramento possa continuar a manter viva na Igreja a sua presença e a moldar as nossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o coração do Pai. E isto se faz durante toda a vida, mas tudo começa no dia da primeira comunhão.

É importante que as crianças se preparem bem para a primeira comunhão e que todas as crianças a façam, porque é o primeiro passo desta forte adesão a Cristo, depois do Batismo e da Crisma. Obrigado.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26661)

Eucaristia, o coração da “iniciação cristã

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 05-02-2014, Gaudium PressMilhares de fiéis e peregrinos estiveram na Praça São Pedro nesta quarta-feira, 05, para acompanhar de perto a Audiência Geral do Papa Francisco.

Continuando com sua série de catequeses sobre os Sacramentos, o tema comentado pelo Santo Padre foi a Eucaristia, considerada o coração da “iniciação cristã”.

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Segundo o Pontífice, o que vemos quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia nos faz deduzir aquilo que ainda viveremos. O altar coberto por uma toalha nos faz pensar num banquete, onde Cristo é o alimento espiritual que recebemos e, ao lado, encontra-se o ambão, de onde se proclama a Palavra de Deus.

“O gesto de Jesus realizado na Última Ceia é o extremo agradecimento ao Pai pelo seu amor, pela sua misericórdia. ‘Agradecimento’ em grego se diz ‘eucaristia’. Eis o motivo pelo qual o termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é gesto de Deus e do homem juntos, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem”, disse o Papa.

O Papa afirmou ainda que a Celebração Eucarística é o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério central da salvação, pois, na potência do Espírito Santo, a participação na eucaristia nos conforma de modo único e profundo a Cristo, nos fazendo saborear desde já a plena comunhão com o Pai que caracteriza o banquete celeste.

No final da Audiência, o Santo Padre deixou sua mensagem:

“Peçamos então que este Sacramento possa continuar a manter viva na Igreja a sua presença e a plasmar as nossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o coração do Pai. E isso se faz durante toda a vida, mas se começa no dia da Primeira Comunhão. É importante que as crianças se preparem bem para este dia, porque é o primeiro passo desta pertença a Jesus Cristo.” (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/55534#ixzz2sZT5zrHv )

Papa em Sta. Marta: Deus chora como um pai por seus filhos

Francisco na Homilia desta terça-feira destaca que Deus é um pai que ama e espera sempre os seus filhos mesmo que sejam rebeldes

Por Redacao

ROMA, 04 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Deus também chora e o seu pranto é como o de um pai que ama os filhos e jamais os renega, nem mesmo se são rebeldes, afirmou o Papa Francisco durante a homilia desta manhã.

As leituras da liturgia de hoje apresentam a figura de dois pais: o rei Davi, que chora a morte do filho rebelde Absalão, e Jairo, chefe da Sinagoga, que pede a Jesus que cure sua filha. O Papa explicou o pranto de Davi diante da notícia da morte do filho, não obstante combatesse contra ele para conquistar o reino. Francisco disse que o exército de Davi venceu, mas não lhe interessava a vitória, “ele esperava o filho! Apenas o filho Interessava a ele! Era rei, mas era pai! E assim, quando chegou a notícia da morte do seu filho, o rei tremeu: subiu para a sala e chorou”.

O Papa explicou assim: dizia entre soluços: ‘Meu filho Absalão. Meu filho! Meu filho, Absalão! Porque não morri eu em teu lugar! Absalão, meu filho! Meu filho!’. Este é o coração de um pai que jamais renega o seu filho. ‘É um adversário. É um inimigo. Mas é meu filho!’. E não renega a paternidade: chora… Duas vezes Davi chorou por um filho: desta vez e quando estava para morrer o filho do adultério. Também naquela vez jejuou, fez penitência para salvar a vida do filho. Era pai!”

O outro pai a quem o Papa fez referência foi o chefe da Sinagoga. “Uma pessoa importante , mas diante da doença da filha, não teve vergonha em jogar-se aos pés de Jesus: ‘Minha filhinha está morrendo, vem e impõe sobre ela as mãos, para que ela seja salva e viva!’. Não teve vergonha, não pensou naquilo que os outros poderiam dizer, porque é pai”.

Davi e Jairo eram dois pais: para eles, o mais importante é o filho, a filha! Não outra coisa. A única coisa importante! Isso nos faz pensar na primeira coisa que dizemos a Deus, no Credo: ‘Creio em Deus Pai…’. Nos faz pensar na paternidade de Deus. Mas Deus é assim. Deus é assim conosco! ‘Mas, Padre, Deus não chora!’. Como não! Recordemo-nos de Jesus, quando chorou olhando Jerusalém. ‘Jerusalém, Jerusalém! Quantas vezes quis reunir os filhos como faz a galinha com os pintinhos sob as asas’. Deus chora! Jesus chorou por nós! E aquele choro de Jesus é justamente a figura do pranto do Pai, que nos quer todos com Ele.

O Santo Padre destacou que “nos momentos difíceis, o Pai responde”. Recordemos Isaac, quando vai realizar o sacrifício com Abraão: Isaac não era tolo, se deu conta que levavam a lenha, o fogo, mas não a ovelha para o sacrifício. Seu coração estava angustiado! E o que ele disse? “Pai”. Imediatamente o Pai respondeu: “eis-me aqui, filho”.

“Assim, Jesus, no Monte das Oliveiras, disse angustiado: ‘Pai, se queres, afasta de mim este cálice!’. E um anjo veio confortá-lo. Assim é o nosso Deus: é um Pai!”

Um pai como o que espera o filho pródigo, que “foi embora com o dinheiro e toda a herança”. Mas o pai esperava pelo filho todos os dias e o “enxergou de longe”. “Este é o nosso Deus!”, repetiu Francisco. Assim, Francisco destacou que “a nossa paternidade espiritual dos bispos e sacerdotes deve ser como esta. O Pai tem uma espécie de unção que vem do filho: não pode entender a si mesmo sem o filho! E por isso precisa dele: o espera, o ama, o busca e o perdoa, o quer próximo, tão próximo quanto a galinha a seus pintinhos”.

Por fim, Francisco pediu: “voltamos para casa hoje com essas duas imagens: Davi que chora e o outro, chefe da Sinagoga, que se joga diante de Jesus, sem medo de passar vergonha e ser motivo de risada aos outros. Estavam em jogo seus filhos: o filho e a filha. E com eles, dizemos: ‘Creio em Deus Pai…’. E peçamos ao Espírito Santo – porque é somente Ele, o Espírito Santo – que nos ensina a dizer ‘Abba, Pai!’. É uma graça! Poder dizer a Deus ‘Pai!’ com o coração é uma graça do Espírito Santo. Peçamos a Ele!”.

(MEM)

Indulgências: O que são?

cruzAntes de explicar O que são as indulgências, vamos mostrar o que a Igreja ensina sobre esta doutrina sem hesitação.

O Catecismo da Igreja (CIC) afirma que: “Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados” (CIC, §1498).

O Papa Paulo VI (1963-1978), na Constituição Apostólica Doutrina das Indulgências (DI), ensina com clareza toda a verdade sobre esta matéria. Começa dizendo que:

“A doutrina e o uso das indulgências vigentes na Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na Revelação divina, a qual vindo dos Apóstolos “se desenvolve na Igreja sob a assistência do Espírito Santo”,  enquanto “a Igreja no decorrer dos séculos, tende para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus (Dei Verbum, 8).” ( DI, 1).

Assim, fica claro que as indulgências têm base sólida na doutrina católica (Revelação e Tradição) e, como disse Paulo VI, “se desenvolve na Igreja sob a inspiração do Espírito Santo”.

A  Origem  das  Indulgências

O uso das indulgências teve sua origem já nos primórdios da Igreja. Desde os primeiros tempos ela usou o seu poder de remir a pena temporal dos pecadores.

Sabemos que na Igreja antiga dos primeiros séculos, a absolvição dos pecados só era dada aos penitentes que se acusassem dos próprios pecados e se submetessem a uma pesada penitência pública; por exemplo, jejum de quarenta dias até o pôr do sol, trajando-se com sacos e usando o silício, autoflagelação, retirada para um convento, vagar pelos campos vivendo de esmolas, etc., além de ser privado da participação na Liturgia eucarística e na vida comunitária. Isto era devido ao “horror” que se tinha do pecado e do escândalo.

Aquele que blasfemasse o nome de Deus, da Virgem Maria, ou dos santos, ficava na porta da igreja, sem poder entrar, sete domingos durante a missa paroquial, e, no último domingo ficava no mesmo lugar sem capa e descalço; e nas sete sextas-feiras precedentes jejuava a pão e água, sem poder neste período entrar na igreja. Aquele que rogasse uma praga aos pais, devia jejuar quarenta dias a pão e água…

Essas pesadas penitências, e outras, tinham o objetivo de extinguir no penitente os resquícios do pecado e as más inclinações que o pecado sempre deixa na alma do pecador, fazendo-o voltar a praticá-lo.

Na fase das perseguições dos primeiros séculos, quando era grande o número de mártires, muitos cristãos ficavam presos e aguardavam o dia da própria execução. Surgiu nesta época um belo costume: os penitentes recorriam à intercessão dos que aguardavam presos à morte. Um deles escrevia uma carta ao bispo pedindo a comutação da pesada penitência do pecador; eram as chamadas “cartas de paz”. Com este documento entregue ao bispo, o penitente era absolvida da  pesada penitência pública que o confessor lhe impusera, e também da dívida para com Deus; a pena temporal que a penitência satisfazia. Assim, transferia-se para o pecador arrependido, o valor satisfatório dos sofrimentos do mártir.

Desta forma começou o uso da indulgência na Igreja.

Muitas vezes os penitentes não tinham condições de saúde suficiente para cumprir essas penitências tão pesadas; e isto fez com que a Igreja, com o passar do tempo, em etapas sucessivas e graduais,  fosse abrandando as penitências.

Na Idade Média, a Igreja, com a certeza de que ela é a depositária dos méritos de Cristo, de Nossa Senhora e dos Santos, o chamado “tesouro da Igreja”, começou a aplicar isto aos seus filhos pecadores. Inspirados pelo Espírito Santo, os Papas e Concílios, a partir do século IX, entenderam que podiam aplicar esses méritos em favor dos penitentes que deviam cumprir penitencias rigorosas. Assim, surgiram as “obras indulgenciadas”, que substituíam as pesadas penitências. O jejum rigoroso foi substituído por orações; a longa peregrinação, por pernoitar em um santuário; as flagelações, por esmolas; etc. A partir daí, a remissão da pena temporal do pecado, obtida pela prática dessas “obras indulgenciadas”, tomou o nome de “indulgência”.

Nos exemplos das pesadas penitências públicas citadas acima, elas eram substituídas, respectivamente, por uma indulgência de sete semanas e por uma indulgência de 40 dias; por isso as indulgências eram contadas em dias, semanas e meses, porque assim, eram também contadas as penitências públicas.

Com a  reza do Terço, por exemplo, em qualquer dia do mês de outubro, se ganhava a indulgência de sete anos.

No século IX, os bispos já concediam indulgências gerais, isto é, a todos os fiéis, sem a necessidade da mediação de um sacerdote. Assim, os bispos estipularam que realizando certas obras determinadas, os fiéis poderiam obter, pelos méritos de Cristo, a remissão das penas devidas aos pecados já absolvidos.

É preciso compreender que esta prática não se constituía em algo mecânico; não, o penitente, ao cumprir a obra indulgenciada devia trazer consigo as mesmas disposições interiores daquele que cumpria no passado as pesadas penitências, isto é, profundo amor a Deus e repúdio radical de todo pecado. Sem isto, não se ganharia a indulgência.Com o passar do tempo, e principalmente por causa da “questão das indulgências” no tempo de Martinho Lutero (explicado adiante), no século XVI, as indulgências  foram ofuscadas e tornaram-se objeto de críticas. No entanto, após o Concílio Vaticano II (1962-65), o Papa Paulo VI reafirmou todo o seu valor, na Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, onde quis claramente mostrar o sentido profundo e teológico das indulgências; incitando os católicos ao espírito de contrição e penitência que deve movê-los ao realizar as obras indulgenciadas, removendo toda a aparência de mecanicismo espiritual que no  passado aconteceu.

(http://cleofas.com.br/indulgencias-o-que-sao/)

Eis o mistério da fé!

eucaristia_12Essas palavras que o sacerdote pronuncia logo após a consagração do pão e do vinho, resumem toda a essência da santa Missa. Ela é a celebração do mistério da fé, o ápice de toda devoção cristã.

Quem não entendeu o sentido profundo da Missa ainda não compreendeu o sentido profundo do cristianismo e da salvação que Jesus veio trazer aos homens.

A maioria dos batizados não gosta de participar da Missa?

Para uns ela é apenas uma longa cerimônia; para outros, um hábito sociológico, “um peso necessário”, uma obrigação de consciência ou apenas um exercício de piedade. Uns não gostam da Missa porque não gostam do padre que a celebra; outros, porque não gostam do sermão, ou porque a música não está boa, etc. E, assim, ficam apenas no acessório e se esquecem do Essencial.

A Missa é a celebração máxima da fé, porque nela o “mesmo” Sacrifício de Cristo no Calvário se faz presente, se “atualiza”, para que cada um de nós, pessoalmente, e em comunidade, possa em adoração, oferecer o Cristo ao Pai, pela salvação da humanidade.

A Liturgia reza que quando celebramos a Paixão do Senhor sobre o altar, “torna-se presente a nossa redenção”.

Deus, que na Sua misericórdia tinha muitas maneiras de restaurar a humanidade,  escolheu esse meio de salvação para destruir a obra do demônio; não recorreu a Seu poder, mas à Sua justiça. Era justo que o demônio só perdesse seu domínio original sobre a humanidade sendo vencido no mesmo terreno onde venceu o homem. Cristo o venceu como homem, com a sua morte e ressurreição; destruindo a morte e a dominação do demônio sobre a humanidade.

É isto que celebramos na Missa; a Vítima Santa se torna presente sobre o altar, agora de maneira incruenta, para salvar, hoje, a humanidade.

Cristo mais uma vez oferece ao Pai o seu Sacrifício perfeito.  E a redenção é aplicada a cada um de nós que comunga o Corpo imolado e ressuscitado de Jesus.

Carregando em Si todos os pecados dos homens, de todos os tempos e de todos os lugares, Jesus ofereceu ao Pai um Sacrifício perfeito.

O Pai aceitou essa oblação do Filho amado e, pela ressurreição, garantiu o Seu perdão à humanidade pecadora.

Por Jesus ressuscitado, a humanidade volta a Deus e caminha para a sua ressurreição.

Jesus ressuscitado é a garantia do triunfo dos que n’Ele crêem.

Por Ele todas as criaturas voltam redimidas para Deus, na Sua oblação que se faz perpétua através da santa Missa.

No santo Sacrifício, o Calvário (o mesmo) se faz novamente presente. As ações de Jesus não se perdem no tempo, porque Ele é Deus, são teândricas; isto é, humanas e divinas.

O pão e o vinho oferecidos representam todo o universo e toda a humanidade que Cristo oferece ao Pai com todas as suas chagas, trabalhos e dores. Ali depositamos também a nossa vida e o nosso ser oferecendo-os também a Deus para fazer a Sua vontade.

Na consagração do pão e do vinho, Jesus – pelos lábios do sacerdote (qualquer que seja ele) – transforma a matéria no Seu Corpo e Sangue.

Pela celebração da santa Missa, o mundo volta reconciliado para Deus e somos salvos. Ali, cada batizado, cada membro da Igreja, oferece a Deus Pai o Sacrifício perfeito de Seu Filho Jesus. Por isso, não há oferta mais agradável a Deus; não há oração mais completa em mais eficaz.

A Missa é o centro da fé, é o cerne do Cristianismo, é o coração da Igreja, é o centro do universo.

Nela o Senhor nos dá a comungar o Seu Corpo e Sangue. Ele vem morar em nós para ser nosso Alimento e Remédio.
Ele vem a nós para ser o alimento da caminhada, a força contra o pecado, e para transformar nossa vida de homem em vida de filho de Deus.

Pela Eucaristia, Cristo vem para em nós viver e amar os outros e para fazer de nós Seus discípulos e transformadores do mundo pela Sua presença e graça. Quando comungamos, nós nos tornamos, de fato, membros do Corpo de Cristo, unidos a todos os irmãos do céu e da terra. E a redenção do mundo! Nunca compreenderemos totalmente a magnitude da santa Missa…

Ela é a fonte de onde nos vem a salvação. Por ela, a cada dia, Cristo salva a humanidade.
Quando entendermos bem o significado da missa, a consequência imediata será o desejo de participar dela todos os dias…

Prof. Felipe Aquino

Amar Cristo sem a Igreja é uma dicotomia absurda

Papa em Sta. Marta: Amar Cristo sem a Igreja é uma dicotomia absurda
Francisco na homilia desta quinta-feira explica os pilares da pertença eclesial: humildade, fidelidade e oração pela Igreja

Por Redacao

ROMA, 30 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Francisco afirmou na homilia desta quinta-feira que “não entende um cristão sem Igreja”. Na missa celebrada nesta manhã, na capela da casa Santa Marta, o Papa indicou os três pilares do sentido de pertença eclesial: a humildade, a fidelidade e a oração pela Igreja.

Partindo, como nas homilias desta semana, da figura do rei David que nos é apresentada pelas leituras do dia como um homem que fala com o Senhor como um filho fala com seu pai e, mesmo quando recebe um não, aceita-o com alegria. David – sublinha o Papa-  tinha um “sentimento forte de pertença ao Povo de Deus”. E esta sua atitude – afirmou- faz-nos pensar sobre o nosso sentido de pertença à Igreja, o nosso sentir com a Igreja e na Igreja. Então, explicou o Santo Padre:

“O cristão não é um batizado que recebe o Batismo e depois segue o seu caminho. O primeiro fruto do Batismo é fazer-te pertencer à Igreja, ao Povo de Deus. Não se entende um cristão sem Igreja. E por isto o grande Paulo VI diz que é uma dicotomia absurda amar Cristo sem a Igreja; escutar Jesus mas não a Igreja. Não se pode. É uma dicotomia absurda. Nós recebemos a mensagem evangélica na Igreja, e é nela que fazemos nossa santidade. O resto é pura fantasia, como dizia, uma dicotomia absurda”.

Deste modo, Francisco apontou que o “sensus ecclesiae” é justamente sentir, pensar e querer dentro da Igreja. Por isso recordou que há três pilares de pertença à Igreja, de sentir-se Igreja, e explicou cada um deles.

O primeiro é a humildade, ter a consciência de que estar dentro de uma comunidade é uma grande graça: “Uma pessoa que não é humilde, não pode sentir com a Igreja, sentirá aquilo que lhe agrada. E esta humildade que se vê em David: ‘Quem sou eu, Senhor Deus, e que coisa é a minha casa?’. Com aquela consciência que a história da salvação não começou comigo e não terminará quando eu morro. Não, é toda uma história da salvação: eu venho, o Senhor pega em ti, faz-te andar para a frente e depois chama-te e a história continua. A história da Igreja começou antes de nós e continuará depois de nós. Humildade: somos uma pequena parte de um grande povo, que vai pelo caminho do Senhor.”

Depois, o Papa citou o segundo pilar: fidelidade, que está “unida à obediência”. E afirmou: “Fidelidade à Igreja; fidelidade ao seu ensinamento; fidelidade ao Credo; fidelidade à doutrina, conservar esta doutrina. Humildade e fidelidade. Também Paulo VI nos recordava que nós recebemos a mensagem do Evangelho como um dom e devemos transmiti-lo como um dom, mas não como uma coisa nossa: é um dom recebido que damos. E nesta transmissão ser fieis. Porque nós recebemos e devemos dar um Evangelho que não é nosso, que é de Jesus e não devemos – dizia ele – ser proprietários do Evangelho, donos da doutrina recebida, para utiliza-la ao nosso prazer.”

Por fim, o Papa Francisco disse que o terceiro pilar é um serviço particular: “oração pela Igreja”. “Como vai a nossa oração pela Igreja? Nós rezamos pela Igreja? Na missa todos os dias, mas em casa, não? Quando rezamos?”- questionou o Santo Padre-. Por isso pediu “ao Senhor que nos ajude a ir por este caminho para aprofundarmos a nossa pertença e o nosso sentir com a Igreja”.

(Adaptação MEM)

Historiadora judia desmente “cumplicidade” de Pio XII com nazistas

Pio XII

ROMA, 24 Jan. 14 / 02:00 pm (ACI/EWTN Noticias).- A historiadora judia Anna Foa, membro da Associação Europeia de Estudos Judeus, assinalou recentemente que os resultados das investigações revelam que muitos judeus se salvaram durante a II Guerra Mundial pela intervenção de importantes líderes da Igreja, particularmente o Papa Pio XII.

Ao participar de um congresso em Florença (Itália), entre os dias 19 e 20 de janeiro, Anna Foa, conforme informa o vaticanista Sandro Magister em seu blog Chiesa, indicou que os estudos mais atuais anulam “a imagem proposta nos anos sessenta de um Papa Pio XII indiferente ao destino dos judeus ou, inclusive, cúmplice dos nazistas”.

A também professora de História Moderna na Universidade La Sapienza de Roma indicou que “os estudos dos últimos anos evidenciam cada vez mais o papel geral de proteção que a Igreja desempenhou em relação aos judeus durante a ocupação nazi da Itália”.

“De Florença, com o cardeal Dalla Costa, proclamado Justo em 2012, a Gênova com o padre Francesco Repetto, também ele Justo, a Milão com o cardeal Schuster, e assim por diante, naturalmente até Roma, onde a presença do Vaticano, além da existência das zonas extraterritoriais, permitiu a salvação de milhares de judeus”.

Estas obras “de asilo e salvação dos perseguidos”, indicou, não podiam ser fruto somente de “iniciativas a partir de baixo, mas estavam claramente coordenadas e permitidas, pelos vértices da Igreja”.

“Eu gostaria de ressaltar aqui que esta imagem mais recente da ajuda prestada aos judeus pela Igreja não surge de posições ideológicas ligadas ao catolicismo, mas, sobretudo, de investigações concretas sobre a vida dos judeus durante a ocupação, com a reconstrução de histórias de famílias ou de indivíduos. Em resumo, do trabalho de campo”.

A historiadora assegurou que casos de judeus refugiados em Igrejas e conventos aparecem “continuamente nas narrações dos sobreviventes”.

A pesquisadora lamentou que a discussão sobre Pio XII e os hebreus “freou a investigação durante muitos decênios, levando para o terreno ideológico cada tentativa de esclarecer os fatos históricos”.

Em meio da perseguição nazista, assinalou Anna Foa, “sacerdotes e hebreus compartilhavam o mesmo alimento”.

“As mulheres judias passeavam nos corredores dos conventos de clausura, e os judeus aprendiam a recitar o Pai-Nosso e vestiam o hábito como precaução em caso de irrupções nazistas e fascistas”.

Recordando a relação entre judeus e cristãos, que levou a muitos dos primeiros a batizar-se, e que em outros casos ocasionava diálogos respeitosos sobre as religiões, a professora hebreia assinalou que se tratou de uma “familiaridade nova e repentina, iniciada sem preparação pelas circunstâncias, em condições em que uma das duas partes era perseguida e corria o risco de morte e que necessitava, portanto, de maior ‘caridade cristã’, não se deu sem consequências para o início e a acolhida do diálogo”.

“Um diálogo que ocorreu muito mais tarde, certamente, e que se iniciou, sobretudo, em nível teórico. Trata-se de um diálogo de baixo, feito de compartilhar os alimentos juntos e de conversações sem pretensões, também para superar a ansiedade de uma relação desconhecida até esse momento”.

Foa recordou o caso de umas religiosas que em seu convento, em Roma, “acrescentavam bacon à sopa comum só depois de havê-la distribuído às hebreias, para quem tinham dado refúgio. Também esta é, em minha opinião, uma forma de diálogo de baixo”.

A historiadora lamentou que “em um momento que prevalecia a necessidade de esquecer a Shoah, este processo de diálogo foi bloqueado, em parte, porque por um lado os hebreus estavam tentando reconstruir seu próprio mundo e a própria identidade após a catástrofe e, por outro, os católicos pareciam ter retornado às posições tradicionais em que a esperança da conversão era mais forte que o respeito”.

“Nos inícios dos anos sessenta, com ‘O vigário’ de Hochhuth, sobre este processo se projetaria a sombra da lenda negra de Pio XII, com o resultado de obstruir e obscurecer a memória e o peso desse primeiro percurso comum”, indicou.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26602)

Perito em câncer deixa sem argumentos na rede de televisão CNN aqueles que apoiam a eutanásia

ATLANTA, 27 Jan. 14 / 06:00 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Dr. Luis Ráez, diretor médico do Memorial Cancer Institute e ganhador do Prêmio ao Desenvolvimento da Carreira da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, refutou os promotores da eutanásia no programa Cala na CNN em Espanhol, deixando claro que esta prática é o assassinato de um ser humano e isto é contrário à profissão médica.

“A eutanásia é quando alguém ativamente mata uma pessoa, pode ser desconectando um respirador ou injetando-lhe algo. Parece-se um pouco ao suicídio assistido, que é quando alguém dá para a pessoa um remédio para que se suicide”, indicou.

Ráez precisou que “quando falamos de eutanásia ou de suicídio assistido, estamos falando de pessoas vivas, mas com pessoas que as querem matar”.

Defendendo a eutanásia, Alfonso Ramírez participou do programa o autodenominado “tanatólogo e terapeuta”, e assegurou que seu ofício consiste em ajudar “as pessoas a bem morrer”.

“Este é um aspecto 100 por cento humanitário e de empatia pelos seres humanos. Ajudá-lo a bem morrer, justo como o conceito da eutanásia. Isto é a eutanásia, ajudar a bem morrer, eu estou a favor da eutanásia”, assegurou Ramírez.

O tanatólogo reconheceu que “nós não somos médicos”, para logo acrescentar que “somos médicos, mas de almas”.

“Nós apoiamos desde o ponto de vista psicológico, emocional que é tão importante e familiar”.

Por sua parte, o Dr. Luis Ráez assinalou que “eu sou oncologista e pesquisador, dediquei minha vida inteira a pesquisar remédios para lutar contra o câncer, para mim não tem nenhum sentido matar pessoas”.

Embora tenha reconhecido que existem quatro países no mundo onde “se pode matar os pacientes”, Ráez assinalou que “para mim, que sou oncologista, não há uma sociedade americana que esteja a favor da eutanásia. Para nós a eutanásia é um assassinato, o assassinato do ser humano, e é irreversível, não se pode de repente mudar de ideia e no futuro já não fazer a eutanásia”.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26614)

Veremos os parentes no céu?

milagresA morte é um enigma, e muitos perguntam se nós veremos os nossos entes queridos no céu. A saudade é amarga e as lágrimas não podem deixar de rolar quando perdemos uma pessoa querida. Cristo chorou quando perdeu o amigo Lázaro.

Fé não é insensibilidade e dureza de coração. Você pode chorar, até diante dos filhos, mas chore como quem tem fé na ressurreição. Os santos nos garantem que veremos os entes queridos mortos que nos antecederam.

Diante da dor da morte gosto de me lembrar de Nossa Senhora aos pés da cruz do seu Amado. Ela perdeu o Filho Único…, Deus, morto de uma maneira tão cruel como  nenhum de nós o será. Ela perdeu muito mais do que nós e não se desesperou. Certamente chorou muito, mas nunca se desesperou e nunca perdeu a fé. Aos pés da cruz de Jesus estava de pé (stabat!).

Podemos chorar os mortos; as lágrimas são o tributo da natureza, mas sem desespero e sem desilusão.

Até o céu; lá nos voltaremos a ver, ensinam os santos. Que grande felicidade será para nós poder encontrá-los, depois de ter chorado tanto a sua ausência! Não nos deixemos levar ao desespero quando alguém parte; não somos pagãos. Lá não haverá mais pranto, nem lágrimas e nem luto.

