O Bispo e os Padres

Rio de Janeiro (Terça-feira, 04-02-2014, Gaudium Press) – Dom Orani João Tempesta é o anfitrião do 23° Curso para os Bispos, um curso de atualização teológica, que desenrola-se nestes dias no Rio de Janeiro. O Arcebispo que em breve será feito Cardeal discorre sobre um dos temas do Curso: Os bispos e Presbíteros.

Transcrevendo esse artigo mostramos ao público as opiniões de Dom Orani:

“Estamos vivendo o 23º Curso para os Bispos aqui no Rio de Janeiro. Um dos temas é sobre o Bispo e os Presbíteros. Os temas fazem parte das comemorações dos 50 anos do Concílio Vaticano II. Este Curso de Atualização Teológica para os Senhores Bispos, na Casa de Retiros do Sumaré, foi iniciado por D. Eugênio Araujo Sales há 24 anos. Como fruto da reflexão destes dias e mesmo em preparação a eles, aproveito o ensejo para uma meditação “pública” do assunto, revendo alguns documentos do magistério. Creio que esse relacionamento deve ser pautado pela mútua confiança e renovado empenho de anunciar o Evangelho neste momento histórico e em todos os seguimentos da sociedade.

O Bispo Diocesano preside o Presbitério. O presbitério deve estar unido ao seu Bispo e não deve agir sem a presidência do seu pastor próprio. Por isso, “os presbíteros diocesanos são, de fato, os principais e insubstituíveis colaboradores da ordem episcopal, investidos do único e idêntico sacerdócio ministerial de que o Bispo possui a plenitude. O Bispo associa-os à sua solicitude e responsabilidade, de forma que cultivem sempre o sentido da Diocese, fomentando ao mesmo tempo o sentido universal da Igreja” (cf. AS 75 – Documento da Congregação para os Bispos – “Apostolorum Successores – Diretório para o ministério Pastoral dos Bispos)).

O Bispo, pai da família presbiteral, por meio do qual o Senhor Jesus Cristo, Supremo Pontífice, está presente no meio dos batizados, sabe que é seu dever dirigir o seu amor e a sua solicitude particular para os sacerdotes e os candidatos ao sagrado ministério. O Bispo deve ajudar os seus sacerdotes, a quem deve ter apreço, ouvir as suas dificuldades e velar para que o seu presbítero exerça o seu ministério.

“As relações entre o Bispo e o presbitério devem inspirar-se e alimentar-se da caridade e de uma visão de fé, de modo que os próprios vínculos jurídicos, que derivam da constituição divina da Igreja, surjam como a consequência natural da comunhão espiritual de cada qual com Deus (cf. Jo13, 35). Desta forma, será, também, mais frutuoso o trabalho apostólico dos sacerdotes, uma vez que a união de vontades e de intenções com o Bispo aprofunda a união com Cristo, o qual continua o seu ministério de chefe invisível da Igreja por meio da Hierarquia visível” (cf. AS 76).

O Bispo Diocesano deve conhecer os seus sacerdotes pessoalmente, sua história de vida, a sua família. Por isso, o Bispo, ao confiar um ofício eclesiástico ao seu sacerdote, deverá levar em consideração entre outras coisas: “no caráter e nas atitudes e aspirações, o seu nível de vida espiritual, o zelo e os ideais, o estado de saúde e as condições econômicas, as suas famílias e tudo o que lhes diga respeito” (cf. AS 76).

O Bispo Diocesano, antes de tudo, é o pai do seu padre. Deve lhe dar respeito, carinho, ouvir pacientemente e considerar a trajetória do próprio sacerdote, colocando-o em um trabalho pastoral, administrativo, curial, jurídico, formativo, educacional, levando em conta sempre as suas aptidões.

Nestes tempos turbulentos em que os sacerdotes passam por grande fadiga ou mesmo por dificuldades, o Bispo Diocesano seja o primeiro a promover e defender o ministério de seus padres, incentivando o sacerdote a viver o seu sacerdócio: “O Bispo nutra e manifeste publicamente a sua estima pelos presbíteros, dando mostras de confiança e louvando-os se o merecerem; respeite e faça respeitar os seus direitos e defenda-os de críticas infundadas; resolva prontamente as controvérsias para evitar que as inquietações prolongadas possam ofuscar a caridade fraterna e lesar o ministério pastoral” (cf. AS 77).

