Papa Francisco sobre o sacramento da Unção dos Enfermos: nem a doença nem a morte nos separam de Cristo

Foto: ACI Prensa

Vaticano, 26 Fev. 14 / 12:20 pm (ACI).- Nesta quarta-feira, 26, o Santo Padre continuou sua reflexão sobre os sacramentos, referindo-se agora ao sacramento da Unção dos Enfermos. Em sua alocução depois da oração do Angelus, o Papa afirmou que nem a doença nem a morte pode separar-nos de Cristo. Ele, como o Bom Samaritano da parábola, estende seu cuidados aos enfermos e confia à Igreja o óleo deste sacramento para os doentes do corpo e atribulados no espírito.

O Papa Francisco usou a parábola do Bom Samaritano, para ilustrar a realidade que a Unção dos Enfermos representa, recordando como este Bom Samaritano cuida de um homem ferido derramando sobre as suas feridas óleo e vinho.

“É o óleo abençoado pelos Bispos a cada ano, na missa do Crisma de Quinta-feira Santa, utilizado na Unção dos enfermos. O vinho, por sua vez, é o sinal do amor e da graça de Cristo, que se expressam em toda sua riqueza na vidasacramental da Igreja”, disse o Santo Padre.

Lembrando como o Samaritano confia o doente ao dono de uma pousada, o Papa refletiu:
“Agora, quem é esse pousadeiro?  É à Igreja, à comunidade cristã, somos nós, a quem cotidianamente o Senhor confia os aflitos no corpo e no espírito para que possamos continuar a lhes doar, sem medida, toda a sua misericórdia e salvação”.

Continuando a catequese, Francisco lembrou que também a Carta de São Tiago recomenda que os doentes chamem os presbíteros, para que rezem por eles ungindo-os com o óleo.
“É uma praxe que já se usava no tempo dos Apóstolos”, comentou o Papa.

De fato, Jesus ensinou aos seus discípulos a mesma predileção que Ele tinha pelos doentes e atribulados, difundindo alívio e paz, e lhes transmitiu a capacidade e o dever de continuar a dispor da graça especial deste Sacramento. “No entanto, isto não nos deve levar a uma busca obsessiva do milagre ou à presunção de poder obter sempre a cura”, ponderou.

“Existe uma certa convicção de que chamar o sacerdote dá azar, que é melhor não chamá-lo para não assustar o doente”, disse o Papa, improvisando. “Existe a ideia que depois do sacerdote, vem a agência funerária…”.

“O problema -disse o Papa- é que este Sacramento é pedido cada vez menos, e a razão principal reside no fato que muitas famílias cristãs, devido à cultura e à sensibilidade atuais, consideram o sofrimento e a morte como um tabu, como algo a esconder ou sobre o qual falar o menos possível. É verdade que o sofrimento, o mal e a própria morte continuam sendo um mistério, e diante dele, nos faltam palavras. É o que acontece no rito da Unção, quando de modo sóbrio e respeitoso, o sacerdote impõe as mãos sobre o corpo do doente, sem dizer nada”.

Por isso, diante daqueles que consideram o sofrimento e a morte como um tabu, deixando de se beneficiar com esse Sacramento, é preciso lembrar que “no momento da dor e da doença, devemos saber que não estamos sozinhos. O sacerdote e aqueles que estão presentes representam toda a comunidade cristã, que ao redor do enfermo, alimentam nele e em sua família a fé e a esperança, amparando-os com a oração e o calor fraterno”.

“Na Unção dos enfermos, Jesus nos mostra que pertencemos a Ele e que nem a doença, nem a morte poderão nos separar Dele”, concluiu o Papa.

