Sacerdote celebra Missa com colete à prova de balas devido a ameaças do crime organizado no México

Pe. Gregorio López. Foto: Captura do vídeo / El Universal

MEXICO D.F., 20 Jan. 14 / 10:59 am (ACI/EWTN Noticias).- Diante da terrível situação de violência que se vive em Apatzigán, estado de Michoacán (México) e devido às diversas ameaças do crime organizado contra o clero, o Pe. Gregorio López (46), viu-se obrigado a presidir a Missa vestindo um colete à prova de balas.

“Morrer por uma causa como é a liberdade do meu povo, vale a pena”, assinalou o sacerdote em uma entrevista concedida ao ElUniversal.com.mx que conhece e identifica centenas de histórias, testemunhos e confissões de violência na zona, assim como a maneira como age o crime organizado.

O presbítero pediu às autoridades que prendam os líderes dos grupos e disse que felicitaria o presidente do país, Enrique Penha, “eu beijo os pés dele no dia que prenda a Nazario Moreno, Enrique Plancarte Solís e a Servando Gómez Martínez”.

A violência na zona também fez com que há alguns dias atrás o Bispo de Apatzingán, Dom Miguel Patiño Velázquez, alentasse os fiéis de sua diocese a não perderem a esperança diante dos graves atos de violência ocorridos recentemente que deixaram à comunidade “imersa no medo e na aflição”.

Catacumbas de cristãos são descobertas no Japão

Taketa – Japão (Sexta-feira, 17-01-2014, Gaudium PressUm descendente dos cristãos que sofreram perseguição no Japão, Goto Atsusi, descobriu há três anos, uma expressão particular da Fé em meio às dificuldades. Os crentes que protagonizariam o chamado milagre do oriente em 1865, por haver conservado sua Fé sem a presença da Igreja por mais de 200 anos, talharam verdadeiras catacumbas a céu aberto no meio das florestas da região. Até hoje foram encontradas oito capelas escavadas na rocha só na região de Taketa e suspeita-se da existência de uma centena, como observou o jornal da Santa Sé, L’Osservatore Romano.catacumbas_de_cristao_japao.jpg

A Fé Católica chegou ao Japão com o heroico missionário São Francisco Xavier, em 1549. Passados 60 anos, o florescimento da Igreja foi brutalmente detido pela perseguição do Shogun (líder militar do país) que foi semelhante em crueldade à realizada no Império Romano contra os primeiros cristãos. A terrível violência desencadeada se somou ao que parecia acabar com a Fé no país: o isolamento total do território, o que efetivamente impediu a chegada de sacerdotes e bispos, e a pregação do Evangelho.

Muitos crentes deram suas vidas ou se viram obrigados a abandonar publicamente a Fé, enquanto outros conseguiram se esconder e manter sua Fé, comunicando-se de pai para filho, apesar das graves limitações. A comunidade dos crentes, conhecidos como Kakure Kirishitan (cristãos ocultos), conseguiu preservar seu conhecimento da Fé rezando em segredo, representando a Cristo e a Virgem Maria em imagens de aparência estética budista e, como revelam as recentes descobertas, criando lugares de culto em cavernas no meio dos bosques. As orações cristãs tomaram a forma de cânticos parecidos aos budistas, enquanto que suas cartas conservavam palavras em latim, espanhol e português diretamente preservados dos primeiros evangelizadores.

Infelizmente, apenas cerca de 300 cristãos vivem hoje em Taketa, dos quais apenas alguns são católicos e viajam mais de uma hora entre as montanhas para participar da Santa Missa, no último templo na região. A comunidade católica mais numerosa esteve presente na cidade de Nagasaki, onde habitavam dois terços dos fiéis em todo o país em 1945. Por causa da explosão da bomba atômica precisamente nessa cidade, a presença católica foi severamente reduzida. Atualmente os católicos japoneses somam mais de meio milhão de pessoas, em meio de uma população total de 126 milhões de habitantes. (GPE/EPC)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54975#ixzz2r1tGdscq)

Como atuou a Santa Sé durante o Holocausto? O Papa reabre os arquivos vaticanos

O rabino Skorka revelou a vontade de Bergoglio de lançar luz sobre o comportamento da Igreja e de Pio XII nos anos do Holocausto. Padre Lombardi: “Nenhuma novidade. O Vaticano trabalha nisso há anos

Por Salvatore Cernuzio

ROMA, 20 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Enquanto se aguarda o resultado da investigação sobre Medjugorje da Comissão internacional encabeçada pelo cardeal Runi, abre-se uma janela sobre outro assunto vaticano permanecido suspenso no tempo: o obrar da Igreja durante a tragédia da Shoah. É notícia recente, de fato, que o Papa Francisco tenha decidido abrir o mais rápido possível os arquivos secretos da Santa Sé relativos ao período do Holocausto para poder esclarecer como se comportou a Igreja naquele período de trevas, e sobretudo, de que modo atuou o pontífice então reinante, Pio XII. Tema este que está no centro de uma amarga disputa entre críticos e historiadores há décadas.

Quem revelou as intenções do Santo Padre nos dias passados foi o rabino Abraham Skorka à revista Sunday Times. O reitor do Seminário Rabínico de Buenos Aires, há tempo amigo íntimo de Bergoglio, depois de ter encontrado o Pontífice sexta-feira, afirmou: “Acho que abrirá os arquivos, a questão é muito delicada e devemos continuar a analisá-la”.

Apesar da declaração do rabino ter chamado a atenção da imprensa internacional, na verdade não revela nada de novo, considerando que já são mais de seis anos que o Vaticano trabalha para disponibilizar tais cartas. “Parece-me que não haja nenhuma novidade nisso”, minimizou de fato o diretor da Sala de Imprensa vaticana, padre Federico Lombardi: “A orientação da abertura dos arquivos vaticanos, aos poucos, e dos vários fundos do pontificado de Pio XII ainda fechados, é uma orientação seguida por décadas pela Santa Sé e repetidamente reafirmada”.

“A abertura – afirmou no entanto Lombardi – requer, porém, tempos técnicos necessários para o trabalho de ordenar os documentos, antes de permitir-lhes a consulta”. Por outro lado, trata-se ‘somente’ de cerca de dezesseis milhões de folhas, mais de 15 mil envelopes, 2.500 registros, provenientes das mais variadas fontes: Secretário de Estado, Congregações da Cúria Romana e nunciaturas. “Os arquivos – disse o porta-voz do Vaticano – deveriam ser abertos uma vez, completada a classificação, sejam efetivamente consultáveis”.

A decisão de Francisco parece ser o enésimo sinal da vontade de dar novamente à Igreja uma imagem totalmente transparente. Já como cardeal tinha manifestado o desejo de iluminar as áreas de sombra deste doloroso acontecimento. No livro de 2010 “O céu e a terra”, elaborado a quatro mãos com o próprio rabino Skorka, o Arcebispo de Buenos Aires escreveu que: “O que você diz sobre os arquivos do Holocausto parece-me absolutamente certo. É justo que se abram os arquivos e se esclareça tudo. Que se descubra se foi possível fazer alguma coisa e em que medida. E se erramos em algo devemos dizer: ‘erramos nisso’. Não devemos ter medo de fazê-lo”.

“O objetivo – continuava Bergoglio – deve ser a verdade. Se começarmos a esconder a verdade negamos a Bíblia. É preciso conhecer a verdade e abrir aqueles arquivos. É preciso ler o que está escrito… compreender se se tratou de um erro de visão ou o que acontece realmente. Não tenho dados concretos. Até os momento os argumentos que escutei a favor de Pio XII parecem-me fortes, mas tenho que admitir que não foram examinados todos os arquivos”. O então purpurado se referia naturalmente àquela parte dos arquivos que – como dizia padre Lombardi – ainda estão ‘desordenados’ e que, justamente por isso, poderiam gerar ulteriores confusões. De qualquer forma, de acordo com Bergoglio, a Igreja, “não deve ter medo da verdade, que é o único fim”.

De acordo com as declarações de Skorka a urgência do Papa para reabrir o caso, deve-se ao fato de que o Papa gostaria de publicar os documentos reservados para poder dar luz verde ao processo de canonização de Pacelli, evitando controvérsias desnecessárias sobre a sua posição no anos da “solução final” nazista. Como em 2009, na ocasião do reconhecimento das “virtudes heroicas” de Pio XII, que foi uma faísca que fez explodir duras críticas sobre o seu inademplimento e sobre o seu “silêncio” durante a Shoah. Até mesmo, o Yad Vashem (o museu do Holocausto em Jerusalém) julgou “lamentável” que tivessem reconhecido tais “virtudes” antes da publicação de “todos os documentos”.

Mas a discussão já se arrasta por anos e anos: por um lado, há aqueles que acusam Pio XII de ter feito pouco ou nada para combater a Alemanha nazista e o seu plano de aniquilação da população judaica, e de não ter impedido a deportação dos hebreus romanos, no dia 16 de outubro de 1943. Por outro lado, há aqueles que defendem a capa e espada o Pontífice – não se pode deixar de citar o trabalho da irmã Margherita Marchione – e lembra como, por indicação do Vaticano, igrejas e conventos salvaram milhares de vidas, escondendo e assistindo nas suas estruturas mulheres, homens, famílias, idosos e crianças judias que fugiam do Terceiro Reich.

O exame final querido por Francisco provavelmente decretará quais das duas facções esteja certa. De acordo com estudiosos e insiders do Vaticano não se acrescentará muito a já ampla “síntese” publicada em doze volumes em 1965, intitulada Actes et documents du Saint Siège relatifs à la Seconde guerre mondiale. Entretanto, tudo isso deveria acontecer antes da viagem do Papa à Terra Santa, programada do 24 ao 26 de maio, durante a qual Bergoglio visitará justamente o Yad Vashem. Se espera que então se tenha ‘os documentos em ordem’ para pronunciar uma palavra de arrependimento ou aplaudir a ação da Santa Sé, durante os anos de atrocidades.

(Traduzido do original italiano por Thácio Siqueira)

A Congregação para a Doutrina da Fé recebe o estudo sobre Medjugorje

Encerrados os trabalhos da comissão internacional de investigação, iniciados em março de 2010

Por Ivan de Vargas

ROMA, 20 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – O porta-voz da Santa Sé, pe. Federico Lombardi, confirmou nesta manhã que a última reunião da comissão internacional de investigação sobre Medjugorje aconteceu ontem. A comissão foi estabelecida pela Congregação para a Doutrina da Fé em março de 2010, sob a presidência do cardeal Camillo Ruini, e os resultados dos seus estudos serão submetidos agora às instâncias competentes da mesma Congregação.

Ao criar a comissão, em março de 2010, a Santa Sé lançou um comunicado de imprensa informando que “a comissão internacional de investigação sobre Medjugorje se reuniu pela primeira vez em 26 de março e, conforme já anunciado, o seu trabalho se desenvolverá em rigoroso sigilo. As conclusões serão apresentadas às instâncias da Congregação para a Doutrina da Fé”.

Medjugorje é um pequeno povoado da Bósnia-Herzegovina que se transformou em lugar de peregrinação para milhões de pessoas, atraídas pelas supostas aparições da Virgem Maria relatadas por seis videntes.

No fim de junho de 1981, um grupo de jovens (Mirjana Dragicevic Soldo, Ivanka Ivankovic-Elez, Marija Pavlovic Lunetti, Vicka Ivankovic, Ivan Dragicevic e Jakov Colo) afirmou ter visto uma linda jovem  que lhes confiava mensagens. Desde então, os seis protagonistas declaram que as aparições se repetem até hoje.

A comissão internacional de investigação sobre Medjugorje, composta por cardeais, bispos, peritos e especialistas, foi constituída depois que a comissão diocesana em Móstar considerou que o fenômeno ultrapassava as competências da diocese. A Conferência Episcopal da então Iugoslávia tampouco tinha chegado a uma conclusão sobre a sobrenaturalidade ou não do fenômeno.

Os bispos da ex-Iugoslávia destacaram a necessidade de acompanhamento pastoral, sob a responsabilidade do pároco e do bispo local, de todos os fiéis que iam até o local para rezar. Eles pediram que a Congregação para a Doutrina da Fé assumisse a situação.

O atual prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, dom Gerhard Müller, declarou recentemente que as aparições da Virgem Maria aos videntes de Medjugorje não podem ser assumidas como verdadeiras.

Müller recordou aos bispos dos Estados Unidos, em novembro último, que a posição da Igreja é a mesma já confirmada em 1991: “não é possível afirmar se houve aparições ou revelações sobrenaturais”. Esta declaração aconteceu durante a visita de Ivan Dragicevic ao país norte-americano.

O núncio apostólico nos Estados Unidos, dom Carlo Maria Viganò, a pedido de dom Müller, enviou uma carta ao secretário geral da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, dom Ronny Jenkins. No texto, ele afirmou que “um dos assim chamados videntes de Medjugorje, o Sr. Ivan Dragicevic, programou visitas a certas paróquias do país”, nas quais, conforme tinha sido divulgado, “o Sr. Dragicevic receberá ‘aparições’”.

Para “evitar escândalo e confusão”, Viganò recordou aos bispos estadunidenses que “os clérigos e os fiéis não podem participar de reuniões, conferências ou celebrações públicas em que a credibilidade de tais ‘aparições’ seja tida como certa”.

Poucos dias depois, o papa Francisco disse, durante uma homilia na Casa Santa Marta, em Roma, que a Virgem Maria “não trabalha nos correios para ficar enviando mensagens todos os dias”.

O Santo Padre enfatizou que “o espírito de curiosidade nos afasta da sabedoria, porque, com ele, só interessam os detalhes, as pequenas notícias de cada dia”. Esse espírito de curiosidade, que é mundano, leva à confusão, advertiu ele. Para explicar melhor essa confusão, o pontífice insistiu: “A curiosidade nos leva a achar que nosso Senhor está por aqui ou por ali, ou nos faz dizer: ‘Mas eu conheço um vidente, uma vidente, que recebe cartas de Nossa Senhora, mensagens de Nossa Senhora’”. A este propósito, Francisco acrescentou: “Nossa Senhora é mãe e ama a todos nós, mas não é encarregada dos correios para ficar mandando mensagens todos os dias”.

Por sua vez, o cardeal Tarcisio Bertone explicou, durante as investigações, que “as peregrinações privadas [a Medjugorje] são permitidas e os fiéis podem contar com acompanhamento pastoral. Todos os peregrinos católicos podem ir a Medjugorje, um lugar de culto mariano em que é possível expressar-se através de todas as formas da devoção”. As declarações foram feitas em 2007 pelo então Secretário de Estado, em entrevista ao vaticanista Giuseppe De Carli.

Uma carta para si mesma cheia de amor e confiança em Deus: O legado de uma menina falecida que está comenvendo o mundo

DENVER, 16 Jan. 14 / 04:19 pm (ACI/EWTN Noticias).- Os pais de Taylor Smith acharam consolo depois da morte de sua menina em uma carta que ela escreveu em abril do ano passado para ser lida por ela mesma dentro de dez anos. O caso deu a volta ao mundo nas últimas horas mas, poucos meios têm reparado em sua profunda mensagem de amor e confiança em Deus.

Taylor tinha 12 anos e morreu por uma pneumonia no dia 5 de janeiro passado. Uns dias depois deste trágico fato, seus pais encontraram um envelope no seu quarto  com esta indicação: “Confidencial. Somente para os olhos de Taylor Smith a menos que se diga o contrário. Não abrir até 13-4-23”.

Na nota, Taylor se propõe a concluir seus estudos e a emendar os erros e atrasos nos estudos acadêmicos que possa ter feito. “Felicitações por concluir o ensino médio! Se você não o fez, volte e siga tentando. Consiga este diploma!”. Além disso, recorda seu desejo de ser advogada e se pergunta “Se estivermos na universidade, O que estamos estudando?”.

Taylor evoca na carta a primeira viagem de missões que realizou e se interpela a si mesmo sobre sua fé. “Falando nisso, como está sua relação com Deus? Você tem rezado, adorado, lido a Bíblia, ou ido servir ao Senhor recentemente? Se não, levanta e faça-o AGORA!”.

“Não me importa em que ponto de nossa vida estejamos agora, faça-o! Ele (Jesus) foi burlado, golpeado, torturado e crucificado por ti. Um homem sem pecado, que nunca fez nada mal a você nem a outra pessoa alguma”, escreveu para seu “futuro eu” a menina.

Seus pais, Tim e Ellen sofrem a dor da morte de sua filha, mas sabem que “era a hora de Deus” para a pequena Taylor.

“Ele a amava mais do que ninguém podia amá-la, tanto como para dizer ´Vem comigo´. Muitos se perguntarão por que é tão fácil para um pai que perdeu a sua filha dizer algo assim em vez de acusar Deus ou odiá-lo, mas o único que posso dizer é que é fácil para mim confiar em Deus agora porque minha menina confiava nele”, disse Tim à imprensa local.

Falando a vários meios de imprensa sobre o comovedor caso de Taylor, Tim assegurou que “agora estou ainda mais decidido a descobrir a vontade de Deus, porque agora que vejo um brilho do que é a vontade de Deus, agora que vê quanta gente está sendo transformada pelo que está havendo, sei que que a vida de uma única pessoa mudasse, Taylor teria dito que valeu a pena”.

“Ela é um perfeito exemplo do que é amar Deus e amar os demais. Ela me ensinou como Deus ama, não via nada do exterior, ela só olhava no interior e no que era o melhor para os demais”.

“A esperança que Taylor compartilhou em sua carta é o que ela teria querido compartilhar com o mundo. Assim, como seu pai, sinto que é o mínimo que posso fazer para honrá-la, compartilhar sua carta com o mundo para que o amor de Deus e a esperança encontrada em Jesus, a mesma esperança que ela encontrou, estenda-se a vós”, assegurou.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26567)

A Verdadeira Estabilidade Matrimonial e Familiar

Redação – (Quinta-feira, 16-01-2014, Gaudium Press– Deus que é Amor e criou o homem por amor, chamou-o também a amar criando o homem e a mulher; e chamou-os no matrimônio a uma íntima comunhão de vida e amor, de maneira a já não serem dois, mas uma só carne. (I)

O homem se completa na união com o outro sexo. É assim que ele é impelido ao matrimônio, a uma ligação caracterizada pela unicidade e para sempre, um amor exclusivo e definitivo, “ícone do relacionamento de Deus com Seu povo e vice-versa; o modo de Deus amar torna-se a medida do amor humano”. (II)

Ao abençoá-los disse-lhes: “Crescei e multiplicai-vos”. (III) Portanto, uma forma de vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que implica o exercício da faculdade procriativa, conforme afirmam diversas passagens da escritura: “[…] serão uma só carne”. (IV) São assim chamados a colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas.

Fundado e estruturado com leis próprias – dadas pelo próprio Criador – e ordenado pela natureza à comunhão e ao bem dos cônjuges, à procriação e à educação dos filhos, o Divino Mestre ensina que, segundo desígnio original divino, a união matrimonial é indissolúvel pois, “o que Deus uniu, não o separe o homem” (Mc 10, 9). Ele quis, com uma santa pedagogia, ressaltar a Aliança de Deus com o povo de Israel, pré-figura da Aliança nova do Filho de Deus – Jesus Cristo – com Sua esposa, a Igreja Santa.

Dessa forma, o matrimônio cristão é também sinal eficaz da aliança entre Cristo e a Igreja. O matrimônio não é, pois, uma união qualquer entre pessoas humanas. Foi instituído pelo Criador que o dotou de uma natureza própria, propriedades essenciais e finalidades. (V)

Essa união entre o homem e a mulher foi elevada por Cristo à dignidade de Sacramento. O sacramento do matrimônio constitui os cônjuges num estado público de vida da Igreja e, por isso, se faz uma celebração pública na qual o ministro é um testemunho.

Pela sua própria natureza, o matrimônio rato e consumado entre batizados nunca pode ser dissolvido, devido à unidade exclusiva do amor conjugal. Mesmo que não possa ser possível uma convivência normal e que, por isso, recorram à separação, os cônjuges não são livres para contrair uma nova união, a não ser que o matrimônio seja expressamente declarado nulo pela Igreja.

Recorda-nos São Marcos no seu Evangelho as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério”. (VI)

Conforme alocução de Bento XVI ao Tribunal da Rota Romana: Os contraentes devem se comprometer de modo definitivo, precisamente porque o matrimônio é tal no desígnio da criação e da redenção. E a juridicidade essencial do matrimônio reside exatamente nesse vínculo, que para o homem e a mulher representa uma exigência de justiça e de amor ao qual, para o seu bem e para o bem de todos, eles não se podem subtrair sem contradizer aquilo que o próprio Deus realizou neles. (VII)

A família é um bem necessário e imprescindível para toda a sociedade, núcleo e realidade natural, fundamento da própria sociedade, e tem o direito de ser protegida e reconhecida pela sociedade e pelo Estado. Ela tem uma dimensão social única, pela sua natureza, posto que a procriação situa-se como princípio “genético” da sociedade, como lugar primário de transmissão e cultivo de valores e, consequentemente, como princípio da cultura e garantia da própria sobrevivência da sociedade.

Podemos dizer com toda a segurança que o matrimônio tem as suas próprias leis, não dependendo do arbítrio das pessoas ou da sociedade. Não é um fenômeno meramente cultural e dependente do “sentir” subjetivo da época atual, mas tem como fundamento o próprio Deus.

É preciso ter presente que a estabilidade do matrimônio e da família não está exclusivamente confiada à intenção e à boa vontade dos implicados; ele tem um caráter institucional, adquire caráter público, inclusive após o reconhecimento jurídico por parte do Estado. Está em causa a própria dignidade do(s) gerado(s) ser o fruto de uniões íntimas permanentes, provir de pais unidos, estabilidade essa que deve ser do interesse de todos, sobretudo velando por estes que são os mais débeis: os filhos.

Com o matrimônio se assumem publicamente, mediante o pacto de amor conjugal, todas as responsabilidades do vínculo estabelecido. Dessa assunção pública de responsabilidades resulta um bem não só para os próprios cônjuges e filhos no seu crescimento afetivo e formativo, como também para os outros membros da família. Dessa forma, a família que tem por base o matrimônio é um bem fundamental e precioso para a sociedade inteira, cujos entrelaces mais firmes estão sob os valores que se manifestam nas relações familiares que encontram sua garantia no matrimônio estável. O bem gerado pelo matrimônio é básico para a própria Igreja, que reconhece na família a “Igreja doméstica” (Lumen gentium n.11, Decr. Apostolicam auctositatem, n.11). Tudo isso se vê comprometido com o abandono da instituição matrimonial implícito nas uniões de fato. (VIII)

Uma pretendida equiparação entre família e uniões de fato vai contra a verdade das coisas, anulando diferenças substanciais e introduzindo “modelos” de família que de nenhum modo podem se comparar entre si, e que acabam por desacreditar injustamente a família tipo, que a história da humanidade de todos os tempos viu desde sempre, não como uma relação genérica, mas como uma realidade que tem a sua origem no matrimônio, ou seja, no pacto estipulado entre pessoas de sexo diverso, realizado a partir de uma eleição que se pretende recíproca e livre, e que compreende, pelo menos como projeto, uma relação procriadora.

Santo Agostinho e São Tomás nos ensinam que a lei positiva humana tem força quando é justa e não contradiz a lei natural. Doutra forma já não seria lei, senão corrupção da lei… É certo que há distinção entre lei moral e lei civil; distinção, porém, que não é separação e muito menos contradição, não podendo o poder civil, sob a égide de uma certa e questionável tolerância, registrar certas situações e colocar-lhes um selo de legalidade, como continua a acontecer um pouco por todo o lado.

Toda a sociedade está baseada na noção sólida de que a família é uma comum união de amor e de vida entre um homem e uma mulher, provavelmente geradora de vida. O amor humano entre sexos distintos que cria um vínculo de unidade estável e aberta à vida constitui uma verdade e um valor antropológico. A negação e ausência dessa fundamental e elementar verdade levaria à destruição do tecido social. Logo, dar às uniões do mesmo sexo um status de semelhança com as uniões propriamente matrimoniais constitui um atropelo e um desconhecimento do que é o bem comum e a verdade do homem, do que é e comporta o verdadeiro matrimônio, exigência interna do amor conjugal que faz do casal heterossexual partícipe da ação criadora de Deus.

Não existe nenhum fundamento para assimilar ou estabelecer analogias, nem mesmo as remotas, diante das uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimônio e a família. O matrimônio é santo, enquanto as relações homossexuais contrastam com a lei moral natural. Na realidade, as relações homossexuais não permitem o dom da vida pelo ato sexual. Não são frutos de uma verdadeira complementação afetiva e sexual. Não podem receber aprovação em caso algum. (IX)

Nessas uniões, encontramos uma impossibilidade objetiva de fazer frutificar o matrimônio mediante a transmissão da vida, que é realmente o projeto do próprio Deus, na própria estrutura do ser humano. Há uma ausência radical de caráter sexual, tanto no plano físico-biológico como no psicológico, que apenas se dá na relação homem-mulher.

Há uma série de razões que se opõem a essas uniões:

a) De ordem racional – As leis devem ser conformes o direito natural; o Estado não pode legalizá-las sem faltar ao dever de promover e tutelar uma instituição essencial para o bem comum, como é o matrimônio. Estaria obscurecendo a percepção de alguns valores fundamentais frente ao corpo social. O costume tem força de lei e, portanto, qual será o efeito desses “reconhecimentos” para as novas gerações?

b) De ordem biológica e antropológica – Há uma ausência completa, impossível de complementaridade sexual; não se promove a ajuda mútua dos sexos, como no verdadeiro matrimônio, e não há a possibilidade de transmissão de vida. Com a eventual adoção infantil, a ausência da bipolaridade sexual cria obstáculos ao desenvolvimento normal das crianças.

c) De ordem social – A sociedade deve a sua sobrevivência à família estabelecida sobre o verdadeiro matrimônio. O reconhecimento dessas uniões leva a uma redefinição do conceito de matrimônio, pois perderia a referência essencial aos fatores associados à heterossexualidade, especialmente à procriação e à educação.

d) De ordem jurídica – O matrimônio tem a grande missão de garantir a ordem da procriação e como tal é de interesse público; por isso é brindado com um reconhecimento institucional. Isso até pela sobrevivência da própria sociedade.

Termino as considerações feitas com este texto de São Josemaría Escrivá, que tanta importância deu à família:

É verdadeiramente infinita a ternura de Nosso Senhor. Reparemos com que delicadeza trata os Seus filhos. Fez do matrimônio um vínculo santo, imagem da união de Cristo com a Sua Igreja (cf. Ef 5, 32), um grande Sacramento em que se alicerça a família cristã, que há de ser, com a graça de Deus, um ambiente de paz e de concórdia, escola de santidade. Os pais são cooperadores de Deus. Daí procede o amável dever de veneração que cabe aos filhos. Com razão se pode chamar o quarto mandamento de dulcíssimo preceito do Decálogo. […] Quando se vive o matrimônio como Deus quer, santamente, o lar torna-se um recanto de paz, luminoso e alegre. (X)

Por Padre Álvaro Mejía Londoño EP

[I]Cf. Mt 19, 6.
[II] BENTO XVI, Deus Caritas Est, 11.
[III] Gn 1, 28.
[IV] Ef 5, 31; 1 Cor 6, 16; Gn 2, 24.
[V] Cf. Gaudium et spes, n. 48.
[VI] Mc 10, 11-12.
[VII] BENTO XVI. Discurso por ocasião da inauguração do Ano Judiciário do Tribunal da Rota Romana. 27 jan. 2007.
[VIII] Conselho Pontifício para a Família. Família – Matrimônio e “Uniões de fato”. 26 jul. 2000.
[IX] Congregação para a Doutrina da fé. Considerações a cerca dos projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais. 3 jun. 2003; Catecismo da Igreja Católica, n. 2357.
[X] ESCRIVÁ, Josemaría. 7 jan. 2007.

(http://www.gaudiumpress.org/content/54890#ixzz2qebDu3Mc )

A fé, uma força consoladora no sofrimento!

Papa Francisco
Encíclica «Lumen fidei / A luz da fé», §§ 56-57 (trad. © Libreria Editrice Vaticana, rev)

A fé, uma força consoladora no sofrimento

O cristão sabe que o sofrimento não pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se acto de amor, entrega nas mãos de Deus que não nos abandona e, deste modo, ser uma etapa de crescimento na fé e no amor. […] A luz da fé não nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. Os que sofrem foram mediadores de luz para muitos homens e mulheres de fé; tal foi o leproso para São Francisco de Assis, ou os pobres para a Beata Teresa de Calcutá. Compreenderam o mistério que há neles; aproximando-se deles, certamente não cancelaram todos os seus sofrimentos, nem puderam explicar todo o mal. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho.

Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explica tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar connosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nele vermos a luz. Cristo é Aquele que, tendo suportado a dor, Se tornou «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2).

Papa Francisco: Pelo Batismo o Povo cristão é como um rio que irriga a terra e difunde a bênção de Deus

VATICANO, 15 Jan. 14 / 03:39 pm (ACI/EWTN Noticias).- Seguindo sua catequese sobre os Sacramentos que iniciou na semana passada, o Papa Francisco retomou hoje o tema do Batismo e explicou que este constitui a entrada ao Povo de Deus, que torna discípulo e missionário quem o recebe e outorga a missão de levar a fé pelo mundo “como um rio que irriga a terra”.

Em sua reflexão, para a qual usou diversas passagens do Documento de Aparecida  –fruto da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e o Caribe em 2007– do qual o então Cardeal Bergoglio foi o Presidente do Comitê de Redação, o Santo Padre explicou que “assim como de geração em geração se transmite a vida, do mesmo modo também de geração em geração, através do renascimento da fonte batismal, transmite-se a graça, e com esta graça o Povo cristão caminha no tempo, como um rio que irriga a terra e difunde no mundo a bênção de Deus”.

Recordando o Documento da Aparecida, o Papa explicou que “em virtude do Batismo nos transformamos em discípulos missionários, chamados a levar o Evangelho no mundo” e citou o texto no que se afirma que “cada batizado, qualquer que seja sua função na Igreja e o grau de instrução de sua fé, é um sujeito ativo da evangelização. A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de todos, de todo o Povo de Deus, um novo protagonismo dos batizados, de cada um dos batizados”.

“O Povo de Deus é um Povo discípulo, porque recebe a fé, e missionário, porque transmite a fé. Isto é o que faz o Batismo em nós: faz-nos receber a graça. E a fé é transmitir a fé. Todos na Igreja somos discípulos e o somos para sempre, por toda a vida; e todos somos missionários, cada um no posto que o Senhor lhe atribuiu”.

O Papa Francisco disse logo: “Todos: até o mais pequenino também é missionário e aquele que parece maior é discípulo. Mas alguns de vocês dirão: ‘Padre, os bispos não são discípulos, os bispos sabem tudo. O Papa sabe tudo, não é discípulo’. Pois bem, também os bispos e o Papa devem ser discípulos, porque se não forem discípulos, não fazem o bem, não podem ser missionários, não podem transmitir a fé”. “Todos nós somos discípulos e missionários!”

O Pontífice ressaltou deste modo que “ninguém se salva sozinho”.
“Isto é importante. Ninguém se salva sozinho. Somos comunidade de crentes, e nesta comunidade experimentamos a beleza de compartilhar a experiência de um amor que precede a todos, mas que ao mesmo tempo nos pede que sejamos ‘canais’ da graça os uns para os outros, não obstante nossos limites e nossos pecados”.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26561)

Vaticano lança urgente chamado ao cessar fogo na Síria

Imagem: Mapa de L’Américain (DC BY-SEJA 3.0)

VATICANO, 15 Jan. 14 / 04:56 pm (ACI/EWTN Noticias).- A Academia Pontifícia das Ciências celebrou ontem no Vaticano uma reunião sobre a guerra em Síria, na qual realizou-se um chamado ao fim imediato da violência, o começo da reconstrução e o início do diálogo entre as distintas comunidades.

A reunião, que teve lugar uma semana antes da conferência de paz da Genebra, foi aberta pelo presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso, Cardeal Jean -Louis Tauran.

Em um comunicado publicado esta manhã se manifesta a esperança de que a conferência de paz, chamada Genebra-2, permita “ao povo da Síria, da região e do mundo conceber um novo início e pôr fim à violência que já cobrou mais de 130.000 vidas, deixando em ruínas e no caos um lindo país”.

Segundo os peritos internacionais que participaram desta jornada de trabalho, o primeiro passo é um cessar fogo: “todos os combatentes devem depor as armas, as potências estrangeiras devem tomar medidas para deter o fluxo de armamentos e seu financiamento”.

“A Santa Sé –diz o comunicado- apoia todas as religiões e todas as comunidades da Síria, com a esperança de um novo entendimento e a recuperação da confiança depois de anos de violência entre comunidades”. Para isso, o diálogo deve centrar-se nas “necessidades urgentes de reconstrução espiritual e comunitária”.

Os participantes da conferência expressaram também sua preocupação pela situação de milhões de refugiados sírios que “sofrem privações extremas potencialmente fatais em termos de mantimentos, saneamento, eletricidade, telecomunicações, transporte, e outras necessidades humanas básicas”.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26565)

Ameaças e perseguições à Igreja no Vietnã

Ho Chi Ming City – Vietnã (Quarta-feira, 15-01-2014, Gaudium Press) – As autoridades do Distrito 2, da cidade de Ho Chi Ming, querem expropriar terrenos e propriedades da arquidiocese de Saigon, fechando dois institutos centenários para dar vida a um projeto chamado de “Nova Urbanização”.

As autoridades disputam a a posse da Paróquia de Thu Thien, que presta serviços à comunidade há mais de 150 anos e os edifícios ocupados pelas religiosas da Congregação do Sagrado Coração, também em Thu Thien, presentes no local há 173 anos.

Desde de dezembro, o distrito do Comitê Popular Comunista emitiu uma ordem de sequestro, (4825/UBND). Agora, o mesmo Comitê tenta iniciar uma operação acelerada para expropriar dos católicos o terreno e os bens relativos nele contidos.

Nos últimos anos, Igreja católica vietnamita e comunidade católica desencontraram-se várias vezes com as autoridades comunistas por questões atinentes a possessões de terras e edifícios, parte dos quais de grande valor histórico, artístico e cultural.

Para a comunidade católica os atos do governo são contrários até às leis estatais e constitui uma “evidente violação da liberdade religiosa” sendo que a ação das autoridades constitui um “atropelo” exercido mediante “perseguição, coerção e ameaças” contra dois institutos religiosos.

A liberdade religiosa está em constante ameaça e diminui sempre. A introdução do Decreto 92 impôs, de fato, maiores controles e restrições à prática de culto, que está sempre mais vinculada aos ditames e normas do governo e do Partido Comunista. (JSG)

(Da redação , com informações Fides)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54834#ixzz2qYfoHrN3 )

Espanha acolhe mostra sobre o Mistério da Eucaristia

Burgos – Espanha (Quarta-feira, 15-01-2014, Gaudium Press) “Eucaristia” é o título da mostra que acontecerá este ano na igreja de São João de Aranda de Duero, cidade localizada na província de Burgos (Espanha), e que falará sobre o grande mistério eucarístico.

A exposição, organizada pela Fundação ‘As Idades do Homem’, foi apresentada recentemente pelo Arcebispo de Burgos, Dom Francisco Gil Hellín, como parte de uma coletiva de imprensa realizada na igreja da cidade espanhola.

Em seu discurso, o prelado destacou: “As Dioceses de Castilla e León voltam a se comprometer em outro grande desafio expositivo e pastoral que chega ao povo crente e a toda a sociedade através de uma mina inesgotável, como são as obras de arte. A Eucaristia, como sacrifício, comida e presença, é um tema antigo e novo; não em vão é o centro dos mistérios celebrados pelos crentes; isto explica por que sempre estiveram presentes em nossas exposições as obras de arte relacionadas com a Eucaristia”.

Ele explicou também que na mostra, que ocorre também na Igreja de Santa Maria de Burgos, o tema da Eucaristia -que é o centro da vida cristã-, será exibido “sob um novo prisma, único e monográfico (…) em Aranda de Duero, centro nervoso do pão e do vinho, terra de cereais e vinhedos, que nos fazem olhar para o Evangelho em suas mais ricas parábolas e mensagens”.

Desta maneira, tal como apresentou o Padre Juan Álvarez Quevedo, Comissário da “Eucaristia”, a exposição será realizada em quatro capítulos: o primeiro deles sobre o fundamento e tom humano da Eucaristia, mostrando-a como alimento e como festa.

O segundo capítulo dará ênfase nos antecedentes da Eucaristia, especialmente no Antigo Testamento com figuras como Abraão e Isaac, e detalhes como “o maná do deserto” e “a aliança do Sinai”, que antecipam o mistério da Eucaristia.

Já o terceiro capítulo, como continuou expondo o sacerdote, estará destinado inteiramente à Instituição da Eucaristia, mostrando-se os gestos de Jesus, os anúncios do que será a Eucaristia, a Instituição propriamente dita, e a Eucaristia na Igreja Primitiva.

Finalmente, a quarta parte da mostra falará sobre o que é a Eucaristia, o Sagrado Banquete no qual se faz memória da Morte e Ressurreição, e o compromisso da Eucaristia na caridade -“A Fé na Eucaristia leva ao compromisso Eucarístico até os trabalhos com os mais débeis”, acrescentou o Padre Álvarez Quevedo-, e concluirá com uma visão cósmica do que é a Eucaristia.

A exposição permanecerá em Aranda de Duero de maio até novembro deste ano. (GPE/EPC)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54868#ixzz2qYfK0ikZ )

O papel da liturgia na santificação das almas

Redação – (Quarta-feira, 15-01-2014, Gaudium Press– Apresentamos hoje alguns aportes para a Liturgia. Subsídios de Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, dos Arautos do Evangelho:

A liturgia torna possível exercer uma ação mais profunda nas almas, não só levando-as a participar mais ativamente nos sagrados mistérios, mas também abrindo para elas, através da beleza dos rituais, a via pulchritudinis, por excelência.joaocladias.jpg

Além da beleza que lhe é própria, a liturgia realiza por seu simbolismo e essência, e do modo mais esplendoroso possível, a sacralização das realidades temporais, em que se devem empenhar todos os fiéis. Na Celebração Eucarística, é o Céu que se liga à Terra, o espiritual ao temporal. É Cristo, ao mesmo tempo o arquétipo do gênero humano e o Filho de Deus, que se oferece ao Pai, para interceder por seus irmãos.

É próprio à natureza humana tender a imitar aquilo que admira, e nisso consiste a melhor forma de aprendizado. Não se poderá negar que uma liturgia celebrada com a devida compenetração e manifestando toda a beleza que lhe é inerente há de ter uma ação benéfica sobre os fiéis, moldando a fundo sua mentalidade e levando-os a imitarem em alguma medida o ritual presenciado.

Essa transposição do cerimonial não se cifra numa reprodução de gestos, mas em projetar para a vida temporal o ambiente de sacralidade presenciado nos atos litúrgicos. O pai ou a mãe que assistem a uma celebração esplendorosa, repetirão instintivamente no dia a dia, no “ritual” da igreja doméstica, o cerimonial da Igreja. Dar a bênção aos filhos, por exemplo, é uma forma de fazer presente o espírito católico na realidade temporal da família.

Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, E.P.

(In DIAS, João Scognamiglio Clá. Considerações sobre a gênese e o desenvolvimento do movimento dos Arautos do Evangelho e seu enquadramento jurídico, 2008. Tese de Mestrado em Direito Canônico – Pontifício Instituto de Direito Canônico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54857#ixzz2qYeXSfYS )

“Eu, homossexual, acredito que toda criança tem direito a um pai e a uma mãe”

Jean-Pier Delaume-Myard, porta-voz da associação francesa Homovox, se pronuncia em defesa da família natural

Por Luca Marcolivio

ROMA, 14 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Ele é declaradamente homossexual, mas o lobby gay o considera um traidor. Seu crime: achar que o casamento é prerrogativa exclusiva do casal formado por um homem e uma mulher e, principalmente, defender o direito das crianças a ser criadas por pai e mãe.

Jean-Pier Delaume-Myard foi o protagonista da fala mais interessante da edição italiana da Manif Pour Tous (“Manifestação para Todos”, movimento surgido na França que exerce o direito democrático de se manifestar nas ruas contra as novas legislações favoráveis ao casamento homossexual e à adoção de crianças por casais do mesmo sexo). No último sábado, a manifestação reuniu cerca de 4.000 pessoas em Roma, na maioria jovens e famílias, para expressar oposição ao projeto de lei Scalfarotto. O projeto “contra a homofobia” pretende considerar crime de opinião as posições contrárias ao casamento e adoção de crianças por homossexuais e, mais em geral, as posições contrárias à ideologia de gênero.

Após a entrada em vigor da lei Taubira, na França, Jean-Pier foi vítima de ameaças de morte pela internet. Ele é porta-voz da associação francesa Homovox, representante dos “homossexuais fora da caixa”, ou seja, aqueles que não aderem à chamada “cultura gay”. Seu livro, “Homossexual – Contra o casamento para todos”, foi censurado pela mídia por pressão de grupos LGBT. “Quem é mais homofóbico, a Manif Pour Tous ou eles?”, questionou, com amarga ironia, diante da multidão reunida na praça Santi Apostoli.

Jean-Pier é homossexual, mas não se diz orgulhoso dessa inclinação e sim “um pouco envergonhado”. É católico, mas a sua batalha é laica, civil e aconfessional, de acordo com o espírito da Manif Pour Tous.

No final de 2012, o governo de François Hollande anunciou a lei Taubira para legalizar o casamento e a adoção de crianças por homossexuais na França. Os meios de comunicação franceses se alinharam quase unanimemente a favor, mas o porta-voz da Homovox declara: “Na verdade, eles estavam roubando a minha voz, a nossa voz, de nós, homossexuais, que não tínhamos pedido nada disso”.

Jean-Pier decidiu então escrever para o site Nouvelle Observateur. Sua carta intitulada “Sou homossexual, não gay: chega dessa confusão!” atraiu mais de 110 mil visitas.

O ativista da Homovox acusa o lobby gay de marginalizar ainda mais os homossexuais, minando a sua aceitação social. “Os gays evocam uma cultura gay, um estilo de vida gay. Eles querem que o açougueiro, o padeiro, o vendedor de jornal sejam todos gays. Eles querem viver com outros gays… Já eu, como homossexual e como um indivíduo de uma nação, sempre fiz a escolha de agir sem me preocupar com a orientação sexual dos outros”.

Ele faz uma nova pergunta incômoda: “Por que eles querem uma lei a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo? Para as pessoas homossexuais ou para as centenas de gays que vivem nas áreas chiques de Paris?”.

O direito de casais homossexuais a adotar crianças, opina Jean-Pier, é “a folha de parreira” que esconde “a floresta da maternidade sub-rogada e da reprodução assistida”, projeto de lei a ser discutido pelo parlamento francês em março.

“Eu luto em consciência e com todas as minhas forças para que cada criança tenha mãe e pai”, diz ele. “Se eu fosse heterossexual, teria esse mesmo objetivo, ou seja, a racionalidade”.

“O meu compromisso não tem nada a ver com a minha orientação sexual. Eu me comprometi porque qualquer um que tem um pouco de compaixão pelos seres humanos não tem como aceitar que uma criança cresça sem pontos de referência sociais”.

Uma criança, afirma Jean-Pier, não pode ser privada do afeto materno nem ser obrigada a perguntar um dia quem era a sua mãe. Uma criança “não é moeda de troca, é um ser humano que tem o direito de saber a origem cultural, geográfica, social e religiosa dos seus pais”.

Leis como a Taubira na França e a Scalfarotto na Itália farão com que “os homossexuais paguem o preço, porque são essas leis que estão criando homofobia”. Os governos que endossam essas mudanças não têm “nenhum propósito além de destruir a família”.

Antes de se despedir dos manifestantes sugerindo uma “grande manifestação europeia”, o fundador da Homovox apresentou a sua proposta para as próximas eleições no continente: que os candidatos assinem uma carta “declarando proteger a família e respeitar as pessoas”, porque a família, além de ser “o melhor lugar para crescer e ser educado”, é “a célula fundamental da sociedade” e “garante o futuro e o progresso do país”.

(Fonte: Agência Zenit)

História do Santo Sudário

santosudarioÉ certo que, no Domingo da Ressurreição, Pedro e João encontraram no túmulo a mortalha de Jesus. Os Sinóticos, que, por ocasião do sepultamento, não falaram senão da mortalha, assinalam, no Domingo, os “othonia” (= panos); a mortalha evidente faz parte desses “othonia”. São João que, em seu evangelho, não falou na sexta-feira santa a não ser dos “othonia”, assinala, no Domingo, os “othonia” e o “soudarion”. Veremos com M. Lévesque que este “soudarion” é a mortalha, do aramaico em que pensa São João. Quem o recusar será forçado a colocar a mortalha entre os “othonia”.

Que destino lhe deram os apóstolos?