A atividade presbiteral visa o bem das almas, as necessidades da Igreja Particular e a dignidade humana e sacerdotal, por isso “ao conferir encargos, o Bispo julgará com equidade a capacidade de cada um e não sobrecarregará ninguém com tarefas que, pelo seu número ou importância, possam ultrapassar as possibilidades individuais e até lesar a sua vida interior” (cf. AS 78).

“É, pois, oportuno que o Bispo favoreça, quanto for possível, a vida em comum dos presbíteros, que corresponde à forma colegial do ministério sacramental e retoma a tradição da vida apostólica para uma maior fecundidade do ministério. Os ministros sentir-se-ão apoiados no seu compromisso sacerdotal e no generoso exercício do ministério. Este aspecto tem uma especial aplicação no caso dos que estão empenhados numa mesma atividade pastoral” (cf. AS 79).

Uma das preocupações do Bispo Diocesano deve ser as necessidades humanas dos presbíteros: “Aos presbíteros não deve faltar o que seja condizente com um nível de vida decoroso e digno, devendo os fiéis da Diocese estar cientes de que lhes cabe o dever de apoiar tal necessidade” (cf. AS 80).

Em tempos de secularismo, é muito importante que o Bispo tenha consciência de que:
“a) É necessário evitar a solidão e o isolamento dos sacerdotes, sobretudo se forem jovens e exercerem o ministério em localidades pequenas e pouco povoadas. Para resolver as eventuais dificuldades, convirá procurar a ajuda de um sacerdote zeloso e entendido, bem como favorecer frequentes contatos com os outros irmãos no sacerdócio, inclusive através de possíveis modalidades de vida em comum.

b) Importa dar atenção ao perigo do hábito e do cansaço que os anos de trabalho ou as dificuldades inerentes ao ministério possam causar. Consoante as possibilidades da Diocese, o Bispo estudará, caso a caso, a forma de recuperação espiritual, intelectual e física, que ajude a retomar o ministério com renovada energia.

c) Empenhe-se o Bispo com paternal afeto em relação aos sacerdotes que por cansaço ou por doença se encontram numa situação de fraqueza ou fadiga moral, destinando-os a atividades que sejam mais convidativas e fáceis no seu estado, agindo de forma a evitar o isolamento em que possam encontrar-se e, enfim, acompanhando-os com compreensão e paciência para que se sintam humanamente úteis e descubram a eficácia sobrenatural – pela união com a Cruz de Nosso Senhor – da sua condição presente”. (Cf. AS 81).

Cabe ao Bispo velar para que o sacerdote viva o seu celibato como oblação total a Deus e à Igreja. O Bispo não se descuide da formação permanente do seu presbitério.

Na missa de segunda-feira, dia 27 de janeiro deste ano, o Papa Francisco, na sua homilia, na Capela Santa Marta, recordou: “Os bispos não são eleitos apenas para levar avante uma organização que se chama Igreja particular; são ungidos, eles têm a unção e o Espírito do Senhor está com eles. Mas todos os bispos, todos nós somos pecadores, todos! Mas somos ungidos. Mas todos nós queremos ser mais santos a cada dia, mais fiéis a esta unção. E o que faz a Igreja realmente, e o que dá unidade à Igreja é a pessoa do bispo, em nome de Jesus Cristo, porque ele é ungido, não porque ele foi eleito pela maioria. Porque é ungido. É nesta unção que uma Igreja Particular tem a sua força. E por participação também os sacerdotes são ungidos”.

