O que devemos fazer quando somos feridos?

tumblr_static_mulher_rezando_2Quando te sentires ferida por haver caído em algum pecado, seja por fraqueza, seja por malícia, não desanimes e nem te inquietes por isso. Dirige-te imediatamente a Deus dizendo: “Eis aqui, meu Senhor, comportei-me segundo a minha natureza, pois de mim não se pode esperar mais que tropeços”. Depois dedica um tempo a humilhar-te aos teus próprios olhos, lamenta a ofensa feita ao Senhor e considera tuas más inclinações, especialmente aquela que provocou a falta. E então diz: “Não teria parado por aqui, meu Senhor, se não fosse socorrida por tua bondade!”. Neste ponto dá-lhe muitas graças e ama-O com mais devoção, maravilhando-te por tão grande clemência, já que, mesmo ofendido por ti, Ele te sustenta com Sua poderosa mão.

Por fim, com grande confiança em sua infinita misericórdia, dirás: “Senhor, que és todo amor e perdão, perdoa-me, e não mais permitas que eu me separe de ti, nem te ofenda!”. Feito isso, não fiques imaginando se Deus te perdoou ou não, pois isso seria soberba, desassossego, perda de tempo e engano do demônio. Abandona-te simplesmente nas amorosas mãos de Deus e continua o teu exercício como se nunca tivesses caído. E se voltares a cair várias vezes ao longo do dia, e te sentires ferida no combate, faz o mesmo, com a mesma confiança, na segunda, na terceira e até na última como na primeira; e, humilhando-te cada vez mais e odiando cada vez mais o pecado, esforça-te para agir de maneira mais prudente.

Essa prática desagrada muito ao demônio, tanto por ver-se derrotado, quanto por saber que a tua vitória agrada muito a Deus. Por isso, ele usa de diversos truques para fazer-nos abandonar o bem, conseguindo-o às vezes pelo nosso descuido e pouca vigilância sobre nós mesmos; essa é a razão pela qual, quanto mais dificuldade encontrares nesse exercício, mais empenho deverás colocar em repeti-lo várias vezes, ainda que tenhas caído apenas uma vez.

E se, depois da queda, te sentes confusa, inquieta e desconfiada, a primeira coisa que deves fazer é recuperar a paz, a tranquilidade do coração e a confiança, e com estas armas recorrer à ajuda de Deus.

O modo de recuperar a paz é deixar de pensar na falta para considerar a bondade inefável de Deus, que está sempre totalmente disposto a perdoar qualquer pecado, por mais grave que seja, chamando o pecador de mil maneiras e por mil caminhos diferentes para santificá-lo com Sua graça nesta vida e fazê-lo eternamente feliz na glória eterna.

Uma vez que, com semelhantes considerações, tenhas tranquilizado o teu espírito, volta a pensar em tua falta, para dela te arrependeres. E, quando chegar o momento da confissão sacramental- que aconselho-te a praticar com frequência-, volta ao exame de tuas faltas e, com renovada dor e arrependimento pela ofensa a Deus e propósito de não voltar a ofendê-lO, relata ao confessor de tuas quedas.

(http://cleofas.com.br/o-que-devemos-fazer-quando-somos-feridos/)

Libertado um cristão iraniano: cárcere difícil para um Pastor detido injustamente

Bordbar foi preso em 27 de dezembro de 2012, junto a outros 50 cristãos, que se reuniram para celebrar o Natal

ROMA, 11 de Novembro de 2013 (Zenit.org) – O cristão iraniano Mostafa Bordbar foi libertado da prisão, depois de ganhar o recuso contra a condenação a 10 anos de prisão, que lhe foi decretada em julho de 2013. Como apurado por Fides, a libertação ocorreu em 3 de novembro passado, graças ao veredicto de uma Corte de apelação que o absolveu, considerando nulas as acusações contra ele, como a de ser “membro de uma organização que atua contra a segurança nacional”.

Como recorda uma nota enviada a Fides pela Ong “Christian Solidariety Worldwide” (CSW), Bordbar foi preso em 27 de dezembro de 2012, junto a outros 50 cristãos, que se reuniram para celebrar o Natal numa casa ao norte de Teerã. Depois de um longo interrogatório, os fiéis foram libertados, menos Bordbar e o Pastor cristão armênio Vruir Avanessian. Este depois saiu da prisão sob fiança em janeiro passado.

Num outro caso delicado, o Pastor Saeed Abedini, que tem a dupla cidadania americana/iraniana, condenado a oito anos de prisão, foi transferido em 3 de novembro passado para o famigerado cárcere de “Shahr Raja”, na cidade de Karaj. O Pastor se encontra na ala n. 3 da prisão, conhecida por abrigar os prisioneiros mais violentos do país. Segundo refere CSW a Fides, o Pastor foi transferido porque na prisão de Evin em Teerã, onde se encontrava precedentemente, tinha organizado um protesto pacífico com outros prisioneiros contra os maus-tratos aos detentos, que também ele sofria.

Na nota enviada a Fides, Mervyn Thomas, Diretor de CSW, “elogia a magistratura iraniana por ter certificado a verdade sobre o cristão Bordbar” e “deplora os maus-tratos contra Saeed Albedini”, preso, como acontece a outros cristãos, “com base em acusações políticas completamente ilegítimas”.