São Francisco de Sales disse: “Meu Deus, se a boa amizade humana é tão agradavelmente amável, que não será ver a suavidade sagrada do amor recíproco dos bem-aventurados… Como essa amizade é preciosa e como é preciso amar na terra, como se ama no Céu!”

São Tomás de Aquino garante que no Céu conheceremos nossos parentes e amigos. Diz o santo doutor:

“A contemplação da Essência Divina não absorve os santos de maneira a impedir-lhes a percepção das coisas sensíveis, a contemplação das criaturas e a sua própria ação. Reciprocamente, essa percepção, essa contemplação e essa ação não os podem distrair da visão beatífica de Deus” (S. Teológica, 30, p. 84).

A morte não é o aniquilamento estúpido que pregam os materialistas sem Deus, mas o renascimento da pessoa. A Igreja reza na Liturgia que “a vida não é tirada mas transformada”.

Só o cristão valoriza a morte e é capaz de ficar de pé diante dela. Deus não nos criou para o aniquilamento estúpido, mas para a sua glória e para o seu amor. Fomos criados para participar da felicidade eterna de Deus.

Santa Teresinha disse ao morrer: “não morro, entro para a vida”.

A árvore cai sempre do lado em que viveu inclinada; se vivermos inclinados ao Coração de Jesus, nele cairemos.

É preciso saber educar os filhos também diante da morte; a psicologia recomenda, por exemplo, que os pais deixem os filhos verem os mortos, se assim eles desejarem, embora não devam forçá-los. Fale da morte com naturalidade aos filhos, e aproveite o momento para ensinar sobre o céu e sobre a ressurreição. Não se pode permitir que as crianças assistam cenas de desespero diante da morte, mesmo que se possa manifestar a dor e sofrimento diante delas.

O grande santo São Francisco Xavier, jesuíta, amigo íntimo de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, foi evangelizar o Japão e a China e por lá morreu. Sabendo que não mais poderia ver o rosto do seu querido amigo Santo Inácio, escreveu-lhe uma carta onde dizia: Não mais verei o teu rosto, mas lá no céu te darei um abraço que durará para sempre.

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/veremos-os-parentes-no-ceu/)

Dons Infusos do Espírito Santo

image-37219201 – O dom da Ciência

O dom da ciência faz que o cristão penetre na realidade deste mundo sob a luz de Deus; vê cada criatura como reflexo da sabedoria do Criador e como aceno ao Supremo Bem; leva o homem a compreender, de um lado, o vestígio de Deus que há em cada ser criado, e, de outro lado, a insuficiência de cada qual.

O dom da ciência ensina também a reconhecer melhor o significado do sofrimento e das humilhações; estes “contra-valores”, no plano de Deus, têm o valor de escola que liberta e purifica o homem. Configuram o cristão a Jesus Cristo. Se não fosse o sofrimento, muitos e muitos homens não sairiam de sua estatura mesquinha,… nunca atingiram a plenitude do seu desenvolvimento espiritual.

2 – O dom do Entendimento ou Inteligência

O dom da inteligência nos ajuda a ler no íntimo das verdades reveladas por Deus, e ter a intuição do seu significado profundo. Pelo dom do entendimento, o cristão contempla com mais lucidez o mistério da SS. Trindade, o amor do Redentor para com os homens, o significado da S. Eucaristia na vida cristã…

A penetração dada pelo dom da inteligência (ou do entendimento) é diferente daquela que o teólogo obtém mediante o estudo; o dom da inteligência é eficaz mesmo sem estudo; é dado aos pequeninos e ignorantes, desde que tenham grande amor a Deus. Na ordem sobrenatural é o amor que abre os olhos do conhecimento. Os que mais amam a Deus, são os que mais profundamente o conhecem. O dom do entendimento manifesta também o horror do pecado e a grandeza da miséria humana.

3 – O dom da Sabedoria

A palavra sabedoria vem de saber, derivado do verbo latino sapere,  que significa “ter gosto de…”. O dom da sabedoria abrange todos os conhecimentos do cristão e os põe diretamente sob a luz de Deus, mostrando a grandeza do plano do Criador. Ele oferece um conhecimento saboroso da verdade porque se deriva da experiência do próprio Deus feita pelo cristão. Os resultados do estudo meramente intelectual são frios e abstratos, ao passo que as vantagens da experiência são concretas e saborosas.

“O dom da sabedoria faz-nos ver com os olhos do Bem-amado”, dizia um grande místico.

4 – O dom do Conselho

Deus não deixa faltar às suas criaturas o que lhes é necessário. Ele providencia os meios para que cada criatura chegue retamente ao seu fim devido. O dom do conselho permite ao cristão tomar as decisões oportunas sem cansaço e insegurança. Por ele o  Espírito Santo, inspira a reta maneira de agir no momento oportuno e exatamente nos termos devidos. Assim o dom do conselho aparece como um regente de orquestra que coordena divinamente todas as faculdades do cristão e as incita a uma atividade harmoniosa e equilibrada. Diz a Escritura que há tempo exato para cada atividade; fora desse momento preciso, o que é oportuno pode tornar-se inoportuno.

5 – O dom da Piedade

O dom da piedade orienta divinamente todas as relações que temos com Deus e com o próximo, tornando-as mais profundas e perfeitas.  São Paulo se refere a este dom quando escreve: “Recebestes o espírito de adoção filial, pelo qual dizemos  ‘Abbá ó Pai” (Rm 8,15). O Espírito Santo, mediante o dom da piedade, nos faz, como filhos adotivos, reconhecer Deus como Pai. E, pelo fato de reconhecermos Deus como Pai, consideramos as criaturas com olhar novo, inspirado pelo mesmo dom da piedade.

O dom da piedade não incita os cristãos apenas a cumprir seus deveres para com Deus de maneira filiar, mas leva-os também a experimentar interesse fraterno para com todos os seus semelhantes. É o que manifesta o Apóstolo ao escrever: “Quanto a mim, de bom grado me despenderei, e me despenderei todo inteiro, em vosso favor” (2 Cor 12, 15).

6 – O dom da Fortaleza

A fidelidade à vocação cristã depara-se com obstáculos numerosos. Disse Jesus que “o Reino dos céus sofre violência dos que querem entrar, e violentos se apoderam dele” (Mt 11,12).

O dom da fortaleza não consiste em realizar façanhas admiradas pelo público, mas implica paciência, perseverança, tenacidade, magnanimidade silenciosas… Pelo dom da fortaleza, o Espírito impele o cristão não apenas àquilo que as forças humanas podem alcançar, mas também àquilo que a força de Deus atinge. É essa força de Deus que pode transformar os obstáculos em meios; é ela que assegura tranquilidade e paz mesmo nas horas mais tormentosas. Foi ela que inspirou a S. Francisco de Assis palavras tão significativas quanto estas: “Irmão Leão, a perfeita alegria consiste em padecer por Cristo, que tanto quis padecer por nós”.

7 – O dom  do Temor de Deus

Há três tipos de temor: o temor covarde ou da covardia; o temor servil ou do castigo e o temor filial. Este consiste na tristeza que o cristão experimenta diante da perspectiva de poder se afastar de Deus; brota do amor a Deus. Não se concebe o amor sem este tipo de temor. Pelo dom do temor de Deus  é o Espírito que move o cristão a dizer Não à tentação e ao pecado por amor a Deus. Não é medo de Deus, é medo de perde-lo. O dom do temor de Deus se prende à virtude da humildade. Esta nos faz conhecer nossa miséria; impede a presunção e a vã glória, e assim nos torna conscientes de que podemos ofender a Deus; daí surge o santo temor de Deus. S. Luís de Gonzaga derramou copiosas lágrimas certa vez quando teve que confessar suas faltas… faltas que, na verdade, dificilmente poderiam ser tidas como pecados. Para o santo, essas pequeninas faltas eram sinais do perigo de poder um dia afastar-se de Deus. Ora, para quem ama, qualquer perigo deste tipo tem importância.

(http://cleofas.com.br/dons-infusos-do-espirito-santo/)

Para todos aqueles sacerdotes que dão a vida, a cada dia e silenciosamente…

Em Santa Marta, Francisco fala da unção e lembra os muitos párocos do campo e da cidade que não fazem manchetes, mas que prestam um serviço valioso para o povo de Deus

Por Salvatore Cernuzio

ROMA, 27 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Não era o centro do seu discurso, mas de qualquer forma Bergoglio, na homilia de hoje em Santa Marta, quis enviar uma indiretazinha para aquele mundo da comunicação sempre mais atento ao “barulho de uma árvore que cai”, do que “de uma floresta que cresce”. Uma metáfora com a qual o Papa questionou a tendência dos jornais e jornalistas de se concentrarem em “um bispo que fez tal coisa ou emum sacerdote fez tal outra coisa”, e manter silêncio sobre muitas obras de caridade realizadas por “sacerdotes santos” que dão suas vidas todos os dias e em silêncio.

“Sim – disse Bergoglio, fingindo o costumeiro diálogo com um fiel – também eu o li, mas, diga-me, nos jornais estão as notícias do que fazem tantos sacerdotes, tantos padres em tantas paróquias de cidade e de campo, tanta caridade que fazem, tanto trabalho que fazem para levar adiante o seu povo? Ah, não! Isso não é notícia”.

O ‘desabafo’ do Papa foi o resultado de uma reflexão sobre o valor da “unção” que Deus concede aos bispos e sacerdotes, fazendo o seu ministério especial. Se a Igreja não é uma ONG ou uma empresa, e bispos e padres não são chefes de escritório – como reiterou repetidas vezes Francisco – é precisamente por causa desta “unção” que lhes dá o poder do Espírito para não agir como uma organização humana, mas prestar serviço ao povo de Deus

Para explicar melhor o conceito, o Papa refletiu sobre a primeira leitura do dia, quando o profeta Samuel fala sobre as tribos de Israel que ungiu Davi como rei: “Sem essa unção – disse o Papa – Davi teria sido apenas o ‘chefe de uma empresa’,de uma  sociedade política, que era o Reino de Israel”, teria sido um simples ‘organizador político’”. Com a unção, no entanto, “o Espírito do Senhor” desce sobre o jovem, o qual – narra a Escritura – “andava sempre crescendo em potência e o Senhor Deus dos exércitos estava com ele”.

O ungido é de fato uma pessoa escolhida pelo Senhor, afirmou o Papa. Bispos e padres com o óleo do Crisma recebido durante a ordenação “são ungidos, têm a unção e o Espírito do Senhor está com eles”. Portanto, “não são eleitos somente para levar adiante uma organização, que se chama Igreja particular”. É verdade também que “todos os bispos são pecadores”, admitiu o Papa, mas “nós somos ungidos” e portanto “queremos ser mais santos a cada dia, mais fieis a esta unção”.

Isto é o que “dá unidade à Igreja”: “a pessoa do bispo, em nome de Jesus Cristo, porque é ungido, não porque foi eleito pela maioria”. “Nesta unção – acrescentou Bergoglio – uma Igreja particular tem a sua força. E por participação também os padres são ungidos”. Além do mais, graças a esta unção – continuou – prelados e sacerdotes estão mais próximos do Senhor que lhes dá a força para “levar adiante um povo, ajudar um povo, viver ao serviço de um povo”; mas também a alegria de sentir-se “eleitos pelo Senhor, guardados pelo Senhor, com aquele amor com o qual o Senhor nos guarda, a todos nós”.

“Pelo contrário – disse o Papa – não se pode explicar como a Igreja vai adiante apenas com as forças humanas”. Se uma diocese ou paróquia vai pra frente é certamente porque “tem um povo santo”, “tantas organizações, tantas coisas”, mas especialmente porque tem “um ungido que a leva, que a ajuda a crescer”. E a história mesmo se esquece destes “ungidos”, destes “párocos do campo ou párocos de cidade, que com a sua unção deram força ao povo, transmitiram a doutrina, deram os sacramentos, ou seja, a santidade”.

“Conhecemos uma mínima parte”, observou o Pontífice, “mas quantos bispos santos, quantos sacerdotes, quantos sacerdotes santos que deixaram a sua vida ao serviço da diocese, da paróquia; quanta gente recebeu a força da fé, a força do amor, a esperança destes párocos anônimos, que nós não conhecemos. Existem tantos!”. Portanto, concluiu o Santo Padre, “pensando nesta unção de Davi, vai fazer-nos bem pensar em nossos bispos e nos nossos sacerdotes corajosos, santos, bons, fieis e orar por eles. Graças a eles que estamos aqui hoje”.

(Trad. TS)

(Agência Zenit)

Ser livre para poder amar

a_liberdade_do_homem_poucas_palavrasA liberdade é o maior dom que Deus nos deu; maior até do que a inteligência.

É, acima de tudo, a liberdade que nos faz “imagem” de Deus. Se Ele não nos tivesse feito livres, seríamos como robôs, ou marionetes, ou teleguiados; não seríamos “semelhantes” a Ele.

Para garantir a nossa dignidade Deus nos fez livres, capazes de escolher o bem ou o mal,  e até capazes de virar as costas para o próprio Criador.

Quando a sociedade quer punir o homem, por ele abusar da liberdade, então tira-a, colocando-o na prisão.

O pecado é sempre um “abuso da liberdade”; isto é, o seu mal uso.

Você só poderá dar-se integralmente a alguém, e amar, se você for verdadeiramente livre.

Mas hoje existem também muitas “caricaturas” da liberdade, assim como do amor.

Muitos se enganam pensando que ser livre é poder dizer “eu faço o que quero”.

Muitos pensam que ser livre é não ter leis que obedecer, dogmas a aceitar ou verdades pré-fixadas a acolher. É um engano.

Será que você é livre quando não respeita os sinais de tráfego, e, por desrespeitá-los acaba saindo da estrada e se acidentando?

É claro que não, você está sendo irresponsável, e muito burro!

Será que você é livre, quando teima em dizer que: 2 + 2 = 5 !

É claro que não, você está sendo insensato, incoerente e ilógico.

Será que você pode dizer que é livre porque usa a bebida ou a droga como quer e quando quer, porque é dono do seu nariz?

É claro que não, você está sendo louco e destruindo a sua vida.

Será que você pode dizer que é livre porque usa o seu corpo à vontade, dando-lhe todos os prazeres da gula e do sexo?

É claro que não, você está profanando o templo santo do Espírito de Deus que é o seu próprio físico, e está sendo escravo das suas paixões.

Portanto, não diga que você é livre porque faz o que quer, independente da vontade de Deus e dos homens.

Ser livre não é  “fazer o que você quer” , sem restrições.

Esta é a liberdade do animal, que não possui a luz da inteligência e a força da vontade para guiar os seus passos e manter-se de pé.

Será que na empresa em que você trabalha, você só faz o que quer, chega na hora que quer, e só realiza o que tem vontade de fazer? É claro que não, você obedece ordens, normas e horários.

Jamais diga que ser livre é fazer o que você quer, sem restrições.

A sua liberdade não depende só do seu corpo, mas do seu espírito, acima de tudo.

Mesmo que você esteja numa cela ou preso numa cama, ainda assim é possível ser livre, porque nada e ninguém pode aprisionar o  seu espírito.

Na verdade, é você mesmo quem limita a sua liberdade, quando permite ser conduzido pelos caprichos do seu corpo ou pelas manhas da sua sensibilidade. Esta é a pior escravidão. Você pensa que é livre, mas na verdade você é dominado pelos instintos.

Ser homem, é exatamente vencer os instintos que nos querem roubar o dom precioso da liberdade, que custou até o sangue de Jesus.

Podemos prender um navio ao cais do porto por muitas cordas; mas enquanto ele estiver preso por uma só corda, ainda não poderá navegar livremente, mar adentro, até o seu destino.

Você não estará livre enquanto qualquer amarra o impedir de caminhar.

Se você estiver preso demais a alguma coisa, ainda não é livre.

Se você se apegou a alguém de maneira descontrolada, deixou de ser livre.

Se você é escravo de algum vício, então é claro que você não é livre plenamente.

Se os instintos do corpo ou da sensibilidade, o “pegam pelo nariz” e o obrigam a satisfazê-los, então, é claro que você não é livre.

A liberdade, portanto, não é estar livre de leis, verdades e dogmas sagrados, mas é estar livre de nossos vícios.

A liberdade pode se transformar em libertinagem, abuso da liberdade.

Isto acontece quando você quer ser livre sem respeitar a “verdade” e a “responsabilidade”. Elas são os trilhos sobre os quais a liberdade deve caminhar para não enlouquecer, e não fazer de você um libertino.

Liberdade sem verdade é loucura.

Liberdade sem responsabilidade é depravação.

Existe uma verdade científica, religiosa, moral… que a liberdade tem que obedecer para ser autêntica.

A liberdade deve também respeitar a responsabilidade.

Você pode dar murros no ar à vontade, mas até que não atinja o nariz de alguém.

Se você ultrapassar este limite, não mais está sendo livre, mas perverso, libertino.

Para você ser livre é preciso “conquistar” a sua liberdade, lutando contra você mesmo, para não ceder aos instintos cegos que o escravizam.

Você será livre, não quando conseguir dominar os outros, mas quando, enfim, dominar a si mesmo. Que conquista!

Diz um Salmo que vale mais aquele que domina a si mesmo  do que aquele que conquista uma cidade.

Não fique dizendo que as coisas erradas que você faz é culpa do seu temperamento incontrolável ou da sua fraqueza moral, etc.  …

Lute contra tudo isto e conquiste este tesouro que se chama liberdade.

Você só será livre quando for uma pessoa “de pé”: o espírito comandando a sensibilidade e o físico.

Não há dúvida de que quanto mais “coisas” você possui: roupas, casas, dinheiro, carros, discos, etc., maior será a sua luta para não permitir que tudo isto acorrente a sua liberdade.

Ser livre é ser desapegado e despojado: dos egoísmos, dos vícios, e dos prazeres.

Isto não quer dizer que você não possa usar todas essas coisas; elas são às vezes indispensáveis.

A Liturgia da Igreja nos ensina que é preciso “caminhar entre as coisas que passam, abraçando somente  as que não passam”.

Ser livre é apegar-se somente às coisas que não passam: o bem que reside no seio da virtude.

Só é livre aquele que comanda as suas ações, e não se deixa arrastar pela força dos instintos.

Se você não for livre, então será escravo de muitas coisas: da indecisão, da angústia, da instabilidade…, enfim, você não será uma pessoa madura e preparada para amar.

Só sabe amar; só pode dar-se, aquele que se possui, aquele que é livre.

Quando você é livre todas as suas ações são boas, segundo a vontade de Deus, pois obedecem a verdade e a responsabilidade.

Você será plenamente livre quando for plenamente obediente a Deus e às suas Leis: Deus é o grande Livre !

Nossa liberdade é proporcional à dignidade daquele que obedecemos. Se você obedece à Deus é livre, se serve ao pecado,  é escravo do pecado, ensina São Paulo aos romanos.

Jesus é Aquele que é Livre, e faz Livres os que O seguem.

“Vinde a mim, vós todos os que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt 11,29-30).

Obedecer as Leis de Deus é o jugo suave e leve; é ser de fato livre.

O pássaro só é livre se voar nos céus; o peixe só é livre se nadar nas águas.

Jamais o pássaro será livre se quiser voar dentro da água; e jamais o peixe será livre se quiser nadar na terra.

Assim, você só será livre se aceitar viver da maneira e da forma exatas que o Pai estabeleceu para você viver.

A verdade que o faz plenamente livre é a Verdade de Jesus:

“Eu sou a Verdade”.

“Se permanecerdes na minha palavra sereis meus verdadeiros discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,31-32).

Quanto mais você for fiel e obediente às Leis de Deus, mais livre você será e mais apto para amar.

Quem é o viajante livre, aquele que obedece os sinais da estrada que lhe indicam os perigos, ou aquele que os desobedece e se acidenta?

Deus é o nosso Criador; Ele nos fez com sabedoria e amor. Ele escreveu o “catálogo” sob o qual cada um deve viver para ser feliz e ser livre.

O que acontece se você desobedece ao catálogo do fabricante que manda ligar a televisão numa fonte elétrica de 110 volts?

Ela queimará se você a ligar em outra voltagem, ou então, não captará as imagens.

O que acontece se você desrespeitar o catálogo do seu carro que manda abastecê-lo com gasolina?

Se você encher o tanque de álcool, porque é mais barato, o seu carro não vai funcionar bem e o motor será prejudicado.

E assim é tudo na vida; toda a criação de Deus está sujeita a leis naturais que devemos obedecer. Só o homem – porque tem inteligência e vontade – é capaz de desobedecer às leis pelas quais Deus faz o universo belo…

Quando você desobedece as leis de Deus, os seus Mandamentos, você “queima” a sua vida, como aquela televisão ligada em 220 volts.

Só Deus nos faz plenamente livres. Só os seus “escravos” são  perfeitamente livres; e, por isso, aptos para amar como Ele ama.

Se você quiser amar o seu namorado de verdade, então, ame e obedeça o Evangelho e a Igreja; você será uma pessoa inteira, livre, capaz de dar-se, de amar e de construir o outro.

Não aceite as caricaturas da liberdade porque elas são verdadeiras escravidões.

É a obediência a Deus que alimenta a nossa liberdade e o nosso amor.

Cristo aceitou morrer na cruz para conquistar para você a verdadeira liberdade; pois, ali Ele matou o pecado que escraviza. Esta liberdade você recebeu no Batismo; não a perca por nada neste mundo.

São Paulo pediu aos gálatas insistentemente:

“É para que sejamos homens livres, que Cristo nos libertou [do pecado]. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão” (Gal 5,1).

Este “jugo da escravidão” é o jugo do pecado, que destrói a vida.

“O salário do pecado é a morte” (Rm 6, 23).

O que para o mundo é motivo de tristeza, a luta para vencer o pecado, a entrada pela “porta estreita” que Cristo recomenda, para os filhos de Deus é motivo de verdadeira e autêntica libertação. O verdadeiro escravo neste mundo é aquele que tem a sua alma amordaçada pelo pecado, pelos vícios.

Se você quiser ser verdadeiramente livre, e levar os outros à esta liberdade insuperável, então, vença o pecado, e ajude os outros a fazê-lo; especialmente o seu namorado.

Para você meditar:

TEMPO E ETERNIDADE

“Meu Deus, protegei-me do “deixa – correr”, do “deixa – fazer”, do “deixa – viver”, do “deixa – matar”…

E dessa passividade que permanece passiva por medo de agir e sofrer.

É tão fácil deixar tudo correr…

Deixa correr a vida como areia, e acusar as circunstâncias, e maldizer os fatos, e acusar os outros…

É muito mais fácil sentir-se sempre cansado: cansado de tudo, cansado de nada…

A vida não passa de uma sucessão de gestos ínfimos, mas que, divinizados, nos moldam a eternidade.

Materialmente, uma obra de arte – quadro ou estátua – não é mais que o resultado de uma série de pinceladas ou de cinzeladas. O valor imaterial, o único que conta, é o pensamento do artista que informou cada gesto e fez dessa síntese a realização do seu próprio sorriso. Criamos eternidade com qualquer ato nosso. Este é o poder maravilhoso do homem: A cada segundo construímos o nosso reino.

Um ato, uma vez realizado, não pode ser desfeito. Sua repercussão e seus reflexos se prolongam por espaços inacessíveis. Criamos o definitivo e esse prolongamento das menores ações até a eternidade é que faz a nossa grandeza de homens.

Não compreendemos nada de nada. Há tanto mistério no crescimento de um grão de trigo quanto no movimento das estrelas. Nós bem sabemos que somos os únicos capazes de amar, e é por isso que o menor dos homens é maior do que todos os mundos reunidos.

Guy de Larigaudie

Do Livro: NAMORO, Prof. Felipe Aquino

A Santa Missa, fonte da santidade sacerdotal

Redação (Quarta-feira, 22,01-2014, Gaudium Press– Transcrevemos considerações sobre a Santa Missa e a santidade do sacerdote elaboradas por Monsenhor João S. Clá Dias, EP, na Revista LUMEN VERITATIS, número 8:

“Se conhecêssemos o valor da Missa, morreríamos. Para celebrá-la dignamente, o sacerdote deveria ser santo. Quando estivermos no Céu, então veremos o que é a Missa, e como tantas vezes a celebramos sem a devida reverência, adoração, recolhimento”.[1]

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No decreto Presbyterorum ordinis, o Concílio Vaticano II, em perfeita harmonia com a doutrina tomista, resume de forma admirável a centralidade da Eucaristia na vida espiritual do sacerdote, como seu principal meio de santificação. Logo no início, afirma que a Ordem dos presbíteros foi constituída por Deus “para oferecer o Sacrifício, perdoar os pecados e exercer oficialmente o ofício sacerdotal em nome de Cristo a favor dos homens”.[2]

Recorda, em seguida, que é por meio do ministério ordenado que o sacrifício espiritual dos fiéis se consuma em união com o sacrifício de Cristo, oferecido na Eucaristia de modo incruento e sacramental. E afirma que “para isto tende e nisto se consuma o ministério dos presbíteros. Com efeito, o seu ministério, que começa pela pregação evangélica, tira do sacrifício de Cristo a sua força e a sua virtude”.[3] O que equivale a dizer que o sacerdote vive para a Celebração Eucarística e é dela que deve haurir a força para progredir na prática da virtude.

Prosseguindo, ressalta o decreto conciliar: “Os restantes sacramentos, porém, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam.[4] Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja,[5] isto é, o próprio Cristo”.[6] E mesmo quem é chamado a uma vocação missionária, não pode esquecer que a própria evangelização deve ter como meta o Sacramento do altar e dele nutrir-se: “A Eucaristia aparece como fonte e coroa de toda a evangelização”.[7] Pois no Sacrifício Eucarístico se exerce a própria obra da Redenção.[8]

Garrigou-Lagrange sintetiza com precisão esta doutrina:

“O sacerdote deve considerar-se ordenado principalmente para oferecer o Sacrifício da Missa. Em sua vida, este Sacrifício é mais importante que o estudo e as obras exteriores de apostolado. Com efeito, o seu estudo deve ordenar-se ao conhecimento cada vez mais profundo do mistério de Cristo, supremo Sacerdote, e o seu apostolado deve derivar da união com Cristo, Sacerdote principal”.[9]

Royo Marín, ao comentar a exortação do Pontifical Romano, feita pelo Bispo aos ordenandos, afirma com ênfase que a Santa Missa é “a função mais alta e augusta do sacerdote de Cristo”.[10] E, conhecedor das múltiplas ocupações pastorais de um sacerdote, que podem facilmente desviá-lo do cerne da sua vocação de mediador entre Deus e os homens, reforça a mesma ideia, logo em seguida, com inflamadas palavras de zelo sacerdotal:

“Esta é a função sacerdotal por excelência, a primeira e mais sublime de todas, a mais essencial e indispensável para toda a Igreja, e ao mesmo tempo fonte e manancial mais puro de sua própria santidade sacerdotal. É-se sacerdote, antes de tudo e sobretudo, para glorificar a Deus mediante o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa”.[11]

Talvez receoso de que suas palavras não penetrem suficientemente o espírito de seus leitores, irmãos no sacerdócio, Royo Marín enumera algumas ocupações legítimas que poderiam servir de pretexto a uma diminuição do zelo eucarístico, insistindo de novo na centralidade do Sacrifício da Missa:

“Por cima de todas as demais atividades sacerdotais, por cima inclusive de seu trabalho pastoral voltado para as almas, deverá colocar sempre em primeiro plano a digna e fervorosa celebração do Santo Sacrifício do Altar. Tudo quanto o distraia e estorve nesta função augusta deverá ser afastado pelo sacerdote com energia, lançando-o para longe de si. Sua função primária, ante a qual devem ceder todas as demais atividades, consiste – repetimos – na celebração do Santo Sacrifício da Missa, através do qual recebe Deus uma glorificação infinita”.[12]

Cabe salientar ainda que a Eucaristia não só confere a graça, como também a aumenta naquele que a recebe com as devidas disposições:

“O Sacramento da Eucaristia tem por si mesmo o poder de conferir a graça. […] A graça cresce e a vida espiritual aumenta, toda vez que se recebe realmente este Sacramento […] para que o homem seja perfeito em si mesmo pela união com Deus”.[13]

Bento XVI, ao tratar da vocação e espiritualidade sacerdotais, sob uma perspectiva pastoral, afirma que é por meio da oração que o sacerdote apascenta suas ovelhas. Os presbíteros, diz ele, têm “uma vocação particular para a oração, em sentido fortemente cristocêntrico: isto é, somos chamados a ‘permanecer’ em Cristo”. E, continua:

“O nosso ministério é totalmente ligado a este “permanecer” que equivale a rezar, e deriva dele a sua eficiência. […] A Celebração Eucarística é o maior e mais nobre ato de oração, e constitui o centro e a fonte da qual também as outras formas recebem a “linfa”: a Liturgia das Horas, a adoração eucarística, a lectio divina, o santo Rosário, a meditação”.[14]

Novamente, encontramos a Eucaristia no centro da vida sacerdotal.