Na síntese de sua catequese em português o Papa Francisco escreveu:

O sacramento da Unção dos Enfermos fala da compaixão de Deus pelo homem no momento da doença e da velhice. A parábola do “bom samaritano” nos oferece uma imagem desse mistério. O bom samaritano cuida de um homem ferido, derramando sobre as suas feridas óleo e vinho, recordando o óleo dos enfermos. Em seguida, sem olhar a gastos, confia o homem ferido aos cuidados do dono de uma pensão: este representa a Igreja, a quem Jesus confia os atribulados no corpo ou no espírito. Também a Carta de S. Tiago recomenda que os doentes chamem os presbíteros, para que rezem por eles ungindo-os com o óleo. De fato, Jesus ensinou aos seus discípulos a mesma predileção que Ele tinha pelos doentes e atribulados, difundindo alívio e paz. Por isso, diante daqueles que consideram o sofrimento e a morte como um tabu, deixando de se beneficiar com esse sacramento, é preciso lembrar que, na unção dos enfermos, Jesus nos mostra que pertencemos a Ele e que nem a doença, nem a morte, poderá nos separar d’Ele.

Concluindo a audiência geral desta quarta-feira, o Papa também dirigiu algumas palavras aos peregrinos de língua portuguesa presentes na Praça de São Pedro:

Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem vindos! Em cada um dos sacramentos da Igreja, Jesus está presente e nos faz participar da sua vida e da sua misericórdia. Procurem conhecê-Lo sempre mais, para poderem servi-Lo nos irmãos, especialmente nos doentes. Sobre vós e sobre vossas comunidades, desça a benção do Senhor!

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26764)

É absurdo seguir a Cristo à margem da Igreja

Homilia do papa na Casa Marta: É absurdo seguir a Cristo à margem da Igreja
Francisco nos convida a pensar nos gestos de Jesus, que nunca nos abandona

Por Redacao

ROMA, 24 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Seguir Jesus não é “uma ideia”, mas um “contínuo permanecer em casa”, na Igreja, para onde Cristo traz também aqueles que tinham se afastado. A afirmação é do papa Francisco, em sua homilia desta segunda-feira durante a missa que ele celebrou na capela da Casa Santa Marta.

Um menino em convulsões, que se retorce pelo chão, espumando no meio da multidão comovida e indefesa; e o pai dele, que se agarra a Jesus rogando que Ele liberte o filho da possessão diabólica. Este é o drama apresentado pelo evangelho de hoje e que o Santo Padre considerou ponto por ponto: a falação dos espectadores, que discutem sem sentido; Jesus que chega e se informa; “o barulho que vai diminuindo”; o pai angustiado que surge da multidão e decide, contra toda esperança, esperar em Jesus; e Jesus, que movido pela fé cristalina daquele pai, se compadece, expulsa o mau espírito e se inclina com doçura sobre o jovem, que parece morto, para ajudá-lo a ficar de pé.

“Toda essa desordem, essa discussão, termina em um gesto: Jesus que se inclina para o menino. Esses gestos de Jesus nos fazem pensar. Jesus, quando cura, quando vai para o meio das pessoas e cura alguém, nunca deixa esse alguém sozinho. Ele não é um mago, um bruxo, um curandeiro que vai, cura e segue em frente: ele faz cada um voltar para o seu lugar, não o deixa abandonado. E todos esses gestos são gestos belíssimos de nosso Senhor”.

Este é o ensinamento, explica o pontífice: “Jesus sempre nos faz voltar para casa, nunca nos deixa sozinhos no caminho”. O evangelho, recorda ele, está cheio desses gestos: a ressurreição de Lázaro, a vida devolvida à filha de Jairo e ao filho da viúva, mas também a ovelha perdida, reconduzida ao rebanho, e a moeda perdida e reencontrada pela mulher.

“Jesus não veio do céu sozinho; Ele é filho de um povo. Jesus é a promessa feita a um povo e a sua identidade também é a pertença a esse povo, que, desde Abraão, caminha rumo à promessa. E esses gestos de Jesus nos ensinam que cada cura, que cada perdão nos faz sempre voltar para o nosso povo, que é a Igreja”.

