O hábito de organizar a vida sem Deus, causou uma ruptura na transmissão da fé

Cardeal Ouellet abre a Assembleia Plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina

Por Maria Emilia Marega Pacheco

FORTALEZA, 25 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Teve início nesta terça-feira, 25 de fevereiro, no Vaticano, a Assembleia Plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) sobre a “Emergência Educativa e a transmissão da fé aos jovens latino-americanos”. Na abertura, o Cardeal Marc Ouellet, presidente da CAL, fez a palestra “Significado do Pontificado de Francisco para a América Latina: exigências e responsabilidades”.

Em entrevista a Rádio Vaticano, o cardeal Ouellet explicou que o tema da Plenária pretende dar continuidade ao tema da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013. Portanto, haverá um momento dedicado à avaliação da JMJ, quando o Cardeal Scherer fará a conferência: “A JMJ do Rio: exigências e desafios levantados para a Igreja brasileira e latino-americana”.

Sobre a emergência educativa, Ouellet destacou que o secularismo está se difundindo também na América Latina, e “o hábito de organizar a vida sem Deus, causou uma ruptura na transmissão da fé”.

Outro tema importante a ser discutido na Plenária é a família. “A família é um recurso para a nova evangelização, o testemunho do amor é fecundo para a sociedade”, afirmou o cardeal.

Na quarta-feira, o arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, falará sobre “A formação na fé das novas gerações cristãs”.

Conforme notícia da Rádio Vaticano, os trabalhos concluir-se-ão na sexta-feira (28), com a apresentação de um projeto de “Recomendações pastorais” sobre o tema da Assembleia. Sexta-feira às 11 horas os participantes serão recebidos em audiência pelo Papa.

Cerca de 25 cardeais e arcebispos da América Latina compõem a Comissão. Os cardeais brasileiros Dom Cláudio Hummes, Dom Odilo Scherer e Dom Raymundo Damasceno Assis, membros da CAL, também participam da Plenária.

A Pontifícia Comissão para a América Latina é um órgão da Cúria Romana, instituído em 21 de abril de 1958 pelo Papa Pio XII, a fim de estudar os problemas da vida católica, da defesa da fé e da propagação da religião na América Latina. Também visa apoiar o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e coordenar os organismos da cúria em questão.

(Zenit)

Homilia do papa na Casa Santa Marta: Os cristãos sem fé são como os demônios

O Santo Padre nos recordou hoje que a fé sem obras não é fé, porque a fé verdadeira sempre envolve testemunho

Por Redacao

ROMA, 21 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – “Uma fé que não dá frutos por meio das obras não é fé”, afirmou nesta manhã o Santo Padre durante a homilia na Casa Santa Marta. O papa ofereceu a missa pelos 90 anos de idade do cardeal Silvano Piovanelli, arcebispo emérito de Florença, agradecendo a ele “pelo trabalho, pelo testemunho e pela bondade”.

O mundo está cheio de cristãos que recitam muito as palavras do credo, mas as põem muito pouco em prática. Ou de eruditos que compartimentam a teologia em uma série de possibilidades, sem que essa erudição, depois, se reflita concretamente na vida. É um risco que, há dois mil anos, São Tiago já temia. O papa o abordou hoje na homilia ao comentar o fragmento em que o apóstolo o menciona em sua carta.

Francisco observou que a afirmação do apóstolo é clara: “A fé sem fruto na vida, a fé que não dá fruto nas obras, não é fé”. E continuou: “Também nós nos enganamos às vezes sobre isto: ‘Mas eu tenho muita fé’, ouvimos dizer. ‘Eu acredito em tudo, tudo…’. Mas a pessoa que diz isso, talvez, leva uma vida morna. A sua fé é como uma teoria, mas não é viva na sua vida. O apóstolo Tiago, quando fala da fé, fala precisamente da doutrina, do conteúdo da fé. Podemos conhecer todos os mandamentos, todas as profecias, todas as verdades da fé, mas, sem a prática, de nada serve. Podemos recitar o credo teoricamente, também sem fé, e há muita gente que faz isso. Até os demônios! Os demônios conhecem muito bem o que se diz no credo e sabem que é verdade”.

As palavras do pontífice ecoam a afirmação de Tiago: “Crês que há somente um Deus? Fazes bem. Até os demônios o creem e tremem diante dele”. A diferença, explicou o papa, é que os demônios “não têm fé”, porque “ter fé não é ter um conhecimento”, mas “acolher a mensagem de Deus” trazida por Cristo. O Santo Padre nos explica que, no Evangelho, encontramos dois sinais reveladores de quem “sabe o que se deve crer, mas não tem fé”. O primeiro sinal é a “casuística”, representada por aqueles que perguntavam a Jesus se era lícito pagar os impostos ou qual dos sete irmãos do marido devia se casar com a sua viúva. O segundo sinal é “a ideologia”.

E detalhou: “Os cristãos que pensam a fé como um sistema de ideias, ideológico: também no tempo de Jesus havia gente assim”. O apóstolo João diz que eles são o anticristo, os ideólogos da fé, sejam do tipo que forem. “Naquele tempo havia gnósticos, mas havia muitos… E assim, quem cai na casuística ou na ideologia é um cristão que conhece a doutrina, mas não tem fé; como os demônios. Com a diferença de que os demônios tremem, mas estes não: estes vivem tranquilos”.

Por outro lado, Francisco recordou que no Evangelho há também exemplos de pessoas que não conhecem a doutrina, mas têm muita fé. Ele citou a cananeia, que, com sua fé, chora pela cura da filha vítima de uma possessão, e a samaritana, que abre o seu coração porque “encontrou não verdades abstratas, mas o próprio Jesus Cristo”. O papa também fala do cego curado por Jesus e interrogado pelos fariseus e doutores da lei até se ajoelhar com simplicidade e adorar quem o curou. Três pessoas que, diz Francisco, “demostram que a fé e o testemunho são indissociáveis”.

Para terminar, o Santo Padre enfatizou que “a fé sempre leva ao testemunho. A fé é um encontro com Jesus Cristo, com Deus, e leva ao testemunho. É isto o que o apóstolo quer dizer: uma fé sem obras, uma fé que não nos compromete, que não nos leva ao testemunho, não é fé. São palavras e nada mais do que palavras”.

(Zenit)