A unção – continuou o Papa – aproxima os bispos e os sacerdotes ao Senhor, e dá a eles a alegria e a força “para levar para frente um povo, a viver ao serviço de um povo”. Doa a alegria de sentirem-se “escolhidos pelo Senhor, seguidos pelo Senhor, como aquele amor com que o Senhor olha para nós, para todos nós”. Assim, “quando pensamos nos bispos e sacerdotes, devemos pensá-los assim: ungidos”. “Ao contrário, não se entende a Igreja, mas não só não a entendemos como não se consegue explicar como a Igreja vai avante somente com as forças humanas. Esta diocese vai avante porque tem um povo santo, tantas coisas, e também um ungido que a conduz, que a ajuda a crescer. Esta paróquia vai para frente porque há muitas organizações, tantas coisas, mas também tem um sacerdote, um ungido que a leva para frente.

E nós na história conhecemos uma mínima parte: quantos bispos santos, quantos sacerdotes, quantos padres santos que deixaram as suas vidas e dedicaram-se ao serviço da diocese, da paróquia; quantas pessoas receberam a força da fé, a força do amor, a esperança desses párocos anônimos, que nós não conhecemos. Existem muitos deles”. São tantos – disse o Papa Francisco -, “os párocos do interior ou da cidade, que com a sua unção deram força ao povo, transmitiram a doutrina, deram os sacramentos, isto é, a santidade”: “Mas, padre, eu li em um jornal que um bispo fez tal coisa, ou que um padre fez tal coisa. Oh sim, também eu li, mas, me diga, os jornais dão também notícias daquilo que fazem tantos sacerdotes, tantos padres em muitas paróquias da cidade ou do interior, que fazem tanta caridade, tanto trabalho para levar avante o seu povo? Isso, não! Isso não é notícia. É sempre assim: faz mais barulho uma árvore que cai, do que uma floresta que cresce. Hoje, pensando na unção de Davi, nos faz bem pensar em nossos bispos e nos nossos sacerdotes corajosos, santos, bons, fiéis, e rezar por eles. Graças a eles hoje nós estamos aqui”.

O Bispo Diocesano não governa a sua Diocese sozinho. Ele o faz em comunhão com o seu presbitério. No diálogo das várias instâncias diocesanas, desde o Colégio Episcopal, com os seus Bispos Auxiliares, o Colégio dos Consultores e o Conselho Presbiteral, o Bispo vai amadurecendo o seu modo de agir como aquele que, em nome de Cristo Cabeça, guia a Igreja Particular como autêntica esposa de Cristo. O Bispo é o que mais deve ouvir. É o primeiro a ser o ponto de “convergência”, de superação de conflitos.

Além de colaboradores da ordem episcopal, os presbíteros são o rosto da Igreja, aqueles ungidos que, indo ao encontro da “Ecclesia”, vivem o anúncio universal do Reino de Deus: “Conversão pastoral” e testemunho de Cristo.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

(http://www.gaudiumpress.org/content/55523#ixzz2sS6gkcEB )

A coragem e lealdade dos guardas suíços

Entrevista com o capelão da Guarda Suíça no dia do juramento de 26 recrutas Por Sergio Mora

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 7 de maio de 2012 (ZENIT.org) – Na manhã deste domingo (6), realizou-se na Sala Paulo VI a cerimônia de juramento de 26 recrutas da Guarda Suíça Pontifícia, perante cardeais, bispos, representantes do corpo diplomático creditado junto à Santa Sé e o representante do papa, dom Giovanni Angelo Becciu.

Antes do juramento, o Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, celebrou uma missa para o corpo da Guarda Suíça no altar da Cátedra de São Pedro, explicando que “é preciso coragem para dar testemunho do Evangelho. Eu o afirmo pensando em vocês, caros guardas suíços, e os exorto a fazê-lo com alegria não só quando estão em serviço, mas sempre, em cada momento e em cada situação da sua vida”.

O papa Bento XVI, no final do Regina Caeli na Praça de São Pedro, dirigiu “uma saudação especial aos novos guardas suíços e às suas famílias, no dia da festa desta histórica corporação”.

ZENIT entrevistou o capelão da Guarda Suíça, dom Alain de Raemy. Ele afirma que a base da espiritualidade da guarda é a fidelidade ao papa e a vontade de defendê-lo ainda que arriscando a própria vida.

Qual é a espiritualidade da Guarda Suíça?