(Agência Fides)

Nada é impossível à misericórdia de Deus

Catequese do Papa Francisco na tarde de ontem, sábado, 12 de outubro

ROMA, 13 de Outubro de 2013 (Zenit.org) – Amados irmãos e irmãs,

Reunimo-nos aqui, neste encontro do Ano da Fé dedicado a Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, nossa Mãe. A sua imagem, vinda de Fátima, ajuda-nos a sentir a sua presença no meio de nós. Maria leva-nos sempre a Jesus. É uma mulher de fé, uma verdadeira crente. Como foi a fé de Maria?

1. O primeiro elemento da sua fé é este: a fé de Maria desata o nó do pecado (cf. LG, 56). Que significa isto? Os Padres conciliares retomaram uma expressão de Santo Ireneu, que diz: «O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; aquilo que a virgem Eva atara com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé» (Adv. Haer. III, 22, 4).

O «nó» da desobediência, o “nó” da incredulidade. Poderíamos dizer, quando uma criança desobedece à mãe ou ao pai, que se forma um pequeno «nó». Isto sucede, se a criança se dá conta do faz, especialmente se há pelo meio uma mentira; naquele momento, não se fia da mãe e do pai. Isto acontece tantas vezes! Então a relação com os pais precisa de ser limpa desta falta e, de facto, pede-se desculpa para que haja de novo harmonia e confiança. Algo parecido acontece no nosso relacionamento com Deus. Quando não O escutamos, não seguimos a sua vontade e realizamos acções concretas em que demonstramos falta de confiança n’Ele – isto é o pecado –, forma-se uma espécie de nó dentro de nós. Estes nós tiram-nos a paz e a serenidade. São perigosos, porque de vários nós pode resultar um emaranhado, que se vai tornando cada vez mais penoso e difícil de desatar.Mas, para a misericórdia de Deus, nada é impossível! Mesmo os nós mais complicados desatam-se com a sua graça. E Maria, que, com o seu «sim», abriu a porta a Deus para desatar o nó da desobediência antiga, é a mãe que, com paciência e ternura, nos leva a Deus, para que Ele desate os nós da nossa alma com a sua misericórdia de Pai. Poderíamos interrogar-nos: Quais são os nós que existem na minha vida? Para mudar, peço a Maria que me ajude a ter confiança na misericórdia de Deus?

2. Segundo elemento: a fé de Maria dá carne humana a Jesus. Diz o Concílio: «Acreditando e obedecendo, gerou na terra, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do eterno Pai» (LG, 63). Este é um ponto em que os Padres da Igreja insistiram muito: Maria primeiro concebeu Jesus na fé e, depois, na carne, quando disse «sim» ao anúncio que Deus lhe dirigiu através do Anjo. Que significa isto? Significa que Deus não quis fazer-Se homem, ignorando a nossa liberdade, quis passar através do livre consentimento de Maria, do seu «sim».

Entretanto aquilo que aconteceu de uma forma única na Virgem Mãe, sucede a nível espiritual também em nós, quando acolhemos a Palavra de Deus com um coração bom e sincero, e a pomos em prática. É como se Deus tomasse carne em nós: Ele vem habitar em nós, porque faz morada naqueles que O amam e observam a sua palavra.Perguntemo-nos: Estamos nós conscientes disto? Ou pensamos que a encarnação de Jesus é um facto apenas do passado, que não nos toca pessoalmente? Crer em Jesus significa oferecer-Lhe a nossa carne, com a humildade e a coragem de Maria, para que Ele possa continuar a habitar no meio dos homens; significa oferecer-Lhe as nossas mãos, para acariciar os pequeninos e os pobres; os nossos pés, para ir ao encontro dos irmãos; os nossos braços, para sustentar quem é fraco e trabalhar na vinha do Senhor; a nossa mente, para pensar e fazer projectos à luz do Evangelho; e sobretudo o nosso coração, para amar e tomar decisões de acordo com a vontade de Deus. Tudo isto acontece graças à acção do Espírito Santo. Deixemo-nos guiar por Ele!

3. O último elemento é a fé de Maria como caminho: o Concílio afirma que Maria «avançou pelo caminho da fé» (LG, 58). Por isso, Ela nos precede neste caminho, nos acompanha e sustenta.

Em que sentido a fé de Maria foi um caminho? No sentido de que toda a sua vida foi seguir o seu Filho: Ele é a estrada, Ele é o caminho! Progredir na fé, avançar nesta peregrinação espiritual que é a fé, não é senão seguir a Jesus; ouvi-Lo e deixar-se guiar pelas suas palavras; ver como Ele se comporta e pôr os pés nas suas pegadas, ter os próprios sentimentos e atitudes d’Ele: humildade, misericórdia, solidariedade, mas também firme repulsa da hipocrisia, do fingimento, da idolatria. O caminho de Jesus é o do amor fiel até ao fim, até ao sacrifício da vida: é o caminho da cruz. Por isso, o caminho da fé passa através da cruz, e Maria compreendeu-o desde o princípio, quando Herodes queria matar Jesus recém-nascido. Mas, depois, esta cruz tornou-se mais profunda, quando Jesus foi rejeitado: então a fé de Maria enfrentou a incompreensão e o desprezo; quando chegou a «hora» de Jesus, a hora da paixão: então a fé de Maria foi a chamazinha na noite. Na noite de Sábado Santo, Maria esteve de vigia. A sua chamazinha, pequena mas clara, esteve acesa até ao alvorecer da Ressurreição; e quando lhe chegou a notícia de que o sepulcro estava vazio, no seu coração alastrou-se a alegria da fé, a fé cristã na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Este é o ponto culminante do caminho da fé de Maria e de toda a Igreja. Como está a nossa fé? Temo-la, como Maria, acesa mesmo nos momentos difíceis, de escuridão? Tenho a alegria da fé?