Apesar de natural repugnância própria a judeus, para os quais tudo o que toca a morte é impuro, sobretudo um pano manchado de sangue, é impossível admitir que não tivessem recolhido com todo cuidado esta relíquia da Paixão do Homem-Deus. É necessário admitir também que a esconderam cuidadosamente. Deveriam protegê-la da destruição por parte dos perseguidores da jovem Igreja. Por outro lado, não se podia pensar em propô-la à veneração dos novos cristãos, ainda imbuídos do horror dos antigos pela infâmia da cruz. Haveremos de voltar com mais vagar a este longo período em que a cruz se escondia sob símbolos: só nos séculos V e VI é que veremos os primeiros crucifixos que, de resto, aparecem ainda um tanto disfarçados. Só nos séculos VII e VIII é que eles se espalham um pouco. Não será senão no século XIII que se difundirá a devoção à Paixão de Cristo.

Acrescentemos a seguinte hipótese que está baseada em fenômeno biológico misterioso, mas devidamente verificado: é muito possível que nesta mortalha, portadora desde o início de manchas sanguíneas, as impressões corporais não fossem visíveis durante muitos anos. É possível que elas só se tenham “revelado” posteriormente, como sobre uma chapa fotográfica que esconde sua imagem virtual até o banho revelador.

Pois existe todo um período obscuro em que a Mortalha (ou Sudário) não aparece, no qual não pode aparecer. Era mesmo necessário que estivesse cuidadosamente escondida, para ter escapado a todas as ocasiões de destruição. Romanos, persas, medos, partos devastaram sucessivamente Jerusalém e demoliram suas igrejas. E o que foi feito da Mortalha?

Nicéforo Calisto escreve em sua História Eclesiástica que a imperatriz Pulquéria fez construir, em 436, em Constantinopla, a basílica de Santa Maria dos “Blacherner” e ali depositou os panos mortuários de Jesus, recentemente descobertos. É precisamente aí que iremos ver o Santo Sudário, em 1204 (Roberto de Clari). Entretanto, em 1171, segundo Guilherme de Tyr, o imperador grego, Manuel I, Commeno (1122-1180) mostra ao rei Amaury de Jerusalém as relíquias da Paixão: lança, cravos, esponja, coroa de espinhos e a Mortalha que ele conservava na Capela do “Boucoleon”. Ora, tudo isto ali está, mais uma Verônica, segundo Roberto de Clari. Convém, de resto, notar que Nicéforo, morto em 1250, escreveu após a tomada de Constantinopla, em 1204, quando a Mortalha desapareceu. Há, portanto, alguma confusão possível.

Mas, muito tempo antes, são Braulio, bispo de Saragoça, em 631, varão douto e prudente, em sua carta XLII ao abade Tayon, fala como de coisa conhecida havia muito tempo “de sudaruim quo corpus Domini est involutum – da Mortalha (= Sudário) em que o corpo do Senhor foi envolvido”. E acrescenta: “A Sagrada Escritura não diz que tenha sido conservado, mas não se pode tachar de supersticiosos aqueles que acreditam na autenticidade deste Sudário”. Um “sudário” que envolveu o corpo de Jesus não pode ser senão uma mortalha; vê-lo-emos no capítulo do sepultamento.

 Onde estava ela, pois, nesta época?

Abramos os três livros do abade beneditino de lona, Adamnan, “Sobre os Santos Lugares, de acordo com a relação de Arculfo, bispo francês”, secção III, cap. X: “de Sudarium Domini”. Arculfo faz uma peregrinação a Jerusalém por volta do ano 640. Aí viu e osculou o “Sudarium Domini quod in sepulcro super caput ipsius fuerat positum – o Sudário do Senhor que no sepulcro estivera colocado sobre Sua cabeça”. São as mesmas palavras com que se expressou são João (cf.20,7). Ora, este sudário, segundo Arculfo, é uma comprida peça de tecido que mede, avaliada a olho, cerca de 8 pés de comprimento (=2,44 m). Não é, portanto, um lenço, mas sim um lençol ou mortalha (= sudário).

O venerável Beda, no começo do século VIII, também registra este testemunho de Arculfo em sua História Eclesiástica (De Loci Santis). Mais ou menos na mesma época, São João Damasceno assinava entre as relíquias veneradas pelos cristãos o “sindon”. Vemos desde logo que “sindon” e “sudarium” são empregados indiferentemente como sinônimos.

Parece resultar de tudo isto que no século VII a Mortalha ficara em Jerusalém ou voltara para lá e que não foi para Constantinopla senão mais tarde. Quando? Não sabemos. Talvez antes do século XII, durante o qual alguns peregrinos se referem ao “sudarium quod fruit super caput eius” naquela cidade; acabamos de ver segundo Arculfo que isto significa a Santa Mortalha. Em todo o caso, já lá estava em 1204, por ocasião da 4ª Cruzada.

Roberto de Clari, cavaleiro da Picardia, que tomou parte na tomada de Constantinopla, em 1204, nos conduz a terreno já muito sólido.

Roberto é considerado pelos críticos de história como homem de instrução média, um tanto ingênuo e que se pôde deixar embair na política dos altos barões, dos quais estava longe. Mas é testemunha muito atenta e perfeitamente sincera em relação a tudo o que ele mesmo vê.

Ora, descreve ele minuciosamente (p. 82) todas as riquezas e relíquias vistas nos palácios e nas “rikes kapeles”, ricas capelas da cidade; especialmente no “Boucoleon” que jocosamente denomina “el Bouke de Lion” (= o estreito de Lião) e em Blachernes”. No “Boucoleon”, viu, a respeito de Jesus, dois pedaços da verdadeira cruz, o ferro da lança, dois cravos, um fresquinho de sangue, uma túnica e a coroa. Viu também (descrito à parte com longa lenda de sua formação, quando de uma aparição de Nosso Senhor a um santo homem de Constantinopla) uma “toaille”, isto é, um pano com o rosto do Salvador (como a Verônica de Roma) e uma tela (ou placa de barro cozido) onde estava ela decalcada.

Mas foi em “Blachernes” que encontrou o Santo Sudário. Tudo isto escrito naquela rude língua d’oil do século XII, que vive ainda nos atuais dialetos valões. É necessário lê-lo em voz alta, com o sotaque do Norte, talvez ter também sangue valão nas veias, para saboreá-lo plenamente. Em tradução, ei-lo aqui (p. 90): “E entre estes outros havia ali um mosteiro, que chamavam Senhora Santa Maria de ‘Blachernes’, onde estava a Mortalha em que Nosso Senhor foi envolvido; e que cada sexta-feira era levada e estirada tão bem que nela se podia ver o retrato de Nosso Senhor. E não soube jamais nem grego nem francês o que aconteceu a esta Mortalha quando a cidade foi tomada”.

O Santo Sudário foi, portanto, roubado ou transformado em presa de guerra, se se quiser ser indulgente. Ora, segundo os historiadores de besançon, D. Chamard em particular, uma mortalha correspondente à descrição de Clari foi consignada, em 1208, às mãos do arcebispo de Besançon, por Ponce de La Roche, senhor do Franco-Condado, pai de Oto de La Roche, um dos principais chefes do exército borgonhês na Cruzada de 1204. Essa mortalha, que tem todos os indícios de ser o nosso atual Santo Sudário, continuaria a ser venerada na Catedral de Santo Estêvão até 1349. Notemos de passagem que Vignon emitiu dúvidas, em seu livro de 1938, sobre a estada em Besançon, mas, apesar disso, continua a ser muito provável a referida estada.

No citado ano de 1349, um incêndio devastou a Catedral, e o Santo Sudário desapareceu uma segunda vez, só seu relicário é que foi reencontrado. Fora roubado, e este fato explica provavelmente a falsa posição e as aventuras que geram ainda preconceitos no espírito de certos historiadores, cada vez mais raros, que se recusam a encarar o valor intrínseco do documento e de lhe examinar as imagens, sob o pretexto a priori de que isto não pode ser senão uma falsidade. Seria o mesmo que recusar estudar a lua, porque não lhe veremos jamais senão a metade!

A Mortalha reapareceu oito anos mais tarde, em 1357, como propriedade do conde Godofredo de Charny, que a recebeu como presente do rei Felipe VI. Este a teria recebido do ladrão, que se supões ter sido um tal Vergy. Charny colocou-a na Colegiada de Lirey (Diocese de Troyes), fundada por ele mesmo alguns anos antes. Ora, mais ou menos na mesma época reaparece, em Besançon, uma outra mortalha da qual temos numerosas cópias, e que era evidentemente uma incompleta e má reprodução em pintura da de Lirey. Foi o que demonstraram, sem dificuldade, os enviados da Comissão de Segurança Pública, que a destruíram, de acordo com o clero da Catedral, em 1794.

A Mortalha de Lirey não deixou por isso de ser alvo das hostilidades dos bispos de Troyes: de início, Henrique de Poitiers; trinta anos mais tarde, Pedro d’Arcy, que se opuseram à sua exposição pelos cônegos de Lirey. Lamentavam-se de que os fiéis abandonavam as relíquias de Troyes, para correr em massa a Lirey. Os Charnys cedo retomaram a relíquia, guardando-a por trinta anos.

Em 1389 expuseram sua causa ao legado do novo papa de Avignon, Clemente VII, que acabava de iniciar o grande cisma do Ocidente, depois ao próprio antipapa em pessoa. Ambos autorizaram a exposição, não obstante a proibição do bispo Pedro d’Arcy. Depois, em face das reclamações deste, Clemente VII acabou por decidir, tentando um arranjo com ambas as partes, que por um lado o bispo não poderia mais se opor às exposições, mas, por outro, declarar-se-ia em cada exposição tratar-se de uma pintura representando o verdadeiro Sudário de Nosso Senhor.

Pedro d’Arcy, em suas memórias, apresenta a Clemente graves acusações eivadas de rancor contra os cônegos de Lirey, a respeito de simonia por parte destes. Acrescenta, como se fosse verdade, que seu predecessor teria feito uma pesquisa e recebido a confissão do pintor, autor da Mortalha.

Não se encontrou jamais vestígio algum dessa investigação nem das declarações do pintor. Se algum pintor houve, parece muito provável ter sido o que copiou o Sudário de Lirey para fazer o de Besançon. Na realidade, todas as decisões não foram motivadas senão por questões de interesse particular e pelo argumento do silêncio dos Evangelhos sobre a existência das impressões. Parece que o sudário nunca foi examinado diretamente, sem parcialidade, pois se teria então visto como se vê hoje, que não tem ele o menor sinal de pintura. Mas o pseudopapa Clemente VII nunca se mostrou preocupado com isto.

É muito difícil resumir disputas um tanto sórdidas. Mas bem parece poder concluir-se que o pobre Sudário não tinha senão um defeito, o de não possuir “autênticas”. No entanto, como possuí-las, se sua presença em Lirey era o resultado de duplo furto, sendo que o segundo comprometia o próprio rei da França como acoutador de furtos? Foi precisamente a falta de carteira de identidade que, em toda a parte, ocasionou dificuldades ao último proprietário, Margarida de Charny, quando o levou para Chimay, na Bélgica. Deste modo, após numerosas peregrinações, em 1452, ela o haveria de doar a Ana de Lusignan, esposa do dique de Saboia.

Foi assim que chegou a Chambéry e tornou-se o que é ainda hoje, propriedade da casa de Saboia, até há pouco reinante na Itália. Queira Deus que chegue um dia a seu porto de destino natural, às mãos do Sumo Pontífice, sucessor de São Pedro e Vigário de Jesus Cristo, o único homem no mundo que tem verdadeiros direitos sobre esta relíquia!

A história do Santo Sudário torna-se daí para cá bastante conhecida. O duque de Saboia mandou-lhe construir uma “Santa Capela” em Chambéry. Sucedem-se as exposições e fazem-no ferver no óleo e lavaram-no com sabão, várias vezes, sem poder apagar suas impressões. Ideia assombrosa, se é que a crônica é verídica, mas que supões uma decidida e fera vontade de certeza.

Como se os homens não bastassem, irrompeu um incêndio na Santa Capela, em 1532, que por pouco não destruiu a relíquia. Uma gota de prata derretida queimou um canto do tecido, dobrado em seu relicário, causando-lhe assim duas séries de abrasamentos que encontramos a intervalos regulares. Felizmente os buracos ficaram dos lados da impressão central. A água empregada para extinguir o incêndio deixou largos círculos simétricos em toda a extensão do Sudário. Foi este o segundo incêndio depois do segundo furto.

Pelo menos um feliz resultado obteve-se daí: a devassa canônica para estabelecer a autenticidade do Sudário danificado, e sua reparação pelas Clarissas de Chambéry, que foi acompanhada de processo-verbal descritivo e minucioso, feito por essas virtuosas moças.

O Sudário ainda peregrinou bastante, seguindo as vicissitudes políticas de seu proprietário, chegando, finalmente, em 1578, a Turim, onde São Carlos Borromeu o venerou. Emitira o voto de ir a Chambéry, mas o duque de Saboia poupou-lhe a travessia dos Alpes, de modo que só teve de ir a pé de Milão a Turim.

Foi, depois, colocado na Santa Capela, anexada à catedral de São João, na mesma cidade de Turim, onde muito raramente é exposta, dependendo isto de permissão especial da Casa de Saboia, que não é nada pródiga. As últimas foram em 1898 (primeira fotografia), 1931 e 1933. Esta última foi obtida em razão do centenário tradicional da morte de Jesus (mas provavelmente inexato).

Trecho extraído do livro “A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião”, de Dr. Pierre Barbet

BARBET, P.A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião. Trad. Pe. José Alberto de Castro Pinto.12ª edição. Ed. Loyola e Ed.Cléofas, São Paulo,2014.

A Prática da Humildade

humildade-1É uma verdade indiscutível que não haverá misericórdia para os soberbos, que para eles permanecerão fechadas as portas dos céus e que o Senhor só as abrirá aos humildes.

Para convencer-se, basta abrir as Sagradas Escrituras, que continuamente ensinam-nos que Deus resiste aos orgulhosos, que é preciso fazer-se semelhantes aos pequeninos para entrar na sua glória, que quem a eles não se assemelha será excluído e, por fim, que Deus só outorga a sua graça aos humildes.

Não poderemos nunca convencer-nos adequadamente de grande importância que tem, para todo cristão e principalmente para todos os que seguem a carreira eclesiástica, o cuidado de praticar a Humildade e eliminar do seu espírito toda presunção, toda vaidade e todo orgulho. Nenhum esforço ou fadiga será demasiado para obter o fim desejado numa empresa tão santa, e, como este fim não pode ser obtido sem a graça de Deus, devemos pedi-la instante e frequentemente. Todo cristão contraiu, no batismo, a obrigação de seguir Jesus Cristo, e é Ele o modelo segundo o qual devemos todos regular a nossa vida.

Todo cristão contraiu no batismo a obrigação de seguir os passos de Jesus Cristo, que é o modelo a que devemos conformar a nossa vida. Ora bem, este Deus Salvador praticou a Humildade a ponto de se fazer o opróbrio dos homens, para humilhar a nossa altivez e curar a chaga do nosso orgulho, ensinando-nos com o seu exemplo o caminho único que conduz ao céu. Para falar com propriedade, esta é a mais importante lição do Salvador: “Aprendei de mim!”

Se desejas, pois, ó discípulo do divino Mestre, adquirir esta pérola preciosa, que é o mais seguro penhor de santidade e o mais certo sinal de predestinação, recebe com docilidade e executa fielmente os seguintes conselhos:

I

Abre os olhos de tua alma, e pensa que nada tens para te mover a alguma estima de ti. De teu, só tens o pecado, a debilidade, a fraqueza; e quanto aos dons da natureza e da graça que estão em ti, assim como os recebeste de Deus, que é o princípio de todo ser, assim só a Ele deves dar glória.

II

Concebe por isso um profundo sentimento do teu nada, e faze-o crescer constantemente em teu coração, apesar do orgulho que domina em ti. Intimamente, persuade-te de que não há no mundo coisa mais vã e ridícula que o desejo de ser estimado por alguns dotes da gratuita liberalidade do Criador, pois, como diz o Apóstolo, se os recebeste, por que te glorias como se fossem teus, e não os tivesses recebido? (1 Cor 4,7).

III

Pensa frequentemente na tua fraqueza, na tua cegueira, na tua vileza, na tua dureza decoração, na tua inconstância, na tua sensualidade, na tua insensibilidade para com Deus, no teu apego às criaturas e em tantas outras viciosas inclinações que nascem da tua natureza corrompida. Sirva-te isto de grande motivo para te abismares continuamente no teu nada, e seres aos teus olhos o menor e o mais vil de todos.

IV

A memória dos pecados da tua vida passada esteja sempre impressa no teu espírito. Nenhuma outra coisa reputes tão abominável como o pecado da soberba, o qual, posto em comparação, vence qualquer outro, tanto sobre a terra como no inferno: este foi o pecado que fez prevaricar os anjos no céu e os precipitou nos abismos; este foi o que corrompeu todo o gênero humano, e que fez cair sobre a terra aquela infinita multidão de males, que durarão enquanto durar o mundo, ou, melhor dizendo, durarão toda a eternidade.

Ademais, uma alma maculada pelo pecado só é digna de ódio, de desprezo e de suplícios; vê, portanto, qual estima podes fazer de ti mesmo, depois de tantos pecados dos quais te tornaste culpado.

V

Considera também que n ao há delito, por enorme e detestável que seja, ao qual não se incline a tua natureza corrompida, e do qual não possas fazer-te réu; e que só pela misericórdia de Deus e pelo socorro das suas divinas graças foste dele livre até hoje, segundo aquela sentença de Santo Agostinho: “Não haveria pecado no mundo que o homem não cometesse, se a mão que fez o homem deixasse de sustentá-lo” (Arl. C. 15);

Chora eternamente esse deplorável estado, e toma a firme resolução de te incluíres entre os mais indignos pecadores.

VI

Pensa frequentemente que cedo ou tarde deves morrer, e que o teu corpo deverá apodrecer numa fossa; tem sempre diante dos olhos o inexorável tribunal de Jesus Cristo, onde todos necessariamente devem comparecer; medita nas eternas penas do inferno preparadas para os maus, e principalmente para os imitadores de Satanás, que são os soberbos. Considera sinceramente que, por esse véu impenetrável que esconde aos olhos mortais os juízos divinos, estás na incerteza de pertencer ou não ao número dos réprobos, que eternamente, em companhia dos demônios, serão arrojados naquele lugar de tormentos, para serem vítimas eternas de um fogo aceso pela ira divina. Esta incerteza deve bastar por si só, para conservar-te numa extrema humildade, e para inspirar-te o mais salutar temor.

VII

Não te iludas pensando que poderás conseguir a Humildade sem aquelas práticas que a ela estão ligadas, como os atos de mansidão, de paciência, de obediência, de ódio contra ti, de renúncia ao teu sentimento e às tuas opiniões, de arrependimento de teus pecados e outros atos semelhantes, porque somente estas armas poderão vencer em ti o reino do amor-próprio, aquele abominável terreno onde brotam todos os vícios, onde se aninham e crescem desmedidamente o teu orgulho e a tua presunção.

VIII

Tanto quanto possível, observa o silêncio e o recolhimento, desde que isso não cause prejuízo a outrem, e, quando fores obrigado a falar, fala sempre com gravidade, com modéstia e simplicidade. E se por acaso não fores ouvido, seja por desprezo ou por qualquer outra causa, não te mostres ressentido, mas aceita essa humilhação, e sofre-a com resignação e tranquilidade.

IX

Com todo cuidado e atenção, evita proferir palavras atrevidas, orgulhosas, e que indiquem pretensão de superioridade, como também qualquer frase estudada e toda a sorte de gracejos frívolos; cala sempre tudo aquilo que puder fazer com que te considerem uma pessoa de espírito e digna da estima dos outros. Em uma palavra, nunca fales de ti sem justo motivo, e nada digas que possa granjear-te honra e louvor.

  X

Cuida-te de não mortificar e ferir a outrem com palavras e sarcasmos; foge, numa palavra, de tudo o que lembra o espírito mundano. Fala pouco das coisas espirituais, e não o faças em tom magistral e à maneira de repreensão, a não ser que a isso sejas obrigado por teu cargo ou pela caridade: contenta-te com interrogar os que delas entendem e que sabes que te podem dar conselhos oportunos; porque o querer fazer-se de mestre sem necessidade é acrescentar lenha ao fogo da nossa alma, que se consome em fumaça de soberba.

Trecho extraído do livro “ A Prática da Humildade”, de Gioacchino Pecci (Leão XIII)

PECCI, G. (LEÃO XIII). A Prática da Humildade.Ed. Cultor de Livros, São Paulo, 2012.

Vaticano organiza concurso internacional de música sacra

Roma – (10-01-2014, sexta-feira, Gaudium Press– Há séculos que a música sacra é uma parte fundamental dentro da liturgia da Igreja Católica. Por isso, o Vaticano convocou compositores de todo o mundo para manter vivo este gênero musical.

Um dos festivais de música sacra mais antigos da Itália, o “Sagra Musicale Umbra”, acolhe esta iniciativa e realizará um concurso internacional que será nomeado Concurso Francesco Siciliani,

Alberto Battisti, que dirige o Concurso, informou que “Na primeira edição, tivemos 210 participantes de todo o mundo. Eles vieram de todas as partes: Japão, Filipinas, lugares verdadeiramente distantes”.

Neste ano os organizadores esperam superar o número dos participantes de edições anteriores.

O Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, foi quem idealizou este certame.

Os compositores que queiram participar podem enviar suas propostas até o próximo mês de junho.

Alberto Battisti informa que “os participantes devem enviar suas composições no estilo e língua que desejarem: com coro, com ou sem órgão. Porém, as composições devem partir do Pai Nosso, tema escolhido para o concurso deste ano”.

Cada peça será examinada separadamente por um juri internacional que não saberá quem é o compositor do trabalho que estiver sendo julgado. As três peças finalistas terão que ser apresentadas ao vivo na “Sagra Musicale Umbra”, em setembro de 2014.

Cada peça será interpretada por um dos coros mais famosos do mundo, o “Saint Jacob’s Chamber Choice”, de Estocolmo.
O corpo de jurados, a audiência e os críticos musicais decidirão quem será o vencedor.

O diretor do concurso comentou que “não existem muitas composições de prestígio feitas a partir do Pai Nosso. Então, disse, com novas versões, esperamos acrescentar uma grande contribuição ao repertorio musical”.

Há vários anos a Igreja tem procurado compositores capazes de transmitir a emoção e o sentimento que só a música sacra pode dar. Agora o Vaticano procura novos talentos para continuar com esta parte essencial dentro da cultura católica. (JSG)

Da redação, com informações Rome Reports

(http://www.gaudiumpress.org/content/54697#ixzz2qHD7B2Zr )

Arábia Saudita: risco de pena de morte por defender a liberdade

Manifestação em Roma para salvar Raif Badawi, blogueiro saudita que pode ser condenado a morrer

Por Valentina Colombo

ROMA, 09 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Entre outubro e dezembro de 2013, Roma ficou literalmente forrada de cartazes que falavam sobre “a descoberta da Arábia Saudita, a terra do diálogo e da cultura”. É que, para celebrar os oitenta anos de relações diplomáticas entre a Itália e o reino saudita, o ministério italiano de Assuntos Exteriores, a prefeitura de Roma e a embaixada saudita promoveram uma série de iniciativas voltadas a demonstrar o quanto o país é belo, aberto e cheio de atrações. Uma tenda instalada na Praça do Povo [Piazza del Popolo] apresentava a música, os chás e os doces tradicionais da Arábia. Mulheres de véu pintavam as mãos das visitantes com hena (só mulheres, claro).

Qualquer um que conheça a realidade saudita, mesmo que superficialmente, sabe que tudo aquilo foi a enésima operação de pintar fachada, a enésima demonstração de hipocrisia. Um país em que as mulheres sequer podem dirigir, um país em que os cristãos não podem usar a cruz nem construir igrejas, um país em que os xiitas são discriminados, um país que aplica a interpretação mais rígida da sharia, com a lei de talião, a flagelação e a pena de morte. Um país em que um blogueiro de trinta anos corre o risco de ser condenado à morte só porque é um paladino sincero da liberdade. Da verdadeira liberdade.

Raif Badawi, que está desde 2012 no presídio de Briman, em Jeda, foi condenado a sete anos de prisão e a 600 açoites por supostas ofensas contra algumas figuras religiosas do islã. Ele sofrerá agora um processo por apostasia. Badawi não é o primeiro nem será o último “espírito livre” a sofrer o terrorismo contra a liberdade e o livre pensamento na Arábia Saudita. Em fevereiro de 2012, a mesma sina coube ao blogueiro Hamza Kashghari, também acusado de apostasia e libertado recentemente, depois de pedir o perdão oficial.

O caso Badawi é mais complexo: o problema vai além dos posts e envolve principalmente o fato de ter fundado, em 2006, a “Rede Liberal Livre Saudita”, além de ter criticado em mais de uma ocasião não apenas o extremismo islâmico dos pregadores wahabitas, mas também o regime saudita que nunca freou o agravamento dessa situação durante os últimos anos. Em entrevista publicada em agosto de 2007 ao site liberal Aafaq, Badawi denunciava sem panos quentes que os liberais residentes no reino vivem entre a pressão do Estado e da polícia religiosa. O blogueiro se descreve assim: “Raif Badawi não é nada mais do que um simples cidadão saudita. Meu compromisso é com o avanço da sociedade civil no meu país, é rejeitar qualquer repressão em nome da religião, é promover os liberais sauditas iluminados cujo primeiro objetivo é a presença na sociedade civil, objetivo que atingiremos pacificamente e respeitando a lei”.

Ele reafirma: “O pensamento liberal se enraíza profundamente na realidade. O pragmatismo considera a pátria como sagrada, não se contrapõe ao islã, mas deriva e se desenvolve a partir dos nobres princípios deste. Temos certeza de que a evolução rumo ao pensamento liberal requer uma formação, uma consciência e sentimentos abertos ao bem comum, ao dever e à responsabilidade”. As palavras de Badawi são claras e não deixam dúvidas: nenhuma apostasia, só reformas que desejam o bem do próprio país. As dúvidas surgem, na verdade, quanto à sinceridade de quem o acusa.

A apostasia continua sendo um dos temas mais importantes quando se fala da relação entre o islã e os direitos humanos. O intelectual tunisiano Mohammed Charfi, em seu ensaio “Islam et liberté” (Casbah Editions, Algeri 2000), recorda, a propósito da apostasia, alguns versos do alcorão em favor da liberdade de consciência: por exemplo, “que não haja compulsão na fé” (II, 256). Ele quer demonstrar que “Deus não é fanático, ao passo que os ulemás de ontem, assim como os ulemás e os fundamentalistas de hoje, são”. O alcorão não afirma que a apostasia deva ser punida com a morte. Quem justifica a condenação à morte pelo delito de apostasia se baseia no que teria sido dito pelo profeta Maomé: “Quem muda de religião, seja morto”. Mesmo essa tradução é pouco confiável, porque pertence à categoria dos ditos transmitidos por uma só pessoa.

Diante desta panorâmica, a Associação da Comunidade Marroquina de Mulheres na Itália (ACMID), junto com a organização Nessuno Tocchi Caino, programou uma manifestação para hoje, 9, em frente à embaixada saudita em Roma. Estarão presentes italianos e estrangeiros, muçulmanos e não muçulmanos, para pedir a imediata libertação de Raif Badawi e para recordar que, se existe um apóstata, é o próprio Reino Saudita, que traiu os direitos humanos, começando pelo direito à vida e à liberdade de culto.

(Fonte: Agência Zenit)

A voz de Deus

Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém do Pará, reflete sobre o discernimento cotidiano

Por Dom Alberto Taveira Corrêa

BELéM DO PARá, 09 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Há muitas expressões na Sagrada Escritura que indicam o Senhor que fala ao seu povo, e manifestam a força de sua palavra que cria, repreende, educa, acompanha. Desde a forte palavra criadora do livro do Gênesis, passando pela intimidade com os patriarcas e profetas, que “emprestavam” a boca para Deus falar. De Moisés se diz que tinha uma grande amizade com Deus e o Senhor se entretinha com ele face a face. Deus fala!

“Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. Ele é o resplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com a sua palavra poderosa. Tendo feito a purificação dos pecados, sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas, elevado tão acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o deles” (Hb 1, 1-4).

“Por estas palavras, a carta aos Hebreus dá a entender que Deus emudeceu, por assim dizer, e nada mais tem a falar, pois o que antes dizia em parte aos profetas, agora nos revelou no todo, dando-nos o Tudo, que é o seu Filho. Se agora, portanto, alguém quisesse interrogar a Deus, ou pedir-lhe alguma visão ou revelação, faria injúria a Deus não pondo os olhos totalmente em Cristo, sem querer outra coisa ou novidade alguma. Deus poderia responder-lhe deste modo: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o! (Mt 17,5). Já te disse todas as coisas em minha Palavra. Põe os olhos unicamente nele, pois nele tudo disse e revelei, e encontrarás ainda mais do que pedes e desejas”(Tratado “A subida do Monte Carmelo”, de São João da Cruz, presbítero, Lib. 2, cap. 22).

A Igreja tem clara a convicção de que tudo o que é estritamente necessário já foi dito por Deus e encontra o fundamento de sua ação na Escritura Sagrada. Sabe também a Igreja que lhe foi dada a graça do discernimento, pela qual o sadio desdobramento daquilo que foi revelado é expresso nos ensinamentos que são oferecidos pelo longo e seguro exercício do magistério que acompanha a tradição viva, na qual existe a certeza da ação do Espírito Santo, que a acompanha e preserva do erro.

E Deus se calou? Temos a certeza de que continua a dizer sua Palavra, que ele inspira o bem, suscita a pregação corajosa do Evangelho, sustenta o testemunho dos cristãos. Sabemos que todas as chamadas revelações particulares são objeto de discernimento cuidadoso, pois são reconhecidas como estímulo à vivência do que se expressou na Sagrada Escritura, para que as pessoas não corram de um lado para outro em busca de novidades e pretensos anúncios, especialmente quando estes apontam para datas ou eventos extraordinários.

O que falta é o discernimento cotidiano e dedicado do que Deus nos fala através dos acontecimentos e de uma quantidade imensa de fatos simples e aparentemente corriqueiros. Deus nos fala através do próximo que grita pela nossa ajuda e pelo serviço de amor, dizendo que tudo o que fazemos ao menor dos irmãos é feito a Jesus. Deus nos fala pela última notícia de violência, que nos assusta e escandaliza, a dizer-nos que nos foi oferecido o caminho para a paz, através dos mandamentos e a prática da fraternidade. Deus nos fala pela Igreja que se reúne e proclama a cada dia a Palavra Sagrada, fonte de vida e santidade. Deus nos fala pelo testemunho corajoso de pessoas que vivem o Evangelho, arrastando com seu exemplo gente que vivia na lama do pecado. Deus nos fala através de seus enviados, e basta pensar na lucidez com que o Papa Francisco tem oferecido à Igreja e o mundo as propostas de vivência do Evangelho e amor ao próximo. Não faltam palavras vindas da boca de Deus. O que pode faltar são ouvidos atentos.

A Igreja celebra neste final de semana o Batismo de Jesus, quando o Senhor vai ao Rio Jordão, onde João Batista pregava a penitência e a conversão, justamente na preparação da plena manifestação do Messias esperado. Diante de um João Batista surpreso, que diz “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim” (Mt 3,13-17), Jesus entra na fila dos pecadores, ele que é o Cordeiro sem mancha que tira o pecado do mundo! E ali, no gesto de imensa humildade de Jesus, acontece a revelação da intimidade de Deus Trindade. O Filho nas águas, o Espírito em forma de uma pomba e a voz do Pai: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.

O Senhor Jesus confiou uma missão à Igreja, de ir pelo mundo inteiro e anunciar a Boa-Nova. “Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado” (Mc 16,16). Prometeu inclusive “sinais que acompanharão aqueles que crerem: expulsarão demônios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes e beberem veneno mortal, não lhes fará mal algum; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados” (Mc 16,17-18). O mesmo Senhor Jesus, que falou com seus discípulos, “foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus” (Mc 16,19).

Como os primeiros discípulos, está agora em nossas mãos o anúncio da Boa-Nova. Pedimos a Deus que se multipliquem os operários para a sua messe, vindos de todas os cantos, dispostos a transformar sua vida e sua palavra em testemunho corajoso do Senhor, diante de um mundo que anseia pela palavra de Deus. De fato, a sede e fome da voz de Deus está presente, mesmo quando as pessoas não sabem dar nome ao grito que brota de dentro de si, no cumprimento da palavra profética: “Dias hão de vir, quando hei de mandar à terra uma fome, que não será fome de pão nem sede de água, e sim de ouvir a Palavra do Senhor” (Am 8,11).

(Fonte: Agência Zenit)

Peregrinação em Lourdes, na França, recorda primeira aparição de Nossa Senhora

Roma – Itália (Quarta-feira, 08-01-2014, Gaudium PressComo uma ocasião para recordar a primeira aparição de Nossa
Senhora em Lourdes, na França, em 11 de fevereiro, a Obra Romana das Peregrinações organiza uma peregrinação ao santuário francês.

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A jornada, que partirá de Roma, ocorrerá de 9 a 12 de fevereiro deste ano, terá início na noite do primeiro dia com uma Santa Missa e uma homenagem à Virgem Maria, na Gruta das Aparições.

A abertura oficial das comemorações da Aparição da Mãe Santíssima será realizada no segundo dia da peregrinação, com a oração da Via Sacra, a tradicional homenagem com tochas, uma visita ao Santuário Mariano percorrendo os passos de Santa Bernardina, bem como a Celebração Eucarística na Basílica São Pio X, seguida de um momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento.

A peregrinação terminará com uma homenagem a Nossa Senhora e uma Missa no local das aparições. (GPE/LMI)

Da redação, com informações Obra Romana das Peregrinações

(http://www.gaudiumpress.org/content/54629#ixzz2pteSHJKP )

 

Os efeitos do batismo

Redação (Quarta-feira, 08-01-2014, Gaudium Press– Um gesto simples, uma matéria comum, e apenas algumas palavras fáceis de memorizar produzem, em união com a Igreja, os mais maravilhosos efeitos no plano sobrenatural. Abaixo transcrevemos considerações sobre os efeitos do Sacramento do Batismo.

José Afonso Sulzbach de Aguiar

Havia cerca de quatro séculos que nenhum profeta fazia ouvir sua voz em Israel quando, no 15º ano do reinado de Tibério César, aproximando-se os dias anunciados por Daniel em relação à vinda do Messias, um súbito alvoroço percorreu Jerusalém e toda a Judeia. Nas margens sagradas do Jordão – o legendário rio, palco de deslumbrantes milagres e grandiosas cenas – aparecera um varão penitente, um enviado de Deus no espírito de Elias. João Batista era seu nome.

Pregação de João e Batismo de Jesus

Modelo de anacoreta até o momento de cumprir sua missão, o filho de Zacarias e Isabel abandonou a longa, austera e mística solidão em que vivera e desceu até o vale do Jordão, para onde convergiam de todos os lados caravanas, a fim de aí pregar palavras de um religioso temor: “Fazei penitência porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 3, 2).

Multidões de israelitas afluíam para ouvi-lo e receber o seu batismo, símbolo da purificação do coração necessária para merecer o Reino dos Céus. O batismo de João – que era de preparação, de penitência, não ainda o Sacramento – produzia um afervoramento espiritual como nunca se vira antes em Israel. “Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão” (Mt 3, 5-6).

O Batismo de Cristo e o Batismo de JoãoEnquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde encontrou alguns discípulos e indagou deles: “Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?”.

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Responderam-lhe: “Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!”. “Então em que batismo fostes batizados?” – perguntou Paulo.

Disseram: “No batismo de João”. Paulo então replicou: “João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse nAquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus”.

Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam.

Eram ao todo uns doze homens. Paulo entrou na sinagoga e falou com desassombro por três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus (At 19, 1-8).

E o arauto do Altíssimo apresentava- se sempre como mero precursor, dizendo sem cessar: “Eu vos dou um batismo de água, para que façais penitência. Mas, Aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu; eu não sou digno de desatar a correia de Suas sandálias; Ele vos batizará no fogo e no Espírito Santo” (Mt 3, 11).

Seis meses havia que o santo Precursor preparava os filhos de Israel para o encontro com o Messias, quando foi Jesus ao Jordão “a fim de ser batizado por ele” (Mt 3, 13). Ao notar a presença do Inocente no meio da multidão, João inclinou-se e Lhe disse: “Eu devo ser batizado por Ti e Tu vens a mim!” (Mt 3, 14). Jesus respondeu-lhe: “Deixa por agora, pois convém que cumpramos toda a justiça”. E João, obediente, O batizou (cf. Mt 3, 13-15).1

Quando Jesus saiu da água, o Céu se abriu e o Espírito Santo pairou sobre Ele na forma de uma pomba. “E ouviu-se dos Céus uma voz: Tu és o Meu Filho muito amado; em Ti ponho as Minhas complacências” (Mc 1, 11). Grandiosa manifestação divina com a qual o Pai, o Filho e o Espírito Santo, unidos na obra da Redenção proclamavam a instituição do Sacramento mais necessário para a nossa Salvação.2

Os Sacramentos, o que são?

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, “os Sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis, sob os quais eles são celebrados, significam e realizam as graças próprias de cada Sacramento. Produzem fruto naqueles que os recebem com as disposições exigidas”.3

No mesmo sentido – embora de forma mais sintética – se expressa o conhecido teólogo padre Antonio Royo Marín, OP, que afirma serem os Sacramentos “sinais sensíveis instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, para significar e produzir a graça santificante naquele que os recebe dignamente”.

Acompanhemos o douto dominicano na explicação dos termos desta breve e precisa definição.

Os Sacramentos são, em primeiro lugar, sinais. – Ou seja, remetem a algo diferente de si mesmos, como a balança simboliza a justiça, ou a bandeira representa a Pátria.

São sinais sensíveis. – Podem, portanto, ser percebidos pelos sentidos corporais. E o que acontece, por exemplo, com a água no Batismo, o pão e o vinho na Eucaristia, ou o óleo na Crisma e na Unção dos Enfermos.

Foram instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo. – De acordo com São Tomás, “institui algo quem lhe dá vigor e força”. 5 Assim sendo, somente Nosso Senhor pode ser causa dos Sacramentos, e não a Igreja, “pois a graça santificante brota, como de seu manancial único, do Coração transpassado de Cristo”.6 Segue-se também daí que, como ensina São Pio X, não cabe à Igreja, “inovar nada acerca da substância mesma dos Sacramentos”.7

Para significar e produzir a graça santificante. – A água do Batismo, por exemplo, lava o corpo do batizado para representar a purificação de sua alma, que fica limpa de todo pecado. E a Eucaristia, nos é dada sob a forma de alimento corporal, para simbolizar o alimento espiritual que a alma recebe pela presença real de Cristo em corpo, sangue, alma e divindade.

Naquele que os recebe dignamente. – Para que os Sacramentos produzam a graça santificante é necessário que quem os recebe não oponha a eles nenhum obstáculo ou empecilho voluntário. Daí que seja requerido possuir o estado de graça para receber a Confirmação, Eucaristia, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio. E estar arrependido, ao menos com atrição sobrenatural,8 para receber a absolvição no Sacramento da Penitência, ou o Batismo quando se trata de pessoa em idade de uso da razão.

Cabe notar, por fim, que os Sacramentos têm um caráter universal; Jesus Cristo não os instituiu unicamente para alguns escolhidos, mas adotisim para proveito de todos os homens.

Vida natural e vida sobrenatural

Levando mais longe a analogia entre o plano simbólico e o plano da graça, São Tomás de Aquino estabelece na Suma Teológica um interessante paralelo entre a vida natural e a vida sobrenatural produzida pelos Sacramentos.9

Enquanto, na vida natural, o homem é gerado, cresce e se alimenta; na vida sobrenatural, a alma nasce pelo Batismo, atinge a estatura e a força perfeitas pela Confirmação e nutre-se pela Eucaristia. E “como o homem incorre às vezes em enfermidade corporal ou espiritual, sendo esta o pecado, é necessário que seja curado da doença”.10 É esta a função da Penitência (Reconciliação), que restabelece a saúde, e da Unção dos Enfermos, que limpa a alma dos vestígios e sequelas deixados em sua alma pelo pecado.

A esses cinco Sacramentos unem-se o do Matrimônio e o da Ordem – sendo este último análogo ao poder que recebe um homem para “reger a multidão” e exercer funções públicas – completando assim o número de sete.

“A partir daí – conclui o Doutor Angélico – fica clara a questão do número dos Sacramentos, também enquanto visa à rebelião do pecado, pois o Batismo se dirige contra a falta de vida espiritual; a Confirmação, contra a fraqueza de alma que se encontra nos recém-nascidos; a Eucaristia, contra a fragilidade da alma diante do pecado; a Penitência, contra o pecado atual cometido depois do Batismo; a Unção dos Enfermos, contra as sequelas do pecado não suficientemente tiradas pela Penitência, ou provenientes da negligência ou da ignorância; a Ordem, contra a desorganização da multidão; o Matrimônio, contra a concupiscência pessoal e contra o desaparecimento da humanidade que acontece pela morte”.11

“Nada permanece, portanto, à margem da influência benfazeja dos Sacramentos”, observa o padre Antonio Royo Marín.”Por meio deles a vida humana toda é santificada e o homem encontra-se provido com divina abundância de tudo quanto necessita para assegurar sua salvação eterna”.12

O único Sacramento indispensável para a salvação

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Água e Sangue do costado de CristoÉ evidente que Cristo nos libertou dos
pecados, sobretudo por sua Paixão, não
só devido à eficácia e méritos da mesma,
mas também a seu valor expiatório. Do
mesmo modo, também por sua Paixão
iniciou o sistema ritual da Religião cristã,
oferecendo-Se a Si mesmo a Deus como
‘oblação e vítima’, como está na Carta aos
Efésios. É, pois, evidente que a força dos
Sacramentos da Igreja provém especialmente
da Paixão de Cristo; a recepção dos
Sacramentos, por sua vez, como que nos
põe em comunicação com a força da Paixão
de Cristo. Como sinal dessa conexão, do
lado de Cristo pendente na Cruz fluíram
água e sangue: a água se refere ao
Batismo, o sangue  à Eucaristia, que
são os principais Sacramentos
(AQUINO, São Tomás de. Suma
Teológica, III, q. 62, a. 5, resp.)

Na tradicional relação estabelecida por São Tomás, o Batismo, novo nascimento espiritual, é o primeiro dos sete Sacramentos.13 Mas ele o é também do ponto de vista da necessidade, pois é o único Sacramento indispensável para cada um de nós, individualmente, alcançarmos a Bemaventurança eterna.14

Assim o afirma com toda precisão o próprio São Tomás: “É pois, claro, que todos são obrigados ao Batismo e que, sem ele, não pode haver salvação para os homens”.15 E mais bela e claramente ainda o próprio Nosso Senhor: “Se alguém não renasce na água e no Espírito Santo, não pode entrar no Reino dos Céus” (Jo 3, 5).16

Ora, “convém à misericórdia de quem ‘quer que todos os homens se salvem’, que permita encontrar-se facilmente o remédio para a salvação”.17 Daí que a matéria do Batismo seja uma matéria comum, a água, que qualquer um pode obter. E daí também que o ministro do Batismo, em circunstâncias excepcionais, possa ser qualquer pessoa, mesmo um não ordenado, homem ou mulher, e até mesmo um herege ou um pagão.18 Para o Sacramento ser válido, a Igreja só exige que seja utilizada a matéria do Sacramento, observada a forma e aplicada a intenção de fazer o que Ela própria faz, abstraindo de qualquer heresia ou infidelidade.

Batismo e Pecado Original

Convêm, por fim, não esquecer que a necessidade este Sacramento, conforme explica Besson, “é consequência dos efeitos do Pecado Original e das restituições prometidas pelo Homem-Deus”.19

Cada um de nós pecou em Adão, e a morte entrou em nossa alma com o pecado; do mesmo modo, cada um de nós foi salvo no novo Adão, e para que a vida dEle entre na nossa alma é preciso que recebamos a graça do Batismo. “Sob as águas do Batismo, a mancha primitiva é apagada da fronte da humanidade; e com o título de filho batizado e regenerado, o homem decaído recupera seus direitos e sua herança celestial. Esta necessidade abrange todos os homens”.20

Por isso, pouco tempo após seu nascimento, a criança é levada às fontes batismais por um padrinho que responde por sua Fé, e curva sob a água santa sua fronte ainda marcada com o pecado original.21 Consumado o rito, a criança ergue-se livre, inocente e imaculada, com o indelével sinete da ordem sobrenatural. Era escrava, e seus grilhões foram quebrados; estava morta, e foi ressuscitada.

Dois principais efeitos

Quais são os principais efeitos desse Sacramento?

