Deus se fez um de nós e segue caminhando conosco, assinala Papa Francisco

VATICANO, 05 Jan. 14 / 01:24 pm (ACI).- No Ângelus deste domingo, 5 de janeiro, o Papa Francisco destacou o fato de que na encarnação Deus se faz homem para caminhar junto do homem rumo ao Céu.

Abaixo apresentamos a íntegra do discurso do Papa na manhã deste domingo:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia deste domingo nos propõe, no Prólogo do Evangelho de São João, o significado mais profundo do Natal de Jesus. Ele é a Palavra de Deus que se fez homem e colocou a sua “tenda”, a sua morada entre os homens. Escreve o evangelista: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Nestas palavras que não cessam nunca de nos maravilhar, há todo o Cristianismo! Deus se fez mortal, frágil como nós, partilhou a nossa condição humana, exceto o pecado, mas tomou sobre si os nossos, como se fossem Dele. Entrou na nossa história, tornou-se plenamente Deus conosco! O nascimento de Jesus, então, nos mostra que Deus quis unir-se a cada homem e a cada mulher, a cada um de nós, para nos comunicar a sua vida e a sua alegria.

Assim, Deus é Deus conosco, Deus nos chama, Deus que caminha conosco. Esta é a mensagem de Natal: o Verbo se fez carne. Assim, o Natal nos revela o amor imenso de Deus pela humanidade. Daqui deriva também o entusiasmo, a esperança de nós cristãos, que na nossa pobreza sabemos ser amados, ser visitados, ser acompanhados por Deus; e olhamos ao mundo e à nossa história como o lugar em que caminhar junto com Ele e uns com os outros, rumo a céus novos e à terra nova.

Com o nascimento de Jesus nasceu uma promessa nova, nasceu um mundo novo, mas também um mundo que pode ser sempre renovado. Deus está sempre presente para suscitar homens novos, para purificar o mundo do pecado que o envelhece, do pecado que o corrompe. Por mais que a história humana e aquela pessoal de cada um de nós possa ser marcada por dificuldades e fraquezas, a fé na Encarnação nos diz que Deus é solidário com o homem e com a sua história. Essa proximidade de Deus ao homem, a cada homem, a cada um de nós, é um dom que não se acaba nunca! Ele está conosco! Ele é Deus conosco! E esta proximidade não acaba nunca. Eis o alegre anúncio do Natal: a luz divina, que inundou os corações da Virgem Maria e de São José, e guiou os passos dos pastores e dos magos, brilha também hoje para nós.

No mistério da Encarnação do Filho de Deus há também um aspecto ligado à liberdade humana, à liberdade de cada um de nós. De fato, o Verbo de Deus coloca a sua tenda entre nós, pecadores e necessitados de misericórdia. E todos nós devemos nos apressar para receber a graça que Ele nos oferece. Em vez disso, continua o Evangelho de São João, “os seus não o acolheram” (v. 11).

Também nós, tantas vezes, O rejeitamos, preferimos permanecer no fechamento dos nossos erros e na angústia dos nossos pecados. Mas Jesus não desiste e não deixa de oferecer a si mesmo e a sua graça que nos salva! Jesus é paciente, Jesus sabe esperar, espera-nos sempre. Esta é a sua mensagem de esperança, uma mensagem de salvação, antiga e sempre nova. E nós somos chamados a testemunhar com alegria esta mensagem do Evangelho da vida, do Evangelho da luz, da esperança e do amor.

Porque a mensagem de Jesus é esta: vida, luz, esperança, amor.
Maria, Mãe de Deus e nossa amorosa Mãe, apoie-nos sempre, para que permaneçamos fiéis à vocação cristã e possamos realizar os desejos de justiça e de paz que trazemos em nós no início deste novo ano.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26508)

A vida familiar na escola da Sagrada Família

Redação (Quinta-feira, 02-01-2014, Gaudium Press– De que se ocupava a Sagrada Família? Que faziam seus membros no dia a dia? Rezavam muito e com toda a alma, trabalhava a consciência, não tanto para atender às necessidades de cada dia, como para glorificar a Deus, pela perfeita submissão à sua Lei; além disso, amavam intensamente a Deus, que era o fim de todos os seus pensamentos, de todos os seus esforços, de todas as suas aspirações; amavam-se todos mutuamente, com um amor cheio de desinteresse e de abnegação; amavam a todos os homens, próximos ou distantes, cuja salvação era desejo de cada um dos membros da Sagrada Família.familia.jpg

De que maneira a família humana pode aproximar-se desse ideal realizado pela Sagrada Família? De que maneira a oração – oração que era como que a respiração normal da Sagrada família – recuperará seu lugar na família humana? Pensemos no grande número de famílias que perderam a fé; umas soçobraram no materialismo e na busca dos gozos; outras, mantidas ainda por um resto de ideal humano, se conservam em uma atitude moral que muitas vezes só se inspira no orgulho. De umas e de outras Deus está praticamente excluído. Nem sequer se dão ao trabalho de negá-lo: desconhecem-no, o que é muito pior.

Pensemos também no considerável número de famílias chamadas cristãs, assim referidas porque seus membros se submeteram às formalidades do batismo, da primeira Eucaristia, do matrimônio sacramental, do sepultamento religioso, porém que perderam a fé. Nelas ninguém há que se preocupe com a glória de Deus, com a vinda de seu Reino, com a oração; se, casualmente, algum de seus membros é fiel às práticas religiosas, em quantas dessas famílias subsiste a oração em comum, expressão de um mesmo espírito, e de uma aspiração coletiva? O individualismo, que é uma praga dos dias atuais, invadiu a vida espiritual, assim como a vida social e familiar. “Cada um para si e por si”, é o lema inconsciente da maior parte dos homens, e isso ainda em presença de Deus. O dogma da comunhão dos santos parece ser apenas uma desconhecida parte do texto do Credo, sem aplicação prática à vida. E, no entanto, não prometeu Nosso Senhor que onde duas almas se reunissem para rezar em seu nome ele ali estaria em meio delas?

Logo, voltar à vida em comum é um dos esforços que se impõem a todos os cristãos. Porventura não se esforça a Igreja, para obter os mesmos fins, em despertar o sentido litúrgico entre os fiéis para que se realize o pedido feito por Nosso Senhor a seu Pai celestial, “que todos sejam um”.

Porém, como restaurar a oração em comum – que foi a alma e a força da Sagrada Família – em nossa própria família? Se for verdade, em relação à sociedade temporal, que a família é a célula social, assim também o é em relação à sociedade espiritual, que é a Igreja. Logo, é fundamental que por todos os meios que estejam a nosso alcance avivemos e encorajemos o espírito de família, porém não aquele que resulta de uma associação de interesses e de afetos e que se pode definir como “um egoísmo de muitos”, mas o que era o da singular família de Nazaré, espírito que une e funde as almas para oferecê-las todas reunidas e com uma mesma aspiração a Deus, para a salvação da totalidade dos homens.

Cada um deve pedir a Deus que faça reviver em todos os corações esse espírito de família. Porém, como é bem sabido, Deus não nos concede seu auxílio senão quando, de nossa parte, fazemos todos os esforços possíveis. Cuidemos, pois, ao mesmo tempo em que rezamos, para que renasça e se propague o verdadeiro espírito cristão da família a fim de que se sustentem e se desenvolvam todas as instituições espirituais e sociais que existem em torno de nós e que tendem a restaurar, a elevar e a reconstruir os lares cristãos. Essas obras são os instrumentos que Deus põe à nossa disposição e quer que nos sirvamos deles. Procuremos, pois, conhecê-las, a elas aderindo, e rezemos para que se convertam em instrumentos cada dia mais perfeitos do serviço de Deus.

Porém nem todas as ocupações da Sagrada Família consistiam em rezar. Sua vida era eminentemente ativa, e cada um de seus membros trabalhava segundo sua vocação: São José e Nosso Senhor trabalhavam na oficina, da qual todos viviam; a Santíssima Virgem cuidava das múltiplas ocupações domésticas, que se impunham a toda mãe de família.