Jesus perdoa sempre. E os seus gestos, continua o papa Francisco, também se tornam “revolucionários” ou “inexplicáveis” quando o seu perdão chega até aqueles que se afastaram “demais”, como o publicano Mateus e seu colega Zaqueu. Além disso, Jesus sempre, “quando perdoa, nos faz voltar para casa”. E, por isso, não podemos entender Jesus sem o povo de Deus. É “absurdo amar a Cristo sem a Igreja, escutar Cristo mas não a Igreja, seguir a Cristo à margem da Igreja”, reafirma o pontífice, parafraseando mais uma vez Paulo VI: “Cristo e a Igreja estão unidos” e “cada vez que Cristo chama uma pessoa, Ele a leva para a Igreja”. Por isso, “é bom” que uma criança “seja batizada na Igreja”, na “Igreja mãe”.

“Esses gestos de tanta ternura de Jesus nos fazem entender o seguinte: que a nossa doutrina, por assim dizer, que o nosso seguimento de Cristo, não é uma ideia, mas sim um contínuo permanecer em casa. E se cada um de nós tem a possibilidade e a realidade de abandonar o lar por causa de um pecado, de um erro –só Deus sabe–, a salvação é voltar para casa com Jesus, para a Igreja. São gestos de ternura. Um por um, nosso Senhor nos chama assim, para o seu povo, para dentro da sua família, que é a nossa mãe, a Santa Igreja. Pensemos nestes gestos de Jesus”.

(Zenit)

Em restauração o Cristo redentor do Rio de Janeiro

120 dias e 833 mil dólares para restaurar a famosa escultura, símbolo da cidade. A obra, visitada a cada ano por 700 mil turistas, não será fechada ao público

Por Redacao

ROMA, 18 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – O Cristo Redentor do Rio de Janeiro está sendo reformado. A célebre estátua no topo do Corcovado, que dos seus 710 metros de altura embeleza a cidade e é símbolo e ponto de referência para mais de 700 mil turistas.

Um grupo de trabalhadores especializados em operações em grandes altitudes começou nesses dias os trabalhos de restauração da escultura, depois da benção do arcebispo, mons. Orani João Tempesta, próximo cardeal no consistório do 20 de fevereiro.

Realizado em 1931, medindo 28 metros e pesando cerca de 700 quilos, o Cristo Redentor é patrimônio histórico do Brasil, e em 2007, foi proclamado uma das sete maravilhas do mundo. Vai demorar pelo menos quatro meses para restaurar o dedo polegar da sua mão direita atingido no dia 17 de janeiro desse ano por um raio durante uma violentíssima tempestade que afligiu o Rio de Janeiro.

Os trabalhos de restauração serão inteiramente financiados pela arquidiocese e por empresas privadas. O acordo prevê uma despesa total de 833 mil dólares. Durante os 120 dias de operação, que se limitará às mãos e à cabeça, a obra não será fechada ao público.

(Trad.TS)

(Zenit)

Amar Cristo sem a Igreja é uma dicotomia absurda

Papa em Sta. Marta: Amar Cristo sem a Igreja é uma dicotomia absurda
Francisco na homilia desta quinta-feira explica os pilares da pertença eclesial: humildade, fidelidade e oração pela Igreja

Por Redacao

ROMA, 30 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Francisco afirmou na homilia desta quinta-feira que “não entende um cristão sem Igreja”. Na missa celebrada nesta manhã, na capela da casa Santa Marta, o Papa indicou os três pilares do sentido de pertença eclesial: a humildade, a fidelidade e a oração pela Igreja.

Partindo, como nas homilias desta semana, da figura do rei David que nos é apresentada pelas leituras do dia como um homem que fala com o Senhor como um filho fala com seu pai e, mesmo quando recebe um não, aceita-o com alegria. David – sublinha o Papa-  tinha um “sentimento forte de pertença ao Povo de Deus”. E esta sua atitude – afirmou- faz-nos pensar sobre o nosso sentido de pertença à Igreja, o nosso sentir com a Igreja e na Igreja. Então, explicou o Santo Padre:

“O cristão não é um batizado que recebe o Batismo e depois segue o seu caminho. O primeiro fruto do Batismo é fazer-te pertencer à Igreja, ao Povo de Deus. Não se entende um cristão sem Igreja. E por isto o grande Paulo VI diz que é uma dicotomia absurda amar Cristo sem a Igreja; escutar Jesus mas não a Igreja. Não se pode. É uma dicotomia absurda. Nós recebemos a mensagem evangélica na Igreja, e é nela que fazemos nossa santidade. O resto é pura fantasia, como dizia, uma dicotomia absurda”.