Por Monsenhor João S. Clá Dias, EP

In CLÁ DIAS, João. A Santidade do sacerdote à luz de São Tomás de Aquino. in: LUMEN VERITATIS. São Paulo: Associação Colégio Arautos do Evangelho. n. 8, jul-set 2009. p. 16-18.

_____________________________________________

[1]BENTO XVI. Carta para Proclamação do Ano Sacerdotal, 16 jun. 2009.

[2] PO, n. 2.

[3] Idem.

[4]Nota do texto original: “A Eucaristia é como que a consumação da vida espiritual, e o fim de todos os sacramentos” (S Th III, q. 73. a. 3 c); cf. S Th III, q. 65, a. 3.

[5] Nota do texto original: Cf. São Tomás, S Th III, q. 65, a. 3, ad 1; q. 79, a. 1 c. e ad 1.

[6] PO, n. 5

[7] Idem.

[8] Cf. idem, n. 13.

[9] GARRIGOU-LAGRANGE, OP, Réginald. Op. cit., p. 38.

[10] ROYO MARÍN, OP, Antonio. Teología de la Perfección Cristiana. Madrid: BAC, 2001. p. 848.

[11] Idem, ibidem.

[12] Idem, p. 849.

[13]S Th III, q. 79, a. 1, ad 1.

[14] BENTO XVI. Homilia no Dia Mundial de Oração pelas Vocações, 3/5/2009.

(http://www.gaudiumpress.org/content/55062#ixzz2rDTLrjhB )

Milagres!

Juliana de Norwich (1342-depois de 1416), mística inglesa
Revelações do amor divino, cap. 36

«Todos os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para Lhe tocarem»

Durante toda a nossa vida, quando, na nossa loucura, voltamos o olhar para o que é reprovável, Nosso Senhor toca-nos com ternura e chama-nos com grande alegria, dizendo na nossa alma: «Deixa o que amas, minha querida criança. Volta-te para mim, Eu sou tudo o que tu queres. Rejubila no teu salvador e na tua salvação.» Tenho a certeza de que a alma, tornada perspicaz pela acção da graça, verá e sentirá que Nosso Senhor opera assim em nós. Porque se esta obra diz respeito à humanidade em geral, nenhum homem em particular está dela excluído. […]

Além disso, Deus iluminou a minha inteligência e mostrou-me como realiza os milagres: «É sabido que realizei aqui em baixo muitos milagres impressionantes e maravilhosos, gloriosos e magníficos. O que fiz então, faço-o ainda continuamente, e fá-lo-ei nos tempos vindouros». Sabemos que qualquer milagre é precedido de sofrimentos, angústias e tribulações. Isso acontece para que tomemos consciência da nossa fraqueza e dos erros que cometemos por causa do nosso pecado e, através disso, nos tornemos humildes e nos voltemos para Deus, implorando o seu auxílio e a sua graça. Os milagres surgem em seguida: provêm do poder, da sabedoria e da bondade de Deus, e revelam a sua força e as alegrias do céu, tanto quanto é possível conhecê-las nesta vida passageira. Assim, a nossa fé torna-se mais forte e a nossa esperança cresce no amor. Eis porque agrada a Deus ser conhecido e glorificado através dos milagres. Ele quer que não fiquemos acabrunhados pela tristeza e pelas tempestades que se abatem sobre nós; isto acontece sempre antes dos milagres!

Uma carta para si mesma cheia de amor e confiança em Deus: O legado de uma menina falecida que está comenvendo o mundo

DENVER, 16 Jan. 14 / 04:19 pm (ACI/EWTN Noticias).- Os pais de Taylor Smith acharam consolo depois da morte de sua menina em uma carta que ela escreveu em abril do ano passado para ser lida por ela mesma dentro de dez anos. O caso deu a volta ao mundo nas últimas horas mas, poucos meios têm reparado em sua profunda mensagem de amor e confiança em Deus.

Taylor tinha 12 anos e morreu por uma pneumonia no dia 5 de janeiro passado. Uns dias depois deste trágico fato, seus pais encontraram um envelope no seu quarto  com esta indicação: “Confidencial. Somente para os olhos de Taylor Smith a menos que se diga o contrário. Não abrir até 13-4-23”.

Na nota, Taylor se propõe a concluir seus estudos e a emendar os erros e atrasos nos estudos acadêmicos que possa ter feito. “Felicitações por concluir o ensino médio! Se você não o fez, volte e siga tentando. Consiga este diploma!”. Além disso, recorda seu desejo de ser advogada e se pergunta “Se estivermos na universidade, O que estamos estudando?”.

Taylor evoca na carta a primeira viagem de missões que realizou e se interpela a si mesmo sobre sua fé. “Falando nisso, como está sua relação com Deus? Você tem rezado, adorado, lido a Bíblia, ou ido servir ao Senhor recentemente? Se não, levanta e faça-o AGORA!”.

“Não me importa em que ponto de nossa vida estejamos agora, faça-o! Ele (Jesus) foi burlado, golpeado, torturado e crucificado por ti. Um homem sem pecado, que nunca fez nada mal a você nem a outra pessoa alguma”, escreveu para seu “futuro eu” a menina.

Seus pais, Tim e Ellen sofrem a dor da morte de sua filha, mas sabem que “era a hora de Deus” para a pequena Taylor.

“Ele a amava mais do que ninguém podia amá-la, tanto como para dizer ´Vem comigo´. Muitos se perguntarão por que é tão fácil para um pai que perdeu a sua filha dizer algo assim em vez de acusar Deus ou odiá-lo, mas o único que posso dizer é que é fácil para mim confiar em Deus agora porque minha menina confiava nele”, disse Tim à imprensa local.

Falando a vários meios de imprensa sobre o comovedor caso de Taylor, Tim assegurou que “agora estou ainda mais decidido a descobrir a vontade de Deus, porque agora que vejo um brilho do que é a vontade de Deus, agora que vê quanta gente está sendo transformada pelo que está havendo, sei que que a vida de uma única pessoa mudasse, Taylor teria dito que valeu a pena”.

“Ela é um perfeito exemplo do que é amar Deus e amar os demais. Ela me ensinou como Deus ama, não via nada do exterior, ela só olhava no interior e no que era o melhor para os demais”.

“A esperança que Taylor compartilhou em sua carta é o que ela teria querido compartilhar com o mundo. Assim, como seu pai, sinto que é o mínimo que posso fazer para honrá-la, compartilhar sua carta com o mundo para que o amor de Deus e a esperança encontrada em Jesus, a mesma esperança que ela encontrou, estenda-se a vós”, assegurou.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26567)

A fé, uma força consoladora no sofrimento!

Papa Francisco
Encíclica «Lumen fidei / A luz da fé», §§ 56-57 (trad. © Libreria Editrice Vaticana, rev)

A fé, uma força consoladora no sofrimento

O cristão sabe que o sofrimento não pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se acto de amor, entrega nas mãos de Deus que não nos abandona e, deste modo, ser uma etapa de crescimento na fé e no amor. […] A luz da fé não nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. Os que sofrem foram mediadores de luz para muitos homens e mulheres de fé; tal foi o leproso para São Francisco de Assis, ou os pobres para a Beata Teresa de Calcutá. Compreenderam o mistério que há neles; aproximando-se deles, certamente não cancelaram todos os seus sofrimentos, nem puderam explicar todo o mal. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho.

Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explica tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar connosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nele vermos a luz. Cristo é Aquele que, tendo suportado a dor, Se tornou «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2).

Papa Francisco: Pelo Batismo o Povo cristão é como um rio que irriga a terra e difunde a bênção de Deus

VATICANO, 15 Jan. 14 / 03:39 pm (ACI/EWTN Noticias).- Seguindo sua catequese sobre os Sacramentos que iniciou na semana passada, o Papa Francisco retomou hoje o tema do Batismo e explicou que este constitui a entrada ao Povo de Deus, que torna discípulo e missionário quem o recebe e outorga a missão de levar a fé pelo mundo “como um rio que irriga a terra”.

Em sua reflexão, para a qual usou diversas passagens do Documento de Aparecida  –fruto da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e o Caribe em 2007– do qual o então Cardeal Bergoglio foi o Presidente do Comitê de Redação, o Santo Padre explicou que “assim como de geração em geração se transmite a vida, do mesmo modo também de geração em geração, através do renascimento da fonte batismal, transmite-se a graça, e com esta graça o Povo cristão caminha no tempo, como um rio que irriga a terra e difunde no mundo a bênção de Deus”.

Recordando o Documento da Aparecida, o Papa explicou que “em virtude do Batismo nos transformamos em discípulos missionários, chamados a levar o Evangelho no mundo” e citou o texto no que se afirma que “cada batizado, qualquer que seja sua função na Igreja e o grau de instrução de sua fé, é um sujeito ativo da evangelização. A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de todos, de todo o Povo de Deus, um novo protagonismo dos batizados, de cada um dos batizados”.

“O Povo de Deus é um Povo discípulo, porque recebe a fé, e missionário, porque transmite a fé. Isto é o que faz o Batismo em nós: faz-nos receber a graça. E a fé é transmitir a fé. Todos na Igreja somos discípulos e o somos para sempre, por toda a vida; e todos somos missionários, cada um no posto que o Senhor lhe atribuiu”.

O Papa Francisco disse logo: “Todos: até o mais pequenino também é missionário e aquele que parece maior é discípulo. Mas alguns de vocês dirão: ‘Padre, os bispos não são discípulos, os bispos sabem tudo. O Papa sabe tudo, não é discípulo’. Pois bem, também os bispos e o Papa devem ser discípulos, porque se não forem discípulos, não fazem o bem, não podem ser missionários, não podem transmitir a fé”. “Todos nós somos discípulos e missionários!”

O Pontífice ressaltou deste modo que “ninguém se salva sozinho”.
“Isto é importante. Ninguém se salva sozinho. Somos comunidade de crentes, e nesta comunidade experimentamos a beleza de compartilhar a experiência de um amor que precede a todos, mas que ao mesmo tempo nos pede que sejamos ‘canais’ da graça os uns para os outros, não obstante nossos limites e nossos pecados”.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26561)

Espanha acolhe mostra sobre o Mistério da Eucaristia

Burgos – Espanha (Quarta-feira, 15-01-2014, Gaudium Press) “Eucaristia” é o título da mostra que acontecerá este ano na igreja de São João de Aranda de Duero, cidade localizada na província de Burgos (Espanha), e que falará sobre o grande mistério eucarístico.

A exposição, organizada pela Fundação ‘As Idades do Homem’, foi apresentada recentemente pelo Arcebispo de Burgos, Dom Francisco Gil Hellín, como parte de uma coletiva de imprensa realizada na igreja da cidade espanhola.

Em seu discurso, o prelado destacou: “As Dioceses de Castilla e León voltam a se comprometer em outro grande desafio expositivo e pastoral que chega ao povo crente e a toda a sociedade através de uma mina inesgotável, como são as obras de arte. A Eucaristia, como sacrifício, comida e presença, é um tema antigo e novo; não em vão é o centro dos mistérios celebrados pelos crentes; isto explica por que sempre estiveram presentes em nossas exposições as obras de arte relacionadas com a Eucaristia”.

Ele explicou também que na mostra, que ocorre também na Igreja de Santa Maria de Burgos, o tema da Eucaristia -que é o centro da vida cristã-, será exibido “sob um novo prisma, único e monográfico (…) em Aranda de Duero, centro nervoso do pão e do vinho, terra de cereais e vinhedos, que nos fazem olhar para o Evangelho em suas mais ricas parábolas e mensagens”.

Desta maneira, tal como apresentou o Padre Juan Álvarez Quevedo, Comissário da “Eucaristia”, a exposição será realizada em quatro capítulos: o primeiro deles sobre o fundamento e tom humano da Eucaristia, mostrando-a como alimento e como festa.

O segundo capítulo dará ênfase nos antecedentes da Eucaristia, especialmente no Antigo Testamento com figuras como Abraão e Isaac, e detalhes como “o maná do deserto” e “a aliança do Sinai”, que antecipam o mistério da Eucaristia.

Já o terceiro capítulo, como continuou expondo o sacerdote, estará destinado inteiramente à Instituição da Eucaristia, mostrando-se os gestos de Jesus, os anúncios do que será a Eucaristia, a Instituição propriamente dita, e a Eucaristia na Igreja Primitiva.

Finalmente, a quarta parte da mostra falará sobre o que é a Eucaristia, o Sagrado Banquete no qual se faz memória da Morte e Ressurreição, e o compromisso da Eucaristia na caridade -“A Fé na Eucaristia leva ao compromisso Eucarístico até os trabalhos com os mais débeis”, acrescentou o Padre Álvarez Quevedo-, e concluirá com uma visão cósmica do que é a Eucaristia.

A exposição permanecerá em Aranda de Duero de maio até novembro deste ano. (GPE/EPC)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54868#ixzz2qYfK0ikZ )

História do Santo Sudário

santosudarioÉ certo que, no Domingo da Ressurreição, Pedro e João encontraram no túmulo a mortalha de Jesus. Os Sinóticos, que, por ocasião do sepultamento, não falaram senão da mortalha, assinalam, no Domingo, os “othonia” (= panos); a mortalha evidente faz parte desses “othonia”. São João que, em seu evangelho, não falou na sexta-feira santa a não ser dos “othonia”, assinala, no Domingo, os “othonia” e o “soudarion”. Veremos com M. Lévesque que este “soudarion” é a mortalha, do aramaico em que pensa São João. Quem o recusar será forçado a colocar a mortalha entre os “othonia”.

Que destino lhe deram os apóstolos?

Apesar de natural repugnância própria a judeus, para os quais tudo o que toca a morte é impuro, sobretudo um pano manchado de sangue, é impossível admitir que não tivessem recolhido com todo cuidado esta relíquia da Paixão do Homem-Deus. É necessário admitir também que a esconderam cuidadosamente. Deveriam protegê-la da destruição por parte dos perseguidores da jovem Igreja. Por outro lado, não se podia pensar em propô-la à veneração dos novos cristãos, ainda imbuídos do horror dos antigos pela infâmia da cruz. Haveremos de voltar com mais vagar a este longo período em que a cruz se escondia sob símbolos: só nos séculos V e VI é que veremos os primeiros crucifixos que, de resto, aparecem ainda um tanto disfarçados. Só nos séculos VII e VIII é que eles se espalham um pouco. Não será senão no século XIII que se difundirá a devoção à Paixão de Cristo.

Acrescentemos a seguinte hipótese que está baseada em fenômeno biológico misterioso, mas devidamente verificado: é muito possível que nesta mortalha, portadora desde o início de manchas sanguíneas, as impressões corporais não fossem visíveis durante muitos anos. É possível que elas só se tenham “revelado” posteriormente, como sobre uma chapa fotográfica que esconde sua imagem virtual até o banho revelador.

Pois existe todo um período obscuro em que a Mortalha (ou Sudário) não aparece, no qual não pode aparecer. Era mesmo necessário que estivesse cuidadosamente escondida, para ter escapado a todas as ocasiões de destruição. Romanos, persas, medos, partos devastaram sucessivamente Jerusalém e demoliram suas igrejas. E o que foi feito da Mortalha?

Nicéforo Calisto escreve em sua História Eclesiástica que a imperatriz Pulquéria fez construir, em 436, em Constantinopla, a basílica de Santa Maria dos “Blacherner” e ali depositou os panos mortuários de Jesus, recentemente descobertos. É precisamente aí que iremos ver o Santo Sudário, em 1204 (Roberto de Clari). Entretanto, em 1171, segundo Guilherme de Tyr, o imperador grego, Manuel I, Commeno (1122-1180) mostra ao rei Amaury de Jerusalém as relíquias da Paixão: lança, cravos, esponja, coroa de espinhos e a Mortalha que ele conservava na Capela do “Boucoleon”. Ora, tudo isto ali está, mais uma Verônica, segundo Roberto de Clari. Convém, de resto, notar que Nicéforo, morto em 1250, escreveu após a tomada de Constantinopla, em 1204, quando a Mortalha desapareceu. Há, portanto, alguma confusão possível.

Mas, muito tempo antes, são Braulio, bispo de Saragoça, em 631, varão douto e prudente, em sua carta XLII ao abade Tayon, fala como de coisa conhecida havia muito tempo “de sudaruim quo corpus Domini est involutum – da Mortalha (= Sudário) em que o corpo do Senhor foi envolvido”. E acrescenta: “A Sagrada Escritura não diz que tenha sido conservado, mas não se pode tachar de supersticiosos aqueles que acreditam na autenticidade deste Sudário”. Um “sudário” que envolveu o corpo de Jesus não pode ser senão uma mortalha; vê-lo-emos no capítulo do sepultamento.

 Onde estava ela, pois, nesta época?

Abramos os três livros do abade beneditino de lona, Adamnan, “Sobre os Santos Lugares, de acordo com a relação de Arculfo, bispo francês”, secção III, cap. X: “de Sudarium Domini”. Arculfo faz uma peregrinação a Jerusalém por volta do ano 640. Aí viu e osculou o “Sudarium Domini quod in sepulcro super caput ipsius fuerat positum – o Sudário do Senhor que no sepulcro estivera colocado sobre Sua cabeça”. São as mesmas palavras com que se expressou são João (cf.20,7). Ora, este sudário, segundo Arculfo, é uma comprida peça de tecido que mede, avaliada a olho, cerca de 8 pés de comprimento (=2,44 m). Não é, portanto, um lenço, mas sim um lençol ou mortalha (= sudário).

O venerável Beda, no começo do século VIII, também registra este testemunho de Arculfo em sua História Eclesiástica (De Loci Santis). Mais ou menos na mesma época, São João Damasceno assinava entre as relíquias veneradas pelos cristãos o “sindon”. Vemos desde logo que “sindon” e “sudarium” são empregados indiferentemente como sinônimos.

Parece resultar de tudo isto que no século VII a Mortalha ficara em Jerusalém ou voltara para lá e que não foi para Constantinopla senão mais tarde. Quando? Não sabemos. Talvez antes do século XII, durante o qual alguns peregrinos se referem ao “sudarium quod fruit super caput eius” naquela cidade; acabamos de ver segundo Arculfo que isto significa a Santa Mortalha. Em todo o caso, já lá estava em 1204, por ocasião da 4ª Cruzada.

Roberto de Clari, cavaleiro da Picardia, que tomou parte na tomada de Constantinopla, em 1204, nos conduz a terreno já muito sólido.

Roberto é considerado pelos críticos de história como homem de instrução média, um tanto ingênuo e que se pôde deixar embair na política dos altos barões, dos quais estava longe. Mas é testemunha muito atenta e perfeitamente sincera em relação a tudo o que ele mesmo vê.

Ora, descreve ele minuciosamente (p. 82) todas as riquezas e relíquias vistas nos palácios e nas “rikes kapeles”, ricas capelas da cidade; especialmente no “Boucoleon” que jocosamente denomina “el Bouke de Lion” (= o estreito de Lião) e em Blachernes”. No “Boucoleon”, viu, a respeito de Jesus, dois pedaços da verdadeira cruz, o ferro da lança, dois cravos, um fresquinho de sangue, uma túnica e a coroa. Viu também (descrito à parte com longa lenda de sua formação, quando de uma aparição de Nosso Senhor a um santo homem de Constantinopla) uma “toaille”, isto é, um pano com o rosto do Salvador (como a Verônica de Roma) e uma tela (ou placa de barro cozido) onde estava ela decalcada.

Mas foi em “Blachernes” que encontrou o Santo Sudário. Tudo isto escrito naquela rude língua d’oil do século XII, que vive ainda nos atuais dialetos valões. É necessário lê-lo em voz alta, com o sotaque do Norte, talvez ter também sangue valão nas veias, para saboreá-lo plenamente. Em tradução, ei-lo aqui (p. 90): “E entre estes outros havia ali um mosteiro, que chamavam Senhora Santa Maria de ‘Blachernes’, onde estava a Mortalha em que Nosso Senhor foi envolvido; e que cada sexta-feira era levada e estirada tão bem que nela se podia ver o retrato de Nosso Senhor. E não soube jamais nem grego nem francês o que aconteceu a esta Mortalha quando a cidade foi tomada”.

O Santo Sudário foi, portanto, roubado ou transformado em presa de guerra, se se quiser ser indulgente. Ora, segundo os historiadores de besançon, D. Chamard em particular, uma mortalha correspondente à descrição de Clari foi consignada, em 1208, às mãos do arcebispo de Besançon, por Ponce de La Roche, senhor do Franco-Condado, pai de Oto de La Roche, um dos principais chefes do exército borgonhês na Cruzada de 1204. Essa mortalha, que tem todos os indícios de ser o nosso atual Santo Sudário, continuaria a ser venerada na Catedral de Santo Estêvão até 1349. Notemos de passagem que Vignon emitiu dúvidas, em seu livro de 1938, sobre a estada em Besançon, mas, apesar disso, continua a ser muito provável a referida estada.

No citado ano de 1349, um incêndio devastou a Catedral, e o Santo Sudário desapareceu uma segunda vez, só seu relicário é que foi reencontrado. Fora roubado, e este fato explica provavelmente a falsa posição e as aventuras que geram ainda preconceitos no espírito de certos historiadores, cada vez mais raros, que se recusam a encarar o valor intrínseco do documento e de lhe examinar as imagens, sob o pretexto a priori de que isto não pode ser senão uma falsidade. Seria o mesmo que recusar estudar a lua, porque não lhe veremos jamais senão a metade!

A Mortalha reapareceu oito anos mais tarde, em 1357, como propriedade do conde Godofredo de Charny, que a recebeu como presente do rei Felipe VI. Este a teria recebido do ladrão, que se supões ter sido um tal Vergy. Charny colocou-a na Colegiada de Lirey (Diocese de Troyes), fundada por ele mesmo alguns anos antes. Ora, mais ou menos na mesma época reaparece, em Besançon, uma outra mortalha da qual temos numerosas cópias, e que era evidentemente uma incompleta e má reprodução em pintura da de Lirey. Foi o que demonstraram, sem dificuldade, os enviados da Comissão de Segurança Pública, que a destruíram, de acordo com o clero da Catedral, em 1794.

A Mortalha de Lirey não deixou por isso de ser alvo das hostilidades dos bispos de Troyes: de início, Henrique de Poitiers; trinta anos mais tarde, Pedro d’Arcy, que se opuseram à sua exposição pelos cônegos de Lirey. Lamentavam-se de que os fiéis abandonavam as relíquias de Troyes, para correr em massa a Lirey. Os Charnys cedo retomaram a relíquia, guardando-a por trinta anos.

Em 1389 expuseram sua causa ao legado do novo papa de Avignon, Clemente VII, que acabava de iniciar o grande cisma do Ocidente, depois ao próprio antipapa em pessoa. Ambos autorizaram a exposição, não obstante a proibição do bispo Pedro d’Arcy. Depois, em face das reclamações deste, Clemente VII acabou por decidir, tentando um arranjo com ambas as partes, que por um lado o bispo não poderia mais se opor às exposições, mas, por outro, declarar-se-ia em cada exposição tratar-se de uma pintura representando o verdadeiro Sudário de Nosso Senhor.

Pedro d’Arcy, em suas memórias, apresenta a Clemente graves acusações eivadas de rancor contra os cônegos de Lirey, a respeito de simonia por parte destes. Acrescenta, como se fosse verdade, que seu predecessor teria feito uma pesquisa e recebido a confissão do pintor, autor da Mortalha.

Não se encontrou jamais vestígio algum dessa investigação nem das declarações do pintor. Se algum pintor houve, parece muito provável ter sido o que copiou o Sudário de Lirey para fazer o de Besançon. Na realidade, todas as decisões não foram motivadas senão por questões de interesse particular e pelo argumento do silêncio dos Evangelhos sobre a existência das impressões. Parece que o sudário nunca foi examinado diretamente, sem parcialidade, pois se teria então visto como se vê hoje, que não tem ele o menor sinal de pintura. Mas o pseudopapa Clemente VII nunca se mostrou preocupado com isto.

É muito difícil resumir disputas um tanto sórdidas. Mas bem parece poder concluir-se que o pobre Sudário não tinha senão um defeito, o de não possuir “autênticas”. No entanto, como possuí-las, se sua presença em Lirey era o resultado de duplo furto, sendo que o segundo comprometia o próprio rei da França como acoutador de furtos? Foi precisamente a falta de carteira de identidade que, em toda a parte, ocasionou dificuldades ao último proprietário, Margarida de Charny, quando o levou para Chimay, na Bélgica. Deste modo, após numerosas peregrinações, em 1452, ela o haveria de doar a Ana de Lusignan, esposa do dique de Saboia.

Foi assim que chegou a Chambéry e tornou-se o que é ainda hoje, propriedade da casa de Saboia, até há pouco reinante na Itália. Queira Deus que chegue um dia a seu porto de destino natural, às mãos do Sumo Pontífice, sucessor de São Pedro e Vigário de Jesus Cristo, o único homem no mundo que tem verdadeiros direitos sobre esta relíquia!

A história do Santo Sudário torna-se daí para cá bastante conhecida. O duque de Saboia mandou-lhe construir uma “Santa Capela” em Chambéry. Sucedem-se as exposições e fazem-no ferver no óleo e lavaram-no com sabão, várias vezes, sem poder apagar suas impressões. Ideia assombrosa, se é que a crônica é verídica, mas que supões uma decidida e fera vontade de certeza.

Como se os homens não bastassem, irrompeu um incêndio na Santa Capela, em 1532, que por pouco não destruiu a relíquia. Uma gota de prata derretida queimou um canto do tecido, dobrado em seu relicário, causando-lhe assim duas séries de abrasamentos que encontramos a intervalos regulares. Felizmente os buracos ficaram dos lados da impressão central. A água empregada para extinguir o incêndio deixou largos círculos simétricos em toda a extensão do Sudário. Foi este o segundo incêndio depois do segundo furto.

Pelo menos um feliz resultado obteve-se daí: a devassa canônica para estabelecer a autenticidade do Sudário danificado, e sua reparação pelas Clarissas de Chambéry, que foi acompanhada de processo-verbal descritivo e minucioso, feito por essas virtuosas moças.

O Sudário ainda peregrinou bastante, seguindo as vicissitudes políticas de seu proprietário, chegando, finalmente, em 1578, a Turim, onde São Carlos Borromeu o venerou. Emitira o voto de ir a Chambéry, mas o duque de Saboia poupou-lhe a travessia dos Alpes, de modo que só teve de ir a pé de Milão a Turim.

Foi, depois, colocado na Santa Capela, anexada à catedral de São João, na mesma cidade de Turim, onde muito raramente é exposta, dependendo isto de permissão especial da Casa de Saboia, que não é nada pródiga. As últimas foram em 1898 (primeira fotografia), 1931 e 1933. Esta última foi obtida em razão do centenário tradicional da morte de Jesus (mas provavelmente inexato).

Trecho extraído do livro “A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião”, de Dr. Pierre Barbet

BARBET, P.A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião. Trad. Pe. José Alberto de Castro Pinto.12ª edição. Ed. Loyola e Ed.Cléofas, São Paulo,2014.

