Sacerdote celebra Missa com colete à prova de balas devido a ameaças do crime organizado no México

Pe. Gregorio López. Foto: Captura do vídeo / El Universal

MEXICO D.F., 20 Jan. 14 / 10:59 am (ACI/EWTN Noticias).- Diante da terrível situação de violência que se vive em Apatzigán, estado de Michoacán (México) e devido às diversas ameaças do crime organizado contra o clero, o Pe. Gregorio López (46), viu-se obrigado a presidir a Missa vestindo um colete à prova de balas.

“Morrer por uma causa como é a liberdade do meu povo, vale a pena”, assinalou o sacerdote em uma entrevista concedida ao ElUniversal.com.mx que conhece e identifica centenas de histórias, testemunhos e confissões de violência na zona, assim como a maneira como age o crime organizado.

O presbítero pediu às autoridades que prendam os líderes dos grupos e disse que felicitaria o presidente do país, Enrique Penha, “eu beijo os pés dele no dia que prenda a Nazario Moreno, Enrique Plancarte Solís e a Servando Gómez Martínez”.

A violência na zona também fez com que há alguns dias atrás o Bispo de Apatzingán, Dom Miguel Patiño Velázquez, alentasse os fiéis de sua diocese a não perderem a esperança diante dos graves atos de violência ocorridos recentemente que deixaram à comunidade “imersa no medo e na aflição”.

Salvar as meninas-esposas

Uma menina-esposa de 8 anos morre por hemorragia. Cresce no Iêmen a revolta contra o casamento infantil

Por Valentina Colombo

ROMA, 11 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – “Eu quero ir morar com meu tio. O que aconteceu com a inocência da infância? O que as crianças fizeram de errado? Por que têm que casar dessa forma? Eu consegui resolver o meu problema, mas outras garotas inocentes não conseguem, poderiam morrer, suicidar-se ou fazer outra coisa. São só crianças. O que elas sabem? Não têm tempo para estudar ou para fazer qualquer outra coisa. Não é culpa nossa. Eu não sou a única. Pode acontecer a qualquer um. Há muitos casos como o meu. [ … ] Mataram os nossos sonhos. Mataram tudo o que tínhamos dentro. Não há mais nada . Isso não é crescer. Isso é um crime, um crime ” .

As palavras de Nada al- Ahdal , menina de onze anos que fugiu do casamento imposto pela família, deu a volta ao mundo. O vídeo postado no mês de Julho passado no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=-J7_TKgw1To ) foi traduzido para o Inglês, foi analisado e alguns até questionaram a autenticidade.

O fato é que tanto faz se é uma denúncia “construída” ou se se trata de uma tragédia real, isso não altera a substância do vídeo. É do 6 de setembro passado a notícia da enésima vítima inocente: Rawan, garota yemenita de oito anos, morreu durante a assim chamada “noite da penetração”, em outras palavras a primeira noite de núpcias.

O marido de 40 anos de idade a teria levado a um hotel do vilarejo de Hardh e a teria penetrado provocando-lhe uma hemorragia letal. Um relatório da Human Rights Watch de dezembro de 2011 diz que na terra da rainha de Sabá, 14% das meninas são dadas em casamento antes dos 15 anos, enquanto que o 52 % antes dos 18. A maioria das meninas são casadas com homens adultos, enquanto uma porcentagem menor é casada com coetâneos, obrigadas também ao contrato nupcial .

As razões que levam à tragédia das esposas-crianças, não somente no Yemen, são principalmente as seguintes: a pobreza, ou seja, famílias que vendem as suas filhas por motivos econômicos, tais como o balanço de uma dívida ou simplesmente para ter uma boca a menos para alimentar; a “proteção” da sexualidade feminina porque protegeria a mulher, mas principalmente a família dela, de eventuais desonras caso ela não chegasse virgem ao matrimônio; a discriminação de gênero em culturas e tradições que desprezam tanto a mulher que justificam todo tipo de violência; finalmente, leis inadequadas ou também inexistentes, ou que não são aplicadas.

Estes fundamentos se aplicam in toto no caso do Iêmen , onde encontramos as tradições ancestrais protegidas por uma legislação insuficiente e às vezes por responsáveis religiosos islâmicos que confirmam a sua validade.

