Papa Francisco sobre o sacramento da Unção dos Enfermos: nem a doença nem a morte nos separam de Cristo

Foto: ACI Prensa

Vaticano, 26 Fev. 14 / 12:20 pm (ACI).- Nesta quarta-feira, 26, o Santo Padre continuou sua reflexão sobre os sacramentos, referindo-se agora ao sacramento da Unção dos Enfermos. Em sua alocução depois da oração do Angelus, o Papa afirmou que nem a doença nem a morte pode separar-nos de Cristo. Ele, como o Bom Samaritano da parábola, estende seu cuidados aos enfermos e confia à Igreja o óleo deste sacramento para os doentes do corpo e atribulados no espírito.

O Papa Francisco usou a parábola do Bom Samaritano, para ilustrar a realidade que a Unção dos Enfermos representa, recordando como este Bom Samaritano cuida de um homem ferido derramando sobre as suas feridas óleo e vinho.

“É o óleo abençoado pelos Bispos a cada ano, na missa do Crisma de Quinta-feira Santa, utilizado na Unção dos enfermos. O vinho, por sua vez, é o sinal do amor e da graça de Cristo, que se expressam em toda sua riqueza na vidasacramental da Igreja”, disse o Santo Padre.

Lembrando como o Samaritano confia o doente ao dono de uma pousada, o Papa refletiu:
“Agora, quem é esse pousadeiro?  É à Igreja, à comunidade cristã, somos nós, a quem cotidianamente o Senhor confia os aflitos no corpo e no espírito para que possamos continuar a lhes doar, sem medida, toda a sua misericórdia e salvação”.

Continuando a catequese, Francisco lembrou que também a Carta de São Tiago recomenda que os doentes chamem os presbíteros, para que rezem por eles ungindo-os com o óleo.
“É uma praxe que já se usava no tempo dos Apóstolos”, comentou o Papa.

De fato, Jesus ensinou aos seus discípulos a mesma predileção que Ele tinha pelos doentes e atribulados, difundindo alívio e paz, e lhes transmitiu a capacidade e o dever de continuar a dispor da graça especial deste Sacramento. “No entanto, isto não nos deve levar a uma busca obsessiva do milagre ou à presunção de poder obter sempre a cura”, ponderou.

“Existe uma certa convicção de que chamar o sacerdote dá azar, que é melhor não chamá-lo para não assustar o doente”, disse o Papa, improvisando. “Existe a ideia que depois do sacerdote, vem a agência funerária…”.

“O problema -disse o Papa- é que este Sacramento é pedido cada vez menos, e a razão principal reside no fato que muitas famílias cristãs, devido à cultura e à sensibilidade atuais, consideram o sofrimento e a morte como um tabu, como algo a esconder ou sobre o qual falar o menos possível. É verdade que o sofrimento, o mal e a própria morte continuam sendo um mistério, e diante dele, nos faltam palavras. É o que acontece no rito da Unção, quando de modo sóbrio e respeitoso, o sacerdote impõe as mãos sobre o corpo do doente, sem dizer nada”.

Por isso, diante daqueles que consideram o sofrimento e a morte como um tabu, deixando de se beneficiar com esse Sacramento, é preciso lembrar que “no momento da dor e da doença, devemos saber que não estamos sozinhos. O sacerdote e aqueles que estão presentes representam toda a comunidade cristã, que ao redor do enfermo, alimentam nele e em sua família a fé e a esperança, amparando-os com a oração e o calor fraterno”.

“Na Unção dos enfermos, Jesus nos mostra que pertencemos a Ele e que nem a doença, nem a morte poderão nos separar Dele”, concluiu o Papa.

Na síntese de sua catequese em português o Papa Francisco escreveu:

O sacramento da Unção dos Enfermos fala da compaixão de Deus pelo homem no momento da doença e da velhice. A parábola do “bom samaritano” nos oferece uma imagem desse mistério. O bom samaritano cuida de um homem ferido, derramando sobre as suas feridas óleo e vinho, recordando o óleo dos enfermos. Em seguida, sem olhar a gastos, confia o homem ferido aos cuidados do dono de uma pensão: este representa a Igreja, a quem Jesus confia os atribulados no corpo ou no espírito. Também a Carta de S. Tiago recomenda que os doentes chamem os presbíteros, para que rezem por eles ungindo-os com o óleo. De fato, Jesus ensinou aos seus discípulos a mesma predileção que Ele tinha pelos doentes e atribulados, difundindo alívio e paz. Por isso, diante daqueles que consideram o sofrimento e a morte como um tabu, deixando de se beneficiar com esse sacramento, é preciso lembrar que, na unção dos enfermos, Jesus nos mostra que pertencemos a Ele e que nem a doença, nem a morte, poderá nos separar d’Ele.

