O Papa estabelece nova estrutura para assuntos econômicos do Vaticano

Vaticano, 24 Fev. 14 / 06:57 pm (ACI/EWTN Noticias).- Através do Motu Próprio “Fidelis dispensator et Prudens”, com data de hoje, 24, o Papa Francisco estabeleceu uma nova estrutura de coordenação dos assuntos econômicos e administrativos da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

No documento, o Santo Padre expressou que “do mesmo modo que o administrador fiel e prudente tem a tarefa de cuidar atentamente o que lhe foi confiado, assim a Igreja é consciente da responsabilidade de proteger e administrar com atenção seus bens, à luz de sua missão de evangelização e com uma atenção especial aos mais necessitados”.

“Em particular, a gestão dos setores econômicos e financeiros da Santa Sé está estreitamente ligada à sua missão específica, não só ao serviço do ministério universal do Santo Padre , mas também em relação com o bem comum, na perspectiva do desenvolvimento integral da pessoa humana”.

Conforme informou hoje o Escritório de Imprensa da Santa Sé, com este Motu Próprio, o Papa instituiu uma nova Secretaria de Economia, que terá autoridade sobre “todas as atividades econômicas e administrativas dentro da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano”.

Como Cardeal Prefeito deste novo organismo, o Santo Padre nomeou o Arcebispo de Sydney, Cardeal George Pell, um dos oito Cardeais assessores do grupo conhecido como C-8.

O Escritório de Imprensa do Vaticano indicou que “o anúncio de hoje se produz depois das recomendações da rigorosa revisão realizada pela Comissão Referente de Estudo e de Guia da Organização da Estrutura Econômica – Administrativa da Santa Sé (COSEA). Tais recomendações foram examinadas e aprovadas seja pelo Conselho de Cardeais, estabelecido para assessorar o Santo Padre sobre a reforma da Cúria Romana, e pelo Conselho de 15 cardeais destinado ao ‘estudo dos problemas organizativos e econômicos da Santa Sé’”.

A COSEA recomendou “mudanças para simplificar e consolidar as estruturas de gestão existentes e melhorar a coordenação e supervisão em toda a Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano, e aconselhava um compromisso explícito na adoção de princípios de contabilidade e de gestão financeira geralmente aceitos, assim como na apresentação de relatórios financeiros, controles internos avançados, transparência e governo”.

Com estas mudanças implementadas, será permitida uma participação mais explícita de peritos de alto nível, com experiência em gestão financeira, planejamento e apresentação de informes. Ao mesmo tempo, isto garantirá um uso eficaz dos recursos melhorando o apoio disponível para vários programas, em especial os destinados aos pobres e necessitados.

O Santo Padre determinou a instituição de uma nova Secretaria de Economia, a qual conforme explicou a Santa Sé, “terá autoridade sobre todas as atividades econômicas e administrativas” dentro do Vaticano.

“A Secretaria será responsável, entre outras coisas, da preparação de um orçamento anual para a Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano, assim como do planejamento financeiro e as diversas funções de suporte, como os recursos humanos e o aprovisionamento. A Secretaria preparará também um balanço detalhado da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano”.

“A Secretaria de Economia porá em prática as diretrizes formuladas por um novo Conselho de Economia: um Conselho de 15 membros, composto por oito cardeais ou bispos , que reflete a universalidade da Igreja, e por sete peritos leigos de diversas nacionalidades de reconhecida experiência financeira e profissionalismo”.

Este Conselho, explicou o Escritório de Imprensa, “se reunirá periodicamente para avaliar diretrizes e práticas concretas e preparar e analisar os informes sobre as atividades econômico-administrativas da Santa Sé”.

Além disso, será nomeado um Auditor Geral, que será designado pelo Santo Padre, que terá a faculdade de realizar auditorias em qualquer organismo ou instituição da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

De acordo ao Escritório de Imprensa da Santa Sé, estas mudanças confirmam o papel Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA), “como o Banco Central do Vaticano, com todas as obrigações e responsabilidades das instituições similares em todo mundo”.

“A AIF (Autoridade de Informação Financeira) seguirá desempenhando seu papel atual e fundamental de supervisão prudencial e regulação das atividades dentro da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano”.

Solicitou-se ao Prefeito da nova Secretaria de Economia, Cardeal George Pell, que inicie sua tarefa o mais breve possível, preparando os Estatutos definitivos e outros trabalhos relacionados.

(http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26752)

Um pouco de New Age (Parte I)

A Nova Era como neo-gnosticismo: auto-salvação de baixo para cima

Por Sandro Leoni

ROMA, 08 de Outubro de 2013 (Zenit.org) – A Nova Era, ou New Age, é um fenômeno contemporâneo, de invenção “laica”, que copiou a ideia de São Pedro: foi ele o primeiro a dizer que os cristãos esperam “novos céus e nova terra”, aludindo à palingênese do cosmo na segunda vinda de Jesus Cristo. Mas, sendo laica, a New Age deturpou-lhe tanto o propósito, que para nós é a vida eterna na glória de Deus e para ela é um progresso indefinido na terra, quanto a causa, que para nós é Deus e para ela são as estrelas: o motor do seu mecanismo seria a astrologia, a passagem da constelação de Peixes para a de Aquário.

Esta ideologia, que remonta à revolução estudantil de 1968, diferentemente da seita que acredita numa mensagem de salvação que vem de cima, confia a “redenção” dos indivíduos ao agir pessoal e a ideias particulares. É um neo-gnosticismo: a gnose, presente desde os tempos apostólicos, confia à mente, ao seja, ao próprio homem, o caminho da salvação, uma salvação que é concebida como iluminação, emancipação, desenvolvimento de potencialidades interiores, autodivinização (“nós somos Deus”, declarou a atriz Shirley MacLaine, adepta e divulgadora).

A New Age (que, após o fracasso das suas promessas sociais, evoluiu para uma “Next Age”, apontando para o “Yes, we can”) não é uma doutrina, uma ideologia, não tem uma estrutura organizada com ativistas, centros específicos, etc… Ela é uma “atmosfera”, um “clima”, uma tensão emocional, alimentada por várias redes que desembocam nela como em um lago. Alguns dos “afluentes” estão presentes desde sempre como um problema pastoral para a Igreja. Astrologia, magia, espiritismo (reciclado como channeling) formam a sua espinha dorsal, mas a “salada” (sim, esta é uma das definições!) é formada ainda por terapias alternativas, medicina holística, a chamada nova música, uma nova política, a crença em “energias sutis” que devemos aprender a canalizar ou evitar, a crença na reencarnação, a existência de chacras que canalizam as energias do cosmo, a pranoteapia, o reiki, a energia terapêutica e formativa das pedras, os florais de Bach e uma longa lista de outros elementos… Em resumo, o sincretismo é o padrão da Nova Era.

(Fonte: Agência Zenit)