A sociedade iemenita, mas, acima de tudo os movimentos para a proteção das mulheres, recentemente deu mostras de reações a uma tragédia já cotidiana. No passado dia 20 de agosto foi lançada uma Campanha nacional para salvar Warda .

A alma deste ato corajoso e árduo é a jovem ativista Hend Nasiri de 21 anos. O principal objetivo é fazer pressão em vários níveis e chegar a obter a reforma do Código do Estatuto Pessoal para que se coloque a idade mínima para o casamento de uma mulher: 18 anos.

Uma leitura do Código revela de fato que não se menciona nenhuma idade aos noivos. Somente o artigo 26 citam os impedimentos do matrimônio para o esposo que não pode assinar o contrato nos seguintes casos : Se a mulher não pertence a uma das religiões do Livro (portanto, se não é muçulmana, judeu ou cristã); se a mulher apostatou do Islã; se está casada com outro homem; se foi acusada de adultério; se já foi rejeitada três vezes pelo noivo e, entretanto, não voltou a casar com outro homem; se se encontra no período de espera (‘idda ) depois de ter sido repudiada; se está no estado de pureza durante a peregrinação ou visita à Meca; se a mulher é um hermafrodita ou mulher de uma pessoa desaparecida, mas não declarado morto pela lei.

Portanto, nada impede que uma criança seja dada em casamento. No dia 10 de junho o jornal iemenita Al- Mohmah publica um editorial de Nishwan Hammoud al-Barida, advogado da União de mulheres iemenitas, significativamente intitulado ” O casamento das meninas no Iêmen é um crime que precisa de uma lei” ( http:/ / almohmah.net/wp-content/uploads/1268.jpg ). O autor ressalta imediatamente que o casamento infantil é uma tradição que não tem suas raízes no Islã e um pai que obriga a filha a tal casamento deve ser julgado e punido .

Al- Barida, consciente do exemplo de Maomé, que se casou com Aisha, com a idade de seis anos e a teria penetrado aos nove, explica que isso não justifica o crime. Se Maomé foi o profeta do Islã e tinha cuidado de Aisha e lhe permitido viver a infância deixando-a até mesmo brincar com as outras meninas, bem, isso não pode justificar a prática horrível hoje.

O advogado pede uma lei que proclame antes de mais nada a igualdade entre os sexos no que diz respeito à idade do matrimônio e especialmente o limite mínimo de 18 anos para a mulher, uma lei que proteja as crianças iemenitas de qualquer tipo de discriminação, que lhes garanta proteção sanitária, econômica , social, uma lei que garanta um salário mensal às meninas em risco de matrimônio por razões econômicas, uma lei que garanta informação e formação a nível escolástico para erradicar a cultura e as tradições que levam à prática.

Nesse mesmo sentido, a nível de ativismo militante por baixo, já foi mencionado a campanha para salvar Warda, que é assim descrito por Hend Nasiri: ” Warda é o símbolo de todas as meninas iemenitas que querem assumir as suas vidas e capacitar-se. Queremos esclarecer o crime das “crianças esposas”.

Warda representa todas as meninas iemenitas vítimas de violência, estupro, agressão sexual e abusos. “Escolhi este nome porque é um nome muito divulgado no Iêmen”. Em uma das últimas reuniões organizadas pela Nasiri muitas mulheres e homens foram fotografados com cartazes escritos à mão com reclamações e claras denúncias: “É preciso que surja uma lei que impeça qualquer um de contribuir com o matrimônio das crianças, os tutores, os esposos, o notário (ma’dhun )”,”Salvem a inocência da infância dos tutores e maridos assassinos”,”Matrimônio das crianças= abuso sexual”,”Estou com Salve Warda porque o casamento infantil é abuso sexual legalizado”.

São iniciativas importantes, que devem ser sustentadas, que mereceriam por si só um Prêmio Nobel porque, como destacou a Nasiri, as meninas Iemenitas, assim como as meninas afegãs e tantas outras, têm que esperar para terem um dia uma pátria fundada na justiça e na igualdade, uma nação onde rege o Estado de direito no qual os direitos humanos são respeitados” E, especialmente, em memória de todas as pequenas vidas prematuramente arrancadas não só da brincadeira, mas da vida.

Traduzido do original italiano por Thácio Siqueira

(Fonte: Agência Zenit)