Em seu já mencionado livro Somos hijos de Dios, o padre Royo Marín enumera sete, com a precisão própria do teólogo. O Catecismo da Igreja Católica, sob uma focalização mais pastoral, afirma serem principalmente dois: a purificação dos pecados e o novo nascimento no Espírito Santo.22

Pouco há a afirmar em relação ao primeiro deles, senão que a purificação é tão completa que “todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas do pecado”.23

Mas além de assim limpar a alma, este Sacramento “faz do neófito uma criatura nova, um filho adovo de Deus que se tornou participante da natureza divina, membro de Cristo e co-herdeiro com Ele, templo do Espírito Santo”.24

Com efeito, o Batismo nos torna membros do Corpo de Cristo e nos incorpora à Igreja. Através dele, a vida de Jesus Cristo circula em todo o Corpo, levando Sua graça capital a todos os membros e permitindo-lhes alcançar a graça e as virtudes: “Da cabeça que é Cristo deriva sobre Seus membros a plenitude da graça e da virtude, conforme o Evangelho de João: ‘De Sua plenitude todos nós recebemos’ (Jo 1, 16)”.25

Assim, na ordem da satisfação, da redenção, do mérito, da oração, do sacerdócio: tudo se tornou comum entre Jesus Cristo e nós, porquanto a Igreja inteira, Corpo Místico de Jesus Cristo, pode ser considerada como uma só pessoa com Ele, conforme ensina São Tomás de Aquino.26

A Paixão de Cristo é comunicada ao neófito

As consequências desta doutrina têm um alcance maior do que se pensa, a ponto de São Paulo afirmar que pelo Batismo, o crente comunga na morte de Cristo, é sepultado e ressuscita com Ele.27 Sobre isto, comenta São Tomás: “Pelo Batismo somos incorporados na Paixão e Morte de Cristo. Diz Paulo: ‘Se estamos mortos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele’.

Sete maravilhosos efeitos do Batismo

O Sacramento do Batismo produz, naquele que o recebe, uma série de divinas maravilhas. Eis as principais:

1) Infunde a graça santificante, com o matiz especial de graça regenerativa, que é a própria do batizado, tornando- o capaz para a recepção dos demais Sacramentos.batismo.jpg

2) Converte o batizado em templo vivo da Santíssima Trindade, pela divina inabitação em todas as almas em estado de graça.

3) Infunde o germe de todas as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo.

4) Torna-o membro vivo de Jesus Cristo, como ramo da divina Videira (Jo 15, 5).

5) Imprime o caráter batismal, o qual o torna membro vivo do Corpo Místico de Jesus Cristo, que é a Igreja, e lhe dá uma participação real e verdadeira (embora incompleta) no sacerdócio de Jesus Cristo. Esta participação sacerdotal se aperfeiçoa com o caráter do Sacramento da Confirmação e se completa com o caráter do Sacramento da Ordem.

6) Apaga totalmente da alma o pecado original e todos os pecados atuais, antes cometidos; esses pecados não são apenas cobertos, mas apagados de fato, e de forma definitiva. Assim o definiu expressamente o Concílio de Trento (D n. 792).

7) Perdoa toda a pena devida pelos pecados, tanto a temporal como a eterna. De modo que se um pecador recebe o Batismo no momento da morte, entra imediatamente no Céu, sem passar pelo Purgatório. Foi o que ensinou o Concílio de Florença (D n. 696) e o de Trento definiu (D n. 792). (ROYO MARÍN, OP, Pe. Antonio. Somos hijos de Dios. Madrid: BAC, 1977, p. 69-70)

Demonstra-se assim que a todo batizado a Paixão de Cristo é comunicada para servir de remédio, como se ele próprio tivesse sofrido e morrido. Ora, a Paixão de Cristo é satisfação suficiente para todos os pecados de todos os homens. Por isso, quem é batizado, é liberto do reato de toda pena devida por seus pecados, como se ele próprio tivesse oferecido uma satisfação suficiente por todos os seus pecados”.28

Somos filhos de Deus

Mas talvez o mais tocante e assombroso efeito do Batismo seja produzir a filiação divina.

Deus tem apenas um filho segundo a Sua natureza, que é o Verbo Encarnado. Só a Ele o Pai transfere eternamente a natureza divina em toda a sua infinita plenitude. Porém, a graça santificante – que é um dos efeitos do Batismo – confere aos neófitos uma participação real e verdadeira nessa filiação “por uma adoção intrínseca, a qual põe em nossa alma, física e formalmente, uma realidade absolutamente divina, que faz circular o próprio sangue de Deus nas veias de nossa alma. Graças a este enxerto divino, a alma se faz participante da mesma vida de Deus. Trata-se de uma verdadeira geração espiritual, um nascimento sobrenatural que imita a geração natural e recorda, por analogia, a geração eterna do Verbo de Deus”.29

Em uma palavra, a graça santificante, para a qual o Batismo nos abre as portas, não nos dá apenas o direito de nos chamarmos filhos de Deus, senão que nos faz tais em realidade. “Inefável maravilha – conclui o padre Royo Marín – que pareceria inacreditável se não constasse expressamente na divina Revelação”.30 Poderia Deus ter feito mais algo por
nós? 4

Por José Afonso Sulzbach de Aguiar

(In Revista Arautos do Evangelho, Jul/2009, n. 91, p. 22 à 27)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54614#ixzz2ptcxtKZX )

Assassinatos de sacerdotes, religiosas e leigos católicos duplicou em 2013

ROMA, 08 Jan. 14 / 11:48 am (ACI/EWTN Noticias).- O trabalho da Igreja em todo o mundo atravessa momentos dramáticos devido à violência. No último ano se duplicou o número de assassinatos de sacerdotes, religiosas e leigos em todo mundo.

Segundo os dados oferecidos pela agência vaticana Fides, em 2013 ocorreram 22 assassinatos, uma cifra muito superior aos 13 casos registrados em 2012.

De acordo com a agência Fides, a maioria das vítimas foram assassinadas em tentativas de roubo ou furto, e em alguns casos foram agredidas com ferocidade.

Entre as vítimas constam 19 sacerdotes, uma religiosa e dois leigos que morreram de forma violenta. América Latina foi pelo quinto ano consecutivo o lugar do mundo onde mais ocorrem assassinatos deste tipo.

Sete sacerdotes morreram na Colômbia; quatro no México; um no Brasil; um na Venezuela; um no Panamá; e outro no Haiti.

No continente africano um sacerdote foi assassinado na Tanzânia, uma religiosa em Madagascar, uma leiga na Nigéria, enquanto que na Ásia foram assassinados um sacerdote na Índia; outro na Síria; e um leigo nas Filipinas. Na Europa foi assassinado um sacerdote na Itália.

A agência Fides ressaltou que esta lista de assassinatos não trata apenas dos missionários ad gentes em sentido estrito, mas de todos os agentes pastorais assassinados de forma violenta.

Durante 2013 foram abertas algumas causas de canonização relacionadas com este tipo de assassinatos, como a das seis missionárias italianas das Irmãs Pobres de Bérgamo, mortas no Congo em 1995 vítimas do vírus ebola que contraíram por não abandonar a população privada de assistência sanitária, e que foram definidas como “mártires da caridade”.

Durante este último ano também foi completa a fase diocesana do processo de beatificação de Luisa Mistrali Guidotti, membro da Associação Feminina Médico Missionária, assassinada em 1979 na então Rodésia –território entre a atual Zambia e o Zimbabue-, enquanto acompanhava uma mulher em trabalho de parto até o hospital em situação de risco.

Durante 2013 também teve início o caminho para a beatificação do Padre Mario Vergara, missionário do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME), assim como do catequista Isidoro Ngei Ko Lat, leigo assassinado por ódio à fé em Myanmar em 1950.

Entretanto, segue causando grande preocupação o destino de vários outros agentes pastorais sequestrados ou desaparecidos, dos quais não houve notícias, como é o caso dos três sacerdotes congoleses Agustinos daAssunção, sequestrados em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo em outubro de 2012.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26523)

Testemunho Jovem sacerdote falecido comove as redes sociais com carta dirigida ao Papa

Pe. Fabrizio do Michino +

ROMA, 08 Jan. 14 / 12:10 pm (ACI/EWTN Noticias).- Um jovem sacerdote tem comovido ultimamente as redes sociais com a carta que dirigiu ao Papa Francisco antes de morrer no dia 1 de janeiro, solenidade de Maria Mãe de Deus, devido a um tumor que fez metástase no fígado e no baço. Quem o conhece afirma que o presbítero sempre enfrentou com alegria o sofrimento e que sempre os oferecia pela Igreja e o Santo Padre.

Segundo informa a página Aleteia, um site de notícias e conteúdo católico ligado ao Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, o Padre Fabrizio de Michino nasceu em Nápoles no dia 8 de setembro de 1982. Quase três mil pessoas se reuniram na cidade de Ponticelli para despedi-lo na Basílica de Nossa Senhora das Neves, onde era vigário paroquial aos seus 31 anos.

O sacerdote faleceu em sua casa aonde sempre foi visto com “um sorriso e uma palavra de consolo para os parentes e amigos que estiveram ao seu lado até o último suspiro”.

A seguir a carta do falecido sacerdote publicada em português por Aleteia:

Santo Padre,

nas orações diárias que dirijo a Deus, não deixo de rezar pelo senhor e pelo ministério que Deus lhe confiou, para que Ele possa lhe dar forças e alegria para continuar anunciando a boa nova do Evangelho.

Eu me chamo Fabrizio De Michino e sou um jovem padre da diocese de Nápoles. Tenho 31 anos e há cinco sou sacerdote. Desempenho meu serviço no Seminário Arcebispal de Nápoles como professor de um grupo de diáconos, e em uma paróquia em Ponticelli, que se encontra na periferia de Nápoles. A paróquia, recordando o milagre registrado na colina Esquilino, recebe o nome de Nossa Senhora das Neves.

Ponticelli é um bairro degradado por sua pobreza e alta criminalidade, mas a cada dia descubro verdadeiramente a beleza de ver o que o Senhor realiza nestas pessoas que confiam em Deus e na Virgem.

Também eu, desde que estou nesta paróquia, pude ampliar cada vez mais meu amor pela Mãe Celeste, experimentando também nas dificuldades a sua proximidade e proteção. Infelizmente, há três anos eu luto contra uma doença rara: um tumor no interior do coração. Há um mês estou com metástase no fígado e no baço. Nesses anos difíceis, no entanto, nunca perdi a alegria de ser anunciador do Evangelho. Também no cansaço eu percebo, verdadeiramente, esta força que não vem de mim, mas de Deus, que me permite desempenhar com simplicidade o meu ministério. Há uma citação bíblica que tem me acompanhado e me enche de confiança na força do Senhor: “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36, 26).

Neste tempo tem sido muito próxima a presença do meu bispo, o cardeal Crescenzio Sepe, que me apoia constantemente, ainda que às vezes me peça para descansar, para que eu não me sobrecarregue.

Agradeço a Deus também por meus familiares e meus amigos sacerdotes que me ajudam e apoiam, sobretudo quando faço as diferentes terapias, compartilhando comigo os momentos de inevitável sofrimento. Também os meus médicos me apoiam muito e fazem o impossível para encontrar os tratamentos adequados para mim.

Santo Padre, estou me alongando muito, mas só quero dizer que ofereço a Deus tudo isso, pelo bem da Igreja e pelo senhor de um modo especial, para que Deus o abençoe sempre e o acompanhe neste ministério de serviço e amor.

Eu lhe rogo que reze por mim: o que peço todos os dias ao Senhor é que seja feita a Sua vontade, sempre e em todas as partes. Não peço a Deus a minha cura, mas a força e a alegria de continuar sendo um verdadeiro testemunho de Seu amor e um sacerdote segundo o Seu coração.

Seguro de suas orações paternas, o saúdo devotamente.

Padre Fabrizio De Michino

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26525)

Eu sou o pão da vida; o que vem a Mim jamais terá fome (Jo 6, 3)

Catecismo da Igreja Católica
§§ 1373-1380 

«Eu sou o pão da vida; o que vem a Mim jamais terá fome» (Jo 6, 3)

«Jesus Cristo, que morreu, que ressuscitou, que está à direita de Deus, que intercede por nós» (Rom 8,34), está presente na sua Igreja de múltiplos modos: na sua Palavra, na oração da sua Igreja, «onde dois ou três estão reunidos em meu nome» (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros (Mt 25,31ss), nos seus sacramentos, dos quais é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas está presente «sobretudo sob as espécies eucarísticas» (Vaticano II SC 7).

O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. […] No santíssimo sacramento da Eucaristia estão «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo» (Concílio de Trento). «Esta presença chama-se “real”, não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem “reais”, mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem» (Papa Paulo VI). […]

O culto da Eucaristia: «A Igreja Católica sempre prestou e continua a prestar este culto de adoração que é devido ao sacramento da Eucaristia, não só durante a missa, mas também fora da sua celebração: conservando com o maior cuidado as hóstias consagradas, apresentando-as aos fiéis para que solenemente as venerem, e levando-as em procissão» (Paulo VI). […] É de suma conveniência que Cristo tenha querido ficar presente à sua Igreja deste modo único. Uma vez que estava para deixar os seus sob forma visível […], quis que tivéssemos o memorial do amor com que nos amou «até ao fim» (Jo 13, 1), até ao dom da própria vida. Com efeito, na sua presença eucarística, Ele fica misteriosamente no meio de nós, como Aquele que nos amou e Se entregou por nós (Ga 2,20) […], sob os sinais que exprimem e comunicam este amor.

A diferença que a missa faz

sacramentos1Ir à missa é ir para o céu, onde “Deus… enxugará toda lágrima” (Ap 21,3-4). Porém, o céu é ainda mais do que isso. O céu é onde nos colocamos sob julgamento, onde nos vemos na clara luz matinal do dia eterno e onde o justo juiz lê nossas obras no livro da vida. Nossas obras nos acompanham quando vamos à missa.

Ir à missa é renovar nossa aliança com Deus, como em uma festa de núpcias – pois a missa é o banquete das núpcias do Cordeiro. Como em um casamento, fazemos votos, comprometemo-nos, assumimos uma nova identidade. Mudamos para sempre.

Ir à missa é receber a plenitude da graça, a própria vida da Trindade. Nenhum poder no céu ou na terra nos dá mais do que recebemos na missa, pois recebemos Deus em nós mesmos.

Jamais devemos subestimar essas realidades. Na missa, Deus nos dá sua própria vida. Isso não é apenas uma metáfora, um símbolo ou uma antecipação. Precisamos ir à missa com os olhos e ouvidos, mente e coração abertos à vontade que está diante de nós, a verdade que se eleva como incenso. A vida de Deus é uma dádiva que precisamos receber apropriadamente e com gratidão. Ele nos dá graça como nos dá fogo e luz. Fogo e luz, mal usados, podem nos queimar ou cegar. De modo semelhante, a graça recebida indignamente sujeita-nos a julgamento e a consequências muito terríveis.

Em toda missa, Deus renova sua aliança com cada um de nós, colocando diante de nós a vida e a morte, a benção e a maldição. Precisamos escolher a bênção para nós e rejeitar a maldição, e precisamos fazer isso desde o início.

A partir do momento em que entra na igreja, você se coloca sob juramento. Ao mergulhar os dedos na água benta, você renova a aliança que eu iniciou com seu Batismo. Talvez você tenha sido batizado quando bebê; seus pais tomaram a decisão por você. Mas agora, com esse simples movimento, você toma a decisão por si mesmo. Toca com a água benta a fronte, o coração, os ombros e os persigna como “nome” com que foi batizado. Relacionada com esse movimento, está sua rejeição a Satanás e a todas as suas pompas e obras.

Ao fazer isso, você comprova, dá testemunho, como o faria no tribunal. No tribunal, a testemunha põe em jogo sua pessoa, sua reputação e seu futuro. Se não disser a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade, sabe que sofrerá sérias consequências.

Também você está sob juramento. Não se esqueça: a palavra latina sacramentum significa, literalmente, “juramento”. Quando faz o sinal-da-cruz, você renova o sacramento do Batismo, desse modo renovando sua obrigação de corresponder aos direitos e deveres da nova aliança. “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todo o teu ser, com todas as tuas forças”; “amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Você jura, de modo especial, dizer a verdade durante esta missa, pois este é o tribunal do céu; aqui, Deus abre o livro da vida; aqui, você ocupa o banco das testemunhas. Muitas e muitas vezes durante a missa você diz “AMÉM”, a palavra aramaica que transmite consentimento e conformidade: Sim! Assim seja! De verdade! “Amém” é mais que resposta; é compromisso pessoal. Quando diz “Amém”, você compromete sua vida, portanto é melhor ser sincero.

Assim, na missa, você não é mero espectador. É participante. É sua a aliança que Jesus em pessoa vai renovar .

Texto retirado de uma bela obra de *Scott Hahn, chamada “O banquete do Cordeiro” na qual ele relata o começo de sua experiência ainda como calvinista quando foi a estudo participar da Santa Missa.

*HAHN, S. O banquete do Cordeiro: a missa segundo um convertido. 11ª edição. São Paulo: Ed. Loyola, 2009.

*Um dos livros de Scott Hahn, um renomado professor de teologia e de Escritura na Universidade Franciscana em Steubenville, nos Estados Unidos, fundador e dirigente do Institute off Applied Biblical Studies, é o “Banquete do Cordeiro”, no qual revela um segredo duradouro da Igreja: a chave dos cristãos para entender os mistérios da missa.

O autor explora o mistério da Eucaristia com os olhos novos e fala da missa como um poderoso dama sobrenatural, no qual o sacrifício real do Cordeiro traz o céu à terra. Hahn era protestante calvinista e quando se pôs a estudar sobre a vida dos primeiros cristãos, se aproximou da Eucaristia.

(http://cleofas.com.br/a-diferenca-que-a-missa-faz/)

Que a família seja de Deus

familiaSabemos que a família é “sagrada”, é uma instituição divina, pertence a Deus. É o eixo da sociedade e sua célula “mater”.

Logo, Deus é o primeiro interessado que a família vá bem e jamais deixará de derramar as suas bênçãos sobre aquelas que lhe são fiéis. Além de tudo o que nós, pais, podemos fazer, o mais importante é colocar a família sob a proteção de Deus.

Santo Inácio de Loyola dizia que devemos trabalhar como se tudo dependesse só de nós, mas rezar como se tudo dependesse só de Deus. Não basta trabalhar pelos filhos e pela família, é preciso rezar e, diariamente colocá-los nas mãos de Deus. Diz o salmista que:

“Se o Senhor não edificar a casa,

Em vão trabalham os que a constroem.

Se o Senhor não guardar a cidade,

Debalde vigiam as sentinelas.” (Salmo 126,1)

Ainda que derramemos nosso sangue, suor e lágrimas por nossos filhos, ainda assim será em vão se lhes faltassem as bênçãos de Deus. Por isso, é preciso todos os dias orar por eles e consagrá-los ao amor de Deus. O Senhor cuidará deles mais do que nós, pois, antes de serem nossos, são Seus filhos, Lhe pertencem.

Tenho pena dos filhos que não têm um pai e uma mãe para orar por eles. Não há oração mais eficaz pelos filhos do que a dos próprios pais.

Desde minha tenra infância lembro-me dos nossos pais a rezarem por nós. Aos cinco anos de idade aprendi a rezar o Terço no colo de minha mãe; e jamais pude viver sem rezá-lo. Com que saudade e alegria me lembro daquele Terço que toda a nossa família rezava, todos os dias, às seis horas da tarde, em quaisquer circunstâncias. Mesmo vivendo os problemas de qualquer família numerosa (9 filhos), contudo, jamais me lembro de um dia de desespero, escândalo, tragédia ou insegurança em nosso lar; Maria caminhava conosco.

Nossa família, simples e alegre, estava ancorada no Sagrado Coração de Jesus e no Imaculado Coração de Maria, por zelo e amor dos nossos queridos pais. Hoje, meus oito irmãos conservam a boa fé católica que receberam no berço; e a passam para os seus filhos. Não é assim que a Igreja deve ser edificada? Esta foi a melhor e a maior herança que nossos pais nos deixaram, e que os pais devem deixar aos seus filhos. Este foi o bom fruto de uma família consagrada a Deus e fiel às suas leis. Fomos todos educados nos ensinamentos infalíveis da Igreja e neles edificamos as nossas vidas.

“É inútil retardar até alta noite vosso descanso,

Para comer o pão de um duro trabalho.

Pois Deus o dá aos seus amados até durante o sono.” (Sl 126,2).

Deus proverá a família que lhe é fiel e que “vive pela fé” (Rom 1,17).

A família cristã deve confiar na Providência divina. Se fizermos a

nossa parte, Deus não deixará de fazer a Dele.

Aprendamos com o salmista que diz:

“Uns põem sua força nos carros, outros nos cavalos: Nós, porém,a temos em nome do Senhor nosso Deus.” (Sl 19,8).

A família precisa confiar em Deus e abandonar-se aos seus cuidados:

“Não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, como vos vestireis (…). Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? (…). Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe  que necessitais de tudo isso (…).” (Mt 6,25-34).

Quando Jesus deu esses ensinamentos, deixou-nos uma norma de vida importantíssima: “viver um dia de cada vez”.

“Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã

terá as suas próprias preocupações. A cada dia basta o seu cuidado.”(Mt 6,34).

Deus cuida de nós “a cada dia”, e não quer ver-nos ansiosos, preocupados, inquietos e com medo do dia de amanhã. “A cada dia basta o seu cuidado.”

Portanto, não fique hoje, “arrancando os cabelos” com as preocupações de amanhã. O amanhã está nas mãos de Deus. Prepara-se bem para o futuro, vivendo intensamente o presente, nada mais.

Ele nos ensinou a pedir ao Pai o pão “de cada dia”. Durante quarenta anos ele alimentou o seu povo no deserto comendo “a cada dia” o maná descido do céu. Deus nos quer confiando Nele todos os dias, “a cada dia”.

“Vou fazer chover pão do alto do céu. Sairá o povo e colherá diariamente a porção de cada dia.” (Ex 16,4).

“Todas as manhãs faziam a sua provisão, cada um segundo suas necessidades.” (Ex 16,21).

É nesta fé e confiança em Deus que a família deve viver, certa de que receberá das mãos do Senhor tudo o que for necessário para o seu sustento, superando todos os medos e tensões.

“A cada dia basta o seu cuidado.” Consagrada a Deus, a família vencerá todos os seus problemas. A cada dia, de manhã e à noite, e também durante o dia, gosto de voltar meu coração ao Senhor e consagrar-lhe a minha casa. Nominalmente consagro minha esposa, e cada um dos nossos filhos, rogando-lhes a graça da união, fidelidade, paz e bênçãos. Muitas vezes, a consagro ao coração de Nossa Senhora, Mãe das famílias, para que estejamos todos sob seu manto materno. Nas horas difíceis, gosto de repetir com confiança aquela mesma oração que, desde o século III, os cristãos do norte da África já rezavam, para se consagrar à Virgem Maria:

“Debaixo da Vossa proteção nos refugiamos ó Santa Mãe de Deus;

não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos

sempre de todos os perigos; ó Virgem gloriosa e bendita.”

Maria Auxiliadora dos cristãos, rogai por nós!

Não deixo também de recomendar cada um de nós a São José, pai e patrono da Igreja, como proclamou o Papa Pio IX em 1870. Ele que foi escolhido por Deus para cuidar da Sagrada Família, cuidará também da nossa casa. Também aos Anjos e Santos devemos recomendar o nosso casamento e os filhos, para que estejamos todos debaixo da sua guarda e intercessão permanentes.

A família é a “igreja doméstica”, local de oração e “santuário da vida”. Por isso, o lar deve ser sagrado. A casa deve ser abençoada por um sacerdote, e suas paredes devem ser ornadas com belos e piedosos quadros de Santos. Em cada casa há de haver um oratório, com belas imagens que nos inspirem a oração e o amor àqueles que, como diz a Liturgia, “na presença de Deus intercedem por nós sem cessar”.

“A Sagrada Família, ícone e modelo de cada família humana, ajude cada um a caminhar no espírito de Nazaré; ajude cada núcleo familiar a aprofundar a própria missão civil e eclesial, mediante a escuta da Palavra de Deus, a oração e a partilha fraterna de vida! Maria, Mãe do belo amor, e José, Guarda do Redentor, nos acompanhem a todos com a sua incessante proteção!” (CF,23).

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/que-a-familia-seja-de-deus/)

10 mandamentos para a paz

tumblr_lqp02eykvm1r1hjw6o2_1280A paz começa em casa:

1. Tenha fé e viva a Palavra de Deus, amando o próximo como a si mesmo.

2. Ame-se, confie em si mesmo, em sua família e ajude a criar um ambiente de amor e paz ao seu redor.

3. Reserve momentos para brincar e se divertir com sua família, pois a criança aprende brincando e a diversão aproxima as pessoas.

4. Eduque seu filho através da conversa, do carinho e do apoio e tome cuidado: quem bate para ensinar está ensinando a bater.

5. Participe com sua família da vida da comunidade, evitando as más companhias e diversões que incentivam a violência.

6. Procure resolver os problemas com calma e aprenda com as situações difíceis, buscando em tudo o seu lado positivo.

7. Partilhe seus sentimentos com sinceridade, dizendo o que o que você pensa e ouvindo o que os outros têm para dizer.

8. Respeite as pessoas que pensam diferente de você, pois as diferenças são uma verdadeira riqueza para cada um e para o grupo.

9. Dê bons exemplos, pois a melhor palavra é o nosso jeito de ser.

10. Peça desculpas quando ofender alguém e perdoe de coração quando se sentir ofendido, pois o perdão é o maior gesto de amor que podemos demonstrar.

(http://cleofas.com.br/10-mandamentos-para-a-paz/)

A necessidade da oração entre os casais

539047_562483247115443_294332541_nO casal não deve fazer qualquer atividade sem Deus, sem pedir a sua graça.

Para ter a Bênção de Deus sempre, o casal precisa de uma vida de oração. Jesus insistiu na necessidade da oração; pois as dificuldades do casal não são somente de ordem natural, mas também espiritual. Não se iluda, o demônio inimigo de Deus e nosso, detesta a família e o casamento porque são obras de Deus; então, nosso casamento  precisa estar armados com a graça de Deus para vencer suas ciladas e maldades. Mas contra Deus e sua graça ele nada pode. Jesus mandou:

“É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7,7).  Sem oração, nenhum de nós fica de pé espiritualmente e ninguém consegue fazer a vontade de Deus. A razão é muito clara: “Porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Jesus deixou claro: esse “nada” indica que, por nós mesmos, não conseguiremos fazer o bem e, pior ainda, evitar o mal. São Paulo insistiu: “É o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1Cor 12,6).

Quando o Senhor manda: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis” (Mt 7,7), no fundo, Ele deseja que reconheçamos que só Ele é o autor dos nossos bens e que, portanto, devemos só a Ele recorrer.

São Paulo expressou tudo isso em poucas palavras: “Vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de deus em Jesus Cristo” (1 Ts 5,16-18).

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/a-necessidade-da-oracao-entre-os-casais/)

Nossa Senhora, Mãe do que sofre

Our-Lady-of-Grace-01“Eis aí a vossa Mãe.” (Jo 19,27)

O último presente que Jesus nos deixou, antes de morrer na cruz, foi a sua própria Mãe, para ser nossa Mãe.

Se Ele fez isto, é porque precisamos de sua ajuda neste vale de sofrimentos que é a vida. E a humanidade reconhece isto. É a ela que recorremos na hora do perigo.

Não tem colo melhor para chorar do que o de Nossa Senhora; não há mãos melhores para enxugar nossas lágrimas do que as dela.

A ladainha Lauretana a chama de: Consoladora dos aflitos, Auxílio dos cristãos, Refúgio dos pecadores, Saúde dos enfermos…, são expressões que o povo foi juntando em suas preces e em seus corações.

São Bernardo, na sua oração a Maria, o “Lembrai-vos”, mostra bem a força de Nossa Senhora para os que sofrem: “Lembrai-vos,  ó piedosíssima Virgem Maria,  que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que recorreram a vossa proteção, imploram vossa assistência,  reclamam vosso socorro,  fosse por Vós desamparado.

Animado eu,  pois,  com igual confiança,  a Vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro; de Vós me valho e, gemendo sob o peso de meus pecados,  me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado,  mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Amém.”

São Bernardo mostra como ser forte com Maria: “Maria é essa Estrela esplêndida que se eleva sobre a imensidão do mar, brilhando pelos próprios méritos, iluminando por seus exemplos.

Ó tu, que te sentes, longe da terra firme, levado pelas ondas deste mundo, no meio dos temporais e das tempestades, não desvies o olhar da luz deste Astro,  se não quiserdes perecer.

Se o vento das tentações se elevar, se o recife das provações se erguer na tua estrada, olha para a Estrela, chama por Maria. Se fores sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, do ciúme, olha para a Estrela, chama por Maria. Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas,  pensa em Maria,  invoca Maria.

Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, que não se afaste de teu coração; e, para obter o auxílio da sua oração,  não te descuides do seu exemplo de vida.

Seguindo-a, terás a certeza de não te desviares; suplicando-lhe, de não desesperar; consultando-a, de não te enganares.

Se ela te segurar, não cairás; se te proteger, nada terás de temer; se te conduzir,  não sentirás cansaço; se te for favorável, atingirás o objetivo.”

Em qualquer situação difícil, meu irmão, faça o que ensina o santo doutor: “Olha para a Estrela, chama por Maria!”

De pé aos pés da cruz de Jesus, Nossa Senhora é a imagem perfeita do sofrimento heroico e resignado. São Boaventura, doutor da Igreja, dizia sobre esta cena: “… só havia um altar, a Cruz, onde a Mãe era sacrificada com o Cordeiro Divino”.

São João Crisóstomo disse que quem estivesse no Calvário veria dois altares, onde se consumavam dois grandes sacrifícios: um era o Corpo de Jesus; o outro o coração de Maria.

Quem sofreu como ela? Quem viu, o próprio Filho, Deus e homem, Justo e Santo, ser crucificado aos seus olhos, e morrer gemendo pregado em uma cruz?… Só mesmo Ela, com a graça de Deus, poderia suportar tanta dor em seu coração. Com Jesus ela sofreu todas as nossas dores, por isso agora, pode enxugar as nossas lágrimas.

Cristo sofreu a Paixão, Maria a compaixão.

Talvez ela não nos livre de todas as cruzes, pois sabe que a cruz nos salva, mas certamente, adocicará a nossa cruz. Quando o filho precisa tomar um remédio amargo, o que faz a boa mãe? Coloca um pouco de açúcar. É assim que Maria faz quando precisamos beber o amargo remédio da cruz. Ela caminha conosco em nosso Calvário, como caminhou com Jesus.

São Luiz de Montfort, servo de Maria, garantia que “o servo de Maria jamais recua”. Vai  sempre em frente, nunca desanima, nunca desiste…

Vejo este exemplo no nosso querido Papa João Paulo II. O que deu forças a este homem de 83 anos  para carregar a cruz do seu pontificado até o fim? Maria! Não é sem motivo que no seu brasão pontifício ele escreveu: “Totus tuus!”

Quando lhe perguntaram se iria renunciar ao pontificado, ele respondeu: “Jesus não desceu da cruz”.

Certa vez, Santa Teresinha sofria muito no seu leito de dor; então, foi socorrida por Nossa Senhora. Ela conta: “Animou de súbito a estátua. A Virgem tomou um aspecto tão belo que nunca achei expressão para descrever essa formosura. O que mais me gravou nas profundezas da alma foi o seu sorriso arrebatador!” (Hist. Alma c. III)

A santinha dizia a Nossa Senhora:“Surpreendo-me ás vezes a dizer a SS. Virgem: Ó minha Mãe querida, sabeis que me julgo mais feliz do que Vós? Eu vos tenho por mãe e Vós não tendes uma SS. Virgem para amar”.

Desde os primeiros séculos os cristãos se acostumaram a buscar refúgio e proteção em Nossa Senhora. A mais antiga oração que a Igreja conhece, a ela dirigida, é do início do século III, encontrada em um fragmento de papiro, no norte do Egito, em Alexandria, escrita em grego, dizia:

“Debaixo da Vossa proteção nos refugiamos ó Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades,  mas livrai-nos sempre dos perigos, Virgem gloriosa e bendita.”

Assim se consagravam a Maria, os nossos irmãos que eram perseguidos pelo império romano.

Outro fato que mostra-nos o poder  intercessor de Maria, junto de Deus, é o que se passou na vida  de uma jovem santa italiana, de apenas 18 anos de idade.

O diretor espiritual de Santa Gema Galgani, mística da Igreja, conta que certa vez a observou em um dos seus êxtases conversando com Jesus e suplicando-lhe a conversão de uma pessoa conhecida. De todas as formas ela suplicava de Jesus esta graça, mas sem sucesso. Implorou a Jesus pelo seu sangue precioso, por suas chagas, pela sua cruz, mas nada. O coração da pessoa, por quem ela intercedia, estava ermeticamente fechado para Deus, por causa do pecado, e Santa Gema nada conseguia. Por fim, já cansada, a Santa diz a Jesus: “Está bem Jesus, a mim o Senhor pode negar esta graça, porque eu sou uma pecadora miserável, mas à tua Mãe o Senhor não pode negar. É por Ela que agora eu te peço. Ide dizer não à tua Mãe”.

E conta o confessor da santa que com estas palavras ela conseguiu a graça desejada.

“Pede à Mãe, que o Filho atende”.

O milagre que mais estremece a ordem do universo

Redação (Sábado, 04-01-2013, Gaudium Press) – Transcrevemos hoje artigo do Padre Rodrigo Alonso Solera Lacayo, EP que foi publicado recentemente:

O que acontece com a substância do pão e do vinho após a Consagração? Onde estão depois de ceder lugar ao Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo? Voltam ao nada?padre_rodrigo_alonso_solera_lacayo.jpg

As perguntas destacadas acima foram feitas certa vez pelo Fundador dos Arautos do Evangelho, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, para incentivar que se escrevesse um artigo nesta revista sobre a transubstanciação. Mas respondê-las, conforme ele o fez naquela ocasião, não é fácil…

Diante dos mistérios sobrenaturais, nossa fé encontra, em geral, pontos de apoio dentro da ordem natural. No caso da Encarnação, por exemplo, a natureza humana de Jesus é uma porta que nos torna mais acessível a fé em sua natureza divina. É por este motivo que São Tomé, ao contemplar Jesus ressuscitado, “viu um homem e pela fé confessou a Deus, quando disse: ‘Meu Senhor e meu Deus'”.1 Contudo, tratando-se da Santíssima Eucaristia, nossa fé não encontra nenhuma referência natural nem palavras capazes de explicar convenientemente o milagre. Neste Sacramento não só a divindade de Cristo está escondida sob os véus de sua humanidade, mas também esta última se oculta sob os véus do pão e do vinho. Portanto, ao considerarmos qualquer aspecto da Eucaristia, devemos reconhecer que estamos, em certo sentido, perante o maior mistério da Fé!

À vista disso, procurar instruir-se mais sobre a transubstanciação não seria pretender explicar o inexplicável, explorar o inexplorável e compreender o incompreensível? Não seria melhor assumir uma atitude de “fé cega” como os Apóstolos, os quais creram na Eucaristia durante a Última Ceia sem entrar em pormenores doutrinários?

Essa foi a opinião de vários hereges. Contra a atitude deles, na aparência razoável, argumenta São Tomás: “Embora o poder divino opere neste Sacramento de uma maneira mais sublime e misteriosa do que pode a razão humana atingir, […] deve-se envidar esforços para que seja excluída qualquer impossibilidade”. 2 Ademais, um estudo piedoso – conforme procuraremos fazer aqui, com a ajuda da graça – pode ser de sumo proveito para nossa vida espiritual, pois ilumina nosso entendimento, inflama nossa caridade e nos arma contra os erros que nos podem desviar a Fé.

I – Pressupostos filosóficos

Não se assuste, caro leitor, se primeiro consideramos alguns princípios tomados da filosofia. Este artigo não transmitirá uma avalanche de conceitos e definições! Só veremos os pressupostos estritamente necessários a partir de exemplos comuns.

A reflexão dos filósofos antigos sobre as mudanças na natureza

Uma das primeiras experiências de nossos sentidos é que neste mundo os seres estão em constante mudança. O próprio Divino Mestre apontou para um exemplo disso ao afirmar com incomparável beleza e simplicidade: “Considerai como crescem os lírios do campo” (Mt 6, 28).

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Basta abrir os olhos para comprovar que essas
duas teorias filosficas constituem,na realidade,
explicações unilaterais da natureza

Alguns dos antigos filósofos, analisando a natureza, concluíram que tudo está submetido a perpétuas alterações, nada permanece igual. Assim sintetizou Heráclito este ponto de vista: “De quem desce ao mesmo rio vêm ao encontro águas sempre novas”.3 Outros, como Parmênides, sustentaram a tese oposta: abandonaram o testemunho dos sentidos para afirmar que as mudanças neste mundo são meras aparências, tudo permanece sempre igual.

Ora, basta abrir os olhos para comprovar que essas duas teorias constituem, na realidade, explicações unilaterais da natureza. A solução equilibrada veio de Aristóteles, segundo o qual em toda transformação algo muda e algo permanece. E compreender o que muda e o que permanece, do ponto de vista filosófico, nos será indispensável para considerar a transubstanciação.

Os dois tipos de conversões no universo material

Ao analisarmos as mudanças nos seres em torno de nós, podemos constatar de que não são todas iguais.

De um lado, as coisas podem mudar sem deixar de ser o que são; por exemplo, uma maçã verde amadurece e continua sendo a mesma maçã. Este tipo de conversão é acidental porque a substância, aquilo que a coisa é (uma maçã) permanece igual; só os acidentes ou formas acidentais, isto é, suas características não essenciais (tamanho, cor, sabor, etc.), sofrem alterações.

De outro lado, há mudanças muitíssimo mais profundas e complexas, como a verificada numa árvore destruída num incêndio. Este segundo tipo de conversão é substancial, pois a árvore deixou de existir. Não obstante, ainda neste caso algo permanece. Com efeito, não é verdade que enquanto a árvore era consumida pelo fogo apareceram fumaça e cinza? Portanto, há uma continuidade, um elemento comum entre a substância da árvore, a da fumaça e a da cinza, e um elemento próprio que as distingue entre si.

O elemento comum e primeiro do qual estão constituídas todas as substâncias materiais – não só a árvore, a cinza ou a fumaça – denomina-se em filosofia matéria-prima. E aquilo que cada uma tem de essencial ou próprio, especificando a matéria-prima, chama-se forma substancial. Nas conversões substanciais permanece inalterada apenas a matéria-prima como ponto fixo sobre o qual mudam as formas substanciais e as acidentais.

Vejamos um exemplo com a finalidade de ilustrar estes conceitos:

O homem possui como forma substancial de seu corpo uma alma racional e espiritual, a qual o diferencia dos animais não racionais. Além disso, todo homem tem características particulares que podem variar de um para outro: altura, idade, peso, etc., porque a matéria-prima e a forma substancial sempre estão unidas para constituir uma substância, a qual por sua vez está unida a formas acidentais. Dentre os seres materiais, só o homem possui uma forma substancial capaz de existir separada do corpo, após a morte. O corpo, pelo contrário, em nenhum instante fica sem uma forma substancial, pois sua matéria-prima recebe outra forma tão logo se dá a separação com a alma, passando a ser um cadáver e depois pó, à espera da ressurreição e do Juízo Final. A alma humana é, pois, a exceção que confirma a regra, mas com matizes significativos… De fato, São Tomás observa que uma alma separada não pode ser chamada de pessoa, a tal ponto ela constitui uma unidade substancial com o corpo.4

Os princípios considerados nesta primeira parte nos serão indispensáveis a seguir, mas podemos adiantar que no singularíssimo milagre da transubstanciação acontece algo completamente diferente…

II – A doutrina da transubstanciação em São Tomás

É compreensível que algum dos pressupostos acima não tenha ficado inteiramente claro. Portanto, caro leitor, não se preocupe se tiver alguma dúvida! O tema é complexo, mas a proverbial clareza de São Tomás nos terminará por esclarecer tudo, permitindo-nos adentrar na maravilhosa doutrina da transubstanciação.

Duas heresias sobre a Santíssima Eucaristia

Segundo narra o Apóstolo Virgem, São João Evangelista, quando Nosso Senhor afirmou que sua Carne é verdadeira comida e seu Sangue verdadeira bebida, muitos de seus discípulos O abandonaram, por considerar duras e inaceitáveis essas palavras (cf. Jo 6, 50-66). E o Doutor Angélico equipara essa péssima reação à dos hereges que se insurgiram, desde então, contra o ensinamento da Igreja sobre a Eucaristia.5

Para eles, Nosso Senhor estaria neste Sacramento só de modo simbólico e figurativo, no sentido metafórico utilizado por São Paulo ao dizer que a pedra da qual Moisés fez brotar água no deserto era Cristo (cf. I Cor 10, 4). Tal como essa rocha foi um sinal das graças que fluiriam pela Redenção, a Eucaristia seria uma mera figura da ação de Nosso Senhor sobre as almas. A prova disso seria o fato de nossos sentidos não perceberem, após a Consagração, nenhum traço da presença d’Ele.

A tal alegação, São Tomás responde com clareza: “Que o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo estejam no Sacramento não se pode apreender pelo sentido, mas somente pela fé, que se apoia na autoridade divina”.6 E o Concílio de Trento definiu de forma categórica: “Se alguém negar que, no Sacramento da Santíssima Eucaristia, estão contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue, junto com a Alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, o Cristo inteiro, mas disser que estão apenas como que em sinal ou em figura ou na eficácia, seja anátema”.7

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“Vitória de São Tomás de Aquino sobre os
hereges” – Santuário de Santa
Rosa de Lima, Lima

Outros autores, não ousando negar a presença real, sustentaram que a substância do pão e do vinho permanece após a Consagração, junto com o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor. Segundo estes, assim como a natureza humana de Jesus foi assumida pela divina do Verbo, na Encarnação, o Verbo Se uniria hipostaticamente à substância do pão e do vinho na Eucaristia!

A eles responde o Doutor Angélico: “Deus uniu a sua divindade, isto é o poder divino, ao pão e ao vinho, não para que eles permaneçam neste Sacramento, mas para que o poder divino faça deles seu Corpo e Sangue”.8 A Santa Igreja confirmou mais tarde esta doutrina, condenando a opinião contrária: “Se alguém disser que, no sacrossanto Sacramento da Eucaristia, permanece a substância do pão e do vinho juntamente com o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, […] seja anátema”.9

A substância do pão e do vinho é aniquilada?

Refutados esses erros, alguns autores defenderam a seguinte tese: depois da Consagração, a substância do pão e do vinho se reduziria a uma matéria preexistente, mas sem especificar qual seria!

Analisada sob qualquer prisma, esta tese é absurda. Se eles aludiam à matéria-prima, é impossível que a substância do pão e do vinho seja reduzida a esse estado. Conforme vimos, a matéria-prima só pode existir unida a uma forma substancial e com acidentes. E se referiam a qualquer outro tipo de matéria, como é possível que nossos sentidos não a percebam no altar?

Outro erro ainda foi ventilado: a substância do pão e do vinho voltaria ao nada. A isto responde São Tomás com candura e bom senso, frutos de sua piedade: “Parece impossível também que a substância do pão volte totalmente ao nada. Com efeito, muito da natureza corporal criada teria já voltado ao nada pelo uso frequente deste mistério. E não convém que, neste Sacramento de Salvação, alguma coisa seja reduzida ao nada pelo poder divino”.10

Mas, então, o que acontece com a substância do pão e do vinho? Retomemos as perguntas feitas no início do artigo, desta vez com mais pressupostos para respondê-las. Para isso, vejamos como a substância do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo se torna realmente presente na Santíssima Eucaristia.

A um passo de solucionar a questão…

Como pode um objeto passar a estar num lugar onde antes não se encontrava?

Se numa bela manhã caminhamos por um jardim e nos deparamos com cinza no chão, a qual não estava aí no dia anterior, como explicar sua presença nesse local? A experiência nos mostra que isso só é possível por uma mudança de lugar ou pela conversão de outra coisa em cinza. Em outros termos, ou ela foi levada até lá, ou uma parte do jardim foi consumida pelo fogo, transformando-se em cinza.

Pois bem, sabemos que pelas palavras da Consagração o Corpo, Sangue, Alma e divindade de Nosso Senhor começam a estar onde antes só havia pão e vinho. Mas isso se verifica por uma mudança de lugar? O Doutor Angélico responde negativamente expondo três argumentos:

Primeiro, Nosso Senhor deixaria de estar no Céu cada vez que se celebrasse uma Missa, pois começar a estar num lugar novo implica deixar o anterior. Segundo, seria impossível celebrar Missas em diversos lugares ao mesmo tempo, pois uma mudança de lugar não pode terminar simultaneamente em locais diferentes. Por fim, qualquer mudança de lugar leva tempo para realizar-se, e a Consagração do pão e do vinho se verifica no último instante em que são pronunciadas suas respectivas fórmulas; se a Consagração se verificasse aos poucos, sob alguma parte da hóstia estariam ao mesmo tempo o Corpo de Cristo e a substância do pão, e no vinho estariam seu Sangue e a substância do vinho. Ora, isso não é possível acontecer, como foi explicado acima.

