Papa Francisco: Não tenhamos medo do Sacramento da Reconciliação

Vaticano, 19 Fev. 14 / 11:36 am (ACI).- Nesta quarta, 12, milhares de fiéis se reuniram na Praça S. Pedro às vésperas do Consistório no próximo sábado, dia 22, quando o Colégio Cardinalício ganhará 19 novos membros, incluindo o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani J. Tempesta, o Papa continuou sua reflexão sobre os sacramentos exortando os fiéis a não terem medo de aproximar-se do sacerdote para pedir perdão pelos pecados cometidos contra Deus e contra os irmãos.

Na ocasião o Sumo Pontífice ressaltou que este Sacramento provém diretamente do mistério pascal, quando disse aos discípulos: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados”.
Papa quis deixar claro que o “perdão dos nossos pecados não é algo que possamos dar-nos a nós mesmos”.

“Eu não posso dizer: ‘Eu me perdoo os pecados’. O perdão se pede, se pede a outro, e na Confissão pedimos perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas é dom do Espírito Santo, que derrama sobre nós a graça e a misericórdia do Pai”, asseverou o Pontífice

Para aqueles que dizem: ‘Eu me confesso somente com Deus’, o Papa recordou que os nossos pecados são também contra os irmãos e a Igreja e por isso é necessário pedir perdão a eles na pessoa do sacerdote.

Segundo explica a nota publicada hoje pela Rádio Vaticano, o Santo Padre assinalou que embora a forma ordinária da Confissão seja pessoal e secreta, não se deve perder de vista a sua dimensão eclesial. Por isso, não basta pedir perdão a Deus no íntimo do próprio coração, mas é necessário confessar os pecados ao sacerdote. Este, no confessionário, não representa apenas Deus, mas toda a comunidade eclesial, a qual se reconhece na fragilidade dos seus membros, constata comovida o seu arrependimento, reconcilia-se com eles e encoraja-os no caminho de conversão e amadurecimento humano e cristão.

Aos que se envergonham do seu pecado, o Pontífice dirigiu as seguintes palavras:  “Também a vergonha é boa, vergonhar-se é saudável. Porque quando uma pessoa não tem vergonha, no meu país dizemos “sem vergonha”, sin verguenza. (…) Mas a vergonha também faz bem, porque nos torna mais humildes. (…) Não tenham medo da Confissão, porque dela se sai mais “livre, grande, belo, perdoado e feliz”.

“Seja corajoso e vá se confessar”, exortou.

Francisco concluiu sua catequese ressaltando que o Sacramento da Reconciliação significa deixar-se envolver no abraço da misericórdia infinita do Pai. E citou a parábola do filho pródigo, que ao voltar para casa sentindo tanta culpa e vergonha, ficou surpreso com o abraço que recebeu do Pai.
“Toda vez que nós nos confessamos, Deus nos abraça, Deus faz festa. Prossigamos nesta estrada”, finalizou.

No final de sua catequese, o Pontífice se dirigiu de modo especial aos fiéis do Rio de Janeiro que acompanham Dom Orani João Tempesta na ocasião de sua criação como cardeal e disse:
“Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis de São Sebastião do Rio de Janeiro com o vosso pastor Dom Orani João Tempesta, desejando-vos que nada e ninguém possa impedir-vos de viver e crescer na amizade de Deus Pai; mas deixai que o seu amor sempre vos regenere como filhos e vos reconcilie com Ele, com vós mesmos e com os irmãos. Desça, sobre vós e vossas famílias, a abundância das suas bênçãos.”
Os novos 19 cardeais são:
1 – Dom Pietro Parolin, Secretário de Estado.
2 – Dom Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos e Ex-Núncio apostólico no Brasil.
3 – Dom Gerhard Ludwig Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
4 – Dom Beniamino Stella, Prefeito da Congregação per o Clero.
5 – Dom Vincent Nichols, Arcebispo de Westminster (Grã Bretanha).
6 – Dom Leopoldo José Brenes Solórzano, Arcebispo de Manágua (Nicarágua).
7 – Dom Gérald Cyprien Lacroix, Arcebispo de Québec (Canadá).
8 – Dom Jean-Pierre Kutwa, Arcebispo de Abidjã (Costa do Marfim).
9 – Dom Orani João Tempesta, O.Cist., Arcebispo do Rio de Janeiro (Brasil).
10 – Dom Gualtiero Bassetti, Arcebispo de Perúgia-Città della Pieve (Itália).
11 – Dom Mario Aurelio Poli, Arcebispo de Buenos Aires (Argentina).
12 – Dom Andrew Yeom Soo jung, Arcebispo de Seoul (Coreia).
13 – Dom Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., Arcebispo de Santiago do Chile (Chile).
14 – Dom Philippe Nakellentuba Ouédraogo, Arcebispo de Ouagadougou (Burquina Faso).
15 – Dom Orlando B. Quevedo, O.M.I., Arcebispo de Cotabato (Filipinas).
16 – Dom Chibly Langlois, Bispo de Les Cayes (Haiti).
3 cardeais não-eleitores (mais de 80 anos):
1 – Dom Loris Francesco Capovilla, Arcebispo emérito de Mesembria.
2 – Dom Fernando Sebastián Aguilar, C.M.F., Arcebispo emérito de Pamplona.
3 – Dom Kelvin Edward Felix, Arcebispo emerito de Castries.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26720)