Concluindo a audiência geral desta quarta-feira, o Papa também dirigiu algumas palavras aos peregrinos de língua portuguesa presentes na Praça de São Pedro:

Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem vindos! Em cada um dos sacramentos da Igreja, Jesus está presente e nos faz participar da sua vida e da sua misericórdia. Procurem conhecê-Lo sempre mais, para poderem servi-Lo nos irmãos, especialmente nos doentes. Sobre vós e sobre vossas comunidades, desça a benção do Senhor!

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26764)

Paquistão: cidadão britânico se declara profeta e é condenado à morte por blasfêmia

Fortes pressões sobre as autoridades do país para salvar Mohammad Asghar, cidadão britânico de 70 anos vítima de esquizofrenia e paranoia

Por Redacao

ROMA, 28 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Condenado à morte por blasfêmia: é o veredito do tribunal de Rawalpindi, no Paquistão, contra Mohammad Asghar, cidadão britânico de 70 anos que foi preso em 2010 por blasfêmia, depois de escrever algumas cartas a policiais em que se proclamava “profeta”.

De acordo com a agência AsiaNews, os advogados de Asghar pediram aos juízes um ato de clemência, enfatizando os problemas mentais do homem que continua se declarando profeta mesmo depois de condenado. Os advogados apresentaram um atestado do Royal Victoria Hospital, de Edimburgo, na Escócia, no qual os médicos explicam que Asghar sofre de uma doença esquizofrênica e paranoica.

O Tribunal, porém, recusou todos os pedidos de clemência. Um porta-voz do governo escocês se disse preocupado com a situação e pediu que as autoridades paquistanesas “respeitem a moratória da pena de morte”. A baronesa Sayeeda Hussain Warsi, funcionária do Ministério britânico de Assuntos Exteriores, informou que o ministério está exercendo uma grande pressão sobre o governo paquistanês para resolver o caso. Asghar é o segundo cidadão britânico a sofrer a aplicação da famigerada lei paquistanesa da blasfêmia.

De acordo a Comissão Episcopal Justiça e Paz, do Paquistão, houve pelo menos 964 pessoas incriminadas com base nessa lei entre 1986 e agosto de 2009: 479 eram muçulmanos, 119 cristãos, 340 ahmadis, 14 hindus e 10 de religião desconhecida. Além disso, mais de 40 assassinatos extrajudiciais, vários linchamentos entre eles, foram cometidos contra inocentes. Houve processos inclusive contra deficientes físicos, deficientes mentais e menores de idade.

Um caso emblemático foi o de Rimsha Masih, que escapou das falsas acusações graças a uma campanha massiva de pressão sobre Islamabad. Por outro lado, a cristã Asia Bibi, mãe de cinco filhos, foi condenada à morte por blasfêmia por um tribunal de primeira instância em 2010 e continua até hoje esperando o fim do processo de apelação.

(Agência Zenit)

Veremos os parentes no céu?

milagresA morte é um enigma, e muitos perguntam se nós veremos os nossos entes queridos no céu. A saudade é amarga e as lágrimas não podem deixar de rolar quando perdemos uma pessoa querida. Cristo chorou quando perdeu o amigo Lázaro.

Fé não é insensibilidade e dureza de coração. Você pode chorar, até diante dos filhos, mas chore como quem tem fé na ressurreição. Os santos nos garantem que veremos os entes queridos mortos que nos antecederam.

Diante da dor da morte gosto de me lembrar de Nossa Senhora aos pés da cruz do seu Amado. Ela perdeu o Filho Único…, Deus, morto de uma maneira tão cruel como  nenhum de nós o será. Ela perdeu muito mais do que nós e não se desesperou. Certamente chorou muito, mas nunca se desesperou e nunca perdeu a fé. Aos pés da cruz de Jesus estava de pé (stabat!).

Podemos chorar os mortos; as lágrimas são o tributo da natureza, mas sem desespero e sem desilusão.

Até o céu; lá nos voltaremos a ver, ensinam os santos. Que grande felicidade será para nós poder encontrá-los, depois de ter chorado tanto a sua ausência! Não nos deixemos levar ao desespero quando alguém parte; não somos pagãos. Lá não haverá mais pranto, nem lágrimas e nem luto.

São Francisco de Sales disse: “Meu Deus, se a boa amizade humana é tão agradavelmente amável, que não será ver a suavidade sagrada do amor recíproco dos bem-aventurados… Como essa amizade é preciosa e como é preciso amar na terra, como se ama no Céu!”