Mas, poder-se-ia objetar, estes argumentos não se aplicam ao Corpo glorioso de Nosso Senhor. Na realidade, porém, nem os Anjos, de natureza puramente espiritual, são capazes de estar em vários lugares ao mesmo tempo.11 Além disso, embora o corpo glorioso seja agilíssimo, não se move de modo instantâneo, precisa sempre passar pelos locais intermediários para ir de um lugar a outro.12

Portanto, uma vez que na transubstanciação não ocorre mudança de lugar, podemos concluir com segurança que a conversão é a única via para explicar a presença real na Eucaristia: “Resta, pois, afirmar que o verdadeiro Corpo de Cristo começa a estar neste Sacramento ao se converter a substância do pão na substância do Corpo de Cristo, e a substância do vinho na substância do seu Sangue”.13

O singularíssimo milagre da transubstanciação

Como vimos na primeira parte, há duas espécies de conversões naturais. Nas acidentais, a substância permanece inalterada e só as formas acidentais sofrem alguma modificação; por exemplo, quando a água fria se torna quente pela ação do calor. E nas substanciais só permanece inalterada a matéria-prima, a qual, unida a uma nova forma substancial, constitui outra substância; por exemplo, quando alguém come uma fruta, esta deixa de ser um alimento e passa a fazer parte do corpo de quem a comeu.

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Pelas palavras da Consagração o Corpo,
Sangue, Alma e divindade de Nosso
Senhor começam a estar onde antes
só havia pão e vinho

Assim, as modificações naturais, quer acidentais quer substanciais, constituem uma conversão de forma, ou seja, uma transformação. Porém, a conversão da substância do pão no Corpo de Nosso Senhor, e da substância do vinho no seu Sangue, é realizada de um modo totalmente diverso. Com efeito, pelas palavras da Consagração, toda uma substância – com sua matéria-prima e forma substancial – se converte em toda outra substância, permanecendo apenas os acidentes da primeira. Por isso, “esta conversão não é formal, mas substancial. Não se classifica entre as diversas espécies de movimento natural, mas pode-se chamar com o nome apropriado de ‘transubstanciação'”.14

Em contraste com as transformações substanciais, na transubstanciação não procede um novo ser, e sim uma Pessoa preexistente: Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, nascido de Maria Virgem. Por isso, transformar um pedregulho numa águia é nada em comparação ao milagre operado na Consagração! Embora só Deus seja capaz de transformar em águia um pedregulho, essa conversão seguiria o curso das transformações naturais, nas quais uma matéria-prima recebe outra forma substancial e novos acidentes. Só se o pedregulho fosse convertido numa catedral preexistente, por exemplo, de maneira a ela estar contida inteira sob as aparências do minúsculo seixo, teríamos uma imagem mais aproximada da conversão eucarística.

O Doutor Angélico demonstra com um belíssimo argumento o caráter singular e admirável da transubstanciação: “Esta conversão, porém, não se assemelha às conversões naturais, mas é totalmente sobrenatural, realizada unicamente pelo poder de Deus. Daí, Ambrósio dizer: ‘É claro que a Virgem gerou além da ordem da natureza. E o que consagramos é o Corpo nascido da Virgem. Portanto, por que procuras no Corpo de Cristo a ordem da natureza, uma vez que foi além da natureza que a Virgem deu à luz o próprio Senhor Jesus?’. E a respeito do texto de João: ‘As palavras que Eu vos disse’, a saber sobre este Sacramento, ‘são espírito e vida’, Crisóstomo explica: ‘São palavras espirituais, nada têm de carnal nem seguem uma lógica natural, mas são livres de toda necessidade terrestre e das leis que regem aqui em baixo'”.15

Assim, a substância do pão e do vinho não permanece na Eucaristia, nem se reduz a outro tipo de matéria e também não volta ao nada. Conforme o definiu o Concílio de Trento, “pela Consagração do pão e do vinho realiza-se uma conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo, Nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância de seu Sangue. Esta conversão foi denominada, convenientemente e com propriedade, pela Santa Igreja Católica, transubstanciação”.16

Um pormenor de particular importância

Na maioria das vezes, só mencionamos ao longo deste artigo que o Corpo de Nosso Senhor está neste Sacramento sob as espécies do pão, e seu Sangue sob as espécies do vinho. Ora, não está Ele presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade tanto numas quanto nas outras?

De fato, Cristo está inteiro neste Sacramento. Contudo, cada uma das partes d’Ele se encontra de dois modos diversos: pela virtude do Sacramento ou por concomitância natural. Explica o Doutor Angélico: “Pela força do Sacramento, está sob as espécies sacramentais aquilo em que diretamente se converte a substância do pão e do vinho anteriormente existente. Isso vem significado pelas palavras da forma, que são eficazes neste e nos outros Sacramentos, por exemplo, quando se diz ‘Isto é o meu Corpo’, ‘Este é o cálice do meu Sangue’. Por uma concomitância natural, está presente neste Sacramento o que realmente está unido àquilo em que termina a conversão”.17

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Singular e admirável milagre: durante a
Missa Nosso Senhor, por assim dizer,
nasce sacramentalmente sobre o altar

Portanto, sob as duas espécies se encontram o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor. Mas em virtude do Sacramento estão respectivamente o Corpo e o Sangue sob as espécies do pão e do vinho; o restante está nas duas espécies por concomitância natural.

III – Nossa piedade diante deste singular e admirável milagre

Quando, doravante, estiver próximo da Consagração numa Missa, lembre-se, caro leitor, desta sublime verdade: você presenciará o milagre que mais faz estremecer a ordem do universo. “A mudança do pão no Corpo de Jesus e do vinho em seu Sangue abala toda a natureza. À voz de Moisés, o Mar Vermelho suspendeu suas ondas; à voz do sacerdote, a natureza suspende suas leis, os milagres sucedem-se em cadeia uns aos outros, o mundo é como que sacudido pelo incrível prodígio da Consagração; e para manter a ordem em meio a essa gigantesca comoção, é necessário um poder maior, em certo sentido, que o poder de criar”.18

Na transubstanciação, com efeito, há aspectos mais extraordinários do que na criação, pois nesta só é complexo explicar como pode algo ser tirado do nada. E por um aparente paradoxo, enquanto o poder de criar seres do nada é exclusivo de Deus, Nosso Redentor concede a seus ministros, pela ordenação sacerdotal, a potestade de consagrar o Santíssimo Sacramento.19

Qualquer um de nós daria a vida para contemplar a Anunciação do Arcanjo São Gabriel a Nossa Senhora e a Encarnação do Verbo. Sem dúvida, também daríamos a vida para ver o Menino Jesus nos braços virginais de Maria Santíssima, na Gruta de Belém. Entretanto, não deveria ser menor nosso desejo de assistir, durante a Missa, ao singular e admirável milagre pelo qual Nosso Senhor, por assim dizer, nasce sacramentalmente sobre o altar, derramando sobre nossas almas as mais copiosas graças e bênçãos divinas: “Este Jesus vós O amais, sem O terdes visto; credes n’Ele, sem O verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas” (I Pd 1, 8-9)

Por Padre Rodrigo Alonso Solera Lacayo, EP – In Revista Arautos do Evangelho, Dezembro/2013, n. 144, p. 18 a 24

(http://www.gaudiumpress.org/content/54480#ixzz2pcQwvfwW )

Deus se fez um de nós e segue caminhando conosco, assinala Papa Francisco

VATICANO, 05 Jan. 14 / 01:24 pm (ACI).- No Ângelus deste domingo, 5 de janeiro, o Papa Francisco destacou o fato de que na encarnação Deus se faz homem para caminhar junto do homem rumo ao Céu.

Abaixo apresentamos a íntegra do discurso do Papa na manhã deste domingo:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia deste domingo nos propõe, no Prólogo do Evangelho de São João, o significado mais profundo do Natal de Jesus. Ele é a Palavra de Deus que se fez homem e colocou a sua “tenda”, a sua morada entre os homens. Escreve o evangelista: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Nestas palavras que não cessam nunca de nos maravilhar, há todo o Cristianismo! Deus se fez mortal, frágil como nós, partilhou a nossa condição humana, exceto o pecado, mas tomou sobre si os nossos, como se fossem Dele. Entrou na nossa história, tornou-se plenamente Deus conosco! O nascimento de Jesus, então, nos mostra que Deus quis unir-se a cada homem e a cada mulher, a cada um de nós, para nos comunicar a sua vida e a sua alegria.

Assim, Deus é Deus conosco, Deus nos chama, Deus que caminha conosco. Esta é a mensagem de Natal: o Verbo se fez carne. Assim, o Natal nos revela o amor imenso de Deus pela humanidade. Daqui deriva também o entusiasmo, a esperança de nós cristãos, que na nossa pobreza sabemos ser amados, ser visitados, ser acompanhados por Deus; e olhamos ao mundo e à nossa história como o lugar em que caminhar junto com Ele e uns com os outros, rumo a céus novos e à terra nova.

Com o nascimento de Jesus nasceu uma promessa nova, nasceu um mundo novo, mas também um mundo que pode ser sempre renovado. Deus está sempre presente para suscitar homens novos, para purificar o mundo do pecado que o envelhece, do pecado que o corrompe. Por mais que a história humana e aquela pessoal de cada um de nós possa ser marcada por dificuldades e fraquezas, a fé na Encarnação nos diz que Deus é solidário com o homem e com a sua história. Essa proximidade de Deus ao homem, a cada homem, a cada um de nós, é um dom que não se acaba nunca! Ele está conosco! Ele é Deus conosco! E esta proximidade não acaba nunca. Eis o alegre anúncio do Natal: a luz divina, que inundou os corações da Virgem Maria e de São José, e guiou os passos dos pastores e dos magos, brilha também hoje para nós.

No mistério da Encarnação do Filho de Deus há também um aspecto ligado à liberdade humana, à liberdade de cada um de nós. De fato, o Verbo de Deus coloca a sua tenda entre nós, pecadores e necessitados de misericórdia. E todos nós devemos nos apressar para receber a graça que Ele nos oferece. Em vez disso, continua o Evangelho de São João, “os seus não o acolheram” (v. 11).

Também nós, tantas vezes, O rejeitamos, preferimos permanecer no fechamento dos nossos erros e na angústia dos nossos pecados. Mas Jesus não desiste e não deixa de oferecer a si mesmo e a sua graça que nos salva! Jesus é paciente, Jesus sabe esperar, espera-nos sempre. Esta é a sua mensagem de esperança, uma mensagem de salvação, antiga e sempre nova. E nós somos chamados a testemunhar com alegria esta mensagem do Evangelho da vida, do Evangelho da luz, da esperança e do amor.

Porque a mensagem de Jesus é esta: vida, luz, esperança, amor.
Maria, Mãe de Deus e nossa amorosa Mãe, apoie-nos sempre, para que permaneçamos fiéis à vocação cristã e possamos realizar os desejos de justiça e de paz que trazemos em nós no início deste novo ano.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26508)

No mês de janeiro, Pontífice reza pela evangelização e unidade entre os cristãos

papa_francisco_visita_basilica_de_santa_maria_maior.jpgCidade do Vaticano (Quinta-feira, 02-01-2014, Gaudium PressDurante este mês de janeiro, o Papa Francisco dedicará suas intenções de oração para que seja promovido um autêntico desenvolvimento econômico, respeitoso da dignidade de todas as pessoas e de todos os povos.

Já como intenção missionária, o Santo Padre pedirá pela evangelização e unidade entre os cristãos, para que todos caminhem em direção à unidade desejada por Cristo.

O Pontífice ainda confiará mensalmente, em 2014, suas intenções ao Apostolado da Oração, considerada uma rede mundial de oração seguida por milhares de pessoas. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54396#ixzz2pKWSBaH0 )

A vida familiar na escola da Sagrada Família

Redação (Quinta-feira, 02-01-2014, Gaudium Press– De que se ocupava a Sagrada Família? Que faziam seus membros no dia a dia? Rezavam muito e com toda a alma, trabalhava a consciência, não tanto para atender às necessidades de cada dia, como para glorificar a Deus, pela perfeita submissão à sua Lei; além disso, amavam intensamente a Deus, que era o fim de todos os seus pensamentos, de todos os seus esforços, de todas as suas aspirações; amavam-se todos mutuamente, com um amor cheio de desinteresse e de abnegação; amavam a todos os homens, próximos ou distantes, cuja salvação era desejo de cada um dos membros da Sagrada Família.familia.jpg

De que maneira a família humana pode aproximar-se desse ideal realizado pela Sagrada Família? De que maneira a oração – oração que era como que a respiração normal da Sagrada família – recuperará seu lugar na família humana? Pensemos no grande número de famílias que perderam a fé; umas soçobraram no materialismo e na busca dos gozos; outras, mantidas ainda por um resto de ideal humano, se conservam em uma atitude moral que muitas vezes só se inspira no orgulho. De umas e de outras Deus está praticamente excluído. Nem sequer se dão ao trabalho de negá-lo: desconhecem-no, o que é muito pior.

Pensemos também no considerável número de famílias chamadas cristãs, assim referidas porque seus membros se submeteram às formalidades do batismo, da primeira Eucaristia, do matrimônio sacramental, do sepultamento religioso, porém que perderam a fé. Nelas ninguém há que se preocupe com a glória de Deus, com a vinda de seu Reino, com a oração; se, casualmente, algum de seus membros é fiel às práticas religiosas, em quantas dessas famílias subsiste a oração em comum, expressão de um mesmo espírito, e de uma aspiração coletiva? O individualismo, que é uma praga dos dias atuais, invadiu a vida espiritual, assim como a vida social e familiar. “Cada um para si e por si”, é o lema inconsciente da maior parte dos homens, e isso ainda em presença de Deus. O dogma da comunhão dos santos parece ser apenas uma desconhecida parte do texto do Credo, sem aplicação prática à vida. E, no entanto, não prometeu Nosso Senhor que onde duas almas se reunissem para rezar em seu nome ele ali estaria em meio delas?

Logo, voltar à vida em comum é um dos esforços que se impõem a todos os cristãos. Porventura não se esforça a Igreja, para obter os mesmos fins, em despertar o sentido litúrgico entre os fiéis para que se realize o pedido feito por Nosso Senhor a seu Pai celestial, “que todos sejam um”.

Porém, como restaurar a oração em comum – que foi a alma e a força da Sagrada Família – em nossa própria família? Se for verdade, em relação à sociedade temporal, que a família é a célula social, assim também o é em relação à sociedade espiritual, que é a Igreja. Logo, é fundamental que por todos os meios que estejam a nosso alcance avivemos e encorajemos o espírito de família, porém não aquele que resulta de uma associação de interesses e de afetos e que se pode definir como “um egoísmo de muitos”, mas o que era o da singular família de Nazaré, espírito que une e funde as almas para oferecê-las todas reunidas e com uma mesma aspiração a Deus, para a salvação da totalidade dos homens.

Cada um deve pedir a Deus que faça reviver em todos os corações esse espírito de família. Porém, como é bem sabido, Deus não nos concede seu auxílio senão quando, de nossa parte, fazemos todos os esforços possíveis. Cuidemos, pois, ao mesmo tempo em que rezamos, para que renasça e se propague o verdadeiro espírito cristão da família a fim de que se sustentem e se desenvolvam todas as instituições espirituais e sociais que existem em torno de nós e que tendem a restaurar, a elevar e a reconstruir os lares cristãos. Essas obras são os instrumentos que Deus põe à nossa disposição e quer que nos sirvamos deles. Procuremos, pois, conhecê-las, a elas aderindo, e rezemos para que se convertam em instrumentos cada dia mais perfeitos do serviço de Deus.

Porém nem todas as ocupações da Sagrada Família consistiam em rezar. Sua vida era eminentemente ativa, e cada um de seus membros trabalhava segundo sua vocação: São José e Nosso Senhor trabalhavam na oficina, da qual todos viviam; a Santíssima Virgem cuidava das múltiplas ocupações domésticas, que se impunham a toda mãe de família.

Portanto, o caso da Sagrada Família era exatamente o da imensa maioria das famílias atuais. Mas, como se vê com frequência, o trabalho é considerado com uma pesada carga contra a qual se queixa, procurando-se dela se livrar com o menor esforço possível, mas em Nazaré era ele recebido com gosto, como um meio de ser agradável a Deus.

Alguém objetará que, em muitas famílias, se trabalha intensamente, mas nesses casos não vemos como o trabalho absorve todos os momentos, todos os pensamentos? Trabalhar cada dia mais, para ganhar mais, a fim de satisfazer mais largamente as necessidades sempre crescentes da existência: tal parece ser a única aspiração de um grande número de nossos contemporâneos. Porém ainda assim o trabalho corajosamente aceito e cumprido não deixa de ser considerado de uma maneira puramente humana e como um mal necessário. Para a Sagrada Família, diferentemente, o trabalho era um bem precioso, pelo qual dava sem cessar graças a Deus, pois por ele se rendia ao Senhor a homenagem de uma inteira e prazerosa obediência. Por acaso não foi Deus quem instituiu a lei do trabalho, a que é obrigado todo ser humano? Ao mesmo tempo os esforços e as fadigas, os cuidados e as inquietudes – que todo trabalho carrega – eram aos olhos da Sagrada Família um sacrifício de suave odor que podia ser oferecido a Deus em reparação pelos pecados do mundo.

Dessa forma, em Nazaré o trabalho tinha muito menos por objeto a vida material, que devia assegurar, que a glória de Deus, que havia de promover. Daí se conclui que se trabalhava com amor, com gozo, com uma consciência rigorosa. Aplainar uma madeira e varrer a humilde morada eram atos de amor que, aos olhos de Deus, podiam ser tão santos como a mais sublime contemplação, e que se podiam fazer com o mesmo fervor, com o mesmo desejo absoluto de perfeição.

Se queremos que nossa sociedade moderna não naufrague na anarquia e na rebelião, é imperioso guiá-las rumo a essa concepção do trabalho, pois o labor suportado por necessidade suscita no coração do homem o rancor, o ódio e a rebeldia, e o trabalho animado apenas pelo espírito de luta fomenta o egoísmo e o orgulho, que são o princípio da anarquia.

Esforcemo-nos, pois, para que a lei do trabalho seja, em todas as famílias, compreendida e aceita como a Lei de Deus. Assim o trabalho se converterá em outra oração, e não menos agradável a Deus. Então também recuperará, aos olhos de todos, sua grandeza e sua dignidade, e será novamente, para o homem, uma fonte de força e de gozo.

Porém não nos esqueçamos de que o trabalho é, e deve ser, o meio para que cada um de nós assegure sua vida material e a de seus familiares: em nossa sociedade moderna, infelizmente nem sempre é assim. Deus quer que nos ajudemos mutuamente, se queremos que ele nos ajude. Logo, não nos afastemos das obras sociais, que se esforçam em suavizar os desagradáveis efeitos de certos desníveis e em assegurar a todos o mínimo de bem estar, sem o qual o homem não é mais que uma pobre máquina, que anda ofegante sob o esforço. Mais ainda, entremos todos nesse grande movimento familiar que por si só poderá devolver à família sua dignidade e sua influência social e, ao mesmo tempo, ser o fundamento de sua prosperidade material.

Para que se realizem essas grandes e indispensáveis reformas é necessário que se produza no seio de cada família, e entre todas as famílias, aquela união de espíritos e de corações que tem sua origem na caridade, no amor. Que entre os membros de cada família, e entre todas as famílias, reine o amor. É uma das intenções dos esforços e dos sacrifícios que temos de oferecer a Nosso Senhor em favor da família.

E, neste ponto, a Sagrada Família nos mostra novamente o caminho: que haja amor entre os que a compõem, porém não aquele sentimentalismo desordenado que impropriamente chamamos de amor quando não é mais que debilidade, se não for egoísmo.

Amar é querer bem àqueles a quem amamos. Não consiste o bem de cada um de nós cumprir a vontade de Deus? Muito bem o sabiam os componentes da Sagrada Família, em Nazaré; seus corações, através da ternura humana que os unia, tendiam em primeiro lugar a esse fim supremo: fazer a vontade de Deus. A autoridade, em São José, era firme e doce, humildemente respeitosa para com os direitos de Deus. A obediência da Santíssima Virgem a São José era completa, afetuosa e alegre, porque era como uma manifestação palpável da submissão à vontade de Deus, e em nada diminuía a autoridade maternal, tão segura e tranquila que sabia exercer sobre o filho que o Senhor lhe havia confiado. E, por sua vez, o filho, na submissão tão perfeita aos pais, em sua docilidade de espírito e de coração a todos os ensinamentos que lhe davam, na sua simplicidade e na sua humildade dava provas antes de tudo, de seu amor ao Pai Celestial, cuja vontade reconhecia nessa instituição familiar e social, em cujo seio havia vindo encarnar-se.

A família cristã deve, pois, procurar recuperar tal sentimento de amor e de fidelidade a Deus, o que a ajudará a seguir os passos da Sagrada Família e, ao mesmo tempo, assegurará entre todos os seus membros a união de almas e de corações, estabelecendo entre eles o amor.familia_1.jpg

Porém a Sagrada Família não se encerrava egoisticamente em si. Na cidade de Nazaré era a providência visível de todos os fracos, de todos os humildes. Se as orações tão fervorosas da Sagrada Família, se seu trabalho tão constante e tão perfeito era sem cessar oferecido a Deus em espírito de reparação pelos pecados dos homens e pela salvação de todos, era possível que ignorasse os que sofriam ou estavam desencaminhados? O amor fraterno mais compassivo e mais solícito regulava todas as relações da Sagrada Família com os que a cercavam.

Peçamos a Deus que avive, no seio de todas as famílias humanas, tal caridade fraterna. Dissemos, a propósito da oração, que o individualismo domina em todas as partes, na família e na sociedade, e o individualismo é a negação de toda verdadeira caridade. Logo, não há outro ponto no qual tenhamos de insistir tanto em nossas orações. Porém evitemos nos contentar com orações, que seriam vãs se nossos atos não as acompanhassem.

Saibamos dar exemplo desse amor, que queremos que reine nos corações. Vamos dar esse exemplo em nossa própria família, praticando com amor todas as virtudes familiares, e até mesmo fora de casa, evitando com cuidado todas as críticas, todas as murmurações, que com tanta frequência são causa de divisões entre as famílias. Pelo contrário, sejamos pacíficos, sejamos daqueles que fomentam a paz, que adoçam os espíritos, que extinguem as desavenças e que aproximam os corações. Para isso, que melhor meio há a não ser estabelecer em todos os indivíduos e entre todas as famílias um ponto de inteligência, um princípio de união?

Ainda desconhecemos muito a força e a eficácia do princípio de associação. Agimos separadamente, e, desta forma, nossas melhores intenções reduzem-se à impotência. Promovamos, pois, em nós, e propaguemos em torno de nós, esse importante espírito de associação que é – não nos esqueçamos – o mesmo espírito da religião e a essência do catolicismo. Não tenhamos receio de nos associar a todos os esforços sinceros. Nunca digamos, em presença de uma obra cristã que tende à união, ao esforço comum, que “isso não me interessa”. E, naquelas obras das quais fazemos parte, não busquemos tanto o que podemos tirar em proveito próprio, como o que podemos a ela acrescentar, o que podemos dar de nós mesmos.

Tal há de ser nosso programa de oração e de ação. Tomemos isso muito a sério. A instituição familiar está em perigo, e com ela toda a sociedade. Talvez dependa de nós, do fervor de nossas orações, da sinceridade e da intensidade de nossos esforços, que Deus se compadeça das necessidades prementes de nossa tão perturbada época. Por dez justos promete Deus perdoar a Sodoma e Gomorra: que não concederá então a quem, não se contentando com apenas rezar, se esforça em realizar em si próprio, e nos que o cercam, aquilo que pede?

Saibamos rezar, trabalhar e amar, segundo o que foi exposto, e sem dúvida alguma Deus concederá à família as graças eficazes que poderão salvá-la.

(Adaptado do texto de J. Viollet, in Repertorio Universal del Predicador, tomo XIX, pag. 191-196, Editorial Liturgica Española, Barcelona, 1933).

(http://www.gaudiumpress.org/content/54407#ixzz2pKVFzYnF )

O Santíssimo Nome de Jesus

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Redação (Quinta-feira, 02-01-2014, Gaudium Press– E seu nome será: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Is 9, 5).

Sim, quanto é maravilhoso, rico e simbólico este nome que, segundo o Profeta Isaías, significa “Deus conosco”! Como o Arcanjo Gabriel deve ter enlevado a Santíssima Virgem Maria – que ponderava todas as coisas em seu coração – com estas palavras no momento da Anunciação: “E Lhe porás o nome de Jesus”! (Lc 1,31).jesus_cristo_1.jpg

Fecunda fonte de inspiração

Esta frase, que ficou indelevelmente gravada no Imaculado Coração de Maria, chega aos ouvidos dos fiéis de todos os tempos, no orbe terrestre inteiro, fecundando os bons afetos de todo homem batizado. Ao longo dos séculos, diversas almas monásticas e contemplativas foram inspiradas por ela a tal ponto que inúmeras composições de canto gregoriano versam sobre o suave nome do Filho de Deus.

Há uma misteriosa e insondável relação entre o nome de Jesus e o Verbo Encarnado, não sendo possível conceber outro que lhe seja mais apropriado.

É o mais suave e santo dos nomes. Ele é um símbolo sacratíssimo do Filho de Deus, e sumamente eficaz para atrair sobre nós as graças e favores celestiais. O próprio Nosso Senhor prometeu: “Qualquer coisa que peçais a meu Pai em meu nome, Ele vo-la concederá” (Jo 14,13). Que magnífico convite para repeti-lo sem cessar e com ilimitada confiança!

Invoque este nome poderosíssimo!

A Santa Igreja, mãe próvida e solícita, concede indulgências a quem invocá-lo com reverência, inclusive põe à disposição de seus filhos a Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus, incentivando-os a rezá-la com freqüência.

No século XIII, o Papa Gregório X exortou os bispos do mundo e seus sacerdotes a pronunciar muitas vezes o nome de Jesus e incentivar o povo a colocar toda sua confiança neste nome todo poderoso, como um remédio contra os males que ameaçavam a sociedade de então. O Papa confiou particularmente aos dominicanos a tarefa de pregar as maravilhas do Santo Nome, obra que eles realizaram com zelo, obtendo grandes sucessos e vitórias para a Santa Igreja.

Um vigoroso exemplo da eficácia do Santo Nome de Jesus verificou-se por ocasião de uma epidemia devastadora surgida em Lisboa em 1432. Todos os que podiam, fugiam aterrorizados da cidade, levando assim a doença para todos os recantos de Portugal. Milhares de pessoas morreram. Entre os heróicos membros do clero que davam assistência aos agonizantes estava um venerável bispo dominicano, Dom André Dias, o qual incentivava a população a invocar o Santo Nome de Jesus.

Ele percorria incansavelmente o país, recomendando a todos, inclusive aos que ainda não tinham sido atingidos pela terrível enfermidade, a repetir: Jesus, Jesus! “Escrevam este nome em cartões, mantenham esses cartões sobre seus corpos; coloquem-nos, à noite, sob o travesseiro; pendurem-nos em suas portas; mas, acima de tudo, constantemente invoquem com seus lábios e em seus corações este nome poderosíssimo”.

Maravilha! Em um prazo incrivelmente curto o país inteiro foi libertado da epidemia, e as pessoas agradecidas continuaram a confiar com amor no Santo Nome de nosso Salvador. De Portugal, essa confiança espalhou-se para a Espanha, França e o resto do mundo.

Uma retribuição agradável a Deus

O ardoroso São Paulo é o apóstolo por excelência do Santo Nome de Jesus. Diz ele que este é “o nome acima de todos os nomes”, e louva seu poder com estas palavras: “Ao nome de Jesus dobrem-se todos os joelhos nos céus, na terra e nos infernos” (Fil 2,10).jesus_cristo_2.jpg

São Bernardo era tomado de inefável alegria e consolação ao repetir o nome de Jesus. Ele sentia como se tivesse mel em sua boca, e uma deliciosa paz em seu coração. São Francisco de Sales não hesita em dizer que quem tem o costume de repetir com freqüência o nome de Jesus, pode estar certo de obter a graça de uma morte santa e feliz. Outro imenso favor!

Mas este grande dom não nos pede alguma retribuição?

Sim. Além de muita confiança e gratidão, o desejo sincero de viver em inteira consonância com as infinitas belezas contidas no santíssimo Nome de Jesus. E também – a exemplo do venerável bispo português Dom André Dias – o empenho em divulgá-lo aos quatro ventos. Digna de honra e louvor é a mãe verdadeiramente católica, que ensina seus filhos a pronunciar os doces nomes de Jesus e de Maria mesmo antes de dizer mamãe e papai, bem como a pautar sua vida pela desses
dois modelos divinos.

* * * * * * * * * *

Muitos habitantes de Jerusalém assistiram à cena tão bem narrada nos Atos dos Apóstolos, que o leitor tem a impressão de estar também presente.

Pedro e João subiam ao Templo para rezar. Um coxo de nascença, postado na Porta Formosa, lhes pediu esmola.

– Olha para nós! – disse-lhe o Príncipe dos Apóstolos. – O pobre fitou-os com atenção, perguntando- se quanto iria receber.

– Não tenho prata nem ouro, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus de Nazaré, levanta-te e anda. – Dando um salto, o aleijado pôs-se de pé e entrou com eles no Templo, saltando e louvando a Deus. E de tal forma agarrou-se aos dois Apóstolos que em torno destes juntou-se uma multidão estupefata. Ao ver isso, Pedro assim falou:

– Varões israelitas, por que olhais para nós, como se por nosso poder tivéssemos feito andar este homem? O Deus de nossos pais glorificou seu filho Jesus. Mediante a fé em seu nome é que esse mesmo nome deu a cura perfeita a este homem que vós vedes e conheceis.

Não há outro nome pelo qual sejamos salvos

Continuou São Pedro seu discurso, exortando os ouvintes à conversão, até ser interrompido por alguns sacerdotes e saduceus, acompanhados do chefe da guarda do Templo, o qual prendeu os dois homens de Deus. No dia seguinte, foram eles conduzidos à presença do Sumo Sacerdote e seu Conselho.

– Com que poder e em nome de quem fizestes isso? – perguntaram-lhe. A resposta veio serena, mas firme:

– Príncipes do povo e anciãos, ouvi- me! Já que somos aqui interrogados sobre a cura de um homem enfermo, seja notório a todo o povo de Israel que é em nome de Jesus Cristo Nazareno, é por ele que este homem está são diante de vós. Não há salvação em nenhum outro, porque não há sob o céu nenhum outro nome pelo qual devamos ser salvos.

Por que proibir?

A firmeza do Primeiro Papa deixou desconcertados os inimigos de Jesus. Fazendo-os sair da sala do Conselho, jesus_cristo_3.jpgdeliberaram entre si: “Que faremos destes homens? Porquanto o milagre por eles feito se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém, e não o podemos negar. Todavia, para que esta notícia não se divulgue mais entre o povo, proibamos que no futuro falem a alguém nesse nome” (At 4, 16-17).

Chamaram, então, de volta os dois discípulos do Senhor e os intimaram terminantemente a nunca mais falar ou ensinar em nome de Jesus. Ordem à qual, aliás, Pedro e João declararam de forma categórica que não obedeceriam, pois deviam obediência a Deus antes de tudo. Qual o motivo de tão injustificada proibição?

Na perspectiva dos inimigos de Deus e de sua Igreja, não é difícil entender a razão: muitos dos que ouviram aquela pregação de São Pedro creram, “e o número dos fiéis elevou-se a mais ou menos cinco mil” (At 4, 4). Compreende-se, assim, a sanha do Sinédrio, pois percebia bem que, nessa proporção, em pouco tempo a Igreja se expandiria por todo o mundo.

Pregar o Evangelho é proclamar o nome de Jesus

Como poderia a Santa Igreja deixar de orar, pregar, batizar e curar em nome de Jesus?

Desde os primeiros dias do Cristianismo, pregar o Evangelho é proclamar esse nome glorioso entre todos. É pelo seu poder divino que se operam os milagres: “Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas (…) imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados” (Mc 16, 17-18).

O nome do Redentor não podia deixar de ocupar um lugar proeminente na vida da Igreja, uma vez que Ele próprio afirmou: “Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei” (Jo 14, 13). E no ato do Batismo, pelo qual nasce o cristão, é “em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus” que a alma é lavada, santificada e justificada (Cf. 1Co 6, 11).

Tudo isso tem uma valiosa aplicação em nossa vida de católicos: a invocação do Santíssimo Nome de Jesus é uma fonte inesgotável de graças para a santificação pessoal e as obras de evangelização. (In Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2005, n. 37, p. 22-25)

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http://www.gaudiumpress.org/content/54393#ixzz2pKUbK7py)

A família que Deus quer

Campos – Rio de Janeiro (Sexta-feira, 27-12-2013, Gaudium Press“Dentro da Oitava de Natal e no coração do Mistério da Encarnação celebra-se a Festa da Sagrada Família”, lembrou Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo da Diocese de Campos, no Rio de Janeiro, em seu mais novo artigo.jesus.jpg

Segundo o prelado, “o Evangelho da família está ancorado no Natal de Jesus Cristo, pois a encarnação exige a inserção numa família humana, para o desenvolvimento da pessoa, ter um nome e fazer parte de um povo e de uma cultura”.

“Jesus inicia sua obra redentora santificando e salvando a família, tornando-a o primeiro espaço de humanização e evangelização”, afirmou.

Dom Roberto acredita que a Liturgia da Palavra dentro deste período festivo para a Igreja “é muito rica para alimentar uma verdadeira espiritualidade conjugal e familiar centrada no amor, na compreensão, na autoridade servidora e edificadora dos pais, no perdão, na cooperação e na hospitalidade cristã”, valores esses considerados permanentes que ajudam a fortalecer e enaltecer o grupo familiar.

Para o Bispo, a Sagrada Família é um modelo a ser buscado e vivenciado por todas as famílias, “mais que um protótipo estático e abstrato, que esqueceria as dificuldades, problemas e conflitos que o lar de Nazaré teve que assumir para proteger, educar e seguir a Jesus, o Salvador”.spic-bco_arq-foto-pe-roberto1.jpg

Contudo, a família cristã, segundo ele, “como comunidade de Fé, esperança e caridade, sendo fiel a Jesus”, deve passar também por tribulações, conflitos e confrontos “com os Herodes do poder de cada época”, encontrando sempre no final “a felicidade de estarem firmados na verdadeira Rocha que é o Cristo, Senhor das famílias”.

“A família cristã está chamada a revelar às outras a alegria e a beleza de ser e de se ter uma família, que para nós o Povo da Vida, será sempre a instituição que Deus quis e criou em primeiro lugar”, ressaltou.

Finalizando seu artigo, Dom Roberto deixou um recado direcionado a todas as famílias do Brasil:

“Que Jesus esteja sempre com nossas famílias para abençoá-las e santificá-las tornando-as cada vez mais missionárias da paz e do amor. Deus seja louvado!” (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54323#ixzz2oxaNNwLL )

Sagrada Família

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Redação (Sexta-feira, 27-12-2013, Gaudium Press) – Jesus, Maria, José: três perfeições que chegaram todas ao pináculo a que cada uma devia chegar; três auges que se amavam e se inter compreendiam intensamente; três perfeições altíssimas, admiráveis, desiguais, realizando uma harmonia de desigualdades como jamais houve na face da Terra. A santidade, a nobreza e a hierarquia na Sagrada Família. É o que aqui transcrevemos em lembrança de que no dia 30 de dezembro a Igreja reverencia Família Sagrada composta por Jesus, Maria e José:sagrada_familia_1.jpg

Uma família que, realmente, não poderia deixar de ser chamada de Sagrada: Jesus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade,Maria a Virgem Mãe de Deus que trouxe em seu seio Nosso Senhor Jesus Cristo e São José, esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus.

Não estaria fora de propósito que, por ocasião destas comemorações recomendadas pela Igreja, pensássemos um pouco nessa Família modelo. Por exemplo, poderíamos cogitar um pouco sobre a pergunta seguinte: Como seria a santidade, a nobreza e a hierarquia na Sagrada Família?

Nessa Família nós temos a presença do Filho de Deus feito Homem. No Evangelho de São Lucas (Lc. 2, 52) está dito que o Menino Jesus “crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens”.

São palavras inspiradas pelo Espírito Santo e, portanto, verdadeiras. Elas nos ensinam que no Homem Deus ainda havia o que crescer. De qualquer natureza que fosse esse crescimento, era um crescimento da perfeição perfeitíssima para algo que era uma perfeição ainda mais perfeitíssima. Por outro lado, nessa Família temos também Nossa Senhora.

Se considerarmos tudo quanto Ela é, nós veremos n’Ela um tal acúmulo de perfeições criadas, que um Papa chegou a declarar: d’Ela se pode dizer tudo em matéria de elogio, desde que não se Lhe atribua a divindade. Maria foi concebida sem pecado original e confirmada em graça logo a partir do primeiro instante do seu ser. Ela não podia pecar, não podia cair na mais leve falta, porque estava garantida por Deus contra isso.

Não tendo defeitos – isso é um aspecto importante desta consideração – também Nossa Senhora crescia constantemente em virtude. Ao lado do Menino Jesus e de Nossa Senhora estava São José convivendo com eles. É difícil elogiar qualquer homem, qualquer grandeza terrena, depois de considerar a grandeza de São José. O homem casto, virginal por excelência, descendente de Davi.

São Pedro Julião Eymard (cfr. “Extrait des écrits du P. Eymard”, Desclée de Brouwer, Paris, 7ª ed., pp. 59-62) nos ensina que São José era o chefe da Casa de Davi. Ele era o pretendente legítimo ao trono de Israel. Ele tinha direito sobre o mesmo trono que fora ocupado e derrubado por falsos reis, enquanto Israel era dividido e, por fim, dominado pelos romanos.

Três ascensões constantes, três auges atingidos.

São José era um varão perfeito, modelado pelo Espírito Santo para ter proporção com Nossa Senhora. Pode-se imaginar a que píncaro, a que altura São José deve ter chegado para estar em proporção com Nossa Senhora! É algo imenso, inimaginável. É sumamente provável que São José também tenha sido confirmado em graça.

Então, assim sendo, na humilde casa de Nazaré, pode-se dizer que a cada momento que se passava, as três pessoas dessa Família Sagrada cresciam em graça e santidade diante de Deus e dos homens. São José deve ter falecido antes do início da vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ele é o padroeiro da boa morte, porque tudo leva a crer que tenha sido assistido em sua agonia por Nossa Senhora e pelo Divino Redentor. Nos instantes finais de sua vida, Jesus e Maria o ajudaram a elevar sua alma à perfeição para a qual ele fora criado.

Não era a perfeição de Nossa Senhora, era uma perfeição menor. Mas era a perfeição enorme para a qual ele tinha sido chamado. Quando seu olhar embaçado já se ia apagando para a vida, São José contemplou Aquela que era sua esposa e Aquele que juridicamente era seu filho.

E, certamente, Ele extasiou-se com a ascensão contínua em santidade de Nossa Senhora e de Seu Divino Filho. E ao vê-Los subir assim nas vias da santificação, ele admirou e amou essa ascensão. E foi por admirar e amar o aumento da santidade de Maria e Jesus que Ele também, por sua vez, subia sem cessar na sua própria santidade. Esta tríplice ascensão contínua na casa de Nazaré, constituiu o encanto do Criador e dos homens.

Jesus, Maria, José: três perfeições que chegaram todas ao pináculo a que cada uma devia chegar; três auges que se amavam e se inter compreendiam intensamente; três perfeições altíssimas, admiráveis, desiguais, realizando uma harmonia de desigualdades como jamais houve na face da Terra.

Entretanto, a hierarquia posta por Deus entre estas três sublimes desigualdades era de uma ordem admiravelmente inversa: Aquele que era o chefe da Casa no plano humano era o menor na ordem sobrenatural; o Menino, que deveria prestar obediência aos pais, era Deus.

Uma inversão que nos faz amar ainda mais as riquezas e as complexidades de qualquer ordem verdadeiramente hierárquica; uma inversão que leva a alma fiel, a alma desejosa de meditar sobre tão elevado tema, a entoar um hino de louvor, de admiração e de fidelidade a todas as hierarquias, a todas as desigualdades estabelecidas por Deus.sagrada_familia_2.jpg

Quem é mais, manda menos

À primeira vista, a constituição da Sagrada Família é um mistério. Pois nela quem tem mais autoridade é São José, como patriarca e pai, com direito sobre a esposa e sobre o fruto de suas puríssimas entranhas.

A esposa é Mãe de Deus, Mãe da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Sendo Mãe, tem Ela poder sobre um Deus que Se encarnou em Seu seio virginal e Se fez seu filho. Nosso Senhor Jesus Cristo, como filho, deve obediência a esse pai adotivo, aceitando em tudo a orientação e a formação dada por José; e também à sua Mãe, a criatura Sua. Que imenso, insondável e sublime paradoxo!

Assim, na ordem natural, José é o chefe; Maria, a esposa e mãe; e Jesus, a criança. Porém, na ordem sobrenatural, o Menino é o Criador e Redentor; Ela, a Medianeira de todas as graças, Rainha do Céu e da Terra; e José, o que de si tem menos poder, exerce a autoridade sobre Nossa Senhora, a qual tem a ciência infusa e a plenitude da graça, e sobre o Menino, que é o Autor da graça.

Deus ama a hierarquia

Por que dispôs Deus essa inversão de papéis?

Assim fez para nos dar uma grande lição: Ele ama a hierarquia e deseja que a sociedade humana seja governada por este princípio, do qual o próprio Verbo Encarnado quis dar exemplo.

Bem podemos imaginar, na pequena Nazaré, a prestatividade, a sacralidade e a calma de Jesus, auxiliando José na carpintaria: serrando madeira, pregando as pelas de uma cadeira, quando bastaria um simples ato de vontade Seu, para serem imediatamente produzidos, sem necessidade sequer de matéria-prima, os mais esplêndidos móveis, jamais vistos na História.

Entretanto, afirma São Basílio, “obedecendo desde sua infância a seus pais, Se submeteu Jesus humilde e respeitosamente a todo trabalho braçal. Assim, logo que São José mandasse – e com que veneração! – o Filho fazer um trabalho, Este Se punha a executá-lo!

Pois agindo dessa maneira – honrando o pai que estava na terra e aceitando, por exemplo, fazer um móvel de acordo com as regras da natureza – dava Jesus mais glória a Deus Pai, que O havia enviado. Afirma São Luís Grignion, a propósito de sua obediência a Nossa Senhora: “Jesus Cristo deu mais glória a Deus submetendo-Se a Maria durante trinta anos, do que se tivesse convertido toda a terra pela realização dos mais estupendos milagres.”

Assim, temos dentro da própria Sagrada Família um impressionante princípio de amor à hierarquia, porque, uma vez que Jesus havia desejado nascer e viver numa família, Ele honrava pai e mãe, mesmo sendo onipotente e o Criador de ambos.

Príncipe e operário

Outro paradoxo foi colocado pelo Criador nas complexidades desta nobilíssima ordem hierárquica. São José era o representante da Casa Real mais augusta que houve em todos os tempos: enquanto de outras Casas nasceram reis, da Casa de Davi, nasceu um Deus. Os únicos cortesões à altura dessa Casa Real seriam os Anjos do Céu.

Porém, ainda por desígnio divino, o chefe da Casa de Davi, São José, era, ao mesmo tempo, um trabalhador manual: era carpinteiro. E Nosso Senhor Jesus Cristo também exerceu essa atividade antes de iniciar sua vida pública.

Deus quis que, assim, as duas pontas da hierarquia temporal se ligassem naquele que é o Homem Deus. Em Jesus Cristo está a condição de príncipe real da Casa de Davi, de pretendente ao trono de Israel. E esta condição coexiste com a de mero carpinteiro, de operário, colocado no extremo oposto da escala social.

Esta coexistência de perfeições, em ambos os aspectos – tanto no de Criador – criatura como no outro, incomparavelmente menor, de rei-operário – reúne os extremos para reforçar a coesão dos elementos intermediários da hierarquia: os elementos se unem pela união dos extremos.

Assim, a sacrossanta hierarquia no interior da Sagrada Família não nos aparece apenas como um conjunto de cimos tão altos que a nossa vista física e mental custa a alcançar. Ela representa também um abraço hierárquico, desigual mas afetuoso, entre todos os degraus da ordem social. De tal maneira que, aquele que ocupa lugar mais alto abraça afetuosamente o que está mais baixo e diz: “Enquanto natureza humana somos todos iguais”.