Portanto, o caso da Sagrada Família era exatamente o da imensa maioria das famílias atuais. Mas, como se vê com frequência, o trabalho é considerado com uma pesada carga contra a qual se queixa, procurando-se dela se livrar com o menor esforço possível, mas em Nazaré era ele recebido com gosto, como um meio de ser agradável a Deus.

Alguém objetará que, em muitas famílias, se trabalha intensamente, mas nesses casos não vemos como o trabalho absorve todos os momentos, todos os pensamentos? Trabalhar cada dia mais, para ganhar mais, a fim de satisfazer mais largamente as necessidades sempre crescentes da existência: tal parece ser a única aspiração de um grande número de nossos contemporâneos. Porém ainda assim o trabalho corajosamente aceito e cumprido não deixa de ser considerado de uma maneira puramente humana e como um mal necessário. Para a Sagrada Família, diferentemente, o trabalho era um bem precioso, pelo qual dava sem cessar graças a Deus, pois por ele se rendia ao Senhor a homenagem de uma inteira e prazerosa obediência. Por acaso não foi Deus quem instituiu a lei do trabalho, a que é obrigado todo ser humano? Ao mesmo tempo os esforços e as fadigas, os cuidados e as inquietudes – que todo trabalho carrega – eram aos olhos da Sagrada Família um sacrifício de suave odor que podia ser oferecido a Deus em reparação pelos pecados do mundo.

Dessa forma, em Nazaré o trabalho tinha muito menos por objeto a vida material, que devia assegurar, que a glória de Deus, que havia de promover. Daí se conclui que se trabalhava com amor, com gozo, com uma consciência rigorosa. Aplainar uma madeira e varrer a humilde morada eram atos de amor que, aos olhos de Deus, podiam ser tão santos como a mais sublime contemplação, e que se podiam fazer com o mesmo fervor, com o mesmo desejo absoluto de perfeição.

Se queremos que nossa sociedade moderna não naufrague na anarquia e na rebelião, é imperioso guiá-las rumo a essa concepção do trabalho, pois o labor suportado por necessidade suscita no coração do homem o rancor, o ódio e a rebeldia, e o trabalho animado apenas pelo espírito de luta fomenta o egoísmo e o orgulho, que são o princípio da anarquia.

Esforcemo-nos, pois, para que a lei do trabalho seja, em todas as famílias, compreendida e aceita como a Lei de Deus. Assim o trabalho se converterá em outra oração, e não menos agradável a Deus. Então também recuperará, aos olhos de todos, sua grandeza e sua dignidade, e será novamente, para o homem, uma fonte de força e de gozo.

Porém não nos esqueçamos de que o trabalho é, e deve ser, o meio para que cada um de nós assegure sua vida material e a de seus familiares: em nossa sociedade moderna, infelizmente nem sempre é assim. Deus quer que nos ajudemos mutuamente, se queremos que ele nos ajude. Logo, não nos afastemos das obras sociais, que se esforçam em suavizar os desagradáveis efeitos de certos desníveis e em assegurar a todos o mínimo de bem estar, sem o qual o homem não é mais que uma pobre máquina, que anda ofegante sob o esforço. Mais ainda, entremos todos nesse grande movimento familiar que por si só poderá devolver à família sua dignidade e sua influência social e, ao mesmo tempo, ser o fundamento de sua prosperidade material.

Para que se realizem essas grandes e indispensáveis reformas é necessário que se produza no seio de cada família, e entre todas as famílias, aquela união de espíritos e de corações que tem sua origem na caridade, no amor. Que entre os membros de cada família, e entre todas as famílias, reine o amor. É uma das intenções dos esforços e dos sacrifícios que temos de oferecer a Nosso Senhor em favor da família.

E, neste ponto, a Sagrada Família nos mostra novamente o caminho: que haja amor entre os que a compõem, porém não aquele sentimentalismo desordenado que impropriamente chamamos de amor quando não é mais que debilidade, se não for egoísmo.

Amar é querer bem àqueles a quem amamos. Não consiste o bem de cada um de nós cumprir a vontade de Deus? Muito bem o sabiam os componentes da Sagrada Família, em Nazaré; seus corações, através da ternura humana que os unia, tendiam em primeiro lugar a esse fim supremo: fazer a vontade de Deus. A autoridade, em São José, era firme e doce, humildemente respeitosa para com os direitos de Deus. A obediência da Santíssima Virgem a São José era completa, afetuosa e alegre, porque era como uma manifestação palpável da submissão à vontade de Deus, e em nada diminuía a autoridade maternal, tão segura e tranquila que sabia exercer sobre o filho que o Senhor lhe havia confiado. E, por sua vez, o filho, na submissão tão perfeita aos pais, em sua docilidade de espírito e de coração a todos os ensinamentos que lhe davam, na sua simplicidade e na sua humildade dava provas antes de tudo, de seu amor ao Pai Celestial, cuja vontade reconhecia nessa instituição familiar e social, em cujo seio havia vindo encarnar-se.

A família cristã deve, pois, procurar recuperar tal sentimento de amor e de fidelidade a Deus, o que a ajudará a seguir os passos da Sagrada Família e, ao mesmo tempo, assegurará entre todos os seus membros a união de almas e de corações, estabelecendo entre eles o amor.familia_1.jpg

Porém a Sagrada Família não se encerrava egoisticamente em si. Na cidade de Nazaré era a providência visível de todos os fracos, de todos os humildes. Se as orações tão fervorosas da Sagrada Família, se seu trabalho tão constante e tão perfeito era sem cessar oferecido a Deus em espírito de reparação pelos pecados dos homens e pela salvação de todos, era possível que ignorasse os que sofriam ou estavam desencaminhados? O amor fraterno mais compassivo e mais solícito regulava todas as relações da Sagrada Família com os que a cercavam.

Peçamos a Deus que avive, no seio de todas as famílias humanas, tal caridade fraterna. Dissemos, a propósito da oração, que o individualismo domina em todas as partes, na família e na sociedade, e o individualismo é a negação de toda verdadeira caridade. Logo, não há outro ponto no qual tenhamos de insistir tanto em nossas orações. Porém evitemos nos contentar com orações, que seriam vãs se nossos atos não as acompanhassem.

Saibamos dar exemplo desse amor, que queremos que reine nos corações. Vamos dar esse exemplo em nossa própria família, praticando com amor todas as virtudes familiares, e até mesmo fora de casa, evitando com cuidado todas as críticas, todas as murmurações, que com tanta frequência são causa de divisões entre as famílias. Pelo contrário, sejamos pacíficos, sejamos daqueles que fomentam a paz, que adoçam os espíritos, que extinguem as desavenças e que aproximam os corações. Para isso, que melhor meio há a não ser estabelecer em todos os indivíduos e entre todas as famílias um ponto de inteligência, um princípio de união?

Ainda desconhecemos muito a força e a eficácia do princípio de associação. Agimos separadamente, e, desta forma, nossas melhores intenções reduzem-se à impotência. Promovamos, pois, em nós, e propaguemos em torno de nós, esse importante espírito de associação que é – não nos esqueçamos – o mesmo espírito da religião e a essência do catolicismo. Não tenhamos receio de nos associar a todos os esforços sinceros. Nunca digamos, em presença de uma obra cristã que tende à união, ao esforço comum, que “isso não me interessa”. E, naquelas obras das quais fazemos parte, não busquemos tanto o que podemos tirar em proveito próprio, como o que podemos a ela acrescentar, o que podemos dar de nós mesmos.

Tal há de ser nosso programa de oração e de ação. Tomemos isso muito a sério. A instituição familiar está em perigo, e com ela toda a sociedade. Talvez dependa de nós, do fervor de nossas orações, da sinceridade e da intensidade de nossos esforços, que Deus se compadeça das necessidades prementes de nossa tão perturbada época. Por dez justos promete Deus perdoar a Sodoma e Gomorra: que não concederá então a quem, não se contentando com apenas rezar, se esforça em realizar em si próprio, e nos que o cercam, aquilo que pede?

Saibamos rezar, trabalhar e amar, segundo o que foi exposto, e sem dúvida alguma Deus concederá à família as graças eficazes que poderão salvá-la.

(Adaptado do texto de J. Viollet, in Repertorio Universal del Predicador, tomo XIX, pag. 191-196, Editorial Liturgica Española, Barcelona, 1933).