Deste modo, Francisco apontou que o “sensus ecclesiae” é justamente sentir, pensar e querer dentro da Igreja. Por isso recordou que há três pilares de pertença à Igreja, de sentir-se Igreja, e explicou cada um deles.

O primeiro é a humildade, ter a consciência de que estar dentro de uma comunidade é uma grande graça: “Uma pessoa que não é humilde, não pode sentir com a Igreja, sentirá aquilo que lhe agrada. E esta humildade que se vê em David: ‘Quem sou eu, Senhor Deus, e que coisa é a minha casa?’. Com aquela consciência que a história da salvação não começou comigo e não terminará quando eu morro. Não, é toda uma história da salvação: eu venho, o Senhor pega em ti, faz-te andar para a frente e depois chama-te e a história continua. A história da Igreja começou antes de nós e continuará depois de nós. Humildade: somos uma pequena parte de um grande povo, que vai pelo caminho do Senhor.”

Depois, o Papa citou o segundo pilar: fidelidade, que está “unida à obediência”. E afirmou: “Fidelidade à Igreja; fidelidade ao seu ensinamento; fidelidade ao Credo; fidelidade à doutrina, conservar esta doutrina. Humildade e fidelidade. Também Paulo VI nos recordava que nós recebemos a mensagem do Evangelho como um dom e devemos transmiti-lo como um dom, mas não como uma coisa nossa: é um dom recebido que damos. E nesta transmissão ser fieis. Porque nós recebemos e devemos dar um Evangelho que não é nosso, que é de Jesus e não devemos – dizia ele – ser proprietários do Evangelho, donos da doutrina recebida, para utiliza-la ao nosso prazer.”

Por fim, o Papa Francisco disse que o terceiro pilar é um serviço particular: “oração pela Igreja”. “Como vai a nossa oração pela Igreja? Nós rezamos pela Igreja? Na missa todos os dias, mas em casa, não? Quando rezamos?”- questionou o Santo Padre-. Por isso pediu “ao Senhor que nos ajude a ir por este caminho para aprofundarmos a nossa pertença e o nosso sentir com a Igreja”.

(Adaptação MEM)

O insuperável exemplo de Cristo

Redação – (Quinta-feira, 24-10-2013, Gaudium Press– A Igreja nos ensina que sem a graça, a qual nos é dada mais especialmente por meio dos Sacramentos, o cumprimento da Lei se torna muito dificultado. O homem pode até cumprir vários mandamentos, mas o fará só por certo tempo e não em sua integridade. “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).jesus_cristo_rei_reis.jpg

Com efeito, a natureza humana, depois do pecado, ficou enfraquecida e não consegue, sem a graça, se mover estavelmente em direção ao bem.

Além da graça, a natureza humana necessita de exemplos. É muito conhecida a frase: “As palavras movem, os exemplos arrastam”. Essa regra, que se aplica aos vários campos de atividades do homem, mostra-se ainda mais verdadeira no tocante à vida sobrenatural. Uma pessoa instruída na doutrina pode até ficar convencida, mas não arrebatada. O que arrebata é o exemplo, e esse foi dado aos homens de maneira insuperável pelo próprio Cristo.

É em torno dessas considerações que se situam as admoestações de São Paulo aos judeus de seu tempo, sempre tendentes a olhar para a letra e não para o espírito. A Lei de si não salva, diz ele:

Pois a Lei nada levou à perfeição. Apenas foi portadora de uma esperança melhor que nos leva a Deus (Hb 7, 19).cristo_rei.jpg

A Lei, por ser apenas a sombra dos bens futuros, não sua expressão real, é de todo impotente para aperfeiçoar aqueles que assistem aos sacrifícios que se renovam indefinidamente cada ano (Hb 10, 1).