A Prática da Humildade

humildade-1É uma verdade indiscutível que não haverá misericórdia para os soberbos, que para eles permanecerão fechadas as portas dos céus e que o Senhor só as abrirá aos humildes.

Para convencer-se, basta abrir as Sagradas Escrituras, que continuamente ensinam-nos que Deus resiste aos orgulhosos, que é preciso fazer-se semelhantes aos pequeninos para entrar na sua glória, que quem a eles não se assemelha será excluído e, por fim, que Deus só outorga a sua graça aos humildes.

Não poderemos nunca convencer-nos adequadamente de grande importância que tem, para todo cristão e principalmente para todos os que seguem a carreira eclesiástica, o cuidado de praticar a Humildade e eliminar do seu espírito toda presunção, toda vaidade e todo orgulho. Nenhum esforço ou fadiga será demasiado para obter o fim desejado numa empresa tão santa, e, como este fim não pode ser obtido sem a graça de Deus, devemos pedi-la instante e frequentemente. Todo cristão contraiu, no batismo, a obrigação de seguir Jesus Cristo, e é Ele o modelo segundo o qual devemos todos regular a nossa vida.

Todo cristão contraiu no batismo a obrigação de seguir os passos de Jesus Cristo, que é o modelo a que devemos conformar a nossa vida. Ora bem, este Deus Salvador praticou a Humildade a ponto de se fazer o opróbrio dos homens, para humilhar a nossa altivez e curar a chaga do nosso orgulho, ensinando-nos com o seu exemplo o caminho único que conduz ao céu. Para falar com propriedade, esta é a mais importante lição do Salvador: “Aprendei de mim!”

Se desejas, pois, ó discípulo do divino Mestre, adquirir esta pérola preciosa, que é o mais seguro penhor de santidade e o mais certo sinal de predestinação, recebe com docilidade e executa fielmente os seguintes conselhos:

I

Abre os olhos de tua alma, e pensa que nada tens para te mover a alguma estima de ti. De teu, só tens o pecado, a debilidade, a fraqueza; e quanto aos dons da natureza e da graça que estão em ti, assim como os recebeste de Deus, que é o princípio de todo ser, assim só a Ele deves dar glória.

II

Concebe por isso um profundo sentimento do teu nada, e faze-o crescer constantemente em teu coração, apesar do orgulho que domina em ti. Intimamente, persuade-te de que não há no mundo coisa mais vã e ridícula que o desejo de ser estimado por alguns dotes da gratuita liberalidade do Criador, pois, como diz o Apóstolo, se os recebeste, por que te glorias como se fossem teus, e não os tivesses recebido? (1 Cor 4,7).

III

Pensa frequentemente na tua fraqueza, na tua cegueira, na tua vileza, na tua dureza decoração, na tua inconstância, na tua sensualidade, na tua insensibilidade para com Deus, no teu apego às criaturas e em tantas outras viciosas inclinações que nascem da tua natureza corrompida. Sirva-te isto de grande motivo para te abismares continuamente no teu nada, e seres aos teus olhos o menor e o mais vil de todos.

IV

A memória dos pecados da tua vida passada esteja sempre impressa no teu espírito. Nenhuma outra coisa reputes tão abominável como o pecado da soberba, o qual, posto em comparação, vence qualquer outro, tanto sobre a terra como no inferno: este foi o pecado que fez prevaricar os anjos no céu e os precipitou nos abismos; este foi o que corrompeu todo o gênero humano, e que fez cair sobre a terra aquela infinita multidão de males, que durarão enquanto durar o mundo, ou, melhor dizendo, durarão toda a eternidade.

Ademais, uma alma maculada pelo pecado só é digna de ódio, de desprezo e de suplícios; vê, portanto, qual estima podes fazer de ti mesmo, depois de tantos pecados dos quais te tornaste culpado.

V

Considera também que n ao há delito, por enorme e detestável que seja, ao qual não se incline a tua natureza corrompida, e do qual não possas fazer-te réu; e que só pela misericórdia de Deus e pelo socorro das suas divinas graças foste dele livre até hoje, segundo aquela sentença de Santo Agostinho: “Não haveria pecado no mundo que o homem não cometesse, se a mão que fez o homem deixasse de sustentá-lo” (Arl. C. 15);

Chora eternamente esse deplorável estado, e toma a firme resolução de te incluíres entre os mais indignos pecadores.

VI

Pensa frequentemente que cedo ou tarde deves morrer, e que o teu corpo deverá apodrecer numa fossa; tem sempre diante dos olhos o inexorável tribunal de Jesus Cristo, onde todos necessariamente devem comparecer; medita nas eternas penas do inferno preparadas para os maus, e principalmente para os imitadores de Satanás, que são os soberbos. Considera sinceramente que, por esse véu impenetrável que esconde aos olhos mortais os juízos divinos, estás na incerteza de pertencer ou não ao número dos réprobos, que eternamente, em companhia dos demônios, serão arrojados naquele lugar de tormentos, para serem vítimas eternas de um fogo aceso pela ira divina. Esta incerteza deve bastar por si só, para conservar-te numa extrema humildade, e para inspirar-te o mais salutar temor.

VII

Não te iludas pensando que poderás conseguir a Humildade sem aquelas práticas que a ela estão ligadas, como os atos de mansidão, de paciência, de obediência, de ódio contra ti, de renúncia ao teu sentimento e às tuas opiniões, de arrependimento de teus pecados e outros atos semelhantes, porque somente estas armas poderão vencer em ti o reino do amor-próprio, aquele abominável terreno onde brotam todos os vícios, onde se aninham e crescem desmedidamente o teu orgulho e a tua presunção.

VIII

Tanto quanto possível, observa o silêncio e o recolhimento, desde que isso não cause prejuízo a outrem, e, quando fores obrigado a falar, fala sempre com gravidade, com modéstia e simplicidade. E se por acaso não fores ouvido, seja por desprezo ou por qualquer outra causa, não te mostres ressentido, mas aceita essa humilhação, e sofre-a com resignação e tranquilidade.

IX

Com todo cuidado e atenção, evita proferir palavras atrevidas, orgulhosas, e que indiquem pretensão de superioridade, como também qualquer frase estudada e toda a sorte de gracejos frívolos; cala sempre tudo aquilo que puder fazer com que te considerem uma pessoa de espírito e digna da estima dos outros. Em uma palavra, nunca fales de ti sem justo motivo, e nada digas que possa granjear-te honra e louvor.

  X

Cuida-te de não mortificar e ferir a outrem com palavras e sarcasmos; foge, numa palavra, de tudo o que lembra o espírito mundano. Fala pouco das coisas espirituais, e não o faças em tom magistral e à maneira de repreensão, a não ser que a isso sejas obrigado por teu cargo ou pela caridade: contenta-te com interrogar os que delas entendem e que sabes que te podem dar conselhos oportunos; porque o querer fazer-se de mestre sem necessidade é acrescentar lenha ao fogo da nossa alma, que se consome em fumaça de soberba.

Trecho extraído do livro “ A Prática da Humildade”, de Gioacchino Pecci (Leão XIII)

PECCI, G. (LEÃO XIII). A Prática da Humildade.Ed. Cultor de Livros, São Paulo, 2012.

A voz de Deus

Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém do Pará, reflete sobre o discernimento cotidiano

Por Dom Alberto Taveira Corrêa

BELéM DO PARá, 09 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Há muitas expressões na Sagrada Escritura que indicam o Senhor que fala ao seu povo, e manifestam a força de sua palavra que cria, repreende, educa, acompanha. Desde a forte palavra criadora do livro do Gênesis, passando pela intimidade com os patriarcas e profetas, que “emprestavam” a boca para Deus falar. De Moisés se diz que tinha uma grande amizade com Deus e o Senhor se entretinha com ele face a face. Deus fala!

“Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. Ele é o resplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com a sua palavra poderosa. Tendo feito a purificação dos pecados, sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas, elevado tão acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o deles” (Hb 1, 1-4).

“Por estas palavras, a carta aos Hebreus dá a entender que Deus emudeceu, por assim dizer, e nada mais tem a falar, pois o que antes dizia em parte aos profetas, agora nos revelou no todo, dando-nos o Tudo, que é o seu Filho. Se agora, portanto, alguém quisesse interrogar a Deus, ou pedir-lhe alguma visão ou revelação, faria injúria a Deus não pondo os olhos totalmente em Cristo, sem querer outra coisa ou novidade alguma. Deus poderia responder-lhe deste modo: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o! (Mt 17,5). Já te disse todas as coisas em minha Palavra. Põe os olhos unicamente nele, pois nele tudo disse e revelei, e encontrarás ainda mais do que pedes e desejas”(Tratado “A subida do Monte Carmelo”, de São João da Cruz, presbítero, Lib. 2, cap. 22).

A Igreja tem clara a convicção de que tudo o que é estritamente necessário já foi dito por Deus e encontra o fundamento de sua ação na Escritura Sagrada. Sabe também a Igreja que lhe foi dada a graça do discernimento, pela qual o sadio desdobramento daquilo que foi revelado é expresso nos ensinamentos que são oferecidos pelo longo e seguro exercício do magistério que acompanha a tradição viva, na qual existe a certeza da ação do Espírito Santo, que a acompanha e preserva do erro.

E Deus se calou? Temos a certeza de que continua a dizer sua Palavra, que ele inspira o bem, suscita a pregação corajosa do Evangelho, sustenta o testemunho dos cristãos. Sabemos que todas as chamadas revelações particulares são objeto de discernimento cuidadoso, pois são reconhecidas como estímulo à vivência do que se expressou na Sagrada Escritura, para que as pessoas não corram de um lado para outro em busca de novidades e pretensos anúncios, especialmente quando estes apontam para datas ou eventos extraordinários.

O que falta é o discernimento cotidiano e dedicado do que Deus nos fala através dos acontecimentos e de uma quantidade imensa de fatos simples e aparentemente corriqueiros. Deus nos fala através do próximo que grita pela nossa ajuda e pelo serviço de amor, dizendo que tudo o que fazemos ao menor dos irmãos é feito a Jesus. Deus nos fala pela última notícia de violência, que nos assusta e escandaliza, a dizer-nos que nos foi oferecido o caminho para a paz, através dos mandamentos e a prática da fraternidade. Deus nos fala pela Igreja que se reúne e proclama a cada dia a Palavra Sagrada, fonte de vida e santidade. Deus nos fala pelo testemunho corajoso de pessoas que vivem o Evangelho, arrastando com seu exemplo gente que vivia na lama do pecado. Deus nos fala através de seus enviados, e basta pensar na lucidez com que o Papa Francisco tem oferecido à Igreja e o mundo as propostas de vivência do Evangelho e amor ao próximo. Não faltam palavras vindas da boca de Deus. O que pode faltar são ouvidos atentos.

A Igreja celebra neste final de semana o Batismo de Jesus, quando o Senhor vai ao Rio Jordão, onde João Batista pregava a penitência e a conversão, justamente na preparação da plena manifestação do Messias esperado. Diante de um João Batista surpreso, que diz “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim” (Mt 3,13-17), Jesus entra na fila dos pecadores, ele que é o Cordeiro sem mancha que tira o pecado do mundo! E ali, no gesto de imensa humildade de Jesus, acontece a revelação da intimidade de Deus Trindade. O Filho nas águas, o Espírito em forma de uma pomba e a voz do Pai: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.

O Senhor Jesus confiou uma missão à Igreja, de ir pelo mundo inteiro e anunciar a Boa-Nova. “Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado” (Mc 16,16). Prometeu inclusive “sinais que acompanharão aqueles que crerem: expulsarão demônios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes e beberem veneno mortal, não lhes fará mal algum; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados” (Mc 16,17-18). O mesmo Senhor Jesus, que falou com seus discípulos, “foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus” (Mc 16,19).

Como os primeiros discípulos, está agora em nossas mãos o anúncio da Boa-Nova. Pedimos a Deus que se multipliquem os operários para a sua messe, vindos de todas os cantos, dispostos a transformar sua vida e sua palavra em testemunho corajoso do Senhor, diante de um mundo que anseia pela palavra de Deus. De fato, a sede e fome da voz de Deus está presente, mesmo quando as pessoas não sabem dar nome ao grito que brota de dentro de si, no cumprimento da palavra profética: “Dias hão de vir, quando hei de mandar à terra uma fome, que não será fome de pão nem sede de água, e sim de ouvir a Palavra do Senhor” (Am 8,11).

(Fonte: Agência Zenit)

Os efeitos do batismo

Redação (Quarta-feira, 08-01-2014, Gaudium Press– Um gesto simples, uma matéria comum, e apenas algumas palavras fáceis de memorizar produzem, em união com a Igreja, os mais maravilhosos efeitos no plano sobrenatural. Abaixo transcrevemos considerações sobre os efeitos do Sacramento do Batismo.

José Afonso Sulzbach de Aguiar

Havia cerca de quatro séculos que nenhum profeta fazia ouvir sua voz em Israel quando, no 15º ano do reinado de Tibério César, aproximando-se os dias anunciados por Daniel em relação à vinda do Messias, um súbito alvoroço percorreu Jerusalém e toda a Judeia. Nas margens sagradas do Jordão – o legendário rio, palco de deslumbrantes milagres e grandiosas cenas – aparecera um varão penitente, um enviado de Deus no espírito de Elias. João Batista era seu nome.

Pregação de João e Batismo de Jesus

Modelo de anacoreta até o momento de cumprir sua missão, o filho de Zacarias e Isabel abandonou a longa, austera e mística solidão em que vivera e desceu até o vale do Jordão, para onde convergiam de todos os lados caravanas, a fim de aí pregar palavras de um religioso temor: “Fazei penitência porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 3, 2).

Multidões de israelitas afluíam para ouvi-lo e receber o seu batismo, símbolo da purificação do coração necessária para merecer o Reino dos Céus. O batismo de João – que era de preparação, de penitência, não ainda o Sacramento – produzia um afervoramento espiritual como nunca se vira antes em Israel. “Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão” (Mt 3, 5-6).

O Batismo de Cristo e o Batismo de JoãoEnquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde encontrou alguns discípulos e indagou deles: “Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?”.

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Responderam-lhe: “Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!”. “Então em que batismo fostes batizados?” – perguntou Paulo.

Disseram: “No batismo de João”. Paulo então replicou: “João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse nAquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus”.

Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam.

Eram ao todo uns doze homens. Paulo entrou na sinagoga e falou com desassombro por três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus (At 19, 1-8).

E o arauto do Altíssimo apresentava- se sempre como mero precursor, dizendo sem cessar: “Eu vos dou um batismo de água, para que façais penitência. Mas, Aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu; eu não sou digno de desatar a correia de Suas sandálias; Ele vos batizará no fogo e no Espírito Santo” (Mt 3, 11).

Seis meses havia que o santo Precursor preparava os filhos de Israel para o encontro com o Messias, quando foi Jesus ao Jordão “a fim de ser batizado por ele” (Mt 3, 13). Ao notar a presença do Inocente no meio da multidão, João inclinou-se e Lhe disse: “Eu devo ser batizado por Ti e Tu vens a mim!” (Mt 3, 14). Jesus respondeu-lhe: “Deixa por agora, pois convém que cumpramos toda a justiça”. E João, obediente, O batizou (cf. Mt 3, 13-15).1

Quando Jesus saiu da água, o Céu se abriu e o Espírito Santo pairou sobre Ele na forma de uma pomba. “E ouviu-se dos Céus uma voz: Tu és o Meu Filho muito amado; em Ti ponho as Minhas complacências” (Mc 1, 11). Grandiosa manifestação divina com a qual o Pai, o Filho e o Espírito Santo, unidos na obra da Redenção proclamavam a instituição do Sacramento mais necessário para a nossa Salvação.2

Os Sacramentos, o que são?

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, “os Sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis, sob os quais eles são celebrados, significam e realizam as graças próprias de cada Sacramento. Produzem fruto naqueles que os recebem com as disposições exigidas”.3

No mesmo sentido – embora de forma mais sintética – se expressa o conhecido teólogo padre Antonio Royo Marín, OP, que afirma serem os Sacramentos “sinais sensíveis instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, para significar e produzir a graça santificante naquele que os recebe dignamente”.

Acompanhemos o douto dominicano na explicação dos termos desta breve e precisa definição.

Os Sacramentos são, em primeiro lugar, sinais. – Ou seja, remetem a algo diferente de si mesmos, como a balança simboliza a justiça, ou a bandeira representa a Pátria.

São sinais sensíveis. – Podem, portanto, ser percebidos pelos sentidos corporais. E o que acontece, por exemplo, com a água no Batismo, o pão e o vinho na Eucaristia, ou o óleo na Crisma e na Unção dos Enfermos.

Foram instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo. – De acordo com São Tomás, “institui algo quem lhe dá vigor e força”. 5 Assim sendo, somente Nosso Senhor pode ser causa dos Sacramentos, e não a Igreja, “pois a graça santificante brota, como de seu manancial único, do Coração transpassado de Cristo”.6 Segue-se também daí que, como ensina São Pio X, não cabe à Igreja, “inovar nada acerca da substância mesma dos Sacramentos”.7

Para significar e produzir a graça santificante. – A água do Batismo, por exemplo, lava o corpo do batizado para representar a purificação de sua alma, que fica limpa de todo pecado. E a Eucaristia, nos é dada sob a forma de alimento corporal, para simbolizar o alimento espiritual que a alma recebe pela presença real de Cristo em corpo, sangue, alma e divindade.

Naquele que os recebe dignamente. – Para que os Sacramentos produzam a graça santificante é necessário que quem os recebe não oponha a eles nenhum obstáculo ou empecilho voluntário. Daí que seja requerido possuir o estado de graça para receber a Confirmação, Eucaristia, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio. E estar arrependido, ao menos com atrição sobrenatural,8 para receber a absolvição no Sacramento da Penitência, ou o Batismo quando se trata de pessoa em idade de uso da razão.

Cabe notar, por fim, que os Sacramentos têm um caráter universal; Jesus Cristo não os instituiu unicamente para alguns escolhidos, mas adotisim para proveito de todos os homens.

Vida natural e vida sobrenatural

Levando mais longe a analogia entre o plano simbólico e o plano da graça, São Tomás de Aquino estabelece na Suma Teológica um interessante paralelo entre a vida natural e a vida sobrenatural produzida pelos Sacramentos.9

Enquanto, na vida natural, o homem é gerado, cresce e se alimenta; na vida sobrenatural, a alma nasce pelo Batismo, atinge a estatura e a força perfeitas pela Confirmação e nutre-se pela Eucaristia. E “como o homem incorre às vezes em enfermidade corporal ou espiritual, sendo esta o pecado, é necessário que seja curado da doença”.10 É esta a função da Penitência (Reconciliação), que restabelece a saúde, e da Unção dos Enfermos, que limpa a alma dos vestígios e sequelas deixados em sua alma pelo pecado.

A esses cinco Sacramentos unem-se o do Matrimônio e o da Ordem – sendo este último análogo ao poder que recebe um homem para “reger a multidão” e exercer funções públicas – completando assim o número de sete.

“A partir daí – conclui o Doutor Angélico – fica clara a questão do número dos Sacramentos, também enquanto visa à rebelião do pecado, pois o Batismo se dirige contra a falta de vida espiritual; a Confirmação, contra a fraqueza de alma que se encontra nos recém-nascidos; a Eucaristia, contra a fragilidade da alma diante do pecado; a Penitência, contra o pecado atual cometido depois do Batismo; a Unção dos Enfermos, contra as sequelas do pecado não suficientemente tiradas pela Penitência, ou provenientes da negligência ou da ignorância; a Ordem, contra a desorganização da multidão; o Matrimônio, contra a concupiscência pessoal e contra o desaparecimento da humanidade que acontece pela morte”.11

“Nada permanece, portanto, à margem da influência benfazeja dos Sacramentos”, observa o padre Antonio Royo Marín.”Por meio deles a vida humana toda é santificada e o homem encontra-se provido com divina abundância de tudo quanto necessita para assegurar sua salvação eterna”.12

O único Sacramento indispensável para a salvação

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Água e Sangue do costado de CristoÉ evidente que Cristo nos libertou dos
pecados, sobretudo por sua Paixão, não
só devido à eficácia e méritos da mesma,
mas também a seu valor expiatório. Do
mesmo modo, também por sua Paixão
iniciou o sistema ritual da Religião cristã,
oferecendo-Se a Si mesmo a Deus como
‘oblação e vítima’, como está na Carta aos
Efésios. É, pois, evidente que a força dos
Sacramentos da Igreja provém especialmente
da Paixão de Cristo; a recepção dos
Sacramentos, por sua vez, como que nos
põe em comunicação com a força da Paixão
de Cristo. Como sinal dessa conexão, do
lado de Cristo pendente na Cruz fluíram
água e sangue: a água se refere ao
Batismo, o sangue  à Eucaristia, que
são os principais Sacramentos
(AQUINO, São Tomás de. Suma
Teológica, III, q. 62, a. 5, resp.)

Na tradicional relação estabelecida por São Tomás, o Batismo, novo nascimento espiritual, é o primeiro dos sete Sacramentos.13 Mas ele o é também do ponto de vista da necessidade, pois é o único Sacramento indispensável para cada um de nós, individualmente, alcançarmos a Bemaventurança eterna.14

Assim o afirma com toda precisão o próprio São Tomás: “É pois, claro, que todos são obrigados ao Batismo e que, sem ele, não pode haver salvação para os homens”.15 E mais bela e claramente ainda o próprio Nosso Senhor: “Se alguém não renasce na água e no Espírito Santo, não pode entrar no Reino dos Céus” (Jo 3, 5).16

Ora, “convém à misericórdia de quem ‘quer que todos os homens se salvem’, que permita encontrar-se facilmente o remédio para a salvação”.17 Daí que a matéria do Batismo seja uma matéria comum, a água, que qualquer um pode obter. E daí também que o ministro do Batismo, em circunstâncias excepcionais, possa ser qualquer pessoa, mesmo um não ordenado, homem ou mulher, e até mesmo um herege ou um pagão.18 Para o Sacramento ser válido, a Igreja só exige que seja utilizada a matéria do Sacramento, observada a forma e aplicada a intenção de fazer o que Ela própria faz, abstraindo de qualquer heresia ou infidelidade.

Batismo e Pecado Original

Convêm, por fim, não esquecer que a necessidade este Sacramento, conforme explica Besson, “é consequência dos efeitos do Pecado Original e das restituições prometidas pelo Homem-Deus”.19

Cada um de nós pecou em Adão, e a morte entrou em nossa alma com o pecado; do mesmo modo, cada um de nós foi salvo no novo Adão, e para que a vida dEle entre na nossa alma é preciso que recebamos a graça do Batismo. “Sob as águas do Batismo, a mancha primitiva é apagada da fronte da humanidade; e com o título de filho batizado e regenerado, o homem decaído recupera seus direitos e sua herança celestial. Esta necessidade abrange todos os homens”.20

Por isso, pouco tempo após seu nascimento, a criança é levada às fontes batismais por um padrinho que responde por sua Fé, e curva sob a água santa sua fronte ainda marcada com o pecado original.21 Consumado o rito, a criança ergue-se livre, inocente e imaculada, com o indelével sinete da ordem sobrenatural. Era escrava, e seus grilhões foram quebrados; estava morta, e foi ressuscitada.

Dois principais efeitos

Quais são os principais efeitos desse Sacramento?

Em seu já mencionado livro Somos hijos de Dios, o padre Royo Marín enumera sete, com a precisão própria do teólogo. O Catecismo da Igreja Católica, sob uma focalização mais pastoral, afirma serem principalmente dois: a purificação dos pecados e o novo nascimento no Espírito Santo.22

Pouco há a afirmar em relação ao primeiro deles, senão que a purificação é tão completa que “todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas do pecado”.23

Mas além de assim limpar a alma, este Sacramento “faz do neófito uma criatura nova, um filho adovo de Deus que se tornou participante da natureza divina, membro de Cristo e co-herdeiro com Ele, templo do Espírito Santo”.24

Com efeito, o Batismo nos torna membros do Corpo de Cristo e nos incorpora à Igreja. Através dele, a vida de Jesus Cristo circula em todo o Corpo, levando Sua graça capital a todos os membros e permitindo-lhes alcançar a graça e as virtudes: “Da cabeça que é Cristo deriva sobre Seus membros a plenitude da graça e da virtude, conforme o Evangelho de João: ‘De Sua plenitude todos nós recebemos’ (Jo 1, 16)”.25

Assim, na ordem da satisfação, da redenção, do mérito, da oração, do sacerdócio: tudo se tornou comum entre Jesus Cristo e nós, porquanto a Igreja inteira, Corpo Místico de Jesus Cristo, pode ser considerada como uma só pessoa com Ele, conforme ensina São Tomás de Aquino.26

A Paixão de Cristo é comunicada ao neófito

As consequências desta doutrina têm um alcance maior do que se pensa, a ponto de São Paulo afirmar que pelo Batismo, o crente comunga na morte de Cristo, é sepultado e ressuscita com Ele.27 Sobre isto, comenta São Tomás: “Pelo Batismo somos incorporados na Paixão e Morte de Cristo. Diz Paulo: ‘Se estamos mortos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele’.

Sete maravilhosos efeitos do Batismo

O Sacramento do Batismo produz, naquele que o recebe, uma série de divinas maravilhas. Eis as principais:

1) Infunde a graça santificante, com o matiz especial de graça regenerativa, que é a própria do batizado, tornando- o capaz para a recepção dos demais Sacramentos.batismo.jpg

2) Converte o batizado em templo vivo da Santíssima Trindade, pela divina inabitação em todas as almas em estado de graça.

3) Infunde o germe de todas as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo.

4) Torna-o membro vivo de Jesus Cristo, como ramo da divina Videira (Jo 15, 5).

5) Imprime o caráter batismal, o qual o torna membro vivo do Corpo Místico de Jesus Cristo, que é a Igreja, e lhe dá uma participação real e verdadeira (embora incompleta) no sacerdócio de Jesus Cristo. Esta participação sacerdotal se aperfeiçoa com o caráter do Sacramento da Confirmação e se completa com o caráter do Sacramento da Ordem.

6) Apaga totalmente da alma o pecado original e todos os pecados atuais, antes cometidos; esses pecados não são apenas cobertos, mas apagados de fato, e de forma definitiva. Assim o definiu expressamente o Concílio de Trento (D n. 792).

7) Perdoa toda a pena devida pelos pecados, tanto a temporal como a eterna. De modo que se um pecador recebe o Batismo no momento da morte, entra imediatamente no Céu, sem passar pelo Purgatório. Foi o que ensinou o Concílio de Florença (D n. 696) e o de Trento definiu (D n. 792). (ROYO MARÍN, OP, Pe. Antonio. Somos hijos de Dios. Madrid: BAC, 1977, p. 69-70)

Demonstra-se assim que a todo batizado a Paixão de Cristo é comunicada para servir de remédio, como se ele próprio tivesse sofrido e morrido. Ora, a Paixão de Cristo é satisfação suficiente para todos os pecados de todos os homens. Por isso, quem é batizado, é liberto do reato de toda pena devida por seus pecados, como se ele próprio tivesse oferecido uma satisfação suficiente por todos os seus pecados”.28

Somos filhos de Deus

Mas talvez o mais tocante e assombroso efeito do Batismo seja produzir a filiação divina.