São Tomás de Aquino garante que no Céu conheceremos nossos parentes e amigos. Diz o santo doutor:

“A contemplação da Essência Divina não absorve os santos de maneira a impedir-lhes a percepção das coisas sensíveis, a contemplação das criaturas e a sua própria ação. Reciprocamente, essa percepção, essa contemplação e essa ação não os podem distrair da visão beatífica de Deus” (S. Teológica, 30, p. 84).

A morte não é o aniquilamento estúpido que pregam os materialistas sem Deus, mas o renascimento da pessoa. A Igreja reza na Liturgia que “a vida não é tirada mas transformada”.

Só o cristão valoriza a morte e é capaz de ficar de pé diante dela. Deus não nos criou para o aniquilamento estúpido, mas para a sua glória e para o seu amor. Fomos criados para participar da felicidade eterna de Deus.

Santa Teresinha disse ao morrer: “não morro, entro para a vida”.

A árvore cai sempre do lado em que viveu inclinada; se vivermos inclinados ao Coração de Jesus, nele cairemos.

É preciso saber educar os filhos também diante da morte; a psicologia recomenda, por exemplo, que os pais deixem os filhos verem os mortos, se assim eles desejarem, embora não devam forçá-los. Fale da morte com naturalidade aos filhos, e aproveite o momento para ensinar sobre o céu e sobre a ressurreição. Não se pode permitir que as crianças assistam cenas de desespero diante da morte, mesmo que se possa manifestar a dor e sofrimento diante delas.

O grande santo São Francisco Xavier, jesuíta, amigo íntimo de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, foi evangelizar o Japão e a China e por lá morreu. Sabendo que não mais poderia ver o rosto do seu querido amigo Santo Inácio, escreveu-lhe uma carta onde dizia: Não mais verei o teu rosto, mas lá no céu te darei um abraço que durará para sempre.

Prof. Felipe Aquino

(http://cleofas.com.br/veremos-os-parentes-no-ceu/)

Arábia Saudita: risco de pena de morte por defender a liberdade

Manifestação em Roma para salvar Raif Badawi, blogueiro saudita que pode ser condenado a morrer

Por Valentina Colombo

ROMA, 09 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – Entre outubro e dezembro de 2013, Roma ficou literalmente forrada de cartazes que falavam sobre “a descoberta da Arábia Saudita, a terra do diálogo e da cultura”. É que, para celebrar os oitenta anos de relações diplomáticas entre a Itália e o reino saudita, o ministério italiano de Assuntos Exteriores, a prefeitura de Roma e a embaixada saudita promoveram uma série de iniciativas voltadas a demonstrar o quanto o país é belo, aberto e cheio de atrações. Uma tenda instalada na Praça do Povo [Piazza del Popolo] apresentava a música, os chás e os doces tradicionais da Arábia. Mulheres de véu pintavam as mãos das visitantes com hena (só mulheres, claro).

Qualquer um que conheça a realidade saudita, mesmo que superficialmente, sabe que tudo aquilo foi a enésima operação de pintar fachada, a enésima demonstração de hipocrisia. Um país em que as mulheres sequer podem dirigir, um país em que os cristãos não podem usar a cruz nem construir igrejas, um país em que os xiitas são discriminados, um país que aplica a interpretação mais rígida da sharia, com a lei de talião, a flagelação e a pena de morte. Um país em que um blogueiro de trinta anos corre o risco de ser condenado à morte só porque é um paladino sincero da liberdade. Da verdadeira liberdade.

Raif Badawi, que está desde 2012 no presídio de Briman, em Jeda, foi condenado a sete anos de prisão e a 600 açoites por supostas ofensas contra algumas figuras religiosas do islã. Ele sofrerá agora um processo por apostasia. Badawi não é o primeiro nem será o último “espírito livre” a sofrer o terrorismo contra a liberdade e o livre pensamento na Arábia Saudita. Em fevereiro de 2012, a mesma sina coube ao blogueiro Hamza Kashghari, também acusado de apostasia e libertado recentemente, depois de pedir o perdão oficial.

O caso Badawi é mais complexo: o problema vai além dos posts e envolve principalmente o fato de ter fundado, em 2006, a “Rede Liberal Livre Saudita”, além de ter criticado em mais de uma ocasião não apenas o extremismo islâmico dos pregadores wahabitas, mas também o regime saudita que nunca freou o agravamento dessa situação durante os últimos anos. Em entrevista publicada em agosto de 2007 ao site liberal Aafaq, Badawi denunciava sem panos quentes que os liberais residentes no reino vivem entre a pressão do Estado e da polícia religiosa. O blogueiro se descreve assim: “Raif Badawi não é nada mais do que um simples cidadão saudita. Meu compromisso é com o avanço da sociedade civil no meu país, é rejeitar qualquer repressão em nome da religião, é promover os liberais sauditas iluminados cujo primeiro objetivo é a presença na sociedade civil, objetivo que atingiremos pacificamente e respeitando a lei”.