(http://www.gaudiumpress.org/content/54407#ixzz2pKVFzYnF )

A família que Deus quer

Campos – Rio de Janeiro (Sexta-feira, 27-12-2013, Gaudium Press“Dentro da Oitava de Natal e no coração do Mistério da Encarnação celebra-se a Festa da Sagrada Família”, lembrou Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo da Diocese de Campos, no Rio de Janeiro, em seu mais novo artigo.jesus.jpg

Segundo o prelado, “o Evangelho da família está ancorado no Natal de Jesus Cristo, pois a encarnação exige a inserção numa família humana, para o desenvolvimento da pessoa, ter um nome e fazer parte de um povo e de uma cultura”.

“Jesus inicia sua obra redentora santificando e salvando a família, tornando-a o primeiro espaço de humanização e evangelização”, afirmou.

Dom Roberto acredita que a Liturgia da Palavra dentro deste período festivo para a Igreja “é muito rica para alimentar uma verdadeira espiritualidade conjugal e familiar centrada no amor, na compreensão, na autoridade servidora e edificadora dos pais, no perdão, na cooperação e na hospitalidade cristã”, valores esses considerados permanentes que ajudam a fortalecer e enaltecer o grupo familiar.

Para o Bispo, a Sagrada Família é um modelo a ser buscado e vivenciado por todas as famílias, “mais que um protótipo estático e abstrato, que esqueceria as dificuldades, problemas e conflitos que o lar de Nazaré teve que assumir para proteger, educar e seguir a Jesus, o Salvador”.spic-bco_arq-foto-pe-roberto1.jpg

Contudo, a família cristã, segundo ele, “como comunidade de Fé, esperança e caridade, sendo fiel a Jesus”, deve passar também por tribulações, conflitos e confrontos “com os Herodes do poder de cada época”, encontrando sempre no final “a felicidade de estarem firmados na verdadeira Rocha que é o Cristo, Senhor das famílias”.

“A família cristã está chamada a revelar às outras a alegria e a beleza de ser e de se ter uma família, que para nós o Povo da Vida, será sempre a instituição que Deus quis e criou em primeiro lugar”, ressaltou.

Finalizando seu artigo, Dom Roberto deixou um recado direcionado a todas as famílias do Brasil:

“Que Jesus esteja sempre com nossas famílias para abençoá-las e santificá-las tornando-as cada vez mais missionárias da paz e do amor. Deus seja louvado!” (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54323#ixzz2oxaNNwLL )

Sagrada Família

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Redação (Sexta-feira, 27-12-2013, Gaudium Press) – Jesus, Maria, José: três perfeições que chegaram todas ao pináculo a que cada uma devia chegar; três auges que se amavam e se inter compreendiam intensamente; três perfeições altíssimas, admiráveis, desiguais, realizando uma harmonia de desigualdades como jamais houve na face da Terra. A santidade, a nobreza e a hierarquia na Sagrada Família. É o que aqui transcrevemos em lembrança de que no dia 30 de dezembro a Igreja reverencia Família Sagrada composta por Jesus, Maria e José:sagrada_familia_1.jpg

Uma família que, realmente, não poderia deixar de ser chamada de Sagrada: Jesus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade,Maria a Virgem Mãe de Deus que trouxe em seu seio Nosso Senhor Jesus Cristo e São José, esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus.

Não estaria fora de propósito que, por ocasião destas comemorações recomendadas pela Igreja, pensássemos um pouco nessa Família modelo. Por exemplo, poderíamos cogitar um pouco sobre a pergunta seguinte: Como seria a santidade, a nobreza e a hierarquia na Sagrada Família?

Nessa Família nós temos a presença do Filho de Deus feito Homem. No Evangelho de São Lucas (Lc. 2, 52) está dito que o Menino Jesus “crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens”.

São palavras inspiradas pelo Espírito Santo e, portanto, verdadeiras. Elas nos ensinam que no Homem Deus ainda havia o que crescer. De qualquer natureza que fosse esse crescimento, era um crescimento da perfeição perfeitíssima para algo que era uma perfeição ainda mais perfeitíssima. Por outro lado, nessa Família temos também Nossa Senhora.

Se considerarmos tudo quanto Ela é, nós veremos n’Ela um tal acúmulo de perfeições criadas, que um Papa chegou a declarar: d’Ela se pode dizer tudo em matéria de elogio, desde que não se Lhe atribua a divindade. Maria foi concebida sem pecado original e confirmada em graça logo a partir do primeiro instante do seu ser. Ela não podia pecar, não podia cair na mais leve falta, porque estava garantida por Deus contra isso.

Não tendo defeitos – isso é um aspecto importante desta consideração – também Nossa Senhora crescia constantemente em virtude. Ao lado do Menino Jesus e de Nossa Senhora estava São José convivendo com eles. É difícil elogiar qualquer homem, qualquer grandeza terrena, depois de considerar a grandeza de São José. O homem casto, virginal por excelência, descendente de Davi.

São Pedro Julião Eymard (cfr. “Extrait des écrits du P. Eymard”, Desclée de Brouwer, Paris, 7ª ed., pp. 59-62) nos ensina que São José era o chefe da Casa de Davi. Ele era o pretendente legítimo ao trono de Israel. Ele tinha direito sobre o mesmo trono que fora ocupado e derrubado por falsos reis, enquanto Israel era dividido e, por fim, dominado pelos romanos.

Três ascensões constantes, três auges atingidos.

São José era um varão perfeito, modelado pelo Espírito Santo para ter proporção com Nossa Senhora. Pode-se imaginar a que píncaro, a que altura São José deve ter chegado para estar em proporção com Nossa Senhora! É algo imenso, inimaginável. É sumamente provável que São José também tenha sido confirmado em graça.

Então, assim sendo, na humilde casa de Nazaré, pode-se dizer que a cada momento que se passava, as três pessoas dessa Família Sagrada cresciam em graça e santidade diante de Deus e dos homens. São José deve ter falecido antes do início da vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ele é o padroeiro da boa morte, porque tudo leva a crer que tenha sido assistido em sua agonia por Nossa Senhora e pelo Divino Redentor. Nos instantes finais de sua vida, Jesus e Maria o ajudaram a elevar sua alma à perfeição para a qual ele fora criado.

Não era a perfeição de Nossa Senhora, era uma perfeição menor. Mas era a perfeição enorme para a qual ele tinha sido chamado. Quando seu olhar embaçado já se ia apagando para a vida, São José contemplou Aquela que era sua esposa e Aquele que juridicamente era seu filho.

E, certamente, Ele extasiou-se com a ascensão contínua em santidade de Nossa Senhora e de Seu Divino Filho. E ao vê-Los subir assim nas vias da santificação, ele admirou e amou essa ascensão. E foi por admirar e amar o aumento da santidade de Maria e Jesus que Ele também, por sua vez, subia sem cessar na sua própria santidade. Esta tríplice ascensão contínua na casa de Nazaré, constituiu o encanto do Criador e dos homens.

Jesus, Maria, José: três perfeições que chegaram todas ao pináculo a que cada uma devia chegar; três auges que se amavam e se inter compreendiam intensamente; três perfeições altíssimas, admiráveis, desiguais, realizando uma harmonia de desigualdades como jamais houve na face da Terra.

Entretanto, a hierarquia posta por Deus entre estas três sublimes desigualdades era de uma ordem admiravelmente inversa: Aquele que era o chefe da Casa no plano humano era o menor na ordem sobrenatural; o Menino, que deveria prestar obediência aos pais, era Deus.

Uma inversão que nos faz amar ainda mais as riquezas e as complexidades de qualquer ordem verdadeiramente hierárquica; uma inversão que leva a alma fiel, a alma desejosa de meditar sobre tão elevado tema, a entoar um hino de louvor, de admiração e de fidelidade a todas as hierarquias, a todas as desigualdades estabelecidas por Deus.sagrada_familia_2.jpg

Quem é mais, manda menos

À primeira vista, a constituição da Sagrada Família é um mistério. Pois nela quem tem mais autoridade é São José, como patriarca e pai, com direito sobre a esposa e sobre o fruto de suas puríssimas entranhas.