Deus tem apenas um filho segundo a Sua natureza, que é o Verbo Encarnado. Só a Ele o Pai transfere eternamente a natureza divina em toda a sua infinita plenitude. Porém, a graça santificante – que é um dos efeitos do Batismo – confere aos neófitos uma participação real e verdadeira nessa filiação “por uma adoção intrínseca, a qual põe em nossa alma, física e formalmente, uma realidade absolutamente divina, que faz circular o próprio sangue de Deus nas veias de nossa alma. Graças a este enxerto divino, a alma se faz participante da mesma vida de Deus. Trata-se de uma verdadeira geração espiritual, um nascimento sobrenatural que imita a geração natural e recorda, por analogia, a geração eterna do Verbo de Deus”.29

Em uma palavra, a graça santificante, para a qual o Batismo nos abre as portas, não nos dá apenas o direito de nos chamarmos filhos de Deus, senão que nos faz tais em realidade. “Inefável maravilha – conclui o padre Royo Marín – que pareceria inacreditável se não constasse expressamente na divina Revelação”.30 Poderia Deus ter feito mais algo por
nós? 4

Por José Afonso Sulzbach de Aguiar

(In Revista Arautos do Evangelho, Jul/2009, n. 91, p. 22 à 27)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54614#ixzz2ptcxtKZX )

Testemunho Jovem sacerdote falecido comove as redes sociais com carta dirigida ao Papa

Pe. Fabrizio do Michino +

ROMA, 08 Jan. 14 / 12:10 pm (ACI/EWTN Noticias).- Um jovem sacerdote tem comovido ultimamente as redes sociais com a carta que dirigiu ao Papa Francisco antes de morrer no dia 1 de janeiro, solenidade de Maria Mãe de Deus, devido a um tumor que fez metástase no fígado e no baço. Quem o conhece afirma que o presbítero sempre enfrentou com alegria o sofrimento e que sempre os oferecia pela Igreja e o Santo Padre.

Segundo informa a página Aleteia, um site de notícias e conteúdo católico ligado ao Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, o Padre Fabrizio de Michino nasceu em Nápoles no dia 8 de setembro de 1982. Quase três mil pessoas se reuniram na cidade de Ponticelli para despedi-lo na Basílica de Nossa Senhora das Neves, onde era vigário paroquial aos seus 31 anos.

O sacerdote faleceu em sua casa aonde sempre foi visto com “um sorriso e uma palavra de consolo para os parentes e amigos que estiveram ao seu lado até o último suspiro”.

A seguir a carta do falecido sacerdote publicada em português por Aleteia:

Santo Padre,

nas orações diárias que dirijo a Deus, não deixo de rezar pelo senhor e pelo ministério que Deus lhe confiou, para que Ele possa lhe dar forças e alegria para continuar anunciando a boa nova do Evangelho.

Eu me chamo Fabrizio De Michino e sou um jovem padre da diocese de Nápoles. Tenho 31 anos e há cinco sou sacerdote. Desempenho meu serviço no Seminário Arcebispal de Nápoles como professor de um grupo de diáconos, e em uma paróquia em Ponticelli, que se encontra na periferia de Nápoles. A paróquia, recordando o milagre registrado na colina Esquilino, recebe o nome de Nossa Senhora das Neves.

Ponticelli é um bairro degradado por sua pobreza e alta criminalidade, mas a cada dia descubro verdadeiramente a beleza de ver o que o Senhor realiza nestas pessoas que confiam em Deus e na Virgem.

Também eu, desde que estou nesta paróquia, pude ampliar cada vez mais meu amor pela Mãe Celeste, experimentando também nas dificuldades a sua proximidade e proteção. Infelizmente, há três anos eu luto contra uma doença rara: um tumor no interior do coração. Há um mês estou com metástase no fígado e no baço. Nesses anos difíceis, no entanto, nunca perdi a alegria de ser anunciador do Evangelho. Também no cansaço eu percebo, verdadeiramente, esta força que não vem de mim, mas de Deus, que me permite desempenhar com simplicidade o meu ministério. Há uma citação bíblica que tem me acompanhado e me enche de confiança na força do Senhor: “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36, 26).

Neste tempo tem sido muito próxima a presença do meu bispo, o cardeal Crescenzio Sepe, que me apoia constantemente, ainda que às vezes me peça para descansar, para que eu não me sobrecarregue.

Agradeço a Deus também por meus familiares e meus amigos sacerdotes que me ajudam e apoiam, sobretudo quando faço as diferentes terapias, compartilhando comigo os momentos de inevitável sofrimento. Também os meus médicos me apoiam muito e fazem o impossível para encontrar os tratamentos adequados para mim.

Santo Padre, estou me alongando muito, mas só quero dizer que ofereço a Deus tudo isso, pelo bem da Igreja e pelo senhor de um modo especial, para que Deus o abençoe sempre e o acompanhe neste ministério de serviço e amor.

Eu lhe rogo que reze por mim: o que peço todos os dias ao Senhor é que seja feita a Sua vontade, sempre e em todas as partes. Não peço a Deus a minha cura, mas a força e a alegria de continuar sendo um verdadeiro testemunho de Seu amor e um sacerdote segundo o Seu coração.

Seguro de suas orações paternas, o saúdo devotamente.

Padre Fabrizio De Michino

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26525)

Eu sou o pão da vida; o que vem a Mim jamais terá fome (Jo 6, 3)

Catecismo da Igreja Católica
§§ 1373-1380 

«Eu sou o pão da vida; o que vem a Mim jamais terá fome» (Jo 6, 3)

«Jesus Cristo, que morreu, que ressuscitou, que está à direita de Deus, que intercede por nós» (Rom 8,34), está presente na sua Igreja de múltiplos modos: na sua Palavra, na oração da sua Igreja, «onde dois ou três estão reunidos em meu nome» (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros (Mt 25,31ss), nos seus sacramentos, dos quais é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas está presente «sobretudo sob as espécies eucarísticas» (Vaticano II SC 7).

O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. […] No santíssimo sacramento da Eucaristia estão «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo» (Concílio de Trento). «Esta presença chama-se “real”, não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem “reais”, mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem» (Papa Paulo VI). […]

O culto da Eucaristia: «A Igreja Católica sempre prestou e continua a prestar este culto de adoração que é devido ao sacramento da Eucaristia, não só durante a missa, mas também fora da sua celebração: conservando com o maior cuidado as hóstias consagradas, apresentando-as aos fiéis para que solenemente as venerem, e levando-as em procissão» (Paulo VI). […] É de suma conveniência que Cristo tenha querido ficar presente à sua Igreja deste modo único. Uma vez que estava para deixar os seus sob forma visível […], quis que tivéssemos o memorial do amor com que nos amou «até ao fim» (Jo 13, 1), até ao dom da própria vida. Com efeito, na sua presença eucarística, Ele fica misteriosamente no meio de nós, como Aquele que nos amou e Se entregou por nós (Ga 2,20) […], sob os sinais que exprimem e comunicam este amor.

A diferença que a missa faz

sacramentos1Ir à missa é ir para o céu, onde “Deus… enxugará toda lágrima” (Ap 21,3-4). Porém, o céu é ainda mais do que isso. O céu é onde nos colocamos sob julgamento, onde nos vemos na clara luz matinal do dia eterno e onde o justo juiz lê nossas obras no livro da vida. Nossas obras nos acompanham quando vamos à missa.

Ir à missa é renovar nossa aliança com Deus, como em uma festa de núpcias – pois a missa é o banquete das núpcias do Cordeiro. Como em um casamento, fazemos votos, comprometemo-nos, assumimos uma nova identidade. Mudamos para sempre.

Ir à missa é receber a plenitude da graça, a própria vida da Trindade. Nenhum poder no céu ou na terra nos dá mais do que recebemos na missa, pois recebemos Deus em nós mesmos.

Jamais devemos subestimar essas realidades. Na missa, Deus nos dá sua própria vida. Isso não é apenas uma metáfora, um símbolo ou uma antecipação. Precisamos ir à missa com os olhos e ouvidos, mente e coração abertos à vontade que está diante de nós, a verdade que se eleva como incenso. A vida de Deus é uma dádiva que precisamos receber apropriadamente e com gratidão. Ele nos dá graça como nos dá fogo e luz. Fogo e luz, mal usados, podem nos queimar ou cegar. De modo semelhante, a graça recebida indignamente sujeita-nos a julgamento e a consequências muito terríveis.

Em toda missa, Deus renova sua aliança com cada um de nós, colocando diante de nós a vida e a morte, a benção e a maldição. Precisamos escolher a bênção para nós e rejeitar a maldição, e precisamos fazer isso desde o início.

A partir do momento em que entra na igreja, você se coloca sob juramento. Ao mergulhar os dedos na água benta, você renova a aliança que eu iniciou com seu Batismo. Talvez você tenha sido batizado quando bebê; seus pais tomaram a decisão por você. Mas agora, com esse simples movimento, você toma a decisão por si mesmo. Toca com a água benta a fronte, o coração, os ombros e os persigna como “nome” com que foi batizado. Relacionada com esse movimento, está sua rejeição a Satanás e a todas as suas pompas e obras.

Ao fazer isso, você comprova, dá testemunho, como o faria no tribunal. No tribunal, a testemunha põe em jogo sua pessoa, sua reputação e seu futuro. Se não disser a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade, sabe que sofrerá sérias consequências.

Também você está sob juramento. Não se esqueça: a palavra latina sacramentum significa, literalmente, “juramento”. Quando faz o sinal-da-cruz, você renova o sacramento do Batismo, desse modo renovando sua obrigação de corresponder aos direitos e deveres da nova aliança. “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todo o teu ser, com todas as tuas forças”; “amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Você jura, de modo especial, dizer a verdade durante esta missa, pois este é o tribunal do céu; aqui, Deus abre o livro da vida; aqui, você ocupa o banco das testemunhas. Muitas e muitas vezes durante a missa você diz “AMÉM”, a palavra aramaica que transmite consentimento e conformidade: Sim! Assim seja! De verdade! “Amém” é mais que resposta; é compromisso pessoal. Quando diz “Amém”, você compromete sua vida, portanto é melhor ser sincero.

Assim, na missa, você não é mero espectador. É participante. É sua a aliança que Jesus em pessoa vai renovar .

Texto retirado de uma bela obra de *Scott Hahn, chamada “O banquete do Cordeiro” na qual ele relata o começo de sua experiência ainda como calvinista quando foi a estudo participar da Santa Missa.

*HAHN, S. O banquete do Cordeiro: a missa segundo um convertido. 11ª edição. São Paulo: Ed. Loyola, 2009.

*Um dos livros de Scott Hahn, um renomado professor de teologia e de Escritura na Universidade Franciscana em Steubenville, nos Estados Unidos, fundador e dirigente do Institute off Applied Biblical Studies, é o “Banquete do Cordeiro”, no qual revela um segredo duradouro da Igreja: a chave dos cristãos para entender os mistérios da missa.

O autor explora o mistério da Eucaristia com os olhos novos e fala da missa como um poderoso dama sobrenatural, no qual o sacrifício real do Cordeiro traz o céu à terra. Hahn era protestante calvinista e quando se pôs a estudar sobre a vida dos primeiros cristãos, se aproximou da Eucaristia.

(http://cleofas.com.br/a-diferenca-que-a-missa-faz/)

A necessidade da oração entre os casais

539047_562483247115443_294332541_nO casal não deve fazer qualquer atividade sem Deus, sem pedir a sua graça.

Para ter a Bênção de Deus sempre, o casal precisa de uma vida de oração. Jesus insistiu na necessidade da oração; pois as dificuldades do casal não são somente de ordem natural, mas também espiritual. Não se iluda, o demônio inimigo de Deus e nosso, detesta a família e o casamento porque são obras de Deus; então, nosso casamento  precisa estar armados com a graça de Deus para vencer suas ciladas e maldades. Mas contra Deus e sua graça ele nada pode. Jesus mandou:

“É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7,7).  Sem oração, nenhum de nós fica de pé espiritualmente e ninguém consegue fazer a vontade de Deus. A razão é muito clara: “Porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Jesus deixou claro: esse “nada” indica que, por nós mesmos, não conseguiremos fazer o bem e, pior ainda, evitar o mal. São Paulo insistiu: “É o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1Cor 12,6).

Quando o Senhor manda: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis” (Mt 7,7), no fundo, Ele deseja que reconheçamos que só Ele é o autor dos nossos bens e que, portanto, devemos só a Ele recorrer.

São Paulo expressou tudo isso em poucas palavras: “Vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de deus em Jesus Cristo” (1 Ts 5,16-18).

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/a-necessidade-da-oracao-entre-os-casais/)

O milagre que mais estremece a ordem do universo

Redação (Sábado, 04-01-2013, Gaudium Press) – Transcrevemos hoje artigo do Padre Rodrigo Alonso Solera Lacayo, EP que foi publicado recentemente:

O que acontece com a substância do pão e do vinho após a Consagração? Onde estão depois de ceder lugar ao Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo? Voltam ao nada?padre_rodrigo_alonso_solera_lacayo.jpg

As perguntas destacadas acima foram feitas certa vez pelo Fundador dos Arautos do Evangelho, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, para incentivar que se escrevesse um artigo nesta revista sobre a transubstanciação. Mas respondê-las, conforme ele o fez naquela ocasião, não é fácil…

Diante dos mistérios sobrenaturais, nossa fé encontra, em geral, pontos de apoio dentro da ordem natural. No caso da Encarnação, por exemplo, a natureza humana de Jesus é uma porta que nos torna mais acessível a fé em sua natureza divina. É por este motivo que São Tomé, ao contemplar Jesus ressuscitado, “viu um homem e pela fé confessou a Deus, quando disse: ‘Meu Senhor e meu Deus'”.1 Contudo, tratando-se da Santíssima Eucaristia, nossa fé não encontra nenhuma referência natural nem palavras capazes de explicar convenientemente o milagre. Neste Sacramento não só a divindade de Cristo está escondida sob os véus de sua humanidade, mas também esta última se oculta sob os véus do pão e do vinho. Portanto, ao considerarmos qualquer aspecto da Eucaristia, devemos reconhecer que estamos, em certo sentido, perante o maior mistério da Fé!

À vista disso, procurar instruir-se mais sobre a transubstanciação não seria pretender explicar o inexplicável, explorar o inexplorável e compreender o incompreensível? Não seria melhor assumir uma atitude de “fé cega” como os Apóstolos, os quais creram na Eucaristia durante a Última Ceia sem entrar em pormenores doutrinários?

Essa foi a opinião de vários hereges. Contra a atitude deles, na aparência razoável, argumenta São Tomás: “Embora o poder divino opere neste Sacramento de uma maneira mais sublime e misteriosa do que pode a razão humana atingir, […] deve-se envidar esforços para que seja excluída qualquer impossibilidade”. 2 Ademais, um estudo piedoso – conforme procuraremos fazer aqui, com a ajuda da graça – pode ser de sumo proveito para nossa vida espiritual, pois ilumina nosso entendimento, inflama nossa caridade e nos arma contra os erros que nos podem desviar a Fé.

I – Pressupostos filosóficos

Não se assuste, caro leitor, se primeiro consideramos alguns princípios tomados da filosofia. Este artigo não transmitirá uma avalanche de conceitos e definições! Só veremos os pressupostos estritamente necessários a partir de exemplos comuns.

A reflexão dos filósofos antigos sobre as mudanças na natureza

Uma das primeiras experiências de nossos sentidos é que neste mundo os seres estão em constante mudança. O próprio Divino Mestre apontou para um exemplo disso ao afirmar com incomparável beleza e simplicidade: “Considerai como crescem os lírios do campo” (Mt 6, 28).

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Basta abrir os olhos para comprovar que essas
duas teorias filosficas constituem,na realidade,
explicações unilaterais da natureza

Alguns dos antigos filósofos, analisando a natureza, concluíram que tudo está submetido a perpétuas alterações, nada permanece igual. Assim sintetizou Heráclito este ponto de vista: “De quem desce ao mesmo rio vêm ao encontro águas sempre novas”.3 Outros, como Parmênides, sustentaram a tese oposta: abandonaram o testemunho dos sentidos para afirmar que as mudanças neste mundo são meras aparências, tudo permanece sempre igual.

Ora, basta abrir os olhos para comprovar que essas duas teorias constituem, na realidade, explicações unilaterais da natureza. A solução equilibrada veio de Aristóteles, segundo o qual em toda transformação algo muda e algo permanece. E compreender o que muda e o que permanece, do ponto de vista filosófico, nos será indispensável para considerar a transubstanciação.

Os dois tipos de conversões no universo material

Ao analisarmos as mudanças nos seres em torno de nós, podemos constatar de que não são todas iguais.

De um lado, as coisas podem mudar sem deixar de ser o que são; por exemplo, uma maçã verde amadurece e continua sendo a mesma maçã. Este tipo de conversão é acidental porque a substância, aquilo que a coisa é (uma maçã) permanece igual; só os acidentes ou formas acidentais, isto é, suas características não essenciais (tamanho, cor, sabor, etc.), sofrem alterações.

De outro lado, há mudanças muitíssimo mais profundas e complexas, como a verificada numa árvore destruída num incêndio. Este segundo tipo de conversão é substancial, pois a árvore deixou de existir. Não obstante, ainda neste caso algo permanece. Com efeito, não é verdade que enquanto a árvore era consumida pelo fogo apareceram fumaça e cinza? Portanto, há uma continuidade, um elemento comum entre a substância da árvore, a da fumaça e a da cinza, e um elemento próprio que as distingue entre si.

O elemento comum e primeiro do qual estão constituídas todas as substâncias materiais – não só a árvore, a cinza ou a fumaça – denomina-se em filosofia matéria-prima. E aquilo que cada uma tem de essencial ou próprio, especificando a matéria-prima, chama-se forma substancial. Nas conversões substanciais permanece inalterada apenas a matéria-prima como ponto fixo sobre o qual mudam as formas substanciais e as acidentais.

Vejamos um exemplo com a finalidade de ilustrar estes conceitos:

O homem possui como forma substancial de seu corpo uma alma racional e espiritual, a qual o diferencia dos animais não racionais. Além disso, todo homem tem características particulares que podem variar de um para outro: altura, idade, peso, etc., porque a matéria-prima e a forma substancial sempre estão unidas para constituir uma substância, a qual por sua vez está unida a formas acidentais. Dentre os seres materiais, só o homem possui uma forma substancial capaz de existir separada do corpo, após a morte. O corpo, pelo contrário, em nenhum instante fica sem uma forma substancial, pois sua matéria-prima recebe outra forma tão logo se dá a separação com a alma, passando a ser um cadáver e depois pó, à espera da ressurreição e do Juízo Final. A alma humana é, pois, a exceção que confirma a regra, mas com matizes significativos… De fato, São Tomás observa que uma alma separada não pode ser chamada de pessoa, a tal ponto ela constitui uma unidade substancial com o corpo.4

Os princípios considerados nesta primeira parte nos serão indispensáveis a seguir, mas podemos adiantar que no singularíssimo milagre da transubstanciação acontece algo completamente diferente…

II – A doutrina da transubstanciação em São Tomás

É compreensível que algum dos pressupostos acima não tenha ficado inteiramente claro. Portanto, caro leitor, não se preocupe se tiver alguma dúvida! O tema é complexo, mas a proverbial clareza de São Tomás nos terminará por esclarecer tudo, permitindo-nos adentrar na maravilhosa doutrina da transubstanciação.

Duas heresias sobre a Santíssima Eucaristia

Segundo narra o Apóstolo Virgem, São João Evangelista, quando Nosso Senhor afirmou que sua Carne é verdadeira comida e seu Sangue verdadeira bebida, muitos de seus discípulos O abandonaram, por considerar duras e inaceitáveis essas palavras (cf. Jo 6, 50-66). E o Doutor Angélico equipara essa péssima reação à dos hereges que se insurgiram, desde então, contra o ensinamento da Igreja sobre a Eucaristia.5

Para eles, Nosso Senhor estaria neste Sacramento só de modo simbólico e figurativo, no sentido metafórico utilizado por São Paulo ao dizer que a pedra da qual Moisés fez brotar água no deserto era Cristo (cf. I Cor 10, 4). Tal como essa rocha foi um sinal das graças que fluiriam pela Redenção, a Eucaristia seria uma mera figura da ação de Nosso Senhor sobre as almas. A prova disso seria o fato de nossos sentidos não perceberem, após a Consagração, nenhum traço da presença d’Ele.

A tal alegação, São Tomás responde com clareza: “Que o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo estejam no Sacramento não se pode apreender pelo sentido, mas somente pela fé, que se apoia na autoridade divina”.6 E o Concílio de Trento definiu de forma categórica: “Se alguém negar que, no Sacramento da Santíssima Eucaristia, estão contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue, junto com a Alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, o Cristo inteiro, mas disser que estão apenas como que em sinal ou em figura ou na eficácia, seja anátema”.7

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“Vitória de São Tomás de Aquino sobre os
hereges” – Santuário de Santa
Rosa de Lima, Lima

Outros autores, não ousando negar a presença real, sustentaram que a substância do pão e do vinho permanece após a Consagração, junto com o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor. Segundo estes, assim como a natureza humana de Jesus foi assumida pela divina do Verbo, na Encarnação, o Verbo Se uniria hipostaticamente à substância do pão e do vinho na Eucaristia!

A eles responde o Doutor Angélico: “Deus uniu a sua divindade, isto é o poder divino, ao pão e ao vinho, não para que eles permaneçam neste Sacramento, mas para que o poder divino faça deles seu Corpo e Sangue”.8 A Santa Igreja confirmou mais tarde esta doutrina, condenando a opinião contrária: “Se alguém disser que, no sacrossanto Sacramento da Eucaristia, permanece a substância do pão e do vinho juntamente com o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, […] seja anátema”.9

A substância do pão e do vinho é aniquilada?

Refutados esses erros, alguns autores defenderam a seguinte tese: depois da Consagração, a substância do pão e do vinho se reduziria a uma matéria preexistente, mas sem especificar qual seria!

Analisada sob qualquer prisma, esta tese é absurda. Se eles aludiam à matéria-prima, é impossível que a substância do pão e do vinho seja reduzida a esse estado. Conforme vimos, a matéria-prima só pode existir unida a uma forma substancial e com acidentes. E se referiam a qualquer outro tipo de matéria, como é possível que nossos sentidos não a percebam no altar?

Outro erro ainda foi ventilado: a substância do pão e do vinho voltaria ao nada. A isto responde São Tomás com candura e bom senso, frutos de sua piedade: “Parece impossível também que a substância do pão volte totalmente ao nada. Com efeito, muito da natureza corporal criada teria já voltado ao nada pelo uso frequente deste mistério. E não convém que, neste Sacramento de Salvação, alguma coisa seja reduzida ao nada pelo poder divino”.10

Mas, então, o que acontece com a substância do pão e do vinho? Retomemos as perguntas feitas no início do artigo, desta vez com mais pressupostos para respondê-las. Para isso, vejamos como a substância do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo se torna realmente presente na Santíssima Eucaristia.

A um passo de solucionar a questão…

Como pode um objeto passar a estar num lugar onde antes não se encontrava?

Se numa bela manhã caminhamos por um jardim e nos deparamos com cinza no chão, a qual não estava aí no dia anterior, como explicar sua presença nesse local? A experiência nos mostra que isso só é possível por uma mudança de lugar ou pela conversão de outra coisa em cinza. Em outros termos, ou ela foi levada até lá, ou uma parte do jardim foi consumida pelo fogo, transformando-se em cinza.

Pois bem, sabemos que pelas palavras da Consagração o Corpo, Sangue, Alma e divindade de Nosso Senhor começam a estar onde antes só havia pão e vinho. Mas isso se verifica por uma mudança de lugar? O Doutor Angélico responde negativamente expondo três argumentos:

Primeiro, Nosso Senhor deixaria de estar no Céu cada vez que se celebrasse uma Missa, pois começar a estar num lugar novo implica deixar o anterior. Segundo, seria impossível celebrar Missas em diversos lugares ao mesmo tempo, pois uma mudança de lugar não pode terminar simultaneamente em locais diferentes. Por fim, qualquer mudança de lugar leva tempo para realizar-se, e a Consagração do pão e do vinho se verifica no último instante em que são pronunciadas suas respectivas fórmulas; se a Consagração se verificasse aos poucos, sob alguma parte da hóstia estariam ao mesmo tempo o Corpo de Cristo e a substância do pão, e no vinho estariam seu Sangue e a substância do vinho. Ora, isso não é possível acontecer, como foi explicado acima.

Mas, poder-se-ia objetar, estes argumentos não se aplicam ao Corpo glorioso de Nosso Senhor. Na realidade, porém, nem os Anjos, de natureza puramente espiritual, são capazes de estar em vários lugares ao mesmo tempo.11 Além disso, embora o corpo glorioso seja agilíssimo, não se move de modo instantâneo, precisa sempre passar pelos locais intermediários para ir de um lugar a outro.12

Portanto, uma vez que na transubstanciação não ocorre mudança de lugar, podemos concluir com segurança que a conversão é a única via para explicar a presença real na Eucaristia: “Resta, pois, afirmar que o verdadeiro Corpo de Cristo começa a estar neste Sacramento ao se converter a substância do pão na substância do Corpo de Cristo, e a substância do vinho na substância do seu Sangue”.13

O singularíssimo milagre da transubstanciação

Como vimos na primeira parte, há duas espécies de conversões naturais. Nas acidentais, a substância permanece inalterada e só as formas acidentais sofrem alguma modificação; por exemplo, quando a água fria se torna quente pela ação do calor. E nas substanciais só permanece inalterada a matéria-prima, a qual, unida a uma nova forma substancial, constitui outra substância; por exemplo, quando alguém come uma fruta, esta deixa de ser um alimento e passa a fazer parte do corpo de quem a comeu.

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Pelas palavras da Consagração o Corpo,
Sangue, Alma e divindade de Nosso
Senhor começam a estar onde antes
só havia pão e vinho

Assim, as modificações naturais, quer acidentais quer substanciais, constituem uma conversão de forma, ou seja, uma transformação. Porém, a conversão da substância do pão no Corpo de Nosso Senhor, e da substância do vinho no seu Sangue, é realizada de um modo totalmente diverso. Com efeito, pelas palavras da Consagração, toda uma substância – com sua matéria-prima e forma substancial – se converte em toda outra substância, permanecendo apenas os acidentes da primeira. Por isso, “esta conversão não é formal, mas substancial. Não se classifica entre as diversas espécies de movimento natural, mas pode-se chamar com o nome apropriado de ‘transubstanciação'”.14

Em contraste com as transformações substanciais, na transubstanciação não procede um novo ser, e sim uma Pessoa preexistente: Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, nascido de Maria Virgem. Por isso, transformar um pedregulho numa águia é nada em comparação ao milagre operado na Consagração! Embora só Deus seja capaz de transformar em águia um pedregulho, essa conversão seguiria o curso das transformações naturais, nas quais uma matéria-prima recebe outra forma substancial e novos acidentes. Só se o pedregulho fosse convertido numa catedral preexistente, por exemplo, de maneira a ela estar contida inteira sob as aparências do minúsculo seixo, teríamos uma imagem mais aproximada da conversão eucarística.

O Doutor Angélico demonstra com um belíssimo argumento o caráter singular e admirável da transubstanciação: “Esta conversão, porém, não se assemelha às conversões naturais, mas é totalmente sobrenatural, realizada unicamente pelo poder de Deus. Daí, Ambrósio dizer: ‘É claro que a Virgem gerou além da ordem da natureza. E o que consagramos é o Corpo nascido da Virgem. Portanto, por que procuras no Corpo de Cristo a ordem da natureza, uma vez que foi além da natureza que a Virgem deu à luz o próprio Senhor Jesus?’. E a respeito do texto de João: ‘As palavras que Eu vos disse’, a saber sobre este Sacramento, ‘são espírito e vida’, Crisóstomo explica: ‘São palavras espirituais, nada têm de carnal nem seguem uma lógica natural, mas são livres de toda necessidade terrestre e das leis que regem aqui em baixo'”.15

Assim, a substância do pão e do vinho não permanece na Eucaristia, nem se reduz a outro tipo de matéria e também não volta ao nada. Conforme o definiu o Concílio de Trento, “pela Consagração do pão e do vinho realiza-se uma conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo, Nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância de seu Sangue. Esta conversão foi denominada, convenientemente e com propriedade, pela Santa Igreja Católica, transubstanciação”.16

Um pormenor de particular importância

Na maioria das vezes, só mencionamos ao longo deste artigo que o Corpo de Nosso Senhor está neste Sacramento sob as espécies do pão, e seu Sangue sob as espécies do vinho. Ora, não está Ele presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade tanto numas quanto nas outras?