Ele reafirma: “O pensamento liberal se enraíza profundamente na realidade. O pragmatismo considera a pátria como sagrada, não se contrapõe ao islã, mas deriva e se desenvolve a partir dos nobres princípios deste. Temos certeza de que a evolução rumo ao pensamento liberal requer uma formação, uma consciência e sentimentos abertos ao bem comum, ao dever e à responsabilidade”. As palavras de Badawi são claras e não deixam dúvidas: nenhuma apostasia, só reformas que desejam o bem do próprio país. As dúvidas surgem, na verdade, quanto à sinceridade de quem o acusa.

A apostasia continua sendo um dos temas mais importantes quando se fala da relação entre o islã e os direitos humanos. O intelectual tunisiano Mohammed Charfi, em seu ensaio “Islam et liberté” (Casbah Editions, Algeri 2000), recorda, a propósito da apostasia, alguns versos do alcorão em favor da liberdade de consciência: por exemplo, “que não haja compulsão na fé” (II, 256). Ele quer demonstrar que “Deus não é fanático, ao passo que os ulemás de ontem, assim como os ulemás e os fundamentalistas de hoje, são”. O alcorão não afirma que a apostasia deva ser punida com a morte. Quem justifica a condenação à morte pelo delito de apostasia se baseia no que teria sido dito pelo profeta Maomé: “Quem muda de religião, seja morto”. Mesmo essa tradução é pouco confiável, porque pertence à categoria dos ditos transmitidos por uma só pessoa.

Diante desta panorâmica, a Associação da Comunidade Marroquina de Mulheres na Itália (ACMID), junto com a organização Nessuno Tocchi Caino, programou uma manifestação para hoje, 9, em frente à embaixada saudita em Roma. Estarão presentes italianos e estrangeiros, muçulmanos e não muçulmanos, para pedir a imediata libertação de Raif Badawi e para recordar que, se existe um apóstata, é o próprio Reino Saudita, que traiu os direitos humanos, começando pelo direito à vida e à liberdade de culto.

(Fonte: Agência Zenit)

Indulgências em leito de morte

Responde o pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual

Por Pe. Edward McNamara, L.C.

ROMA, 18 de Outubro de 2013 (Zenit.org) – Em sua coluna sobre liturgia, o padre McNamara responde nesta semana à pergunta de um leitor irlandês.

“Eu sempre ouvi dizer que um sacerdote pode dar a bênção apostólica em nome do papa a quem está em leito de morte, concedendo assim a indulgência plenária. Esta informação é verdadeira?” – T.T., Galway, Irlanda.

Sim, é uma afirmação correta. Ela é explicada no ritual para o cuidado pastoral dos doentes e no Manual das Indulgências. Devemos lembrar, no entanto, alguns conceitos sobre as indulgências como tais.

No nº 1471 do Catecismo da Igreja Católica, lemos:

1471. A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do sacramento da Penitência.
«A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições, pela acção da Igreja, a qual, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos» (Indulgentiarum Doctrina, Norma 1).
«A indulgência é parcial ou plenária, consoante liberta parcialmente ou na totalidade da pena temporal devida ao pecado» (Idem, Norma 2).
«O fiel pode lucrar para si mesmo as indulgências […], ou aplicá-las aos defuntos» (Idem, Norma 3).
Nos números 195 e 201, o ritual para o cuidado pastoral dos enfermos explica o rito a ser seguido para aqueles que se aproximam da morte.

O nº 201 trata do viático fora da missa, que seria a circunstância habitual para esta bênção. Diz:

“O sacramento da penitência ou o ato penitencial pode-se concluir com a indulgência plenária in articulo mortis. O sacerdote a concede com esta fórmula:

“Pelos santos mistérios da nossa redenção, Deus Todo-Poderoso te perdoe toda pena da vida presente e futura, te abra as portas do paraíso e te conduza à felicidade eterna”.

Ou:

“Em virtude da faculdade a mim concedida pela Sé Apostólica, eu te concedo a indulgência plenária e remissão de todos os pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Se não estiver disponível um sacerdote para dar a bênção papal, o Manual das Indulgências oferece uma alternativa em seu número 28:

“O sacerdote que administra os sacramentos aos fiéis em perigo de morte não deve deixar de lhes dar a bênção apostólica, acompanhada pela indulgência plenária. Se a assistência do sacerdote é impossível, a Santa Mãe Igreja concede igualmente a indulgência plenária ao fiel em leito de morte, desde que esteja devidamente disposto e tenha recitado regularmente durante a vida alguma oração. Para obter a indulgência, é recomendado o uso do crucifixo ou da cruz”.