A esposa é Mãe de Deus, Mãe da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Sendo Mãe, tem Ela poder sobre um Deus que Se encarnou em Seu seio virginal e Se fez seu filho. Nosso Senhor Jesus Cristo, como filho, deve obediência a esse pai adotivo, aceitando em tudo a orientação e a formação dada por José; e também à sua Mãe, a criatura Sua. Que imenso, insondável e sublime paradoxo!

Assim, na ordem natural, José é o chefe; Maria, a esposa e mãe; e Jesus, a criança. Porém, na ordem sobrenatural, o Menino é o Criador e Redentor; Ela, a Medianeira de todas as graças, Rainha do Céu e da Terra; e José, o que de si tem menos poder, exerce a autoridade sobre Nossa Senhora, a qual tem a ciência infusa e a plenitude da graça, e sobre o Menino, que é o Autor da graça.

Deus ama a hierarquia

Por que dispôs Deus essa inversão de papéis?

Assim fez para nos dar uma grande lição: Ele ama a hierarquia e deseja que a sociedade humana seja governada por este princípio, do qual o próprio Verbo Encarnado quis dar exemplo.

Bem podemos imaginar, na pequena Nazaré, a prestatividade, a sacralidade e a calma de Jesus, auxiliando José na carpintaria: serrando madeira, pregando as pelas de uma cadeira, quando bastaria um simples ato de vontade Seu, para serem imediatamente produzidos, sem necessidade sequer de matéria-prima, os mais esplêndidos móveis, jamais vistos na História.

Entretanto, afirma São Basílio, “obedecendo desde sua infância a seus pais, Se submeteu Jesus humilde e respeitosamente a todo trabalho braçal. Assim, logo que São José mandasse – e com que veneração! – o Filho fazer um trabalho, Este Se punha a executá-lo!

Pois agindo dessa maneira – honrando o pai que estava na terra e aceitando, por exemplo, fazer um móvel de acordo com as regras da natureza – dava Jesus mais glória a Deus Pai, que O havia enviado. Afirma São Luís Grignion, a propósito de sua obediência a Nossa Senhora: “Jesus Cristo deu mais glória a Deus submetendo-Se a Maria durante trinta anos, do que se tivesse convertido toda a terra pela realização dos mais estupendos milagres.”

Assim, temos dentro da própria Sagrada Família um impressionante princípio de amor à hierarquia, porque, uma vez que Jesus havia desejado nascer e viver numa família, Ele honrava pai e mãe, mesmo sendo onipotente e o Criador de ambos.

Príncipe e operário

Outro paradoxo foi colocado pelo Criador nas complexidades desta nobilíssima ordem hierárquica. São José era o representante da Casa Real mais augusta que houve em todos os tempos: enquanto de outras Casas nasceram reis, da Casa de Davi, nasceu um Deus. Os únicos cortesões à altura dessa Casa Real seriam os Anjos do Céu.

Porém, ainda por desígnio divino, o chefe da Casa de Davi, São José, era, ao mesmo tempo, um trabalhador manual: era carpinteiro. E Nosso Senhor Jesus Cristo também exerceu essa atividade antes de iniciar sua vida pública.

Deus quis que, assim, as duas pontas da hierarquia temporal se ligassem naquele que é o Homem Deus. Em Jesus Cristo está a condição de príncipe real da Casa de Davi, de pretendente ao trono de Israel. E esta condição coexiste com a de mero carpinteiro, de operário, colocado no extremo oposto da escala social.

Esta coexistência de perfeições, em ambos os aspectos – tanto no de Criador – criatura como no outro, incomparavelmente menor, de rei-operário – reúne os extremos para reforçar a coesão dos elementos intermediários da hierarquia: os elementos se unem pela união dos extremos.

Assim, a sacrossanta hierarquia no interior da Sagrada Família não nos aparece apenas como um conjunto de cimos tão altos que a nossa vista física e mental custa a alcançar. Ela representa também um abraço hierárquico, desigual mas afetuoso, entre todos os degraus da ordem social. De tal maneira que, aquele que ocupa lugar mais alto abraça afetuosamente o que está mais baixo e diz: “Enquanto natureza humana somos todos iguais”.

Amor desinteressado à Hierarquia

Na Sagrada Família, o exemplo de São José, de Nossa Senhora e de Nosso Senhor Jesus Cristo nos leva a compreender melhor a hierarquia no que ela tem de mais puro, de mais límpido, de mais perfeito, na qual não há egoísmo nem pretensão.sagrada_familia_3.jpg

Nessa Família existe o puro amor de Deus que gera amor às várias hierarquias sem preocupação de ser muito, de fazer muito oupoder muito. A hierarquia aqui é amada. E é amada por amor de Deus. As almas que têm o verdadeiro senso da hierarquia amam deste modo os que lhes são superiores.

A palavra “majestade” tem para elas um sentido, um mistério, um “lumen”, um brilho especial que torna respeitáveis e veneráveis reis, imperadores e superiores em geral, mesmo quando estes, por seus defeitos pessoais, não merecerem as homenagens que lhes são prestadas por serem eles quem são.

Mas se, para aquilo a que foram chamados, em algo correspondem, esse algo, por pequeno que seja, é como o aroma de uma flor incomparável da qual se tira uma gota, cujo perfume produz sobre o homem reto um efeito semelhante ao que a santidade maior produz sobre a santidade menor.

E isto tem alguma analogia com o que se passava na Sagrada Família, entre as três pessoas indizivelmente excelsas – uma delas divina – que a compunham.

Eis aí algumas considerações sobre o enlevo e o entusiasmo que as verdadeiras hierarquias – como aquela que existiu, em grau arquetípico, na Sagrada Família – podem e devem suscitar nas almas retas e autenticamente católicas.

Uma vida de aparência normal

Não devemos supor que na Sagrada Família tudo era absolutamente místico, sobrenatural e pleno de consolações. Do Menino Jesus não se pode dizer que vivia de fé porque sua alma estava na visão beatífica. Entretanto, quis que seu corpo tivesse o desenvolvimento normal de um ser humano. Assim, por exemplo, não nasceu falando, embora pudesse falar todas as línguas do mundo.

Nossa Senhora e São José levavam também uma vida inteiramente comum na aparência e, como todos os homens, sofreram perplexidades e angústias. Disto nos dá exemplo o Evangelho (Lc 2, 41-52): “Teu pai e Eu estávamos, angustiados, à tua procura”.

Notas:

– Desenvolvimento de anotações de conferência feita pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 2-11-92, para um grupo de jovens.

 – Trechos do Comentário ao Evangelho, Monsenhor João Clá Dias, EP, Revista Arautos do Evangelho, Dez/2009, n. 96)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54336#ixzz2oxZHyEJD )

Papa Francisco: “José, homem fiel e justo que preferiu acreditar no Senhor”

Palavras do Papa Francisco durante o Angelus

Por Redacao

ROMA, 22 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – Publicamos a seguir as palavras que o Santo Padre pronunciou hoje às 12hs, antes e depois da oração do Angelus, aos fieis e peregrinos reunidos na praça de São Pedro:

***

Queridos irmãos e irmãs, bom dia !

Neste quarto domingo de Advento, o Evangelho nos narra os acontecimentos que precederam o nascimento de Jesus, e o evangelista Mateus nos apresenta do ponto de vista de São José, o prometido esposo da Virgem Maria.

José e Maria moravam em Nazaré; ainda não moravam juntos, porque o matrimônio ainda não tinha sido concluído. Enquanto isso, Maria, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo, ficou grávida por obra do Espírito Santo. Quando José percebeu este fato, ficou confuso. O Evangelho não explica quais eram os seus pensamentos, mas nos diz o essencial: ele procura fazer a vontade de Deus e está pronto para a renúncia radical. Em vez de se defender e fazer valer os seus direitos, José escolhe uma solução que representa para ele um enorme sacrifício. E o Evangelho diz: “Porque era um homem justo e não queria acusá-la publicamente, resolveu deixá-la em segredo” ( 1, 19).

Esta pequena frase resume um verdadeiro drama interior, se pensarmos no amor que José tinha por Maria! Mas, mesmo em tal circunstância, José pretende fazer a vontade de Deus e decide, sem dúvida com grande dor, abandonar Maria em segredo. Devemos meditar nessas palavras, para entender a prova que José teve que enfrentar nos dias que precederam o nascimento de Jesus. Uma prova parecida com aquela do sacrifício de Abraão, quando Deus lhe pediu seu filho Isaque (cf. Gn 22): renunciar à pessoa mais preciosa, à pessoa mais amada.