Amor desinteressado à Hierarquia

Na Sagrada Família, o exemplo de São José, de Nossa Senhora e de Nosso Senhor Jesus Cristo nos leva a compreender melhor a hierarquia no que ela tem de mais puro, de mais límpido, de mais perfeito, na qual não há egoísmo nem pretensão.sagrada_familia_3.jpg

Nessa Família existe o puro amor de Deus que gera amor às várias hierarquias sem preocupação de ser muito, de fazer muito oupoder muito. A hierarquia aqui é amada. E é amada por amor de Deus. As almas que têm o verdadeiro senso da hierarquia amam deste modo os que lhes são superiores.

A palavra “majestade” tem para elas um sentido, um mistério, um “lumen”, um brilho especial que torna respeitáveis e veneráveis reis, imperadores e superiores em geral, mesmo quando estes, por seus defeitos pessoais, não merecerem as homenagens que lhes são prestadas por serem eles quem são.

Mas se, para aquilo a que foram chamados, em algo correspondem, esse algo, por pequeno que seja, é como o aroma de uma flor incomparável da qual se tira uma gota, cujo perfume produz sobre o homem reto um efeito semelhante ao que a santidade maior produz sobre a santidade menor.

E isto tem alguma analogia com o que se passava na Sagrada Família, entre as três pessoas indizivelmente excelsas – uma delas divina – que a compunham.

Eis aí algumas considerações sobre o enlevo e o entusiasmo que as verdadeiras hierarquias – como aquela que existiu, em grau arquetípico, na Sagrada Família – podem e devem suscitar nas almas retas e autenticamente católicas.

Uma vida de aparência normal

Não devemos supor que na Sagrada Família tudo era absolutamente místico, sobrenatural e pleno de consolações. Do Menino Jesus não se pode dizer que vivia de fé porque sua alma estava na visão beatífica. Entretanto, quis que seu corpo tivesse o desenvolvimento normal de um ser humano. Assim, por exemplo, não nasceu falando, embora pudesse falar todas as línguas do mundo.

Nossa Senhora e São José levavam também uma vida inteiramente comum na aparência e, como todos os homens, sofreram perplexidades e angústias. Disto nos dá exemplo o Evangelho (Lc 2, 41-52): “Teu pai e Eu estávamos, angustiados, à tua procura”.

Notas:

– Desenvolvimento de anotações de conferência feita pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 2-11-92, para um grupo de jovens.

 – Trechos do Comentário ao Evangelho, Monsenhor João Clá Dias, EP, Revista Arautos do Evangelho, Dez/2009, n. 96)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54336#ixzz2oxZHyEJD )

Mensagem de Nossa Senhora em Medjugorje em 25/12/2013

Mensagem de Nossa Senhora em Medjugorje, de 25 de dezembro de 2013.

“Queridos filhos! Estou levando a vocês o Rei da Paz para que Ele possa dar-lhes sua paz. Vocês, filhinhos, rezem, rezem, rezem. O fruto da oração será visto nos rostos das pessoas que decidiram por Deus e Seu Reino. Eu, com meu Filho Jesus, abençôo a todos com uma bênção de paz. Obrigada por terem respondido ao meu chamado.”

Mensagem original:

“Dear children! I am carrying to you the King of Peace that He may give you His peace. You, little children, pray, pray, pray. The fruit of prayer will be seen on the faces of the people who have decided for God and His Kingdom. I, with my Son Jesus, bless you all with a blessing of peace. Thank you for having responded to my call.”

(http://medjugorje.org)

(http://medjugorje.org.br)

Papa Francisco: “José, homem fiel e justo que preferiu acreditar no Senhor”

Palavras do Papa Francisco durante o Angelus

Por Redacao

ROMA, 22 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – Publicamos a seguir as palavras que o Santo Padre pronunciou hoje às 12hs, antes e depois da oração do Angelus, aos fieis e peregrinos reunidos na praça de São Pedro:

***

Queridos irmãos e irmãs, bom dia !

Neste quarto domingo de Advento, o Evangelho nos narra os acontecimentos que precederam o nascimento de Jesus, e o evangelista Mateus nos apresenta do ponto de vista de São José, o prometido esposo da Virgem Maria.

José e Maria moravam em Nazaré; ainda não moravam juntos, porque o matrimônio ainda não tinha sido concluído. Enquanto isso, Maria, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo, ficou grávida por obra do Espírito Santo. Quando José percebeu este fato, ficou confuso. O Evangelho não explica quais eram os seus pensamentos, mas nos diz o essencial: ele procura fazer a vontade de Deus e está pronto para a renúncia radical. Em vez de se defender e fazer valer os seus direitos, José escolhe uma solução que representa para ele um enorme sacrifício. E o Evangelho diz: “Porque era um homem justo e não queria acusá-la publicamente, resolveu deixá-la em segredo” ( 1, 19).

Esta pequena frase resume um verdadeiro drama interior, se pensarmos no amor que José tinha por Maria! Mas, mesmo em tal circunstância, José pretende fazer a vontade de Deus e decide, sem dúvida com grande dor, abandonar Maria em segredo. Devemos meditar nessas palavras, para entender a prova que José teve que enfrentar nos dias que precederam o nascimento de Jesus. Uma prova parecida com aquela do sacrifício de Abraão, quando Deus lhe pediu seu filho Isaque (cf. Gn 22): renunciar à pessoa mais preciosa, à pessoa mais amada.

Mas, como no caso de Abraão, o Senhor interveio: ele encontrou a fé que buscava e abre um caminho diferente, um caminho de amor e felicidade: “José – lhe diz – não temas receber Maria, como sua esposa. De fato, a criança que nela foi gerada vem do Espírito Santo” (Mt 1, 20).

Este Evangelho nos mostra toda a grandeza de alma de São José. Ele estava seguindo um bom projeto de vida, mas Deus reservou para ele um outro projeto, uma missão maior. José era um homem que sempre dava ouvidos à voz de Deus, profundamente sensível à sua vontade secreta, um homem atento às mensagens que lhe vinham do profundo do coração e do alto. Não ficou obstinado em perseguir aquele seu projeto de vida, não permitiu que o rancor lhe envenenasse a alma, mas estava preparado para colocar-se à disposição da novidade que, de forma desconcertante, era-lhe apresentada. Era assim, era um homem bom. Não odiava, e não permitiu que o rancor lhe envenenasse a alma. Mas quantas vezes em nós o ódio, a antipatia também, o rancor nos envenenam a alma! E isso faz mal. Não permiti-lo nunca: ele é um exemplo disso. E assim, José se tornou ainda mais livre e grande. Aceitando-se de acordo com o projeto do Senhor, José encontra plenamente a si mesmo, além de si. Esta sua liberdade de renunciar ao que é seu, e esta sua plena disponibilidade interior à vontade de Deus, nos interpelam e nos mostram o caminho.

Nos dispomos agora a celebrar o Natal contemplando Maria e José: Maria, a mulher cheia de graça que teve a coragem de confiar totalmente na Palavra de Deus; José, o homem justo e fiel que preferiu acreditar no Senhor, em vez de ouvir as vozes da dúvida e do orgulho humano. Com eles, caminhamos junto rumo a Belém.

Depois do Angelus

Leio ali, escrito grande: “Os pobres não podem esperar”. Que bonito! E isso me faz pensar que Jesus nasceu em um estábulo, não nasceu em uma casa. Depois teve que fugir, ir ao Egito para salvar sua vida. Finalmente, voltou para sua casa em Nazaré. E eu penso hoje, também lendo este escrito, em tantas famílias sem casa, seja porque nunca a tiveram, seja porque a perderam por tantos motivos. Família e casa vão juntos. É muito difícil levar adiante uma família sem habitar em uma casa. Nestes dias de Natal, convido a todos – pessoas, entidades sociais, autoridades – a fazer todo o possível para que cada família possa ter uma casa.

Saúdo com afeto a todos vós, queridos peregrinos de vários países para participar deste encontro de oração. O meu pensamento vai às famílias, aos grupos paroquiais, às associações e aos fieis individualmente. Em particular, saúdo a comunidade do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras, a Banda de música de San Giovanni Valdarno, os jovens da paróquia São Francisco Nuovo em Rieti, e os participantes do revezamento que começou em Alexandria e chegou a Roma para testemunhar o compromisso com a paz na Somália.

A todos da Itália que se reuniram hoje para manifestar o seu compromisso social, desejo dar uma contribuição construtiva, rejeitando as tentações do confronto e da violência, e seguindo sempre o caminho do diálogo, defendendo os direitos.

Desejo a todos um bom domingo e um Natal de esperança, de justiça e de fraternidade. Bom almoço e nos vemos!

(Tradução Thácio Siqueira)

(Fonte: Agência Zenit)

Papa Francisco reflete sobre a figura de São José na última audiência geral antes do Natal

VATICANO, 22 Dez. 13 / 11:19 am (ACI).- No contexto do último domingo doadvento, o Papa Francisco dirigiu-se aos milhares de fiéis que encheram a Praça de São Pedro para a audiência geral deste domingo e lembrou a figura de São José como exemplo de acolhida ao Plano de Deus. Posteriormente o Papa rezou e dirigiu um pedido para que todos aqueles que puderem ajudem a que crianças pobres possam ter uma casa para suas famílias.

“Neste 4° Domingo do Advento, o Evangelho nos conta os acontecimentos que precederam o nascimento de Jesus, e o evangelista Mateus apresenta esses fatos do ponto de vista de São José, o noivo da Virgem Maria“, disse o Papa.

“José e Maria viviam em Nazaré; não moravam ainda juntos, porque omatrimônio ainda não tinha sido realizado. Enquanto isso, Maria, depois de acolher o anúncio do Anjo, ficou grávida por obra do Espírito Santo. Quando José percebeu esse fato, ficou confuso.”

O Papa sublinhou que “o Evangelho não explica quais foram os seus pensamentos, mas nos diz o essencial: ele procura fazer a vontade de Deus e está pronto para a renúncia mais radical. Em vez de se defender e fazer valer os seus direitos, José escolhe uma solução que representa um enorme sacrifício para ele: “Porque era homem justo e não queria denunciar Maria publicamente, pensava em deixá-la, sem ninguém saber”.

“Esta breve frase resume um verdadeiro drama interior, se pensarmos no amor que José tinha por Maria! Mas, mesmo em tal circunstância, José pretende fazer a vontade de Deus e decide, certamente, com grande dor, deixar Maria em segredo. Devemos meditar sobre essas palavras, para entender qual foi a provação que José teve de enfrentar nos dias que precederam o nascimento de Jesus.

“Uma provação semelhante ao sacrifício de Abraão -prosseguiu o Santo Padre- quando Deus lhe pediu seu filho Isaac: renunciar à coisa mais preciosa, à pessoa mais amada. Mas, como no caso de Abraão, o Senhor interveio: Ele encontrou a fé que procura e abriu um caminho diferente, um caminho de amor e felicidade: José – Lhe disse – não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo”, destacou.

Segundo a nota aparecida hoje no site News.va, o portal oficial de notícias do Vaticano, Francisco frisou que “este Evangelho nos mostra a grandeza de São José. Ele estava seguindo um bom projeto de vida, mas Deus reservou para ele outro projeto, uma missão maior”.

“José era um homem que escutava a voz de Deus, profundamente sensível à sua vontade secreta, um homem atento às mensagens que vinham do profundo do coração e do alto. Não se recusou a seguir o seu projeto de vida, não permitiu que o ressentimento o envenenasse, mas estava pronto para se colocar à disposição da novidade que, de maneira desconcertante, lhe foi apresentada. Assim, ele se tornou ainda mais livre e grande”, sublinhou.

“Aceitando-se segundo o desígnio do Senhor, José se encontra totalmente, além de si. Esta liberdade de renunciar ao que é seu, ao possesso sobre a própria existência, e esta sua plena disponibilidade interior à vontade de Deus, nos interpelam e nos mostram o caminho”, disse ainda o Santo Padre.

O Papa convidou os fiéis a celebrarem o Natal contemplando Maria e José. “Maria, mulher cheia de graça que teve a coragem de confiar-se totalmente à Palavra de Deus. José, homem fiel e justo que preferiu acreditar no Senhor, em vez de ouvir as vozes da dúvida e do orgulho humano. Com eles, caminhamos juntos rumo a Belém”, concluiu Francisco

Após o Angelus o Papa fez uma pequena reflexão sobre a pobreza do presépio e a pobreza no mundo de hoje.

“Os pobres não podem esperar”, disse o Papa Francisco, “e isso me faz pensar que Jesus nasceu em um estábulo, não nasceu em uma casa. E depois ter que fugir para ir ao Egito para salvar sua vida. Eventualmente, ele voltou para sua casa em Nazaré. (…) É muito difícil continuar sem uma família que vive em uma casa. Nestes dias de Natal, eu convido a todos – indivíduos, entidades sociais, autoridades – para fazer todo o possível para assegurar que cada família possa ter uma casa”.

“Desejo a todos um bom domingo e um Natal de esperança, justiça e de fraternidade. Bom almoço e até breve!”, finalizou o Papa.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26479)

México é o país mais perigoso para sacerdotes na América Latina

MEXICO D.F., 20 Dez. 13 / 12:37 pm (ACI/EWTN Noticias).- Um estudo elaborado pela Unidade de Investigação do Centro Católico de Multimídia (CCM), abrangendo os últimos 23 anos, revelou que o México é, pelo sexto ano consecutivo, o país mais perigoso para sacerdotes e religiosos na América Latina.

O estudo detalha por nomes e dioceses, os dados daqueles que perderam avida por causa da delinquência comum ou o crime organizado e aponta um dramático aumento das extorsões e de atentados, que não só prejudicam os presbíteros em quanto ao patrimônio que administram, mas também aumenta o risco de que percam a vida por seu trabalho na Igreja Católica.

Segundo o Sistema Informativo da Arquidiocese do México (SIAME), a análise abrangendo os últimos 23 anos, tem registro detalhado de 34 assassinatos contra membros da Igreja Católica do México, constando um cardeal, 25 sacerdotes, dois religiosos e quatro leigos, incluindo uma jornalista católica. As tendências do agravamento destes fenômenos no México mostram uma alta constante nos últimos seis anos.

Esta dramática situação, segundo o estudo do CCM, torna o México, pelo sexto ano consecutivo,o lugar com mais crimes de ódio contra sacerdotes, religiosos e leigos no continente americano.

“Isto coloca o México como o país latino-americano mais perigoso para exercer o ministério sacerdotal”, destaca a análise.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26473)

A eficácia da paciência

pensandourlOs santos diziam que há dois tipos de martírio: o da morte pela espada; e o da morte pela paciência. A paciência é uma forma de martírio que vence todo sofrimento. Não há barreira espiritual que não caia pela força da paciência, a qual é fruto da fé, da humildade e do abandono da vida em Deus.

Foi pela paciência que a Igreja venceu todos os seus inimigos até hoje: o Império Romano, as heresias, as perseguições, o comunismo, o ateísmo, os pecados de seus filhos, entre outros.

Quando os nossos pecados e fraquezas nos assustam e nos desanimam é preciso ter paciência também conosco e aceitar a nossa dura realidade. Quando é difícil caminhar depressa, então, é preciso ter paciência aceitando caminhar devagar. José e Maria salvaram o Menino Jesus das mãos de Herodes indo passo a passo até o Egito por um longo deserto de 500 km.

A paciência do cristão não é vazia nem significa imobilismo ou resignação mórbida; tampouco perda de tempo. Não! É a certeza de que tudo está nas mãos d’Aquele que tudo pode.

“Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso. Não cedas prontamente ao espírito de irritação; é no coração dos insensatos que reside a irritação” (Ecl 7,8b-9).

O que não pudermos mudar em nós ou nos outros, devemos aceitar com paciência, até que Deus disponha as coisas de outro modo. Ninguém perde por esperar!

Deus não interfere na personalidade do ser humano porque isso depende da liberdade de cada um e Deus não nos desrespeita; então, Ele pode mudar as circunstâncias e os acontecimentos da vida dessas pessoas.

Maria, nossa Mãe, é a mulher da paciência. Sempre soube esperar o desígnio de Deus se cumprir, sem se afobar, sem gritar, sem reclamar… A paciência é amiga do silêncio e da fé. É a paciência que nos levará para o céu!

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus […] prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência […] não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência.” (Eclo 2,1-3).

“Aceita tudo o que te acontecer, na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo caminho da humilhação.” (Eclo 2,4-6).

Muitas vezes, a vontade de Deus permite que as cruzes nos atinjam; curvemos a cabeça com humildade e paciência. Muitos estão prontos para fazer a vontade de Deus no **Tabor da transfiguração**, mas poucos no **Calvário da crucificação**.

Sejamos como Nossa Senhora, que disse o ‘sim’ no momento da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas o manteve na Apresentação d’Ele, na fuga para o Egito, no Pretório, na perseguição ao Senhor, no caminho do Calvário e também aos pés da sua Cruz.

Beijar, agradecidos, esta mão invisível que, muitas vezes, permite que sejamos feridos, agrada a Deus e nos atrai as bênçãos do Céu.

Os santos doutores da Igreja nos deixaram muitos ensinamentos sobre isso:

Santo Afonso de Ligório: “Neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado.

São João Crisóstomo: “É melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

Santo Agostinho: “Quando se ama não se sofre, e se sofre, ama-se o sofrimento”.

“O martírio não depende da pena, mas da causa ou fim pelo qual se morre. Podemos ter a glória do martírio, sem derramar o nosso sangue, com a simples aceitação heroica da vontade de Deus.”

São Francisco de Sales: “As cruzes que encontramos pelas ruas são excelentes, e que mais o são ainda – e tanto mais quanto mais importunas – as que se nos deparam em casa”.

Santa Teresa D’Ávila ensina: “Nada te perturbe; nada te espante. Tudo passa. Só Deus não muda; a paciência tudo alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta: Só Deus Basta!”.

É grande a dor de sofrer uma ingratidão. Até Jesus reclamou daqueles nove leprosos que Ele curou e que não vieram agradecer-lhe, tendo voltado só aquele que era samaritano.

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/a-eficacia-da-paciencia/)

A Importância de celebrar o Nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro

Sabemos que o Império Romano perseguiu pesadamente os cristãos por quase três séculos; desde Nero em 64, mas, por fim, depois de muitos mártires e o trabalho incansável de evangelização dos primeiros cristãos, o grande Império, o maior de todos os tempos, se converteu ao cristianismo quando o Imperador Constantino, o Grande, se converteu e proibiu a perseguição aos cristãos pelo Edito de Milão, no ano 313. “A espada romana se curvou diante da Cruz de Cristo”, como disse Daniel Rops.

Depois, no ano 385 o grande imperador cristão romano, Teodósio, pelo Edito de Tessalônica, adotou o cristianismo como a religião oficial do Império. Mas, ainda no tempo do paganismo, os romanos adoravam o deus Sol e celebravam a festa do seu nascimento “Natalis solis invicti”. O Imperador de Roma, Aureliano (270-275) tornou oficial e tradicional a comemoração do sol nascente e invencível.

Acontece que no dia 22 de dezembro ocorre o solstício de inverno no hemisfério Norte, isto é, o dia em que a Terra tem o seu eixo vertical com a máxima inclinação, fazendo com que no Norte se tenha o dia mais curto e a noite mais longa do ano; ao contrário do que ocorre no hemisfério Sul na mesma data.

Os romanos pagãos consideravam isso uma ameaça dos deuses, porque dia-a-dia, na chegada do inverno, as horas de sol sobre a Terra diminuía, até chegar ao máximo que eles consideravam ser no dia 25  de dezembro. Então, por medo ofertavam aos deuses desagravos, rituais e celebrações longas, para impedir que a ira dos deuses impedisse a luz do sol de iluminar a Terra.

Os cristãos, embora convertidos, tinham saudades dessas majestosas festas do Sol Invicto Nascente, que começava a voltar a iluminar a Terra. Pedagogicamente, e sabiamente, a Igreja passou a comemorar nesse mesmo dia, o nascimento do verdadeiro Sol, como disse o profeta Malaquias,  “Sol da Justiça que traz a salvação em seus raios” (Ml 3, 20). Então, o Messias Salvador passou a ser  mostrado na cultura deles, a “Luz para iluminar as nações” (Lc 2, 32). “Eu sou a Luz do mundo” (Jo 1, 9).

Com base em um antigo mosaico do século III, encontrado no Vaticano no Mausoléu dos Iulii, onde se vê as imagens de Cristo e do Sol sobre uma carruagem triunfante, acredita-se que o Imperador Constantino, que construiu a primeira Basílica de São Pedro, ter sido um dos primeiros a fixar nessa data a celebração do Natal. Mas a declaração oficial da Igreja foi feita pelo Papa Júlio I (337-352). E o primeiro calendário a marcar esse fato foi editado por Filocalos (354).

Sabemos que Jesus prometeu a Pedro, o Papa, que tudo o que ele ligasse na Terra seria ligado no céu (Mt 16,19); é um carisma da Cátedra infalível do Papa. Assim, pela Promessa de Jesus, o céu também celebra o Nascimento do Salvador em 25 de dezembro. Desta forma, a Igreja nos ensina que quando celebramos uma festa litúrgica, fixada pelo Papa, participamos das mesmas graças dispensadas por Deus no próprio acontecimento comemorado. Logo, celebrar o Natal em 25 de dezembro, com fé, é receber as graças do Nascimento de Jesus, qualquer que tenha sido o dia em que nasceu.  Abramos o coração, acolhamos o Redentor feito homem e lhe demos glória como os Anjos, os pastores de Belém e os Reis Magos. “Glória in excelsis Deo”.

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/a-importancia-de-celebrar-o-nascimento-de-jesus-no-dia-25-de-dezembro/)

Papa aprova virtudes heroicas de leigo polonês amigo de João Paulo II

Jerzy Ciesielski, sua esposa e Karol Wojtyla

VATICANO, 19 Dez. 13 / 03:39 pm (ACI).- Na manhã de ontem o Papa Francisco aprovou a promulgação do decreto de virtudes heroicas do Servo de Deus Jerzy Ciesielski, leigo e pai de família polonês amigo de João Paulo II.

Jerzy Ciesielski nasceu em 12 de fevereiro de 1929 em Cracóvia (Polônia), e em 1957 casou-se com Danuta Plebaczyk, com quem teve três filhos, Maria, a mais velha, Catalina e Pedro, que foram criados na fé da Igreja.

O casamento foi celebrado pelo então sacerdote Karol Wojtyla, que depois os acompanhou em seu crescimento espiritual, em 29 de junho de 1957.

Em seu livro “Cruzando o limiar da esperança”, João Paulo II escreveu sobre Jerzy que “nunca mais vou me esquecer de um rapaz, estudante do politécnico de Cracóvia, do qual todos sabiam que aspirava com decisão à santidade. Ele tinha esse programa de vida. Ele sabia ter sido ‘criado para os grandes ideais’, como se expressou certa vez São Estanislau Kostka”.

“E, ao mesmo tempo, não tinha dúvida alguma de que sua vocação não era nem o sacerdócio nem a vida religiosa. Sabia que devia ser um leigo. O que mais o apaixonava era o trabalho profissional, bem como os estudos de engenharia. Procurava uma companheira para a vida, e a procurava de joelhos, na oração“.

O Papa polonês assinalou em seu livro que “jamais poderei esquecer o colóquio em que, depois de um dia especial de retiro, me disse: ‘penso que exatamente esta moça vai ser minha esposa, e é Deus quem vai dá-la para mim’. Como se não seguisse apenas a voz dos seus desejos, mas antes de tudo a voz do próprio Deus. Sabia que d´Ele vem todo o bem, e fez uma boa escolha”.

“Estou falando de Jerzy Ciesielski, desaparecido em um trágico acidente no Sudão, para onde foi enviado para ensinar na universidade, e cujo processo de beatificação já foi iniciado”.

Com efeito, Jerzy faleceu em um acidente no rio Nilo, no Sudão, junto com os seus dois filhos mais novos, Catalina e Pedro, em 9 de outubro de 1970.

O funeral foi presidido por Karol Wojtyla, e foi enterrado em Cracóvia (Polônia).

A investigação diocesana para elevar Jerzy aos altares começou em 31 de dezembro de 1985, e em 1995 se submeteu à Positio da Congregação para as Causas dos Santos.

Com a promulgação das suas virtudes heroicas aprovadas ontem pelo Papa Francisco, restaria que se provem dois milagres realizados pela sua intercessão para que o Servo de Deus Jerzy Ciesielski seja proclamado primeiro beato e depois santo.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26465)

O Papa explica que o natal é a festa da confiança e da esperança, que supera o pessimismo.

Texto da catequese do Papa Francisco na audiência da quarta-feira
Por Redacao

ROMA, 18 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – Queridos irmãos e irmãs bom dia,

Este nosso encontro se desenvolve no clima espiritual do Advento, tornado ainda mais intenso pela Novena do Santo Natal, que estamos vivendo nestes dias e que noz conduz às festas natalícias. Por isso, hoje gostaria de refletir convosco sobre o Natal de Jesus, festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo. E a razão da nossa esperança é esta: Deus está conosco e confia ainda em nós. É generoso este Deus Pai! Ele vem morar com os homens, escolhe a terra como sua morada para estar junto ao homem e fazer-se encontrar lá onde o homem passa os seus dias na alegria ou na dor. Portanto, a terra não é mais somente um “vale de lágrimas”, mas é o lugar onde o próprio Deus colocou a sua tenda, é o lugar do encontro de Deus com o homem, da solidariedade de Deus com os homens.

Deus quis partilhar a nossa condição humana ao ponto de fazer-se uma só coisa conosco na pessoa de Jesus, que é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Mas há algo ainda mais surpreendente. A presença de Deus em meio à humanidade não foi realizada de modo ideal, sereno, mas neste mundo real, marcado por tantas coisas boas e ruins, marcado por divisões, maldade, pobreza, prepotência e guerras. Ele escolheu habitar a nossa história assim como ela é, com todo o peso de seus limites e dos seus dramas. Assim fazendo, demonstrou de modo insuperável a sua inclinação misericordiosa e repleta de amor para com as criaturas humanas. Ele é o Deus-conosco; Jesus é Deus-conosco. Vocês acreditam nisso? Façamos juntos esta profissão: Jesus é Deus-conosco! Jesus é Deus-conosco desde sempre e para sempre conosco nos nossos sofrimentos e nas dores da história. O Natal de Jesus é a manifestação de que Deus colocou-se de uma vez por todas do lado do homem, para nos salvar, para nos levantar do pó das nossas misérias, das nossas dificuldades, dos nossos pecados.

Daqui vem o grande “presente” do Menino de Belém: Ele nos traz uma energia espiritual, uma energia que nos ajuda a não nos abatermos com os nossos cansaços, os nossos desesperos, as nossas tristezas, porque é uma energia que aquece e transforma o coração. O nascimento de Jesus, de fato, nos traz a bela notícia de que somos amados imensamente e singularmente por Deus, e este amor não somente o faz conhecer, mas o doa, comunica-o!

Da contemplação alegre do mistério do Filho de Deus nascido por nós, podemos tirar duas considerações.

A primeira é que se no Natal Deus se revela não como um que está no alto e que domina o universo, mas como Aquele que se rebaixa, vem à terra pequeno e pobre, significa que para sermos similares a Ele nós não devemos nos colocar sobre os outros, mas antes rebaixar-nos, colocarmo-nos a serviço, fazer-nos pequenos com os pequenos e pobres com os pobres. Mas é uma coisa ruim quando se vê um cristão que não quer rebaixar-se, que não quer servir. Um cristão que se exibe sempre é ruim: aquele não é cristão, aquele é pagão. O cristão serve, rebaixa-se. Façamos com que estes nossos irmãos e irmãs não se sintam nunca sozinhos!

A segunda consequência: se Deus, por meio de Jesus, envolveu-se com o homem a ponto de tornar-se como um de nós, quer dizer que qualquer coisa que fizermos a um irmão ou a uma irmã a teremos feito a Ele. Recordou isso o próprio Jesus: quem tiver alimentado, acolhido, visitado, amado um dos mais pequeninos e dos mais pobres entre os homens, terá feito isso ao Filho de Deus.

Confiemo-nos à materna intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa, para que nos ajude neste Santo Natal, agora próximo, a reconhecer na face do nosso próximo, especialmente das pessoas mais frágeis e marginalizadas, a imagem do Filho de Deus feito homem.

(Tradução Canção Nova / Jéssica Marçal)

(Fonte: Agência Zenit)

Natal, a Festa da confiança e esperança

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 18-12-2013, Gaudium PressA última Audiência Geral do Papa Francisco neste ano reuniu milhares de fiéis nesta quarta-feira, 18. Aglomerados na Praça São Pedro, o público não se importou com as baixas temperaturas para ouvir de perto a catequese do Santo Padre.

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De acordo com os dados levantados pela Prefeitura da Casa Pontifícia, mais de 1,5 milhão de peregrinos participaram das 30 audiências com o Papa neste ano.

Sobre a reflexão do dia, o Pontífice comentou sobre o tema “Natal de Jesus, a festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo”. Segundo ele, a “razão da nossa esperança é Deus que está conosco e ainda confia em nós”, pois, pelo fato do Senhor permanecer ao lado do homem, “que transcorre os seus dias na tristeza e na alegria”, “a terra não é mais somente um ‘vale de lágrimas’, mas é um local onde Deus mesmo fixou a sua tenda” para se encontrar com os seus filhos.

“A presença de Deus em meio à humanidade não se deu em um mundo ideal, idílico, mas neste mundo real, caracterizado por tantas coisas boas e ruins, marcado por divisões, maldades, pobreza, prepotência e guerras. Ele escolheu habitar na nossa história assim como é, com todo o peso dos seus limites e dos seus dramas”, explicou.

Para o Santo Padre, o Natal é a manifestação de Deus ao lado do homem, onde Ele se colocou para nos salvar e levantar do pó dos nossos pecados, nos proporcionando “uma energia espiritual que nos ajuda a não nos deixar abater pelos nossos cansaços, nossos desesperos, nossas tristezas, porque é uma energia que aquece e transforma o coração”.

“O nascimento de Jesus, de fato, nos traz a bela notícia de que somos amados imensamente e singularmente por Deus, e este amor não somente o faz conhecer, mas o dá, o comunica”.

Ao fazer duas considerações da contemplação alegre do mistério do Filho de Deus, o Papa observou inicialmente que, “para sermos parecidos com Ele, não devemos nos colocar acima dos outros, mas sim abaixarmo-nos, colocarmo-nos a serviço, nos fazendo pequenos para com os pequenos e pobres para com os pobres”.

Na segunda consideração, o Pontífice afirmou: se Deus, por meio de Jesus, quis envolver-se com o homem a ponto de tornar-se como um dele, “qualquer coisa que fizermos a um irmão ou a uma irmã, estaremos fazendo a Ele mesmo”.

Concluindo sua reflexão, o Papa pediu a intercessão de Nossa Mãe, a Virgem Maria Santíssima, para que possamos neste Natal “reconhecer na face do próximo, especialmente dos mais fracos e marginalizados, a imagem do Filho de Deus feito homem”.

“Que nos vossos corações, famílias e comunidades, resplandeça a luz do Salvador, que nos revela o rosto terno e misericordioso do Pai do Céu. Ele vos abençoe com um Ano Novo sereno e feliz!”. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/54044#ixzz2nuo6szT2)

“Vamos deixar que Deus escreva a nossa história”

Depois da missa, o papa Francisco recebe os cumprimentos de aniversário de quatro sem teto e dos funcionários da Casa Santa Marta

Por Luca Marcolivio

ROMA, 17 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – É um dia diferente na Casa Santa Marta. É o dia do 77º aniversário do seu inquilino mais famoso. O papa Francisco celebrou a missa desta manhã com a presença de todo o pessoal da casa. A eucaristia foi concelebrada com o cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio de Cardeais.

No final da missa, o Secretário de Estado Vaticano, dom Pietro Parolin, apresentou ao papa os parabéns em nome de todos os seus colegas da Secretaria de Estado. Dom Konrad Krajewski, esmoleiro de Sua Santidade, apresentou a Francisco quatro convidados sem teto.

O encontro terminou com um coro de parabéns entoado por todos os presentes. Logo em seguida, o papa Francisco foi tomar café da manhã acompanhado por todos os participantes da missa.

Na homilia, falando sobre o evangelho de hoje (Mt 1,1-17), que descreve a genealogia de Jesus, o Santo Padre brincou: “Já ouvi alguém dizer que esta passagem do evangelho parece a lista telefônica”.

Mas ela é, explicou o papa, uma passagem importante, que nos lembra que “Deus se tornou história” e que Jesus é “consubstancial ao Pai”, mas também “consubstancial à Mãe”, a Virgem Maria.

Depois do pecado original, disse o papa, Deus quis “trilhar o caminho conosco”, a partir de Abraão, passando por Isaac e Jacó, até chegar a cada um de nós.

“Deus não queria vir nos salvar sem história. Ele quis fazer história conosco”, uma história “que vai do pecado à santidade” e na qual há “tanto santos quanto pecadores”.

Deus também fez história com “os grandes pecadores”, com aqueles que “não responderam a tudo o que Deus pensou para eles”, como “Salomão, tão grande, tão inteligente, e que terminou, coitado, sem nem saber como se chamava”.

É como se Deus pegasse o nosso nome para transformá-lo no “seu sobrenome” e assim poder dizer: “Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, de Pedro, de Marieta, de Armony, de Marisa, de Simão, de todos”.

Em certo sentido, Deus “nos deixou escrever a sua vida”, seguindo “a nossa história de graça e de pecado”. Isso mostra “a humildade de Deus, a paciência de Deus, o amor de Deus”, que comove.

Ao chegar o Natal, “se Ele fez a sua história conosco, se Ele adotou o nosso nome como seu sobrenome, se Ele nos deixou escrever a sua história, vamos deixar pelo menos que Ele escreva a nossa história”.

A santidade consiste precisamente em deixar que “Deus escreva a nossa história”, concluiu o pontífice.

(Fonte: Agência Zenit)

Vigília de adoração em Roma pelo aniversário do papa Francisco

Nesta terça-feira 17, o Santo Padre cumpre 77 anos e o Centro San Lorenzo prepara 24 horas de oração ininterrupta para orar por ele

Por Redacao

ROMA, 16 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – Os jovens de Roma rezarão durante 24 horas seguidas diante do Santíssimo Sacramento para pedir pelo papa Francisco no dia do seu 77 º aniversário. A oração começará esta noite às 23h59 e terminará amanhã às 24hs. O lugar será a Igreja de São Lorenzo em Piscubus no Centro Internacional São Lorenzo. Ao longo do dia se celebrarão duas missas, uma pela manhã, às 6h e outra pela tarde, às 18h.

Nesta iniciativa, denominada #AuguriFrancesco, participarão movimentos eclesiais, associações de jovens, comunidades e grupos de oração que se alternarão a cada hora. A idéia surgiu da associação Papaboys, com o Centro São Lorenzo que ofereceu a disponibilidade do local, e também graças à colaboração dos Cavaleiros Templários Católicos que garantiram a permanência durante 24 horas diante do Santíssimo Sacramento. A noite de amanhã, a partir das 21hs será coordenada por vários grupos de adoração eucarística.

E “Por que uma maratona de Adoração Eucarística como presente de aniversário para o papa Francisco?”, se perguntam os organizadores no comunicado difundido para divulgar a iniciativa. “Porque a frase mais usada pelo santo padre desde o início do seu pontificado é ‘rezai por mim”.

Os jovens que promovem a iniciativa fazem uma chamada a meninas e meninos de todo o mundo para que se unam a eles com um momento de oração nas suas próprias casas ou paróquias.

O Centro San Lorenzo foi fundado em 1983 pelo Papa João Paulo II para que os jovens pudessem enriquecer-se e aprofundar a sua fé através da oração, os sacramentos e a comunidade católica. A missão assumiu uma maior importância no momento em que o pontífice polonês, em 1984 , doou a este Centro a Cruz da Jornada Mundial da Juventude.

A principal missão do Centro é a de testemunhar a todos os jovens do mundo a mensagem de esperança e de salvação de Cristo. Esta missão se cumpre oferecendo-lhes diálogo com Cristo e compartilhando o encontro com os outros. Da mesma forma, dão a possibilidade de receber os sacramentos e viver momentos de oração e ter uma experiência comunitária com os jovens.

(TRAD TS)

(Fonte: Agência Zenit)

Angelus do Papa: “a Igreja não é um refúgio para pessoas tristes”

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 16-12-2013, Gaudium Press) No Angelus deste domingo, 15, em vista da proximidade do Natal, o Papa Francisco afirmou que “a Igreja não é um refúgio para pessoas tristes”, pois “a Igreja é a casa da alegria”.

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O Santo Padre saudou de forma particular as crianças, que seguravam nas mãos imagens de presépio do Menino Jesus, pedindo para que o Pontífice as abençoassem.

De acordo com o Papa, neste domingo “Gaudete”, considerado um domingo de alegria, nos alegramos “porque o Senhor está próximo”, pois a mensagem cristã é a boa notícia “para o povo inteiro”.

Para o Santo Padre, “a alegria do Evangelho não é uma alegria qualquer. Encontra a sua razão no saber-se acolhidos e amados por Deus”, que “vem nos salvar e presta socorro especialmente aos que têm o coração desanimado”.

“A sua vinda ao nosso meio nos revigora, torna-nos firmes, dá-nos coragem e faz-nos exultar e florescer o deserto e o descampado, ou seja, a nossa vida quando se torna árida. E quando se torna árida? Quando se encontra sem a água da Palavra de Deus e do seu Espírito de amor”, explicou.

O Papa alertou também os fiéis que “não nos é permitido ser fracos e vacilantes diante das dificuldades e de nossas próprias fraquezas”, pois somos convidados a revigorar as mãos, a robustecer os joelhos, a ter coragem e não temer.

“Deus mostra sempre a grandeza da sua misericórdia”.

Ainda segundo o Pontífice, Deus nos espera e está sempre conosco, pelo fato de Ele nos amar e ser misericordioso, perdoando e dando força para começarmos tudo de novo. “Somos capazes de reabrir os olhos, superar a tristeza e o pranto e entoar um canto novo”.

A “alegria verdadeira”, conforme o Papa, “permanece também na provação e também no sofrimento”, “porque não é uma alegria superficial”, que “cala no profundo da pessoa que se entrega a Deus e confia n’Ele”.

“Por isso, quando um cristão se torna triste, significa que se distanciou de Jesus. Então não podemos deixá-lo sozinho. Devemos rezar por ele e fazer-lhe sentir o calor da comunidade”, disse.

No final, o Papa Francisco evocou Nossa Senhora, a fim de que “obtenha para nós viver a alegria do Evangelho na família, no trabalho, na paróquia e em todo ambiente”, “uma alegria íntima, feita de estupor e ternura”. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53944#ixzz2njAt4pq3)

Arcebispo católico preso em marcha contra a discriminação aos cristãos

A polícia lança jatos de água suja nos cristãos que participavam da marcha (Foto UCANews)

ROMA, 12 Dez. 13 / 04:53 pm (ACI).- A polícia prendeu ontem o Arcebispo católico de Nova Delhi (Índia), Dom Anil Couto, que estava participando junto com outros líderes religiosos em uma marcha pacífica de protesto pela discriminação da casta dos dálits (a classe mais baixa do país), a maioria dos quais são cristãos.

Os manifestantes chegaram à zona de Jantar Mantar e se dirigiram ao Parlamento da Índia, assim o indicou o Padre Joseph Chinnayyan, vice-secretário geral e porta-voz da Conferência Episcopal da Índia.

A manifestação pacífica a favor dos direitos dos dálits e outras minorias étnicas e religiosas foi convocada por uma ampla aliança ecumênica, com o Arcebispo Anil Couto, outros bispos católicos índios, bispos protestantes, líderes evangélicos, numerosos sacerdotes, religiosas e pastores, e também representantes islâmicos.

A polícia usou potentes canhões de água suja a pressão contra os manifestantes e colocou os líderes da manifestação em furgões e ônibus, prendendo o Arcebispo de Nova Delhi, Dom Anil Couto, os bispos protestantes Alwan Masih (anglicano) e Roger Gaikwad, o líder evangélico Vijayesh Lal e o católico John Dayal, secretário geral da ‘All India Christian Council’, entre outros líderes.

Conforme assinala a agência Fides, a marcha pedia a derrogação do Decreto Presidencial de 1950 que legaliza a discriminação, negando direitos iguais a cristãos e muçulmanos de origem dálit. Na Índia há 24 milhões de dálits, dos quais 17 milhões são cristãos.

(Fonte: ACI Digital)

Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América

Por volta de 1531, os missionários espanhóis haviam já aprendido a língua dos indígenas para fins de evangelização. Conforme a antiga tradição, foi justamente nesse ano que a Virgem Mãe de Deus apareceu ao recém convertido Juan Diego (João Diogo, em Português), um piedoso índio, na colina de Tepeyac, perto da capital do México. Com muita afabilidade o exortou a ir ter com o Bispo e pedir-lhe que nesse lugar erguessem um Santuário em sua honra. O Bispo da diocese, Dom Frei João de Zumárraga retardou a resposta a fim de averiguar, cuidadosamente, o que tinha acontecido. Quando Juan, movido por uma segunda aparição e nova insistência da Santíssima Virgem, renovou as suas súplicas, entre lágrimas, ordenou-lhe o bispo que pedisse um sinal que comprovasse de que a ordem vinha realmente da grande Mãe de Deus.
Vindo Juan, certo dia, de um lugar mais distante, por um caminho que não passa pela colina de Tepeyac e dirigindo-se à capital, à procura de um sacerdote que administrasse os últimos sacramentos ao tio moribundo, a Virgem veio ao seu encontro, pela terceira vez, e consolou-o com a notícia do completo restabelecimento do tio, colocando-lhe no manto estendido belíssimas flores que haviam desabrochado há pouco tempo, apesar da esterilidade do terreno e do inverno: “Escuta, meu filho, não temas; não fiques preocupado ou assustado; não tens que temer essa doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui ao teu lado? Eu sou a Mãe dadivosa. Não te escolhi para mim e não te tomei ao meu cuidado? Não permitas que nada te aflija ou perturbe. Quanto à doença do teu tio, não é mortal. Acredita: agora mesmo ficará curado.”
Ao ouvir estas palavras, o piedoso vidente voltou a renovar o seu oferecimento para levar o sinal ao Bispo.
A SS. Virgem mandou-o ao lugar onde a tinha visto pela primeira vez, dizendo-lhe que lá encontraria uma grande variedade de flores. Que as colhesse e as trouxesse.
Subiu Juan Diego ao alto da colina. No frio mês de Dezembro, naquela terra árida e rochosa, onde nem vegetação havia, tinham brotado abundantes rosas de cor e perfume maravilhosos. Nossa Senhora colocou-as no “poncho” (manta com um buraco no meio por onde enfiavam a cabeça) e mandou levá-las ao Bispo que com este sinal se havia de convencer.

Juan Diego obedeceu e, ao despejar as flores perante o Bispo, apareceu uma linda pintura de Nossa Senhora tal como ela se mostrara na colina perto da cidade. O bispo acompanhou Juan ao local designado por Nossa Senhora e depois foi ver o tio dele, já curado. Este, ouvindo descrever a Senhora, assentiu sorrindo: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou-me. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac. Disse que sua imagem seria chamada Santa Maria de Guadalupe, embora não tenha explicado o porquê.”

A fama do milagre espalhou-se rapidamente por todo o território. Os cidadãos, profundamente impressionados por tão grande prodígio, procuraram guardar respeitosamente a santa Imagem na capela do paço episcopal. Mais tarde, após várias construções e ampliações, chegou-se ao magnífico templo actual. De toda a parte e não só do México, acorrem os homens à Senhora de Guadalupe.

Em 1754, escrevia o Papa Bento XIV: “Nela tudo é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros; uma Imagem estampada num tecido tão transparente que se pode ver através dele facilmente o povo e a nave da Igreja: uma imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem na nitidez das cores, pelas emanações da humidade do lago vizinho que já corroeram a prata, o ouro e o bronze… Deus não procedeu assim com nenhuma outra nação.”

Em outros santuários marianos, a fé move os devotos, mas em Guadalupe a celestial visão nunca cessa. Junto a essa presença maternal, ninguém se sente como um filho culpado de Adão; cada qual experimenta a inocente simplicidade e o doce aconchego de um filho amoroso.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

Papa Francisco: a Virgem de Guadalupe é um abraço para os habitantes da América

Continente que abriga povos diversos é capaz de respeitar a vida desde o ventre materno até a velhice, além de acolher os imigrantes, diz o pontífice

Por Redacao

ROMA, 11 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – Durante a audiência desta quarta-feira, o papa Francisco falou da padroeira das Américas, Nossa Senhora de Guadalupe.

“Amanhã é a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira de toda a América. Nesta ocasião, eu quero cumprimentar os irmãos e irmãs daquele continente, pensando na Virgem do Tepeyac”, disse Francisco.