A condição “desde que esteja devidamente disposto e tenha recitado regularmente durante a vida alguma oração” substitui, neste caso, as três condições habituais necessárias para se obter uma indulgência plenária.

A indulgência plenária na hora da morte (in articulo mortis) pode ser obtida também pelo fiel que no mesmo dia já tenha conquistado outra indulgência plenária.

Esta concessão, no nº 28, vem da constituição apostólica Indulgentiarum doctrina, norma 18, emitida pelo papa Paulo VI em 1º de janeiro de 1967.

Diferentemente do sacramento dos enfermos, é possível dar a bênção papal ao se aproximar a morte, com a respectiva indulgência, somente uma vez durante a mesma situação de enfermidade. Se a pessoa se recuperar, a bênção pode ser realizada novamente em caso de nova ameaça de morte iminente.

Essas bênçãos papais e as indulgências foram concedidas pela primeira vez aos cruzados e aos peregrinos que morreram durante a viagem que tinham empreendido a fim de obter a indulgência do Ano Santo. Os papas Clemente IV (1265-1268) e Gregório XI (1370-1378) a estenderam às vítimas da peste.

As concessões têm se tornado cada vez mais frequentes, embora ainda limitadas no tempo ou reservadas aos bispos, de modo que relativamente poucas pessoas puderam desfrutar desta graça.

Esta situação levou o papa Bento XIV (1740-1758) a promulgar a constituição Pia Mater, em 1747, concedendo a mesma faculdade a todos os bispos, juntamente com a possibilidade de subdelegá-la aos sacerdotes.

***

Os leitores podem enviar perguntas para liturgia.zenit@zenit.org . Pedimos mencionar a palavra “Liturgia” no campo assunto. O texto deve incluir as iniciais do remetente, cidade, estado e país. O pe. McNamara só pode responder a uma pequena seleção das muitas perguntas que recebemos.

(Fonte: Agência Zenit)

Fofocas que matam

VATICANO, 02 Set. 13 / 04:04 pm (ACI/EWTN Noticias).- Onde está Deus não há ódio, inveja e ciúmes, e não existem aquelas fofocas que matam os irmãos, disse o Papa Francisco nesta manhã na Santa Marta, onde voltou a celebrar aMissa com diversos grupos após a pausa para o período de descanso no verão europeu.

O encontro de Jesus com seus conterrâneos, os habitantes de Nazaré, como conta o Evangelho de São Lucas proposto pela liturgia do dia, esteve no centro da homilia do Papa.

Os nazarenos admiram Jesus, observou o Pontífice, mas esperam dele algo assombroso: “queriam um milagre, queriam o espetacular” para acreditar nele. Desta maneira Jesus destacou que eles não tinham fé e “eles ficaram furiosos, levantaram-se e o expulsaram da cidade.?Levaram-no até o alto do monte?sobre o qual a cidade estava construída,?com a intenção de lançá-lo no precipício”.

“Mas vejam como a coisa mudou: começaram com beleza, com admiração e terminaram com um crime: querendo matar Jesus. Isto por ciúme, inveja, todas essas coisas… Esta não é uma coisa que aconteceu há dois mil anos: isto acontece a cada dia no nosso coração, nas nossas comunidades. Quando em uma comunidade se diz: ‘Ah, que bom que veio esta pessoa!’. Se fala bem no primeiro dia; nem tanto no segundo, e no terceiro se começa a fofocar e terminam machucando-o”.

Assim os nazarenos “queriam matar Jesus”. “Mas aqueles que em uma comunidade falam mal dos irmãos, dos membros da comunidade, também querem matar: é a mesma coisa! O Apóstolo João, na primeira Carta, capítulo III, versículo 15, diz-nos: ‘Quem odeia seu irmão é assassino’. Nós estamos acostumados aos mexericos, às fofocas. Quantas vezes nossas comunidades, também nossa família, são um inferno onde se gera esta criminalidade de matar o irmão e a irmã com a língua!”.

“Uma comunidade, uma família -continuou o Papa- é destruída por esta inveja, que o diabo semeia no coração e que faz que um fale mal do outro, e assim se destrua”.

“Nestes dias -sublinhou- estamos falando tanto da paz”, vemos as vítimas das armas, mas é necessário pensar também nas nossas armas cotidianas: “a língua, as fofocas, os mexericos”. Cada comunidade, concluiu o Papa, deve viver com o Senhor e ser “como o Céu”.

