Bélgica aprova a eutanásia infantil.

Pediatras protestam. Se transforma no primeiro país do mundo que não estabelece limites de idade. Será preciso o consentimento dos pais e um informe psiquiátrico da maturidade da criança

Por Ivan de Vargas

ROMA, 13 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Bélgica tornou-se na tarde de hoje no primeiro país do mundo que acrescenta à sua legislação a eutanásia de menores sem requisito de idade. O Congresso dos Deputados aprovou definitivamente um projeto polêmico, que contou com 86 votos a favor, 44 contra e 12 abstenções. Com a nova lei, os menores com doenças incuráveis poderão aceder a essa prática, sempre que cumpram com uns requisitos rigorosos. O principal é demonstrar a capacidade de discernimento.

A passagem pelo Congresso dos Deputados fez algumas mínimas alterações ao projeto aprovado pelo Senado, que na Bélgica é a câmera com iniciativa legislativa. O sofrimento da criança só poderá ser físico – a eutanásia para adultos contempla também o psíquico – e os médicos deverão comprovar que, em qualquer caso, o paciente morreria em curto prazo .

A Holanda era, até agora, o único país que incluía crianças na prática da eutanásia, com um requisito de idade fixado entre 12 e 18 anos, dependendo do caso. Bélgica deu um passo a mais ao optar por avaliar a maturidade mental da criança em vez de estabelecer uma idade de referência.

O texto final estabelece que será o médico encarregado do caso que avaliará se o menor é capaz de tomar a decisão, mas terá que consultar previamente um psiquiatra infantil. Na atualidade, Bélgica já prevê o direito à eutanásia a partir dos 15 anos para jovens emancipados.

Inúmeros profissionais médicos reagiram violentamente a uma lei que segundo eles não responde a nenhuma demanda da sociedade nem do setor sanitário, mas sim às cabalas eleitorais de uns políticos que nesta mesma primavera concorrem às eleições gerais.

Assim, a iniciativa aprovada hoje pelo Parlamento belga recebeu as críticas do primeiro Congresso Internacional de Cidadãos Paliativos Pediátricos celebrado nesta semana na Índia e que incluiu na sua declaração final uma “chamada urgente ao Governo belga para que reconsidere a sua decisão”.

Os especialistas reunidos no Congresso Internacional defenderam que todos os menores em estado terminal devem ter acesso aos meios adequados para controlar a dor e os sintomas, bem como aos cuidados paliativos de alta qualidade. “Acreditamos que a eutanásia não é parte da terapia paliativa pediátrica e não é uma alternativa”, disse o comunicado.

Também uns 40 pediatras belgas publicaram uma carta aberta para advertir que consideram “precipitado” a tramitação desta lei e mostrar que não existe uma demanda social nem médica para dar este passo. Uma carta semelhante, à qual se somaram até 160 pediatras, como informa a mídia local, foi dirigida ontem aos grupos políticos na véspera do voto para pedir-lhes que o atrasem até a próxima legislatura.

Enquanto isso, os líderes das grandes religiões da Bélgica (cristãos, muçulmanos e judeus) têm mostrado repetidamente a sua rejeição à lei. Neste sentido, no 6 de novembro emitiram uma declaração conjunta opondo-se à legalização da eutanásia para menores. “A eutanásia das pessoas mais vulneráveis ​​é desumana e destrói as bases da nossa sociedade”, denunciavam. “É uma negação da dignidade destas pessoas e as abandona ao critério, ou seja, à arbitrariedade de quem decide”, acrescentaram.

Na nota, divulgada pela agência Cathobel, os chefes religiosos destacavam também que estão “contra o sofrimento físico e moral, em particular das crianças”, mas explicavam que “propor que os menores possam eleger a sua própria morte é uma maneira de distorcer sua capacidade de julgar e, portanto, a sua liberdade”. “Expressamos nossa profunda preocupação com o risco de banalização crescente de uma realidade tão grave”, concluíam .

Os líderes religiosos da Bélgica afirmavam também em outra mensagem conjunta que “a eutanásia das pessoas mais vulneráveis é desumana e destrói as bases da nossa sociedade”; e acrescentavam que “é uma negação da dignidade dessas pessoas e as abandona à arbitrariedade de quem decide”.

O número de eutanásias praticadas na Bélgica atingiu um recorde em 2012, com um total de 1.432 casos, um 25% a mais do que no ano anterior, de acordo com dados da Comissão Federal de Controle e de Avaliação da Eutanásia.

O rei Felipe deverá assinar a lei para que entre em vigor. Até agora, o rei, pai de quatro filhos, não se pronunciou publicamente sobre o assunto .

Na Europa, a eutanásia ativa (com assistência médica) está descriminalizada na Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Suíça.

Trad.TS

(Agência Zenit)

Papa aprova virtudes heroicas de leigo polonês amigo de João Paulo II

Jerzy Ciesielski, sua esposa e Karol Wojtyla

VATICANO, 19 Dez. 13 / 03:39 pm (ACI).- Na manhã de ontem o Papa Francisco aprovou a promulgação do decreto de virtudes heroicas do Servo de Deus Jerzy Ciesielski, leigo e pai de família polonês amigo de João Paulo II.

Jerzy Ciesielski nasceu em 12 de fevereiro de 1929 em Cracóvia (Polônia), e em 1957 casou-se com Danuta Plebaczyk, com quem teve três filhos, Maria, a mais velha, Catalina e Pedro, que foram criados na fé da Igreja.

O casamento foi celebrado pelo então sacerdote Karol Wojtyla, que depois os acompanhou em seu crescimento espiritual, em 29 de junho de 1957.

Em seu livro “Cruzando o limiar da esperança”, João Paulo II escreveu sobre Jerzy que “nunca mais vou me esquecer de um rapaz, estudante do politécnico de Cracóvia, do qual todos sabiam que aspirava com decisão à santidade. Ele tinha esse programa de vida. Ele sabia ter sido ‘criado para os grandes ideais’, como se expressou certa vez São Estanislau Kostka”.

“E, ao mesmo tempo, não tinha dúvida alguma de que sua vocação não era nem o sacerdócio nem a vida religiosa. Sabia que devia ser um leigo. O que mais o apaixonava era o trabalho profissional, bem como os estudos de engenharia. Procurava uma companheira para a vida, e a procurava de joelhos, na oração“.

O Papa polonês assinalou em seu livro que “jamais poderei esquecer o colóquio em que, depois de um dia especial de retiro, me disse: ‘penso que exatamente esta moça vai ser minha esposa, e é Deus quem vai dá-la para mim’. Como se não seguisse apenas a voz dos seus desejos, mas antes de tudo a voz do próprio Deus. Sabia que d´Ele vem todo o bem, e fez uma boa escolha”.

“Estou falando de Jerzy Ciesielski, desaparecido em um trágico acidente no Sudão, para onde foi enviado para ensinar na universidade, e cujo processo de beatificação já foi iniciado”.

Com efeito, Jerzy faleceu em um acidente no rio Nilo, no Sudão, junto com os seus dois filhos mais novos, Catalina e Pedro, em 9 de outubro de 1970.

O funeral foi presidido por Karol Wojtyla, e foi enterrado em Cracóvia (Polônia).

A investigação diocesana para elevar Jerzy aos altares começou em 31 de dezembro de 1985, e em 1995 se submeteu à Positio da Congregação para as Causas dos Santos.

Com a promulgação das suas virtudes heroicas aprovadas ontem pelo Papa Francisco, restaria que se provem dois milagres realizados pela sua intercessão para que o Servo de Deus Jerzy Ciesielski seja proclamado primeiro beato e depois santo.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26465)