Esta noite, ó Maria, nós Te agradecemos pela tua fé e renovamos a nossa entrega a Ti, Mãe da nossa fé.

(Fonte: Agência Zenit)

Uma oração que não seja corajosa não é uma verdadeira oração, diz o Papa

Papa Francisco. Foto: Grupo ACI

VATICANO, 10 Out. 13 / 02:12 pm (ACI/EWTN Noticias).- Ao celebrar a Missana Capela da Casa Santa Marta hoje, o Papa Francisco assegurou que é preciso ter coragem para pedir ao Senhor na oração, pois “uma oração que não seja corajosa não é uma verdadeira oração”.

O Santo Padre perguntou “Como nós rezamos? Rezamos assim, por costume, piedosamente, mas tranquilos, ou nos colocamos com coragem diante do Senhor para pedir a graça, para pedir por aquilo pelo qual rezamos?”.

“A coragem na oração: uma oração que não seja corajosa não é uma verdadeira oração. A coragem de ter confiança de que o Senhor nos ouça, a coragem de bater à porta… O Senhor diz: ‘Quem pede, recebe; quem procura, encontra; e quem bate, a porta se abre’. É preciso pedir, procurar e bater”.

“Nós, nos envolvemos na oração? Sabemos chamar o coração de Deus?”.

O Papa indicou que “no Evangelho, Jesus diz: ‘se vós que sois maus,?sabeis dar coisas boas aos vossos filhos,?quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo?aos que o pedirem!?’”, o qual “é uma grande coisa”.

“Quando rezamos com coragem, o Senhor nos concede a graça, e também se dá a si mesmo na graça: o Espírito Santo, ou seja, a si mesmo! O Senhor nunca concede ou manda uma graça por correio. Nunca! Ele a concede! Ele é a graça!”.

“O que nós pedimos é na verdade como um papel que embrulha a graça. Mas a verdadeira graça é Ele que vem para entrega-la. A nossa oração, se for corajosa, recebe aquilo que pedimos, mas também aquilo que é mais importante: o Senhor”.

O Papa assinalou que às vezes “pedimos a graça, e não nos atrevemos a dizer: ‘Que o Senhor me traga’. Sabemos que a graça é sempre trazida por Ele: é Ele quem vem e nos entrega”.

“Não façamos a desfeita de receber a graça e não reconhecer Quem a dá: o Senhor. Que o Senhor nos dê a graça de doar-se a si mesmo, sempre, em toda graça. E que nós O reconheçamos, e que O louvemos como aqueles doentes curados do Evangelho. Porque naquela graça, encontramos o Senhor”.

(Fonte: ACI Digital)

Equador: três mil jovens fazem promessa de castidade

Semana da família tem ainda 75 casamentos coletivos, um festival artístico e uma exposição dos grupos de leigos

Por Redacao

ROMA, 20 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – A arquidiocese de Guayaquil, no Equador, junto com a Pastoral da Família, organizou a Semana da Família entre os dias 16 e 22 de setembro, datas em que se realizaram na cidade várias atividades relacionadas com essa pastoral. O tema central de reflexão foi “Família, Escola de Fé”, com o lema “A minha família e eu serviremos ao Senhor”.

Ontem, 19 de setembro, foram emitidas na catedral metropolitana de São Pedro Apóstolo as promessas de castidade dos jovens. Todos os anos, mais de 3500 jovens fazem esse ato de fé, depois de terem passado por uma série de palestras de formação.

No dia 16 de setembro, houve missas em todas as paróquias em honra dos avós e dos netos. A terça-feira, 17, foi a jornada de formação em que sacerdotes, religiosos e leigos participaram da palestra formativa “A Família como Escola de Fé”, oferecida pela doutora Amparo Medina, presidente da Rede Pró-Vida Equador. Na quarta-feira, 18, aconteceu a consagração das mães grávidas e das crianças menores.

Nesta sexta-feira, 20 de setembro, foram celebrados os casamentos coletivos: 75 casais que, depois da prévia preparação para o sacramento do matrimônio, deram publicamente o testemunho do seu amor conjugal abençoado e fortalecido no Amor de Deus.

Amanhã, 21, a partir das 10h, acontece no colégio Bernardino Echeverría o Festival Artístico da Família, com apresentações organizadas por várias pastorais como a da Mulher, a Juvenil e outras pertencentes à arquidiocese, realçando a vida e a família.

A Semana da Família termina neste domingo, 22, com a exposição dos grupos de leigos, que apresentarão os seus carismas e convidarão as pessoas a participar ativamente, dentro e fora da Igreja, em iniciativas voltadas ao bem da família e da sociedade.