Quem vive na graça de Deus não deve ter medo do demônio!

Neste fim de semana, o padre Duarte Lara, que é exorcista, estará no Acampamento de Cura e Libertação. Em entrevista à equipe docancaonova.com, o sacerdote responde a algumas perguntas relacionadas ao exorcismo e à cura e libertação que costumam suscitar dúvidas e medos em todos nós.

cancaonova.com: Hoje vemos um grande número de pessoas em busca de cura e libertação. A que se deve este fenômeno?

Padre Duarte: Existem dois motivos principais: têm aumentado as práticas de ocultismo e tudo o que é ligado à adivinhação, à magia ou ao espiritismo. Essas são grandes portas de entrada dos distúrbios diabólicos. Por outro lado, penso que, nos últimos séculos, pelo menos na Europa, foi um ministério [cura e libertação] um pouco abandonado. Nos seminários, não se dá muita ênfase a isso, pois as pessoas se preocupam com as coisas boas, como o anúncio da Palavra de Deus, mas não dedicam tempo para rezar com os demais. Acontecem os aconselhamentos, mas as pessoas querem oração, pois têm problemas e precisam de oração.

cancaonova.com: Como identificar se uma pessoa está sendo atormentada por uma ação demoníaca ou está sofrendo de um transtorno psíquico?

Padre Duarte: Precisa-se fazer um discernimento e deve-se ter certa prudência, pois são vários os fatores e precisamos ter um olhar em todo o conjunto. Em primeiro lugar, questiono as pessoas a respeito da sua prática religiosa, na grande maioria dos casos são pessoas de fé, mas que não possuem um prática religiosa, ou seja, estão longe dos sacramentos. Em segundo lugar: são os sintomas estranhos que elas sentem, aquilo que foge da normalidade: dores no corpo que não têm explicação médica, picadas em todo o corpo, doenças que aparecem e desaparecem. Caso respondam “sim” a essas perguntas, pergunto se já foram ao médico ou fizeram exames e quais foram os resultados. Em alguns casos, as pessoas têm os sintomas que parecem uma doença, mas, ao fazerem os exames, eles nada acusam. Muitas dessas pessoas, após o resultado desses exames, são encaminhadas aos psiquiatras ou psicólogos e, eles, por sua vez, não encontram respostas para tais distúrbios. Há pessoas que fazem uso de remédios, mas que, mesmo assim, devido à ação diabólica, não reagem aos medicamentos.

Em terceiro lugar, são as práticas ocultas, é certo que, em sua maioria, os distúrbios diabólicos estão ligados a essas práticas ou as pessoas foram vítimas de alguma bruxaria ou macumba. Nesses casos, pergunto se apareceram coisas estranhas ou se algo anormal aconteceu. Se isso ocorreu pode se tratar de algum caso espiritual.

O último ponto, e talvez um dos mais importantes, é a reação às coisas sagradas. Pessoas atacadas pelo demônio sempre reagem a este contato: ao entrarem na igreja, sentem-se mal. Existem pessoas que deixaram de ir às Santas Missas por conta disso, pois começam a sentir dores pelo corpo.

Quando invocamos Deus, o demônio sente-se muito mal. Quando pedimos ao Senhor que liberte alguém, Ele vem e nos ajuda. Portanto, os casos de libertação iniciam-se na conversa e no diagnóstico com as pessoas.

Padre Duarte Lara durante entrevista
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

cancaonova.com: Há casos insolúveis, ou seja, existem pessoas que não são totalmente libertas dos ataques demoníacos?

Padre Duarte: Sim, cada caso é um caso, há casos que evoluem em ritmos diferentes. Existem casos graves que são resolvidos em poucos exorcismos e casos leves que parecem se arrastar por anos. Questiono: quais os fatores que condicionam a libertação completa desta pessoa? De certo é a sinceridade de sua conversão. Muitas vezes, as pessoas fazem determinadas coisas porque o padre pediu, mas dentro do seu coração não abraçaram o Senhor.