De fato, Cristo está inteiro neste Sacramento. Contudo, cada uma das partes d’Ele se encontra de dois modos diversos: pela virtude do Sacramento ou por concomitância natural. Explica o Doutor Angélico: “Pela força do Sacramento, está sob as espécies sacramentais aquilo em que diretamente se converte a substância do pão e do vinho anteriormente existente. Isso vem significado pelas palavras da forma, que são eficazes neste e nos outros Sacramentos, por exemplo, quando se diz ‘Isto é o meu Corpo’, ‘Este é o cálice do meu Sangue’. Por uma concomitância natural, está presente neste Sacramento o que realmente está unido àquilo em que termina a conversão”.17

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Singular e admirável milagre: durante a
Missa Nosso Senhor, por assim dizer,
nasce sacramentalmente sobre o altar

Portanto, sob as duas espécies se encontram o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor. Mas em virtude do Sacramento estão respectivamente o Corpo e o Sangue sob as espécies do pão e do vinho; o restante está nas duas espécies por concomitância natural.

III – Nossa piedade diante deste singular e admirável milagre

Quando, doravante, estiver próximo da Consagração numa Missa, lembre-se, caro leitor, desta sublime verdade: você presenciará o milagre que mais faz estremecer a ordem do universo. “A mudança do pão no Corpo de Jesus e do vinho em seu Sangue abala toda a natureza. À voz de Moisés, o Mar Vermelho suspendeu suas ondas; à voz do sacerdote, a natureza suspende suas leis, os milagres sucedem-se em cadeia uns aos outros, o mundo é como que sacudido pelo incrível prodígio da Consagração; e para manter a ordem em meio a essa gigantesca comoção, é necessário um poder maior, em certo sentido, que o poder de criar”.18

Na transubstanciação, com efeito, há aspectos mais extraordinários do que na criação, pois nesta só é complexo explicar como pode algo ser tirado do nada. E por um aparente paradoxo, enquanto o poder de criar seres do nada é exclusivo de Deus, Nosso Redentor concede a seus ministros, pela ordenação sacerdotal, a potestade de consagrar o Santíssimo Sacramento.19

Qualquer um de nós daria a vida para contemplar a Anunciação do Arcanjo São Gabriel a Nossa Senhora e a Encarnação do Verbo. Sem dúvida, também daríamos a vida para ver o Menino Jesus nos braços virginais de Maria Santíssima, na Gruta de Belém. Entretanto, não deveria ser menor nosso desejo de assistir, durante a Missa, ao singular e admirável milagre pelo qual Nosso Senhor, por assim dizer, nasce sacramentalmente sobre o altar, derramando sobre nossas almas as mais copiosas graças e bênçãos divinas: “Este Jesus vós O amais, sem O terdes visto; credes n’Ele, sem O verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas” (I Pd 1, 8-9)

Por Padre Rodrigo Alonso Solera Lacayo, EP – In Revista Arautos do Evangelho, Dezembro/2013, n. 144, p. 18 a 24

(http://www.gaudiumpress.org/content/54480#ixzz2pcQwvfwW )

Deus se fez um de nós e segue caminhando conosco, assinala Papa Francisco

VATICANO, 05 Jan. 14 / 01:24 pm (ACI).- No Ângelus deste domingo, 5 de janeiro, o Papa Francisco destacou o fato de que na encarnação Deus se faz homem para caminhar junto do homem rumo ao Céu.

Abaixo apresentamos a íntegra do discurso do Papa na manhã deste domingo:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia deste domingo nos propõe, no Prólogo do Evangelho de São João, o significado mais profundo do Natal de Jesus. Ele é a Palavra de Deus que se fez homem e colocou a sua “tenda”, a sua morada entre os homens. Escreve o evangelista: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Nestas palavras que não cessam nunca de nos maravilhar, há todo o Cristianismo! Deus se fez mortal, frágil como nós, partilhou a nossa condição humana, exceto o pecado, mas tomou sobre si os nossos, como se fossem Dele. Entrou na nossa história, tornou-se plenamente Deus conosco! O nascimento de Jesus, então, nos mostra que Deus quis unir-se a cada homem e a cada mulher, a cada um de nós, para nos comunicar a sua vida e a sua alegria.

Assim, Deus é Deus conosco, Deus nos chama, Deus que caminha conosco. Esta é a mensagem de Natal: o Verbo se fez carne. Assim, o Natal nos revela o amor imenso de Deus pela humanidade. Daqui deriva também o entusiasmo, a esperança de nós cristãos, que na nossa pobreza sabemos ser amados, ser visitados, ser acompanhados por Deus; e olhamos ao mundo e à nossa história como o lugar em que caminhar junto com Ele e uns com os outros, rumo a céus novos e à terra nova.

Com o nascimento de Jesus nasceu uma promessa nova, nasceu um mundo novo, mas também um mundo que pode ser sempre renovado. Deus está sempre presente para suscitar homens novos, para purificar o mundo do pecado que o envelhece, do pecado que o corrompe. Por mais que a história humana e aquela pessoal de cada um de nós possa ser marcada por dificuldades e fraquezas, a fé na Encarnação nos diz que Deus é solidário com o homem e com a sua história. Essa proximidade de Deus ao homem, a cada homem, a cada um de nós, é um dom que não se acaba nunca! Ele está conosco! Ele é Deus conosco! E esta proximidade não acaba nunca. Eis o alegre anúncio do Natal: a luz divina, que inundou os corações da Virgem Maria e de São José, e guiou os passos dos pastores e dos magos, brilha também hoje para nós.

No mistério da Encarnação do Filho de Deus há também um aspecto ligado à liberdade humana, à liberdade de cada um de nós. De fato, o Verbo de Deus coloca a sua tenda entre nós, pecadores e necessitados de misericórdia. E todos nós devemos nos apressar para receber a graça que Ele nos oferece. Em vez disso, continua o Evangelho de São João, “os seus não o acolheram” (v. 11).

Também nós, tantas vezes, O rejeitamos, preferimos permanecer no fechamento dos nossos erros e na angústia dos nossos pecados. Mas Jesus não desiste e não deixa de oferecer a si mesmo e a sua graça que nos salva! Jesus é paciente, Jesus sabe esperar, espera-nos sempre. Esta é a sua mensagem de esperança, uma mensagem de salvação, antiga e sempre nova. E nós somos chamados a testemunhar com alegria esta mensagem do Evangelho da vida, do Evangelho da luz, da esperança e do amor.

Porque a mensagem de Jesus é esta: vida, luz, esperança, amor.
Maria, Mãe de Deus e nossa amorosa Mãe, apoie-nos sempre, para que permaneçamos fiéis à vocação cristã e possamos realizar os desejos de justiça e de paz que trazemos em nós no início deste novo ano.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26508)

A eficácia da paciência

pensandourlOs santos diziam que há dois tipos de martírio: o da morte pela espada; e o da morte pela paciência. A paciência é uma forma de martírio que vence todo sofrimento. Não há barreira espiritual que não caia pela força da paciência, a qual é fruto da fé, da humildade e do abandono da vida em Deus.

Foi pela paciência que a Igreja venceu todos os seus inimigos até hoje: o Império Romano, as heresias, as perseguições, o comunismo, o ateísmo, os pecados de seus filhos, entre outros.

Quando os nossos pecados e fraquezas nos assustam e nos desanimam é preciso ter paciência também conosco e aceitar a nossa dura realidade. Quando é difícil caminhar depressa, então, é preciso ter paciência aceitando caminhar devagar. José e Maria salvaram o Menino Jesus das mãos de Herodes indo passo a passo até o Egito por um longo deserto de 500 km.

A paciência do cristão não é vazia nem significa imobilismo ou resignação mórbida; tampouco perda de tempo. Não! É a certeza de que tudo está nas mãos d’Aquele que tudo pode.

“Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso. Não cedas prontamente ao espírito de irritação; é no coração dos insensatos que reside a irritação” (Ecl 7,8b-9).

O que não pudermos mudar em nós ou nos outros, devemos aceitar com paciência, até que Deus disponha as coisas de outro modo. Ninguém perde por esperar!

Deus não interfere na personalidade do ser humano porque isso depende da liberdade de cada um e Deus não nos desrespeita; então, Ele pode mudar as circunstâncias e os acontecimentos da vida dessas pessoas.

Maria, nossa Mãe, é a mulher da paciência. Sempre soube esperar o desígnio de Deus se cumprir, sem se afobar, sem gritar, sem reclamar… A paciência é amiga do silêncio e da fé. É a paciência que nos levará para o céu!

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus […] prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência […] não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência.” (Eclo 2,1-3).

“Aceita tudo o que te acontecer, na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo caminho da humilhação.” (Eclo 2,4-6).

Muitas vezes, a vontade de Deus permite que as cruzes nos atinjam; curvemos a cabeça com humildade e paciência. Muitos estão prontos para fazer a vontade de Deus no **Tabor da transfiguração**, mas poucos no **Calvário da crucificação**.

Sejamos como Nossa Senhora, que disse o ‘sim’ no momento da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas o manteve na Apresentação d’Ele, na fuga para o Egito, no Pretório, na perseguição ao Senhor, no caminho do Calvário e também aos pés da sua Cruz.

Beijar, agradecidos, esta mão invisível que, muitas vezes, permite que sejamos feridos, agrada a Deus e nos atrai as bênçãos do Céu.

Os santos doutores da Igreja nos deixaram muitos ensinamentos sobre isso:

Santo Afonso de Ligório: “Neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado.

São João Crisóstomo: “É melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

Santo Agostinho: “Quando se ama não se sofre, e se sofre, ama-se o sofrimento”.

“O martírio não depende da pena, mas da causa ou fim pelo qual se morre. Podemos ter a glória do martírio, sem derramar o nosso sangue, com a simples aceitação heroica da vontade de Deus.”

São Francisco de Sales: “As cruzes que encontramos pelas ruas são excelentes, e que mais o são ainda – e tanto mais quanto mais importunas – as que se nos deparam em casa”.

Santa Teresa D’Ávila ensina: “Nada te perturbe; nada te espante. Tudo passa. Só Deus não muda; a paciência tudo alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta: Só Deus Basta!”.

É grande a dor de sofrer uma ingratidão. Até Jesus reclamou daqueles nove leprosos que Ele curou e que não vieram agradecer-lhe, tendo voltado só aquele que era samaritano.

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/a-eficacia-da-paciencia/)

O Papa explica que o natal é a festa da confiança e da esperança, que supera o pessimismo.

Texto da catequese do Papa Francisco na audiência da quarta-feira
Por Redacao

ROMA, 18 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – Queridos irmãos e irmãs bom dia,

Este nosso encontro se desenvolve no clima espiritual do Advento, tornado ainda mais intenso pela Novena do Santo Natal, que estamos vivendo nestes dias e que noz conduz às festas natalícias. Por isso, hoje gostaria de refletir convosco sobre o Natal de Jesus, festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo. E a razão da nossa esperança é esta: Deus está conosco e confia ainda em nós. É generoso este Deus Pai! Ele vem morar com os homens, escolhe a terra como sua morada para estar junto ao homem e fazer-se encontrar lá onde o homem passa os seus dias na alegria ou na dor. Portanto, a terra não é mais somente um “vale de lágrimas”, mas é o lugar onde o próprio Deus colocou a sua tenda, é o lugar do encontro de Deus com o homem, da solidariedade de Deus com os homens.

Deus quis partilhar a nossa condição humana ao ponto de fazer-se uma só coisa conosco na pessoa de Jesus, que é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Mas há algo ainda mais surpreendente. A presença de Deus em meio à humanidade não foi realizada de modo ideal, sereno, mas neste mundo real, marcado por tantas coisas boas e ruins, marcado por divisões, maldade, pobreza, prepotência e guerras. Ele escolheu habitar a nossa história assim como ela é, com todo o peso de seus limites e dos seus dramas. Assim fazendo, demonstrou de modo insuperável a sua inclinação misericordiosa e repleta de amor para com as criaturas humanas. Ele é o Deus-conosco; Jesus é Deus-conosco. Vocês acreditam nisso? Façamos juntos esta profissão: Jesus é Deus-conosco! Jesus é Deus-conosco desde sempre e para sempre conosco nos nossos sofrimentos e nas dores da história. O Natal de Jesus é a manifestação de que Deus colocou-se de uma vez por todas do lado do homem, para nos salvar, para nos levantar do pó das nossas misérias, das nossas dificuldades, dos nossos pecados.

Daqui vem o grande “presente” do Menino de Belém: Ele nos traz uma energia espiritual, uma energia que nos ajuda a não nos abatermos com os nossos cansaços, os nossos desesperos, as nossas tristezas, porque é uma energia que aquece e transforma o coração. O nascimento de Jesus, de fato, nos traz a bela notícia de que somos amados imensamente e singularmente por Deus, e este amor não somente o faz conhecer, mas o doa, comunica-o!

Da contemplação alegre do mistério do Filho de Deus nascido por nós, podemos tirar duas considerações.

A primeira é que se no Natal Deus se revela não como um que está no alto e que domina o universo, mas como Aquele que se rebaixa, vem à terra pequeno e pobre, significa que para sermos similares a Ele nós não devemos nos colocar sobre os outros, mas antes rebaixar-nos, colocarmo-nos a serviço, fazer-nos pequenos com os pequenos e pobres com os pobres. Mas é uma coisa ruim quando se vê um cristão que não quer rebaixar-se, que não quer servir. Um cristão que se exibe sempre é ruim: aquele não é cristão, aquele é pagão. O cristão serve, rebaixa-se. Façamos com que estes nossos irmãos e irmãs não se sintam nunca sozinhos!

A segunda consequência: se Deus, por meio de Jesus, envolveu-se com o homem a ponto de tornar-se como um de nós, quer dizer que qualquer coisa que fizermos a um irmão ou a uma irmã a teremos feito a Ele. Recordou isso o próprio Jesus: quem tiver alimentado, acolhido, visitado, amado um dos mais pequeninos e dos mais pobres entre os homens, terá feito isso ao Filho de Deus.

Confiemo-nos à materna intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa, para que nos ajude neste Santo Natal, agora próximo, a reconhecer na face do nosso próximo, especialmente das pessoas mais frágeis e marginalizadas, a imagem do Filho de Deus feito homem.

(Tradução Canção Nova / Jéssica Marçal)

(Fonte: Agência Zenit)

Natal, a Festa da confiança e esperança

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 18-12-2013, Gaudium PressA última Audiência Geral do Papa Francisco neste ano reuniu milhares de fiéis nesta quarta-feira, 18. Aglomerados na Praça São Pedro, o público não se importou com as baixas temperaturas para ouvir de perto a catequese do Santo Padre.

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De acordo com os dados levantados pela Prefeitura da Casa Pontifícia, mais de 1,5 milhão de peregrinos participaram das 30 audiências com o Papa neste ano.

Sobre a reflexão do dia, o Pontífice comentou sobre o tema “Natal de Jesus, a festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo”. Segundo ele, a “razão da nossa esperança é Deus que está conosco e ainda confia em nós”, pois, pelo fato do Senhor permanecer ao lado do homem, “que transcorre os seus dias na tristeza e na alegria”, “a terra não é mais somente um ‘vale de lágrimas’, mas é um local onde Deus mesmo fixou a sua tenda” para se encontrar com os seus filhos.

“A presença de Deus em meio à humanidade não se deu em um mundo ideal, idílico, mas neste mundo real, caracterizado por tantas coisas boas e ruins, marcado por divisões, maldades, pobreza, prepotência e guerras. Ele escolheu habitar na nossa história assim como é, com todo o peso dos seus limites e dos seus dramas”, explicou.

Para o Santo Padre, o Natal é a manifestação de Deus ao lado do homem, onde Ele se colocou para nos salvar e levantar do pó dos nossos pecados, nos proporcionando “uma energia espiritual que nos ajuda a não nos deixar abater pelos nossos cansaços, nossos desesperos, nossas tristezas, porque é uma energia que aquece e transforma o coração”.

“O nascimento de Jesus, de fato, nos traz a bela notícia de que somos amados imensamente e singularmente por Deus, e este amor não somente o faz conhecer, mas o dá, o comunica”.

Ao fazer duas considerações da contemplação alegre do mistério do Filho de Deus, o Papa observou inicialmente que, “para sermos parecidos com Ele, não devemos nos colocar acima dos outros, mas sim abaixarmo-nos, colocarmo-nos a serviço, nos fazendo pequenos para com os pequenos e pobres para com os pobres”.

Na segunda consideração, o Pontífice afirmou: se Deus, por meio de Jesus, quis envolver-se com o homem a ponto de tornar-se como um dele, “qualquer coisa que fizermos a um irmão ou a uma irmã, estaremos fazendo a Ele mesmo”.

Concluindo sua reflexão, o Papa pediu a intercessão de Nossa Mãe, a Virgem Maria Santíssima, para que possamos neste Natal “reconhecer na face do próximo, especialmente dos mais fracos e marginalizados, a imagem do Filho de Deus feito homem”.

“Que nos vossos corações, famílias e comunidades, resplandeça a luz do Salvador, que nos revela o rosto terno e misericordioso do Pai do Céu. Ele vos abençoe com um Ano Novo sereno e feliz!”. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54044#ixzz2nuo6szT2)

“Vamos deixar que Deus escreva a nossa história”

Depois da missa, o papa Francisco recebe os cumprimentos de aniversário de quatro sem teto e dos funcionários da Casa Santa Marta

Por Luca Marcolivio

ROMA, 17 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – É um dia diferente na Casa Santa Marta. É o dia do 77º aniversário do seu inquilino mais famoso. O papa Francisco celebrou a missa desta manhã com a presença de todo o pessoal da casa. A eucaristia foi concelebrada com o cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio de Cardeais.

No final da missa, o Secretário de Estado Vaticano, dom Pietro Parolin, apresentou ao papa os parabéns em nome de todos os seus colegas da Secretaria de Estado. Dom Konrad Krajewski, esmoleiro de Sua Santidade, apresentou a Francisco quatro convidados sem teto.

O encontro terminou com um coro de parabéns entoado por todos os presentes. Logo em seguida, o papa Francisco foi tomar café da manhã acompanhado por todos os participantes da missa.

Na homilia, falando sobre o evangelho de hoje (Mt 1,1-17), que descreve a genealogia de Jesus, o Santo Padre brincou: “Já ouvi alguém dizer que esta passagem do evangelho parece a lista telefônica”.

Mas ela é, explicou o papa, uma passagem importante, que nos lembra que “Deus se tornou história” e que Jesus é “consubstancial ao Pai”, mas também “consubstancial à Mãe”, a Virgem Maria.

Depois do pecado original, disse o papa, Deus quis “trilhar o caminho conosco”, a partir de Abraão, passando por Isaac e Jacó, até chegar a cada um de nós.

“Deus não queria vir nos salvar sem história. Ele quis fazer história conosco”, uma história “que vai do pecado à santidade” e na qual há “tanto santos quanto pecadores”.

Deus também fez história com “os grandes pecadores”, com aqueles que “não responderam a tudo o que Deus pensou para eles”, como “Salomão, tão grande, tão inteligente, e que terminou, coitado, sem nem saber como se chamava”.

É como se Deus pegasse o nosso nome para transformá-lo no “seu sobrenome” e assim poder dizer: “Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, de Pedro, de Marieta, de Armony, de Marisa, de Simão, de todos”.

Em certo sentido, Deus “nos deixou escrever a sua vida”, seguindo “a nossa história de graça e de pecado”. Isso mostra “a humildade de Deus, a paciência de Deus, o amor de Deus”, que comove.

Ao chegar o Natal, “se Ele fez a sua história conosco, se Ele adotou o nosso nome como seu sobrenome, se Ele nos deixou escrever a sua história, vamos deixar pelo menos que Ele escreva a nossa história”.

A santidade consiste precisamente em deixar que “Deus escreva a nossa história”, concluiu o pontífice.

(Fonte: Agência Zenit)

Angelus do Papa: “a Igreja não é um refúgio para pessoas tristes”

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 16-12-2013, Gaudium Press) No Angelus deste domingo, 15, em vista da proximidade do Natal, o Papa Francisco afirmou que “a Igreja não é um refúgio para pessoas tristes”, pois “a Igreja é a casa da alegria”.

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O Santo Padre saudou de forma particular as crianças, que seguravam nas mãos imagens de presépio do Menino Jesus, pedindo para que o Pontífice as abençoassem.

De acordo com o Papa, neste domingo “Gaudete”, considerado um domingo de alegria, nos alegramos “porque o Senhor está próximo”, pois a mensagem cristã é a boa notícia “para o povo inteiro”.

Para o Santo Padre, “a alegria do Evangelho não é uma alegria qualquer. Encontra a sua razão no saber-se acolhidos e amados por Deus”, que “vem nos salvar e presta socorro especialmente aos que têm o coração desanimado”.

“A sua vinda ao nosso meio nos revigora, torna-nos firmes, dá-nos coragem e faz-nos exultar e florescer o deserto e o descampado, ou seja, a nossa vida quando se torna árida. E quando se torna árida? Quando se encontra sem a água da Palavra de Deus e do seu Espírito de amor”, explicou.

O Papa alertou também os fiéis que “não nos é permitido ser fracos e vacilantes diante das dificuldades e de nossas próprias fraquezas”, pois somos convidados a revigorar as mãos, a robustecer os joelhos, a ter coragem e não temer.

“Deus mostra sempre a grandeza da sua misericórdia”.

Ainda segundo o Pontífice, Deus nos espera e está sempre conosco, pelo fato de Ele nos amar e ser misericordioso, perdoando e dando força para começarmos tudo de novo. “Somos capazes de reabrir os olhos, superar a tristeza e o pranto e entoar um canto novo”.

A “alegria verdadeira”, conforme o Papa, “permanece também na provação e também no sofrimento”, “porque não é uma alegria superficial”, que “cala no profundo da pessoa que se entrega a Deus e confia n’Ele”.

“Por isso, quando um cristão se torna triste, significa que se distanciou de Jesus. Então não podemos deixá-lo sozinho. Devemos rezar por ele e fazer-lhe sentir o calor da comunidade”, disse.

No final, o Papa Francisco evocou Nossa Senhora, a fim de que “obtenha para nós viver a alegria do Evangelho na família, no trabalho, na paróquia e em todo ambiente”, “uma alegria íntima, feita de estupor e ternura”. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53944#ixzz2njAt4pq3)

Nossa Senhora de Guadalupe e São Juan Diego

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Redação (Quarta-feira, 11-12-2013, Gaudium Press) – Sendo 12 de dezembro o dia em que se comemora a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, torna-se oportuna a publicação das considerações que hoje transcrevemos:

Pensa-se geralmente que João Diego era um indígena “pobre” e de “baixa condição social”. Contudo, sabemos hoje, por diversos testemunhos, que ele era filho do rei de Texcoco, Netzahualpiltzintli, e neto do famoso rei Netzahualcóyolt. Sua mãe era a rainha Tlacayehuatzin, descendente de Moctezuma e senhora de Atzcapotzalco e Atzacualco. Nestes dois lugares João Diego possuía terras e outros bens de herança.

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São João Diego

A este representante das etnias indígenas do Novo Mundo, a Mãe de Deus apareceu há quase quinhentos anos, trazendo uma mensagem de benquerença, doçura e suavidade, cuja luz se prolonga até nossos dias.

Para compreendermos a magnitude da bondosa mensagem de Nossa Senhora, devemos transladar-nos ao ambiente psico-religioso daquele tempo.

De um lado, as numerosas etnias que habitavam o vale de Anahuac, atual Cidade do México, haviam vivido durante décadas sob a tirania dos astecas, tribo poderosa, dada à prática habitual de sangrentos ritos idolátricos. Anualmente, sacrificavam milhares de jovens para manter aceso o “fogo do sol”. A antropofagia, a poligamia e o incesto faziam parte da rotina de vida desse povo.

Os dedicados missionários, chegados ali com os conquistadores espanhóis, viam a necessidade imperiosa de evangelizar aquela gente, extirpando de modo categórico tão repugnantes costumes. Entretanto, os maus hábitos adquiridos, a dificuldade do idioma e, sobretudo, um certo orgulho indígena de não aceitar o “Deus do conquistador” em detrimento de suas divindades, tornavam difícil a tarefa de introduzir nesse ambiente a Luz do mundo.

Deus Nosso Senhor, todavia, em sua infinita misericórdia, querendo que todos os homens “se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2, 4), preparava uma maravilhosa solução para esse impasse.

Nossa Senhora aparece a São João Diego

Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, na atual Cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa que, pouco a pouco, foi-se extinguindo. Nesse momento escutou ele uma lindíssima voz, que no idioma nahualt o chamava pelo nome. Era Nossa Senhora de Guadalupe.

Depois de cumprimentá-lo com muito carinho e afeto, Ela lhe dirigiu estas palavras cheias de bondade: “Porque sou verdadeiramente vossa Mãe compassiva, quero muito, desejo muito que construam aqui para mim um templo, para nele Eu mostrar e dar todo o meu amor, minha compaixão, meu auxílio e minha salvação a ti, a todos os outros moradores desta terra e aos demais que me amam, me invoquem e em mim confiem. Neste lugar quero ouvir seus lamentos, remediar todas as suas misérias, sofrimentos e dores.”

Em seguida, Nossa Senhora pediu a João Diego que fosse ao palácio do Bispo do México, e lhe comunicasse que Ela o enviava e pedia a construção do templo.

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Nossa Senhora aparece a João Diego

Sem hesitar, o “mensageiro da Virgem” foi entrevistar-se com Dom Luís de Zumárraga, e contou-lhe o que havia acontecido. Mas o Bispo não lhe deu crédito e mandou-o voltar outro dia.

Segunda e terceira aparições

Nesse mesmo dia, ao pôr-do-sol, João Diego, pesaroso, foi comunicar a Nossa Senhora o fracasso de sua missão. Com encantadora inocência, pediu a Ela que escolhesse um embaixador mais digno, estimado e respeitado. A Mãe de Deus lhe respondeu: “Escuta, ó menor de meus filhos! Tem por certo que não são poucos os meus servidores, meus mensageiros, aos quais Eu possa encarregar de levar minha mensagem e fazer minha vontade. Mas é muito necessário que vás tu, pessoalmente, e que por teu intermédio se realize, se efetive meu querer, minha vontade. E muito te rogo, filho meu, o menor de todos, e firmemente te ordeno, que vás amanhã outra vez ver o Bispo. E de minha parte faze-o saber, faze-o ouvir o meu querer, a minha vontade, para que este a realize, faça meu templo, que lhe peço. E outra vez dize-lhe que eu, pessoalmente, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envio.”

No dia seguinte, depois de assistir à Missa, João Diego voltou a procurar o Bispo Dom Zumárraga, que o recebeu com atenção, porém mais céptico ainda, dizendo-lhe ser necessário um “sinal” para demonstrar que era realmente a Rainha do Céu que o enviava. Com toda naturalidade, o indígena respondeu que sim, ia pedir à Senhora o sinal solicitado.

Ao cair do sol, como das vezes anteriores, apareceu a João Diego Nossa Senhora, radiante de doçura. Ela aceitou sem a menor dificuldade conceder-lhe o sinal pedido. Para isto, convidou-o a voltar no dia seguinte.

Ele foge, Ela vai ao seu encontro

Todavia, na segunda-feira, dia 11, João Diego não se apresentou à hora marcada. Seu tio, João Bernardino, caiu repentinamente doente, e Diego tentou todos os recursos medicinais indígenas para curá-lo. Foi em vão. Quando o enfermo percebeu a aproximação da morte, sendo já cristão fervoroso, pediu a seu sobrinho que lhe tentasse trazer um sacerdote.

Pressuroso, João Diego saiu ao amanhecer do dia 12 em busca do confessor. Mas decidiu tomar um caminho diferente do habitual, para que a “Senhora do Céu” não lhe aparecesse, pois pensava: “Ela vai me pedir satisfação de sua incumbência e não poderei buscar o sacerdote.”

