Dia de jejum e oração pela Síria

Dia de jejum e oração pela Síria: “Não tenham medo de dar a seus filhos um almoço austero”

ROMA, 04 Set. 13 (ACI/EWTN Noticias) .- O Presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Vincenzo Paglia, convidou as famílias, pais, filhos, e avós, a reunir-se no próximo dia 7 de setembro para o dia de jejum e oração que o Papa Francisco convocou para pedir a paz na Síria, Oriente Médio e no mundo.

“Queridos pais, não tenham medo de propor aos seus filhos um almoço austero e mínimo, será a ocasião para lhes explicar o que está acontecendo no mundo e como estes fatos terríveis não podem deixar-nos indiferentes. Convido-os a acolherem a proposta do Papa e a viverem também em casa o gesto do jejum e da oração”, animou Dom Paglia em 3 de setembro conforme informou o jornal da Santa Sé, L’Osservatore Romano.

As contínuas notícias que chegam da Síria sobre um possível ataque da comunidade internacional a este país em guerra “interpelam o coração, a nossa inteligência, e a nossa fé”, e é necessário que este dia de jejum e oração, “seja acolhido com grande seriedade e compromisso de todos”, acrescentou.

“Não se esqueçam de convidar os avós e os idosos para este almoço feito com pouca comida e muitas palavras, se algum deles experimentou tempos de guerra, poderá explicar o que significou viver sob as bombas e na incerteza do amanhã e qual era o sentido de suas orações naqueles dias”.

“E vós jovens, não se lamentem se no sábado não há grandes pratos sobre a mesa, mas deem graças aos seus pais pelo que lhes propõem, é mais, exijam deles uma explicação e os motivos pelos que vale a pena continuar e habitar esta terra marcada muito frequentemente, por lutos e violência”, convidou.

Junto à dureza das notícias, Dom Paglia animou a não se esquecerem de comunicar a esperança da paz oferecida por Jesus ressuscitado, que reconciliou o mundo com gestos doando-se a si mesmo, em lugar de usar gestos violentos e vingativos.

“Rezem unidos na mesa, orem! Pelas famílias da Síria, pelas crianças que morrem todos os dias, pelo ódio e pela fome, pelos governantes chamados a encontrar as soluções de paz e não a violência”, exortou.

Por último o Arcebispo Paglia convidou a recitar junto à família um salmo, ler uma página do Evangelho, rezar uma dezena do Terço, fazer uma oração livre em voz alta, ou fazer um canto simples, ou qualquer ato que mais lhes seja propício para interceder, “e meter-se no meio do mistério do mal que marca a nossa história e no mistério do Deus da paz que a cura e a salva”, concluiu.

No dia 1º de setembro o Papa Francisco convidou todos os cristãos, os membros de outras religiões e homens de boa vontade a juntar-se a esta convocatória, e anunciou que nesse mesmo dia, de 19h a 23h (hora local), será celebrada na Basílica de São Pedro, uma vigília de oração para pedir a paz definitiva no país árabe.

Como fazer o jejum e a oração na Jornada convocada por Francisco?

O beato João Paulo II também convocou uma jornada semelhante depois do atentado das Torres Gêmeas

Por Rocio Lancho García

ROMA, 04 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – Diante dos momentos dolorosos que está sofrendo a nação Síria por causa da violência, o santo padre propôs um dia de jejum e oração no qual convida os cristãos, fieis de outras religiões e homens e mulheres de boa vontade a participarem desta jornada. Pedir pela paz no mundo e especialmente neste momento pela paz na Síria, unirá o coração e os desejos de muitas pessoas neste sábado dia 7 de Setembro.

O beato João Paulo II teve uma iniciativa semelhante em 2001, após os ataques às Torres Gêmeas em Nova York, quando convidou a viver o dia 14 de dezembro daquele ano como um dia de jejum e oração para que Deus concedesse ao mundo “uma paz estável, fundada na justiça” e convidou representantes das religiões do mundo a Assis no dia 24 de janeiro de 2002 para rezar pela superação das oposições e para promover a paz autêntica”.

Jejuar também significa ser solidário e entender a situação das milhares de pessoas que todos os dias passam fome no mundo. Este sábado também pode ser um tempo para explicar até mesmo para os menores da casa o sentido de fazer este sacrifício, que está longe de ser um ato desprovido de significado.

Em uma nota divulgada pelo Departamento de Celebrações Litúrgicas na época, ofereceram algumas reflexões sobre o significado do jejum e da oração.

O dia de jejum, indica, não deve ser entendido apenas de acordo com as formas jurídicas do Código de Direito Canônico; “mas em um sentido mais amplo, que envolva livremente a todos os fieis: as crianças, que voluntariamente fazem renúncias em favor dos seus irmãos pobres; os jovens, muito sensíveis à causa da justiça e da paz; todos os adultos, menos os doentes, sem excluir os anciãos”.

” Em todas as grandes experiência religiosas o jejum ocupa um lugar importante”, explica. “O jejum implica uma atitude de fé, de humildade, de total dependência com Deus. Já no Antigo Testamento há exemplos em que o jejum é usado para “se preparar para o encontro com Deus; antes de enfrentar uma tarefa difícil ou pedir o perdão de uma culpa; para expressar a dor causada por uma desgraça familiar ou nacional; mas o jejum, inseparável da oração e da justiça, está orientado principalmente para a conversão do coração, sem a qual, como os profetas já denunciavam, não tem sentido”. Do mesmo jeito encontramos o exemplo na vida de Jesus, quando jejuou durante 40 dias no deserto antes de começar a sua vida pública.