(Fonte: Agência Zenit)

A misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo

As palavras do papa Francisco no Angelus

CIDADE DO VATICANO, 15 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – Apresentamos as palavras pronunciadas pelo papa Francisco neste domingo, diante dos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para rezar o Angelus.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na liturgia de hoje, lemos o capítulo 15 do Evangelho de Lucas, que contém as três parábolas da misericórdia: a ovelha perdida, a moeda perdida, e a mais longa de todas as parábolas, típica de São Lucas, a do pai e dos dois filhos, o filho “pródigo” e o filho, que acredita ser o “justo”, que crê ser santo. Todas estas três parábolas falam da alegria de Deus, Deus é alegria. Interessante: Deus é alegria! E o que é a alegria de Deus? A alegria de Deus é perdoar, a alegria de Deus é perdoar! É a alegria de um pastor que reencontra a ovelha; é a alegria de uma mulher que encontra novamente a sua moeda; é a alegria de um pai que acolhe novamente em casa, o filho que estava perdido, que era considerado morto e tornou a viver, voltou para casa. Aqui está todo o Evangelho! Aqui! Aqui está todo o Evangelho, todo o cristianismo! Mas não é sentimento, não é ser “bonzinho”! Pelo contrário, a misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo do “câncer” que é o pecado, o mal moral, o mal espiritual. Só o amor preenche os espaços vazios, os abismos negativos que o mal abre no coração e na história. Somente o amor pode fazer isso, e essa é a alegria de Deus!

Jesus é todo misericórdia, Jesus é todo amor: é Deus feito homem. Cada um de nós é aquela ovelha perdida, aquela moeda perdida; cada um de nós é aquele filho que desperdiçou a própria liberdade seguindo falsos ídolos, ilusão de felicidade, e perdeu tudo. Mas Deus não se esquece de nós, o Pai nunca nos abandona. É um pai paciente, nos espera sempre! Respeita a nossa liberdade, mas permanece fiel. E quando voltamos para Ele, nos acolhe como filhos, em sua casa, porque ele não para nunca, nem por um momento, de nos esperar, com amor. E o seu coração está em festa por cada filho que retorna. Está em festa porque é alegria. Deus sente essa alegria quando um de nós pecadores vai até Ele e pede o seu perdão.

Qual é o perigo? É que supomos sermos justos, e julgamos os outros. Julgamos até Deus, porque pensamos que deveria punir os pecadores, condenando-os à morte, em vez de perdoar. Agora sim corremos o risco de permanecer fora da casa do Pai! Como aquele irmão mais velho da parábola que, em vez de se alegrar porque seu irmão retornou, ele fica com raiva de seu pai que o acolhe e faz festa. Se em nossos corações não há misericórdia, alegria do perdão, não estamos em comunhão com Deus, mesmo observando todos os preceitos, pois é o amor que salva, não apenas a prática dos preceitos. É o amor por Deus e pelo próximo que realiza todos os mandamentos. E este é o amor de Deus, a sua alegria: perdoar. Nos espera sempre! Talvez algum de vocês tenha algo pesado em seu coração: “Mas, eu fiz isso, eu fiz aquilo…”. Ele te espera! Ele é pai: sempre espera por nós!

Se vivemos de acordo com a lei “olho por olho, dente por dente”, jamais sairemos da espiral do mal. O Maligno é inteligente, e nos ilude que com a nossa justiça humana podemos nos salvar e salvar o mundo. Na realidade, somente a justiça de Deus pode nos salvar! E a justiça de Deus se revelou na Cruz: a Cruz é o julgamento de Deus sobre todos nós e sobre este mundo. Mas como Deus nos julga?Dando a vida por nós! Eis o ato supremo de justiça que derrotou, uma vez por todas, o Príncipe deste mundo; e esse ato supremo de justiça é também ato supremo de misericórdia. Jesus chama todos a seguirem este caminho: ‘Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso’ (Lc 6:36)”.

Peço-vos uma coisa, agora. Em silêncio, todos, pensemos… cada um pense em uma pessoa com a qual não estamos bem, com a qual estamos com chateados, que não gostamos. Pensemos nessa pessoa em silêncio, neste momento, rezemos por esta pessoa e tornemo-nos misericordiosos para com esta pessoa.

Invoquemos agora a intercessão de Maria, Mãe da Misericórdia.

(Depois do Angelus)

Queridos irmãos e irmãs,

ontem, na Argentina, foi proclamado Bem-aventurado José Gabriel Brochero, um padre da diocese de Córdoba, que nasceu em 1840 e morreu em 1914. Impulsionado pelo amor de Cristo, dedicou-se inteiramente ao seu rebanho, para levar todos ao Reino de Deus, com imensa misericórdia e zelo pelas almas. Estava com o povo, e tentava levar muitos aos exercícios espirituais. Ele andava por quilômetros e quilômetros, subindo as montanhas com sua mula chamada “cara feia”, porque não era bonita. Ele caminhava mesmo debaixo de chuva, era corajoso! Mas, vocês também, com essa chuva, estão aqui, vocês são corajosos. Bravos! No final, este Beato estava cego e leproso, mas cheio de alegria, a alegria do Bom Pastor, a alegria do Pastor misericordioso!

Gostaria de unir-me à alegria da Igreja na Argentina pela beatificação deste pastor exemplar, que percorreu incansavelmente com uma mula, os caminhos áridos de sua paróquia, procurando casa por casa, as pessoas a ele confiadas para levá-las a Deus. Peçamos a Cristo, por intercessão do novo Beato, que se multipliquem os sacerdotes que, imitando Brochero, entreguem as suas vidas ao serviço da evangelização, de joelhos diante do Crucifixo, como também testemunhando em todos os lugares o amor e a misericórdia Deus”.