Outro fator são pessoas que têm algum pecado e que não o largam. Acreditam em Jesus, no entanto, vivem no pecado, buscam adivinhos, leem astrologia, usam amuleto para dar sorte. O uso dessas coisas condiciona as pessoas a não se libertarem por completo da ação do demônio. Além disso, há pessoas que vivem um processo de libertação, mas, por terem seus familiares envolvidos com coisas ocultas, não conseguem a libertação. Por isso, percebam a importância dos laços de sangue.

O último ponto, e o mais misterioso, é quando Deus permite, para a santificação de uma pessoa, que ela seja atacada pelo demônio. E isso não é um pecado, por exemplo, tais pessoas, como padre Pio e Cura D’Ars, foram para o céu mesmo sendo tentadas aqui na terra pelo demônio. Então precisamos entender que pode ser um plano de salvação para a sua alma.

:: Exorcismo e libertação

cancaonova.com: Por que algumas pessoas são alvo de possessões do maligno e outras não? E como devemos nos proteger?

Padre Duarte: A grande proteção é viver na graça de Deus, quem está unido a Jesus o demônio não consegue destruir. Um exemplo forte é um testemunho de um ex-satânico, segundo o qual, com a bruxaria, conseguiu muitas coisas; mas, certa vez, ao se apaixonar por uma mulher e fazer uma bruxaria, como sempre fazia, disse ter ficado impressionado pelo fato de não conseguir fazer com que acontecesse nada com aquela jovem. Mais tarde, viram que ela era uma católica que rezava o terço pela manhã e à noite e ia à Missa todos os dias. Hoje, ele tem buscado a Deus graças àquela moça. Quem vive na graça de Deus não deve ter medo do demônio!

Na Europa, por exemplo, a Nova Era tem levado muitas pessoas a sua prática por meio do uso de amuletos, buscando forças espirituais que não são de Deus e, por causa disso, entram no campo do inimigo, levando-as ao distúrbio.

cancaonova.com: O diabo pode escravizar e influenciar alguém a praticar o mal por intermédio de mensagens subliminares, como os filmes?

Padre Duarte: Muitas mídias buscam inspirações em comunhões diabólicas, muitos grupos de música, explicitamente, se consagram ao demônio e pedem inspiração a ele para suas letras. Quem faz uso desses produtos deve se livrar deles e pedir perdão a Deus. Tenha cuidado com o que você tem ouvido, mesmo se as letras estiverem em outras línguas e você ouve por causa da melodia, pois muitas delas invocam ao demônio com frases de consagração.

Há artistas que dizem isso abertamente, como respondeu claramente Lady Gaga ao ser perguntada sobre o segredo do seu sucesso: “Fiz um pacto com o demônio”. Portanto, cuidado meu irmão, abra seus olhos!

cancaonova.com:
 O exorcismo, muitas vezes, é tema do cinema. O que leva as pessoas a buscarem esse tipo de “entretenimento”? Há alguma fidelidade entre o que é apresentado nos filmes e a realidade?

Padre Duarte: Em geral, nos filmes sobre exorcismos, seus idealizadores querem ter uma ligação com a verdade, ou seja, tentam fazê-los baseados em fatos reais. Sabemos que os pontos fortes dos filmes são aqueles momentos tensos, que nos fazem até nos arrepiar. Muitas coisas ali existem, mas o que acontece é o exagero e a distorção da realidade.

cancaonova.com: Outras religiões acreditam na existência do demônio e também realizam orações de exorcismo lançando mão de outros artifícios, diferentemente daqueles utilizados pela Igreja Católica. Nessas religiões também acontece a libertação?

Padre Duarte: Em todas as religiões do mundo os homens experimentam a existência de seres espirituais com os quais podemos entrar em contato, seres bons e seres maus. Na Igreja Católica, temos os anjos como esses seres espirituais; em outras religiões é invocada uma força que tem determinados efeitos, como os transes, através dos quais buscam respostas. O mais correto é saber que, se uma pessoa não invoca o Criador do Céu e da Terra, o nosso Deus verdadeiro, ela entra no terreno do inimigo. Isso é uma abertura espiritual e quem se aproveita disso é o demônio.