“Para que haja paz em uma comunidade, em uma família, em um país, no mundo, é necessário estar com o Senhor. E onde está o Senhor não há inveja, não há criminalidade, não há ódio, nem ciúmes. Existe fraternidade. Peçamos ao Senhor para não matarmos jamais o próximo com nossa língua e estar com Ele, assim como estaremos todos com ele no Céu. Assim seja”.

(Fonte: ACI Digital)

A morte de JOÃO PAULO I

Jô Soares entrevistou o escritor português Luiz Miguel da Rocha, autor do Livro recém lançado – “A MENTIRA SAGRADA”, da Editora Jangada. Uma série de colocações feitas pelo autor foram ofensas diretas à Igreja.

Tudo girou em torno da morte de JOÃO PAULO I, o qual ele alega ter sido assassinado por membro da Loja P2, a pedido do próprio Carmelengo da época. Sua Santidade teria sido sufocada com um travesseiro… Coloco em seguida um artigo de D. Estevão Bettencourt, desmentindo tudo isso.

Prof. Felipe Aquino

A morte do Papa João Paulo I

Em síntese: A morte repentina do Papa João Paulo I em setembro de 1978 causou grande surpresa e sugeriu  hipóteses várias, entre as quais a de ter sido a envenenado o Pontífice. Um livro recente de dois jornalistas italianos recolhe testemunhos e dados diversos a respeito, chegando à conclusão muito provável de que João Paulo I morreu de embolia pulmonar, cujos sintomas ele havia sentido na tarde anterior ao desenlace; recusara, porém chamar o médico de modo que foi vítima do mal que o acometia.

* * *

Os jornalistas italianos Andrea Tornielli e Alessandro Zangrando publicaram um livro cujo título em tradução portuguesa, soa: “João Paulo I. 0 Papa do Sorriso”. (editora Quadrante, São Paulo). A obra apresenta uma biografia do Pontífice, cujo penúltimo capítulo trata da morte do Papa Luciani.  Os dados aí coletados são importantes para elucidar tão repentino desenlace, diante do qual houve quem levantasse a hipótese de envenenamento. – Visto que o tema é de grande interesse, transcreveremos, nas páginas subseqüentes, os segmentos que melhor esclarecem o enigma.

A Morte

“Peço-te uma graça; quisera que Tu estivesses ao meu lado na hora em que fechar os olhos para este mundo. Quisera que segurasses a minha mão na tua, como faz a mãe com o seu filho na hora do perigo. Muito obrigado, Senhor!”

Na noite de 28 para 29 do setembro de 1978, o Papa Albino Luciani morre repentinamente. “Hoje, 29 do setembro, por volta das 5:30, o secretário particular do Papa, o reverendo John Mage, ao ver que o Santo Padre não se encontrava na capela privada do seu apartamento, como de costume, foi buscá-lo no seu quarto e achou-o morto no leito, com a luz acesa, como se ainda estivesse imerso na leitura. O médico, Dr. Renato Buzzonetti, que acudiu imediatamente, comprovou a sua morte, que presumivelmente lhe sobreveio por volta das 23 horas de ontem, e diagnosticou (uma morte repentina devida a um enfarte agudo do miocárdio)”.

O atestado de óbito, assinado por Buzzonetti e pelo diretor de serviços sanitários do Vaticano, Mario Fontana, diz: “Certifico que Sua Santidade João Paulo I, Albino Luciani, nascido em Forno Di Canale (Belluno) em 17 de outubro de 1912, faleceu no Palácio Apostólico Vaticano em 28 de setembro de 1978, às 23 horas, por “morte imprevista, de enfarte agudo do miocárdio”. O óbito foi comprovado às 6 horas do dia 29 de setembro de 1978″ (pp. 108s).

“A notícia da morte prematura do Papa dá a volta ao mundo num abrir e fechar de olhos. Os fiéis estão atônitos, consternados. O rosto pacífico e sorridente do Pontífice vêneto, as suas lições de Catecismo, o seu modo simples de falar, a sua grande humildade, haviam tocado o coração de milhões de pessoas. O seu corpo é embalsamado dentro das 24 horas seguintes ao falecimento. Com as vestes vermelhas e a mitra branca sobre a cabeça, é exposto primeiro na Sala Clementina, na Basílica de São Pedro. Milhares de romanos acodem a render-lhe a homenagem.

O Papa não deixou testamento: tinha acabado de mandar destruir o que se conservava no Patriarcado de Veneza e ainda não tinha escrito o novo. Como acontecera em Vittorio Veneto e em Veneza, também havia chegado pobre ao Vaticano, sem nenhum bem” (p. 111).

Uma versão tida como mais provável, afirma que o Papa morreu de embolia pulmonar1.