Essa lição de São Paulo – o Apóstolo dos Gentios -, dirigindo-se ao seu próprio povo, vale para todos os tempos da História da Salvação, e devemos retê-la também, quando pensarmos em evangelização. Assim procederam aqueles doutores e confessores, sacerdotes e mártires, aquelas virgens e mulheres fortes que se entregaram ao apostolado desde os alvores da vida da Igreja: souberam, eles e elas, ser eficazes não só pelo ensino da doutrina, da Lei, mas especialmente pela oração e pelo exemplo.

Por Monsenhor João S. Clá Dias, EP

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/52134#ixzz2ijYC9FIR

Jesus Cristo fundou alguma Igreja?

Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (Mt 16, 18)

Por Edson Sampel

SãO PAULO, 16 de Outubro de 2013 (Zenit.org) – Jesus Cristo fundou a Igreja católica. Grafa-se corretamente a palavra “católica”, que quer dizer universal, com cê minúsculo, porque não se trata de um nome próprio, mas de um atributo da única Igreja de Cristo.

Vejamos alguns trechos da constituição dogmática Lumen Gentium: A) “Por isso, não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar.” (N. 14a, grifos meus); B) “Este sacrossanto sínodo, seguindo os passos do Concílio Vaticano I, com ele ensina e declara que Jesus Cristo pastor eterno fundou a santa Igreja (…) e [Jesus] quis que os sucessores dos apóstolos fossem em sua Igreja pastores até a consumação dos séculos.” (N. 18b, grifos meus).

No ano 2000, a Congregação para a Doutrina da Fé, através da declaração Dominus Iesus, reiterou a doutrina bimilenar: A) “Deve-se crer firmemente como verdade de fé católica a unicidade da Igreja por ele [Cristo] fundada.” (N. 16b, grifos meus); B) “Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica – radicada na sucessão apostólica – entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja católica” (N. 16c, grifos meus); C) “Existe, portanto, uma única Igreja de Cristo, que subsiste (continua a existir) na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele.” (N. 17a, grifos meus).

Os dois documentos supramencionados, embora embasados, é óbvio, tanto na sagrada tradição quanto na sagrada escritura, não deixam de ser uma referência mais para os católicos.

Nossos irmãos separados, os temporãos no cristianismo (século XVI), não podem, todavia, negar a história. Desta feita, muito tempo antes do Concílio de Niceia, no século IV, data em que alguns protestantes querem ver o início do catolicismo, o papa Clemente (+97), por exemplo, com autoridade doutrinal, dirige-se à Igreja de Corinto. O papa Vitor I (+199) teve atuação decisiva na escolha da data da Páscoa, em controvérsia com outras comunidades. Os papas Zeferino (+217) e Calixto (+222), na questão sobre a penitência, na disputa sobre o batismo dos hereges, também deram a última palavra. Santo Inácio elogia a Igreja de Roma, em virtude de ser ela a sé primeira. Santo Irineu exige a união doutrinal com a Igreja de Roma. São Cipriano, por seu turno, vê naquela Igreja a fonte da unidade eclesiástica. São Jerônimo, o tradutor da bíblia, escreve ao papa Dâmaso I (+384), dizendo que “no meio das convulsões da heresia ariana, a verdade encontra-se somente com Roma.”

Na Igreja católica apostólica romana está atuante e vigorosa a totalidade dos recursos salvíficos legados pelo divino salvador, sobremodo os sete sacramentos.

(Fonte: Agência Zenit)

O Papa aos catequistas: Sigam a Cristo e não tenham medo de ir às periferias com Ele

VATICANO, 30 Set. 13 / 12:31 am (ACI).- O Papa Francisco se reuniu no Vaticano com mais de 1.600 catequistas procedentes de todo o mundo que foram a Roma em peregrinação pelo Ano da Fé. O Papa entrou pelo fundo da Sala Paulo VI e saudou os entusiastas catequistas.