O diabo é um enganador, usa de pessoas que vão ao curandeiro, ao pai de santo ou ao médium, que aliviam os distúrbios por algum tempo e fingem curá-las; estas pessoas ficam convencidas de que, com a ajuda deles, foram libertas. No entanto, depois de certo tempo, voltam a ser atacadas e, desse modo, nunca conseguem se livrar [do mal]. No fundo, elas estão sendo atacadas pelo demônio e pedindo que ele mesmo as liberte. Ele é inteligente, gosta de nos enganar, pois é o pai da mentira, tudo isso para nos convencer de que um bruxo está nos libertando. Portanto, a libertação completa só emJesus Cristo.

Venha participar do Acampamento de Cura e Libertação, que acontece entre os dias 14 e 17 de novembro na Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).

13 de novembro de 2013

(http://www.cancaonova.com/portal/canais/eventos/novoeventos/cobertura.php?tit=Quem+vive+na+gra%E7a+de+Deus+n%E3o+deve+ter+medo+do+dem%F4nio%21+&cod=2872&sob=7848)

Francisco na audiência geral: Deus diz a você: não tenha medo da santidade

Na catequese, o papa fala sobre a santidade da Igreja: não pelos nossos méritos, mas porque Deus a torna santa

Por Rocio Lancho García

ROMA, 02 de Outubro de 2013 (Zenit.org) – O papa deu continuidade aos ensinamentos sobre a Igreja na audiência desta quarta-feira de manhã. Uma grande multidão de fiéis de todo o mundo esperava Francisco na praça para escutar a catequese. Mesmo as ruas próximas da praça de São Pedro estavam repletas de pessoas que, apesar do calor que protagoniza o começo de outono na Cidade Eterna, acorreram à praça com entusiasmo de peregrinos.

Depois de professar o “Creio na Igreja una”, o papa recordou que acrescentamos o adjetivo “santa”. “E esta é uma característica que esteve presente desde o início na consciência dos primeiros cristãos, que se chamavam simplesmente de ‘santos’ porque tinham a certeza de que é a ação de Deus, do Espírito Santo, que santifica a Igreja”, declarou o santo padre. Francisco desenvolveu a catequese em torno desta ideia, explicando “em que sentido a Igreja é santa, quando vemos que a Igreja histórica, no seu caminho ao longo dos séculos, passou por tantas dificuldades, problemas e momentos de escuridão. Como pode ser santa uma Igreja feita de seres humanos, de pecadores?”.

Em primeiro lugar, o papa comentou um fragmento da carta de São Paulo aos cristãos de Éfeso. “O apóstolo, tomando como exemplo as relações familiares, afirma que ‘Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para torná-la santa’”. Isto significa que a “Igreja é santa porque procede de Deus, que é santo, fiel e não a abandona em poder da morte e do mal […] Ela não é santa pelos nossos méritos, mas porque Deus a torna santa; é fruto do Espírito Santo e dos seus dons”.

Um segundo aspecto que Francisco abordou é o fato de a Igreja ser formada por pecadores. “A Igreja, que é santa, não rejeita os pecadores […] Na Igreja, o Deus que encontramos não é um juiz impiedoso, mas é como o pai da parábola do evangelho […] Deus nos quer parte de uma Igreja que saiba abrir os braços para acolher a todos, que não seja a casa de poucos, mas a casa de todos, onde todos nós possamos ser renovados, transformados, santificados pelo seu amor, os mais fortes e os mais fracos, os pecadores, os indiferentes, os que se sentem desalentados e perdidos”.

O pontífice indagou: “O que é que posso fazer, eu, que me sinto fraco, frágil, pecador?”. E propôs a resposta: “Deus diz a você: não tenha medo da santidade, não tenha medo de olhar para o alto, de se deixar amar e purificar por Deus, não tenha medo de se deixar guiar pelo Espírito Santo!”.

“Saúdo os peregrinos de língua espanhola, em particular os grupos vindos da Espanha, Argentina, México, Panamá, Colômbia e dos outros países latino-americanos. Convido todos a não se esquecerem da vocação à santidade. Não deixem ninguém roubar a sua esperança! Vocês podem chegar a ser santos! Vamos todos nessa estrada. Vivamos com alegria a nossa fé, deixemo-nos amar pelo Senhor. Muito obrigado”.

(Fonte: Agência Zenit)

O Papa aos catequistas: Sigam a Cristo e não tenham medo de ir às periferias com Ele

VATICANO, 30 Set. 13 / 12:31 am (ACI).- O Papa Francisco se reuniu no Vaticano com mais de 1.600 catequistas procedentes de todo o mundo que foram a Roma em peregrinação pelo Ano da Fé. O Papa entrou pelo fundo da Sala Paulo VI e saudou os entusiastas catequistas.