Dom Alain de Raemy: Eu diria que não há uma espiritualidade específica, uma espiritualidade única, já que eles chegam aqui com experiências muito diferentes de família, de paróquias, mesmo sendo todos católicos batizados, confirmados e recomendados pelos seus párocos. São, enfim, experiências espirituais muito diferentes. Temos quem nunca ia à missa aos domingos. Foram batizados, crismados, mas a família não era praticante. E depois descobriram a possibilidade de ser convocados para a Guarda Suíça e aprofundaram as suas razões de fé.

Então nem todos são praticantes?

Dom Alain de Raemy: Eles são conscientes de estarem num lugar onde normalmente deveriam estar católicos praticantes. O papa pede católicos convictos para este serviço. Mas sempre foi assim. Muitos suíços aproveitaram esta oportunidade sem necessariamente ter uma forte motivação religiosa.

Eles praticam os sacramentos?

Dom Alain de Raemy: A missa dominical é obrigatória e a presença é verificada militarmente. E isto os guardas já sabem desde a hora em que eles apresentam a candidatura. Eles sabem que temos um capelão que lhes dará instrução religiosa na escola de formação. Recebem catequese sobre o ministério de Pedro, sobre a história dos papas e da Igreja. É uma catequese intensiva, que é realizada no decurso de um mês.

Quais são os deveres do capelão da Guarda Suíça?

Dom Alain de Raemy: Celebrar a missa na capela da guarda e oferecer os exercícios espirituais anuais. Junto com o comandante e com os outros oficiais, o capelão é responsável pelas atividades culturais do corpo e pelo recrutamento de novos guardas. E também é o responsável pela biblioteca.

Existem outras tarefas?

Dom Alain de Raemy: Sim. Eu tenho que estar sempre muito próximo dos guardas. Vou visitá-los quando eles ficam sozinhos durante muito tempo, e acho que essa é uma grande oportunidade para desenvolver um diálogo pessoal.

Já aconteceu de ouvi-los em confissão?

Dom Alain de Raemy: Já me aconteceu. Os guardas fazem os exercícios espirituais durante a quaresma, que é um período em que o serviço fica mais leve porque o papa e a cúria suspendem todas as atividades.

Quanto tempo duram os exercícios espirituais deles?

Dom Alain de Raemy: Quatro dias de exercícios espirituais, com um pregador escolhido por mim. Neste período tem havido um grande número de confissões. O caso é que em muitas partes da Suíça são praticadas as confissões coletivas. Os fiéis não estão mais acostumados à confissão pessoal. Na quaresma, nós temos guardas que estão se confessando pela primeira vez na vida.

Eles são leigos, mas militares. Como isto afeta o futuro da vida espiritual deles?

Dom Alain de Raemy: O corpo da Guarda Suíça é o melhor provedor de vidas consagradas. A média é de uma ou duas vocações por ano. Muitas vezes, pessoas que nunca tinham imaginado isso viram sacerdotes religiosos ou diocesanos.

E bons sacerdotes?

Dom Alain de Raemy: Sim, porque eles ouviram o papa diretamente, sem as distorções da mídia. Eles praticaram a fidelidade ao Santo Padre e escutaram, entenderam e seguiram a orientação espiritual do papa e da Igreja.

Qual é a coisa mais complicada?

Dom Alain de Raemy: Talvez seja uma atitude de obediência formal que às vezes não vai mais fundo. Mas a obediência também é positiva, porque eles confiam nos superiores e nas consequências da sua atitude para com a fé.

É verdade que os guardas suíços estão dispostos a derramar o sangue para defender o papa?

Dom Alain de Raemy: Esta é a espiritualidade que une todos eles, o compromisso que une os guardas suíços mesmo na diversidade da prática religiosa. Basta ver o juramento para entender que a fidelidade ao papa é indestrutível. Eles podem ter dúvidas sobre a fé, e depois do serviço tem quem não vai muito à missa, mas eles sentirão para sempre, para sempre mesmo, essa união com o papa. Este sentimento fica para sempre dentro deles.