Mas sua artimanha não funcionou. Para seu espanto, a Mãe de Deus lhe apareceu nesse caminho. Envergonhado, João Diego tratou de se desculpar com fórmulas de cortesia próprias do costume indígena: “Minha jovenzinha, filha minha, a pequenina, menina minha, oxalá estejas contente.” E depois de explicar-Lhe a enfermidade de seu tio, como causa de sua falta de diligência, concluiu: “Rogo-te que me perdoes, que tenhas ainda um pouco de paciência comigo, porque com isso não A estou enganando, minha filha pequenina, menina minha. Amanhã sem falta virei a toda pressa.” Ao que lhe respondeu Nossa Senhora, com bondade e carinho próprios à melhor de todas as Mães: “Escuta, e põe em teu coração, filho meu, o menor: o que te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe teu rosto, teu coração; não temas esta enfermidade, nem qualquer outra enfermidade e angústia. Não estou eu aqui, tua Mãe? Não estás sob minha sombra e minha proteção? Não sou eu a fonte de tua alegria? Não estás porventura em meu regaço? Tens necessidade de alguma outra coisa? Que nenhuma outra coisa te aflija, nem te perturbe. Não te assuste a enfermidade de teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que já sarou.”

Sinal para o “Mensageiro da Virgem”

Assim que ouviu essas belíssimas palavras, João Diego, muito consolado, creu em Nossa Senhora. Mas era preciso cumprir a missão. Qual era o sinal? Ela lhe ordenou subir à colina de Tepeyac e cortar as flores que ali encontrasse. Esse encargo era impossível, uma vez que lá nunca elas nasciam, e menos ainda nesse tempo de inverno. Mas Diego não duvidou. Subiu a colina e no seu cume encontrou as mais belas e variadas rosas, todas perfumadas e cheias de gotas de orvalho como se fossem pérolas. Cortou-as e as guardou em sua tilma (o poncho típico dos índios mexicanos). Ao chegar embaixo, João Diego apresentou as flores a Nossa Senhora, que as tocou com suas mãos celestiais e voltou a colocá-las na tilma.

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 Estampou-se milagrosamente no tecido a imagem
de Nossa Senhora de Guadalupe

“Filhinho meu, o menor, esta variedade de flores é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu lhe dirás de minha parte que veja nela a minha vontade e que ele tem de cumpri-la. Tu és meu embaixador, no qual absolutamente deposito toda a confiança. Com firmeza te ordeno que diante do Bispo abras tua manta e mostres o que levas.”

João Diego se dirigiu novamente ao palácio de Dom Zumárraga. Depois de muito esperar e insistir, os criados o deixaram chegar à presença do Bispo. O “Mensageiro da Virgem” começou a narrar todo o sucedido com Nossa Senhora e em certo momento estendeu sua tilma, descobrindo o sinal. Caíram as mais preciosas e perfumadas flores e, no mesmo instante, estampou-se milagrosamente no tecido a portentosa Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria Mãe de Deus, que se venera até hoje no Santuário de Guadalupe.

Profundo sentido eclesial e missionário

Assim foi a grande aparição cujo primeiro resultado foi a conversão em grande escala dos indígenas. “O Acontecimento Guadalupano – assinala o episcopado do México – significou o início da evangelização, com uma vitalidade que extravasou todas as expectativas. A mensagem de Cristo, por meio de sua Mãe, tomou os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e deu-lhes o definitivo sentido de salvação.” E o Papa completa: “É assim que Guadalupe e João Diego tomaram um profundo sentido eclesial e missionário, sendo um modelo de evangelização perfeitamente inculturada” (Missa de Canonização, 31/7/2002).

Por isso, determinou Sua Santidade que no dia 12 de dezembro seja celebrada, em todo o Continente, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América (Exortação Apostólica Ecclesia in América). ²

* * * * * * *

Na homilia de 31 de julho de 2002, o Santo Padre dirigiu ao recém-canonizado São João Diego esta comovedora oração:joao_paulo_ii.jpg

Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino.

Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimônio, apoia os desvelos dos pais empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada.

Amado Juan Diego, a “águia que fala”! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro. (Homilia no dia da canonização Oração a São João Diego)

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Extremistas hindus torturam e assassinam a um menino de sete anos por ser cristão

ppcristianosindia051213O site ACI informou na última sexta-feira (06/12/13) que Anugrag Gemethi, um menino cristão de sete anos chamavam de “Anmol”, foi torturado e assassinado por extremistas hindus em uma localidade de Rajasthan, no noroeste da Índia.

Os pais de Anmol o viram pela última vez quando saiu de sua casa para a escola dominical. Ao perceberem que o garoto não retornava, fizeram uma denúncia. O corpo –praticamente irreconhecível- foi achado no dia seguinte, 18 de novembro em um hospital.

Segundo o relatório da autópsia, o menor morreu afogado. Entretanto, cinco testemunhas do hospital indicaram que o corpo tinha evidentes sinais de tortura que foram ignorados pelo médico legista.

Mais de 200 pessoas foram ao enterro e ao funeral. “O lamento do povo e dos pais foi dilacerador”, disse uma testemunha presente nos eventos.

Harish Gemethi, pai do menino, disse à polícia que “há anos alguns extremistas hindus locais ameaçam matar-me e prejudicaram minha família muitíssimas vezes”. O homem deu os nomes dos agressores e pediu às autoridades que abrissem inquérito contra os mesmos, mas todas as suas queixas foram ignoradas até o momento.

Na aldeia vive uma comunidade cristã de 45 fiéis. Em setembro, um grupo de extremistas hindus interrompeu um encontro de oração dos fiéis e ameaçaram de morte os presentes.

“A tortura sem precedentes e a morte deste menino inocente entristecem nossos corações embora isto pareça inacreditável” disse K.P. Yohannan, fundador e diretor internacional da associação “Evangelho para a Ásia”. “A perseguição contra os cristãos é um acontecimento semanal, mas esta intensidade da brutalidade contra uma criança é impensável. Apesar de tudo, nesta horrível tragédia, encontramo-nos com a força e a esperança em Jesus” expressou.

Segundo Yohannan, a perseguição aos cristãos cresceu mais de 400 por cento nos últimos anos.

Por sua parte, em uma nota enviada à agência Fides pelo “Catholic Secular Fórum”, adverte-se que “é verdadeiramente horrível que os fundamentalistas hindus não tenham perdoado a vida de um menino de sete anos. O pior é que a polícia não seja capaz de identificar os assassinos e entregá-los à justiça”.

Nesse sentido, o “Catholic Secular Fórum” lançou a campanha “Justiça para o mártir Anmol”, pretendendo sensibilizar líderes da Igreja e das instituições políticas e judiciais pedindo um castigo severo para os assassinos, o fim da perseguição aos cristãos da Índia e uma indenização para a família do menino.

O episódio é o último de uma longa série de ataques contra as minorias religiosas na Índia. Segundo os dados recolhidos pelo Global Council of Indian Christians (GCIC), só em 2011 a minoria cristã sofreu 170 ataques. Trata-se de ofensivas de diferentes tipos perpetradas por grupos vinculados ao movimento nacionalista hindu Sangh Parivar, cujo nome traduzido ao Português é: “Famílias de Associações”, referindo-se ao agrupamento de distintos grupos nacionalistas hindus radicais.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26398

O tempo de espera

Dallas – Estados Unidos (Terça-feira, 10-12-2013, Gaudium Press“O tempo do Advento é um tempo de espera, um tempo para estarmos alerta”, escreveu Dom Kevin Farrell, Arcebispo da Diocese de Dallas, no Texas (EUA), em seu artigo sobre o período do Advento.

Dom Farrell afirmou que, nas leituras deste Primeiro Domingo do Advento, o profeta Isaías nos recorda da importância de escutarmos a voz do Senhor, da mesma forma como fez Acaz, rei de Judá.bishop_kevin_farrell.jpg

Ao anunciar a primeira de suas muitas profecias, lembrou o prelado, Isaías teria prometido um tempo de paz e justiça ao atribulado Reino de Judá, “no entanto, isso também serviu de aviso para que o rei depositasse sua confiança em Deus”, ao invés de procurar alianças pagãs.

“As Sagradas Escrituras nos dizem que Acaz não queria escutar a mensagem de Deus porque ele acreditava ter uma ideia melhor de como guiar seu povo. Quando nos sentimos impacientes e somos tentados a pensar que a nossa sabedoria é superior a sabedoria de Deus, há um pouco de Acaz em cada um de nós”, explicou.

Para Dom Farrell, o tempo do Advento é um tempo de preparação para que o Senhor venha até nós. “No final de uma queda frenética, todos nós precisamos de um chamado que nos faça despertar de um sono espiritual e nos prepare para a vinda do Senhor”.

“Em seu Evangelho, Mateus repete a mensagem de forma enérgica e clara quando adverte: ‘Vigiai, pois não sabeis em que dia virá o vosso Senhor…Assim também estarão preparados, porque o Filho do Homem virá numa hora em que você menos espera'” (Mt 24, 42-44), afirmou.

No final de seu artigo, Dom Farrell deixou claro que “devemos depositar nossa confiança no Senhor” e “não nas promessas efêmeras que o mundo nos faz”. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53811#ixzz2nBXeDPNU)

Necessidade de bons samaritanos

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 09-12-2013, Gaudium Press) O Papa Francisco, em sua mensagem publicada nesta segunda-feira, 09, no Twitter, comentou sobre a necessidade de bons samaritanos no mundo.

“Se virmos alguém que pede ajuda, paramos? Há muito sofrimento e pobreza, e tanta necessidade de bons samaritanos”. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53756#ixzz2n4AshrcM)

O homem é um ser religioso: por natureza e por vocação

Redação (Sexta-feira, 06-12-2013, Gaudium Press) – O homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso. Porque provém de Deus e para ele caminha, o homem só vive uma vida plenamente humana se viver livremente sua relação com Deus. O homem é feito para viver em comunhão com Deus, no qual encontra sua felicidade: “Quando eu estiver inteiramente em Vós, nunca mais haverá dor e provação; repleta de Vós por inteiro, minha vida será verdadeira” (Santo Agost., Conf. 10,28,39). (CATECISMO, 2001: 26)

“O homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso” (CATECISMO, 2001: 26). Por natureza porque tendo sede do infinito, nunca se satisfaz inteiramente com as criaturas que se lhe apresentam pelos sentidos, por serem estas relativas e finitas. O homem tem sede natural de algo absoluto e transcendente que o tome por inteiro, em todas as suas potências, e na própria essência mesma de sua alma de modo eterno e infinito.

Por vocação, pois se o mesmo Deus criou a humanidade com esse instinto que a estimula a procurá-lo é porque de fato deseja que o faça, visto ser próprio da Sabedoria Divina não fazer nada sem uma finalidade. Esse desejo do absoluto no homem constitui, portanto, um chamado posto em sua própria natureza, sendo um sinal infalível de sua vocação religiosa.

Levando em consideração o que foi dito acima, fica fácil compreendermos o que é afirmado no parágrafo seguinte: “O homem é feito para viver em comunhão com Deus, no qual encontra sua felicidade”. (CATECISMO, 2001: 26)

Eis o que demonstra a este respeito São Tomás:

A beatitude última e perfeita, não pode estar senão na visão da divina essência, para a evidência do que duas cousas se devem considerar. A primeira é que o homem não é perfeitamente feliz, enquanto lhe resta algo a desejar e a buscar. A segunda é que a perfeição é relativa à natureza do seu objeto. Ora, o objeto do intelecto é a qüididade, i.é, a essência da cousa, como diz Aristóteles. Por onde, a perfeição do intelecto esta na razão direta do seu conhecimento da essência de uma cousa. De um intelecto, pois, que conhece a essência de um efeito sem poder conhecer, por ele, o que a causa essencialmente é, não se diz que atinge a causa em sim mesma, embora possa, pelo efeito, saber se ela existe. Por onde, permanece naturalmente no homem o desejo de também saber o que é a causa, depois de conhecido o efeito e de sabido que tem causa. E tal desejo é o de admiração e provoca a indagação, como diz Aristóteles. […] Se, pois, o intelecto humano, conhecendo a essência de um efeito criado, somente souber que Deus existe, a sua perfeição ainda não atingiu a causa primeira. E assim, terá sua perfeição pela união com Deus como o objeto em que só consiste a beatitude do homem conforme já se disse. (AQUINO, I-II Q. 3, A. 8, REP, 1980: 1057 , grifo nosso)

Entretanto, embora Deus tenha criado a humanidade com tais anseios naturais, estes são insuficientes para produzir de um modo perfeito esta relação, pela incapacidade da natureza humana acrescida pelas consequências do pecado original. É o que afirma o Doutor Angélico a respeito da Doutrina Sagrada:

Para a salvação do homem, é necessária uma doutrina, conforme à revelação divina, além das filosóficas, pesquisadas pela razão humana. Porque, primeiramente o homem é por Deus ordenado a um fim que lhe excede a compreensão racional […]. Ora, o fim deve ser previamente conhecido pelos homens, que para ele têm de ordenar as intenções e atos. De sorte que, para a salvação do homem, foi preciso, por divina revelação, tornarem-se-lhe conhecidas certas verdades superiores à razão. Mas também, naquilo que de Deus pode ser investigado pela razão humana, foi necessário ser o homem instruído pela revelação divina. Porque a verdade sobre Deus, exarada pela razão, por poucos chegaria aos homens, depois de longo tempo e de mistura com muitos erros. ( AQUINO, I Q. 1, A1, REP, 1980: 2)

Faz-se necessária, portanto, uma intervenção da própria Divindade, revelando-se em seu Mistério Trinitário como afirma o Catecismo (2001: 27):

Mediante a razão natural, o homem pode conhecer a Deus com certeza a partir de suas obras. Mas existe outra ordem de conhecimento que o homem de modo algum pode atingir por suas próprias forças, a da Revelação divina (Cf. Conc. Vaticano I: DS 3015). Por uma decisão totalmente livre, Deus se revela e se doa ao homem. Fá-lo revelando seu mistério, seu projeto benevolente, que concebeu desde toda a eternidade em Cristo em prol de todos os homens. Revela plenamente seu projeto enviando seu Filho bem-amado, Nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo.

A respeito da finalidade dessa Revelação, eis o que acrescenta a mesma obra:

Deus, que “habita uma luz inacessível” (1Tm 6,16), quer comunicar sua própria vida divina aos homens, criados livremente por ele, para fazer deles, no seu Filho único, filhos adotivos (Cf. Ef 1,4-5). Ao revelar-se, Deus quer tornar os homens capazes de responder-lhe, de conhecê-lo e de amá-lo bem além do que seriam capazes por si mesmos. (CATECISMO, 2001: 28).

Como se observa no trecho acima, o fim da Revelação consiste no fato de o homem participar da própria vida divina, com os devidos socorros de Deus para torná-lo capaz de empresa tão além de suas forças. Essa vida divina faz com que a natureza humana torne-se intimamente unida a Deus, através da adoção filial, por meio de Jesus Cristo.

O motivo da Revelação é o amor de Deus: “Por amor, Deus revelou-se e doou-se ao homem”. (CATECISMO, 2001: 32).

Qual deve ser a resposta do homem a esse amor que Deus lhe manifesta pela Revelação? Encontrá-la-emos novamente no Catecismo (2001: 48): “A resposta adequada a este convite é a fé. Pela fé, o homem submete completamente sua inteligência e sua vontade a Deus”.

Tal fé como fundamento da santidade traz como consequência o agir corretamente, como está no Catecismo (2001: 468): “Quem crê em Cristo torna-se Filho de Deus. Esta adoção filial o transforma, propiciando-lhe seguir o exemplo de Cristo. Ela torna-o capaz de agir corretamente e de praticar o bem”.

E o efeito dessa fé posta em obras de perfeição só pode ser o que vem em seguida, no mesmo trecho: “Em união com seu Salvador, o discípulo alcança a perfeição da caridade, a santidade. Amadurecida na graça, a vida moral desabrocha em vida eterna na glória do céu”. (CATECISMO, 2001: 468, grifo nosso)

Em decorrência do que foi exposto acima, torna-se evidente que a Revelação é uma conclamação à santidade pronunciada pelo próprio Deus, e tal conclamação se dirige à universalidade dos homens e mulheres:

Fique bem claro que todos os fiéis, qualquer que seja sua posição na Igreja ou na sociedade, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. A santidade promove uma crescente humanização. Que todos pois se esforcem, na medida do dom de Cristo, para seguir seus passos, tornando-se conformes à sua imagem, obedecendo em tudo à vontade do Pai, consagrando-se de coração à glória de Deus e ao serviço do próximo. A história da Igreja mostra como a vida dos santos foi fecunda, manifestando abundantes frutos da santidade no povo de Deus. (LUMEN GENTIUM, 2007: 223, grifo nosso)

Em Cristo Jesus somos todos chamados a pertencer à Igreja e, pela graça de Deus, a alcançar a santidade. (LUMEN GENTIUM,2007: 231)

A finalidade para a qual a Igreja propõe alguns desses fiéis que alcançaram a plenitude da vida cristã e já receberam o prêmio da bem-aventurança eterna à veneração pública está no seguinte fato, expresso nos trechos abaixo:

Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está em si e sustenta a esperança dos fiéis propondo-os como modelos e intercessores. (CATECISMO, 2001: 238, grifo nosso)

De fato, os que alcançaram a pátria e estão presentes ao Senhor, por ele, com ele e nele intercedem continuamente junto ao Pai. Fazem valer os méritos que obtiveram pelo único mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, por terem servido em tudo ao Senhor e completado em sua própria carne a paixão de Cristo, em favor do corpo, que é a Igreja. Sua fraternidade solícita é assim um precioso auxílio para a nossa fraqueza.[…]

A Igreja também sempre acreditou que os apóstolos e mártires de Cristo que, derramando seu sangue, deram o testemunho supremo de fé e de amor, estão particularmente unidos a nós. Por isso os venera com particular distinção, juntamente com a santa Virgem Maria e os santos anjos implorando piedosamente o auxílio de sua intercessão. A eles se unem imediatamente os que imitaram mais de perto a castidade e a pobreza de Cristo, seguidos de todos aqueles que se santificaram pela prática das virtudes cristãs e cujo carisma os recomenda á piedosa devoção e à imitação dos fiéis.

Ao contemplarmos a vida daqueles que seguiram fielmente a Cristo, somos estimulados a considerar sob uma nova luz a busca da cidade futura. Em meio às inúmeras veredas deste mundo, aprendemos o caminho certo para chegar à santidade, que consiste na perfeita união com Cristo, segundo o estado e a condição de cada um. Deus manifesta com clareza aos homens sua presença e sua face através da vida daqueles que, iguais a nós na humanidade, foram transformados de maneira mais perfeita segundo a imagem de Cristo. Por eles, Deus nos fala, dá-nos um sinal de seu reino e nos atrai para a verdade do Evangelho, por uma imensa quantidade de testemunhas. (LUMEN GENTIUM, pp. 233-234)

Entretanto, esta santidade que é em sua essência a mesma em todos aqueles que dela participam, manifesta formas acidentais diferentes na diversidade dos santos. Esta verdade vimo-la expressa no trecho supracitado do documento Lumen Gentium, no qual se percebe uma hierarquia e alteridade de santidades através da enumeração sintética das diversas classes de santos veneradas pela Igreja.

É o que encontramos em Saint-Laurent (1997: 47, grifo nosso):

Reina entre os santos uma admirável variedade. A virtude de um rei, como São Luís IX, não é igual à de um mendigo voluntário, como São Bento José Labre. A perfeição de um velho, como o grande Santo Antão do Deserto, não é a de um jovem, como Santo Estanislau Kostka. A santidade de um leigo, não é a de um sacerdote ou de um bispo. Cada um desses heróis sublimes da vida cristã tem a sua própria fisionomia sobrenatural.

Existe, portanto, além de uma vocação à santidade que se refere à generalidade dos homens, um chamado específico para cada um, um modo de ser santo diverso para cada família de almas e para cada ser humano em sua individualidade.

Para finalizarmos este tópico citaremos uma bela passagem sobre este assunto de Garrigou-Lagrange (1938: 28-29), na qual ele dá uma definição de santidade de um modo bastante claro e expressivo, fazendo-a uma conseqüência lógica da vivência profunda e radical da fé, da qual procede o amor a Deus e ao próximo:

Pode-se julgar a vida normal da santidade através de dois pontos de vista bem diferentes:

– Um, focalizando nossa natureza…

– Mas também tomando como referência os mistérios sobrenaturais da inabitação da Santíssima Trindade em nós, da Encarnação redentora e da Eucaristia.

Ora, esse último ponto de vista é o único que representa o juízo da sabedoria, per altissimam causam; o outro modo é pela ínfima causa […].

Se é verdade que a Santíssima Trindade habita em nós, que o Verbo se fez carne, que se oferece sacramentalmente por nós cada dia, na Missa e se dá a nós como alimento, se tudo isso é real, somente os santos que vivem dessa presença divina por conhecimento quase experimental frequente, e por um amor sempre crescente, em meio às obscuridades e dificuldades da vida, somente esses santos estão inteiramente em ordem. E a vida de íntima união com Deus, longe de se apresentar, no que tem de essencial, como coisa extraordinária em si, aparece como a única normal.

Antes de chegarmos a essa união, somos como pessoas ainda meio adormecidas, que não vivem suficientemente do tesouro imenso que nos foi dado, e das graças sempre novas concedidas aos que querem seguir generosamente a Nosso Senhor.

Por santidade entendemos uma união íntima com Deus, isto é, uma grande perfeição de amor de Deus e do próximo, perfeição que permanece sempre na vida normal, pois o preceito do amor não tem limites.

Para precisar ainda mais, diríamos que a santidade é o prelúdio normal imediato da vida no Céu, prelúdio que é realizado ou na Terra, antes da morte, ou no Purgatório, e que supõe que a alma está perfeitamente purificada, capaz de receber a visão beatífica.

Também percebemos no extrato acima que a condição normal da natureza humana é a santidade, pois, se por ordem entendemos a reta disposição das coisas segundo sua natureza e de acordo com determinado fim, devemos inferir que a verdadeira ordem para uma pessoa humana está na união com Deus, sua causa e sua finalidade.

Por Padre Alex Barbosa de Brito, EP

(http://www.gaudiumpress.org/content/53690#ixzz2myKCW6P2)

“Que o Santuário de Fátima seja como Maria, um oásis de misericórdia, de ternura e de afeto”, afirma Dom António Marto

Fátima – Portugal (Quinta-feira, 05-12-2013, Gaudium Press) No último sábado, 30 de novembro, foi apresentado no Centro Pastoral Paulo VI do Santuário de Fátima o 4º ano pastoral do septenário em preparação às comemorações do 100º aniversário das aparições de Nossa Senhora na cidade portuguesa.santuario_de_fatima.jpg

O novo ano preparatório ao centenário foi apresentado por Dom António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, que na sessão de abertura do novo curso pastoral destacou os principais elementos do tema proposto para este ano: “Envoltos no amor de Deus pelo mundo”, observando que hoje a Igreja é chamada “a buscar as pessoas no mundo, com uma busca amorosa, de misericórdia e de ternura (…) Uma Igreja amiga dos homens, que cuida com ternura da humanidade ferida”.

Especificamente, Dom Marto convidou para que a Igreja esteja mais próxima das pessoas, “com um profundo sentido de humanidade”, uma Igreja “que acolhe, escuta, compreende, que assume as alegrias e as esperanças, assim como as tristezas e as angústias dos outros (…), uma Igreja que encurta as distâncias e diálogos com o coração de mãe”.

Finalmente, ele expressou votos para que neste ano de preparação do centenário das aparições o “Santuário de Fátima seja, como Maria, um oásis de misericórdia, ternura e afeto, fonte de irradiação de paz nos corações das pessoas e de paz social no coração do povo”.

Um ano pastoral dedicado à aparição de julho de 1917

Conforme especificado pelo Padre Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima, o ano pastoral 2013-2014 será dedicado à aparição mariana de julho de 1917, cujo tema é precisamente inspirado na oração que Nossa Senhora ensinou aos pastores nesse mês: “Oh Jesus, é por Vosso Amor.”santuario_de_fatima_1.jpg

“Esta aparição é particularmente rica em conteúdo e a maior dificuldade foi identificar um aspecto que fosse unificador. Se optou pelo ‘amor de Deus pelo mundo’, como dimensão que melhor permite abordar os diversos conteúdos da Mensagem de Fátima, comunicados nesta aparição”, explicou o sacerdote.

Desde o final de 2010, o Santuário Mariano, em preparação ao centenário das aparições, está percorrendo um itinerário temático de sete anos, com o objetivo de aprofundar os aspectos mais significativos da Mensagem de Fátima.

“O ponto de partida para cada ano é uma das aparições de Nossa Senhora, que permite identificar as ideias fundamentais da Mensagem de Fátima, encontrando para cada um dos sete ciclos anuais um conjunto de propostas capazes de apresentar e esclarecer “, comentou o Padre Cabecinhas. (GPE/EPC)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53685#ixzz2mgnat3gA)

“Não se pode pensar em uma Igreja sem alegria”, diz Papa

Cidade do Vaticano (Terça-feira, 03-12-2013, Gaudium PressNa Missa celebrada na Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira, 03, o Papa Francisco destacou que a Igreja deve ser sempre alegre como Jesus, pois ela é chamada a transmitir a alegria do Senhor aos seus filhos.papa_francisco.JPG

Desenvolvendo sua homilia focando em duas palavras, paz e alegria, o Pontífice fez uma observação:

“Nós pensamos sempre em Jesus quando ele pregava, quando curava, quando caminhava, quando ia pelas estradas, também durante a Última Ceia. Mas não estamos tão acostumados a pensar em Jesus sorridente e alegre. Jesus era cheio de alegria. Naquela intimidade com o Pai, ‘exultou de alegria no Espírito Santo e louvou o Pai’. É a sua alegria interior que Ele nos dá”.

Segundo o Papa, a alegria de Jesus é a verdadeira paz que tanto precisamos, pois é alegre quando falamos do Pai, o nosso Deus, que também é alegre. Por isso, esclareceu o Santo Padre, Jesus quis que sua esposa, a Igreja, também fosse alegre como o Nosso Senhor.

“Não se pode pensar em uma Igreja sem alegria. A alegria da Igreja é anunciar o nome de Jesus, dizendo: ‘Ele é o Senhor. O meu esposo é o Senhor. É Deus. Ele nos salva, Ele caminha conosco. E essa é a alegria da Igreja, de esposa que se torna mãe”, afirmou.

O Papa Francisco ainda lembrou os fiéis de uma das frases ditas por Paulo VI, de que “a alegria da Igreja é evangelizar, ir para frente e falar sobre seu Esposo”, transmitindo essa alegria aos filhos que ela faz nascer e crescer.

Com base na Leitura do Livro de Isaías (Is 11, 1-10), o Pontífice completou ao dizer que a paz que tanto falava o profeta “é uma paz de alegria e de louvor”, podendo ser considerada uma paz “barulhenta, no louvor”, e “fecunda na maternidade de novos filhos”.

Essa paz, continuou o Santo Padre, vem precisamente na alegria do louvor à Trindade e da evangelização, indo de encontro aos povos para anunciar quem é Jesus.

“Que o Senhor dê a todos nós esta alegria de Jesus, louvando o Pai, no Espírito. Esta alegria da nossa mãe, a Igreja, na evangelização e no anuncio do seu Esposo”, concluiu. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53559#ixzz2mVcGLmzR)

Papa recorda os cristãos que “pagam com sangue” o preço de sua fé

Foto Grupo ACI

ROMA, 02 Dez. 13 / 03:55 pm (ACI/EWTN Noticias).- Em uma recente mensagem por ocasião da festa de Santo André (30 de novembro) e a visita de uma delegação católica aos ortodoxos na Turquia, o Papa Francisco escreveu uma mensagem na qual recorda os cristãos perseguidos que “pagam com o próprio sangue o preço da sua profissão de fé”.