Francisco se dirigiu aos catequistas com um discurso preparado embora tenha levantado os olhos dos papéis várias vezes para explicar os três pontos que considera indispensáveis para qualquer bom catequista. O Papa disse que ser bom catequista significa ter familiaridade com Jesus, imitar a Cristo que significa ir buscar os demais e não ter medo de ir à periferia com Jesus.

O Papa disse que ser catequista é uma verdadeira vocação porque não se trabalha ou se faz de catequista, mas “se é catequista”. Citando Bento XVI, recordou que a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração, e o que atrai é o testemunho. Do mesmo modo, mencionou as palavras que São Francisco de Assis estava acostumado a dizer: “preguem sempre o Evangelho e se for necessário também com as palavras”.

O Papa ressaltou que “ser catequista requer amor, amor cada vez mais forte a Cristo e amor a seu povo santo e este amor necessariamente vem de Cristo”. E lhes perguntou: “O que significa este vir de Cristo para um catequista?”. Em três pontos o explicou.

Francisco considerou essencial a familiaridade que se deve gerar entre o catequista e Jesus. E assegurou que ter um “título de catequista” é somente um pequeno caminho porque ensinar a fé não se trata de um título, mas “é uma atitude”.

Deixar-se olhar por Cristo, assinalou o Bispo de Roma, é uma forma de rezar. “Isto aquece o coração, alimenta o fogo da amizade, faz sentir que Ele verdadeiramente me olha, está perto de mim e me ama”, indicou.

O Papa reconheceu que entende que a tarefa não é simples, “especialmente para quem está casado e tem filhos”. Expressou que não é necessário fazer tudo da mesma forma, porque na Igreja “há variedade de vocações e variedade de formas espirituais”. O importante, ressaltou, “é encontrar o modo adequado para estar com o Senhor; e isto se pode, é possível em cada estado de vida“.

O segundo elemento que particularizou é imitar a Cristo no sair de si e “ir ao encontro do outro”. Embora, aceitou que parece uma experiência paradoxal, descreveu: “Quem põe como centro da própria vida a Cristo se descentra! Quanto mais você se une a Jesus, Ele se converte no centro de sua vida; quanto mais Ele faz você sair de si mesmo, você se descentra e se abra aos outros”. E utilizou uma metáfora ao dizer que o coração do catequista realiza essas ações como os movimentos cardíacos da sístole e da diástole.

Em terceiro lugar, Francisco falou da história de Jonas, um homem piedoso que quando o Senhor o chama para pregar em Nínive não se sente capaz. “Nínive está fora dos seus esquemas, está na periferia do seu mundo. Deus não tem medo das periferias”. E acrescentou que Deus é sempre fiel, criativo, não é fechado nem rígido, nos acolhe, vem ao nosso encontro, nos compreende.

Também destacou a criatividade do catequista como uma coluna do seu trabalho. “Se um catequista se deixa levar pelo medo, é um covarde; se um catequista fica tranquilo termina sendo uma estátua de museu; se um catequista for rígido, se torna ressecado e estéril”, advertiu.

Do mesmo modo, recordou que prefere “uma Igreja acidentada que uma Igreja doente”. E neste trabalho, “nossa beleza e nossa força” é que “se saímos para levar o seu Evangelho com amor Ele caminha conosco” e vai sempre primeiro.

O Santo Padre destacou que Deus sempre “nos precede e que se temos medo de ir a uma periferia, na realidade Ele já está ali”. Ao finalizar, agradeceu aos catequistas e os convidou a permanecerem com Cristo, ser uma só coisa com Ele, segui-lo e imitá-lo.

(Fonte: ACI Digital)

Confiança em Deus!

 

«Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rom 8,28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade. Assim, Santa Catarina de Sena diz aos «que se escandalizam e se revoltam contra o que lhes acontece»: «Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem, e com nenhum outro fim.» E São Tomás Moro, pouco antes do seu martírio, consola a filha com estas palavras: «Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é na verdade muito bom.» E Juliana de Norwich: «Compreendi pois, pela graça de Deus, que era necessário ater-me firmemente à fé […] e crer, com não menos firmeza, que todas as coisas serão para bem. […] E verás que todas as coisas são boas.»

Cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Muitas vezes, porém, os caminhos da sua Providência são-nos desconhecidos. Só no fim, quando acabar o nosso conhecimento parcial e virmos Deus «face a face» (1Cor 13,12), é que nos serão plenamente conhecidos os caminhos pelos quais, mesmo através do mal e do pecado, Deus terá conduzido a criação ao repouso desse sábado definitivo em vista do qual criou o céu e a terra.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana, §§ 133-134.