Hoje, em Turim, conclui-se a Semana Social dos católicos italianos, sobre o tema ” Família, esperança e futuro para a sociedade italiana”. Saúdo todos os participantes e alegro-me com o forte compromisso que existe na Igreja na Itália com as famílias e para as famílias e que é um forte estímulo também para as instituições e para todo o país. Coragem! Avante neste caminho da família!

Saúdo com afeto todos os peregrinos presentes hoje: famílias, grupos religiosos, jovens. Em particular, saúdo os fiéis de Dresano, Taggi di Sotto e Torre Canne di Fasano; UNITALSI de Ogliastra, as ciranças de Trento que em breve receberão a Primeira Comunhão, os jovens de Florença e o “Spider Clube Itália”.

Desejo a todos um bom domingo e um bom almoço. Adeus!

(Fonte: Agência Zenit)

Cristãos sem medo, sem vergonha e sem triunfalismo

Homilia do Papa Francisco na missa em Santa Marta

CIDADE DO VATICANO, 10 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – Os cristãos são chamados a anunciar Jesus sem medo, sem vergonha e sem triunfalismo. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa esta manhã na Casa Santa Marta. O Papa sublinhou o risco de se tornar cristãos sem Ressurreição e reiterou que Cristo é sempre o centro e a esperança da nossa vida.

Jesus é o Vencedor, Aquele que venceu a morte e o pecado. O Papa Francisco desenvolveu a sua homilia, inspirando-se nas palavras de Jesus na Carta de São Paulo aos Colossenses. Para todos nós, disse o Papa, São Paulo aconselha de caminhar com Jesus “porque Ele venceu, caminhar n’Ele arraigados e edificados n’Ele, sobre esta vitória, firmes na fé”. Este é o ponto chave, ressaltou: “Jesus ressuscitou”. Mas, – continuou -, nem sempre é fácil entender. O Papa recordou, por exemplo, que quando São Paulo falou aos gregos em Atenas foi ouvido com interesse até quando ele falou da Ressurreição. “Isso nos faz ter medo, melhor deixá-la lá”. Um episódio que nos questiona também hoje:

“Há tantos cristãos sem Ressurreição, cristãos sem o Cristo Ressuscitado: acompanham Jesus até o sepulcro, choram, eles o amam muito, mas até ali. Pensando nessa atitude dos cristãos sem o Cristo Ressuscitado, eu encontrei três tipos de cristãos, mas existem muitos outros: os temerosos, os cristãos temerosos; os vergonhosos, aqueles que têm vergonha; e os triunfalistas. Esses três não se encontraram com Cristo Ressuscitado! Os temerosos: são aqueles da manhã da Ressurreição, os discípulos de Emaús … vão embora, eles têm medo”.

Os Apóstolos, recordou o Papa, se fecham no Cenáculo, com medo dos judeus, também Maria Madalena chora porque levaram embora o Corpo do Senhor. “Os temerosos – advertiu – são assim: eles têm medo de pensar na Ressurreição”. É como, – observou o Papa -, se eles permanecessem “na primeira parte do texto”, “temos medo do Ressuscitado”. Há também os cristãos vergonhosos. “Confessar que Cristo ressuscitou – constatou o Santo Padre – dá um pouco de vergonha neste mundo que “vai tão longe nas ciências”. Para esses cristãos, Paulo disse para que tenham cuidado para que ninguém seja alvo de filosofias e de vazias sutilezas inspiradas na tradição humana. Estes, – disse ainda o Papa – , “têm vergonha” de dizer que “Cristo, com a sua carne, com as suas feridas ressuscitou”. Por fim, há os cristãos que “em seus corações, não acreditam no Senhor ressuscitado e querem eles fazer uma ressurreição mais majestosa do que aquela verdadeira”. São os cristãos “triunfalistas”:

“Eles não conhecem a palavra ‘triunfo’, somente dizem ‘triunfalismo’, porque têm como que um complexo de inferioridade e querem fazer … Quando olhamos para estes cristãos, com tantas atitudes triunfalistas, em suas vidas, em seus discursos e em sua pastoral, na Liturgia, tantas coisas assim, é porque no mais íntimo eles não acreditam profundamente no Ressuscitado. E Ele é o Vencedor, o Ressuscitado. Ele venceu. Por esta razão, sem temor, sem medo, sem triunfalismo, apenas observando o Senhor Ressuscitado, sua beleza, até mesmo colocando os dedos nas chagas e a mão no costado”.

“Essa – acrescentou – é a mensagem que hoje Paulo nos dá”: Cristo “é tudo”, é a totalidade e a esperança, “porque é o Esposo, o Vencedor”. O Evangelho de hoje, – disse ainda o Papa -, nos mostra uma multidão de pessoas que vai ouvir Jesus e há muitas pessoas doentes que tentam tocá-lo, porque d’Ele “saía uma força que curava todos”:

“A nossa fé, a fé no Ressuscitado: que venceu o mundo! Vamos em direção a Ele e deixemo-nos, como esses enfermos, ser tocadas por Ele, pela sua força, porque Ele é de carne e ossos, não é uma idéia espiritual que vai … Ele está vivo. Ele Ressuscitou. E assim venceu o mundo. Que o Senhor nos dê a graça de compreender e viver estas coisas”.

(Fonte: Rádio Vaticano)

Vocês se animam a ser essa força de amor e misericórdia?