Mas, como no caso de Abraão, o Senhor interveio: ele encontrou a fé que buscava e abre um caminho diferente, um caminho de amor e felicidade: “José – lhe diz – não temas receber Maria, como sua esposa. De fato, a criança que nela foi gerada vem do Espírito Santo” (Mt 1, 20).

Este Evangelho nos mostra toda a grandeza de alma de São José. Ele estava seguindo um bom projeto de vida, mas Deus reservou para ele um outro projeto, uma missão maior. José era um homem que sempre dava ouvidos à voz de Deus, profundamente sensível à sua vontade secreta, um homem atento às mensagens que lhe vinham do profundo do coração e do alto. Não ficou obstinado em perseguir aquele seu projeto de vida, não permitiu que o rancor lhe envenenasse a alma, mas estava preparado para colocar-se à disposição da novidade que, de forma desconcertante, era-lhe apresentada. Era assim, era um homem bom. Não odiava, e não permitiu que o rancor lhe envenenasse a alma. Mas quantas vezes em nós o ódio, a antipatia também, o rancor nos envenenam a alma! E isso faz mal. Não permiti-lo nunca: ele é um exemplo disso. E assim, José se tornou ainda mais livre e grande. Aceitando-se de acordo com o projeto do Senhor, José encontra plenamente a si mesmo, além de si. Esta sua liberdade de renunciar ao que é seu, e esta sua plena disponibilidade interior à vontade de Deus, nos interpelam e nos mostram o caminho.

Nos dispomos agora a celebrar o Natal contemplando Maria e José: Maria, a mulher cheia de graça que teve a coragem de confiar totalmente na Palavra de Deus; José, o homem justo e fiel que preferiu acreditar no Senhor, em vez de ouvir as vozes da dúvida e do orgulho humano. Com eles, caminhamos junto rumo a Belém.

Depois do Angelus

Leio ali, escrito grande: “Os pobres não podem esperar”. Que bonito! E isso me faz pensar que Jesus nasceu em um estábulo, não nasceu em uma casa. Depois teve que fugir, ir ao Egito para salvar sua vida. Finalmente, voltou para sua casa em Nazaré. E eu penso hoje, também lendo este escrito, em tantas famílias sem casa, seja porque nunca a tiveram, seja porque a perderam por tantos motivos. Família e casa vão juntos. É muito difícil levar adiante uma família sem habitar em uma casa. Nestes dias de Natal, convido a todos – pessoas, entidades sociais, autoridades – a fazer todo o possível para que cada família possa ter uma casa.

Saúdo com afeto a todos vós, queridos peregrinos de vários países para participar deste encontro de oração. O meu pensamento vai às famílias, aos grupos paroquiais, às associações e aos fieis individualmente. Em particular, saúdo a comunidade do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras, a Banda de música de San Giovanni Valdarno, os jovens da paróquia São Francisco Nuovo em Rieti, e os participantes do revezamento que começou em Alexandria e chegou a Roma para testemunhar o compromisso com a paz na Somália.

A todos da Itália que se reuniram hoje para manifestar o seu compromisso social, desejo dar uma contribuição construtiva, rejeitando as tentações do confronto e da violência, e seguindo sempre o caminho do diálogo, defendendo os direitos.

Desejo a todos um bom domingo e um Natal de esperança, de justiça e de fraternidade. Bom almoço e nos vemos!

(Tradução Thácio Siqueira)

(Fonte: Agência Zenit)

Papa Francisco reflete sobre a figura de São José na última audiência geral antes do Natal

VATICANO, 22 Dez. 13 / 11:19 am (ACI).- No contexto do último domingo doadvento, o Papa Francisco dirigiu-se aos milhares de fiéis que encheram a Praça de São Pedro para a audiência geral deste domingo e lembrou a figura de São José como exemplo de acolhida ao Plano de Deus. Posteriormente o Papa rezou e dirigiu um pedido para que todos aqueles que puderem ajudem a que crianças pobres possam ter uma casa para suas famílias.

“Neste 4° Domingo do Advento, o Evangelho nos conta os acontecimentos que precederam o nascimento de Jesus, e o evangelista Mateus apresenta esses fatos do ponto de vista de São José, o noivo da Virgem Maria“, disse o Papa.

“José e Maria viviam em Nazaré; não moravam ainda juntos, porque omatrimônio ainda não tinha sido realizado. Enquanto isso, Maria, depois de acolher o anúncio do Anjo, ficou grávida por obra do Espírito Santo. Quando José percebeu esse fato, ficou confuso.”

O Papa sublinhou que “o Evangelho não explica quais foram os seus pensamentos, mas nos diz o essencial: ele procura fazer a vontade de Deus e está pronto para a renúncia mais radical. Em vez de se defender e fazer valer os seus direitos, José escolhe uma solução que representa um enorme sacrifício para ele: “Porque era homem justo e não queria denunciar Maria publicamente, pensava em deixá-la, sem ninguém saber”.

“Esta breve frase resume um verdadeiro drama interior, se pensarmos no amor que José tinha por Maria! Mas, mesmo em tal circunstância, José pretende fazer a vontade de Deus e decide, certamente, com grande dor, deixar Maria em segredo. Devemos meditar sobre essas palavras, para entender qual foi a provação que José teve de enfrentar nos dias que precederam o nascimento de Jesus.

“Uma provação semelhante ao sacrifício de Abraão -prosseguiu o Santo Padre- quando Deus lhe pediu seu filho Isaac: renunciar à coisa mais preciosa, à pessoa mais amada. Mas, como no caso de Abraão, o Senhor interveio: Ele encontrou a fé que procura e abriu um caminho diferente, um caminho de amor e felicidade: José – Lhe disse – não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo”, destacou.

Segundo a nota aparecida hoje no site News.va, o portal oficial de notícias do Vaticano, Francisco frisou que “este Evangelho nos mostra a grandeza de São José. Ele estava seguindo um bom projeto de vida, mas Deus reservou para ele outro projeto, uma missão maior”.

“José era um homem que escutava a voz de Deus, profundamente sensível à sua vontade secreta, um homem atento às mensagens que vinham do profundo do coração e do alto. Não se recusou a seguir o seu projeto de vida, não permitiu que o ressentimento o envenenasse, mas estava pronto para se colocar à disposição da novidade que, de maneira desconcertante, lhe foi apresentada. Assim, ele se tornou ainda mais livre e grande”, sublinhou.

“Aceitando-se segundo o desígnio do Senhor, José se encontra totalmente, além de si. Esta liberdade de renunciar ao que é seu, ao possesso sobre a própria existência, e esta sua plena disponibilidade interior à vontade de Deus, nos interpelam e nos mostram o caminho”, disse ainda o Santo Padre.

O Papa convidou os fiéis a celebrarem o Natal contemplando Maria e José. “Maria, mulher cheia de graça que teve a coragem de confiar-se totalmente à Palavra de Deus. José, homem fiel e justo que preferiu acreditar no Senhor, em vez de ouvir as vozes da dúvida e do orgulho humano. Com eles, caminhamos juntos rumo a Belém”, concluiu Francisco

Após o Angelus o Papa fez uma pequena reflexão sobre a pobreza do presépio e a pobreza no mundo de hoje.

“Os pobres não podem esperar”, disse o Papa Francisco, “e isso me faz pensar que Jesus nasceu em um estábulo, não nasceu em uma casa. E depois ter que fugir para ir ao Egito para salvar sua vida. Eventualmente, ele voltou para sua casa em Nazaré. (…) É muito difícil continuar sem uma família que vive em uma casa. Nestes dias de Natal, eu convido a todos – indivíduos, entidades sociais, autoridades – para fazer todo o possível para assegurar que cada família possa ter uma casa”.