O papa lembrou que a Virgem Maria, “quando apareceu para São Juan Diego, se mostrou com o rosto de uma mulher mestiça e seus vestidos estavam cheios de símbolos da cultura indígena. Seguindo o exemplo de Jesus, Maria vem até os seus filhos, acompanha o seu caminho como mãe solícita, compartilha as alegrias e as esperanças, os sofrimentos e as angústias do povo de Deus, do qual todos os povos da terra são chamados a fazer parte”.

Na véspera da festa de Nossa Senhora de Guadalupe, o papa afirmou ainda: “A aparição da Virgem na tilma [o manto] de Juan Diego foi um sinal profético de um abraço, o abraço de Maria para todos os habitantes das vastas terras americanas, para aqueles que já estavam lá e para os que chegariam depois”.

“Este abraço de Maria marcou a estrada que sempre caracterizou a América: ser uma terra em que povos diferentes podem conviver, uma terra capaz de respeitar a vida humana em todas as suas fases, desde o ventre materno até a velhice, capaz de acolher os imigrantes e os pobres e marginalizados de todas as épocas. Uma terra generosa”.

“Esta é a mensagem de Nossa Senhora de Guadalupe e é também a minha mensagem, a mensagem da Igreja (…) Encorajo todos os habitantes do continente americano a ficarem sempre de braços abertos, como a Virgem Maria, com amor e ternura”.

“Rezo por todos vocês, queridos irmãos e irmãs de toda a América, e rezem também vocês por mim”. O papa terminou o discurso fazendo votos de “que a alegria do Evangelho esteja sempre nos seus corações. Que nosso Senhor os abençoe e Maria os acompanhe”.

(Fonte: Agência Zenit)

Guadalupe, Latino americanos e Simbologia

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Nossa Senhora de Guadalupe: Uma prova de amor para com os povos americanos

Os povos pré-hispanos do México, transmitiam e conservavam a memória da sua história de geração em geração através de canções e poemas que foram transcritas pelos números e símbolos hieroglíficos, rudes fibras de cactos, algodão, couros ou cascas de árvore. Estes são chamados de “códices”.

Por sua parte, os historiadores são unânimes em afirmar que a figura de Nossa Senhora de Guadalupe ou impresso na Tilman Ayate , poncho típico dos povos indígenas do México, cujo proprietário era São Juan Diego, e esta repleto de figuras simbólicas. Característica que torna ainda mais exclusivo, porque foi destinado a pessoas que comunicaramguadalupe_1.jpg precisamente através de imagens e símbolos. Na opinião Indígena, a estampa da “Mãe de Deus” não era apenas um retrato, bonito e extraordinário, como o foi para os missionários e conquistadores, mas era uma mensagem, ou um “códice” vindo dos céus.

Através desta demonstração sobrenatural, Nossa Senhora de Guadalupe, expressou sua afeição por todas aquelas pessoas especiais, sua bondade e misericórdia sem limites e uma suavidade que até então os índios nunca tinha provado.

Analisemos alguns destes símbolos presentes na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.

O cinto e o resplendor

Nossa Senhora de Guadalupe é apresentada com um cinto que não está localizado em sua cintura, mas, acima. Foi o sinal para os índios que estava grávida. A quem dará à luz? Ao sol resplandecente. O grande resplendor que Nossa Senhora tem por trás dela, e que saia Dela é o sol. Para os habitantes do México, esse astro é um símbolo da divindade. Logo, a senhora da figura não era outra senão a Mãe de Deus.

Data da aparição

Existe um fato significativo, ligado ao símbolo do sol. E está relacionado com o chamado solstício de inverno. Em todo o hemisfério sul, ocorre em 22 de junho. Por causa da inclinação do eixo da Terra, o Sol atinge o seu máximo de distância do equador. É o início do inverno, e também o dia mais tarde quando o sol nasce e se poe mais tarde. Por essa razão, aliás, é o mais curto dia e a noite mais longa do ano. No hemisfério norte, que fica localizado no México, neste inverno solstício ocorre em 22 de dezembro. Desde tempos imemoriais, os povos pagãos acreditavam que a data como a mais importante do ano, pelo simbolismo do sol que depois de se pôr volta a crescer. Os povos pré-colombianos do México, muito conhecedores da astronomia tinham naquele dia na mais alta consideração religiosa, era o dia em que o sol moribundo recobrava vigor, era o retorno a vida, era o surgimento da luz, a vitoria sobre as trevas.

A aparição de Nossa Senhora de Guadalupe se deu exatamente nessa ocasião. Embora, nesse momento, como registrado em 12 de dezembro (e por respeito pela tradição é a data que se mantém até hoje), foi um erro do calendário Juliano então em vigor, e que foi corrigida mais tarde.

Para reforçar a impressão que causou, ao mesmo tempo o famoso cometa Halley’s atingiu o seu zenit nos céus mexicanos.

Seu manto de estrelas

De acordo com estudos recentes que podem ser comprovadas com precisão admirável, no manto de Nossa Senhora, estão representadas as mais brilhantes estrelas das principais constelações visíveis no Vale de Anahuac -atual cidade do México- no dia da aparição. Foi mais uma prova aos índios que a senhora vinha do céu.

A flor de Quatro Pétalas

Se tivermos um olhar para o manto de Nossa Senhora, abaixo da cintura deve ver uma pequena flor de quatro pétalas. Esta flor é Nahui-Hollín, de grande importância na perspectiva indígena do universo. Ela representa a antiga cidade de Tenochtitlán, a capital asteca, e em particular a colina do Tepeyac, onde se deu a aparição de Nossa Senhora. Também representadas, a plenitude da presença de Deus. Era outra indicação, que a senhora com o manto de estrelas, levava em seu puríssimo seio o Deus único e verdadeiro.guadalupe_2.jpg

O resto das flores e figuras impressas em suas vestes não estão colocadas ali ao acaso. Correspondem às diferenças geográficas do México, que os indígenas interpretavam à perfeição.

O cabelo

Nossa Senhora traz o cabelo solto que entre todos os Astecas era um sinal de virgindade. Portanto, a mostra de que a senhora é virgem e mãe.

O Rosto

Por fim, Nossa Senhora quis mostrar-se com traços mestiços, rosto moreno e ovalado, dizendo que ela quer ser a mãe amorosa de todos os habitantes da América.

Muitos outros símbolos podem ser vistos na extraordinária figura de Nossa Senhora de Guadalupe, e nenhuma delas é aleatória, porque tudo isso está em um altíssimo nível de Sabedoria. Por outro lado, existe uma infinidade de belezas que a virgem oculta, que a ciência com todos os seus avanços tecnológicos não conseguem explicar. Por exemplo, o fenômeno das pupilas, na qual se distinguem com lupa minúsculas figuras humanas. A durabilidade inexplicável do rude manto, nem mesmo o acido sulfúrico caído por acidente conseguiu destruir.

O modo misterioso que foi impressa a figura de nossa Senhora e outros aspectos que proximamente abordaremos. São as maravilhas da “Sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus” como ela mesma se definiu quando falou pela primeira vez com São Juan Diego.

(http://www.gaudiumpress.org/content/53849#ixzz2nGrMm6zZ)

Nossa Senhora de Guadalupe e São Juan Diego

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Redação (Quarta-feira, 11-12-2013, Gaudium Press) – Sendo 12 de dezembro o dia em que se comemora a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, torna-se oportuna a publicação das considerações que hoje transcrevemos:

Pensa-se geralmente que João Diego era um indígena “pobre” e de “baixa condição social”. Contudo, sabemos hoje, por diversos testemunhos, que ele era filho do rei de Texcoco, Netzahualpiltzintli, e neto do famoso rei Netzahualcóyolt. Sua mãe era a rainha Tlacayehuatzin, descendente de Moctezuma e senhora de Atzcapotzalco e Atzacualco. Nestes dois lugares João Diego possuía terras e outros bens de herança.

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São João Diego

A este representante das etnias indígenas do Novo Mundo, a Mãe de Deus apareceu há quase quinhentos anos, trazendo uma mensagem de benquerença, doçura e suavidade, cuja luz se prolonga até nossos dias.

Para compreendermos a magnitude da bondosa mensagem de Nossa Senhora, devemos transladar-nos ao ambiente psico-religioso daquele tempo.

De um lado, as numerosas etnias que habitavam o vale de Anahuac, atual Cidade do México, haviam vivido durante décadas sob a tirania dos astecas, tribo poderosa, dada à prática habitual de sangrentos ritos idolátricos. Anualmente, sacrificavam milhares de jovens para manter aceso o “fogo do sol”. A antropofagia, a poligamia e o incesto faziam parte da rotina de vida desse povo.

Os dedicados missionários, chegados ali com os conquistadores espanhóis, viam a necessidade imperiosa de evangelizar aquela gente, extirpando de modo categórico tão repugnantes costumes. Entretanto, os maus hábitos adquiridos, a dificuldade do idioma e, sobretudo, um certo orgulho indígena de não aceitar o “Deus do conquistador” em detrimento de suas divindades, tornavam difícil a tarefa de introduzir nesse ambiente a Luz do mundo.

Deus Nosso Senhor, todavia, em sua infinita misericórdia, querendo que todos os homens “se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2, 4), preparava uma maravilhosa solução para esse impasse.

Nossa Senhora aparece a São João Diego

Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, na atual Cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa que, pouco a pouco, foi-se extinguindo. Nesse momento escutou ele uma lindíssima voz, que no idioma nahualt o chamava pelo nome. Era Nossa Senhora de Guadalupe.

Depois de cumprimentá-lo com muito carinho e afeto, Ela lhe dirigiu estas palavras cheias de bondade: “Porque sou verdadeiramente vossa Mãe compassiva, quero muito, desejo muito que construam aqui para mim um templo, para nele Eu mostrar e dar todo o meu amor, minha compaixão, meu auxílio e minha salvação a ti, a todos os outros moradores desta terra e aos demais que me amam, me invoquem e em mim confiem. Neste lugar quero ouvir seus lamentos, remediar todas as suas misérias, sofrimentos e dores.”

Em seguida, Nossa Senhora pediu a João Diego que fosse ao palácio do Bispo do México, e lhe comunicasse que Ela o enviava e pedia a construção do templo.

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Nossa Senhora aparece a João Diego

Sem hesitar, o “mensageiro da Virgem” foi entrevistar-se com Dom Luís de Zumárraga, e contou-lhe o que havia acontecido. Mas o Bispo não lhe deu crédito e mandou-o voltar outro dia.

Segunda e terceira aparições

Nesse mesmo dia, ao pôr-do-sol, João Diego, pesaroso, foi comunicar a Nossa Senhora o fracasso de sua missão. Com encantadora inocência, pediu a Ela que escolhesse um embaixador mais digno, estimado e respeitado. A Mãe de Deus lhe respondeu: “Escuta, ó menor de meus filhos! Tem por certo que não são poucos os meus servidores, meus mensageiros, aos quais Eu possa encarregar de levar minha mensagem e fazer minha vontade. Mas é muito necessário que vás tu, pessoalmente, e que por teu intermédio se realize, se efetive meu querer, minha vontade. E muito te rogo, filho meu, o menor de todos, e firmemente te ordeno, que vás amanhã outra vez ver o Bispo. E de minha parte faze-o saber, faze-o ouvir o meu querer, a minha vontade, para que este a realize, faça meu templo, que lhe peço. E outra vez dize-lhe que eu, pessoalmente, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envio.”

No dia seguinte, depois de assistir à Missa, João Diego voltou a procurar o Bispo Dom Zumárraga, que o recebeu com atenção, porém mais céptico ainda, dizendo-lhe ser necessário um “sinal” para demonstrar que era realmente a Rainha do Céu que o enviava. Com toda naturalidade, o indígena respondeu que sim, ia pedir à Senhora o sinal solicitado.

Ao cair do sol, como das vezes anteriores, apareceu a João Diego Nossa Senhora, radiante de doçura. Ela aceitou sem a menor dificuldade conceder-lhe o sinal pedido. Para isto, convidou-o a voltar no dia seguinte.

Ele foge, Ela vai ao seu encontro

Todavia, na segunda-feira, dia 11, João Diego não se apresentou à hora marcada. Seu tio, João Bernardino, caiu repentinamente doente, e Diego tentou todos os recursos medicinais indígenas para curá-lo. Foi em vão. Quando o enfermo percebeu a aproximação da morte, sendo já cristão fervoroso, pediu a seu sobrinho que lhe tentasse trazer um sacerdote.

Pressuroso, João Diego saiu ao amanhecer do dia 12 em busca do confessor. Mas decidiu tomar um caminho diferente do habitual, para que a “Senhora do Céu” não lhe aparecesse, pois pensava: “Ela vai me pedir satisfação de sua incumbência e não poderei buscar o sacerdote.”

Mas sua artimanha não funcionou. Para seu espanto, a Mãe de Deus lhe apareceu nesse caminho. Envergonhado, João Diego tratou de se desculpar com fórmulas de cortesia próprias do costume indígena: “Minha jovenzinha, filha minha, a pequenina, menina minha, oxalá estejas contente.” E depois de explicar-Lhe a enfermidade de seu tio, como causa de sua falta de diligência, concluiu: “Rogo-te que me perdoes, que tenhas ainda um pouco de paciência comigo, porque com isso não A estou enganando, minha filha pequenina, menina minha. Amanhã sem falta virei a toda pressa.” Ao que lhe respondeu Nossa Senhora, com bondade e carinho próprios à melhor de todas as Mães: “Escuta, e põe em teu coração, filho meu, o menor: o que te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe teu rosto, teu coração; não temas esta enfermidade, nem qualquer outra enfermidade e angústia. Não estou eu aqui, tua Mãe? Não estás sob minha sombra e minha proteção? Não sou eu a fonte de tua alegria? Não estás porventura em meu regaço? Tens necessidade de alguma outra coisa? Que nenhuma outra coisa te aflija, nem te perturbe. Não te assuste a enfermidade de teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que já sarou.”

Sinal para o “Mensageiro da Virgem”

Assim que ouviu essas belíssimas palavras, João Diego, muito consolado, creu em Nossa Senhora. Mas era preciso cumprir a missão. Qual era o sinal? Ela lhe ordenou subir à colina de Tepeyac e cortar as flores que ali encontrasse. Esse encargo era impossível, uma vez que lá nunca elas nasciam, e menos ainda nesse tempo de inverno. Mas Diego não duvidou. Subiu a colina e no seu cume encontrou as mais belas e variadas rosas, todas perfumadas e cheias de gotas de orvalho como se fossem pérolas. Cortou-as e as guardou em sua tilma (o poncho típico dos índios mexicanos). Ao chegar embaixo, João Diego apresentou as flores a Nossa Senhora, que as tocou com suas mãos celestiais e voltou a colocá-las na tilma.

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 Estampou-se milagrosamente no tecido a imagem
de Nossa Senhora de Guadalupe

“Filhinho meu, o menor, esta variedade de flores é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu lhe dirás de minha parte que veja nela a minha vontade e que ele tem de cumpri-la. Tu és meu embaixador, no qual absolutamente deposito toda a confiança. Com firmeza te ordeno que diante do Bispo abras tua manta e mostres o que levas.”

João Diego se dirigiu novamente ao palácio de Dom Zumárraga. Depois de muito esperar e insistir, os criados o deixaram chegar à presença do Bispo. O “Mensageiro da Virgem” começou a narrar todo o sucedido com Nossa Senhora e em certo momento estendeu sua tilma, descobrindo o sinal. Caíram as mais preciosas e perfumadas flores e, no mesmo instante, estampou-se milagrosamente no tecido a portentosa Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria Mãe de Deus, que se venera até hoje no Santuário de Guadalupe.

Profundo sentido eclesial e missionário

Assim foi a grande aparição cujo primeiro resultado foi a conversão em grande escala dos indígenas. “O Acontecimento Guadalupano – assinala o episcopado do México – significou o início da evangelização, com uma vitalidade que extravasou todas as expectativas. A mensagem de Cristo, por meio de sua Mãe, tomou os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e deu-lhes o definitivo sentido de salvação.” E o Papa completa: “É assim que Guadalupe e João Diego tomaram um profundo sentido eclesial e missionário, sendo um modelo de evangelização perfeitamente inculturada” (Missa de Canonização, 31/7/2002).

Por isso, determinou Sua Santidade que no dia 12 de dezembro seja celebrada, em todo o Continente, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América (Exortação Apostólica Ecclesia in América). ²

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Na homilia de 31 de julho de 2002, o Santo Padre dirigiu ao recém-canonizado São João Diego esta comovedora oração:joao_paulo_ii.jpg

Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino.

Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimônio, apoia os desvelos dos pais empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada.

Amado Juan Diego, a “águia que fala”! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro. (Homilia no dia da canonização Oração a São João Diego)

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Papa envia mensagem ao continente Americano pelo Dia de Nossa Senhora de Guadalupe

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 11-12-2013, Gaudium PressA Festa de Nossa Senhora de Guadalupe será celebrada pela Igreja no mundo nesta quinta-feira, dia 12 de dezembro. Em vista disso, o Papa Francisco aproveitou a Audiência Geral desta quarta-feira, 11, para enviar uma mensagem para todo o continente americano.nossa_senhora_de_guadalupe.jpg

“Amanhã é a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira de toda a América. Nesta ocasião, quero saudar os irmãos e irmãs do continente, e o faço pensando em Nossa Senhora de Tepeyac”, disse.

Quando apareceu a São Juan Diego, contou o Santo Padre, seu rosto era o de uma mulher mestiça e suas vestes estavam cheias de símbolos da cultura indígena. “Seguindo o exemplo de Jesus, Maria está perto de seus filhos, como uma mãe carinhosa que acompanha o seu caminho, partilha as alegrias e as esperanças, os sofrimentos e as angústias dos homens de Deus, que são chamados a fazer parte de todos os povos da terra”.

Segundo o Papa, a aparição da Imagem da Virgem na tilma (manto) de São Juan Diego foi considerada um sinal profético de um abraço de Maria Santíssima a todos os habitantes das vastas terras americanas.

O abraço da Virgem Santíssima, continuou, “apontou o caminho que sempre caracterizou a América: uma terra onde povos diferentes podem conviver, uma terra capaz de respeitar a vida humana em todas as fases, desde a concepção até a velhice, capaz de acolher os migrantes, assim como os pobres e marginalizados de todas as idades. Uma terra generosa”.

“Esta é a mensagem de Nossa Senhora de Guadalupe, e esta é a minha mensagem, a mensagem da Igreja. Encorajo todos os habitantes do continente americano a ter os braços abertos como a Virgem Maria, com amor e ternura”, acrescentou.

No final, o Papa Francisco afirmou que reza por todos os irmãos e irmãs de todas as Américas, e como de costume, pediu para que rezassem por ele.

“Que a alegria do Evangelho esteja sempre em seus corações. O Senhor os abençoe e Nossa Senhora os acompanhe”, concluiu. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53824#ixzz2nGq8po6Q)

Jovens espanhóis saem às ruas convidando para que se reze diante do Santíssimo Sacramento

Valência – Espanha (Quarta-feira, 11-12-2013, Gaudium PressA cidade espanhola de Valência acolherá novamente, durante os meses de fevereiro e maio a “Nigthfever”, uma iniciativa promovida por jovens da Arquidiocese, onde eles saem às ruas para convidar as pessoas para entrarem no interior das igrejas e assim rezar diante do Santíssimo Sacramento, que permanece exposto durante toda a noite.

Esta campanha, que nasceu após a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2005, em Colônia (Alemanha), e conta com o apoio da Comissão Diocesana da Infância e da Juventude da Arquidiocese de Valência, será realizada mais uma vez na cidade espanhola após o sucesso de duas outras conferências que foram realizadas nos últimos meses de maio e novembro.

“A intenção é que os pedestres possam participar da experiência e aproximar-se de Deus, ainda que levem um tempo sem entrar em uma igreja”, expõem os promotores da iniciativa.

A conferência ocorrerá em Valência no próximo dia 22 de fevereiro a partir das 21h na Paróquia de São Nicolau, e no dia 24 de maio na Basílica da Virgem dos Desamparados.

A iniciativa já atravessou fronteiras e ocorreram experiências semelhantes em países como a Suíça, Grã-Bretanha, Holanda e Canadá, além de outros nos Estados Unidos. (GPE/EPC)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53823#ixzz2nGpbpCSj)

Extremistas hindus torturam e assassinam a um menino de sete anos por ser cristão

ppcristianosindia051213O site ACI informou na última sexta-feira (06/12/13) que Anugrag Gemethi, um menino cristão de sete anos chamavam de “Anmol”, foi torturado e assassinado por extremistas hindus em uma localidade de Rajasthan, no noroeste da Índia.

Os pais de Anmol o viram pela última vez quando saiu de sua casa para a escola dominical. Ao perceberem que o garoto não retornava, fizeram uma denúncia. O corpo –praticamente irreconhecível- foi achado no dia seguinte, 18 de novembro em um hospital.

Segundo o relatório da autópsia, o menor morreu afogado. Entretanto, cinco testemunhas do hospital indicaram que o corpo tinha evidentes sinais de tortura que foram ignorados pelo médico legista.

Mais de 200 pessoas foram ao enterro e ao funeral. “O lamento do povo e dos pais foi dilacerador”, disse uma testemunha presente nos eventos.

Harish Gemethi, pai do menino, disse à polícia que “há anos alguns extremistas hindus locais ameaçam matar-me e prejudicaram minha família muitíssimas vezes”. O homem deu os nomes dos agressores e pediu às autoridades que abrissem inquérito contra os mesmos, mas todas as suas queixas foram ignoradas até o momento.

Na aldeia vive uma comunidade cristã de 45 fiéis. Em setembro, um grupo de extremistas hindus interrompeu um encontro de oração dos fiéis e ameaçaram de morte os presentes.

“A tortura sem precedentes e a morte deste menino inocente entristecem nossos corações embora isto pareça inacreditável” disse K.P. Yohannan, fundador e diretor internacional da associação “Evangelho para a Ásia”. “A perseguição contra os cristãos é um acontecimento semanal, mas esta intensidade da brutalidade contra uma criança é impensável. Apesar de tudo, nesta horrível tragédia, encontramo-nos com a força e a esperança em Jesus” expressou.

Segundo Yohannan, a perseguição aos cristãos cresceu mais de 400 por cento nos últimos anos.

Por sua parte, em uma nota enviada à agência Fides pelo “Catholic Secular Fórum”, adverte-se que “é verdadeiramente horrível que os fundamentalistas hindus não tenham perdoado a vida de um menino de sete anos. O pior é que a polícia não seja capaz de identificar os assassinos e entregá-los à justiça”.

Nesse sentido, o “Catholic Secular Fórum” lançou a campanha “Justiça para o mártir Anmol”, pretendendo sensibilizar líderes da Igreja e das instituições políticas e judiciais pedindo um castigo severo para os assassinos, o fim da perseguição aos cristãos da Índia e uma indenização para a família do menino.

O episódio é o último de uma longa série de ataques contra as minorias religiosas na Índia. Segundo os dados recolhidos pelo Global Council of Indian Christians (GCIC), só em 2011 a minoria cristã sofreu 170 ataques. Trata-se de ofensivas de diferentes tipos perpetradas por grupos vinculados ao movimento nacionalista hindu Sangh Parivar, cujo nome traduzido ao Português é: “Famílias de Associações”, referindo-se ao agrupamento de distintos grupos nacionalistas hindus radicais.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26398

Onde mora a felicidade?

Um_Curso_Em_Milagres“Seja grande. Veja o mundo em um grão de areia. Veja o céu em um campo florido; guarde o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora de vida.”  (William Blake)

O grande anseio de todos nós é sermos felizes; este anseio foi posto em nosso coração pelo Criador. Mas a felicidade parece escapar das nossas mãos; ela não se deixa agarrar facilmente. Parece uma eterna fugitiva do homem.

Para uns ela parece uma miragem que nunca pode ser encontrada; para outros ela está nos prazeres do corpo e da alma.

A verdade é que a felicidade não cai do céu; é uma conquista. Não se encontra a felicidade; a construímos no dia-a-dia da vida. Ela não está fora de nós, mas em nosso interior. Ser feliz não é viver sem problemas e sem lutas; é saber o sentido de tudo isto. O homem constrói a sua felicidade como a abelha faz o mel.

Há uma lenda interessante sobre os deuses. Com medo do homem se tornar perfeito e não precisar mais deles, os deuses reuniram-se para decidir o que fazer. O mais sábio dos deuses disse:  “Vamos dar-lhes tudo, menos o segredo da felicidade”. “Mas se os humanos são tão inteligentes, vão acabar descobrindo esse segredo também!”, disseram os outros deuses. “Não”, respondeu o mais sábio – “vamos esconder a felicidade num lugar onde eles nunca vão achar – dentro deles mesmos”.

A maioria das pessoas está procurando pela felicidade fora de si; olhando em volta para ver se a encontram. Este é um grande e simples segredo: a felicidade mora dentro de nós. Ela depende do que você é, e do que do que você faz.

Existe um ditado oriental que diz: “Se você quer saber como foi seu passado, olhe para quem você é hoje. Se quer saber como vai ser seu futuro, olhe para o que está fazendo hoje”.

Procura-se hoje, a todo custo, aquilo que dê prazer, sensação, prestígio, riqueza e poder, como se aí estivesse a verdadeira felicidade, ao mesmo tempo que se foge de tudo o que possa significar austeridade, auto-domínio, paciência, humildade, desprendimento, temperança…Nunca como hoje houve tantas alternativas de diversões, algumas até pouco se importando com as exigências morais das mesmas; mil artimanhas para fazer o homem e a mulher “felizes”.

Mas, que felicidade?  Será que a temos conseguido?

Quanto mais aumentam as redes de negócios, visando  agradar as pessoas e dar-lhes uma vida “regalada”, tanto mais aumentam os problemas e as frustrações.

A grande crise dos nossos tempos é o conflito do “ter” e do “ser”. Santo Agostinho dizia: “não andes averiguando quanto tens, mas o que tu és”. E ainda: “A verdadeira felicidade não consiste em ter muito, mas em contentar-se com pouco”.

A verdadeira felicidade não pode ser amassada em um acidente, nem roubada pelos ladrões, nem queimada pelo fogo. Só é autêntica a felicidade que não é feita de coisas materiais. Ela é feita de coisas que você não pode tocar com as mãos e nem ver com os olhos: a bondade, a paz, o amor, a segurança, a alegria…

Nunca como hoje, o homem e a mulher precisam tanto de meios para conter as próprias frustrações: psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, e tanta fuga na bebida, no fumo e na droga.

Nunca como hoje se consome tantos calmantes, soníferos e anti-depressivos. A “doença” que mais afasta as pessoas hoje do trabalho é a depressão. Superou as demais. A conclusão é sintomática: a doença não é do corpo, é do espírito.

É preciso parar e meditar. Alegria e felicidade são coisas diferentes; alegria é a felicidade da alma; prazer é a felicidade do corpo. Os prazeres não nos saciarão nunca, pois o corpo é inferior à alma. A grandeza do homem está na sua alma onde estão as suas faculdades maiores: inteligência, liberdade, vontade, consciência, capacidade de amar, de se compadecer… logo, a felicidade duradoura só pode estar na satisfação da alma.

A felicidade está na virtude; sem ela não é possível fazer nada de bom. Ela traz em si a recompensa. Por isso, aprenda a ser feliz; nunca é tarde.

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/onde-mora-a-felicidade)

O tempo de espera

Dallas – Estados Unidos (Terça-feira, 10-12-2013, Gaudium Press“O tempo do Advento é um tempo de espera, um tempo para estarmos alerta”, escreveu Dom Kevin Farrell, Arcebispo da Diocese de Dallas, no Texas (EUA), em seu artigo sobre o período do Advento.

Dom Farrell afirmou que, nas leituras deste Primeiro Domingo do Advento, o profeta Isaías nos recorda da importância de escutarmos a voz do Senhor, da mesma forma como fez Acaz, rei de Judá.bishop_kevin_farrell.jpg

Ao anunciar a primeira de suas muitas profecias, lembrou o prelado, Isaías teria prometido um tempo de paz e justiça ao atribulado Reino de Judá, “no entanto, isso também serviu de aviso para que o rei depositasse sua confiança em Deus”, ao invés de procurar alianças pagãs.

“As Sagradas Escrituras nos dizem que Acaz não queria escutar a mensagem de Deus porque ele acreditava ter uma ideia melhor de como guiar seu povo. Quando nos sentimos impacientes e somos tentados a pensar que a nossa sabedoria é superior a sabedoria de Deus, há um pouco de Acaz em cada um de nós”, explicou.

Para Dom Farrell, o tempo do Advento é um tempo de preparação para que o Senhor venha até nós. “No final de uma queda frenética, todos nós precisamos de um chamado que nos faça despertar de um sono espiritual e nos prepare para a vinda do Senhor”.

“Em seu Evangelho, Mateus repete a mensagem de forma enérgica e clara quando adverte: ‘Vigiai, pois não sabeis em que dia virá o vosso Senhor…Assim também estarão preparados, porque o Filho do Homem virá numa hora em que você menos espera'” (Mt 24, 42-44), afirmou.

No final de seu artigo, Dom Farrell deixou claro que “devemos depositar nossa confiança no Senhor” e “não nas promessas efêmeras que o mundo nos faz”. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53811#ixzz2nBXeDPNU)

A linguagem em São Tomás de Aquino

Redação (Terça-feira, 10-12-2013, Gaudium Press– Transcrevemos considerações sobre a Linguagem em São Tomás de Aquino feitas pelo Padre Antônio Coluço, EP, publicado recentemente em www.presbiteros.arautos.org:

“Em geral a antropologia interpreta a língua como sendo um produto histórico-social. Já na ramificação filosófica desta ciência, o homem é considerado como sendo um ser de “linguagem” e um ser “social” e ao utilizar-se da linguagem, ele se revela e revela a realidade do mundo. Numa perspectiva tomista e antropológica cristã, o homem por ser naturalmente social, não lhe basta sentir, julgar ou querer. Ele deseja comunicar as suas impressões e pensamentos aos seus semelhantes e como veremos, até mesmo com o próprio Deus.

Por isto, não podendo manifestar a ideia propriamente, ele dá sinais e fala. Desta maneira, a linguagem se fundamenta na capacidade que os homens têm para comunicar-se entre si, e isto é feito através de símbolos, entre outros os linguísticos, fazendo com que as sensações ou impressões sejam detectadas por um ou vários dos nossos sentidos.

4.2.1 A capacidade racional do homem e a linguagem

Segundo o Doutor Angélico, os homens superam as outras criaturas devido a sua capacidade racional. No ensaio “Deus – finalidade teleológica do homem, segundo Tomás de Aquino” este conceito é assim explicado:

Esta, [capacidade racional], faz com que os homens tenham o domínio sobre os seus atos, assumindo assim um papel ativo. Some se a isso, o fato do homem caminhar para um fim, a partir de sua própria ação, quando conhece e ama a Deus.

Por motivos especiais, o Aquinense julga que as criaturas racionais estão sujeitas à providência Divina de uma forma diferente dos outros animais. Um desses motivos seria a perfeição da natureza, pois a partir desta os homens passam a ter domínio sobre todos os seus atos, podendo assim, ser considerados livres, ou seja, eles podem agir por si mesmos nas suas operações. Além disso, coloca o homem numa posição mais privilegiada: ‘a dignidade do fim’. (COSTA; ANDRADE, 2007, p.2)

Tomás de Aquino coloca o homem numa posição mais privilegiada por causa da “dignidade do fim”. [1] (AQUINO, 2006)

Continuam Costa e Andrade:

As outras criaturas são mais passivas nas suas ações e só podem atingir uma finalidade por certa semelhança de sua participação. Dito de outra forma, os animais possuem uma natureza instrumental [atuado por outro], ou seja, eles são naturalmente sujeitos à servidão. Já o homem, possui uma natureza de agente principal. [Atuado por si mesmo] (COSTA; ANDRADE, 2007, pp. 2-3)

Sobre este conceito o Magistério da Igreja Católica ensina:

De todas as criaturas visíveis, só o homem é capaz de conhecer e amar o seu Criador, é a única criatura sobre a terra que Deus quis por si mesma; só ele é chamado a partilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Com este fim foi criado, e tal é a razão fundamental da sua dignidade. (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2001, p. 103)[2]

A capacidade linguística do ser humano faz com que ele se diferencie radicalmente do resto dos animais. Por isto, de acordo com esta escola de pensamento, que difere das outras enunciadas neste trabalho, considera que a linguagem não pode ser meramente explicada em termos de operações mecânicas de um corpo material, mas como o resultado de uma mente reacional.

Ao que se conclui, que a incapacidade que os animais têm de utilizarem de uma linguagem – como o vocábulo é empregado neste trabalho – é uma evidência de que não possuem inteligência. Somente os homens, entre os seres vivos, têm o habito de comunicar um pensamento de um para outro, e só ele, entre os seres espirituais, é capaz de expressar-los através de sons sensíveis. A linguagem não torna presente o objeto, mas sim a sua ideia, por meio de um signo que o substitui.

Na “S.C.G.” as naturezas intelectuais têm mais afinidades com o conjunto do que as outras naturezas, pois cada criatura intelectual identifica-se de certo modo com todas as coisas. Segundo Tomás de Aquino, todas as demais substâncias estão sujeitas à providência divina por causa das substâncias intelectuais.[3] (AQUINO, 2006)

Ao que Nunes Costa e Vilar Andrade fazem a seguinte avaliação sobre este postulado tomista:

A substância intelectual, a qual Aquino se refere, usa de todas as coisas por causa dela mesma e isso é uma tarefa constante, não por apenas por conveniência. O Criador do universo ordena todas as coisas para sua operação, esta operação é a ultima perfeição da coisa, ou seja, tanto o homem como os animais recebem de Deus a direção das suas ações, mas no caso do animal, essas direções são apenas por causa da espécie, no caso do homem, elas são em função da espécie do individuo. (COSTA; ANDRADE, 2007, p. 3)

Desta maneira, na linguagem a ligação que existe entre um som sensível com um sentido definido (significado) é possível porque no homem, composto de corpo e alma, não existe uma separação entre a percepção e os pensamentos espirituais, já que as idéias derivam da percepção por abstração e sempre mantêm certa relação com o esquema sensível.

Entre os homens, a compreensão recíproca entre o sujeito que fala e o receptor da mensagem, está no fato de terem uma natureza composta de corpo e alma, e que faz com que sejam capazes, numa dimensão sensível-espiritual, de identificarem intencionalmente o objeto com a idéia. (AGUILAR, 2005)

A função da linguagem é de manifestar exteriormente um pensamento, porém é necessário fazer uma precisão importante a este conceito pois ele pode ser insuficiente.

Para Tomás de Aquino o pensamento é entendido no senso conceptual, ou racional. De maneira que mesmo que alguns animais possam ter acesso a uma expressão simbólica abstrata, não são capazes, pelo menos ainda não se pode estabelecer, que sejam capazes de exprimir uma ideia ou conceito.

Por isto segundo a corrente espiritualista, apesar de que os animais possam utilizar um sistema sofisticado de comunicação para manifestar as suas necessidades (fome, sede) e emoções (desejos, medos, tristezas ou alegrias), porém ao contrário do homem, são incapazes de estabelecer um vinculo entre a exteriorização dos desejos com a transmissão de um pensamento racional.

Na visualização tomista, a linguagem é entendida como sendo um sistema de signos sensíveis pelos quais o homem transmite mensagens de caráter espiritual. Seus elementos, termos de relação e propriedades demonstram que brotam de um ser inteligente e racional, composto de corpo e alma.

4.2.2 O transcendental da linguagem

Na Antiguidade a ênfase está no ser e na natureza, no racionalismo cartesiano a linguagem é um elemento de verificação e já no existencialismo sartreano ela gira em função de uma necessidade individual sem desdobramentos e sem relação com nada de absoluto. Em Tomás de Aquino a linguagem ela está sob um prisma transcendental.

No cosmocentrismo dos antigos gregos, a “physis” é vista como uma realidade eterna e in-criada, na qual não há “alguém” transcendente que tenha criado o mundo. Já para o medieval este “alguém” existe, e é Deus e a realidade é divina e transcendente.

Ao contrário dos antigos gregos, para os medievais existe ‘alguém’ que criou o mundo ou a natureza. Esse ‘alguém’ é Deus. Dessa maneira, se para o pensamento cristão há “algo” além da natureza, então se trata de um pensamento do tempo – da história! – dirigido consoante os desígnios de um puro ser, isto é, Deus. (MEDEIROS, 2006, p.2)

E característica da cultura medieval está presente em Tomás de Aquino enquanto um paradigma.

Em “Santo Tomás de Aquino – Sobre a Diferença entre a Palavra Divina e a Humana” é analisado de como o falar é a operação própria da inteligência na qual entre a realidade descrita pela linguagem e o som da palavra existe um terceiro elemento:

Ora, entre a realidade designada pela linguagem e o som da palavra proferida, há um terceiro elemento, essencial na linguagem, que é o conceptus, o conceito, a palavra interior [verbum interius, verbum mentis, verbum cordis], que se forma no espírito de quem fala e que se exterioriza pela linguagem, que constitui seu signo audível [o conceito, por sua vez, tem sua origem na realidade]. (LAUAND, 1993, p. 6)

4.2.3 “Sumbolh”

O transcendental tomista pode ser relacionado com o “sumbolh” (símbolo) que na Grécia Antiga significava a metade de um objeto quebrado, por exemplo, uma moringa, em que as duas partes eram divididas entre dois contratantes. Para liquidar e terminar uma dívida era preciso dar provas da qualidade do contratante, sendo ele mesmo ou outro de direito, e para isto era necessário que se apresentasse uma das partes para que ao unir à outra, a moringa voltasse a ficar inteira. Para Fafián, a filosofia nasceu na Grécia Antiga ao procurarem fazer uma distinção entre a ciência com o mito e os símbolos, todavia para Platão isto acabou sendo uma constante procura de tentar colar e ligar as duas partes que estão separadas. (FAFIÁN, 2002)

O “sumbolh” em Tomás de Aquino consiste em que a criatura se reporte a Deus, não que o Criador precise de outro pedaço para se complementar, pois Ele é a unidade em essência, todavia para a Sua glória externa pede o que d’Ele volte para Ele, como encontramos em Isaías (55, 10-11):

Isto diz o Senhor: ‘Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi ao enviá-la’. (BÍBLIA SAGRADA, 2000, p. 1015)

Contudo, para a criatura a “moringa” só fica inteira quando os dois pedaços estão ligados. É nessa relação entre Criador e criatura que a linguagem se manifesta, não só como um mero falar, mas atitudes e gestos que expressam o que vai ao seu coração e interior. O Magistério da Igreja interpreta esta formulação:

Os sinais e os símbolos ocupam um lugar importante na vida humana. Sendo o homem um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais através de sinais e símbolos materiais. Como ser social, o homem tem necessidade de sinais e símbolos para comunicar com o seu semelhante através da linguagem, dos gestos e das ações. O mesmo acontece nas suas relações com Deus. (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2001, p. 323)[4]

Na “S.T.”, o filósofo medieval realça que para poder entender o que é Deus, é necessário utilizar-se de analogias para facilitar a compreensão dos nossos sentidos, e é principalmente pela linguagem analógica com os signos e símbolos, de que o “falar” com Deus se estabelece. Conceito com o qual João Paulo II assim se identifica:

De fato, a fé pressupõe claramente que a linguagem humana seja capaz de exprimir de modo universal – embora em termos analógicos, mas nem por isso menos significativos – a realidade divina e transcendente. Se assim não fosse, a palavra de Deus, que é sempre palavra divina em linguagem humana, não seria capaz de exprimir nada sobre Deus. (JOÃO PAULO II, 1998, art. 84)

De acordo com a concepção de Tomás de Aquino, como já descrevemos a linguagem humana é um sistema de signos sensíveis pelos quais nós transmitimos mensagens de caráter espiritual. Seus elementos, termos de relação e propriedades demonstram que brotam de um ser inteligente e racional, composto de corpo e alma.

Certamente ela tem uma função descritiva dos objetos, idéias e acontecimentos, mas não é simplesmente caracterizada por ser a manifestação e a expressão do pensamento, pois os surdos e mudos de nascença podem perfeitamente pensar o mesmo que as outras crianças, sem saber as mesmas palavras comuns e sem uma mesma linguagem articulada. Assim para Tomás de Aquino a linguagem é também uma palavra interior, enquanto um dialogo da alma com ela mesma.

Entretanto a linguagem humana é contingente, subordinada e relacionada aos atributos de um ser absoluto, e aqui temos a presença do transcendental que é o alicerce da escolástica tomista. (MEDEIROS, 2006)

4.2.4 O falar de Deus na Criação

Na concepção de Tomás de Aquino tudo tem a sua origem no Criador, seja a criatura ou a criação em geral é um produto do “falar” de Deus. Sobre este enunciado comenta Lauand:

Assim, para Tomás, a criação é também um ‘falar’ de Deus, do Verbum [razão materializada em palavra]: as criaturas são, porque são pensadas e ‘proferidas’ por Deus: e por isso são cognoscíveis pela inteligência humana.

[…] Assim como a palavra audível manifesta a palavra interior, assim também a criatura manifesta a concepção divina […], as criaturas são como palavras que manifestam o Verbo de Deus. (LAUAND, 2006, p. 23)

Macieras Fafián é participe desta ideia ao ponderar:

O primeiro autor da linguagem é Deus, que instruiu Adão na denominação das criaturas, mas é o homem quem configura a sua linguagem na medida em que se ia dando oportunidade à experiência e o uso das criaturas. (FAFIÁN, 2000, p.50, tradução nossa)

A manifestação da linguagem deve ser analisada a partir dos seus primórdios (ECO, 1993) tal como está descrita no Gênesis (1, 1-8):

No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.

Deus disse: ‘Faça-se a luz!’ e a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas, Deus chamou à luz DIA, e às trevas NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia.

[…] Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento daquelas que estavam por cima. E assim se fez. Deus chamou ao firmamento CÉUS. (BIBLIA SAGRADA, 2000, p. 49)

Para Eco a criação foi um “falar” de Deus, pois “faça-se a luz! e a luz foi feita” (Gênesis 1,3), com isto postula:

A criação se produziu por um ato da palavra, e pelo fato de dar nome as coisas na medida em que vão sendo criada, isto confere a Deus um estatuto ontológico: “E Deus chamou a luz ‘dia’ e as trevas ‘noite’… [e] chamou o firmamento ‘céu'”. (ECO, 1993, p.11, tradução nossa) [5]

Notamos aqui a relação existente entre a criação do universo, enquanto uma realização da vontade divina manifestada através da palavra. As Escrituras no Hino à Providência de Deus confirma esta interpretação quando diz que “A palavra do Senhor criou os céus” e que quando falou “toda a terra foi criada”:

A palavra do Senhor criou os céus,

e o sopro de seus lábios, as estrelas.

Como num odre junta as águas do oceano, e

Mantém no seu limite as grandes águas.

Adore ao Senhor a terra inteira,

e o respeitem os que habitam o universo!

Ele falou e toda a terra foi criada,

Ele ordenou e as coisas existiram. (LITURGIA DAS HORAS, 2000, p. 1016)[6]

Ao desenvolver a sua teoria Umberto Eco se apóia no Gênesis (2, 15-17):

O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Édem para cultivá-lo e guardá-lo. Deu-lhe este preceito: ‘Podes comer do fruto de todas as arvores do jardim; mas não comas do fruto da arvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente. (BIBLIA SAGRADA, 2000, p. 50)

Ao que o pensador italiano comenta:

No 2, 16-17 [Gênesis] pela primeira vez o Senhor fala com o homem, colocando à sua disposição todos os frutos do paraíso terrestre, e advertindo-o que não coma do fruto da árvore do bem e do mal. Há um dúvida em saber em que língua Deus falou com Adão, e uma grande parte da tradição pensará numa espécie de língua de iluminação interior, em que Deus, como acontece em outras partes da Bíblia, se expressa mediante de fenômenos atmosféricos: trovões e relâmpagos. Entretanto se pode interpretar, e aqui surge a primeira possibilidade de uma língua, mesmo sendo intraduzível em termos dos idiomas conhecidos, é compreendida, não obstante, por quem a escuta, por um dom ou estado de graça especial. (ECO, 1993, p. 11. tradução nossa) [7]

Desta maneira, para Tomás de Aquino não é só Deus que fala, mas as próprias criaturas são Suas palavras. No artigo “Diferença entre a Palabra Divina e a Humana” Lauand pondera:

Dentre as muitas e variadas formas de interpretação ‘Deus fala’, há uma especialmente importante nas relações entre Deus e o homem: não é por acaso que João emprega o vocábulo grego Logos [Verbum, razão, palavra] para designar a segunda Pessoa da Ssma. Trindade que ‘se fez carne’ em Jesus Cristo: o Verbum não só é imagem do Pai, mas também princípio da Criação [cfr. Jo 1,3]. E a Criação deve ser entendida precisamente como projeto, design feito por Deus através do Verbo.