Papa Francisco: “Vocês se animam a ser essa força de amor e misericórdia que tem a coragem de transformar o mundo?”
Primeira audiência do Papa Francisco depois das férias de verão da Europa

Por Thácio Lincon Soares de Siqueira

ROMA, 04 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – Os mais de 22 mil metros quadrados da Praça de São Pedro ficaram pequenos para acolher a multidão que hoje se reuniu para participar da primeira catequese das quartas-feiras, depois de dois meses de recesso, do Papa Francisco. Os peregrinos eram tantos que chegavam à Via della Conciliazione.

No início da Audiência, até parecia que o Papa não queria chegar à sua Sede, enquanto dava voltas e mais voltas em toda a Praça para quase cumprimentar um por um todos os presentes. Incontáveis as crianças e deficientes beijados e abraçados ao longo do percurso. Sorrisos e bençãos não pararam de sair do Santo Padre Francisco enquanto a multidão gritava: Francisco, Francisco, Francisco…

A leitura do Evangelho de Mateus foi ocasião para o Papa lembrar, nessa quarta-feira, a sua viagem à Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, no mês de Julho desse ano. Tudo resumido em trêsKeywords, como de costume: acolhida, festa e missão.

Papa Francisco agradeceu à Nossa Senhora Aparecida a graça dessa viagem, e ressaltou a sua importância para a Igreja na América Latina. Aparecida é importante para a igreja do Brasil e da América Latina: lugar onde os bispos viveram uma Assembléia geral com o Papa Bento XVI, e continente onde se encontra a “maioria dos católicos do mundo”, destacou o Papa.

Acolhida

“Brava gente, questi brasiliani!!! Brava gente!”, Excelentes pessoas, estes brasileiros!!! Excelentes pessoas, disse o Papa, ao referir-se à primeira ideia da sua catequese de hoje: acolhida. A acolhida que as paróquias e o povo brasileiro deram aos peregrinos foi algo fantástico, disse o Papa, porque transformou os incômodos normais de uma peregrinação em ocasiões de amizade. “Assim cresce a Igreja em todo o mundo, como uma rede de grande amizade em Jesus Cristo”.

Festa

A segunda ideia que a experiência da JMJ trouxe ao Papa foi a de festa. A JMJ é sempre uma festa. Quando um cidade está cheia de jovens cantando, juntos, é uma festa. “E a festa maior é a festa do Senhor”, disse o Papa. Na JMJ essa festa acontece, principalmente, no momento central, na vigília da noite do sábado e na missa de envio no domingo. Só o Senhor dá a verdeira festa. “Sem o amor de Deus não há verdadeira festa para o homem”, ressaltou.

Missão

Missão. Essa foi a terceira ideia que a JMJ trouxe ao Papa. A JMJ foi caracterizada por um tema missionário: “Ide e fazei discípulos a todos os povos”. Escutamos a palavra de Jesus hoje, disse o Papa. É a missão que Ele nos dá a todos. Saiam de vocês mesmos para levar a luz e o amor do evangelho a todos. Até mesmo o local onde se pronunciou essa mensagem de Jesus lá no Rio de Janeiro, às margens do oceano e diante de uma multidão incontável na praia foi um lugar simbólico, “que lembrava as margens do mar da galileia”.

“Eu estou convosco todos os dias”, destacou o Papa, dizendo que isso é fundamental. Só com Cristo podemos levar o Evangelho. Sem Ele não podemos nada. Ainda uma pessoa que aos olhos do mundo não é nada, aos olhos de Deus é muito.

Nesse momento, o Papa levantou os olhos e interpelou os presentes na Praça de São Pedro: “Eu não sei se há jovens na Praça hoje… Há jovens na Praça? – e os peregrinos responderam com força: Sim!!! E continuou: “Vocês querem ser esperança para Deus? Vocês querem ser uma esperança para a Igreja?”, ao que responderam: Sim! E disse o Papa: “um coração jovem que se transforma em Cristo… Vocês, jovens, devem se transformar em esperança, abrir as portas para um mundo novo de esperança… querem ser esperança para todos nós?”

Então o Pontífice perguntou: “O que significa aquela multidão de jovens que encontraram Jesus no Rio de Janeiro?”, esses jovens não terminaram nos jornais – disse o Papa – porque não são violentos, porque não fazem notícia…, mas – continuou – se permanecem unidos a Jesus são muito fortes.

E Francisco, olhando novamente para todos reunidos na Praça de São Pedro, disse: “Vocês tem a coragem de aceitar esse desafio? Vocês tem essa coragem? Não escutei…” Ao que responderam: Sim!!!. E continuou o Papa: “Vocês se animam a ser essa força de amor e misericórdia que tem a coragem de transformar o mundo?”

A verdadeira experiência da JMJ nos traz a boa notícia. “Somos amados por Deus, que é Nosso Pai, que enviou Jesus para salvar-nos, para perdoar-nos tudo. “Ele sempre perdoa porque é bom e misericordioso”, disse Francisco.

E concluiu o Papa: “Acolhida, festa e missão. Que essas palavras sejam alma da nossa vida e da nossa comunidade”.

Ao final da audiência o Papa recordou que próximo sábado todos viveremos uma jornada de oração e jejum pela paz na Síria, no Oriente Médio e no mundo inteiro. “Também pela paz nos nossos corações, porque a paz começa no coração!” O pontífice por fim exortou os fieis romanos e os peregrinos a participarem da vigília de oração, “aqui, na Praça de São Pedro às 19hs, para invocar ao Senhor o grande dom da paz. Que se levante forte, em toda a terra, o grito pela paz!”.