Francisco se dirigiu aos catequistas com um discurso preparado embora tenha levantado os olhos dos papéis várias vezes para explicar os três pontos que considera indispensáveis para qualquer bom catequista. O Papa disse que ser bom catequista significa ter familiaridade com Jesus, imitar a Cristo que significa ir buscar os demais e não ter medo de ir à periferia com Jesus.

O Papa disse que ser catequista é uma verdadeira vocação porque não se trabalha ou se faz de catequista, mas “se é catequista”. Citando Bento XVI, recordou que a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração, e o que atrai é o testemunho. Do mesmo modo, mencionou as palavras que São Francisco de Assis estava acostumado a dizer: “preguem sempre o Evangelho e se for necessário também com as palavras”.

O Papa ressaltou que “ser catequista requer amor, amor cada vez mais forte a Cristo e amor a seu povo santo e este amor necessariamente vem de Cristo”. E lhes perguntou: “O que significa este vir de Cristo para um catequista?”. Em três pontos o explicou.

Francisco considerou essencial a familiaridade que se deve gerar entre o catequista e Jesus. E assegurou que ter um “título de catequista” é somente um pequeno caminho porque ensinar a fé não se trata de um título, mas “é uma atitude”.

Deixar-se olhar por Cristo, assinalou o Bispo de Roma, é uma forma de rezar. “Isto aquece o coração, alimenta o fogo da amizade, faz sentir que Ele verdadeiramente me olha, está perto de mim e me ama”, indicou.

O Papa reconheceu que entende que a tarefa não é simples, “especialmente para quem está casado e tem filhos”. Expressou que não é necessário fazer tudo da mesma forma, porque na Igreja “há variedade de vocações e variedade de formas espirituais”. O importante, ressaltou, “é encontrar o modo adequado para estar com o Senhor; e isto se pode, é possível em cada estado de vida“.

O segundo elemento que particularizou é imitar a Cristo no sair de si e “ir ao encontro do outro”. Embora, aceitou que parece uma experiência paradoxal, descreveu: “Quem põe como centro da própria vida a Cristo se descentra! Quanto mais você se une a Jesus, Ele se converte no centro de sua vida; quanto mais Ele faz você sair de si mesmo, você se descentra e se abra aos outros”. E utilizou uma metáfora ao dizer que o coração do catequista realiza essas ações como os movimentos cardíacos da sístole e da diástole.

Em terceiro lugar, Francisco falou da história de Jonas, um homem piedoso que quando o Senhor o chama para pregar em Nínive não se sente capaz. “Nínive está fora dos seus esquemas, está na periferia do seu mundo. Deus não tem medo das periferias”. E acrescentou que Deus é sempre fiel, criativo, não é fechado nem rígido, nos acolhe, vem ao nosso encontro, nos compreende.

Também destacou a criatividade do catequista como uma coluna do seu trabalho. “Se um catequista se deixa levar pelo medo, é um covarde; se um catequista fica tranquilo termina sendo uma estátua de museu; se um catequista for rígido, se torna ressecado e estéril”, advertiu.

Do mesmo modo, recordou que prefere “uma Igreja acidentada que uma Igreja doente”. E neste trabalho, “nossa beleza e nossa força” é que “se saímos para levar o seu Evangelho com amor Ele caminha conosco” e vai sempre primeiro.

O Santo Padre destacou que Deus sempre “nos precede e que se temos medo de ir a uma periferia, na realidade Ele já está ali”. Ao finalizar, agradeceu aos catequistas e os convidou a permanecerem com Cristo, ser uma só coisa com Ele, segui-lo e imitá-lo.

(Fonte: ACI Digital)

O Vaticano exorta a Igreja Chinesa: Obediência a Cristo e ao sucessor de Pedro

Concluiu-se a reunião plenária da Comissão para os católicos no gigante asiático

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 26 de abril de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos o texto do comunicado emitido hoje pela Santa Sé sobre a reunião plenária da Comissão para a Igreja Católica na China, que foi realizada em dias passados no Vaticano.