“O último dia da vida de Albino Luciani havia começado, como de costume, muito cedo. Depois da oração, celebrou a Missa na capela privada e tomou o café da manhã. Às 9:30 recebeu em audiência o cardeal africano Bernardin Gantin, junto com os secretários dos conselhos pontifícios Cor Unum e Justitia et Pax. Falaram dos problemas do Terceiro Mundo. João Paulo I disse a Gantin: “É somente Jesus Cristo quem nós devemos apresentar ao mundo. Fora disso, não teríamos razão alguma para falar; por nossa incapacidade, nem sequer seríamos escutados pelos outros”.

No final da audiência, Gantin notou a energia com que o Papa se levantou e dispôs as cadeiras para fazer uma foto de grupo. Nas horas seguintes, Luciani recebeu os núncios apostólicos do Brasil e da Holanda, o diretor do Gazzetino e nove bispos das Filipinas.

Ás 12:30, João Paulo I almoçou com os dois secretários, Diego Lorenzi e John Magee. A reconstrução de tudo o que aconteceu naquela tarde foi possível graças às declarações posteriores dos dois sacerdotes. Ambos, com efeito, permaneceram em silêncio durante anos. O primeiro a rompê-lo, surpreendentemente, foi Lorenzi, no decorrer da transmissão do programa televisivo Giallo, conduzido por Enzo Tertora na RAI 2 em 2 de outubro de 1987, nove anos mais tarde, Lorenzi revelou que na tarde do dia 28 de setembro João Paulo I sentiu uma forte dor no peito. Também o padre Magee, já bispo da Irlanda, depois de ter sido secretário e mestre de cerimônias do Papa Wojtyla, narrou algo parecido, primeiro à revista Trentagiorni, em 1988, e depois, no ano seguinte, ao jornalista John Cornwell. Este último foi autor do livro Un ladro nella notte (Um ladrão na noite), que foi aprovado pelas autoridades vaticanas e serviu para rebater as teses de quem sustentava que o Papa havia sido assassinado.

Depois de uma breve pausa para repouso, João Paulo I confessou a Magee:

“- Não me sinto muito bem”.

O secretário disse-lhe:

“- Deixe-me chamar o doutor Buzzonetti”.

“- Oh não, não…, respondeu o Papa, não é preciso chamar o médico. Andarei um pouco pelos quartos”.

Segundo Magee, “o doutor Buzzonetti tinha sido escolhido como médico do Papa Luciani […]. Buzzonetti tinha entrado em contato no Sábado anterior com o médico que o Papa tinha no Vêneto, o doutor Antonio Da Ros, e tinham combinado que este último enviaria ao Vaticano o histórico clínico de João Paulo I”. O secretário, portanto, sabia que Buzzonetti era o responsável pela saúde do Papa. Mas o médico não foi avisado desse mal-estar.

Das 14:30 às 16:39, o padre John Magee ausentou-se do apartamento pontifício para ir buscar uns livros, e deixou o Papa passeando pela sala. Quando voltou, João Paulo I continuava a andar. Uma hora depois, ouviu-o tossir violentamente e precipitou-se em sua direção:

“- Sinto uma pontada”, disse o Papa, segundo relata o bispo Magee.

“- Não seria melhor chamar o médico?” – Insistiu o secretário; pode ser algo grave”.

Luciani voltou a recusar, e pediu à irmã Vicenza que lhe trouxesse algum remédio. Segundo John Cornwell, “com quase toda a certeza, naquele momento o Papa estava sofrendo uma leve embolia pulmonar. Estava realmente doente e precisava da atenção imediata de um especialista”.

Ás 18:30, chegou aos aposentos pontifícios o Secretário de Estado Jean Villot. Foi recebido pelo Papa, com quem trabalhou durante mais de uma hora. Trataram, muito provavelmente, da escolha do novo Patriarca de Veneza.

Terminada a audiência, tanto Magee como Diego Lorenzi se encontravam no escritório da secretaria do Papa. Nesse momento, segundo Lorenzi, João Paulo I queixou-se de outra “terrível pontada”: “Por volta das 19:45, assomou à porta do seu gabinete de trabalho e disse ter sentido uma pontada terrível, mas que já havia passado”. Lorenzi disse que seria necessário chamar o médico. De novo o Papa se recusou e não foram consultados nem o doutor Buzzonetti nem o doutor Antonio Da Ros em Vittorio Veneto.

O Papa e os dois secretários sentaram-se para jantar. “Naquela última noite, desenvolveu-se à mesa uma conversa estranha – relata o padre John Magee -. Eu tinha resolvido lembrar ao Papa que devia escolher com certa antecedência a pessoa que iria pregar o retiro de Quaresma. Ele disse:

“- Sim, sim, é verdade, já pensei nisso, mas o retiro que eu quisera agora seria o retiro de uma boa morte”.