(Fonte: Agência Zenit)

Papa: Jovens, “nadem contra a corrente”!

Jovens, “nadem contra a corrente”, “sejam corajosos”, “façam barulho”!
Na audiência de hoje, no Vaticano, com 500 peregrinos de Piacenza, em Roma para o Ano da Fé, o Papa Francisco exortou os jovens a “construir um futuro de beleza, bondade e verdade”

Por Salvatore Cernuzio

ROMA, 28 de Agosto de 2013 (Zenit.org) – Para o Papa Francisco a audiência desta tarde na Basílica Vaticana com 500 jovens da diocese de Piacenza-Bobbio, em uma peregrinação a Roma para o Ano da Fé, não foi um só um compromisso a mais na sua agenda papal. Pelo contrário, foi um momento de diversão e alegria, porque ele disse claramente: “Eu gosto de estar com os jovens”.

Ele gosta – explicou – porque os jovens têm em seus corações “uma promessa de esperança” são “artífices do futuro”, “buscadores da beleza” e “profetas de bondade” e é bom estar com quem tem nas mãos a capacidade de construir um mundo melhor.

A reunião foi “organizada” pelo bispo de Piacenza, Mons. Gianni Ambrosio, que, acompanhando os jovens a Roma nos lugares da fé, pediu ao Santo Padre para concluir esta bela experiência com uma audiência privada com os peregrinos. E o Papa, como sempre, não deu desculpas, pelo contrário, disse: “faço-o com prazer”.

“Obrigado por esta visita – disse na abertura do seu discurso improvisado -. O bispo falou que fiz um grande gesto ao vir aqui, mas o fiz com ‘egoísmo’, sabem por quê? Porque gosto de estar com vocês”.

E acrescentou: “Quando me dizem: mas, padre, que tempos ruins, estes… Olha, não é possível fazer nada! Como não é possível fazer nada? E explico que muita coisa pode ser feito!”. Mas quando – continuou ele – “um jovem me diz: Que maus tempos, estes, padre, não podemos fazer nada!, eu o mando falar com um psiquiatra, hein?”, porque “não dá para entender um jovem, um rapaz, uma moça, que não queiram fazer algo grande, apostar em grandes ideais para o futuro, não? Depois, farão o que puderem, mas a aposta é por coisas grandes e bonitas”.

No coração de cada jovem há “três desejos”, disse o Papa Bergoglio. A vontade da beleza: “Vocês gostam da beleza, são buscadores de beleza”. A vontade da bondade: “vocês são profetas da bondade. Vocês gostam de ser bons e esta bondade é contagiosa, ajuda todos os outros…”. Finalmente, a vontade, mais ainda, a “sede” de verdade. Estão enganados aqueles que acreditam ter a verdade, advertiu o Papa, “porque não se tem a verdade, não a trazemos”, mas “se encontra”, é “um encontro com a verdade que é Deus, mas é preciso buscá-la”.

Papa Francisco, portanto, incentivou os jovens a levar adiante esses três desejos, a fim de construir um “futuro com a beleza, com a bondade e com a Verdade”. Para o Bispo de Roma este é um verdadeiro e real “desafio”, por isso as novas gerações devem ser sempre ativas e positivas, porque “se um jovem é preguiçoso ou é triste então aquela beleza não será beleza, aquela bondade não será bondade e aquela verdade não será tal”.

“Apostar em um grande ideal, e o ideal de fazer um mundo de bondade, beleza e verdade – é a exortação do Papa – isso, vocês tem o poder de fazê-lo”. Então dirigiu aos presentes o mesmo incentivo dado aos jovens argentinos participantes na JMJ: “Coragem. Vão em frente. Façam barulho, hein? Onde há jovens deve haver ruído. Depois, as coisas se ajeitam, mas o entusiasmo de um jovem deve fazer barulho sempre”.

“Vão em frente – insistiu o Papa – e acima de tudo sempre na vida existirão pessoas que vos farão propostas para freiar, para bloquear seu caminho. Por favor, nadem contra corrente. Sejam corajosos, corajosos. Dizem para vocês: Mas, toma um pouco de álcool, toma um pouco de droga… Não! Vocês devem ir na contramão dessa civilização que nos está fazendo tanto mal”.

“Entenderam isso? – concluiu Bergoglio – ir contra a corrente e isso significa fazer barulho. Ir em frente, mas com os valores da beleza, da bondade e da verdade”.

Em conclusão, o Papa desejou aos jovens peregrinos “todo o bem, um bom trabalho, alegria no coração”; depois rezou junto com eles à Nossa Senhora que “é a Mãe da beleza, a Mãe da bondade e a Mãe da Verdade”, para que “nos dê a graça da coragem para seguir em frente e ir contra a corrente”.

Depois da Ave Maria, finalmente, o pedido de sempre:. “Orem por mim, porque este trabalho é duro”. Entre os aplausos e em um clima de grande entusiasmo, Francisco cumprimentou todos os meninos e meninas presentes. Saindo, se deu conta de que faltavam outras pessoas para cumprimentar e voltou atrás para não deixar ninguém ir para casa sem o abraço do sucessor de Pedro.