[…] Essa concepção de Criação como fala de Deus, a Criação como ato inteligente de Deus, foi muito bem expressa numa aguda sentença de Sartre, que intenta negá-la: ‘Não há natureza humana, porque não há Deus para concebê-la’. De um modo positivo, poder-se-ia enunciar o mesmo desta forma: só se pode falar em essência, em natureza, em ‘verdade das coisas’, na medida em que há um projeto divino incorporado a elas, ou melhor, constituindo-as.

A ‘natureza’, especialmente no caso da natureza humana, não é entendida pela Teologia como algo rígido, como uma camisa de força metafísica, mas como um projeto vivo, um impulso ontológico inicial, um ‘lançamento no ser’, cujas diretrizes fundamentais são dadas precisamente pelo ato criador, que, no entanto, requer a complementação pelo agir livre e responsável do homem.

Nesse sentido, Tomás fala da moral como ultimum potentiae, como um processo de auto-realização do homem; corresponde-lhe continuar, levar a cabo aquilo que principiou com o ato criador de Deus. Assim, todo o agir humano [o trabalho, a educação, o amor, etc.] constitui uma colaboração do homem com o agir divino, precisamente porque Deus quis contar com essa cooperação. (LAUAND, 1993, p. 7)

De acordo com Tomás de Aquino, Deus se revela pela linguagem universal da criação, obra da sua Palavra. Mas, como vimos na citação acima, Deus no seu ato criador pede a cooperação e a participação do homem, e por isto o Seu falar tem que se manifestar através de uma linguagem humana para ser acessível e compreensível aos homens:

Na condescendência de sua bondade, Deus, para revelar-se aos homens, fala-lhes em palavras humanas. Com efeito as palavras de Deus, expressas por línguas humanas, tal como outrora o Verbo do Pai Eterno, havendo assumido a carne da fraqueza humana, se fez semelhante aos homens. (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2001, p. 39)[8]

4.2.5 A Palavra e o Verbo

Nas Sagradas Escrituras, ferramenta fundamental no pensamento de Tomás de Aquino, a palavra de Deus é o Verbo, pois:

Por meio de todas as palavras da Sagrada Escritura, Deus pronuncia uma só Palavra, seu Verbo único, no qual se expressa por inteiro.

Lembrai-vos de que o discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados, o qual, sendo no princípio Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, pois não está sujeito ao tempo. (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2001, p. 39)[9]

Para Tomás de Aquino “verbum” em latim, significa não só a palavra enquanto um som sensível com um sentido definido (significado), mas é também a segunda Pessoa da Ssma. Trindade, que é o Filho. Sobre esta diversidade de significados Lauand pondera:

Uma tal acumulação semântica não se dá em português e, assim, das 58 ocorrências de verbum no opúsculo de Tomás, somente numas poucas [cerca de meia dúzia] ele se refere estritamente à palavra sonora. Quando não se trata do Verbo divino, a maior parte das incidências de verbum diz respeito ao conceito e, principalmente, àquilo que há de comum entre a palavra sonora e o conceito [e o Verbo Divino também, por vezes].

Ora, dado o relevo que a linguagem ocupa no pensamento e na metodologia de Tomás, o leitor contemporâneo perderia muito de sua argumentação, se não estivesse prevenido para este fato e sua importância. Assim, sempre que depararmos com ‘palavra’, ‘conceito’ e ‘Verbo’ devemos nos lembrar que, para Tomás, estas idéias estão natural e espontaneamente identificadas em verbum. (LAUAND, 1993, p.4)

Fundamentando-se em Tomás de Aquino, Lauand pondera que a palavra é aquilo que está presente interiormente na nossa alma e que exteriormente é significado pela voz, que é caracterizado como sendo o “verbum”. (LAUAND, 1993)

O pensador tomista brasileiro salienta que existe uma diferença entre a nossa palavra “verbum” e a Palavra divina “Verbum”, é que a nossa é imperfeita, contingente e limitada, que desaparece e desvanece, enquanto que a Divina é perfeitíssima e fonte de vida eterna. (LAUAND, 1993)

Este conceito é explicado na Liturgia das Horas:

João era a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra [Jo 1,1]. João era a voz passageira, Cristo, a Palavra eterna desde o princípio.

Suprimi a palavra, o que se torna a voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz sem palavras ressoa ao ouvido, mas não alimenta o coração.

Entretanto, mesmo quando se trata de alimentar nossos corações, vejamos a ordem das coisas. Se penso no que vou dizer a palavra já está em meu coração. Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu, recorro à voz e por ela falo contigo. O som da voz te faz entender a palavra; e quando te faz entendê-la, este som desaparece, mas a palavra que ele te transmitiu permanece em teu coração, sem haver deixado o meu.

[…] Guardemos a palavra; não percamos a palavra concebida em nosso íntimo. (LITURGIA DAS HORAS, 2000, p. 223) [10]

Na concepção de Tomás de Aquino, O Verbo e a Palavra formam “um” em Nosso Senhor Jesus Cristo, dando a Palavra o aspecto cristolólico:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o verbo era Deus. Ele estava no principio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. [Jo 1, 1-3] João, muito conscientemente voltou às palavras que estão no começo da Bíblia e leu de novo o relato sobre a Criação a partir de Cristo para contar, outra vez e definitivamente, por meio de imagens que é a Palavra com que Deus quer mover os nossos corações. (RATZINGER, 1992, p. 25 tradução nossa) [11]

Para o homem o escutar e entender o falar de Deus é por onde ele se auto-realiza, como diz o Salmo:

Vossa palavra é uma luz para os meus passos, é uma lâmpada luzente em meu caminho.

Eu fiz um juramento e vou cumpri-lo: Hei de guardar os vossos justos julgamentos!

Ó Senhor, estou cansado de sofre; vossa palavra me devolva a minha vida!

Que vos agrade a oferenda dos meus lábios; ensinai-me, ó Senhor, vossa vontade!

Constantemente está em perigo a minha vida, mas não esqueço, ó Senhor, a vossa lei.

Os pecadores contra mim armaram laços; eu porém não reneguei vossos preceitos

Vossa palavra é minha herança para sempre, porque ela é que me alegra o coração!

Acostumei meu coração a obedecer-vos, a obedecer-vos para sempre, até o fim! (LITURGIA DAS HORAS, 2000, p. 1078) [12]

Assim na concepção de Tomás de Aquino, o homem é um ser naturalmente social e de linguagem: não lhe basta querer expressar o que sente e quer, pois sendo racional deseja também comunicar as suas impressões e seus pensamentos aos seus semelhantes e com Deus.

Por isto, a linguagem humana, como interpretada pela corrente espiritualista, é um sistema de signos sensíveis pelos quais o homem transmite mensagens de caráter racional como também espiritual, como uma palavra interior num dialogo da alma com ela mesma.

Através do “verbum” (razão materializada em palavra), Deus se torna cognoscível à inteligência humana, e esta só alcança o seu objetivo pleno quando se orienta para o seu fim transcendental ao se reportar a outra metade do “sumbolh”, que é Deus.

Por Padre Antônio Coluço, EP
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[1] Praecellunt enim alias creaturas et in perfectione naturae, et in dignitate finis. “S.C.G.” III, cap. CXI, 1. (grifo nosso)
[2] Art. 356.

[3] Ex his quidem quae supra determinata sunt, manifestum est quod divina providentia ad omnia se extendit. Oportet tamen aliquam rationem providentiae specialem observari circa intellectuales et rationales naturas, prae aliis creaturis. “S.C.G.” III, cap. CXI, 1.

[4] Art. 1146

[5] La creación se produce por un acto de habla, y sólo al nombrar las cosas a medida que las va creando les confiere Dios un estatuto ontológico: “Y Dios llamó a la luz “dia” y a las tinieblas “noche”… (y) llamó al firmamento “cielo”.

[6] Laudes, Quaresma.

[7] En 2, 16-17 el Señor habla por vez primera al hombre, poniendo a su dispo-sición todos los frutos del paraíso terrenal, y advirtiéndole que no coma el fruto del árbol del bien y del mal. Resulta dudoso saber en qué lengua habló Dios a Adán, y una gran parte de la tradición pensará en una especie de lengua de iluminación in-terior, en la que Dios, como por otra parte ocurre en otras páginas de la Biblia, se expresa mediante fenómenos atmosféricos: truenos y relámpagos. Pero si se inter-preta así, se apunta entonces la primera posibilidad de una lengua que, aun siendo intraducibie en términos de idiomas conocidos, es comprendida, no obstante, por quien la escucha, por un don o estado de gracia especial.

[8] Art. 101

[9] Art. 102

[10] Advento. Sto Agostinho. Sermo 293, 3: PL 38, 1328-1329

[11] “En el principio la Palabra existía y la Palabra estaba con Dios y la Palabra era Dios. Ella estaba en el principio con Dios. Todo se hizo por ella y sin ella no se hizo nada de cuanto existe.” (/Jn/01/01-03). Juan, muy conscientemente, ha vuelto a tomar aquí las palabras con las que comienza la Biblia y ha leído de nuevo el relato de la Creación a partir de Cristo para contar, otra vez y definitivamente, por medio de las imágenes qué es la Palabra con la que Dios quiere mover nuestro corazón.

[12] Quaresma. Salmo 118 (119), 105-112 XIV (Nun)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53795#ixzz2nB6VEjkO)

Necessidade de bons samaritanos

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 09-12-2013, Gaudium Press) O Papa Francisco, em sua mensagem publicada nesta segunda-feira, 09, no Twitter, comentou sobre a necessidade de bons samaritanos no mundo.

“Se virmos alguém que pede ajuda, paramos? Há muito sofrimento e pobreza, e tanta necessidade de bons samaritanos”. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53756#ixzz2n4AshrcM)

500 milhões de cristãos vivem em países onde podem sofrer perseguição

Washington – Estados Unidos (Segunda-feira, 09-12-2013, Gaudium Press) Por volta de 500 milhões de cristãos vivem em países onde podem sofrer perseguição, ou seja, 1 a cada 5 deles. É o que diz Todd Johnson, do Centro para o estudo do Cristianismo Global do Seminário Teológico de Gordon-Conwell.

Para Johnson, isso ocorre porque “o Cristianismo está crescendo nos lugares onde as pessoas são perseguidas”. Johnson será um dos especialistas que participarão da próxima Conferência “Cristianismo e Liberdade: Perspectivas Históricas e Contemporâneas”, que será realizada entre os dias 13 e 14 de dezembro na Pontifícia Universidade Urbaniana em Roma, e que procura realizar uma exposição científica do panorama das perseguições aos cristãos ao redor do mundo, “para além das manchetes da mídia”.

“A perseguição no século XXI é tanto de origem estatal quanto civil”, afirma Johnson. “Os perseguidores hoje representam uma ampla variedade de ideologias: comunistas, agentes estatais de segurança, religiosos nacionalistas e maiorias muçulmanas.” O estudante afirma que os muçulmanos, onde são maioria, só representam 25% da opressão.

A situação na China

Como se sabe, o cristianismo está crescendo rapidamente na China, apesar das fortes restrições estatais. Segundo Fengang Yang, da Universidade de Purdue, a China se converterá no país com a maior população cristã em um ponto entre 2025 e 2032. Neste momento o cristianismo já ultrapassou o “limite crítico” de 5 a 10% da população. Segundo Fengang, o cristianismo tem se mostrado muito em seus esforços para aliviar o sofrimento decorrente dos terremotos, como por exemplo o de 2008, na província de Sechuan. (GPE/EPC)

Com informações da National Catholic Register.

(http://www.gaudiumpress.org/content/53734#ixzz2n4ARlBv2)

Colômbia: aplicativo para celulares convida a rezar pela paz

“Eu Rezo pela Paz” é o app que incentiva o fim da violência e da injustiça

Por Redacao

ROMA, 09 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – A Conferência Episcopal da Colômbia, com o apoio da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos, desenvolveu o aplicativo para dispositivos móveis “Eu Rezo pela Paz”, iniciativa que incentiva a oração permanente pela paz no país. O app inclui canções, terço pela paz, uma novena, os tempos litúrgicos e uma mensagem do cardeal Rubén Salazar Gómez, arcebispo de Bogotá.

O cardeal convida todos os fiéis a baixarem o aplicativo “como um convite permanente para orar pela paz, para compreender a paz, para que a violência e a injustiça acabem na Colômbia”. Em conferência de imprensa, o purpurado apresentou o aplicativo que funciona nos sistemas operacionais Android, Windows Phone e iOS e que pode ser baixado nas respectivas lojas virtuais.

Salazar Gómez recordou que o conflito armado e todos os tipos de violência abalam crianças, jovens e famílias e encorajou os crentes a promoverem a paz como atitude interior de todos os cidadãos.

O episcopado pediu ainda que os fiéis e as pessoas de boa vontade participassem da campanha “Acenda uma velinha pela paz”, na vigília da solenidade da Imaculada Conceição, conhecida popularmente no país como a “Noite das Velinhas”, a fim de rezar pela reconciliação e pela paz na Colômbia.

O arcebispo de Bogotá fez referência também ao falecimento do líder sul-africano Nelson Mandela. “Ele nos deixa uma mensagem clara de que temos de respeitar a profunda dignidade de todos os seres humanos. Seu legado nos estimula a resolver os conflitos respeitando a todos”.

Salazar recordou que a paz na Colômbia exige vontade, gestos verdadeiros e o imediato fim da violência. Por isso, pediu que os pré-candidatos à presidência concentrem as suas propostas na paz e que a população entenda que a paz é um processo que inclui justiça, reparação, perdão e reconciliação.

Para saber mais sobre o app e sobre a iniciativa “Uma velinha pela paz”, acesse:

http://comunicacionespec.wix.com/advento2013

(Fonte: Agência Zenit)

Preparação próximo ao matrimônio: Os filhos

Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais (CIC 2378)

Por André Parreira

SãO PAULO, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – Os noivos deverão ser instruídos sobre questões como a reta concepção de paternidade-maternidade responsável e o ato conjugal com as suas exigências e finalidades. (PSM35)

Em nosso último artigo (Edição do Zenit de 22 de Novembro de 2013) abordamos a dimensão da sexualidade na vida do casal como uma grande riqueza para eles, uma fonte de alegria e prazer (CIC2362). Contudo, os noivos precisam conhecer também uma dimensão muito maior, que é a importância da reta vivência da sexualidade para a Igreja e, assim, para o mundo. Precisam ter conhecimento que a vida sexual não se encerra na satisfação física do casal, sendo esta também um bem, mas paralelo. Ela deve refletir o grande compromisso dos cônjuges, que se tornam cooperadores de Deus na geração da vida.

Isto nos remete ao tema de Planejamento Familiar ou Paternidade Responsável, amplamente discutido na preparação próxima dos noivos. Mas, em muitos casos, temos visto o tema se reduzir à apresentação científica dos sistemas reprodutores masculino e feminino, seguida de uma aula sobre os métodos contraceptivos disponíveis no mercado. E o pior, como se fossem procedimentos normais, como uma rotina que vai se impondo em nossa sociedade: adiar ao máximo a chegada dos filhos e quando chegarem, que sejam poucos.

É fato que muitos noivos, especialmente os que não tiveram tal formação na idade escolar, precisam de uma visão geral sobre a reprodução. Para isto, a Igreja nos pede que a equipe de agentes tenha pessoas capacitadas para colaborar de forma consistente, apresentando também o aspecto biológico. “A preparação próxima deverá certamente prever que os noivos possuam os elementos basilares de caráter psicológico, pedagógico, legal e médico, concernentes ao matrimônio e à família.” (Humanae Vitae 9)

Contudo, não se trata de momento meramente técnico. O documento Preparação para o Sacramento do Matrimônio recomenda que “os conteúdos, sem esquecer aspectos vários da psicologia, da medicina e de outras ciências humanas, devem ser centrados sobre a doutrina natural e cristã do matrimônio.”(PSM48).  Note, na citação, sobre onde devem ser centrados todos os temas. Isto nos provoca, mais uma vez, a refletir que a preparação dos noivos não é uma reunião para troca de ideias em concordância com tudo que circula em nosso mundo contemporâneo. Ela é, primeiramente, a palavra da Igreja que recebe, em seguida, contribuição da ciência.

Desta forma, falar em Paternidade Responsável é primeiro falar na beleza da abertura à vida, mostrando que “a fecundidade é um dom, um fim do matrimônio” (CIC2366). Se esta dimensão não for bem sedimentada, como os noivos poderão, durante a celebração do matrimônio, afirmar que estão dispostos a “receber com amor os filhos que Deus os confiar”?

E você, casado e agente na pastoral com noivos, está se lembrando disso?

Aqui entra a questão íntima do casal, que expressa a preocupação do tema Paternidade Responsável.  A responsabilidade que nos é pedida pela Igreja fica muito bem explicada na Encíclica Humanae Vitae (que devia ser estudada por todos os casados e, muito mais, por aqueles que trabalham com casais!). Tanto a Encíclica com o Catecismo da Igreja Católica são claros ao mostrar que os casais têm a faculdade de espaçar o nascimento dos filhos quando há razões justas. Há que se ter muito cuidado para que uma mentira contada mil vezes não se torne uma verdade. Muitos propagam que a Humanae Vitae orienta que os casais podem escolher quantos filhos querem ter. Alguns até já casam com um número decidido: vamos ter x filhos…   Mas a maravilhosa proposta que temos do Senhor é de administrar de forma consciente, o que significa que devemos ser abertos à vida e identificar, com responsabilidade, a necessidade de espaçar o nascimento, seja o espaço de um ano, dois ou vinte!

Isto me faz lembrar a pergunta que frequentemente escutamos, minha esposa e eu, sobre termos seis filhos: E agora, fechou a fábrica?

Sem dúvida, a geração da vida não tem nada de fábrica, de tão sagrada que é. Mas aproveito o termo popular para refletir que, se fosse uma fábrica, não poderia fechar, pois não é nossa. A missão que temos, como administradores, é organizar a produção, como uma linha de produção que vai mais rápida ou lentamente. As motivações para a velocidade da linha de produção são justamente as razões justas, como comenta a Igreja. E estas são questões pessoais e que não podem ser definidas por ninguém além do casal, mas que também não podem ser levadas pela correnteza do mundo que troca a geração de filhos por carro, casa de praia, títulos acadêmicos, carreira etc.

Precisamos testemunhar aos noivos que os filhos são dons, são bênçãos de Deus em qualquer momento que venham, sejam frutos de um desejo ou não. Assim, uma vez que se apresente de forma clara e profunda o que representa um filho para o casal e para a Igreja, os agentes precisam partir para a forte defesa dos meios adequados para que os noivos busquem organizar seus justos planos, mas ainda assim abertos à vida. Não podemos deixar de mostrar, sem receio algum, que a Igreja tem motivos bastante sólidos para dizer que somente é digno e moralmente aceitável o recurso aos métodos naturais. E que usar método natural não é atitude de gente sem instrução, mas de quem aceita o projeto de Deus. Alem disso, é a palavra da Igreja,  que não relativiza, não aprova outras opções e nem transfere a bispos e padres a capacidade de  aprovar que seus féis usem outras alternativas.

Veja a clareza da afirmação que nos faz o documento Preparação para o Sacramento do Matrimônio (PSM): “Hoje está firmemente reconhecida a base científica dos métodos naturais de regulação da fertilidade. É útil o seu conhecimento; o seu emprego, quando existam causas justas, não deve permanecer mera técnica de comportamento, mas deve ser inserido na pedagogia e no processo de crescimento do amor. É então que a virtude da castidade entre os cônjuges leva a viver a continência periódica.” (PSM35)

Enquanto agentes, precisamos aprofundar no estudo destas questões que, sem dúvidas, são das mais desafiadoras nos cursos de noivos.  Devemos ter segurança para explicar que o fato de todo ato matrimonial dever permanecer aberto a vida não significa que a relação exista somente para a procriação. Sabemos das funções “unitiva e procriativa”, mas não podemos criar barreiras à natureza criada por Deus, apenas podemos buscar entende-la e fazer uso dela. Pois, “Deus dispôs com sabedoria leis e ritmos naturais de fecundidade, que já por si mesmos distanciam o suceder-se dos nascimentos. Mas, chamando a atenção dos homens para a observância das normas da lei natural, interpretada pela sua doutrina constante, a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida” (Humanae Vitae 11).

Não se trata de uma mensagem difícil, reservada somente aos intelectuais. Pelo contrário, pode e deve ser dita de forma simples e acessível. Em geral, não há tempo suficiente nos cursos/encontros de noivos para aprofundamento, mas a orientação dos agentes e, mais importante, seus testemunhos, são a ponto de partida para que os noivos se encantem por este projeto de vida.

E você e sua equipe, que documentos da Igreja você já estudou ou está estudando para apoiar seu trabalho pastoral?

Paz e bem!

André Parreira (alparreira@gmail.com), da diocese de São João del-Rei-MG, é autor de livros sobre a preparação para o matrimônio e responsável no Brasil pelo DVD “Sim, Aceito!”, lançado em parceria com a Pastoral Familiar da CNBB. Empresário, casado e pai de 6 filhos, colabora na formação de jovens e casais e é colunista colaborador de ZENIT.

(Fonte: Agência Zenit)

Bispos do Médio Oriente denunciam perseguição aos Cristãos. Orações em lágrimas.

Iraque e Síria têm uma tragédia em comum: a perseguição aos Cristãos. Dois bispos, do Iraque e da Síria, estiveram em Portugal a convite da Fundação AIS. Dos seus países trouxeram relatos de violência, medo e morte. Uma tragédia sem fim.

Por Redacao

BRASíLIA, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – “O futuro dos Cristãos no Iraque e, direi mesmo, em todo o Médio Oriente, é muito obscuro e pode dizer-se mesmo que existe um plano para o esvaziar de Cristãos.” Foi assim que D. Shlemon Warduni, 70 anos, Bispo Auxiliar de Bagdade, definiu a situação terrível em que se encontram os Cristãos no seu país e em toda a região. No curto espaço de pouco mais de uma semana, Portugal acolheu dois bispos oriundos do Médio Oriente: D. Warduni e D. Samir Nassar, Arcebispo Maronita de Damasco. Ambos trouxeram histórias idênticas, de perseguição, de medo, de fuga. Ambos falaram num futuro sombrio sem lugar para os Cristãos.

D. Samir recordou-nos que esta perseguição já é antiga e que agora está mais intensa do que nunca. “Cheguei a Damasco em 2006, havia um milhão de iraquianos em Damasco, enchiam as nossas igrejas, as nossas escolas. Eu ouvia os cristãos sírios dizer: ‘Hoje são eles, amanhã seremos nós’. Eu não acreditava nisso, mas eles tinham uma intuição.”

Cristãos em fuga

O medo e a violência têm provocado um êxodo sem precedentes. O Bispo auxiliar de Bagdade falou mesmo em “tragédia”, recordou que a comunidade cristã está reduzida a pouco mais de 400 mil pessoas em todo o Iraque, e lançou um apelo: “é preciso condenar todas as guerras, todas as formas de terrorismo e, com amor, construir uma cultura onde o homem possa ser salvo e viver com dignidade. Ajudem-nos, por favor, com as vossas orações, e que Nossa Senhora nos proteja!”

Poucos dias depois, este mesmo apelo prosseguiu nas palavras de D. Samir Nassar, Arcebispo Maronita de Damasco. Também ele falou num êxodo terrível de Cristãos, num quotidiano manchado de sangue, violência e medo. E no fim de uma era. “Se a guerra continuar”, disse, por mais de uma vez, “pode ser o fim dos Cristãos no Oriente”.

D. Samir fez o retrato de uma Síria esventrada, com povoações sem ninguém, centenas de localidades históricas abandonadas, que se transformaram em cidades-fantasma, em escombros. “Um dia vai ser assim, vamos passear pelo país e dizer: ‘ali havia Cristãos.’”

Lágrimas de um povo

Durante os dias em que esteve entre nós, D. Samir trouxe-nos as lágrimas dos Cristãos sírios, obrigados a fugir da sua terra. Falou de um país em guerra, do horror de uma estatística em que se contabilizam já mais de 125 mil mortos; cerca de 7 milhões de pessoas afectadas; 3 milhões de refugiados nos países da região, dos quais, cerca de metade são jovens e crianças; 4,25 milhões de deslocados na própria Síria.

E deixou um alerta, para que o mundo compreenda o genocídio que está a concretizar-se no Médio Oriente contra os Cristãos. “Ontem foi a Igreja do Iraque, hoje é a Igreja da Síria e amanhã será a Igreja do Líbano. Se a Igreja do Líbano desaparece é o fim dos cristãos no Oriente. É a Igreja do Líbano que suporta todas as outras. Nós nem temos seminários. Se esta guerra chega ao Líbano acaba a Igreja no Médio Oriente.”

A oração contra as armas

D. Samir definiu o quotidiano dos Cristãos na Síria como o de um povo que vive “numa tempestade”. Contra o poder das armas, dos grupos radicais, da lógica da guerra, também D. Samir pediu a força da oração. Por isso, foi até à Capelinha das Aparições para consagrar o povo Sírio a Nossa Senhora de Fátima. Tal como D. Shlemon Warduni, também D. Samir Nassar pediu as nossas orações. “Somos peregrinos nesta terra para o reino de Deus. Nunca devemos esquecer isso. Peço muito a vossa oração pela paz do povo da Síria”.

(Fonte: AIS/Red ZENIT TS)

(Agência Zenit)

O homem é um ser religioso: por natureza e por vocação

Redação (Sexta-feira, 06-12-2013, Gaudium Press) – O homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso. Porque provém de Deus e para ele caminha, o homem só vive uma vida plenamente humana se viver livremente sua relação com Deus. O homem é feito para viver em comunhão com Deus, no qual encontra sua felicidade: “Quando eu estiver inteiramente em Vós, nunca mais haverá dor e provação; repleta de Vós por inteiro, minha vida será verdadeira” (Santo Agost., Conf. 10,28,39). (CATECISMO, 2001: 26)

“O homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso” (CATECISMO, 2001: 26). Por natureza porque tendo sede do infinito, nunca se satisfaz inteiramente com as criaturas que se lhe apresentam pelos sentidos, por serem estas relativas e finitas. O homem tem sede natural de algo absoluto e transcendente que o tome por inteiro, em todas as suas potências, e na própria essência mesma de sua alma de modo eterno e infinito.

Por vocação, pois se o mesmo Deus criou a humanidade com esse instinto que a estimula a procurá-lo é porque de fato deseja que o faça, visto ser próprio da Sabedoria Divina não fazer nada sem uma finalidade. Esse desejo do absoluto no homem constitui, portanto, um chamado posto em sua própria natureza, sendo um sinal infalível de sua vocação religiosa.

Levando em consideração o que foi dito acima, fica fácil compreendermos o que é afirmado no parágrafo seguinte: “O homem é feito para viver em comunhão com Deus, no qual encontra sua felicidade”. (CATECISMO, 2001: 26)

Eis o que demonstra a este respeito São Tomás:

A beatitude última e perfeita, não pode estar senão na visão da divina essência, para a evidência do que duas cousas se devem considerar. A primeira é que o homem não é perfeitamente feliz, enquanto lhe resta algo a desejar e a buscar. A segunda é que a perfeição é relativa à natureza do seu objeto. Ora, o objeto do intelecto é a qüididade, i.é, a essência da cousa, como diz Aristóteles. Por onde, a perfeição do intelecto esta na razão direta do seu conhecimento da essência de uma cousa. De um intelecto, pois, que conhece a essência de um efeito sem poder conhecer, por ele, o que a causa essencialmente é, não se diz que atinge a causa em sim mesma, embora possa, pelo efeito, saber se ela existe. Por onde, permanece naturalmente no homem o desejo de também saber o que é a causa, depois de conhecido o efeito e de sabido que tem causa. E tal desejo é o de admiração e provoca a indagação, como diz Aristóteles. […] Se, pois, o intelecto humano, conhecendo a essência de um efeito criado, somente souber que Deus existe, a sua perfeição ainda não atingiu a causa primeira. E assim, terá sua perfeição pela união com Deus como o objeto em que só consiste a beatitude do homem conforme já se disse. (AQUINO, I-II Q. 3, A. 8, REP, 1980: 1057 , grifo nosso)

Entretanto, embora Deus tenha criado a humanidade com tais anseios naturais, estes são insuficientes para produzir de um modo perfeito esta relação, pela incapacidade da natureza humana acrescida pelas consequências do pecado original. É o que afirma o Doutor Angélico a respeito da Doutrina Sagrada:

Para a salvação do homem, é necessária uma doutrina, conforme à revelação divina, além das filosóficas, pesquisadas pela razão humana. Porque, primeiramente o homem é por Deus ordenado a um fim que lhe excede a compreensão racional […]. Ora, o fim deve ser previamente conhecido pelos homens, que para ele têm de ordenar as intenções e atos. De sorte que, para a salvação do homem, foi preciso, por divina revelação, tornarem-se-lhe conhecidas certas verdades superiores à razão. Mas também, naquilo que de Deus pode ser investigado pela razão humana, foi necessário ser o homem instruído pela revelação divina. Porque a verdade sobre Deus, exarada pela razão, por poucos chegaria aos homens, depois de longo tempo e de mistura com muitos erros. ( AQUINO, I Q. 1, A1, REP, 1980: 2)

Faz-se necessária, portanto, uma intervenção da própria Divindade, revelando-se em seu Mistério Trinitário como afirma o Catecismo (2001: 27):

Mediante a razão natural, o homem pode conhecer a Deus com certeza a partir de suas obras. Mas existe outra ordem de conhecimento que o homem de modo algum pode atingir por suas próprias forças, a da Revelação divina (Cf. Conc. Vaticano I: DS 3015). Por uma decisão totalmente livre, Deus se revela e se doa ao homem. Fá-lo revelando seu mistério, seu projeto benevolente, que concebeu desde toda a eternidade em Cristo em prol de todos os homens. Revela plenamente seu projeto enviando seu Filho bem-amado, Nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo.

A respeito da finalidade dessa Revelação, eis o que acrescenta a mesma obra:

Deus, que “habita uma luz inacessível” (1Tm 6,16), quer comunicar sua própria vida divina aos homens, criados livremente por ele, para fazer deles, no seu Filho único, filhos adotivos (Cf. Ef 1,4-5). Ao revelar-se, Deus quer tornar os homens capazes de responder-lhe, de conhecê-lo e de amá-lo bem além do que seriam capazes por si mesmos. (CATECISMO, 2001: 28).

Como se observa no trecho acima, o fim da Revelação consiste no fato de o homem participar da própria vida divina, com os devidos socorros de Deus para torná-lo capaz de empresa tão além de suas forças. Essa vida divina faz com que a natureza humana torne-se intimamente unida a Deus, através da adoção filial, por meio de Jesus Cristo.

O motivo da Revelação é o amor de Deus: “Por amor, Deus revelou-se e doou-se ao homem”. (CATECISMO, 2001: 32).

Qual deve ser a resposta do homem a esse amor que Deus lhe manifesta pela Revelação? Encontrá-la-emos novamente no Catecismo (2001: 48): “A resposta adequada a este convite é a fé. Pela fé, o homem submete completamente sua inteligência e sua vontade a Deus”.

Tal fé como fundamento da santidade traz como consequência o agir corretamente, como está no Catecismo (2001: 468): “Quem crê em Cristo torna-se Filho de Deus. Esta adoção filial o transforma, propiciando-lhe seguir o exemplo de Cristo. Ela torna-o capaz de agir corretamente e de praticar o bem”.

E o efeito dessa fé posta em obras de perfeição só pode ser o que vem em seguida, no mesmo trecho: “Em união com seu Salvador, o discípulo alcança a perfeição da caridade, a santidade. Amadurecida na graça, a vida moral desabrocha em vida eterna na glória do céu”. (CATECISMO, 2001: 468, grifo nosso)

Em decorrência do que foi exposto acima, torna-se evidente que a Revelação é uma conclamação à santidade pronunciada pelo próprio Deus, e tal conclamação se dirige à universalidade dos homens e mulheres:

Fique bem claro que todos os fiéis, qualquer que seja sua posição na Igreja ou na sociedade, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. A santidade promove uma crescente humanização. Que todos pois se esforcem, na medida do dom de Cristo, para seguir seus passos, tornando-se conformes à sua imagem, obedecendo em tudo à vontade do Pai, consagrando-se de coração à glória de Deus e ao serviço do próximo. A história da Igreja mostra como a vida dos santos foi fecunda, manifestando abundantes frutos da santidade no povo de Deus. (LUMEN GENTIUM, 2007: 223, grifo nosso)

Em Cristo Jesus somos todos chamados a pertencer à Igreja e, pela graça de Deus, a alcançar a santidade. (LUMEN GENTIUM,2007: 231)

A finalidade para a qual a Igreja propõe alguns desses fiéis que alcançaram a plenitude da vida cristã e já receberam o prêmio da bem-aventurança eterna à veneração pública está no seguinte fato, expresso nos trechos abaixo:

Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está em si e sustenta a esperança dos fiéis propondo-os como modelos e intercessores. (CATECISMO, 2001: 238, grifo nosso)

De fato, os que alcançaram a pátria e estão presentes ao Senhor, por ele, com ele e nele intercedem continuamente junto ao Pai. Fazem valer os méritos que obtiveram pelo único mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, por terem servido em tudo ao Senhor e completado em sua própria carne a paixão de Cristo, em favor do corpo, que é a Igreja. Sua fraternidade solícita é assim um precioso auxílio para a nossa fraqueza.[…]

A Igreja também sempre acreditou que os apóstolos e mártires de Cristo que, derramando seu sangue, deram o testemunho supremo de fé e de amor, estão particularmente unidos a nós. Por isso os venera com particular distinção, juntamente com a santa Virgem Maria e os santos anjos implorando piedosamente o auxílio de sua intercessão. A eles se unem imediatamente os que imitaram mais de perto a castidade e a pobreza de Cristo, seguidos de todos aqueles que se santificaram pela prática das virtudes cristãs e cujo carisma os recomenda á piedosa devoção e à imitação dos fiéis.

Ao contemplarmos a vida daqueles que seguiram fielmente a Cristo, somos estimulados a considerar sob uma nova luz a busca da cidade futura. Em meio às inúmeras veredas deste mundo, aprendemos o caminho certo para chegar à santidade, que consiste na perfeita união com Cristo, segundo o estado e a condição de cada um. Deus manifesta com clareza aos homens sua presença e sua face através da vida daqueles que, iguais a nós na humanidade, foram transformados de maneira mais perfeita segundo a imagem de Cristo. Por eles, Deus nos fala, dá-nos um sinal de seu reino e nos atrai para a verdade do Evangelho, por uma imensa quantidade de testemunhas. (LUMEN GENTIUM, pp. 233-234)

Entretanto, esta santidade que é em sua essência a mesma em todos aqueles que dela participam, manifesta formas acidentais diferentes na diversidade dos santos. Esta verdade vimo-la expressa no trecho supracitado do documento Lumen Gentium, no qual se percebe uma hierarquia e alteridade de santidades através da enumeração sintética das diversas classes de santos veneradas pela Igreja.

É o que encontramos em Saint-Laurent (1997: 47, grifo nosso):

Reina entre os santos uma admirável variedade. A virtude de um rei, como São Luís IX, não é igual à de um mendigo voluntário, como São Bento José Labre. A perfeição de um velho, como o grande Santo Antão do Deserto, não é a de um jovem, como Santo Estanislau Kostka. A santidade de um leigo, não é a de um sacerdote ou de um bispo. Cada um desses heróis sublimes da vida cristã tem a sua própria fisionomia sobrenatural.

Existe, portanto, além de uma vocação à santidade que se refere à generalidade dos homens, um chamado específico para cada um, um modo de ser santo diverso para cada família de almas e para cada ser humano em sua individualidade.

Para finalizarmos este tópico citaremos uma bela passagem sobre este assunto de Garrigou-Lagrange (1938: 28-29), na qual ele dá uma definição de santidade de um modo bastante claro e expressivo, fazendo-a uma conseqüência lógica da vivência profunda e radical da fé, da qual procede o amor a Deus e ao próximo:

Pode-se julgar a vida normal da santidade através de dois pontos de vista bem diferentes:

– Um, focalizando nossa natureza…

– Mas também tomando como referência os mistérios sobrenaturais da inabitação da Santíssima Trindade em nós, da Encarnação redentora e da Eucaristia.

Ora, esse último ponto de vista é o único que representa o juízo da sabedoria, per altissimam causam; o outro modo é pela ínfima causa […].

Se é verdade que a Santíssima Trindade habita em nós, que o Verbo se fez carne, que se oferece sacramentalmente por nós cada dia, na Missa e se dá a nós como alimento, se tudo isso é real, somente os santos que vivem dessa presença divina por conhecimento quase experimental frequente, e por um amor sempre crescente, em meio às obscuridades e dificuldades da vida, somente esses santos estão inteiramente em ordem. E a vida de íntima união com Deus, longe de se apresentar, no que tem de essencial, como coisa extraordinária em si, aparece como a única normal.

Antes de chegarmos a essa união, somos como pessoas ainda meio adormecidas, que não vivem suficientemente do tesouro imenso que nos foi dado, e das graças sempre novas concedidas aos que querem seguir generosamente a Nosso Senhor.

Por santidade entendemos uma união íntima com Deus, isto é, uma grande perfeição de amor de Deus e do próximo, perfeição que permanece sempre na vida normal, pois o preceito do amor não tem limites.

Para precisar ainda mais, diríamos que a santidade é o prelúdio normal imediato da vida no Céu, prelúdio que é realizado ou na Terra, antes da morte, ou no Purgatório, e que supõe que a alma está perfeitamente purificada, capaz de receber a visão beatífica.

Também percebemos no extrato acima que a condição normal da natureza humana é a santidade, pois, se por ordem entendemos a reta disposição das coisas segundo sua natureza e de acordo com determinado fim, devemos inferir que a verdadeira ordem para uma pessoa humana está na união com Deus, sua causa e sua finalidade.

Por Padre Alex Barbosa de Brito, EP

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“Que o Santuário de Fátima seja como Maria, um oásis de misericórdia, de ternura e de afeto”, afirma Dom António Marto

Fátima – Portugal (Quinta-feira, 05-12-2013, Gaudium Press) No último sábado, 30 de novembro, foi apresentado no Centro Pastoral Paulo VI do Santuário de Fátima o 4º ano pastoral do septenário em preparação às comemorações do 100º aniversário das aparições de Nossa Senhora na cidade portuguesa.santuario_de_fatima.jpg

O novo ano preparatório ao centenário foi apresentado por Dom António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, que na sessão de abertura do novo curso pastoral destacou os principais elementos do tema proposto para este ano: “Envoltos no amor de Deus pelo mundo”, observando que hoje a Igreja é chamada “a buscar as pessoas no mundo, com uma busca amorosa, de misericórdia e de ternura (…) Uma Igreja amiga dos homens, que cuida com ternura da humanidade ferida”.

Especificamente, Dom Marto convidou para que a Igreja esteja mais próxima das pessoas, “com um profundo sentido de humanidade”, uma Igreja “que acolhe, escuta, compreende, que assume as alegrias e as esperanças, assim como as tristezas e as angústias dos outros (…), uma Igreja que encurta as distâncias e diálogos com o coração de mãe”.

Finalmente, ele expressou votos para que neste ano de preparação do centenário das aparições o “Santuário de Fátima seja, como Maria, um oásis de misericórdia, ternura e afeto, fonte de irradiação de paz nos corações das pessoas e de paz social no coração do povo”.

Um ano pastoral dedicado à aparição de julho de 1917

Conforme especificado pelo Padre Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima, o ano pastoral 2013-2014 será dedicado à aparição mariana de julho de 1917, cujo tema é precisamente inspirado na oração que Nossa Senhora ensinou aos pastores nesse mês: “Oh Jesus, é por Vosso Amor.”santuario_de_fatima_1.jpg

“Esta aparição é particularmente rica em conteúdo e a maior dificuldade foi identificar um aspecto que fosse unificador. Se optou pelo ‘amor de Deus pelo mundo’, como dimensão que melhor permite abordar os diversos conteúdos da Mensagem de Fátima, comunicados nesta aparição”, explicou o sacerdote.

Desde o final de 2010, o Santuário Mariano, em preparação ao centenário das aparições, está percorrendo um itinerário temático de sete anos, com o objetivo de aprofundar os aspectos mais significativos da Mensagem de Fátima.

“O ponto de partida para cada ano é uma das aparições de Nossa Senhora, que permite identificar as ideias fundamentais da Mensagem de Fátima, encontrando para cada um dos sete ciclos anuais um conjunto de propostas capazes de apresentar e esclarecer “, comentou o Padre Cabecinhas. (GPE/EPC)

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Maria Imaculada, Concebida sem pecado original

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Redação – (Quarta-feira, 04-12-2013, Gaudium Press) – O mundo católico, volta-se para a Santa Mãe de Deus para reverenciá-la no próximo domingo, 8 de dezembro, comemorando o dogma da Imaculada Conceição de Maria. As considerações que abaixo transcrevemos foram tiradas do “Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado”, escrito por Monsenhor João Clá Dias, EP, e serve para anteciparmos o que, certamente, será dito sobre Aquela que foi concebida sem a mancha do pecado original. Eis o texto:imaculadaconceicao_1.jpg

O vocabulário humano não é suficiente para exprimir a santidade de Nossa Senhora. Na ordem natural, os Santos e os Doutores A compararam ao sol. Mas se houvesse algum astro inconcebivelmente mais brilhante e mais glorioso do que o sol, é a esse que A comparariam. E acabariam por dizer que este astro daria d’Ela uma imagem pálida, defeituosa, insuficiente. Na ordem moral, afirmam que Ela transcendeu de muito todas as virtudes, não só de todos os varões e matronas insignes da Antiguidade, mas – o que é incomensuravelmente mais – de todos os Santos da Igreja Católica.

Imagine-se uma criatura tendo todo o amor de São Francisco de Assis, todo o zelo de São Domingos de Gusmão, toda a piedade de São Bento, todo o recolhimento de Santa Teresa, toda a sabedoria de São Tomás, toda a intrepidez de Santo Inácio, toda a pureza de São Luiz Gonzaga, a paciência de um São Lourenço, o espírito de mortificação de todos os anacoretas do deserto: ela não chegaria aos pés de Nossa Senhora.

Mais ainda. A glória dos Anjos é algo de incompreensível ao intelecto humano. Certa vez, apareceu a um santo o seu Anjo da Guarda. Tal era sua glória, que o Santo pensou que se tratasse do próprio Deus, e se dispunha a adorá-lo, quando o Anjo revelou quem era. Ora, os Anjos da Guarda não pretendem habitualmente às mais altas hierarquias celestes. E a glória de Nossa Senhora está incomensuravelmente acima da de todos os coros angélicos.

Poderia haver contraste maior entre esta obra-prima da natureza e da graça, não só indescritível mas até inconcebível, e o charco de vícios e misérias, que era o mundo antes de Cristo?

A Imaculada Conceição

A esta criatura dileta entre todas, superior a tudo quanto foi criado, e inferior somente à humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus conferiu um privilégio incomparável, que é a Imaculada Conceição.

Em virtude do pecado original, a inteligência humana se tornou sujeita a errar, a vontade ficou exposta a desfalecimentos, a sensibilidade ficou presa das paixões desordenadas, o corpo por assim dizer foi posto em revolta contra a alma.

Ora, pelo privilégio de sua Conceição Imaculada, Nossa Senhora foi preservada da mancha do pecado original desde o primeiro instante de seu ser. E, assim, n’Ela tudo era harmonia profunda, perfeita, imperturbável. O intelecto jamais exposto a erro, dotado de um entendimento, uma clareza, uma agilidade inexprimível, iluminado pelas graças mais altas, tinha um conhecimento admirável das coisas do Céu e da Terra.

A vontade, dócil em tudo ao intelecto, estava inteiramente voltada para o bem, e governava plenamente a sensibilidade, que jamais sentia em si, nem pedia à vontade algo que não fosse plenamente justo e conforme à razão. Imagine-se uma vontade naturalmente tão perfeita, uma sensibilidade naturalmente tão irrepreensível, esta e aquela enriquecidas e super-enriquecidas de graças inefáveis, perfeitissimamente correspondidas a todo o momento, e se pode ter uma ideia do que era a Santíssima Virgem. Ou antes se pode compreender por que motivo nem sequer se é capaz de formar uma ideia do que a Santíssima Virgem era.

“Inimicitias Ponam”

Dotada de tantas luzes naturais e sobrenaturais, Nossa Senhora conheceu por certo, em seus dias, a infâmia do mundo. E com isto amargamente sofreu. Pois quanto maior é o amor à virtude, tanto maior é o ódio ao mal.

Ora, Maria Santíssima tinha em si abismos de amor à virtude, e, portanto, sentia forçosamente em si abismos de ódio ao mal. Maria era pois inimiga do mundo, do qual viveu alheia, segregada, sem qualquer mistura nem aliança, voltada unicamente para as coisas de Deus.