Fonte: Agência ZENIT

O Vaticano exorta a Igreja Chinesa: Obediência a Cristo e ao sucessor de Pedro

Concluiu-se a reunião plenária da Comissão para os católicos no gigante asiático

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 26 de abril de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos o texto do comunicado emitido hoje pela Santa Sé sobre a reunião plenária da Comissão para a Igreja Católica na China, que foi realizada em dias passados no Vaticano.

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De 23 a 25 de abril corrente reuniu-se no Vaticano, pela quinta vez, a Comissão que o Papa Bento XVI criou no 2007 para estudar as principais questões relativas à vida da Igreja Católica na China.

Em uma profunda proximidade espiritual com todos os irmãos e irmãs na fé que vivem na China, a Comissão reconheceu os dons de fidelidade e de dedicação que, ao longo do ano passado, o Senhor deu à Sua Igreja.

Os participantes exploraram o tema da formação dos fiéis leigos, tendo em vista também o “Ano da Fé”, que foi proclamado pelo Santo Padre a partir do 11 de outubro de 2012 até o 24 de Novembro de 2013. As palavras do Evangelho: “E crescia Jesus em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52) ilustram a tarefa à qual foram chamados os fiéis leigos católicos na China. Primeiramente, eles devem entrar sempre mais profundamente na vida da Igreja alimentados pela doutrina da Igreja, conscientes da sua pertença eclesial e coerentes com as exigências da vida em Cristo, que postula a escuta da Palavra de Deus na fé. Nesta perspectiva será particularmente útil para eles um profundo conhecimento do Catecismo da Igreja Católica. Em segundo lugar, eles são chamados a entrar na vida civil e no mundo do trabalho, oferecendo com plena responsabilidade a própria contribuição: amar a vida e respeitá-la desde a sua concepção até seu fim natural; amar a família, promovendo os valores que são próprios também da cultura tradicional chinesa; amar a Pátria, como cidadãos honestos e solícitos do bem-comum. Como bem diz um sábio ditado chinês, “o caminho do grande estudo está no mnifestar as virtudes luminosas, no renovar e aproximar as pessoas, e no alcançar o bem supremo”. Em terceiro lugar, os leigos chineses devem crescer em graça diante de Deus e dos homens, nutrindo e aperfeiçoando a própria vida espiritual como membros ativos da comunidade paroquial, e abrindo-se ao apostolado também com o apoio de associações e de movimentos eclesiais, que favorecem a sua formação permanente.

A este respeito, a Comissão observou com alegria que o anúncio do Evangelho, oferecido por comunidades católicas, às vezes humildes e sem recursos materiais, incentiva cada ano, muitos adultos a pedir o batismo. Ressalta-se, assim, a necessidade de que as Dioceses na China promovam um sério catecumenato, adotem o Rito de Iniciação Cristã dos Adultos e cuidem da sua formação também depois do batismo. Os pastores devem fazer todo o esforço para consolidar nos fiéis leigos os ensinamentos do Concílio Vaticano II, especialmente da eclesiologia e da doutrina social da Igreja. Será também útil dedicar um cuidado especial à preparação de agentes pastorais para a evangelização, para a catequese e para as obras de caridade. A formação integral dos leigos católicos, especialmente onde há uma rápida evolução social e um significativo desenvolvimento econômico, faz parte dos esforços para tornar vibrante e vital a igreja local. Espera-se, também, uma atenção especial aos fenômenos das migrações internas e da urbanização.

As indicações práticas, que a Santa Sé propôs e vai propor à Igreja universal para uma frutuosa celebração do “Ano da Fé”, certamente serão acolhidas com entusiasmo e com espírito criativo também na China. Tais informações estimularão a comunidade católica a encontrar iniciativas adequadas para realizar o que Papa Bento XVI escreveu com relação aos fiéis leigos e à família na Carta do 27 de maio de 2007 para a Igreja Católica na República Popular Chinesa (cf. nn. 15-16).

Os leigos, portanto, são chamados a participar com zelo apostólico na evangelização do Povo chinês. Em virtude do seu Batismo e da Confirmação recebem de Cristo a graça e a tarefa de edificar a Igreja (cf. Ef 4, 1-16).