Na nota também explica que “fieis à tradição bíblica, os santos padres tiveram muita consideração pelo jejum. De acordo com eles, a prática do jejum facilita a abertura do homem a outro alimento: o da Palavra de Deus e do cumprimento da vontade do Pai; e em estreita ligação com a oração, fortifica a virtude, suscita a misericórdia, implora o socorro divino, leva à conversão do coração”.

O documento, no final, explica que ” a prática do jejum é dirigida ao passado, ao presente e ao futuro: ao passado, como reconhecimento das culpas contra Deus e contra os irmãos, das quais todos estamos manchados; ao presente, para aprender a abrir os olhos para as necessidades dos outros ou à realidade que nos rodeia; ao futuro, para acolher no coração a realidade divina e renovar, a partir do dom da misericórdia de Deus, a comunhão com todos os homens e com toda a criação, assumindo responsavelmente a tarefa que cada um de nós tem na história”.

Traduzido do original espanhol por Thácio Siqueira

(Fonte: Agência Zenit)

Do Vaticano para os Pobres de Roma

Uma jantar dos sonhos no Vaticano para os pobres de Roma

Ceia nos jardins, organizada pelo Círculo de São Pedro, tem banda de música e é servida por príncipes e por um cardeal

Por Sergio Mora

ROMA, 03 de Julho de 2013 (Zenit.org) – Não foi um sonho, mas um jantar dos sonhos. Na noite desta segunda-feira, cerca de duzentas pessoas, entre mendigos e “novos pobres” da atual crise financeira, foram convidadas a jantar nos jardins do Vaticano, aos pés da gruta de Nossa Senhora de Lourdes.

O cardeal Giuseppe Bertello, presidente do governo da Cidade do Vaticano, deu as boas-vindas aos convidados em nome do papa Francisco e abençoou o jantar. “Como vocês sabem”, disse o cardeal Bertello, “esta é a casa de vocês e nós os recebemos com alegria. Nossa Senhora, diante de nós, nos olha com serenidade. É o mesmo olhar que eu desejo a todos vocês e àqueles que cuidam de vocês com tanto amor”.

Entre os convidados, havia mendigos e vítimas da chamada “nova pobreza”: pessoas que até pouco tempo atrás tinham certa estabilidade, mas se tornaram pobres devido a algum acontecimento inesperado: um acidente, um divórcio, a perda do emprego…

O jantar foi organizado pelo Círculo de São Pedro e aconteceu pela primeira vez no Vaticano. Dois anos atrás, os leigos do círculo tinham preparado outra ceia em São João de Latrão, com a presença do cardeal Angelo Sodano.

O Círculo de São Pedro nasceu em Roma em 1869, por iniciativa de um grupo de jovens da alta burguesia e de famílias nobres romanas que queriam mostrar ao mundo a sua fidelidade ao pontífice, então Pio IX. Era um momento muito difícil da história do papado e da Igreja. Fidelidade incondicional à Igreja e ao Romano Pontífice é o traço distintivo do grupo, cujo lema é Oração, Ação e Sacrifício.

O bonito ambiente do jantar contou com mesas e toldos brancos na esplanada aos pés da gruta de Lourdes, muito perto do local em que o papa emérito Bento XVI vive retirado. A ceia foi servida ao entardecer do verão romano, ainda com luz natural, conforme relatou a ZENIT um dos participantes.

O príncipe Leopoldo Torlonia e o assistente eclesiástico do Círculo de São Pedro, mons. Franco Camaldo, serviram as diversas mesas, junto com uma centena de membros do círculo. Durante o evento, parte da banda da Gendarmaria do Vaticano tocou ao vivo.

“Houve um primeiro prato; um segundo prato, com carne que podia ser comida também por pessoas de outras religiões; uma sobremesa, um espumante para o brinde. Havia também algumas bolsas com frutas para que os convidados levassem depois, e outro presente, que continha vários doces”, contou nosso entrevistado.

Para o Círculo de São Pedro, doar alimentos aos necessitados é habitual. “Todos os dias, em nossos três refeitórios econômicos, nós alimentamos quem nos procura. Não perguntamos qual é a sua nacionalidade, nem a religião, nem nada. Eles apenas chegam com um cupom que nós distribuímos nas paróquias”, explicou a ZENIT um dos organizadores.

“Essas pessoas foram convidadas dentre os frequentadores dos nossos refeitórios econômicos e de um centro nosso de atendimento multifuncional. Nós fomos buscá-los com quatro ônibus em quatro pontos da cidade. Por volta das 10 da noite, todos os convidados foram levados de volta até esses mesmos pontos”.

Poucos dias antes, na missa da festividade de São Pedro e São Paulo, o cardeal Versaldi tinha recordado ao Círculo de São Pedro o dever de dar testemunho do amor de Cristo nas periferias da Igreja. “Com a sua associação, vocês estão presentes como leigos na Igreja: as periferias do mundo estão ao seu alcance, são lugares que vocês frequentam. O dever do testemunho lhes pertence, para ser credíveis no mundo e para manifestar o amor misericordioso de Cristo”.

Fonte: Agência Zenit