O mundo, por sua vez, parece não ter compreendido nem amado Maria. Pois não consta que lhe tivesse tributado admiração proporcionada à sua formosura castíssima, à graça nobilíssima, a seu trato dulcíssimo, à sua caridade sempre exorável, acessível, mais abundante do que as águas do mar e mais suave do que o mel.

E como não haveria de ser assim? Que compreensão poderia haver entre Aquela que era toda do Céu, e aqueles que viviam só para a Terra? Aquela que era toda fé, pureza, humildade, nobreza, e aqueles que eram todos idolatria, ceticismo, heresia, concupiscência, orgulho, vulgaridade? Aquela que era toda sabedoria, razão, equilíbrio, senso perfeito de todas as coisas, temperança absoluta e sem mácula nem sombra, e aqueles que eram todo desmando, extravagância, desiquilíbrio, senso errado, cacofônico, contraditório, berrante a respeito de tudo, e intemperança crônica, sistemática, vertiginosamente crescente em tudo? Aquela que era a fé levada por uma lógica adamantina e inflexível a todas as suas consequências, e aqueles que eram o erro levado por uma lógica infernalmente inexorável, também a suas últimas consequências? Ou aqueles que, renunciando a qualquer lógica, viviam voluntariamente num pântano de contradições, em que todas as verdades se misturavam e se poluíam na monstruosa interpenetração de todos os erros que lhe são contrários?imaculadaconceicao_2.jpg

“Imaculado” é uma palavra negativa. Ela significa etimologicamente a ausência de mácula, e pois de todo e qualquer erro por menos que seja, de todo e qualquer pecado por mais leve e insignificante que pareça. É a integridade absoluta na fé e na virtude. E, portanto, a intransigência absoluta, sistemática, irredutível, a aversão completa, profunda, diametral a toda a espécie de erro ou de mal. A santa intransigência na verdade e no bem, é a ortodoxia, a pureza, enquanto em oposição à heterodoxia e ao mal. Por amar a Deus sem medida, Nossa Senhora correspondentemente amou de todo o Coração tudo quanto era de Deus. E porque odiou sem medida o mal, odiou sem medida Satanás, suas pompas e suas obras, o demônio e a carne. Nossa Senhora da Conceição é Nossa Senhora da santa intransigência.

Verdadeiro ódio, verdadeiro amor

Por isto, Nossa Senhora rezava sem cessar. E segundo tão razoavelmente se crê, Ela pedia o advento do Messias, e a graça de ser uma serva daquele que fosse escolhida para Mãe de Deus.

Pedia o Messias, para que viesse Aquele que poderia fazer brilhar novamente a justiça na face da Terra, para que se levantasse o Sol divino de todas as virtudes, espancando por todo o mundo as trevas da impiedade e do vício.

Nossa Senhora desejava, é certo, que os justos vivendo na Terra encontrassem na vinda do Messias a realização de seus anseios e de suas esperanças, que os vacilantes se reanimassem, e que de todos os pauis, de todos os abismos, almas tocadas pela luz da graça, levantassem voo para os mais altos píncaros da santidade. Pois estas são por excelência as vitórias de Deus, que é a Verdade e o Bem, e as derrotas do demônio, que é o chefe de todo erro e de todo o mal. A Virgem queria a glória de Deus por essa justiça que é a realização na Terra da ordem desejada pelo Criador.

Mas, pedindo a vinda do Messias, Ela não ignorava que este seria a Pedra de escândalo, pela qual muitos se salvariam e muitos receberiam também o castigo de seu pecado. Este castigo do pecador irredutível, este esmagamento do ímpio obcecado e endurecido, Nossa Senhora também o desejou de todo o Coração, e foi uma das consequências da Redenção e da fundação da Igreja, que Ela desejou e pediu como ninguém. Ut inimicos Santae Ecclesiae Humiliare digneris, Te rogamus audi nos, canta a Liturgia. E antes da Liturgia por certo o Coração Imaculado de Maria já elevou a Deus súplica análoga, pela derrota dos ímpios irredutíveis. Admirável exemplo de verdadeiro amor, de verdadeiro ódio.

Onipotência suplicante

Deus quer as obras. Ele fundou a Igreja par ao apostolado. Mas acima de tudo quer a oração. Pois a oração é a condição da fecundidade de todas as obras. E quer como fruto da oração a virtude.

Rainha de todos os apóstolos, Nossa Senhora e entretanto principalmente o modelo das almas que rezam e se santificam, a estrela podar de toda meditação e vida interior. Pois, dotada de virtude imaculada, Ela dez sempre o que era mais razoável, e se nunca sentiu em si as agitações e as desordens das almas que só amam a ação e a agitação, nunca experimentou em si, tampouco, as apatias e as negligências das almas frouxas que fazem da vida interior um pára-vento a fim de disfarçar sua indiferença pela causa da Igreja. Seu afastamento do mundo não significou um desinteresse pelo mundo. Quem fez mais pelos ímpios e pelos pecadores do que Aquela que, para os salvar, voluntariamente consentiu na imolação crudelíssima de seu Filho infinitamente inocente e santo? Quem fez mais pelos homens, do que Aquela que consentiu se realizasse em seus dias a promessa da vinda do Salvador?

Mas, confiante sobretudo na oração e na vida interior, não nos deu a Rainha dos Apóstolos uma grande lição de apostolado, fazendo de uma e outra o seu principal instrumento de ação?

Aplicação a nossos dias

Tanto valem aos olhos de Deus as almas que, como Nossa Senhora, possuem o segredo do verdadeiro amor e do verdadeiro ódio, da intransigência perfeita, do zelo incessante, do completo espírito de renúncia, que propriamente são elas que podem atrair para o mundo as graças divinas.

Estamos numa época parecida com a da vinda de Jesus Cristo à Terra. Em 1928 escreveu o Santo Padre Pio XI que “o espetáculo das desgraças contemporâneas é de tal maneira aflitivo, que se poderia ver nele a aurora deste início de dores que trará o Homem do pecado, elevando-se contra tudo quanto é chamado Deus e recebe a honra de um culto” (Enc. Miserentissimus Redemptor, de 8 de maio de 1928).

Que diria ele hoje? E a nós, que nos compete fazer? Lutar em todos os terrenos permitidos, com todas as armas lícitas. Mas antes de tudo, acima de tudo, confiar na vida interior e na oração. É o grande exemplo de Nossa Senhora.

O exemplo de Nossa Senhora, só com o auxílio de Nossa Senhora se pode imitar. E o auxílio de Nossa Senhora só com a devoção a Nossa Senhora se pode conseguir. Ora, a devoção a Maria Santíssima no que de melhor pode consistir, do que em lhe pedirmos não só o amor a Deus e o ódio ao demônio, mas aquela santa inteireza no amor ao bem e no ódio ao mal, em uma palavra aquela santa intransigência, que tanto refulge em sua Imaculada Conceição?

* * * * * * *

A Imaculada Conceição da Maria Virgem – singular privilégio concedido por Deus, desde toda a eternidade, Àquela que seria Mãe de seu Filho Unigênito – preside a todos os louvores que Lhe rendemos na recitação de seu Pequeno Ofício. Assim, parece-nos oportuno percorrer rapidamente a história dessa “piedosa crença” que atravessou os séculos, até encontrar, nas infalíveis palavras de Pio IX, sua solene definição dogmática.

Onze séculos de tranquila aceitação da “piedosa crença”

Os mais antigos Padres da Igreja, amiúde se expressam em termos que traduzem sua crença na absoluta imunidade do pecado, mesmo o original, concedida à Virgem Maria.imaculadaconceicao_3.jpgAssim, por exemplo, São Justino, Santo Irineu, Tertuliano, Firmio, São Cirilo de Jerusalém, Santo Epifânio, Teódoro de Ancira, Sedulio e outros comparam Maria Santíssima com Eva antes do pecado. Santo Efrém, insigne devoto da Virgem, A exalta como tendo sido “sempre, de corpo e de espírito, íntegra e imaculada”. Para Santo Hipólito Ela é um “tabernáculo isento de toda corrupção”. Orígenes A aclama “imaculada entre imaculadas, nunca afetada pela peçonha da serpente”. Por Santo Ambrósio é Ela declarada “vaso celeste, incorrupta, virgem imune por graça de toda mancha de pecado”. Santo Agostinho afirma, disputando contra Pelágio, que todos os justos conheceram o pecado, “menos a Santa Virgem Maria, a qual, pela honra do Senhor, não quero que entre nunca em questão quando se trate de pecados”.

Cedo começou a Igreja – com primazia da Oriental – a comemorar em suas funções litúrgicas a imaculada conceição de Maria. Passaglia, no seu De Inmaculato Deiparae Conceptu, crê que a princípios do Século V já se celebrava a festa da Conceição de Maria (com o nome de Conceição de Sant’Ana) no Patriarcado de Jerusalém. O documento fidedigno mais antigo é o cânon de dita festa, composto por Santo André de Creta, monge do mosteiro de São Sabas, próximo a Jerusalém, o qual escreveu seus hinos litúrgicos na segunda metade do século VII.

Tampouco faltam autorizadíssimos testemunhos dos Padres da Igreja, reunidos em Concílio, para provar que já no século VII era comum e recebida por tradição a piedosa crença, isto é, a devoção dos fiéis ao grande privilégio de Maria (Concílio de Latrão, em 649, e Concílio Constantinopolitano III, em 680).

Em Espanha, que se gloria de ter recebido com a fé o conhecimento deste mistério, comemora-se sua festa desde o século VII. Duzentos anos depois, esta solenidade aparece inscrita nos calendários da Irlanda, sob o título de “Conceição de Maria”.

Também no século IX era já celebrada em Nápoles e Sicílias, segundo consta do calendário gravado em mármore e editado por Mazzocchi em 1744. Em tempos do Imperador Basílio II (976-1025), a festa da “Conceição de Sant’Ana” passou a figurar no calendário oficial da Igreja e do Estado, no Império Bizantino.

No século XI parece que a comemoração da Imaculada estava estabelecida na Inglaterra, e, pela mesma época, foi recebida em França. Por uma escritura de doação de Hugo de Summo, consta que era festejada na Lombardia (Itália) em 1047. Certo é também que em fins do século XI, ou princípios do XII, celebrava-se em todo o antigo Reino de Navarra.

Séculos XII-XIII: Oposições

No mesmo século XII começou a ser combatido, no Ocidente, este grande privilégio de Maria Santíssima. Tal oposição haveria ainda de ser mais acentuada e mais precisa na centúria seguinte, no período clássico da escolástica. Entre os que puseram em dúvida a Imaculada Conceição, pela pouca exatidão de idéias à matéria encontram-se doutos e virtuosos varões, como, por exemplo, São Bernardo, São Boaventura, Santo Alberto Magno e o angélico São Tomás de Aquino.

Século XIV: Escoto e a reação a favor do dogma

O combate a esta augusta prerrogativa da Virgem não fez senão acrisolar o ânimo de seus partidários. Assim, o século XIV se inicia com uma grande reação a favor da Imaculada, na qual se destacou, como um de seus mais ardorosos defensores, o beato espanhol Raimundo Lulio.

Outro dos primeiros e mais denodados campeões da Imaculada Conceição foi o venerável João Duns Escoto (seu país natal é incerto: Escócia, Inglaterra ou Irlanda; morreu em 1308), glória da Ordem dos Menores Franciscanos, o qual, depois de bem fixar os verdadeiros termos da questão, estabeleceu com admirável clareza os sólidos fundamentos para desvanecer as dificuldades que os contrários opunham à singular prerrogativa mariana.

Sobre o impulso dado por Escoto à causa da Imaculada Conceição, existe uma tocante legenda. Teria ele vindo de Oxford a Paris, precisamente para fazer triunfar o imaculatismo. Na Universidade da Sorbonne, em 1308, sustentou uma pública e solene disputa em favor do privilégio da Virgem.

No dia dessa grande ato, Escoto, quando chegou ao local da discussão, prosternou-se diante de uma imagem de Nossa Senhora que se encontrava em sua passagem, e lhe dirigiu esta prece: “Dignare me laudare te, Virgo sacrata: da mihi virtutem contra hostes tuos”. A Virgem, para mostrar seu contentamento com esta atitude inclinou a cabeça – postura que, a partir de então, Ela teria conservado…imaculadaconceicao_4.jpg

Depois de Escoto, a solução teológica das dificuldades levantadas contra a Imaculada Conceição se tornou casa dia mais clara e perfeita, com o que seus defensores se multiplicaram prodigiosamente. Em seu favor escreveram inúmeros filhos de São Francisco, entre os quais se podem contar os franceses Aureolo (m. em 1320) e Mayron (m. em 1325), o escocês Bassolis e o espanhol Guillermo Rubión. Acredita-se que esses ardorosos propagandistas do santo mistério estejam na origem de sua celebração em Portugal, nos primórdios do século XIV.

O documento mais antigo da instituição da festa da Imaculada nesse país é um decreto do Bispo de Coimbra, D. Raimundo Evrard, datado de 17 de Outubro de 1320. A par dos doutores franciscanos, cumpre ainda mencionar, entre os defensores da Imaculada Conceição nos séculos XIV-XV, o carmelita João Bacon (m. em 1340), o agostiniano Tomás de Estrasburgo, Dionísio, o Cartuxo (m. em 1471), Gerson (m. em 1429), Nicolau de Cusa (m. em 1464) e outros muitos esclarecidos teólogos pertencentes a diversas escolas e nações.

Séculos XV-XVI: acirradas disputas

Em meados do século XV, a Imaculada Conceição foi objeto de renhido combate durante o Concílio de Basiléia, resultando num decreto de definição sem valor dogmático, posto que este sínodo perdeu a legitimidade ao se desligar do Papa.

Entretanto, crescia cada dia mais o número das cidades, nações e colégios que celebravam oficialmente a festa da Imaculada. E com tal fervor, que nas cortes da Catalunha, reunidas em Barcelona entre 1454 e 1458, decretou-se pena de perpétuo desterro para quem combatesse o santo privilégio.

O autêntico Magistério da Igreja não tardou a dar satisfação aos defensores do dogma e da festa. Pela bula Cum proeexcelsa, de 27 de Fevereiro de 1477, o Papa Sixto IV aprovou a festa da Conceição de Maria, enriqueceu-a de indulgências semelhantes às festas do Santíssimo Sacramento e autorizou ofício e missa especial para essa solenidade.

Pelos fins do século XV, porém, a disputa em torno da Imaculada Conceição de tal maneira acirrou os ânimos dos contendores, que o mesmo Papa Sixto IV se viu obrigado a publicar, em data de 4 de setembro de 1483, a Constituição Grave Nimis, proibindo sob pena de excomunhão que os de uma parte chamassem hereges aos da outra.

Por essa época, festejavam a Imaculada célebres universidades, como as de Oxford, de Cambridge e a de Paris, a qual, em 1497, instituiu para todos os seus doutores o juramento e o voto de defender perpetuamente o mistério da Imaculada Conceição, excluindo de seus quadros quem não os fizesse. De modo semelhante procederam as universidades de Colônia (em 1499), de Magúncia (em 1501) e a de Valência (em 1530).

No Concílio de Trento (1545-1563) se ofereceu nova ocasião para denodado combate entre os dois partidos. Sem proferir uma definição dogmática da Imaculada Conceição, esta assembléia confirmou de modo solene as decisões de Sixto IV. A 15 de Junho de 1546, na sessão V, em seguida aos cânones sobre o pecado original, acrescentaram-se estas significativas palavras: “O sagrado Concílio declara que não é sua intenção compreender neste decreto, que trata do pecado original, a Bem-aventurada e imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, mas que devem observar-se as constituições do Papa Sixto IV, de feliz memória, sob as penas que nelas se cominam e que este Concílio renova”.

Por esse tempo, começaram a reforçar as fileiras dos defensores da Imaculada Conceição os teólogos da recém-fundada Companhia de Jesus, entre os quais não se achou um só de opinião contrária. Aliás, pelos primeiros missionários jesuítas no Brasil temos notícia de que, já em 1554, celebrava-se o singular privilégio mariano em nosso País. Além da festa comemorada no dia 8 de Dezembro, capelas, ermidas e igrejas eram edificadas sob o título de Nossa Senhora da Conceição.

Entretanto, a piedosa crença ainda suscitava polêmicas, coibidas pela intervenção do Sumo Pontífice. Assim, em outubro de 1567, São Pio V, condenando uma proposição de Bayo que afirmava ter morrido Nossa Senhora em conseqüência do pecado herdado de Adão, proibiu novamente a disputa acerca do augusto privilégio da Virgem.

Séculos XVII e seguintes: consolidação da “piedosa crença”

No século XVII, o culto da Imaculada Conceição conquista Portugal inteiro, desde os reis e os teólogos até os mais humildes filhos do povo. A 9 de Dezembro de 1617, a Universidade de Coimbra, reunida em claustro pleno, resolve escrever ao Papa manifestando-lhe a sua crença na imaculabilidade de Maria.

Naquele mesmo ano, Paulo V, decretou que ninguém se atrevesse a ensinar publicamente que Maria Santíssima teve pecado original. Semelhante foi a atitude de Gregório XV, em 1622.

Por essa época, a Universidade de Granada se obrigou a defender a Imaculada Conceição com voto de sangue, quer dizer, comprometendo-se a dar a vida e derramar o sangue, se necessário fosse, na defesa deste mistério. Magnífico exemplo que foi imitado, sucessivamente, por grande número de cabidos, cidades, reinos e ordens militares.imaculadaconceicao_5.jpg

A partir do século XVII também foram se multiplicando as corporações e sociedades, tanto religiosas como civis, e até mesmo estados, que adotaram por padroeira à Virgem no mistério de sua Imaculada Conceição.

Digna de particular referência é a iniciativa de D. João IV, Rei de Portugal, proclamando Nossa Senhora da Conceição padroeira de seus “Reinos e Senhorios”, ao mesmo tempo que jura defendê-La até à morte, segundo se lê na provisão régia de 25 de março de 1646. A partir deste momento, em homenagem à sua Imaculada Soberana, nunca mais os reis portugueses puseram a coroa na cabeça.

Em 1648, aquele mesmo Monarca mandou cunhar moedas de ouro e prata. Foi com estas que se pagou o primeiro feudo a Nossa Senhora. Com o nome de Conceição, tais moedas tinham no anverso a legenda: JOANNES IIII, D. G. PORTUGALIAE ET ALBARBIAE REX, a Cruz de Cristo e as armas lusitanas. No reverso: a imagem da Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648 e, nos lados, o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e a Arca da Aliança, símbolos bíblicos da Santíssima Virgem.

Outro decreto de D. João IV, assinado em 30 de junho de 1654, ordenava que “em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares de seus Reinos”, fosse colocada uma lápide cuja inscrição exprimisse a fé do povo português na imaculada Conceição de Maria.

Igualmente a partir do século XVII imperadores, reis e as cortes dos reinos começaram a pedir com admirável constância, e com uma insistência de que há poucos exemplos na História, a declaração dogmática da Imaculada Conceição.

Pediram-na a Urbano VIII (m. em 1644) o Imperador Fernando II da Áustria; Segismundo, Rei da Polônia; Leopoldo, Arquiduque do Tirol; o eleitor de Magúncia; Ernesto de Baviera, eleitor de Colônia.

O mesmo Urbano VIII a pedidos do Duque de Mântua e de outros príncipes, criou a ordem militar dos Cavaleiros da Imaculada Conceição, aprovando ao mesmo tempo seus estatutos. Por devoção à Virgem Imaculada, quis ele ser o primeiro a celebrar o augusto Sacrifício na primeira igreja edificada em Roma sob o título da Imaculada, para uso dos menores capuchinhos de São Francisco.

Porém, o ato mais importante emanado da Santa Sé, no século XVII, em favor da Imaculada Conceição, foi a bula Sollicitude omnium Ecclesiarum, do Papa Alexandre VII, em 1661. Neste documento, escrito de sua própria mão, o Pontífice renova e ratifica as constituições em favor de Maria Imaculada, ao mesmo tempo que impõe gravíssimas penas a quem sustentar e ensinar opinião contrária aos ditos decretos e constituições. Esta bula memorável precede diretamente, sem outro decreto intermediário, a bula decisiva de Pio IX.

Em 1713, Felipe V de Espanha e as Cortes de Aragão e Castela pediram a solene definição a Clemente XI. E o mesmo Rei, com quase todos os Bispos espanhóis, as universidades e Ordens religiosas, a solicitaram a Clemente XII, em 1732.

No pontificado de Gregório XVI, e nos primeiros anos de Pio IX, elevaram-se à Sé Apostólica mais de 220 petições de Cardeais, Arcebispos e Bispos (sem contar as dos cabidos e ordens religiosas) para que se fizesse a definição dogmática.

(Monsenhor João Clá Dias, EP, Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, Volume I, 2° Edição – Agosto 2010, p. 436 à 441)

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(http://www.gaudiumpress.org/content/53602#ixzz2mbSrEvMv )

Era o mais desprezado e abandonado de todos…

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Quanto mais Jesus Cristo tentava fazer o bem aos outros, tanto mais era rejeitado. No fim de sua vida na Terra, o Homem-Deus se sentira completamente só e isolado, abandonado por todos, inclusive por aqueles a quem mais Ele estimava: “[…] nunca ninguém sofreu tanto quanto Ele, não só na ordem física, mas sobretudo na ordem moral: abandono, ingratidões, crueldades […]”[1].

* O inteiro abandono

É por isso que nas sérias e solenes cerimônias da Semana Santa nos deparamos com uma triste realidade: é o pecado dos pecados, a infâmia das infâmias, a traição por excelência… o Deicídio. Apesar de Deus, Nosso Senhor, na sua infinita Bondade, ter operado incalculáveis milagres e haver perdoado até os piores pecados, Ele foi odiado, caluniado, perseguido e até assassinado… Qual o homem que não se comove ao meditar nestas pungentes cenas? Essa ingratidão, entretanto, Nosso Senhor a carregou por inteiro desde o início da Encarnação até a sua Crucifixão. É alguns trechos que as Sagradas Escrituras nos revelam.

Tomando o primeiro evangelho, podemos ressaltar as seguintes passagens:

* Alguns exemplos nos relatos de São Marcos

Primeiramente, Nosso Senhor, na sua divina misericórdia, absolve os pecados do paralítico e depois o cura. E o que os escribas dizem? “Como pode Ele falar deste modo? Está blasfemando. Só Deus pode perdoar pecados” (Mc. 2, 7). E mais tarde, devido aos numerosos exorcismos, “os escribas vindos de Jerusalém diziam que Ele estava possuído por Beelzebú e expulsava os demônios pelo poder do chefe dos demônios” (Mc 3, 22). Primeira rejeição: a dos escribas.

* A segunda rejeição

Qual foi a reação dos fariseus e herodianos, quando Nosso Senhor curou o homem da mão seca, na Sinagoga da Galileia? “Saindo daí, imediatamente os fariseus, com os herodianos, tomaram a decisão de eliminar Jesus.” (Mc. 3,6). Segunda rejeição: a dos herodianos e fariseus.

* E a sua familia?

Poderíamos pensar que a rejeição de seus inimigos seria normal. Até aqui não temos grande surpresa. Mas, inclusive a sua própria família, as pessoas em que ele deveria encontrar apoio, o considera um louco: “Jesus voltou para casa, e outra vez se ajuntou tanta gente que eles nem mesmo podiam se alimentar. Quando seus familiares souberam disso, vieram para detê-lo, pois diziam: ‘Está ficando louco'”. (Mc. 3, 20-21).

Todavia, nem sequer em sua Pátria Ele era acolhido: “Jesus, então, dizia-lhes: ‘Um profeta só não é valorizado na sua própria terra, entre os parentes e na própria casa'” (Mc 6,4). Terceira rejeição: a de seus familiares e de sua Pátria.

* Entre os doze também há falta de amor

Aproxima-se a Paixão: Nosso Senhor já foi condenado por seus inimigos e abandonado por sua Pátria e seus familiares. Mas, seu sofrimento não podia piorar? Aqueles que mais tinham recebido haveriam também de abandoná-Lo, e até de trai-Lo! “Judas Iscariotes, um dos doze, foi procurar os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus. Ouvindo isso, eles ficaram contentes e prometeram dar-lhe dinheiro. Judas, então, procurava uma oportunidade para entregá-lo.” (Mc 14, 10-11).

Mesmo seus seguidores mais íntimos, os discípulos, “estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia à frente, e eles, assombrados, seguiam com medo.” (Mc 10, 32-34). Perderam a confiança nEle. Já tinham dado o primeiro passo para abandoná-lo: a falta de confiança e medo. O segundo passo, eles o dariam no Horto das Oliveiras: “Então, abandonando-O, todos os discípulos fugiram” (Mc 14, 50). “O isolamento e a perspectiva da dor são os dois sofrimentos ápices do Homem Deus no Horto das Oliveiras.”[2] Até mesmo São Pedro, o primeiro Papa o nega três vezes, jurando: “Não conheço esse Homem de quem falais” (Mc 14, 71). Quarta rejeição: dos discípulos e apóstolos.

* O Homem Deus tinha de se rebaixar até aos criminosos

Abandonado por quase todos, faltava ainda a injúria e a rejeição dos condenados. Para escândalo de todos, e para que se cumprissem as profecias, Nosso Senhor é crucificado no meio de dois criminosos, um à sua direita e outro à sua esquerda (Cf. Mc 15, 27; Mt 27, 44). Neste trecho, São Marcos e São Mateus afirmam que os dois ladrões lançavam injúrias, pois queriam sublinhar quanto Nosso Senhor estava abandonado e rejeitado na Cruz. Ao contrário, São Lucas afirma que um se convertera, pois todo seu evangelho é voltado para a misericórdia divina (Cf. Lc 23, 39). O ilustre São João Crisóstomo resolve esta aparente contradição afirmando que aconteceram ambas as coisas: no início, os ladrões lançavam impropérios, mas depois, um reconheceu o crucificado e confessou o seu reinado.[3]

* A consumação do divino sacrifício

Finalmente, para consumar todo seu sacrifício, na sua natureza humana o Homem Deus se sente abandonado pela primeira pessoa da Santíssima Trindade, seu próprio Pai: “[…] Elwi Elwi lema sabacqani” [4] (Mc 15,34). Este foi o pior de todos os sofrimentos, pois Ele se sentiu inteiramente isolado, sem ninguém que o entendesse, auxiliasse e animasse. Ele se sentira abandonado até mesmo por quem Ele amava infinitamente!

Foi assim que Nosso Senhor chegou ao extremo da rejeição, do desprezo e do isolamento para que se cumprisse a profecia: “Era o mais desprezado e abandonado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.” (Is. 53, 3).

Por Eduardo Noubleau

[1] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Os sacrifícios do varão católico. São Paulo, 15/03/1988. Conferência. (Arquivo ITTA-IFAT).

[2] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Os sacrifícios do varão católico. Op. Cit. (Arquivo ITTA-IFAT).

[3] Cf. JOÃO CRISÓSTOMO, Santo. In Paraliticum demissum per tectum, 3: PL 51, 53-54.

[4] “[…] meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”.

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O Advento é o momento oportuno para voltarmos os olhos para o menino Jesus

Belo Horizonte – Minas Gerais (Quarta-feira, 04-12-2013, Gaudium Press“O Advento é o momento oportuno para voltarmos os olhos para o menino Jesus e escutarmos a sua voz, que amorosamente toca o coração da humanidade e nos chama para fazer o bem”, foi o que disse o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, à Gaudium Press.

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Explicando sobre o significado do período do Advento, comemorado pela Igreja no mês de dezembro, o prelado afirma que este é o momento ideal “de nos prepararmos para acolher de coração o mais importante e completo presente dado à humanidade: Jesus Cristo, o Filho amado de Deus Pai e único Senhor e Salvador”.

“N’Ele, unicamente, está a fonte da sabedoria. Suplicar a graça de recebê-la e, de fato, possuí-la, no tempo do Advento, deve ser o mais importante desejo de todo coração humano”.

Dom Walmor, ao destacar as principais características das celebrações durante este tempo litúrgico, ressalta que o Advento deve ser observado como o “tempo de expectativa”, onde cristão “é chamado a receber dignamente o Senhor”.

“É tempo de escuta da Palavra, tempo de espera, celebrado com sobriedade e com uma alegria discreta. Tempo singular que a humanidade tem para renovar suas forças e encher-se da sabedoria que o mistério da encarnação do Verbo de Deus revela, possibilitando a conquista e a vivência de autêntica fraternidade e solidariedade”, acrescenta.

Para o Arcebispo, assim como em cada tempo litúrgico, o Advento traz suas próprias marcas durante as quatro semanas destinadas à preparação “para uma autêntica celebração do Natal”, onde a Igreja “proclama para povoar o coração dos seus fiéis e interpelar a consciência de homens e mulheres de boa vontade”.

De acordo com Dom Walmor, o caminho de preparação para um novo tempo deve passar pela reflexão interna e individual dos fiéis. “Nas paróquias e comunidades de Fé, os sacerdotes conduzem os fiéis para que vivam este tempo com plenitude verdadeira”, explica.

O prelado acredita que este período litúrgico possui uma dimensão mariana, pois, “Deus, em seu amor, escolheu Maria para ser a Mãe de seu filho, Jesus Cristo”, sendo Ela quem viveu o Advento mais importante da história.

“Ela gerou o Salvador, viveu o mistério da maternidade e se preparou para receber Jesus, possibilitando que as promessas de Deus se cumprissem”, observa.

Nossa Senhora, segundo Dom Walmor, é para a humanidade a porta-voz da vida e da esperança e o Advento é o tempo mariano por excelência, pois, nos tempos atuais, a Virgem Santíssima nos ensina a vivê-lo por meio de seu exemplo.

Concluindo a entrevista, o Arcebispo enaltece Maria Santíssima como “o modelo que está colocado no horizonte de nossas vidas para inspirar os passos de nossa caminhada”, sendo um exemplo para a Igreja e para cada discípulo.

“Ela ensina a sermos sempre atentos aos apelos de Deus, disponíveis para nossas vocações, mais acolhedores às vontades do Pai. Sem as manchas do pecado original, sua vida de santidade, doação e amor se torna fonte perene de bênçãos e de graças e inspiração para que cada um viva o Advento plenamente”.

Por Leandro Massoni Ilhéu

(http://www.gaudiumpress.org/content/53627#ixzz2mb0ToMPF)

Santuário de Fátima reedita primeiro volume da Documentação Crítica de Fátima

Projeto de investigação crítica das fontes documentais e informativas relacionadas com as aparições de 1917 em Fátima, iniciado em 1992

FáTIMA, 03 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) – Na abertura do novo ano pastoral, a 30 de novembro, o Santuário de Fátima apresentou o mais recente trabalho editorial: a reedição do primeiro volume da Documentação Crítica de Fátima (DCF), projeto de investigação crítica das fontes documentais e informativas relacionadas com as aparições de 1917 em Fátima, iniciado em 1992. Sem documentos novos relativamente à primeira edição, esta reedição surge porque o primeiro volume há muito que se encontrava esgotado.

Publicamos a seguir a apresentação do Padre Luciano Coelho Cristino, capelão do Santuário de Fátima, sobre a reedição da DCF.

 O projeto da Documentação Crítica de Fátima (DCF), para a edição científica dos documentos relacionados com os acontecimentos da Cova da Iria, Fátima, em 1917, com a evolução do Santuário naquele lugar e com a expansão da mensagem, em Portugal e no estrangeiro, começou a concretizar-se, em agosto de 1992, com a edição do primeiro volume, dedicado aos Interrogatórios aos videntes (1917-1919).

 O segundo volume, dedicado ao Processo canónico diocesano (1922-1930), foi editado em 1999. Seguiram-se, entre 2002 e 2013, mais três volumes, com os documentos por ordem cronológica, correspondentes a três períodos: das aparições ao processo canónico diocesano, 1917-1922; do início do processo canónico diocesano à criação da capelania, 1922-1927; da criação da capelania à carta pastoral de D. José, 1927-1930, distribuídos por 12 tomos. Em toda a obra (15 tomos), foram editados 3 811 documentos, em 8 217 páginas.

 Em maio deste ano de 2013, foi editado um tomo, intitulado Seleção de Documentos, com 139 documentos mais significativos, de 1917 a 1930. A partir da edição portuguesa desta Seleção, está a proceder-se já à tradução para inglês e italiano.

Esgotado o primeiro volume, sai agora a público a segunda edição, com os interrogatórios que o pároco de Fátima, o Dr. Formigão, o Dr. Carlos Mendes, o Administrador do concelho, o P. Santos Alves, o P. Lacerda e Joaquim Gregório Tavares, fizeram aos videntes e a outras pessoas, em 1917. São publicados, também, o processo paroquial de Fátima e os inquéritos vicariais de Porto de Mós e de Ourém, sobre o dia 13 de outubro de 1917, e uma descrição da igreja paroquial. Ao todo, são 59 documentos.

 Em relação à edição de 1992, não surgiram documentos novos. Fez-se nova leitura dos documentos e corrigiram-se os lapsos da primeira edição. Na transcrição dos documentos, é respeitada a ortografia dos autores, mesmo quando estes usam formas diferentes para a mesma palavra. A Reitoria do Santuário de Fátima, ouvido o Conselho de Diretores de Serviço, decidiu, desde 1 de janeiro de 2012, adotar o novo “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990”, em todas as edições da sua responsabilidade. Por isso, as introduções, normas de edição, siglas, abreviaturas, sumários, aparato crítico, notas e os índices deste volume seguem o referido acordo.

Documentação Crítica de Fátima – Interrogatórios aos videntes (1917-1919). 2.ª edição, Fátima: Santuário de Fátima, 2013, 413 páginas, 15 Euros.

P. Luciano Coelho Cristino

Serviço de Estudos e Difusão (SESDI)

(Fonte: Agência Zenit)

“Não se pode pensar em uma Igreja sem alegria”, diz Papa

Cidade do Vaticano (Terça-feira, 03-12-2013, Gaudium PressNa Missa celebrada na Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira, 03, o Papa Francisco destacou que a Igreja deve ser sempre alegre como Jesus, pois ela é chamada a transmitir a alegria do Senhor aos seus filhos.papa_francisco.JPG

Desenvolvendo sua homilia focando em duas palavras, paz e alegria, o Pontífice fez uma observação:

“Nós pensamos sempre em Jesus quando ele pregava, quando curava, quando caminhava, quando ia pelas estradas, também durante a Última Ceia. Mas não estamos tão acostumados a pensar em Jesus sorridente e alegre. Jesus era cheio de alegria. Naquela intimidade com o Pai, ‘exultou de alegria no Espírito Santo e louvou o Pai’. É a sua alegria interior que Ele nos dá”.

Segundo o Papa, a alegria de Jesus é a verdadeira paz que tanto precisamos, pois é alegre quando falamos do Pai, o nosso Deus, que também é alegre. Por isso, esclareceu o Santo Padre, Jesus quis que sua esposa, a Igreja, também fosse alegre como o Nosso Senhor.

“Não se pode pensar em uma Igreja sem alegria. A alegria da Igreja é anunciar o nome de Jesus, dizendo: ‘Ele é o Senhor. O meu esposo é o Senhor. É Deus. Ele nos salva, Ele caminha conosco. E essa é a alegria da Igreja, de esposa que se torna mãe”, afirmou.

O Papa Francisco ainda lembrou os fiéis de uma das frases ditas por Paulo VI, de que “a alegria da Igreja é evangelizar, ir para frente e falar sobre seu Esposo”, transmitindo essa alegria aos filhos que ela faz nascer e crescer.

Com base na Leitura do Livro de Isaías (Is 11, 1-10), o Pontífice completou ao dizer que a paz que tanto falava o profeta “é uma paz de alegria e de louvor”, podendo ser considerada uma paz “barulhenta, no louvor”, e “fecunda na maternidade de novos filhos”.

Essa paz, continuou o Santo Padre, vem precisamente na alegria do louvor à Trindade e da evangelização, indo de encontro aos povos para anunciar quem é Jesus.

“Que o Senhor dê a todos nós esta alegria de Jesus, louvando o Pai, no Espírito. Esta alegria da nossa mãe, a Igreja, na evangelização e no anuncio do seu Esposo”, concluiu. (LMI)

(http://www.gaudiumpress.org/content/53559#ixzz2mVcGLmzR)

Oração, caridade e louvor para caminhar para o Natal, pede o Papa

VATICANO, 03 Dez. 13 / 05:07 pm (ACI/EWTN Noticias).- Preparar-se para oNatal com a oração, a caridade e o louvor é manter o coração aberto para deixar-se encontrar pelo Senhor que tudo renova. Este foi o convite feito pelo Papa Francisco na Missa presidida na Casa Santa Marta nesta primeira segunda-feira do Tempo de Advento.

Comentando a passagem do Evangelho do dia, na qual o centurião romano pede com grande fé a Jesus a cura do servo, o Santo Padre recordou que nestes dias “começamos um caminho novo”, um “caminho de Igreja… para o Natal”. Vamos ao encontro do Senhor, “porque o Natal -enfatizou- não é apenas uma comemoração temporal ou uma lembrança de algo belo”.

“O Natal é mais: nós vamos por este caminho para encontrar o Senhor. O Natal é um encontro! E nós caminhamos para encontrá-lo: encontrá-lo com o coração, com a vida; encontrá-Lo vivo, como Ele é; encontrá-Lo com fé. E não é fácil viver com fé. O Senhor, na palavra que escutamos, maravilhou-se deste centurião: surpreendeu-se da fé que ele tinha. Tinha empreendido um caminho para encontrar o Senhor, mas o tinha feito com fé. Por isso, não foi somente ele que encontrou o Senhor, mas sentiu a alegria de ser encontrado pelo Senhor. E este é precisamente o encontro que queremos: o encontro da fé!”.

E mais importante do que encontrarmos Jesus, disse, é “deixar-nos encontrar por Ele”.

O Papa disse que para isto é preciso ter um “coração aberto, para que Ele me encontre! E me diga aquilo que Ele queira me dizer, que nem sempre é aquilo que eu quero que me diga! Ele é o Senhor e Ele me dirá o que tem para mim, porque o Senhor não nos vê como um conjunto, como uma massa. Não, não! Ele nos olha a cada um no rosto, nos olhos, porque o amor não é um amor assim, abstrato: é amor concreto! De pessoa a pessoa: O Senhor, pessoa, vê a mim, pessoa. Deixar-se encontrar pelo Senhor é justamente isto: deixar-se amar pelo Senhor!”.

Neste caminho para o Natal, concluiu, ajudam-nos algumas atitudes: “a perseverança na oração, rezar mais; ser mais concretos na caridade fraterna, aproximar-se mais àqueles que precisam; e ter a alegria de louvar o Senhor”. Portanto, “a oração, a caridade e o louvor”, com o coração aberto “para que o Senhor nos encontre”.

(Fonte: ACI Digital)

Mensagem de Nossa Senhora em Medjugorje

Mensagem de Nossa Senhora em Medjugorje:

02 de dezembro de 2013 (Mensagem para Mirjana)

“Queridos filhos, com um amor maternal e uma paciência maternal eu estou olhando para o seu vagar incessante e como vocês estão perdidos. Eu quero ficar com vocês. Eu desejo ajudá-los primeiro a encontrarem e conhecerem a si mesmos, para que, então, vocês sejam capazes de reconhecer e admitir tudo o que não permite vocês conhecerem o amor do Pai Celestial, honesta e sinceramente. Meus filhos, o Pai vem a ser conhecido através da Cruz. Portanto, não rejeitem a Cruz. Esforcem-se para compreenderem e aceitá-la com a minha ajuda. Quando vocês forem capazes de aceitar a cruz vocês também vão entender o amor do Pai Celestial; vocês vão andar com Meu Filho e Comigo, vocês serão diferentes de quem não chegou a conhecer o amor do Pai Celestial , os que O ouvem, mas não entendem Ele, aqueles que não caminham com Ele – que não chegaram a conhecê-Lo, Eu desejo que vocês venham a conhecer a verdade do meu Filho e que sejam Meus apóstolos, para que, como filhos de Deus, vocês possam subir acima da maneira humana de pensar e sempre e em tudo, procurar o modo de pensar de Deus, de novo meus filhos, rezem e rápido, que vocês podem ser capazes de reconhecer tudo isso que estou buscando em vocês. Orem por seus pastores e por muito tempo, para vir a conhecer o amor de nosso Pai Celestial , em união com eles. Obrigada. “

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December 02, 2013 Message to Mirjana

“Dear children, with a motherly love and a motherly patience I am looking at your ceaseless wandering and how lost you are.  That is why I am with you. I desire to help you to first find and come to know yourself, so that, then, you would be able to recognize and to admit everything that does not permit you to get to know the love of the Heavenly Father, honestly and wholeheartedly.  My children, the Father comes to be known through the cross.  Therefore, do not reject the cross.  Strive to comprehend and accept it with my help.  When you will be able to accept the cross you will also understand the love of the Heavenly Father; you will walk with my Son and with me; you will differ from those who have not come to know the love of the Heavenly Father, those who listen to Him but do not understand Him, those who do not walk with Him – who have not come to know Him. I desire for you to come to know the truth of my Son and to be my apostles; that, as children of God, you may rise above the human way of thinking and always, and in everything, seek God’s way of thinking, anew. My children, pray and fast that you may be able to recognize all of this which I am seeking of you. Pray for your shepherds and long to come to know the love of your Heavenly Father, in union with them. Thank you.”

(www.medjugorje.org

www.medjugorje.org.br)

Papa recorda os cristãos que “pagam com sangue” o preço de sua fé

Foto Grupo ACI

ROMA, 02 Dez. 13 / 03:55 pm (ACI/EWTN Noticias).- Em uma recente mensagem por ocasião da festa de Santo André (30 de novembro) e a visita de uma delegação católica aos ortodoxos na Turquia, o Papa Francisco escreveu uma mensagem na qual recorda os cristãos perseguidos que “pagam com o próprio sangue o preço da sua profissão de fé”.

O texto foi levado pelo Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, devolvendo a visita que os ortodoxos fizeram no último dia 29 de junho a Roma. O Cardeal entregou a Bartolomeu I um presente do Papa e a sua mensagem.

No texto, o Papa Francisco escreve que “a lembrança do martírio do apóstolo Santo André também faz-nos pensar nos muitos cristãos de todas as Igrejas e Comunidades eclesiais, que em diferentes partes do mundo sofrem discriminações e às vezes pagam com o próprio sangue o preço da sua profissão de fé”.

O Santo Padre assinala: “Amado irmão em Cristo, é a primeira vez que me dirijo a ti com motivo da festa do apóstolo André. Aproveito esta oportunidade para assegurar-te a minha intenção de continuar as relações fraternas entre a Igreja de Roma e o Patriarcado Ecumênico”.

“É para mim um motivo de grande consolo refletir sobre a profundidade e a autenticidade dos laços que existem entre nós, fruto de uma viagem cheia de graça ao longo da qual o Senhor guiou nossas Igrejas, a partir do histórico encontro em Jerusalém entre o papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, cujo quinquagésimo aniversário celebraremos em breve”.

“Unidos em Cristo, portanto, -diz o Papa- já experimentamos a alegria de sermos autênticos irmãos no Senhor, e ao mesmo tempo somos plenamente conscientes de não ter alcançado a meta da plena comunhão. À espera do dia em que possamos participar juntos no banquete eucarístico, os cristãos estão chamados a preparar-se para receber este dom de Deus mediante a oração, a conversão interior, a renovação da vida e o diálogo fraterno”.

“Nossa alegria na celebração da festa do apóstolo André não deve nos fazer afastar o olhar da dramática situação de muitas pessoas que estão sofrendo devido à violência e à guerra, à fome, à pobreza e aos graves desastres naturais. Sou consciente de sua profunda preocupação pela situação dos cristãos no Oriente Médio e por seu direito a permanecer em seus países de origem”.

O Pontífice assinala deste modo que “o diálogo, o perdão e a reconciliação são o único meio possível para conseguir a resolução dos conflitos. Sejamos incessantes em nossa oração ao Deus todo-poderoso e misericordioso pela paz nesta região e sigamos trabalhando pela reconciliação e o justo reconhecimento dos direitos das pessoas”.

“Estamos celebrando o 1700º aniversário do Decreto de Constantino, que pôs fim à perseguição religiosa no Império Romano do Oriente e do Ocidente, e abriu novos canais para a difusão do Evangelho. Hoje, como então, os cristãos do Oriente e Ocidente devem dar testemunho comum para que, fortalecidos pelo Espírito de Cristo ressuscitado, difundam a mensagem de salvação a todo mundo”.

Há também, ressaltou o Papa, “uma necessidade urgente de cooperação efetiva e comprometida entre os cristãos com o fim de proteger em todas as partes o direito a expressar publicamente a própria fé e a serem tratados com justiça quando promovem a contribuição que o cristianismo continua oferecendo à sociedade e à cultura contemporâneas”.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26373)