Durante a reunião, o olhar voltou-se para os Pastores e, em particular, para os bispos e para os padres que estão presos ou sofrem limitações injustas no cumprimento da sua missão. Expressou-se admiração pela firmeza da sua fé e pela sua união com o Santo Padre. Eles, especialmente, precisam da oração da Igreja, para resolver as suas dificuldades com serenidade e na fidelidade a Cristo.

A Igreja precisa de bons bispos. Eles são um presente de Deus para o Seu povo, a favor do qual exercitam o ofício de ensinar, santificar e governar. Eles também são chamados a dar razões do viver e de esperança a todos aqueles que encontram. Eles recebem de Cristo, através da Igreja, o seu trabalho e a sua autoridade, que exercitam em união com o Romano Pontífice e com todos os bispos espalhados no mundo.

Quanto à situação específica da Igreja na China, notou-se que persiste a pretesa dos organismos, chamados “Uma Associação e Uma Conferência”, de colocar-se acima dos bispos e de orientar a vida da comunidade eclesial. Neste sentido, continuam atuais e de orientação as indicações, oferecidas na Carta acima citada do Papa Bento XVI (cf. n º 7), e é importante seguí-las, para que o rosto da Igreja resplandeça claramente no meio do Povo chinês.

Tal clareza foi ofuscada pelos eclesiásticos que receberam ilegitimamente a ordenação episcopal e pelos bispos ilegítimos que colocaram atos de jurisdição ou sacramentais, usurpando um poder que a Igreja não conferiu a eles. Nos dias passados, alguns deles participaram de consagrações episcopais autorizadas pela Igreja. Os comportamentos destes bispos, além de agravar a sua posição canônica, perturbaram os fiéis e muitas vezs forçaram a consciência dos sacerdotes e dos fiéis que estiveram envolvidos

Além disso, essa clareza foi obscurecida por bispos legítimos que tomaram parte nas ordenações episcopais ilícitas. Muitos deles esclareceram sua posição e pediram desculpas, e o Santo Padre os têm perdoado benevolamente; outros, ao contrário, que também participaram, ainda não fizeram tal esclarecimento e são portanto convidados a agir o quanto antes nesse sentido.

Os participantes da Reunião Plenária seguem atentamente e com espírito de caridade estes eventos dolorosos e, embora conscientes das dificuldades particulares desta situação, lembram que a evangelização não pode acontecer sacrificando elementos essenciais da fé e da disciplina católica. A obediência a Cristo e ao Sucessor de Pedro é o pré-requisito para qualquer renovação real, e isso se aplica a todos os componentes do Povo de Deus. Os mesmos leigos são sensíveis à clara fidelidade eclesial dos próprios Pastores.

Com relação aos sacerdotes, as pessoas consagradas e os seminaristas, a Comissão refletiu novamente na importância da sua formação, alegrando-se pelo sincero e louvável compromisso de realizar não somente adequados percursos de educação humana, intelectual, espiritual e pastoral para os seminaristas, mas também momentos de formação permanente para os presbíteros. Além do mais, manifestou-se agradecimento pelas iniciativas, implementadas por vários Institutos religiosos femininos para coordenar atividades de formação para as pessoas consagradas.

Verificou-se, por outro lado que o número das vocações à vida sacerdotal e religiosa nos últimos anos registra um declínio acentuado. Os desafios da situação empurram a invocar o Dono da Messe e reforçar a consciência de que todo sacerdote e toda religiosa, fiél e luminoso no seu testemunho evangélico, são o primeiro sinal capaz de encorajar ainda os jovens e as jovens de hoje a seguir a Cristo com o coração indiviso.

Finalmente, a Comissão lembra que o próximo 24 de maio, memória litúrgica da Beata Virgem Maria Auxílio dos Cristãos e Dia de Oração pela Igreja na China, será uma ocasião particularmente propícia para toda a Igreja para invocar energia e consolo, misericórdia e coragem, para a comunidade católica na China.

[Tradução Thácio Siqueira]

Fonte: Agência ZENIT