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De 23 a 25 de abril corrente reuniu-se no Vaticano, pela quinta vez, a Comissão que o Papa Bento XVI criou no 2007 para estudar as principais questões relativas à vida da Igreja Católica na China.

Em uma profunda proximidade espiritual com todos os irmãos e irmãs na fé que vivem na China, a Comissão reconheceu os dons de fidelidade e de dedicação que, ao longo do ano passado, o Senhor deu à Sua Igreja.

Os participantes exploraram o tema da formação dos fiéis leigos, tendo em vista também o “Ano da Fé”, que foi proclamado pelo Santo Padre a partir do 11 de outubro de 2012 até o 24 de Novembro de 2013. As palavras do Evangelho: “E crescia Jesus em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52) ilustram a tarefa à qual foram chamados os fiéis leigos católicos na China. Primeiramente, eles devem entrar sempre mais profundamente na vida da Igreja alimentados pela doutrina da Igreja, conscientes da sua pertença eclesial e coerentes com as exigências da vida em Cristo, que postula a escuta da Palavra de Deus na fé. Nesta perspectiva será particularmente útil para eles um profundo conhecimento do Catecismo da Igreja Católica. Em segundo lugar, eles são chamados a entrar na vida civil e no mundo do trabalho, oferecendo com plena responsabilidade a própria contribuição: amar a vida e respeitá-la desde a sua concepção até seu fim natural; amar a família, promovendo os valores que são próprios também da cultura tradicional chinesa; amar a Pátria, como cidadãos honestos e solícitos do bem-comum. Como bem diz um sábio ditado chinês, “o caminho do grande estudo está no mnifestar as virtudes luminosas, no renovar e aproximar as pessoas, e no alcançar o bem supremo”. Em terceiro lugar, os leigos chineses devem crescer em graça diante de Deus e dos homens, nutrindo e aperfeiçoando a própria vida espiritual como membros ativos da comunidade paroquial, e abrindo-se ao apostolado também com o apoio de associações e de movimentos eclesiais, que favorecem a sua formação permanente.

A este respeito, a Comissão observou com alegria que o anúncio do Evangelho, oferecido por comunidades católicas, às vezes humildes e sem recursos materiais, incentiva cada ano, muitos adultos a pedir o batismo. Ressalta-se, assim, a necessidade de que as Dioceses na China promovam um sério catecumenato, adotem o Rito de Iniciação Cristã dos Adultos e cuidem da sua formação também depois do batismo. Os pastores devem fazer todo o esforço para consolidar nos fiéis leigos os ensinamentos do Concílio Vaticano II, especialmente da eclesiologia e da doutrina social da Igreja. Será também útil dedicar um cuidado especial à preparação de agentes pastorais para a evangelização, para a catequese e para as obras de caridade. A formação integral dos leigos católicos, especialmente onde há uma rápida evolução social e um significativo desenvolvimento econômico, faz parte dos esforços para tornar vibrante e vital a igreja local. Espera-se, também, uma atenção especial aos fenômenos das migrações internas e da urbanização.

As indicações práticas, que a Santa Sé propôs e vai propor à Igreja universal para uma frutuosa celebração do “Ano da Fé”, certamente serão acolhidas com entusiasmo e com espírito criativo também na China. Tais informações estimularão a comunidade católica a encontrar iniciativas adequadas para realizar o que Papa Bento XVI escreveu com relação aos fiéis leigos e à família na Carta do 27 de maio de 2007 para a Igreja Católica na República Popular Chinesa (cf. nn. 15-16).

Os leigos, portanto, são chamados a participar com zelo apostólico na evangelização do Povo chinês. Em virtude do seu Batismo e da Confirmação recebem de Cristo a graça e a tarefa de edificar a Igreja (cf. Ef 4, 1-16).