“Desejo a todos um bom domingo e um Natal de esperança, justiça e de fraternidade. Bom almoço e até breve!”, finalizou o Papa.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26479)

A Importância de celebrar o Nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro

Sabemos que o Império Romano perseguiu pesadamente os cristãos por quase três séculos; desde Nero em 64, mas, por fim, depois de muitos mártires e o trabalho incansável de evangelização dos primeiros cristãos, o grande Império, o maior de todos os tempos, se converteu ao cristianismo quando o Imperador Constantino, o Grande, se converteu e proibiu a perseguição aos cristãos pelo Edito de Milão, no ano 313. “A espada romana se curvou diante da Cruz de Cristo”, como disse Daniel Rops.

Depois, no ano 385 o grande imperador cristão romano, Teodósio, pelo Edito de Tessalônica, adotou o cristianismo como a religião oficial do Império. Mas, ainda no tempo do paganismo, os romanos adoravam o deus Sol e celebravam a festa do seu nascimento “Natalis solis invicti”. O Imperador de Roma, Aureliano (270-275) tornou oficial e tradicional a comemoração do sol nascente e invencível.

Acontece que no dia 22 de dezembro ocorre o solstício de inverno no hemisfério Norte, isto é, o dia em que a Terra tem o seu eixo vertical com a máxima inclinação, fazendo com que no Norte se tenha o dia mais curto e a noite mais longa do ano; ao contrário do que ocorre no hemisfério Sul na mesma data.

Os romanos pagãos consideravam isso uma ameaça dos deuses, porque dia-a-dia, na chegada do inverno, as horas de sol sobre a Terra diminuía, até chegar ao máximo que eles consideravam ser no dia 25  de dezembro. Então, por medo ofertavam aos deuses desagravos, rituais e celebrações longas, para impedir que a ira dos deuses impedisse a luz do sol de iluminar a Terra.

Os cristãos, embora convertidos, tinham saudades dessas majestosas festas do Sol Invicto Nascente, que começava a voltar a iluminar a Terra. Pedagogicamente, e sabiamente, a Igreja passou a comemorar nesse mesmo dia, o nascimento do verdadeiro Sol, como disse o profeta Malaquias,  “Sol da Justiça que traz a salvação em seus raios” (Ml 3, 20). Então, o Messias Salvador passou a ser  mostrado na cultura deles, a “Luz para iluminar as nações” (Lc 2, 32). “Eu sou a Luz do mundo” (Jo 1, 9).

Com base em um antigo mosaico do século III, encontrado no Vaticano no Mausoléu dos Iulii, onde se vê as imagens de Cristo e do Sol sobre uma carruagem triunfante, acredita-se que o Imperador Constantino, que construiu a primeira Basílica de São Pedro, ter sido um dos primeiros a fixar nessa data a celebração do Natal. Mas a declaração oficial da Igreja foi feita pelo Papa Júlio I (337-352). E o primeiro calendário a marcar esse fato foi editado por Filocalos (354).

Sabemos que Jesus prometeu a Pedro, o Papa, que tudo o que ele ligasse na Terra seria ligado no céu (Mt 16,19); é um carisma da Cátedra infalível do Papa. Assim, pela Promessa de Jesus, o céu também celebra o Nascimento do Salvador em 25 de dezembro. Desta forma, a Igreja nos ensina que quando celebramos uma festa litúrgica, fixada pelo Papa, participamos das mesmas graças dispensadas por Deus no próprio acontecimento comemorado. Logo, celebrar o Natal em 25 de dezembro, com fé, é receber as graças do Nascimento de Jesus, qualquer que tenha sido o dia em que nasceu.  Abramos o coração, acolhamos o Redentor feito homem e lhe demos glória como os Anjos, os pastores de Belém e os Reis Magos. “Glória in excelsis Deo”.

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/a-importancia-de-celebrar-o-nascimento-de-jesus-no-dia-25-de-dezembro/)

O Papa explica que o natal é a festa da confiança e da esperança, que supera o pessimismo.

Texto da catequese do Papa Francisco na audiência da quarta-feira
Por Redacao

ROMA, 18 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – Queridos irmãos e irmãs bom dia,

Este nosso encontro se desenvolve no clima espiritual do Advento, tornado ainda mais intenso pela Novena do Santo Natal, que estamos vivendo nestes dias e que noz conduz às festas natalícias. Por isso, hoje gostaria de refletir convosco sobre o Natal de Jesus, festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo. E a razão da nossa esperança é esta: Deus está conosco e confia ainda em nós. É generoso este Deus Pai! Ele vem morar com os homens, escolhe a terra como sua morada para estar junto ao homem e fazer-se encontrar lá onde o homem passa os seus dias na alegria ou na dor. Portanto, a terra não é mais somente um “vale de lágrimas”, mas é o lugar onde o próprio Deus colocou a sua tenda, é o lugar do encontro de Deus com o homem, da solidariedade de Deus com os homens.

Deus quis partilhar a nossa condição humana ao ponto de fazer-se uma só coisa conosco na pessoa de Jesus, que é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Mas há algo ainda mais surpreendente. A presença de Deus em meio à humanidade não foi realizada de modo ideal, sereno, mas neste mundo real, marcado por tantas coisas boas e ruins, marcado por divisões, maldade, pobreza, prepotência e guerras. Ele escolheu habitar a nossa história assim como ela é, com todo o peso de seus limites e dos seus dramas. Assim fazendo, demonstrou de modo insuperável a sua inclinação misericordiosa e repleta de amor para com as criaturas humanas. Ele é o Deus-conosco; Jesus é Deus-conosco. Vocês acreditam nisso? Façamos juntos esta profissão: Jesus é Deus-conosco! Jesus é Deus-conosco desde sempre e para sempre conosco nos nossos sofrimentos e nas dores da história. O Natal de Jesus é a manifestação de que Deus colocou-se de uma vez por todas do lado do homem, para nos salvar, para nos levantar do pó das nossas misérias, das nossas dificuldades, dos nossos pecados.

Daqui vem o grande “presente” do Menino de Belém: Ele nos traz uma energia espiritual, uma energia que nos ajuda a não nos abatermos com os nossos cansaços, os nossos desesperos, as nossas tristezas, porque é uma energia que aquece e transforma o coração. O nascimento de Jesus, de fato, nos traz a bela notícia de que somos amados imensamente e singularmente por Deus, e este amor não somente o faz conhecer, mas o doa, comunica-o!

Da contemplação alegre do mistério do Filho de Deus nascido por nós, podemos tirar duas considerações.

A primeira é que se no Natal Deus se revela não como um que está no alto e que domina o universo, mas como Aquele que se rebaixa, vem à terra pequeno e pobre, significa que para sermos similares a Ele nós não devemos nos colocar sobre os outros, mas antes rebaixar-nos, colocarmo-nos a serviço, fazer-nos pequenos com os pequenos e pobres com os pobres. Mas é uma coisa ruim quando se vê um cristão que não quer rebaixar-se, que não quer servir. Um cristão que se exibe sempre é ruim: aquele não é cristão, aquele é pagão. O cristão serve, rebaixa-se. Façamos com que estes nossos irmãos e irmãs não se sintam nunca sozinhos!

A segunda consequência: se Deus, por meio de Jesus, envolveu-se com o homem a ponto de tornar-se como um de nós, quer dizer que qualquer coisa que fizermos a um irmão ou a uma irmã a teremos feito a Ele. Recordou isso o próprio Jesus: quem tiver alimentado, acolhido, visitado, amado um dos mais pequeninos e dos mais pobres entre os homens, terá feito isso ao Filho de Deus.

Confiemo-nos à materna intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa, para que nos ajude neste Santo Natal, agora próximo, a reconhecer na face do nosso próximo, especialmente das pessoas mais frágeis e marginalizadas, a imagem do Filho de Deus feito homem.

(Tradução Canção Nova / Jéssica Marçal)

(Fonte: Agência Zenit)

Natal, a Festa da confiança e esperança

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 18-12-2013, Gaudium PressA última Audiência Geral do Papa Francisco neste ano reuniu milhares de fiéis nesta quarta-feira, 18. Aglomerados na Praça São Pedro, o público não se importou com as baixas temperaturas para ouvir de perto a catequese do Santo Padre.

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De acordo com os dados levantados pela Prefeitura da Casa Pontifícia, mais de 1,5 milhão de peregrinos participaram das 30 audiências com o Papa neste ano.