Eram 20:15. Disse-lhe:

“- Mas, Santidade, de maneira nenhuma”.

Tinha ainda na cabeça a morte de Paulo VI, e não queria ouvir falar de morte outra vez. Mas o Papa insistiu:

“- Sim, sim, gostaria de fazer um retiro desse tipo”.

Dom Diego lembrou-se de uma oração. E o Papa corrigiu-o:

“- Não, isso não é assim. A forma original dessa oração é  “Ó Deus, dá-me a graça de aceitar a morte da forma como ela há de me chegar”.

Depois do jantar, incumbiram Dom Diego de pedir uma ligação para o cardeal Giovanni Colombo em Milão. O Papa e Magee foram juntos à cozinha para dar boa-noite às freiras. Quando se completou a ligação, Luciani correu velozmente pelo corredor. Segundo Cornwell, “este foi o último esforço da sua vida, o que lhe provocou a embolia” (pp. 112-115).

A sobrinha do Papa, Pia Luciani Bassi, recorda precedentes de mortes repentinas ocorridas na família: “Nós pensamos que foi uma morte natural, porque também o seu avô e as suas duas tias morreram assim, de repente, de um enfarte. Meu tio teve uma boa morte. Ele teria escolhido uma morte desse gênero, sem incomodar ninguém, enquanto trabalhava pela Igreja” (p. 120).

“Há outros episódios que podem ser lidos como uma premonição da morte. Na tarde de 26 de setembro de 1978, Eldoardo Luciani, o irmão do Papa, chega ao Vaticano. Vai de viagem à Austrália, mas decide visitar João Paulo I antes de iniciar o vôo. “Jantamos juntos – recorda -, e depois passeamos quase até a meia-noite pelo jardim do último andar do edifício. Meu irmão disse-me que o cardeal Villot tinha manifestado a intenção de aposentar-se e que estava pensando em quem poderia sucedê-lo na Secretaria de Estado. Também falamos do cardeal Gantin, a quem estimava muito. Na manhã seguinte, assisti à missa e depois tomamos o café da manhã juntos. Quando chegou a hora de partir, meu irmão quis acompanhar-me pessoalmente até o elevador. E para se despedir, abraçou-me e beijou-me. Fiquei surpreso, porque na nossa família não somos muito dados a semelhantes efusividades.. Ainda me causou maior impressão o fato de que, enquanto estava já para entrar no elevador, ele continuou ali, quieto, olhando-me. Virei-me e ele quis abraçar-me mais uma vez. Parti para a Austrália e lá recebi a noticia da sua morte…” Um duplo abraço, quase o presságio de que aquela era a última vez que se viam.

Duas tardes antes de morrer, durante o jantar, João Paulo I teria até feito uma alusão ao seu sucessor. “À mesa falou da sua eleição – conta o padre John Magee -; ainda não conseguia entender a escolha dos cardeais: “Havia outros melhores que eu que podiam ser eleitos. E Paulo VI já havia indicado quem seria o seu sucessor. Estava diante de mim na Capela Sixtina durante o Conclave. Mas há de chegar a sua vez, porque logo me irei embora” (p. 121).

“Outro sinal premonitório. Na manhã de 5 de setembro, o bispo ortodoxo Boris Nikodin morre praticamente nos braços do Papa Luciani ao terminar a audiência. “Quem sabe se algum dia – teria dito João Paulo I ao teólogo veneziano Germano Pattaro – não poderemos subir juntos ao altar de Deus, convertido no altar de todos os cristãos!” (p. 122).

“Albino Luciani, o Papa da misericórdia, morre com um sorriso nos lábios. No último instante sorri a Alguém. Alguém que o amava apresentou-se na hora da sua morte com a ternura de uma mãe.

Tinha-o escrito Dom Albino, numa oração de 1947, enquanto dirigia um retiro aos irmãos cartuxos de Vedana: “Peço-te uma graça: quisera que Tu estivesses ao meu lado na hora em que fecharei os olhos para este mundo. Quisera que segurasses a minha mão na tua, como faz a mãe com o seu filho na hora do perigo. Muito obrigado, Senhor!” (p. 123).

Eis o que referem bons autores a respeito da morte de João Paulo I, dissipando versões infundadas.

1 Embolia é a obstrução súbita de uma veia ou de uma artéria por um coágulo (N.d.R.).

Revista “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”

D. Estevão Bettencourt, osb

Revista nº. 462, Ano  2000,  Pág.  495