Durante a reunião, o olhar voltou-se para os Pastores e, em particular, para os bispos e para os padres que estão presos ou sofrem limitações injustas no cumprimento da sua missão. Expressou-se admiração pela firmeza da sua fé e pela sua união com o Santo Padre. Eles, especialmente, precisam da oração da Igreja, para resolver as suas dificuldades com serenidade e na fidelidade a Cristo.

A Igreja precisa de bons bispos. Eles são um presente de Deus para o Seu povo, a favor do qual exercitam o ofício de ensinar, santificar e governar. Eles também são chamados a dar razões do viver e de esperança a todos aqueles que encontram. Eles recebem de Cristo, através da Igreja, o seu trabalho e a sua autoridade, que exercitam em união com o Romano Pontífice e com todos os bispos espalhados no mundo.

Quanto à situação específica da Igreja na China, notou-se que persiste a pretesa dos organismos, chamados “Uma Associação e Uma Conferência”, de colocar-se acima dos bispos e de orientar a vida da comunidade eclesial. Neste sentido, continuam atuais e de orientação as indicações, oferecidas na Carta acima citada do Papa Bento XVI (cf. n º 7), e é importante seguí-las, para que o rosto da Igreja resplandeça claramente no meio do Povo chinês.

Tal clareza foi ofuscada pelos eclesiásticos que receberam ilegitimamente a ordenação episcopal e pelos bispos ilegítimos que colocaram atos de jurisdição ou sacramentais, usurpando um poder que a Igreja não conferiu a eles. Nos dias passados, alguns deles participaram de consagrações episcopais autorizadas pela Igreja. Os comportamentos destes bispos, além de agravar a sua posição canônica, perturbaram os fiéis e muitas vezs forçaram a consciência dos sacerdotes e dos fiéis que estiveram envolvidos

Além disso, essa clareza foi obscurecida por bispos legítimos que tomaram parte nas ordenações episcopais ilícitas. Muitos deles esclareceram sua posição e pediram desculpas, e o Santo Padre os têm perdoado benevolamente; outros, ao contrário, que também participaram, ainda não fizeram tal esclarecimento e são portanto convidados a agir o quanto antes nesse sentido.

Os participantes da Reunião Plenária seguem atentamente e com espírito de caridade estes eventos dolorosos e, embora conscientes das dificuldades particulares desta situação, lembram que a evangelização não pode acontecer sacrificando elementos essenciais da fé e da disciplina católica. A obediência a Cristo e ao Sucessor de Pedro é o pré-requisito para qualquer renovação real, e isso se aplica a todos os componentes do Povo de Deus. Os mesmos leigos são sensíveis à clara fidelidade eclesial dos próprios Pastores.

Com relação aos sacerdotes, as pessoas consagradas e os seminaristas, a Comissão refletiu novamente na importância da sua formação, alegrando-se pelo sincero e louvável compromisso de realizar não somente adequados percursos de educação humana, intelectual, espiritual e pastoral para os seminaristas, mas também momentos de formação permanente para os presbíteros. Além do mais, manifestou-se agradecimento pelas iniciativas, implementadas por vários Institutos religiosos femininos para coordenar atividades de formação para as pessoas consagradas.

Verificou-se, por outro lado que o número das vocações à vida sacerdotal e religiosa nos últimos anos registra um declínio acentuado. Os desafios da situação empurram a invocar o Dono da Messe e reforçar a consciência de que todo sacerdote e toda religiosa, fiél e luminoso no seu testemunho evangélico, são o primeiro sinal capaz de encorajar ainda os jovens e as jovens de hoje a seguir a Cristo com o coração indiviso.

Finalmente, a Comissão lembra que o próximo 24 de maio, memória litúrgica da Beata Virgem Maria Auxílio dos Cristãos e Dia de Oração pela Igreja na China, será uma ocasião particularmente propícia para toda a Igreja para invocar energia e consolo, misericórdia e coragem, para a comunidade católica na China.

[Tradução Thácio Siqueira]

Fonte: Agência ZENIT