Sobre a reflexão do dia, o Pontífice comentou sobre o tema “Natal de Jesus, a festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo”. Segundo ele, a “razão da nossa esperança é Deus que está conosco e ainda confia em nós”, pois, pelo fato do Senhor permanecer ao lado do homem, “que transcorre os seus dias na tristeza e na alegria”, “a terra não é mais somente um ‘vale de lágrimas’, mas é um local onde Deus mesmo fixou a sua tenda” para se encontrar com os seus filhos.

“A presença de Deus em meio à humanidade não se deu em um mundo ideal, idílico, mas neste mundo real, caracterizado por tantas coisas boas e ruins, marcado por divisões, maldades, pobreza, prepotência e guerras. Ele escolheu habitar na nossa história assim como é, com todo o peso dos seus limites e dos seus dramas”, explicou.

Para o Santo Padre, o Natal é a manifestação de Deus ao lado do homem, onde Ele se colocou para nos salvar e levantar do pó dos nossos pecados, nos proporcionando “uma energia espiritual que nos ajuda a não nos deixar abater pelos nossos cansaços, nossos desesperos, nossas tristezas, porque é uma energia que aquece e transforma o coração”.

“O nascimento de Jesus, de fato, nos traz a bela notícia de que somos amados imensamente e singularmente por Deus, e este amor não somente o faz conhecer, mas o dá, o comunica”.

Ao fazer duas considerações da contemplação alegre do mistério do Filho de Deus, o Papa observou inicialmente que, “para sermos parecidos com Ele, não devemos nos colocar acima dos outros, mas sim abaixarmo-nos, colocarmo-nos a serviço, nos fazendo pequenos para com os pequenos e pobres para com os pobres”.

Na segunda consideração, o Pontífice afirmou: se Deus, por meio de Jesus, quis envolver-se com o homem a ponto de tornar-se como um dele, “qualquer coisa que fizermos a um irmão ou a uma irmã, estaremos fazendo a Ele mesmo”.

Concluindo sua reflexão, o Papa pediu a intercessão de Nossa Mãe, a Virgem Maria Santíssima, para que possamos neste Natal “reconhecer na face do próximo, especialmente dos mais fracos e marginalizados, a imagem do Filho de Deus feito homem”.

“Que nos vossos corações, famílias e comunidades, resplandeça a luz do Salvador, que nos revela o rosto terno e misericordioso do Pai do Céu. Ele vos abençoe com um Ano Novo sereno e feliz!”. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54044#ixzz2nuo6szT2)

“Vamos deixar que Deus escreva a nossa história”

Depois da missa, o papa Francisco recebe os cumprimentos de aniversário de quatro sem teto e dos funcionários da Casa Santa Marta

Por Luca Marcolivio

ROMA, 17 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – É um dia diferente na Casa Santa Marta. É o dia do 77º aniversário do seu inquilino mais famoso. O papa Francisco celebrou a missa desta manhã com a presença de todo o pessoal da casa. A eucaristia foi concelebrada com o cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio de Cardeais.

No final da missa, o Secretário de Estado Vaticano, dom Pietro Parolin, apresentou ao papa os parabéns em nome de todos os seus colegas da Secretaria de Estado. Dom Konrad Krajewski, esmoleiro de Sua Santidade, apresentou a Francisco quatro convidados sem teto.

O encontro terminou com um coro de parabéns entoado por todos os presentes. Logo em seguida, o papa Francisco foi tomar café da manhã acompanhado por todos os participantes da missa.

Na homilia, falando sobre o evangelho de hoje (Mt 1,1-17), que descreve a genealogia de Jesus, o Santo Padre brincou: “Já ouvi alguém dizer que esta passagem do evangelho parece a lista telefônica”.

Mas ela é, explicou o papa, uma passagem importante, que nos lembra que “Deus se tornou história” e que Jesus é “consubstancial ao Pai”, mas também “consubstancial à Mãe”, a Virgem Maria.

Depois do pecado original, disse o papa, Deus quis “trilhar o caminho conosco”, a partir de Abraão, passando por Isaac e Jacó, até chegar a cada um de nós.

“Deus não queria vir nos salvar sem história. Ele quis fazer história conosco”, uma história “que vai do pecado à santidade” e na qual há “tanto santos quanto pecadores”.

Deus também fez história com “os grandes pecadores”, com aqueles que “não responderam a tudo o que Deus pensou para eles”, como “Salomão, tão grande, tão inteligente, e que terminou, coitado, sem nem saber como se chamava”.

É como se Deus pegasse o nosso nome para transformá-lo no “seu sobrenome” e assim poder dizer: “Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, de Pedro, de Marieta, de Armony, de Marisa, de Simão, de todos”.

Em certo sentido, Deus “nos deixou escrever a sua vida”, seguindo “a nossa história de graça e de pecado”. Isso mostra “a humildade de Deus, a paciência de Deus, o amor de Deus”, que comove.

Ao chegar o Natal, “se Ele fez a sua história conosco, se Ele adotou o nosso nome como seu sobrenome, se Ele nos deixou escrever a sua história, vamos deixar pelo menos que Ele escreva a nossa história”.

A santidade consiste precisamente em deixar que “Deus escreva a nossa história”, concluiu o pontífice.

(Fonte: Agência Zenit)

Site oferece visão da Igreja sobre o Advento

Madri – Espanha (Quarta-feira, 04-12-2013, Gaudium PressPara promover uma visão coerente com o pensamento da Igreja, desta época de preparação para o Natal, um grupo de jovens da Ação Católica Madri relançou a página www.redescubrelanavidad.org. E dizemos “relançou” porque a página já havia sido lançada no Advento de 2012.advento.jpg

A edição de 2012 teve amplo efeito: milhares de visitas ao site, repercussão em diferentes meios de comunicação, por volta de 10 mil visitas ao vídeo promocional no youtube, mais de 1 mil seguidores no Twitter e 700 fãs.

Um sugestivo vídeo, que fala de uma santa “conspiração”, introduz o conteúdo da página web.

A informação oferecida pela página é bem ampla. Vai desde interessantes vídeos que aludem ao Advento, até a meditação semanal do Advento, passando por uma explicação detalhada sobre os presépios, e um convite para manifestar a solidariedade própria a este tempo participando de obras benéficas. (GPE/EPC)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53604#ixzz2mb1PE91z)

O Advento é o momento oportuno para voltarmos os olhos para o menino Jesus

Belo Horizonte – Minas Gerais (Quarta-feira, 04-12-2013, Gaudium Press“O Advento é o momento oportuno para voltarmos os olhos para o menino Jesus e escutarmos a sua voz, que amorosamente toca o coração da humanidade e nos chama para fazer o bem”, foi o que disse o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, à Gaudium Press.

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Explicando sobre o significado do período do Advento, comemorado pela Igreja no mês de dezembro, o prelado afirma que este é o momento ideal “de nos prepararmos para acolher de coração o mais importante e completo presente dado à humanidade: Jesus Cristo, o Filho amado de Deus Pai e único Senhor e Salvador”.

“N’Ele, unicamente, está a fonte da sabedoria. Suplicar a graça de recebê-la e, de fato, possuí-la, no tempo do Advento, deve ser o mais importante desejo de todo coração humano”.

Dom Walmor, ao destacar as principais características das celebrações durante este tempo litúrgico, ressalta que o Advento deve ser observado como o “tempo de expectativa”, onde cristão “é chamado a receber dignamente o Senhor”.

“É tempo de escuta da Palavra, tempo de espera, celebrado com sobriedade e com uma alegria discreta. Tempo singular que a humanidade tem para renovar suas forças e encher-se da sabedoria que o mistério da encarnação do Verbo de Deus revela, possibilitando a conquista e a vivência de autêntica fraternidade e solidariedade”, acrescenta.

Para o Arcebispo, assim como em cada tempo litúrgico, o Advento traz suas próprias marcas durante as quatro semanas destinadas à preparação “para uma autêntica celebração do Natal”, onde a Igreja “proclama para povoar o coração dos seus fiéis e interpelar a consciência de homens e mulheres de boa vontade”.

De acordo com Dom Walmor, o caminho de preparação para um novo tempo deve passar pela reflexão interna e individual dos fiéis. “Nas paróquias e comunidades de Fé, os sacerdotes conduzem os fiéis para que vivam este tempo com plenitude verdadeira”, explica.