Traduzido do original italiano por Thácio Siqueira

(Fonte: Agência Digital)

A coragem e lealdade dos guardas suíços

Entrevista com o capelão da Guarda Suíça no dia do juramento de 26 recrutas Por Sergio Mora

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 7 de maio de 2012 (ZENIT.org) – Na manhã deste domingo (6), realizou-se na Sala Paulo VI a cerimônia de juramento de 26 recrutas da Guarda Suíça Pontifícia, perante cardeais, bispos, representantes do corpo diplomático creditado junto à Santa Sé e o representante do papa, dom Giovanni Angelo Becciu.

Antes do juramento, o Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, celebrou uma missa para o corpo da Guarda Suíça no altar da Cátedra de São Pedro, explicando que “é preciso coragem para dar testemunho do Evangelho. Eu o afirmo pensando em vocês, caros guardas suíços, e os exorto a fazê-lo com alegria não só quando estão em serviço, mas sempre, em cada momento e em cada situação da sua vida”.

O papa Bento XVI, no final do Regina Caeli na Praça de São Pedro, dirigiu “uma saudação especial aos novos guardas suíços e às suas famílias, no dia da festa desta histórica corporação”.

ZENIT entrevistou o capelão da Guarda Suíça, dom Alain de Raemy. Ele afirma que a base da espiritualidade da guarda é a fidelidade ao papa e a vontade de defendê-lo ainda que arriscando a própria vida.

Qual é a espiritualidade da Guarda Suíça?

Dom Alain de Raemy: Eu diria que não há uma espiritualidade específica, uma espiritualidade única, já que eles chegam aqui com experiências muito diferentes de família, de paróquias, mesmo sendo todos católicos batizados, confirmados e recomendados pelos seus párocos. São, enfim, experiências espirituais muito diferentes. Temos quem nunca ia à missa aos domingos. Foram batizados, crismados, mas a família não era praticante. E depois descobriram a possibilidade de ser convocados para a Guarda Suíça e aprofundaram as suas razões de fé.

Então nem todos são praticantes?

Dom Alain de Raemy: Eles são conscientes de estarem num lugar onde normalmente deveriam estar católicos praticantes. O papa pede católicos convictos para este serviço. Mas sempre foi assim. Muitos suíços aproveitaram esta oportunidade sem necessariamente ter uma forte motivação religiosa.

Eles praticam os sacramentos?

Dom Alain de Raemy: A missa dominical é obrigatória e a presença é verificada militarmente. E isto os guardas já sabem desde a hora em que eles apresentam a candidatura. Eles sabem que temos um capelão que lhes dará instrução religiosa na escola de formação. Recebem catequese sobre o ministério de Pedro, sobre a história dos papas e da Igreja. É uma catequese intensiva, que é realizada no decurso de um mês.

Quais são os deveres do capelão da Guarda Suíça?

Dom Alain de Raemy: Celebrar a missa na capela da guarda e oferecer os exercícios espirituais anuais. Junto com o comandante e com os outros oficiais, o capelão é responsável pelas atividades culturais do corpo e pelo recrutamento de novos guardas. E também é o responsável pela biblioteca.

Existem outras tarefas?

Dom Alain de Raemy: Sim. Eu tenho que estar sempre muito próximo dos guardas. Vou visitá-los quando eles ficam sozinhos durante muito tempo, e acho que essa é uma grande oportunidade para desenvolver um diálogo pessoal.

Já aconteceu de ouvi-los em confissão?

Dom Alain de Raemy: Já me aconteceu. Os guardas fazem os exercícios espirituais durante a quaresma, que é um período em que o serviço fica mais leve porque o papa e a cúria suspendem todas as atividades.

Quanto tempo duram os exercícios espirituais deles?

Dom Alain de Raemy: Quatro dias de exercícios espirituais, com um pregador escolhido por mim. Neste período tem havido um grande número de confissões. O caso é que em muitas partes da Suíça são praticadas as confissões coletivas. Os fiéis não estão mais acostumados à confissão pessoal. Na quaresma, nós temos guardas que estão se confessando pela primeira vez na vida.

Eles são leigos, mas militares. Como isto afeta o futuro da vida espiritual deles?

Dom Alain de Raemy: O corpo da Guarda Suíça é o melhor provedor de vidas consagradas. A média é de uma ou duas vocações por ano. Muitas vezes, pessoas que nunca tinham imaginado isso viram sacerdotes religiosos ou diocesanos.

E bons sacerdotes?

Dom Alain de Raemy: Sim, porque eles ouviram o papa diretamente, sem as distorções da mídia. Eles praticaram a fidelidade ao Santo Padre e escutaram, entenderam e seguiram a orientação espiritual do papa e da Igreja.

Qual é a coisa mais complicada?

Dom Alain de Raemy: Talvez seja uma atitude de obediência formal que às vezes não vai mais fundo. Mas a obediência também é positiva, porque eles confiam nos superiores e nas consequências da sua atitude para com a fé.

É verdade que os guardas suíços estão dispostos a derramar o sangue para defender o papa?

Dom Alain de Raemy: Esta é a espiritualidade que une todos eles, o compromisso que une os guardas suíços mesmo na diversidade da prática religiosa. Basta ver o juramento para entender que a fidelidade ao papa é indestrutível. Eles podem ter dúvidas sobre a fé, e depois do serviço tem quem não vai muito à missa, mas eles sentirão para sempre, para sempre mesmo, essa união com o papa. Este sentimento fica para sempre dentro deles.

Fonte: Agência ZENIT