O texto foi levado pelo Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, devolvendo a visita que os ortodoxos fizeram no último dia 29 de junho a Roma. O Cardeal entregou a Bartolomeu I um presente do Papa e a sua mensagem.

No texto, o Papa Francisco escreve que “a lembrança do martírio do apóstolo Santo André também faz-nos pensar nos muitos cristãos de todas as Igrejas e Comunidades eclesiais, que em diferentes partes do mundo sofrem discriminações e às vezes pagam com o próprio sangue o preço da sua profissão de fé”.

O Santo Padre assinala: “Amado irmão em Cristo, é a primeira vez que me dirijo a ti com motivo da festa do apóstolo André. Aproveito esta oportunidade para assegurar-te a minha intenção de continuar as relações fraternas entre a Igreja de Roma e o Patriarcado Ecumênico”.

“É para mim um motivo de grande consolo refletir sobre a profundidade e a autenticidade dos laços que existem entre nós, fruto de uma viagem cheia de graça ao longo da qual o Senhor guiou nossas Igrejas, a partir do histórico encontro em Jerusalém entre o papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, cujo quinquagésimo aniversário celebraremos em breve”.

“Unidos em Cristo, portanto, -diz o Papa- já experimentamos a alegria de sermos autênticos irmãos no Senhor, e ao mesmo tempo somos plenamente conscientes de não ter alcançado a meta da plena comunhão. À espera do dia em que possamos participar juntos no banquete eucarístico, os cristãos estão chamados a preparar-se para receber este dom de Deus mediante a oração, a conversão interior, a renovação da vida e o diálogo fraterno”.

“Nossa alegria na celebração da festa do apóstolo André não deve nos fazer afastar o olhar da dramática situação de muitas pessoas que estão sofrendo devido à violência e à guerra, à fome, à pobreza e aos graves desastres naturais. Sou consciente de sua profunda preocupação pela situação dos cristãos no Oriente Médio e por seu direito a permanecer em seus países de origem”.

O Pontífice assinala deste modo que “o diálogo, o perdão e a reconciliação são o único meio possível para conseguir a resolução dos conflitos. Sejamos incessantes em nossa oração ao Deus todo-poderoso e misericordioso pela paz nesta região e sigamos trabalhando pela reconciliação e o justo reconhecimento dos direitos das pessoas”.

“Estamos celebrando o 1700º aniversário do Decreto de Constantino, que pôs fim à perseguição religiosa no Império Romano do Oriente e do Ocidente, e abriu novos canais para a difusão do Evangelho. Hoje, como então, os cristãos do Oriente e Ocidente devem dar testemunho comum para que, fortalecidos pelo Espírito de Cristo ressuscitado, difundam a mensagem de salvação a todo mundo”.

Há também, ressaltou o Papa, “uma necessidade urgente de cooperação efetiva e comprometida entre os cristãos com o fim de proteger em todas as partes o direito a expressar publicamente a própria fé e a serem tratados com justiça quando promovem a contribuição que o cristianismo continua oferecendo à sociedade e à cultura contemporâneas”.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26373)

Número de exorcismos cresce no México

Cidade do México – México (Sexta-feira, 29-11-2013, Gaudium PressOs males pelos quais o México passa durante a onda de violência que se estende de forma acentuada em várias regiões do país tem origens e implicações espirituais, declarou o padre exorcista Carlos Triana à agência BBC. “Por trás de todos esses enormes males há um agente obscuro e seu nome é demônio”, por isso que os atos de violência transbordam crueldade e quantidade, explicou.

Para enfrentar este desafio, a Arquidiocese do México recebeu um Congresso de formação no ministério do exorcismo. “O Senhor quer que estabeleçamos aqui um ministério do exorcismo e libertação para justamente lutar contra o demônio”, assegurou o Padre Triana.

Demônio, violência e idolatria

O diagnóstico nesses eventos fazem os exorcistas apresentarem um cenário preocupante. Os casos que requerem assistência espiritual dos exorcistas estão aumentando e sua atenção não se limita à orações de libertação, mas exigem cada vez mais o uso do Ritual de Exorcismo. “Isso não acontecia antes”, afirmou à BBC o Padre Francisco Bautista, também da Arquidiocese do México.

O sacerdote fez a distinção entre as diversas necessidades espirituais das pessoas que acodem a seu ministério e esclareceu o canal regular que a Igreja determina para sua pastoral. “A possessão completa é algo que requer um exorcismo (…), mas são casos mais raros e que necessitam ser levados à um Bispo”. Estes casos estão aumentando no país.

Para o Padre Triana, esta situação é resultado, entre outras coisas, do aumento do culto da “Santa Morte” repetidamente rejeitada pelas autoridades eclesiásticas como o Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura. “Os traficantes de drogas lhe pedem favores e ajuda para evitar a prisão, em troca, eles oferecem sacrifícios humanos”, explicou o padre exorcista. “Isso aumentou a violência no país.”

O outro desafio identificado pelo Padre Triana para superar a influência do demônio no país é a recente legalização do aborto na Cidade do México. “Ambas as coisas estão estreitamente relacionadas. Há uma infestação de demônios hoje em dia no México, porque abrimos a porta para a morte.”

O trabalho espiritual da Igreja sobre estas questões é feito de forma discreta, mas eficaz. No entanto, os sacerdotes responsáveis por este ministério no México têm alertado sobre esta situação para procurar enfrentar os problemas sociais que o país enfrenta também com ferramentas espirituais. (EPC)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53431)

O que devemos fazer quando somos feridos?

tumblr_static_mulher_rezando_2Quando te sentires ferida por haver caído em algum pecado, seja por fraqueza, seja por malícia, não desanimes e nem te inquietes por isso. Dirige-te imediatamente a Deus dizendo: “Eis aqui, meu Senhor, comportei-me segundo a minha natureza, pois de mim não se pode esperar mais que tropeços”. Depois dedica um tempo a humilhar-te aos teus próprios olhos, lamenta a ofensa feita ao Senhor e considera tuas más inclinações, especialmente aquela que provocou a falta. E então diz: “Não teria parado por aqui, meu Senhor, se não fosse socorrida por tua bondade!”. Neste ponto dá-lhe muitas graças e ama-O com mais devoção, maravilhando-te por tão grande clemência, já que, mesmo ofendido por ti, Ele te sustenta com Sua poderosa mão.

Por fim, com grande confiança em sua infinita misericórdia, dirás: “Senhor, que és todo amor e perdão, perdoa-me, e não mais permitas que eu me separe de ti, nem te ofenda!”. Feito isso, não fiques imaginando se Deus te perdoou ou não, pois isso seria soberba, desassossego, perda de tempo e engano do demônio. Abandona-te simplesmente nas amorosas mãos de Deus e continua o teu exercício como se nunca tivesses caído. E se voltares a cair várias vezes ao longo do dia, e te sentires ferida no combate, faz o mesmo, com a mesma confiança, na segunda, na terceira e até na última como na primeira; e, humilhando-te cada vez mais e odiando cada vez mais o pecado, esforça-te para agir de maneira mais prudente.

Essa prática desagrada muito ao demônio, tanto por ver-se derrotado, quanto por saber que a tua vitória agrada muito a Deus. Por isso, ele usa de diversos truques para fazer-nos abandonar o bem, conseguindo-o às vezes pelo nosso descuido e pouca vigilância sobre nós mesmos; essa é a razão pela qual, quanto mais dificuldade encontrares nesse exercício, mais empenho deverás colocar em repeti-lo várias vezes, ainda que tenhas caído apenas uma vez.

E se, depois da queda, te sentes confusa, inquieta e desconfiada, a primeira coisa que deves fazer é recuperar a paz, a tranquilidade do coração e a confiança, e com estas armas recorrer à ajuda de Deus.

O modo de recuperar a paz é deixar de pensar na falta para considerar a bondade inefável de Deus, que está sempre totalmente disposto a perdoar qualquer pecado, por mais grave que seja, chamando o pecador de mil maneiras e por mil caminhos diferentes para santificá-lo com Sua graça nesta vida e fazê-lo eternamente feliz na glória eterna.

Uma vez que, com semelhantes considerações, tenhas tranquilizado o teu espírito, volta a pensar em tua falta, para dela te arrependeres. E, quando chegar o momento da confissão sacramental- que aconselho-te a praticar com frequência-, volta ao exame de tuas faltas e, com renovada dor e arrependimento pela ofensa a Deus e propósito de não voltar a ofendê-lO, relata ao confessor de tuas quedas.

(http://cleofas.com.br/o-que-devemos-fazer-quando-somos-feridos/)

O sentido da Santa Missa

sacramentos1É na Santa Missa que participamos da Sagrada Eucaristia, corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, é importante participar bem dela, com ardor, vontade e devoção. E para isso é preciso conhecer bem o que é a Santa Missa.

A Missa não é simplesmente uma oração devocional, ou uma celebração a mais da Igreja; é o ato supremo da nossa fé.

A Missa, ou celebração da Eucaristia, é a presentificação do imenso Sacrifício do Calvário, onde este se torna presente no altar; não é mera representação ou apenas lembrança do Sacrifício do Senhor; é muito mais, é sua atualização, isto é, o mesmo e único sacrifício de Jesus na cruz se torna presente, vivo e verdadeiro. Não é uma multiplicação do sacrifício do Calvário e nem mesmo uma repetição. É o mesmo e único Calvário.

Mas como isso é possível se aconteceu há dois mil anos atrás?

Para nós isso seria impossível, mas não para Deus. A teologia nos ensina que as ações de Cristo não se perdem no tempo e no espaço, como nossas ações meramente humanas. As ações do nosso Redentor além de humanas são também divinas, são teândricas; por isso não se acabam no tempo.

Quando o sacerdote, pelo poder de Cristo que lhe foi dado pelo sacramento da Ordem, realiza a Consagração do pão e do vinho, estes se transformam, respectivamente, no corpo e sangue de Jesus Cristo; e, neste momento a Vítima do Calvário se faz presente em seu único e irrepetível sacrifício para atualizar a nossa redenção. É o que a Igreja chama de transubstanciação.

Após a Consagração, Cristo está presente no altar totalmente, tanto no Vinho consagrado, como no Pão divino. O que vemos é pão e vinho, o que cheiramos é pão e vinho, as cores são de pão e vinho, as essências (o mesmo que substância ou natureza) não são mais do pão e do vinho, mas Corpo e Sangue de Cristo.

A partir da Consagração a Hóstia é Jesus mesmo; e só deixará de ser Jesus se ficar estragada ou se for dissolvida em água ou em nosso corpo. Por isso, todo respeito e adoração são necessários diante de Jesus eucarístico, seja no altar da Missa ou no Sacrário; e, de modo especial quando está exposto no ostensório para adoração.

Quando passamos diante do sacrário ou do ostensório devemos fazer a genuflexão com o joelho direito até tocá-lo no chão se a saúde permitir; e fazer um breve ato de adoração ao Rei dos Reis.

A Santa Missa é também o banquete do Cordeiro Pascal que foi imolado, e que agora se dá em alimento para fortalecer a nossa fraqueza. Ao participarmos do banquete eucarístico, não só somos alimentados pela Presença real de Cristo, mas também nos unimos a seu Sacrifício e oferta de sua Vida ao Pai.

Comungar o Corpo de Cristo tem também o sentido profundo de se identificar com a grande Vítima que se oferece ao Pai pelo perdão de nossos pecados. É o que os antigos chamavam de manducação; ato sagrado de comer, mastigar, não um alimento qualquer, mas a vítima oferecida em sacrifício para se conformar com ela. São Paulo pedia aos romanos:

“Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual”. (Rm 12,1)

Participar bem da Eucaristia e comungar adequadamente o Corpo de Cristo tem esse profundo significado: oferecer a vida em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, como o melhor culto espiritual. Quem comunga o Corpo de Cristo deve viver em Cristo, por Cristo, com Cristo e para Cristo.

Santo Inácio de Antioquia(†102), bispo e mártir, disse sobre a Eucaristia:

“Esforçai-vos, portanto, por vos reunir mais frequentemente, para celebrar a eucaristia de Deus e o seu louvor. Pois quando realizais frequentes reuniões, são aniquiladas as forças de Satanás e se desfaz seu malefício por vossa união na fé. Nada há melhor do que a paz, pela qual cessa a guerra das potências celestes e terrestres.” (Carta aos Efésios)

São Cipriano de Cartago(†258) dizia, em tempo de perseguição dos cristãos:

“Os fiéis bebem diariamente do cálice do Senhor, para que possam também eles derramar o seu sangue por Cristo” (Epístola 56, n. 1).

Na encíclica “Caritas in Veritate” o Papa Bento XVI nos recorda que no início do século IV, quando o culto cristão era ainda proibido pelas autoridades romanas, alguns cristãos do norte de África, em Abitinas, desafiaram a proibição de celebrar o dia do Senhor. Foram martirizados enquanto declaravam que não lhes era possível viver sem a Eucaristia, alimento do Senhor: “Sine dominico non possumus” – “sem o domingo, não podemos viver.” Estes mártires de Abitinas nos ensinam que também nós não podemos viver sem participar no sacramento da nossa salvação.

 Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/o-sentido-da-santa-missa/)

O Sinal do Exorcista

O Sinal do Exorcista

Preço Unitário (Un): R$39,00

Título Completo:  O Sinal do Exorcista – Minha Última Batalha Contra o Satanás
Autor: Pe. Gabriele Amorth

Descrição: Padre Amorth está de volta com chocantes narrativas. Conta-nos mais alguns casos inéditos da sua batalha contra os espíritos malignos.

O exorcista decano da Igreja Católica não aceita ser o último dos libertadores. Convencido de que se aproxima a “hora de Satanás”, conta o seu último encontro com as legiões do Inferno, determinado a deixar a própria herança de práticas, ritos e orações para expulsar o demônio.

No ano em que o Papa Bento XVI consagrou ao tema da fé, Padre Amorth coloca no centro os temas que estão no seu coração, alertando-nos sobre o mundo secular que está sendo consumido pelo no ódio, pela inveja e pelo materialismo. Porém, ultimamente muitos têm se calado sobre essa realidade luciferina que agita os contextos tanto sociais como eclesiais. E para contrastar esse silêncio culpável, Padre Amorth decidiu levantar os véus, a fim de transmitir a sua própria bagagem de experiência, e deixar o seu legado a quem virá depois dele: os jovens exorcistas que, em breve, serão chamados para enfrentar fenômenos de possessão cada vez mais sangrentos, e as funestas conjunturas do maligno.

Ficha Técnica:

Número de Páginas: 208

Editora: Ecclesiae
Idioma: Português
ISBN: 978-85-631-605-15
Dimensões do Livro: 14 x 21 cm

Procurava ver Jesus

Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, co-padroeira da Europa. Carta 119, ao prior dos religiosos oliventinos

«Procurava ver Jesus»

Escrevo-vos com o desejo de que sejais um bom e corajoso pastor, que apazigue e governe com zelo perfeito as ovelhas que vos foram confiadas, imitando assim o doce Mestre da verdade, que deu a sua vida por nós, ovelhas transviadas, que estávamos longe do caminho da graça. É verdade […] que não o podemos fazer sem Deus e que não podemos possuir Deus permanecendo na terra. Mas eis um doce remédio: quando o coração é pequeno e humilde, é preciso agir como Zaqueu, que não era grande e subiu a uma árvore para ver Deus. O seu zelo fez com que merecesse escutar essa doce palavra: «Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.»

Devemos fazer assim quando somos baixos, quando temos o coração pequeno e pouca caridade: é preciso subir à árvore da mui santa cruz e de lá veremos e tocaremos Deus. Lá encontraremos o fogo da sua caridade inexprimível, o amor que O conduziu até à vergonha da cruz, que O exaltou e O fez desejar, com o ardor da fome e da sede, honrar seu Pai e obter a nossa salvação. […] Se assim quisermos, se a nossa negligência não levantar obstáculos, poderemos, subindo à árvore da cruz, realizar em nós essa palavra saída da boca da Verdade: «Quando Eu for elevado da terra atrairei todos a Mim» (cf Jo 12,32 Vulg). Com efeito, quando a alma se eleva deste modo, vê as benfeitorias da bondade e do poder do Pai […], vê a clemência e a abundância do Espírito Santo, esse amor inexprimível que prega Jesus ao madeiro da cruz. Nem os pregos nem cordas podiam prendê-Lo ali: somente a caridade. […] Subi a essa santa árvore onde se encontram os frutos maduros de todas as virtudes que o corpo do Filho de Deus nos traz; correi com ardor. Permanecei no santo e doce amor de Deus. Doce Jesus, Jesus amor.

A misericórdia de Jesus é a nossa força e esperança

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 18-11-2013, Gaudium PressEm mais uma mensagem destinada aos seus fiéis seguidores no Twitter (@Pontifex), neste último sábado, 16, o Santo Padre lembrou da misericórdia e do amor de Jesus para com seus irmãos.

Na mensagem, o Papa disse que “Jesus quis conservar as suas chagas para nos fazer sentir a sua misericórdia. Esta é a nossa força, a nossa esperança”. (LMI)

(Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/53025#ixzz2l5ODu81y )

A Santa Missa, um sacrifício?

Certo dia, um jovem veio pedir ajuda ao seu pároco. Tratava-se de um caso muito sério, para qual o rapaz não via remédio. Haveria uma reunião no próximo domingo, a respeito da doutrina católica, e esta conferência seria presidida por um orador muito famoso. Todos os seus amigos iriam, e ele não queria perder um evento de tamanha relevância.

Por isso, vinha ao sacerdote pedir que desse outro sacrifício para realizar, pois o do domingo ele não poderia fazer. Ao ouvir este pedido o padre não entendeu a que se referia o rapaz. Aconselhou então ao jovem que lhe explicasse melhor. A este pedido recebeu a seguinte resposta: “É que a reunião será bem no horário do Santo Sacrifício da Missa. Deste modo, eu peço-lhe que me dê outro sacrifício no lugar do Santo Sacrifício do Domingo”.mass.jpg

Esse equívoco relatado acima muitas vezes pode ser o de muitas pessoas, e nem sempre tão jovens. A dúvida de nosso rapaz – e que talvez seja de muitas outras pessoas – pode expressar-se da seguinte maneira: Por que a Santa Missa é chamada de Sacrifício?

O grande problema deve-se a imprecisão do conceito de sacrifício. O que é na verdade um sacrifício? Para muitos o sacrifício é uma ação muito dolorosa que se deve realizar, e da qual não há meios de escapar. Este conceito é por demais simples e não mostra o real teor de um sacrifício, chegando assim a confundir as idéias das pessoas.

Segundo a doutrina católica, o sacrifício, em seu sentido mais estrito, é: “A oblação externa de uma coisa sensível, com certa destruição da mesma, realizada pelo sacerdote em honra de Deus para testemunhar seu supremo domínio e nossa completa sujeição a Ele”.[1]

Este conceito aplica-se inteiramente à Santa Missa, o que faz deste Augusto Ato um perfeito e excelente sacrifício, sendo assim denominado Santo Sacrifício da Missa.

Façamos um paralelo do conceito referido acima com a Santa Missa:

A oblação externa: não é portanto um ato interior, o qual não é conhecido por ninguém. Pelo contrário a Santa Missa é uma oração oficial da Igreja, melhor dizendo, é A Oração Oficial da Santa Igreja, centro o força vital do Corpo Místico de Cristo[2].

E que oblação… é o próprio Filho de Deus que se oferece nas espécies de pão e de vinho. Haverá oblação mais agradável a Deus do que o Seu próprio Filho bem amado no qual está todo o seu agrado[3]?

De uma coisa sensível: é de primordial importância para o homem que o sacrifício seja de algo sensível, pois sendo o homem composto de corpo e alma, o sacrifício deve atender também ao corpo e não apenas à alma. Na Santa Missa o que atende à sensibilidade do homem é o fato de oferecer-se o próprio Corpo e Sangue de Cristo nas espécies do pão e do vinho transubstanciados.

Com certa destruição da mesma: para ser um sacrifício em estrito senso, é necessário que aquilo que se oferece seja inteiramente destruído. É o que se dá na Santa Missa pela comunhão do sacerdote e dos fiéis do Corpo e Sangue de Jesus Cristo.

Realizada pelo sacerdote: é uma conditio sine qua non para a existência da Santa Missa, um sacerdote devidamente consagrado pela imposição das mãos de um bispo.

Em honra de Deus, para testemunhar sue supremo domínio e nossa completa sujeição a Ele: Não há ato que mais honre a Deus do que a Santa Missa. É a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário realizada pelo próprio Cristo na pessoa de seu ministro. Ao mesmo tempo, o homem é convidado a confessar sua total dependência ao Senhor, não deixando por isso de pedir-lhe ajuda e forças para vencer as lutas de nosso vale de lágrimas.

A Santa Missa é, pois, a mais bela expressão externa em honra de Deus, uma vez que é por Ele mesmo oferecido enquanto Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, sendo assim O Verdadeiro Sacrifício da Nova Lei seu sentido mais estrito e perfeito.

Saibamos, portanto, aproximarmo-nos deste Sublime Sacrifício, não como um fardo ou uma dificuldade, mas pelo contrário, como um auxílio nas grandes dificuldades do mundo moderno e de nossa vida particular. Acerquemo-nos da Ceia do Senhor com verdadeira fé e piedade, sabendo que tudo, absolutamente tudo o que nós pedirmos a Ele, não nos negará, pois estas foram suas palavras: “qualquer coisa que pedirdes em meu Nome, será feito” (Jo. 14,13). Desta maneira não receberemos a recriminação de Nosso Senhor: “ainda não pediste nada em meu nome…” (Jo 16, 24).

Por Millon Barros

[1] ROYO MARÍN, Antonio. Teologia moral para seglares. Madrid: BAC, v. I, p. 286.

[2] Cfr. Ecclesia de Eucharistia, João Paulo II, 17 de Abril de 2003.

[3] Cf. Mt 3, 17

(Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/53034#ixzz2l5NFc4FB )

Terceira parte do Segredo de Fátima é exposta em Portugal

Fátima – Portugal (Quarta-feira, 06-11-2013, Gaudium Press) “Segredo e Revelação”, assim é intitulada a exposição temporária que será inaugurada no dia 30 de novembro no Santuário de Fátima e que contará com uma peça de grandesegredo_de_fatima.jpgvalor simbólico: o manuscrito da Irmã Lúcia com a terceira parte do segredo revelado por Nossa Senhora em junho 1917.

Esta é a primeira vez que o texto original do segredo de Fátima será exposto ao público. O documento, que permanece no Arquivo Secreto da Congregação para a Doutrina da Fé desde 1957, saiu dali apenas em duas ocasiões: após a tentativa de assassinato do Papa João Paulo II em 1981 e no ano 2000 a pedido do então Secretário da Congregação, Tarcisio Bertone, que o levou para Coimbra (Portugal), para que a Irmã Lúcia reconhece-se o manuscrito.

Para esta exposição, o Santuário Mariano fez um pedido especial para a Santa Sé, a fim de ter o documento. “Considerando que é um dos pilares para a exposição museológica -que falará precisamente das três partes do Segredo de Fátima-, o Santuário pediu à Santa Sé para considerar o empréstimo”, um pedido que foi aprovado pelo Papa Francisco no último dia 10 de junho, segundo explicou Marco Daniel Duarte, diretor do Museu do Santuário e curador da exposição.

A exposição ficará aberta ao público até outubro de 2014. (EPC)

(Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/52625#ixzz2jxQmMa6L )

O Papa: Nada, nem os poderes demoníacos, poderá separar-nos do amor de Deus

Foto Grupo ACI

VATICANO, 04 Nov. 13 / 02:00 pm (ACI/EWTN Noticias).- Nesta manhã, no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, o Papa Francisco presidiu, como é tradicional no começo do mês de novembro, marcado pela lembrança e oração pelos fiéis defuntos, a Santa Missa em sufrágio pelos cardeais e bispos que faleceram no curso deste ano: nove cardeais e 136 arcebispos e bispos.

“Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor”, evocando estas palavras de São Paulo, o Santo Padre, disse que só o pecado pode interromper estes laços, mas também neste caso Deus procura o homem para saná-lo.

“Mesmo se os poderes demoníacos, hostis ao homem, ficam impotentes diante da íntima união do amor entre Jesus e quem o acolhe com fé. Esta realidade do amor fiel que Deus tem por cada um de nós ajuda a enfrentar com serenidade e força o caminho de cada dia, que às vezes é enviado, às vezes é lento e cansativo. Somente o pecado do homem pode interromper este vínculo; mas mesmo neste caso Deus o buscará sempre, perseguirá para restabelecer com ele uma união que dura mesmo após a morte”.

O Papa disse também que esta união “no encontro final com o Pai alcança o seu ponto alto. Esta certeza confere um sentido novo e pleno à vida terrena e nos abre à esperança para a vida além da morte”.

Com o Livro da Sabedoria, o Papa Francisco destacou que ante a morte de um ser querido ou que conhecemos bem, perguntamo-nos “o que será da sua vida, do seu trabalho, do seu serviço à Igreja?”, para responder logo: “estão nas mãos de Deus!”.

“Estes pastores zelosos que dedicaram a sua vida ao serviço de Deus e dos irmãos, estão nas mãos de Deus. Tudo deles está bem protegido e não será corroído pela morte. Estão nas mãos de Deus todos e os seus dias entrelaçados de alegrias e de sofrimentos, de esperanças e de cansaços, de fidelidade ao Evangelho e de paixão pela salvação espiritual e material do rebanho a eles confiado”.

O Santo Padre destacou que “também os nossos pecados estão nas mãos de Deus, aquelas mãos são misericordiosas, mãos “chagadas” de amor. Não por acaso Jesus quis conservar as chagas em suas mãos para fazer-nos sentir a sua misericórdia. E esta é a nossa força, a nossa esperança”.

Esta realidade, cheia de esperança, é a perspectiva da ressurreição final da vida eterna, a que estão destinados “os justos”, aqueles que acolhem a Palavra de Deus e são dóceis.

Recordando os queridos irmãos Cardeais e Bispos falecidos “homens dedicados às suas vocações e ao serviço à Igreja, que amaram como se ama uma esposa”, o Papa Francisco os encomendou à misericórdia divina para que sejam recebidos onde vivem eternamente os justos e os que foram fiéis testemunhas do Evangelho, alentando a rezar para que o Senhor prepare a todos para este encontro.

(Fonte: ACI Digital)

As três parábolas da misericórdia

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário sobre o Evangelho de Lucas, 7, 207-209

As três parábolas da misericórdia

Não é por acaso que São Lucas apresenta uma sequência de três parábolas – a da ovelha que se perdera e foi reencontrada, a da dracma que tinha desaparecido e que foi achada, a do filho pródigo que se tinha perdido e que retornou à vida –, de modo que, instigados por este triplo remédio, tratemos as nossas feridas. […] Quem são este pai, este pastor, esta mulher? Não serão Deus Pai, Cristo e a Igreja? Cristo, que tomou sobre Si os teus pecados, carrega-te no seu corpo; a Igreja procura-te; o Pai acolhe-te. Como pastor, traz-te de novo ao rebanho; como mãe, procura-te; como Pai, torna a vestir-te. Primeiro a misericórdia, seguidamente o socorro, por último a reconciliação.

Cada narrativa se ajusta a cada um de nós: o Redentor auxilia, a Igreja socorre, o Pai reconcilia. A misericórdia da obra divina é a mesma, mas a graça varia de acordo com os nossos méritos. A ovelha cansada é trazida pelo pastor, a dracma perdida é encontrada, o filho regressa pelo seu pé para junto do pai, e retorna plenamente, arrependendo-se do seu desvario. […]

Congratulemo-nos pois porque esta ovelha, que se deixou extraviar em Adão, foi erguida em Cristo. Os ombros de Cristo são os braços da cruz: aí depositei os meus pecados e sobre o generoso pescoço deste cadafalso descansei.