O prelado acredita que este período litúrgico possui uma dimensão mariana, pois, “Deus, em seu amor, escolheu Maria para ser a Mãe de seu filho, Jesus Cristo”, sendo Ela quem viveu o Advento mais importante da história.

“Ela gerou o Salvador, viveu o mistério da maternidade e se preparou para receber Jesus, possibilitando que as promessas de Deus se cumprissem”, observa.

Nossa Senhora, segundo Dom Walmor, é para a humanidade a porta-voz da vida e da esperança e o Advento é o tempo mariano por excelência, pois, nos tempos atuais, a Virgem Santíssima nos ensina a vivê-lo por meio de seu exemplo.

Concluindo a entrevista, o Arcebispo enaltece Maria Santíssima como “o modelo que está colocado no horizonte de nossas vidas para inspirar os passos de nossa caminhada”, sendo um exemplo para a Igreja e para cada discípulo.

“Ela ensina a sermos sempre atentos aos apelos de Deus, disponíveis para nossas vocações, mais acolhedores às vontades do Pai. Sem as manchas do pecado original, sua vida de santidade, doação e amor se torna fonte perene de bênçãos e de graças e inspiração para que cada um viva o Advento plenamente”.

Por Leandro Massoni Ilhéu

(http://www.gaudiumpress.org/content/53627#ixzz2mb0ToMPF)

As celebrações do Santo Natal: como surgiu esta festa de luz?

Uruguaiana – Rio Grande do Sul (Quarta-Feira, 04/12/2013, Gaudium Press) Com a proximidade do Natal, dom Aloísio A. Dilli, bispo da diocese de Uruguaiana, no Estado do Rio Grande do Sul, escreveu um artigo onde ele refletiu sobre as origens da celebração natalina. Ele começa a reflexão, afirmando que com a celebração do primeiro domingo do Advento demos início a um novo Ano Litúrgico.

De acordo com o prelado, nos séculos iniciais do cristianismo a Páscoa era a celebração litúrgica central, atuada em cada domingo do ano, como Dia do Senhor. Já no século II, ressalta o bispo, se inicia também a celebração anual da Páscoa, em data próxima da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Dom Adílio explica que, portanto, no início da era cristã, o Natal não era celebrado liturgicamente.

No decorrer de seu artigo, o bispo cita alguns aspectos históricos que conduziram a Igreja a celebrar o Natal liturgicamente. Segundo ele, dificilmente alguém se questiona sobre a data histórica do nascimento de Jesus Cristo, celebrada no dia 25 de dezembro. No entanto, prossegue dom Adílio, não temos nenhum dado bíblico que nos indique data para a celebração do Natal do Senhor. “Foram dois os fatos que, no século IV, influenciaram para que isso acontecesse: posição cristã ante a festa pagã em homenagem ao nascimento do sol invencível (Natalis solis invicti) e a questão cristológica”.

Para o prelado, tudo indica que a origem histórica da celebração do Natal tem suas raízes em uma festa pagã. Conforme dom Adílio, um cronógrafo do ano 354 notificou, em um dos seus calendários, a celebração do Natal do sol invencível (Natalis solis invicti), no dia 25 de dezembro, e neste mesmo calendário civil ele acrescenta, na mesma data, o nascimento de Cristo, em Belém da Judéia.

Por que a data 25 de dezembro? O bispo destaca que o culto ao deus Sol é muito comum entre os povos antigos, e que Roma não foge à regra e inclusive lhe dá importância oficial no Império, especialmente nos séc. III e IV, tentando ofuscar o cristianismo. Ele ainda salienta que o centro festivo desse culto pagão acontecia no solstício de inverno (dias mais curtos e noites mais longas), celebrado no dia 25 de dezembro.

“Nessa época era comemorada a vitória do deus Sol (luz) que anualmente vencia as trevas. Para os cristãos Jesus Cristo é a Luz que vence as trevas do pecado; o Menino cujo nascimento é celebrado é a luz que brilhou nas trevas, é o sol nascente que nos veio visitar, é a Luz do mundo e quem o segue não anda nas trevas. Portanto, temos um belo exemplo de enculturação do cristianismo em meio à cultura e religiosidade pagã”, avalia.

Segundo dom Adílio, os estudiosos concluem que já em 336 o Natal cristão era celebrado em Roma e depois em outras Igrejas. Ele enfatiza que outro fator, que decididamente contribuiu para que acontecesse a celebração do Natal, foi a chamada questão cristológica do séc. IV, despertando atenção para a infância de Jesus. O bispo afirma que a Igreja reagiu diante de heresias que negavam a divindade da pessoa de Jesus, com vários concílios, definindo o dogma cristológico: Cristo é Homem-Deus, uma pessoa com duas naturezas, a divina e a humana. “Diante da definição da fé (Lex credendi) surge a consequente celebração da mesma (Lex orandi).”

Por fim, dom Adílio diz que o Natal é considerado, inicialmente, como celebração de aniversário do nascimento histórico de Jesus Cristo. Conforme ele, São Leão Magno corrige esta teologia, afirmando que a celebração do Natal é mais que aniversário ou uma evocação histórica: ele vê a presença do mistério celebrado, do hoje da encarnação (Sacramentum).

“O Natal é então considerado em união com o mistério pascal, como seu início. Uma vez definida a celebração do Natal, não foi difícil para que surgisse o Ciclo natalino, com seu tempo de preparação (Advento) e sua continuação (Epifania e Batismo do Senhor)”, conclui. (FB)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53617#ixzz2maySaHlt )

Oração, caridade e louvor para caminhar para o Natal, pede o Papa

VATICANO, 03 Dez. 13 / 05:07 pm (ACI/EWTN Noticias).- Preparar-se para oNatal com a oração, a caridade e o louvor é manter o coração aberto para deixar-se encontrar pelo Senhor que tudo renova. Este foi o convite feito pelo Papa Francisco na Missa presidida na Casa Santa Marta nesta primeira segunda-feira do Tempo de Advento.

Comentando a passagem do Evangelho do dia, na qual o centurião romano pede com grande fé a Jesus a cura do servo, o Santo Padre recordou que nestes dias “começamos um caminho novo”, um “caminho de Igreja… para o Natal”. Vamos ao encontro do Senhor, “porque o Natal -enfatizou- não é apenas uma comemoração temporal ou uma lembrança de algo belo”.

“O Natal é mais: nós vamos por este caminho para encontrar o Senhor. O Natal é um encontro! E nós caminhamos para encontrá-lo: encontrá-lo com o coração, com a vida; encontrá-Lo vivo, como Ele é; encontrá-Lo com fé. E não é fácil viver com fé. O Senhor, na palavra que escutamos, maravilhou-se deste centurião: surpreendeu-se da fé que ele tinha. Tinha empreendido um caminho para encontrar o Senhor, mas o tinha feito com fé. Por isso, não foi somente ele que encontrou o Senhor, mas sentiu a alegria de ser encontrado pelo Senhor. E este é precisamente o encontro que queremos: o encontro da fé!”.

E mais importante do que encontrarmos Jesus, disse, é “deixar-nos encontrar por Ele”.

O Papa disse que para isto é preciso ter um “coração aberto, para que Ele me encontre! E me diga aquilo que Ele queira me dizer, que nem sempre é aquilo que eu quero que me diga! Ele é o Senhor e Ele me dirá o que tem para mim, porque o Senhor não nos vê como um conjunto, como uma massa. Não, não! Ele nos olha a cada um no rosto, nos olhos, porque o amor não é um amor assim, abstrato: é amor concreto! De pessoa a pessoa: O Senhor, pessoa, vê a mim, pessoa. Deixar-se encontrar pelo Senhor é justamente isto: deixar-se amar pelo Senhor!”.

Neste caminho para o Natal, concluiu, ajudam-nos algumas atitudes: “a perseverança na oração, rezar mais; ser mais concretos na caridade fraterna, aproximar-se mais àqueles que precisam; e ter a alegria de louvar o Senhor”. Portanto, “a oração, a caridade e o louvor”, com o coração aberto “para que o Senhor nos encontre”.

(Fonte: ACI Digital)